Kokoro x Kokoro
5 Temor
Eu acabei comprando chá porque você gosta. Viu como faço todas as suas vontades? Enquanto você segura a xícara, observando a água mudar de cor lentamente, eu esquento minhas mãos na caneca de café, esperando suas palavras. Temos um tempo só nosso agora, mas eu sinto uma agonia. Alguma coisa deve ter acontecido para você aparecer assim, sem avisar, quase derrubando tudo que via pela frente.
Reparo em seus cabelos. Estão mais compridos ainda. Até quando vai deixá-los crescer? Eu gosto dessa visão, sabe? Acho que combina com o seu jeito. Resisto ao impulso de te tocar, fazer carinho... Para minha surpresa, você beberica o chá e abre um sorriso sereno. Seus olhos mansos deságuam em mim.
“Senti saudades.”
Desvio o rosto sem acreditar. Quando você diria uma coisa desses? Mas deve ser mesmo sério, porque você segura minha mão e espera. Eu não te olho, então você chama meu nome. E, quando nossos olhares se encontram, você explica tudo. Conta sobre suas últimas buscas, sobre o inimigo que enfrentou, sobre as ameaças dele...
“Achei que tivessem te capturado. Achei que você tivesse morrido.”
Sinto meu coração apertar. Então, só assim para você me fazer uma visita? Devo ser muito transparente, porque você pede desculpas. Eu me levanto e caminho até a sala. A caneca ainda esquenta minha mão. Parado diante da janela, tento não pensar em tudo. Nas ligações, nos e-mails, nos sonhos... Nada disso nunca teve importância para você. Então, por que devo te dar atenção agora?
Você me segue até a sala. Observa de longe.
“Manter-me distante é uma forma de protegê-lo. Estou lidando com pessoas perigosas,” você diz.
Mas eu sou teimoso. Você sabe que eu sou teimoso.
“Eu não preciso de proteção.”
“Mas precisa de mim.”
Seu desgraçado...
“E eu preciso de você.”
Estou ouvindo...
“Eu te amo, Leorio.”
Pelo resto da noite, não preciso do café para me aquecer.
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