Klukler
1 Parte 1
Notas iniciais
Boa leitura!
Kluke
Acordei suando. Minha cabeça latejava muito. Busquei Tyler na minha cabeça, ele estava ferido e, aparentemente, com raiva.
-Idiota! — murmurei um pouco alto demais.
Olhei o relógio no criado-mudo, 04h46min. O que aquele acéfalo estava fazendo a essa hora? Não podia ser algo muito grave, na última vez eu quase morri com tosse por causa de um dedo quebrado. Não fazia a mínima ideia do que poderia estar acontecendo. Mas depois de minhas pernas começarem a doer também, eu senti que ele começou a se sentir mal. Muito mal. O que refletia em mim.
Decidi tomar um copo de água, mas, quando fui me levantar, minhas pernas ficaram bambas. Que diabos aquele garoto estava fazendo? Apanhando de uma gangue? Maldito imprinting! Sai com dificuldade do quarto, cambaleando um pouco. Surpreendi-me ao ver que Drake estava acordado. Sentado num banquinho, com um prato de biscoitos de chocolate na frente, ele estava quase dormindo e com um corte horrível perto da orelha.
Fui até a geladeira e peguei uma garrafa.
-Acordada, Kluke? — ele perguntou levantando a cabeça.
-Hm... Aparentemente, e você? Não deveria estar na vigília com os outros retardados? — perguntei.
-Não. Terminei por lá, Zack entrou em meu lugar. Luke achou melhor, depois de um frio quase arrancar minha orelha fora. — ele falou sorrindo e mastigando um biscoito.
Ergo as sobrancelhas. Demonstrando o quanto eu ligava para isso. Em questão de dias a orelha dele estaria boa novamente, uma vantagem de ser um transmutado (N/A:ou lobo, como preferirem).
-Pois é... E você por que acordou a essa hora? — diz ele de boca cheia.
-Tyler se machucou... -falei tentando não falhar a voz, não sei por que, mas senti um arrepio.
Drake sorriu.
-Hum...
Bufei e dei de ombros. A dor de cabeça aumentou, enchi e guardei a garrafa. Sentei num banco, e massageei as têmporas.
-Onde ele está? — perguntou Drake.
-Perto daqui, parece. Mas não consigo saber ao certo, só sei que aquele idiota está em alguma cidade perto de Forks.
-Hm... por que não liga para ele, ou então para Madson?
Olhei para ele. É... Não era uma ideia tão ruim, poderia até ser considerada "boa".
-Hm... Talvez eu ligue depois de eu dormir mais um pouco — falei indo para meu quarto.
-Então tá! — ele falou de boca cheia.
Revirei os olhos. Joguei-me na cama, torcendo para que aquela dor diminuísse. Busquei Tyler novamente, ele estava doente ou algo parecido, só poderia ser isso... Logo a dor começou a passar, mas eu não estava muito bem. Depois de um tempo peguei no sono.
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Eu estava na floresta, em forma de lobo. Drake, Thai, Luke e Zack estavam ali também. Estávamos fazendo a rotineira vigia, no turno da noite. Enquanto andávamos, com uma distância média entre nós, senti um cheiro forte de morte. Enjoante e fácil de reconhecer. Vampiros.
"Vocês também sentiram?" — Drake perguntou.
"Claro! Vamos nos aproximar devagar!" — Luke ordenou.
Fomos entre as árvores, guiando-nos pelo cheiro, até uma clareira rodeada por árvores grandes. Um frio estava "esvaziando" sua vítima. Ele estava de costas para mim, e Luke logo à minha esquerda.
"No três — ele disse. — Um..."
O vampiro ergueu a cabeça quando demos mais um passo.
"Dois"
Ele levantou o olhar, virando-se para mim e Luke. O rosto me parecia familiar, mas eu não sabia de onde. Os olhos vermelhos fitavam-me, e aquilo me deixou com raiva. Ele sorriu seus dentes e lábios com sangue, tão vermelho quanto seus olhos, que possuíam, ainda, uma faixa de preto ao redor da íris. Mas quando ele se virou e posicionou-se para o ataque, pude ver sua "presa". Paralisei. Reconheci aqueles olhos, que agora fitavam o céu com susto, reconheci aqueles cabelos castanhos, nem lisos nem cacheados.
"Três!"- Luke gritou em minha cabeça.
Mas não obedeci. Minhas pernas tremeram, e soltei um uivo alto, sem me importar com o frio. Tyler estava morto, jogado no chão como se fosse uma réles carcaça animal.
"Aquele é Tyler?" — Thai perguntou surpreso.
Os lobos ainda estavam em posição de ataque. Luke, Drake e Mark, mais à frente, eu e os outros mais atrás. A risada alta e falsa do sanguessuga ecoou na floresta. Quando a ouvi, deixei que um rosnado saísse de minha garganta. Eu iria matá-lo. Não era questionável.
"Não, Kluke. Não vá, espere que ele fique desatento novamente..." — Luke falou.
Não liguei, alfa nenhum me impediria do que eu ia fazer. Luke sabia bem como eu me sentia, ou então, algum dia, saberia. Ele também tinha tido imprinting, e sabia que não tinha como escapar. Era involuntário. O frio soltou mais uma gargalhada. Não sei por que, talvez tivesse algum dom, e pudesse ler meus pensamentos. Não esperei mais. E pulei nele.
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Acordei com a imagem do maldito vampiro me atirando longe, com um golpe no tórax. Minha respiração estava acelerada. Minha cabeça ainda doía, mas já havia me recuperado um pouco, talvez Tyler tivesse levado só um susto, e se machucado um pouco, como na última vez. Respirei fundo e me levantei, já havia amanhecido e eu ouvia a voz de tia Sally ralhando com os meninos. Fui até o banheiro, e lavei meu rosto. Olhando-me no espelho, vi como eu estava diferente.
Os cabelos escuros e curtos, despenteados, que um dia já foram bem arrumados, tinham fios grudados no rosto pelo suor. Os olhos, de um castanho chocolate, cansados e refletindo o efeito do sonho em mim. A pele bronzeada e, com o tom normal da maioria dos lobos/transfiguradores, castanha avermelhada. E pensar que há pouco tempo atrás eu nem sonhava que eu podia me transformar em um lobo de pelo branco e olhos vermelhos.
Decidi tomar um banho antes de encarar o grupo de garotos bombados e acéfalos lá em baixo.
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-Não, Mike!Não tem mais biscoitos! — tia Sally falou num tom cansado.
-É, você comeu tudo. — Thai continuou — Egoísta, do jeito que é, e....
Mike interrompeu o outro, e eles começaram a discutir, falando e acusando um ao outro, como duas crianças birrentas.
Eu estava entrando na cozinha quando vi os dois discutindo.
-Ah! Bom dia, Kluke! — Sally disse, sorrindo, a me ver. — Dormiu bem?
Sentei-me numa cadeira, e puxei para perto um pacote com salgadinhos, era de Drake, só para informar.
-Bem mal... — falei colocando um Doritos na boca.
Drake puxou o pacote de minhas mãos.
-Ora. Por quê? — ela perguntou colocando na minha frente outro pacote, e lançando um olhar significativo para o filho.
Drake revirou os olhos, mas pediu desculpas de má vontade para mim. Ri.
-Digamos que Tyler andou aprontando algumas por aí. E resolveu me acordar às 4 da manhã.
-Teve um ataque de tosse de novo? — Zack se intrometeu pegando meu Doritos.
-Que te — *tapa* — importa? — falei fechando a cara, e tentando ignorar a discussão de Thai e Mike, que já estavam lá fora.
-Kluke! Mas fale, também quero saber! — tia Sally entregou outro pacote para Zack.
-Além de uma dor de cabeça nauseante(?), nada mais... — falei como se fosse normal.
Sally fechou a porta, suspirando, fazendo com que, assim, o volume da discussão dos dois garotos lá fora diminuísse. Eles já estavam brigando por outra coisa.
-Mas, melhorou?
-Nah! Um pouco... — resmunguei.
-Já tentou ligar para Madson? Talvez ela saiba algo e possa ajudar! — a mulher ia de um lado ao outro da casa, pegando algumas coisas e colocando em uma espécie de cesto de piquenique.
Drake, ouvindo a pergunta, ergueu as sobrancelhas como se dissesse: "Não disse?".
-Hm... É... Pode ser. — falei, não podia negar que era uma boa ideia.
Sally passou por mim e me entregou o telefone. Disquei o número, e esperei que atendessem. No terceiro toque ouvi a voz de Luke.
-Alô!
-Quem é, Luke? — Madson gritou, ao fundo eu ouvia o barulho de água corrente.
-Alô, Luke? É Kluke! — falei.
-Kluke! — Luke gritou em resposta à mulher.
-Ah! Okay então! — ela respondeu.
-Oi, Kluke! O que foi? — Meu primo perguntou do outro lado da linha.
-Hum... Posso falar com Madson?
-Ela está dando banho em Nathan agora... Você não quer esperar, ou então falar comigo que eu falo para ela?
-Hm... Tá bom, então. É... Vocês sabem alguma coisa sobre Tyler...
-Hum... Como assim?
-Digo... Sobre o que pode ter acontecido com ele?
-Hum... acho que sei porque está me perguntando isso... Sei como é. Então, acho que ele está em ordem, e aqui em casa, se ajuda você...
-O quê? Ele está aí?? — perguntei, talvez alto demais, já que Drake segurou o riso. — Er... bem... ajuda sim. Eu vou aí depois... eu acho.
-Tudo bem, então... — percebi que Luke também segurava o riso — Quer que eu fale com ele, ou avise?
-Não! Tchau!
Desliguei, me sentando(enquanto eu falava com Luke eu havia me levantado).
-E aí? — Zack perguntou rindo.
Fechei a cara. Levantei-me e fui até Sally.
-Hum... Tyler está lá, segundo Luke está bem. Isso explicaria o fato de eu tê-lo sentindo perto de Forks...
-Mas não explica porque você se sentiu, e ainda está se sentindo, mau. Você vai lá, não vai? — ela perguntou colocando uma torta dentro da cesta.
-Não sei! — Falei terminando de comer meus Doritos.
Tia Sally me olhou, depois suspirou.
-Bom, se quiser, tenho uma desculpa para você ir lá! — ela me estendeu a cesta. — Eu fiz uma torta para eles, e como tenho que ir no mercado daqui a pouco, eu ia levá-la. Mas como vejo que você precisa ir lá, não se importaria de levar para mim, não é? — ela disse isso e piscou.
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-Luke! A campainha 'tá' tocando, você não está escutando?Atende que eu estou vestindo Nathan!
-Estou preparando a mamadeira dele, Madson! -Luke falou(gritou), por um momento achei que não fosse Luke. — Tyler atende você, já que está sem fazer nada.
-Ei! Estou numa parte dificílima do jogo!
Suspirei. Ele parecia estar bem mesmo, ou, pelo menos, normal. É... normal definiria.
-Ai! Alguém já disse que vocês dois são uns preguiçosos? — Madson falou, com um ar de quem sabia a resposta.
-Já! — os dois disseram ao mesmo tempo.
Finalmente a porta se abriu, e Madson apareceu com um cara de cansaço e Nathan no colo. O pequeno me viu e sorriu banguelo, estava com um macacão jeans e uma blusinha azul.
-Ah, oi, Kluke! Porque não gritou que era você? Sabe que pode entrar! — ela respondeu, parecia aliviada. — Entre!
-Hum... Acho que não passou por minha cabeça isso. — "Talvez por ela estar quase explodindo, e o culpado seja seu irmão!" — Sally pediu que eu trouxesse essa cesta para vocês! — falei entrando.
Luke estava na frente do micro-ondas tirando a mamadeira, e Tyler, como sempre, jogado no sofá, com um joystick na mão. O som de tiros estava baixo, provavelmente por causa de Nathan.
-Ah! Ótimo! Não vou precisar fazer muito para o almoço! — ela exclamou colocando a cesta sobre a bancada.
Lancei um olhar para o sofá, tentando disfarçar, Tyler piscou para mim. Tentei não corar. Uma perna sua estava engessada e esticada sobre uma almofada, na mesinha de centro.
-Hum... minha mãe fez um escândalo quando esse aí quebrou a perna... E como ele está de férias, ele veio para cá, incomodar. — ela falou baixinho.
Olhei para ela, e suspirei.
-Senta!
Ela indicou um banco na bancada, e colocou Nathan num cercado com brinquedos. Sentei e olhei ao redor, a casa estava estranhamente toda organizada, com exceção de Tyler xingando o adversário no sofá, tudo estava tranquilo, até que...
-Ei, Madson! Venha ver se o leite está muito quente. — Luke chamou a esposa, balançando a mamadeira.
Ela revirou os olhos, e foi provar a temperatura.
-Ai! Nossa Luke! Você quer cozinhar nosso filho por dentro? — ela jogou objeto na pia, com uma cara de dor e lavou o pulso, onde colocara o leite.
Segurei o riso. Enquanto Luke lembrava a mulher que ele era um lobo, e que NUNCA sentia frio, muito menos o quente, e ela o repreendia, virei-me para Tyler.
-E você? — perguntei, o olhando.
Ele estava com um curativo do lado do olho direito, e de casaco. Não estava frio a esse ponto, tanto que o ventilador de teto estava ligado. Eu não sentia calor, mas Madson estava de manga curta e shorts, e hoje tia Sally colocara um vestido leve.
Ele continuou concentrado no jogo, mas respondeu.
-Hm... Eu vou bem... Se for isso que quer saber. Só me arrebentei jogando futebol na escola, mas fora isso tudo ótimo...
Ergui uma sobrancelha. Tyler não fazia o tipo que jogava futebol americano, eu sabia que ele estava mentindo.
-Hm... tá sei... Só isso?
-Não. Minha mãe vendeu o meu Playstation. Então convenci a ela que Madson era a pessoa perfeita para ficar cuidando de mim... -ele ergueu os olhos do jogo e sorriu- além de você, claro...
Ele fez uma careta, quando a tela ficou vermelha. — Ah! Droga! Morri.
O garoto largou o joystick na mesinha e deu um tapinha no sofá ao seu lado. Fui até lá, e sentei-me, encostando a cabeça em seu ombro, ele passou um braço em volta dos meus ombros. O cheiro dele era tão bom...
-Também senti saudades de você. — Tyler falou rindo.
Fazia uma semana que ele tinha ficado fora da cidade. A mãe deles havia convencido o garoto de que uma semana em Miami com os pais, não iria ser problema. Claro que Tyler tinha reclamado, mas quem disse que a socialite tinha ouvido? Eles tinham voltado há poucos dias, e de um dia para o outro ele já tinha arranjado problemas. Prova disso era sua perna imobilizada.
-Como você quebrou? — eu perguntei, erguendo o rosto para olhá-lo.
-Eu já disse, jogando futebol e... — ele se interrompeu, viu que eu não acreditava. E sussurrando no meu ouvido: — Depois te falo... Eu só não quero que minha mãe ou Madson saibam...
Senti a voz dele falhar um pouco. Falei sem usar a voz: Por quê? Ele me respondeu da mesma forma, apenas mexendo os lábios: Espere um pouco... Já te conto.
Fiz que sim com a cabeça, e o beijei.
-Ah! Cadê o Nathan, Luke? — gritou Madson, descendo as escadas com uma chupeta e um paninho.
-Eu o coloquei aqui e... — Luke falou apontando para o tapetinho cheio de brinquedos.
Madson estalou a língua. Vi um paninho azul ser arrastado para trás do sofá. E logo uma cabecinha e um sorriso desdentado apareceram.
-Nathan está aqui! — falei.
Madson riu, e pegou ele no colo. E se virando para mim disse:
-Kluke, nós vamos sair, se você quiser ficar aqui com Tyler... — ela piscou.
-Aham. Pode deixar, vou dar uma de babá. — disse.
Madson riu.
-Ei! — Tyler protestou, mas ele estava rindo também.
Ri. Logo Madson e Luke estavam saindo. Fui fechar a porta para eles.
-Nós podemos demorar, não sei.- ela falou.
Acenei com a cabeça em uma afirmação.
-Divirtam-se!
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-E aí?
-E aí, o quê? — perguntei fechando a porta.
-Sei lá. Só perguntei.
Revirei os olhos. Tyler já tinha ligado a tevê de novo, e procurava algum canal. Sentei-me ao seu lado e tomei o controle. Ele tomou de novo, e eu peguei da mão dele. E ficamos numa briga boba disputando quem ficava com o controle remoto. Até que caímos no chão. Detalhe: enquanto a perna engessada dele continuava esticada, e ele estava apoiado em mim, eu estava jogada no chão. Ele sobre mim. Nossos rostos a centímetros.
Ele me olhou nos olhos, sorrindo bobamente. Balançou o controle na frente de meus olhos.
-Humpf. Idiota. — murmurei.
Ele me beijou em resposta. Depois de um tempo nos separamos.
-Tá legal! Chega de "melosidade". — disse empurrando ele para o lado, tomando cuidado com a perna engessada.
-Hm... "melosidade"... essa palavra existe, Kluke? — ele perguntou tentando se sentar.
Revirei os olhos e o ajudei.
-Existe. Pelo menos no meu vocabulário, existe.
Ele riu.
-Olha, pelo menos eu peguei o controle! — ele ergueu o objeto como se fosse um prêmio.
-Ah, ótimo sortudo, o que você quer assistir?
Notas finais
Comentem a opinião de vocês.
Já tenho as outras partes prontas, postarei elas em breve!
Até o/
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