Hinata estava andando com Naruto pela escola, eles tinham aquele tempo de aula livre, então decidiram andar por aí. Quando criança Hinata foi encurralada por três garotos mais velhos, Naruto passava por perto na hora e não teve dúvidas ao defender a menina, ele apanhou dos garotos, mas salvou Hinata e era isso que importava.

Foi naquele momento que a Hyuuga se apaixonou por ele, no início era uma paixonite boba de criança, mas eles foram crescendo e se tornando mais e mais próximos e o sentimento dela por ele também aumentou. Depois que o loiro salvou-a, Hinata contou pra ele que era herdeira dos Hyuuga e por isso eles a atacaram, Naruto ao perceber que falava com uma filha de super-heróis, assim como ele, contou pra ela quem eram seus pais, e foi assim que se tornaram grandes amigos e passaram a frequentar a casa um do outro.

Hinata sabia que ia chegar o momento em que ela teria que se declarar para o melhor amigo, mas ela nunca se sentia pronta, tinha medo da rejeição, apesar de saber que mesmo que o loiro não sentisse o mesmo ele não a abandonaria. Ainda assim ela tinha medo, sempre foi tímida e todos os amigos que tinha era graças a Naruto, que falava com todos e conseguia a amizade de todos.

E foi por falar com todos sem nenhum preconceito que agora Naruto vivia grudado em Sasuke, os dois eram completos opostos que por incrível que pareça se davam bem. Ultimamente os dois viviam andando juntos, e por mais egoísta que fosse, Hinata sentia falta da atenção que tinha do melhor amigo só pra ela, por isso ela estava tão feliz de passar aquele momento apenas com ele.

Eles haviam acabado de sentar em um banco de ferro em um dos muitos corredores da escola, estavam conversando sobre assuntos aleatórios. Mas aquele momento pegou Hinata desprevenida.

— Então... Você sabe que daqui algumas semanas têm o baile né? — Ele a olhou com aqueles olhos azuis penetrantes que pareciam ler sua alma.

— Uhum. — Hinata falou enquanto assentia e tentava disfarçar o nervosismo.

— E a gente é melhor amigo né? — Ele a olhou inquieto e ela apenas assentiu. — Eu tava pensando... — Naruto levou uma das mãos para trás da cabeça e coçou a nuca por estar nervoso. — A gente podia ir junto né? — Ele falou de uma só vez.

A Hyuuga estava atenta a cada gesto e palavra do loiro e aquela convite fez seu rosto adquirir um tom vermelho.

— Eu vou entender se alguém já tiver te chamado. — Ele olhou pra baixo parecendo desolado. — Afinal você é uma das garotas mais bonitas do nosso ano. — Agora os olhos azuis dele penetravam os perolados dela ao mesmo tempo em que ele dava um sorriso fraco.

— Bo-boni-bonita? E-e-eu? — A garota gaguejou ao mesmo tempo que apontava para si mesma.

— Sim, você é bonita Hina. — Ele falou assentindo. — Mas como eu disse, se você já tiver par...

— Eu não tenho par. — Ela o interrompeu.

— Então... — Ele agora exibia um sorriso faceiro. — Isso é um sim?

Naruto perguntou e ela assentiu, o sorriso dele aumentou ainda mais fazendo com que ela ficasse mais vermelha ainda. Ele levantou bruscamente e deu beijo estalado na bochecha dela.

— Você é a melhor Hina. Te vejo mais tarde, preciso ir no banheiro. — Ele virou as costas e saiu, deixando uma Hinata vermelha e com cara de boba pra trás.

...

Neji andava sem rumo pela escola, havia acabado de terminar uma prova de história de heróis e vilões, matéria lecionada pelo professor Jiraiya. Jiraiya era conhecido com um dos heróis lendários, era uma honra ter aula com ele, mas as vezes as histórias pervertidas que ele contava durante a aula acabavam atrapalhando.

O Hyuuga estava tentando falar com Tenten há mais de uma semana, mas sempre falhava, toda vez que ela o via e estava desacompanhada corria para o banheiro feminino e ficava lá até saber que Neji tinha se cansado e ido embora. Ela também não estava atendendo suas ligações e muito menos respondendo as mensagens, aquilo estava deixando ele louco.

Ele havia terminado com ela no dia do primeiro treino heroico, foi uma atitude impensada que se arrependeu assim que viu ela correndo em direção ao ginásio para chorar. Neji queria e muito se acertar com ela, mas ela parecia não querer o mesmo, pelo menos era isso que ele achava.

Depois de vagar um pouco mais pela escola ele a viu, ela estava sozinha, parecia cansada e tinha olheiras abaixo dos olhos, ele ficou preocupado. Ele se escondeu para que ela não o visse e assim corresse para o banheiro feminino mais perto. Ele estava perto dos inúmeros armários de ferro, decidiu que quando ela passasse ele iria encurralar ela para que assim pudessem se acertar, estava atento aos passo se aproximando cada vez mais.

Quando ela passou em sua frente, ele a segurou pelo braço, fazendo a garota olhar pra trás com uma cara de assustada que teria sido engraçada se não fosse a situação em que se encontravam. Ela puxou o braço bruscamente e o olhou com raiva.

— Neji... — Ela o analisou friamente. — O que quer?

— Eu... — Ele mordeu levemente o lábio inferior e se fosse antes só aquele gesto teria feito a morena cair nos encantos do Hyuuga, mas naquele momento ela se manteve firme. — A gente precisa conversar.

— Pra quê? — Ela perguntou acusatória. — Você já terminou comigo. Não temos mais nada para conversar. — Ela tinha raiva e mágoa na voz.

— É exatamente sobre isso que quero falar. — Ele olhou nos olhos dela por alguns segundos para depois olhar para o chão. — Eu fui um idiota.

— Ah jura? Eu nem notei. — Ela falou irônica.

— Eu tô falando sério Tenten. — Ele voltou a encara-la.

— Eu também. — Ela manteve os olhos firmes nele. — Você foi um idiota e essa não foi a primeira vez.

— É mas eu tô tentando consertar as coisas. — Ele se sentia culpado, amava aquela garota e estava perdendo-a.

— Talvez seja tarde demais pra isso. — Ela falou com um brilho triste nos olhos. — Eu tô cansada das suas crises de ciúmes. É sempre assim, você entra numa crise de ciúmes, me fala um monte de merda, termina comigo e no dia seguinte vem com desculpinha querendo voltar dizendo que mudou. — Ela falou cada palavra com amargura, e elas o atingiram como facas, pois ele sabia que tudo que ela dizia era verdade. — Chega Neji, eu tô cansada disso. Eu achei que você me amasse, mas você vive falando merda de mim e me fazendo chorar, e isso não é atitude de quem ama. — Lágrimas brotaram nos olhos dela. — Eu te amo, mas eu não posso mais viver assim, eu tô em um relacionamento abusivo com você e isso não faz bem. — Ela começou a andar, mas parou e olhou pra trás. — E por favor me deixa em paz.

E assim ela saiu, e ele a viu se afastar mais e mais dele. Ele deu um grito irritado e socou o armário de metal não dando bola pra dor. Estava irritado e com raiva, mas não era dela e sim das palavras que ela havia dito e que ele sabia ser verdade.

— MERDA. — Ele gritou ao mesmo tempo que começou a chorar sem parar. — Eu sou um idiota, um merda, um escroto que deixava a própria namorada mal, que dizia que ia mudar mas nunca mudava.

Ele falava essas palavras baixo e para si mesmo. Ele estava arrependido de cada palavra cruel que um dia falou para Tenten, estava arrependido de ter duvidado tantas vezes dela. Ele se odiava por todas as vezes que a havia feito chorar e no dia seguinte pedia desculpas dizendo que ia mudar, mas nunca mudava. Ele se odiava, sabia que merecia cada palavra que havia ela havia dito, sabia que o relacionamento deles era abusivo, e acima de tudo ele sabia que não merecia chance nenhuma com ela, pois ele já havia esgotado todas. Então ele ficou sentado naquele corredor vazio, chorando, soluçando e se xingando.

...

Hinata andava em direção a sala onde teria aula naquele momento, ela entrou no corredor mais vazio, sabia que o caminho seria mais longo, mas pelo menos não teria que enfrentar a aglomeração de alunos se empurrando e talvez até chegasse antes dos demais. Era isso que achava até perceber que seu primo estava estirado no chão no meio do corredor chorando e soluçando sem parar.

— Neji. — Ela gritou e correu até ele, se ajoelhou para ficar ao lado dele. — O que houve? — Ela perguntou preocupada.

— Eu sou um bosta. — Ele falou com a voz embargada.

— Não você não é. — Ela falou passando o braço ao redor dele.

— Sou sim, eu só faço merda. Deixei a menina que eu amo, a única menina que já amei, eu deixei ela escapar. Porque eu sou um estúpido que sentia prazer em dar crise de ciúmes e ver ela mal. — Ele tinha os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar, o nariz escorria e mão sangrava.

— Neji... — Hinata não sabia o que fazer. — Vem comigo, temos que tirar você daqui. — Ela falou fazendo força pra levantar o primo.

— Eu não quero sair daqui. — Ele falou emburrado.

— As pessoas vão te ver.

— QUE SE DANE, EU NÃO LIGO PRA ELAS. — Ele berrou. — A única pessoa que eu ligava foi embora.

— Nossa, valeu, eu achei que se importasse comigo. — Hinata retrucou.

— Desculpa, eu me importo, mas é só que... — Ele pensou e socou novamente o armário fazendo a mão sangrar mais ainda. — Eu sou um bosta que perdi a garota que amava.

— Você acha que ficar chorando e socando armários vai trazer ela de volta? — Ele negou com a cabeça. — Então levanta daí e vamos pra outro lugar.

— Nada vai trazer ela de volta, então de que adianta eu levantar. — Hinata estava começando a ficar irritada com a birra do primo.

— Chega Neji. — Ela olhou furiosa pra ele. — Você quer ela de volta, não quer?

— É lógico que quero. — Ele respondeu.

— Então levanta desse chão e toma uma atitude. Você sabe que foi um babaca e que fez merda e por isso ela foi embora, então aja, mude por ela, prove que mudou.

— E se não adiantar? — Ele perguntou interessado nas palavras da prima.

— Não tem essa de se não adiantar, você vai mudar e vai ser pra melhor, e se ela não te quiser de volta é mais que merecido, mas você não tem que fazer isso por ela e sim por você.

— Hum, tá. — Ele falou se levantando, iria mudar e daquela vez era sério.

...

Kiba havia saído da sala de aula com a desculpa de que precisava ir ao banheiro, mas era mentira, ele apenas queria dar uma volta pela escola. Seu cachorro Akamaru havia saído da sala junto com ele. Sim, o cachorro também era aluno na escola, isso se devia ao fato de um dos poderes de Kiba ser se fundir com Akamaru e assim dar origem a um enorme e forte cão de duas cabeças.

O garoto com as presas nas bochechas andava pela escola conversando com seu cachorro, mas quando ouviu um choro vindo do ginásio a curiosidade falou alto e ele foi até lá.

Tenten estava novamente chorando, e dessa vez ele iria descobrir o que estava acontecendo com a garota que era como a Regina George da escola de heróis, mas antes que ele pudesse pensar em como se aproximar, Akamaru correu até a garota, que levou um susto e olhou pra trás vendo Kiba se aproximar constrangido.

Ele achou que ela fosse soltar algum xingamento ou manda-lo embora, mas não ela apenas voltou a cabeça para frente.

— Oi. — Ele falou sentado ao lado dela e se amaldiçoando por ter dito um simples oi.

— Oi. — Ela respondeu sem olha-lo.

— O que te aflige? — Porra Kiba, aflige? Isso é coisa que se pergunte, você tá em qual década? O garoto se xingava mentalmente.

Tenten estranhou aquela pergunta, mas com essa pergunta ela olhou para ele.

— O que te aflige, sério? Em que ano você vive? — As lágrimas haviam diminuído.

— Merda, é que eu não tô acostumado a falar com garotas bonitas. — Ela abriu um sorriso fraco ao ouvir isso. — Ainda mais quando ela é a mais popular.

— Obrigada, eu acho. — Ela olhava pra ele mas seu olhar estava perdido.

— Tá afim de tomar um sorvete?

— Não tem nenhum lugar na escola que venda o sorvete que eu gosto.

— E qual seria o sorvete que você gosta? — Ele estava curioso.

— É um sorvete de amarula, o único lugar que vende é uma sorveteria a umas quatro quadras daqui.

— Então vamos até lá. — Ele falou se levantando.

— Temos aula agora. — Ela continuou sentada.

— Ah qual é? Você sabe que nesse estado não vai absorver nada da aula.

— Tá, eu aceito, mas como pretende que nos deixem passar pelo portão? — Ela perguntou curiosa.

— Deixa isso comigo e com o Akamaru. — Ele olhou para o cachorro que abanou o rabo faceiro e latiu.