Konoha Hotel

4 A Golpista


Notas iniciais
Boa leitura!

Ando pela calçada daquela rua movimentada olhando para os grandes prédios e hotéis que haviam ali.

— Número 102... 115... Aqui! 119. – Olho para cima e encaro a fachada dourada de um luxuoso hotel à minha frente. – Hm, um 5 estrelas. Você está bem em maninho.

Sorrio enquanto ponho novamente meus óculos de sol que estavam na cabeça. Dou uma olhada em volta e arrumo a saia do meu vestido preto formal.

Cabelo ok. Vamos lá. Você consegue Temari!

Aproximo-me despretensiosamente do porteiro que estava parado ao lado da grande porta giratória do hotel. Olho para o senhor baixinho e careca e penso que ele deve ser menor que eu sem salto. Ele tem um sorriso simpático e me olha com atenção. Aquelas roupas tinham que servir pra alguma coisa pelo menos.

— Olá, bom dia. – Ele balança a cabeça de modo solicito. – Meu nome é Yume... Sou... Amiga, do senhor Gaara no Sabaku.

Ele arqueia uma sobrancelha de modo pensativo o que me faz achar que não estou convencendo-o. Sorrio para ele da maneira mais simpática que consigo e sigo falando.

— É, sabe senhor...

— Ramires, madame. – Ele diz ainda solicito.

— Então senhor Ramires, eu queria fazer uma surpresa para Garra, o meu amigo, por isso não quis me anunciar na recepção. – Ele sorri compreensivo. Esse já ‘ta no papo! Aproveito para continuar falando. – Não nos vemos há algum tempo e, acredite senhor Ramires, ele ficaria surpreso em me ver.

Disso eu tenho certeza... pensei comigo mesma.

— É claro senhorita, seria um prazer lhe ajudar, só tenho que conferir se ele está em seu turno. Me acompanhe. – ele diz para mim, fazendo um gesto com a mão para que eu atravessasse as portas do hotel.

Ele segue logo atrás de mim e para comigo perto dos sofás de couro mais ao canto do saguão.

— Um momento, por favor. – Diz por fim sorrindo, logo indo em direção ao balcão da recepção.

“Turno?”

As palavras do porteiro haviam me deixado incomodada. Já vivi coisas demais pra saber que quem tem turno não se hospeda em um lugar desses. Ok Temari, ele não está como você esperava, mas ele pode ser um gerente! Isso, gerente! Ele gostava de mandar nos outros mesmo. Aquilo já me serviria por um momento.

Estava tão distraída que não percebi que seu Ramires tinha voltado. Logo pude perceber uma cabeleira ruiva conhecida que o seguia pelo saguão.

— Aqui está ela Gaara, sua amiga Yume. – O porteiro estende o braço para mim sorridente.

Ok, ele concretamente e sem revogação, não é um gerente. A não ser que a política do hotel inclua o uso de macacões. Fico levemente desapontada, mas não deixo transparecer.

— Vocês podem conversar no Hall. – Disse o porteiro, mas eu ainda encarava meu... Irmão.

Ele me olhava, e tinha certeza que não havia me reconhecido, afinal eu usava uma peruca de cabelos lisos pretos e ainda estava de óculos escuros.

— Olá Gaara, podemos conversar? – Me adiantei a falar e o vi franzir ainda mais a expressão. Ainda desconfiado ele anuiu com a cabeça me chamando para uma poltrona mais afastada da entrada.

— Me desculpe mas, eu te conheço? – Ele perguntou depois de termos nos sentado. Eu sorrio e concordo com a cabeça tirando meus óculos escuros. Surpresa estampa seu semblante e fico receosa, o que esperar dele? – T-Temari? ...

— Oi maninho. – Suspiro. Estou tão desconfortável. Fazia muitos anos que não nos víamos e o reencontrar daquela maneira não era minha intenção inicial.

— O-oquê faz aqui? Como me achou? – Ele falava rapidamente, atropelando as perguntas. Parecia estar muito confuso mesmo.

Eu também não achava que nos veríamos tão cedo. Queria me explicar logo e ir embora. Porém a nostalgia me abateu. Olhando pra ele assim, tão crescido e homem. Vi que passei muito tempo longe dele.

— Me diga Temari! – Afasto minhas reflexões inúteis quando o ouvi me chamar. Eu precisava de ajuda.

— É... Então, eu preciso de sua ajuda. – Nunca pensei que estaria constrangida. Mas estou. E na frente de alguém que eu deixei partir e jurei não me importar. – Gaara, eu preciso que me ajude. – Disse séria dessa vez. Já bastava envolvê-lo. Aquilo tinha que ser rápido.

— Você precisa de minha ajuda? – Ele riu passando a mão no cabelo. Uma risada amarga que me fez querer não ter vindo ali. – A minha ajuda... VOCÊ QUER A MINHA AJUDA DEPOIS DE 7 ANOS? – Ele gritou se levantando, chamando a atenção das pessoas da recepção. Eu fiquei assustada. Como não poderia? Aquele filha da mãe devia ter quase 1,90. Mesmo no meio daquilo sorri lembrando-me do garoto cheio de espinhas e marrento. – PORQUE ESTÁ SORRINDO? – Opa, mau momento Temari.

— Garra? Está tudo bem? – Uma moça baixinha e de cabelo cor-de-rosa se aproxima de nós. Eu nem vi de onde ela saiu. Ela estava com o uniforme do hotel, então deve trabalhar aqui também...

Como alguém de cabelo rosa trabalha em um hotel 5 estrelas?

— Ah, Sakura... Está, está sim, só... Você sabe se a Ino já saiu? – Ele pergunta meio embaralhado para a tal Sakura... Será que são íntimos? Ela não parece ter dinheiro mas, Ino! Ino é a namorada dele. Liguei para ela antes de vir e ela foi muito evasiva. Me fez achar que tinham terminado ou que não gostava de mim... Ok, foco Temari, você precisa dele.

— O turno dela já deve estar acabando sim. – Ela diz olhando no relógio de pulso e, em seguida, sorrindo para nós dois. Hmm, tem cara de recepcionista. – Você quer que eu a chame ou algo assim? – Ela tentava ser solicita para ver se amenizava a ira de Gaara. A cara dele não estava nada boa mesmo.

Desvio a atenção dos dois quando me levanto já tocando no braço de Gaara.

— Gaara, pra resumir... Eu tentei roubar um contrabandista e estou sendo perseguida. A propósito, tenho uma dívida de 75 mil e espero que você me empreste o dinheiro. – Ok, não era assim que eu tinha planejado, mas não podia arriscar com ele prestes a me dar as costas. Sorri tentando amenizar o que eu havia falado.

— É... Ok, acho melhor irem para um local mais reservado não é? Gaara, moça... ? De preferência um local na presença da Ino.

Não entendi a referência da menina rosa, mas preferi me calar ao ver o olho esquerdo de Gaara tremendo em um tique nervoso.

oOOo

— Deixe-me ver se eu entendi... Você está devendo para um contrabandista que você tentou roubar e agora ele está te perseguindo. Você precisa pagar a dívida de 75 mil ou sua cabeça está a prêmio?

— É isso. – Sorrio anuindo com a cabeça.

Estávamos sentados em uma mesa de um restaurante japonês do hotel que estava fechado. Depois da ‘sugestão’ da garota de cabelo rosa Gaara saiu andando e eu o segui. Viemos parar aqui, eu estranhei por ele entrar em um restaurante fechado, mas então ele beijou uma mulher loira vestida com um Kimono e eu entendi que aquela era Ino. Agora ela falava comigo ao lado de Gaara que não me encarava.

– E-eu, me desculpe. Não queria te envolver nisso Gaara. Mas eu não tenho mais a quem recorrer! – Ele enfim me encarou, deve ser porque eu estava quase chorando. Não me sentia bem fazendo aquilo com ele, contudo eu ainda precisava do dinheiro!

— Você é rica. Pague sua dívida e nos deixe em paz. – Ele falou áspero e começou a se levantar da cadeira em que estava. Joguei-me no chão e o agarrei pelas pernas.

— Não Gaara, por favor, você é tudo que eu tenho! – Dei uma soluçada exagerada e continuei no chão.

— Todo o dinheiro de herança do nosso pai acabou! D-depois que você foi embora várias empresas o processaram por quebra de contrato! Ele não terminou o que fazia e nem deixou alguém em seu lugar. Não sobrou nada Gaara. – Abaixei a cabeça e me debulhei em lágrimas sem encará-lo.

— Gaara... Vamos ajudá-la. – Ouço a voz da minha cunhadinha loira e dou um leve sorriso vitorioso por debaixo de meu cabelo. Gaara suspira e eu aumento um pouco o volume do choro fingido.

— Ok. – ele diz contrariado.

Olho para ele com o rosto molhado e com uma leve expressão de alívio. Levanto-me ainda abatida, bem, bem abatida e me sento na cadeira.

— Obrigada Gaara, por tudo. – paro para um suspiro afetado. Olho para ele com minha cara de desolada. – Vou achar um lugar pra passar a noite e podemos conversar mais calmamente. Amanhã tudo bem? – Digo já me levantando e andando cabisbaixa até a porta.

Diminuo o passo quando não noto reação. Passo propositalmente ao lado da namorada de Gaara e ela segura meu braço. Touché*.

— Não Temari... Ela pode ficar com você não é Gaara? – Gaara olha para Ino totalmente desarmado. Rio internamente, está sendo mais fácil do que eu esperava. O vejo assentir com a cabeça ainda desgostoso da situação. Eu sorrio fraco para os dois.

Etapa número 1: Completa.

— Obrigada, mesmo, não sei como agradecer. – Digo e Ino sorri para mim. ‘Tô adorando essa garota! Mas de repente ela parece lembrar-se de algo.

— Você nem deve ter comido não é? Fique aqui. Vou pedir para o Naruto preparar algo. – E saiu andando antes que eu pudesse protestar.

Não que eu fosse protestar é claro. Gaara ainda está em pé ao meu lado, deixo-o em paz com seus pensamentos. Não posso arriscar essa chance.

Fico meio distraída até que sou despertada por um cheiro agridoce vindo da cozinha. Desvio meu olhar para lá e vejo um loiro alto colocando fogo em algo dentro de uma frigideira. O cheiro me faz sentir fome. Ino aparece e caminha em direção a mesa com um prato em mãos pondo-o em minha frente e me sento em seguida. Apesar de não fazer ideia do que é começo a devorá-lo sem me importar com os modos. Eu não comia desde o café da manhã.

— Você estava mesmo com fome. – Ino diz quando termino de comer aquela coisa deliciosa. – O Naruto é um ótimo cozinheiro não é? – ela fala apontando com a cabeça e só então me dou conta que o cozinheiro loiro com cara de viking estava sentado naquela mesa.

— Estava ótima mesmo, obrigada. – sorrio simpaticamente e ele escancara a boca. Literalmente. Que sorriso era aquele?

— Que isso, era o mínimo que eu podia fazer pela irmã do Gaara. Ino me contou... E adivinha? Vamos morar no mesmo prédio. – ele diz animado e suponho que o Gaara more no mesmo prédio que ele. Sorrio com a constatação de que poderia ter um cozinheiro como vizinho.

— Inooooo. – Ouço o chamado da porta até que a moça de cabelos rosa aparece. E logo atrás dela um homem moreno e uma moça oriental. – Ahh, oi! Você é a moça do saguão não é? – Confirmo com a cabeça e estico minha mão para cumprimentar ela.

— Temari. Sou a irmã do Gaara! – Lhes dou o meu melhor sorriso simpático. Minhas bochechas já estavam doendo de tanto esticá-las desse jeito.

— Você tem uma irmã? – Quem se pronunciou havia sido o homem moreno e olhando por cima... Ele não parecia ter muito dinheiro não. Droga Gaara! Você não é amigo de ninguém mais rico não? Enquanto o analisava pude ouvir Gaara bufar ao meu lado. Poxa, assim você me magoa irmãozinho.

— É... Tenho sim. – ele diz fazendo pouco caso. Sorrio-lhes mais uma vez para enfatizar minha imagem de bem apessoada.

— Muito prazer Tamari! Meu nome é Sakura. Esse é o Sasuke. – diz apontando para o homem moreno com cara de trabalhador operário. – E essa é a Hinata. – agora faz sinal para a mulher com traços orientais, ela vestia o mesmo Kimono que Ino, confirmando a minha tese de que só tem gente assalariada aqui. Não deixo aquilo me abalar. Eles poderiam me ser úteis no futuro.

— Ah, Ino, vim aqui chamar vocês, Tenten voltou do Hospital e nos chamou lá embaixo. Parece querer nos contar algo. Estou preocupada. – a garota rosa diz agora olhando para Ino.

— Nossa, claro, ela não voltou ontem, vamos logo! – todos se levantaram rapidamente e seguiram até a saída do restaurante. Eu os segui, torcendo para que pelo menos essa ‘Tenten’ fosse mais classe média.

oOOo

Estávamos em uma parte atrás da recepção. Tinha muitas roupas lá, o que era estranho. Tratei de memorizar aquele lugar. Poderia ser útil.

Estavam todos em volta de uma morena com coques e de um cara asiático com cabelos compridos. Não compridos estilo Christopher Hemsworth*. Compridos tipo uma freira com voto de castidade. Gozado aquele cara. Mas o clima parecia tenso. Ninguém dizia nada e aquilo começava a parecer uma daquelas cenas ápices de um filminho de drama meloso. Eles ficavam se encarando. Fala logo porra!... Se bem que a Rapunzel sem tranças usava terno. Hm, alguém abastado...

— Então... – disse a morena de coques. – Eu desmaiei ontem porquê…

Solto uma respiração pesada. Fala logo. Não fica fazendo suspense. Se bem que se ela estivesse com câncer ela não estaria sorrindo. – Nós estamos grávidos!

Tudo isso pra dizer que ela ia ter uma cria?

— Meus parabéns Tenten! – a primeira a dizer alguma coisa depois dos gritinhos empolgados foi a Sakura. Ela foi abraçar a morena grávida e as outras mulheres fizeram o mesmo. Ok, eu tenho que fazer isso também?

— É... Parabéns! – digo acenando meio de longe enquanto sorria.

Eu já conhecia uma recepcionista. Era o suficiente para os meus planos. Observei ao redor e os homens cumprimentavam o ‘pai’ que estava sério. Que cara fechada menino.

— Então, Tenten vai deixar o hotel por causa da gravidez vocês sabem, não é. – diz o pai calmamente. A tal Tenten lhe encarou imediatamente e algo me dizia que ela não estava a par da decisão.

— Mas de jeito nenhum! – fala Teten. Eu não disse? — Não vou deixar meu emprego Neji. Ainda estou no início da gestação. – ela parecia decidida.

— Não posso deixar que trabalhe o dia inteiro! Você pode pegar um turno de meio período então. – ele a segurava pelos ombros. Comecei a achar aquela uma boa ideia, digo, não a parte de ele segurá-la, não me importo. Mas sim a vaga que ia aparecer.

— E quem entraria no meu lugar? Kakashi costuma fazer apenas recrutamentos anuais... – Tenten falou pensativa. Essa é minha chance!

— Eu estou desempregada! – me apresso em dizer me infiltrando no meio do bolinho de gente. – Desculpa, eu sou a irmã do Gaara. – jogo logo o meu trunfo. Isso tem que significar alguma coisa para eles né? Assim espero ao menos.

— Ah, sim, eu teria que ver com o Kakashi e modificar meu contrato... – a morena começa a dizer meio incerta. Seu é... Companheiro, interrompe. Será que são casados? Não vejo aliança.

— É perfeito, posso ligar para Kakashi e resolver isso hoje mesmo. – Opa, tão íntimo do chefe assim? Sabia que aquele cara tinha capital.

— Neji! Não é só por que você é o advogado do hotel que você pode pedir favores desse tipo! – fala Tenten. Advogado? Nossa! Esse cara me pode ser útil, muito útil.

— Posso sim Ten, confie em mim. – Ele diz acariciando sua face. Eu vomitaria na lixeira, mas tenho que ficar aqui e parecer uma boa moça. Sorria Temari. – Você provavelmente ficará com seu irmão não é? – ele pergunta para mim e apenas concordo com a cabeça. – Ótimo, eu ligo para Gaara para confirmarmos tudo. – Volta-se novamente para Tenten e começa a guiá-la em direção a saída daquele quartinho. – Tchau pessoal. Vem Ten, você tem que começar a tomar as sua vitaminas e temos que mudar suas coisas para minha casa.

— Eu não vou ir morar com você! Você vem morar comigo. – ainda a ouço dizer antes de desaparecer pela porta.

Olho para o pessoal que ainda está ali e Ino se destaca vindo em minha direção.

— Meus parabéns! Você vai trabalhar aqui! – ela estava me abraçando e fiquei desconfortável com aquele contato. Claro que só por dentro. Retribui o abraço sorrindo.

— Ela ainda não conseguiu o emprego Ino. – Gaara diz com aquela cara de tédio que eu costumava jogar meus chinelos no passado. Moleque insolente. Eu troquei suas fraldas, bastardo!

— Todo mundo consegue emprego nesse hotel Gaara. – ela respondeu quando nos afastamos. Arqueei minhas sobrancelhas – Sem ofensas. – ela diz meio sem graça. Mas eu não estava mais preocupada com aquilo.

Tudo aconteceu melhor do que o esperado. Meu irmãozinho fez muitos amigos por aqui. Amigos muito úteis e... Usáveis.

Etapa número 2: Mais avançada que o previsto.

Notas finais
Glossário: Touché* - É um golpe na esgrima onde se acerta o adversário com a espada. Christopher Hemsworth* - É nada mais, nada menos do que o ator que que interpreta o Deus Thor.