Kizuna
28 Capítulo 28 - Buscando meu Verdadeiro Amor
De alguma forma, Tadase realmente acabou indo para Roma sozinho. Naturalmente seus pais reprovaram a idéia na hora, mas Tsukasa interveio à tempo, dizendo que seria uma boa oportunidade para o garoto conhecer novos lugares, novas culturas, e se divertir. Ele assinou uma permissão para o garoto viajar, visto que Tadase ainda era menor de idade, e disse que lhe daria uma ajuda financeira até o fim das férias, como um presente de aniversário adiantado. Assim, Tadase realmente viajou, tendo como companhia apenas Kiseki, e procurou incessantemente por Nadeshiko em todos os dias de sua viagem, mas não a encontrou em parte alguma. Como Nagihiko dissera, Roma era uma cidade muito grande, era praticamente impossível encontrar uma única pessoa no meio de tanta gente e em um lugar tão grande sem ter nenhuma pista. Como passou o tempo todo procurando por Nadeshiko, os dias passaram depressa, até que, no último dia da viagem, Tsukasa lhe telefonou:
– Como assim você não vai voltar?!
– Sinto muito, Tsukasa-san — Tadase respondeu do outro lado do telefone, um tanto cabisbaixo — Mas eu... ainda não encontrei a Nadeshiko-chan. Procurei por ela todos os dias da viagem, de manhã até de noite, mas ainda não à encontrei. Por isso eu... não posso voltar até encontrá-la
– Tadase, eu entendo que você está sofrendo, e que está em uma situação terrível, mas... você tem noção do que está dizendo?! As aulas já vão começar na semana que vem, você nem comprou seu material escolar ainda! Está pretendendo abandonar a escola?!
– Claro que não. Irei me matricular em uma escola daqui mesmo e continuarei vivendo em Roma, para poder procurá-la
– Tadase... mesmo que você faça isso, eu não posso mais enviar dinheiro pra você viver aí na Europa. Sempre que puder, eu lhe ajudarei, é claro, mas... não tenho como ficar te enviando dinheiro com frequência
– Não importa — Tadase respondeu sem hesitar — Agradeço a sua ajuda até agora, mas eu posso me virar sozinho daqui pra frente. Encontrei um lugar que está contratando novos funcionários, e irei trabalhar lá como meio-expediente
– Tadase, você sabe o que seus pais dirão disso, não é? Eles não vão aprovar! Nee-san está preocupada, quer que você volte pra casa logo... e, sinceramente, eu estou preocupado também, você quase não manda notícias! — Tsukasa exasperou-se — Essa menina... Nadeshiko-chan realmente significa tanto assim pra você? Foi escolha dela se afastar afinal. Mesmo que você procure, é praticamente impossível encontrar uma só pessoa em uma cidade tão grande quanto Roma! É pior do que procurar uma agulha no palheiro!
– É claro que ela significa muito pra mim, se não significasse, eu não teria vindo aqui atrás dela. Essa foi uma decisão que ela tomou sozinha sem me consultar. Eu não concordo com isso, e pra mim, ela só está fugindo do problema desse jeito. Isso aconteceu por causa de um problema envolvendo nós dois, então acredito que temos que resolver isso juntos — Tadase respondeu prontamente — E diga à mamãe e ao papai que eu mandarei notícias com mais frequência, e telefonarei todas as noites, mas que não vou voltar até encontrá-la. Por favor, tranque a minha matrícula na Academia Seiyo, quando eu encontrá-la, irei voltar a estudar lá com ela, mas antes disso, não. Eu sinto muito... por todos os problemas que estou lhe causando, Tsukasa-san, mas ela é realmente importante pra mim. Nadeshiko-chan é... é tudo pra mim, sem ela, eu não vejo razão para continuar vivendo
– Está bem... você venceu. Falarei com a Nee-san e com o seu pai — Tsukasa deu-se por vencido — Tente dar notícias aos seus amigos também, eles estão preocupados com você. Boa sorte, Tadase... espero que a encontre logo.
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** Seis meses depois **
Nadeshiko caminhava sozinha pelas ruas da cidade, obervando as vitrines das lojas que exibiam a mais nova coleção de inverno, sem realmente vê-las. Havia saído na intenção de comprar roupas novas, pois a maioria das suas já não lhe serviam mais devido ao seu rápido desenvolvimento corporal, mas no fim não conseguia prestar atenção nas peças de roupa em exibição, por mais belas e sofisticadas que fossem e, como sempre, Temari estava escolhendo para ela.
– Olha esse casaco que lindo, Nadeshiko! — Temari exclamou, parando diante de uma vitrine — É sem estampas, como você gosta, e parece ser bem quentinho... vamos dar uma olhada!
– Mas é muito caro... acho melhor não
– Ora por favor, Nadeshiko, você não gastou nem metade do dinheiro que sua mãe enviou mês passado, e ela já enviou mais esse mês de novo, pode muito bem comprar um casaco! — Temari exclamou — Além do mais, estamos em pleno inverno, já está até nevando, você precisa de roupas mais quentes ou ficará doente assim! E eu não posso cuidar de você se você adoecer, portanto precisa se cuidar!
– Eu estou ótima, Temari, não se preocupe
– Não minta pra mim Nadeshiko! — sua Chara falou um tanto autoritária — Há tempos que você não se alimenta direito, tanto que emagreceu bem mais do que uma pessoa normal emagreceria, e fica tendo tonturas por aí! Você não está nada bem há seis meses, quando resolveu deixá-lo e vir pra Europa!
– Já tem seis meses né... passou tão depressa — Nadeshiko comentou como quem não quer nada, tirando do bolso um medalhão dourado e abrindo-o ao meio, observando a foto em seu interior — Faz seis meses que não o vejo... nunca fiquei tanto tempo assim longe dele. Pensei que, com o tempo, eu acabaria esquecendo e superando isso, mas... no fim das contas... não consigo passar um dia sequer sem pensar nele. Por que será, Temari...? Por que será... que eu não consigo esquecê-lo?
No entanto, Temari não estava ouvindo as perguntas retóricas de sua dona. Estava ocupada demais observando um Shugo Chara à alguns metros de distância. Um que tinha olhos azuis, e usava uma coroa e uma capa como a de um Rei. O Chara estava acompanhado por um rapaz loiro de olhos escarlate, que estava ofegante e parecia bem cansado, como se tivesse corrido uma maratona. E o rapaz observava sua dona fixamente, como se estivesse vendo uma miragem ou uma ilusão.
– Nadeshiko... chan?
Nadeshiko ouviu aquela doce voz lhe chamando, tão sua conhecida, no entanto, tão distante que era como se ela só a tivesse escutado em sonhos. Não podia ser o que ela estava pensando, ela estava na Itália agora, e não no Japão. No entando, aquela voz meiga, e forte ao mesmo tempo, era inconfundível para ela. Virou-se lentamente na direção daonde viera a voz, e avistou um Shugo Chara com roupas de Rei e semblante sério e imponente, obervando-a.
– Não acredito, finalmente te encontramos, mulher! Tem noção de quanto trabalho você nos deu?! — o Chara exclamou um tanto autoritário
– Kiseki... perché sei qui*... não... q-quero dizer, por que... por que você está aqui? — Nadeshiko indagou, mais para si mesma, ainda mirando o Chara incrédula. Olhou mais adiante e, meio encoberto pela multidão que passava na rua, viu o dono do Shugo Chara com roupas de Rei observando-a, tão ou mais incrédulo do que ela. Ele estava ofegante e parecia bastante cansado, para não dizer entristecido. No entanto, a simples visão de Nadeshiko parecia ter acendido um brilho antes inexistente em seus olhos.
– Tada... se-kun — ela murmurou fracamente, sentindo seu coração dar uma forte cambalhota ao vê-lo. Os meses que passaram afastados pareciam não significar nada de repente, era como se nada tivesse mudado entre eles, embora Nadeshiko soubesse que não era bem assim. Reparou que Tadase estava um pouco mudado, diferente de como ela se lembrava dele: Parecia estar mais alto, o cabelo cortado de qualquer jeito, e tinha um olhar mais firme e decidido, diferente daquele olhar puro e ingênuo que o garoto exibia antes deles se separarem, e parecia estar curiosamente mais forte e mais maduro também. O coração da garota falhou algumas batidas ao vê-lo, logo depois recomeçando a bater freneticamente em um ritmo descompassado.
Por que? Por que aquele garoto estava ali? Por que ele estava em Roma também? Isso arruinava completamente todo o trabalho que ela teve para recomeçar uma vida em outro lugar, longe dele! O que raios ele estava fazendo ali afinal?! Não... não era isso que importava agora. Se ela parasse pra falar com ele agora, poderia ter uma recaída e querer voltar, e sabia que não podia fazer isso. Ela era perigosa demais pra ficar ao lado de alguém tão doce quanto Tadase. Se ia se afastar, tinha que ser agora, antes que tivesse uma recaída. Recuou alguns passos, devagar. Ainda que soubesse que precisava se afastar, seu corpo parecia não querer obedecê-la. Sua mente lhe dizia pra ficar longe, mas seu coração parecia estar mandando ela se jogar nos braços daquele garoto e nunca mais soltá-lo. Sentiu suas pernas bambearem e seu corpo tremer por completo, e parou de andar, tentando recuperar o controle sobre si mesma. Nesse meio-tempo, Tadase aproveitou para se aproximar dela. Andou alguns passos na direção da garota e, segurando-a pelo pulso, falou:
– Você não vai fugir de mim de novo. Eu demorei muito pra te encontrar, esperei vários meses por esse dia... não vou deixar você fugir outra vez — o loiro falou com uma convicção que Nadeshiko não lembrava de ele ter antes, e ela desviou os olhos do rosto dele. Enquanto ela tentava se recompor, Tadase reparou melhor na garota diante dele: Ela vestia um casaco preto comum, com alguns detalhes em branco, sem uma única renda, saia de prega entre rosa e roxo que ia até a metade das coxas, e calçava meias pretas três-quartos e botas roxas. Estava com o cabelo parcialmente solto, exceto por uma pequena mecha presa em um discreto laço, e bem mais compridos do que antes, passando da cintura e batendo perto da coxa. Seu corpo em geral parecia ter se desenvolvido bastante também, e rápido demais para ter acontecido em apenas seis meses, confirmando novamente o fato de que ela se tornaria uma bela mulher no futuro. Estava bastante diferente de como Tadase se lembrava dela, parecia mais madura, mais adulta... até o modo de se vestir dela havia mudado, ela provavelmente não vestiria roupas pretas se não fosse estritamente necessário, nem usaria uma saia acima dos joelhos se não fosse por algum tipo de exigência, como a do uniforme da Academia Seiyo. Também estava mais bonita e atraente do que nunca, no entanto, exibia uma forte aura de tristeza e solidão que chegava a dar pena. O sorriso costumeiro com o qual Tadase se acostumara parecia ter sumido de seu rosto há tempos, lhe dando um ar meio depressivo.
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– Por que você está aqui? — Nadeshiko perguntou por fim, ainda sem encará-lo — O que veio fazer tão longe de casa? Não me diga que se deslocou do Japão até a Itália só pra encontrar uma ex-namorada... o quão ingênuo você pode ser, hein Hotori Tadase-kun?
– Não vim aqui atrás de uma ex-namorada. Nunca te considerei como uma Ex. Eu vim até aqui... procurar por você, Nadeshiko-chan. Porque as coisas ficaram muito mal-resolvidas entre a gente, nós precisamos conversar direito!
– Não temos nada pra conversar! — ela rebateu, finalmente encarando-o nos olhos — Nosso namoro terminou há meses, não temos mais nada pra falar um com o outro. Eu terminei com você justamente pra preservar sua segurança, será que não entende?! Você é um garoto incrível... um garoto lindo, gentil e esperto... alguém assim tão perfeito como você pode muito bem encontrar uma garota melhor do que eu
– Eu não quero outra garota! — Tadase exclamou de volta um tanto desesperado — Não quero outra pessoa na minha vida... se não puder ter você ao meu lado, então não quero mais ninguém
– Ora, por favor, alguém com essa aura de Realeza ao redor como você pode muito bem conseguir uma garota melhor do que eu! Uma que não seja violenta, e que não coloque sua vida em risco — Nadeshiko falou com um nó na garganta — Me esqueça de uma vez por todas, Tadase-kun... e me deixe em paz
– Como pode me pedir pra te esquecer... se, ao que parece, você mesma ainda não me esqueceu? — ele perguntou, reparando no medalhão que ainda estava bem seguro em uma das mãos dela, e que continha uma foto sua no interior — Se você não sentisse mais nada por mim, não carregaria esse colar com você, não é?
– I-Isso é... e-eu apenas gostei do modelo do colar... s-só isso, não tem nada de especial nele! — ela mentiu nervosamente, guardando o colar no bolso — Eu fui embora do Japão e me afastei de você para o seu próprio bem, entenda isso de um vez. Entenda isso e... me deixe... me deixe em paz...
Nadeshiko começou a sentir-se tonta de repente, sua visão ficando cada vez mais turva. Ela se apoiou numa parede para não cair, mas não foi o bastante, e teria realmente levado um belo de um tombo se Tadase não a tivesse segurado. Nadeshiko sentiu seu corpo inteiro, antes gelado com o frio do inverno, ser instantaneamente aquecido apenas por estar nos braços de Tadase novamente, e seu coração deu outra cambalhota quando se viu tão próxima à ele.
– Ei, Nadeshiko-chan! Você está bem? O que foi que houve?? Responda Nadeshiko-chan!
– Isso acontece com frequência, Tadase-kun — Temari informou — Ela não tem se alimentado direito desde que veio pra Europa, e enrola muito pra comprar roupas novas, cobertores, e outras coisas... seu corpo deve estar frágil por causa do frio do inverno somado à fome
– Pare de fazer fofoca, Temari — Nadeshiko mandou, lentamente recuperando o controle de seu corpo — Eu estou muito bem... isso acontece sempre, já estou acostumada — ela respondeu, fazendo um imenso esforço para se afastar dos braços acolhedores dele
– Mas isso não está certo, você precisa cuidar melhor da sua saúde! Suas mãos estão geladas, você vai acabar desmaiando assim... tome, use isso — ele retirou o próprio casaco que usava e colocou sobre os ombros dela. Nadeshiko sentiu um delicioso aroma de morangos, vindo daquele casaco, e lentamente se impregnando ao seu corpo, misturando-se com seu próprio cheiro. Sentiu-se um tanto embriagada ao sentir aquele delicioso cheiro novamente depois de tanto tempo longe dele
– N-Não precisa, o casaco é seu! — ela fez um enorme esforço para desvencilhar-se, mas não conseguiu
– Não importa, eu te empresto. Depois você me devolve
– Será que não entende que não posso te ver de novo?! Eu me afastei de você pro seu próprio bem... me deixe em paz de uma vez por todas! — ela finalmente se desvencilhou dele e atravessou a rua correndo, entrando no primeiro táxi que encontrou e sumindo no meio da multidão
– Droga, precisamos ir atrás dela!
– Espere Tadase, você não pode perseguir um táxi assim! — Kiseki tentou detê-lo
– Mas eu demorei tanto para encontrá-la, não posso perder ela assim! — loiro exclamou um tanto desesperado
– Você não vai perdê-la! — o Chara exclamou — Veja isso — ele estendeu um cartão com o endereço de uma pensão — Temari me deu isso enquanto vocês conversavam. É a pensão em que elas estão morando. Espere até as coisas esfriarem e ela se acalmar, daí iremos visitá-las
– Kiseki... você é um gênio. Obrigado — Tadase segurou o cartão que o Chara lhe estendia, deixando escapar um leve sorriso, e sentindo uma pequena chama de esperança acender em seu peito.
* Perché sei qui significa "Por que você está aqui?" em italiano
*** Próximo Capítulo: Enfrentando meu Predestinado ***
Notas finais
Sim, eles finalmente se encontraram! Mas a Naddy fugiu de novo... podem bater nela que eu deixo -.-
Masss graças à Temari, nem tudo está perdido! Vamos torcer pra tudo dar certo dessa vez =P
Leiam minhas outras fics também onegai!!!
Fic Tadahiko:
http://fanfiction.com.br/historia/273775/Destinos_Entrelacados/
Fic de Shugo Chara na Idade Média:
http://fanfiction.com.br/historia/266701/Monochrome_Love/
Fic Tadahiko que estou escrevendo junto com a Shiroyuki-chan:
http://fanfiction.com.br/historia/198965/Yakusoku/
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Kissus e até semana que vem ^__^
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