Você veio correndo de repente. Eu não entendo nada enquanto você segura no batente da porta, ofegando. Vejo seus olhos tingidos de vermelho. Só então deixo a embalagem cair, espalhando macarrão para todo lado. E daí que você quase arrombou a porta do nada? E daí que se deu o direito de aparecer do nada depois de recusar tantas ligações, tantos e-mails, tantos sonhos? Eu já estou correndo também. E você corre de volta e se joga em meus braços.

Dura um breve instante. Apenas até você confirmar que sou real. Seus lábios tremem, e você sorri. Kurode não sabe o que se passa entre nós. Está concentrado demais catando macarrão do piso. E eu sou só perguntas. O que aconteceu? Por que isso de repente? Por que está ofegante?

E você fica tão tímido. Não deve estar nada bem. Se eu estivesse no hospital, sacaria um termômetro na hora para confirmar se não é febre. Mas você balança a cabeça, prometendo que está tudo bem. E dá meia volta, como se quisesse ir embora. E isso dói com uma profundidade...

Eu puxo você, te abraçando por trás. Depois de todo esse tempo, achou mesmo que eu te deixaria ir embora? Seu... seu... seu desgraçado! Está sentindo isso? Está sentindo?! Eu sei que está! É tão forte, que reverbera por seu corpo. E está encostado contra sua pele. Meu coração bate tão forte que não parece humano. Eu escuto o riso. Você está rindo de mim! Vira o rosto, quase encostando seu nariz no meu. E seu semblante é tão doce que não parece você.

“Eu só ia trancar a porta,” você diz.

Mas eu não solto você. Estou chocado demais. Estou triste demais. Estou feliz demais.

Eu não estava mentindo quando disse que você me deixa sem base.