Koné

2 Quando Fiz o Bolo Mais Difícil da Minha Vida


Notas iniciais
Surpresa!!! Vai ter capitulo gay de história gay com personagem gay sim Censura é meu cu Bom dia :D

Distensões na virilha eram simplesmente terríveis.

Faziam oito dias desde o meu retorno da África, e eu ainda sentia bastante dor. Mas, a lesão já esteve pior. As bolsas de gelo e os remédios estavam ajudando, com certeza, mas ficar de pé por muito tempo qualificava-se como uma tarefa hercúlea. Ao menos, a Costa ainda ia bem na competição. As eliminatórias só começariam em junho, então eu tinha mais que tempo o suficiente para me recuperar para os jogos da seleção, mas até lá, eu estava totalmente suspenso de partidas para o Legends, e isso me entristecia muito.

Naquele momento, poderia se dizer que minhas preocupações eram menores, mas para mim, significavam bastante. Dimitri passou mais cedo na casa, e deixou uma coleção de sacos de ingredientes para que eu fizesse o bolo de Kristina para ela. Eu me comprometi a fazer, e vinha sentindo que devia algo a ela depois de ter contado sobre a aposta. Ela havia ficado bastante chateada, e agora com a lesão eu sentia que estava a decepcionando mais uma vez.

No entanto, já faziam dez minutos que eu decidira que era hora de fazer o bolo, e estava sentado no banco da bancada, encarando os ingredientes e pensando que se esse bolo não desse certo seria só mais uma coisa na qual ia desapontá-la. Promessa era dívida, e eu realmente queria fazer isso. Kristina merecia. Ela merecia o melhor bolo que eu conseguisse fazer, mesmo que eu não fosse exatamente confeiteiro e tivesse mais conhecimento para cozinhar massas, carnes e saladas.

Me levantei e comecei a desempacotar os ingredientes. Uma junção de farinha, ovos, muitas nozes, cerejas passas, e mais uma série de coisas. No fundo de um dos sacos, um papel com a receita impressa. Dimitri cozinhava também, era de se esperar que ele fosse pensar nisso. Não era muito prático ficar olhando receita no celular com os dedos cheios de farinha, tendo que subir e descer a tela e todo o resto.

Coloquei o papel na bancada e já estava me virando para pegar a batedeira quando ouvi passos do corredor. Me virei com a batedeira em mãos, dando de cara com Collin vindo com uma cara de sono do corredor. Ele parecia ter acabado de tomar banho. Estava com os cabelos úmidos e usando regata e bermuda confortáveis.

Engoli em seco. Ficar perto de Collin era um bocado complicado para mim, e desde que eu tinha voltado lesionado ele tinha me ajudado bastante, principalmente nos primeiros dias. Me proibiu de fazer o jantar, e pedimos entrega em casa. Volta e meia aparecia com uma bolsa de gelo para mim, se ele estivesse em casa e eu esquecesse de colocar gelo na hora certa.

— O que está fazendo? — Perguntou, passando a mão pelos cabelos molhados, tentando arrumar um pouco.

A visão simples daquele gesto foi o bastante para me fazer desviar o olhar para a batedeira, me ocupando de desenrolar a tomada e tentar fingir que não tinha reparado em como ele ficava bonito fazendo um gesto simples daqueles.

— O bolo da Kristina.

Collin estava sabendo. Não teria como não saber, não com nós dois morando na mesma casa.

— Sozinho? Romaric, eu disse que você podia me pedir ajuda. Ainda não sei se você deveria ficar de pé por tanto tempo.

Não era exatamente recomendado, mas não era contra-indicado também. E eu realmente devia esse bolo a Kristina, queria fazer, não queria dar trabalho para Collin e não sabia se cozinhar com ele seria bom para o meu emocional.

— Está tudo bem. Eu me sinto bem melhor, não vai ser problema. Eu te chamo se precisar de algo.

Para o meu desespero, Collin balançou a cabeça em negação.

— Nem pensar. Vamos lá, eu posso não ser nenhum chef de cozinha, mas eu tenho certeza de que consigo quebrar alguns ovos.

Ele se espreguiçou, se aproximando, e eu não consegui insistir. Não era um costume meu contrariar as pessoas, e definitivamente não seria parte de mim contrariar Collin. Não quando ele sorriu para mim daquele jeito, dando a volta na bancada e dando uma olhada nos ingredientes como se estivesse prestes a abrir um presente. Ele parecia realmente feliz em ajudar.

Eu sorri. Tudo bem. É só um pouco de tempo com ele. Vai ser divertido, certo? É divertido estar com Collin, mesmo que signifique coisas diferentes para nós.

— Certo… Vamos começar com os ingredientes secos, então.

Collin é uma boa companhia na cozinha. Um bom ouvinte, segue instruções muito bem. É cuidadoso fazendo as coisas, parece ter bastante receio de errar e estragar a receita, ou algo assim. O bolo não é dos mais fáceis, tendo cobertura, recheios, camadas de massa… Não demorou muito para eu perceber que era, na verdade, excelente que Collin estivesse ali. A companhia dele ajudou a deixar o clima mais leve e a me fazer sentir como se fosse menos uma obrigação e mais um passatempo. Não que eu me sentisse obrigado a fazer o bolo, mas eu tendia a me cobrar muito pelas coisas, por conta própria. Isso não era bom a longo prazo.

— Assim está bom? — Ele perguntou, algum tempo depois.

Collin estava untando as formas para mim. Eu tinha acabado de bater a massa. Não pude deixar de sorrir. Ele tinha feito de forma caprichosa, mas ainda havia um certo desajeito muito característico dele. Peguei uma das formas nas mãos, a batendo um pouco para soltar mais do excesso de farinha.

— Ficou bom, sim. Obrigado.

— Ótimo. Pode se sentar agora. Eu consigo virar a massa em duas formas e colocar no forno.

— Não precisa…

— Precisa sim. Vá se sentar ou eu conto pra Kristina.

Golpe baixo. Eu não queria dar mais dor de cabeça para ela. Suspirei, vencido, e obedeci. Mais uma vez, Collin foi bem cuidadoso colocando a massa na forma, e todo o resto. Fez tudo direitinho. Então colocou o bolo no forno e tínhamos que esperar um bom tempo, então não havia motivo para começar a cobertura agora.

Me acomodei no banco. Estava mesmo cansado, no fim das contas. Talvez Collin tivesse razão e eu não devesse ter ficado de pé esse tempo todo, mas já faziam oito dias. Eu já devia estar bem. Eu tinha que voltar a jogar logo, o time não podia ficar sem mim numa hora dessas. Não com tantos jogadores lesionados, e eu afastado por cinco semanas apenas por uma distensão na virilha?

— Você não parece bem — Collin comentou, apoiando os cotovelos na bancada.

Não, eu tinha certeza de que não parecia. Não bastava estar sempre preocupado com minha convivência com Collin, agora não conseguia deixar de pensar em como estava desapontando minha treinadora. Sem falar nas questões legais reduzindo a quantidade de jogadores estrangeiros nos times. Eu sabia que poderia ser liberado a qualquer instante, principalmente por conta da lesão. Eu vinha tentando dar o meu melhor, mas… Era complicado.

— É… Eu só estou pensando em muitas coisas, acho.

— É, eu sei…

Meu coração parou.

Ele sabia? Como?

Não. Não podia saber. Claro que não, eu estava sendo cuidadoso, não estava?

Tentei disfarçar a expressão de nervosismo e pavor enquanto ele deu a volta na bancada, se sentando no banco em minha frente. Collin pousou a mão em meu ombro e me olhou nos olhos, e eu precisei de muita força de vontade para não ter um ataque de pânico. Ele não parecia chateado, nem nervoso… Estava tudo bem, certo? Certo?

— Roma… Você não tem com o que se preocupar, ok? Fique calmo — Ele abriu um sorriso gentil e muito belo, e eu me esqueci de como respirar por um instante. — Kristina teria que ser completamente louca para dispensar você do time. Você já foi eleito o melhor da partida umas três ou quatro vezes, e isso porque eu sei que você tenta não chamar atenção em campo. Sem falar que você sempre chega na hora, não briga com ninguém, não discute com a treinadora… Pegou a punição pela aposta que você mesmo contou pra ela e na qual não teve parte nenhuma sem reclamar. Acredite em mim, se tem um que vai ficar nessa lista dos dezessete, é você.

Collin riu, baixinho. E eu soltei o ar que estava prendendo.

Bem, o segredo estava à salvo, então. E eu me sentia um pouco mais tranquilo.

Mas tampouco queria que ele acabasse indo embora. Ela podia muito bem acabar decidindo mandar Collin para casa, até porque a questão do visto dele até hoje não tinha se resolvido. Seria uma dor de cabeça à menos.

Percebi naquele momento o quanto não queria que ele fosse embora. Uma coisa era não morar com ele, isso talvez me fizesse até bem. Mas não vê-lo mais? Não… Isso não.

— Temos algum tempo até precisarmos fazer a cobertura. Dá uma olhada se tem algo na televisão, vou fazer uma pipoca de microondas pra nós, ok?

Eu sorri, pequeno. Sabia que ele estava fazendo isso por achar que ia ajudar, que eu estava com medo de ir embora e todo o resto. Mais uma vez, eu aceitei a companhia dele, mesmo sabendo que era exatamente isso que estava me ferindo aos poucos.

Ignorando aquele pequeno aperto no peito, me levantei e fui ligar a televisão.

Notas finais
Iti malia, eu amo um OTP LEAIM BAAAAAAL A autora é muito lindinha ♥ https://www.spiritfanfiction.com/historia/become-a-legend--interativa-15721171 Vai lá galera, aprecia a @Dhampir, a história é uma delicinha :D