Kizuna
29 Capítulo 29 - Enfrentando meu Predestinado
Nadeshiko não tinha saído de casa no dia seguinte. Não foi à escola, nem nas aulas de dança, por puro receio de encontrar Tadase na rua de novo. Já tinha se acostumado a viver sem ele, já tinha se conformado em sobreviver sem sua presença, sua proteção, seu cheiro, seus braços acolhedores... quando finalmente conformou-se com a idéia de não ter mais aquele garoto em sua vida, ele aparece do nada, ressuscitando lembranças e sensações há muito enterradas no fundo de sua mente e de seu coração. E ele parecia estar um pouco diferente também. Mais atrativo, mais maduro, mais seguro de si... não havia como negar, Tadase estava mais galante e bonito do que nunca. Como diria seu irmão, aquele garoto era tão perfeito que dava vontade de bater nele. Qual é, ninguém pode ser tão perfeito assim! Mas, de alguma forma, Tadase podia, e isso era até irritante às vezes.
– Nee Nadeshiko... até quando vai ficar aí pensando na morte da bezerra hein?? — Temari indagou, um tanto incomodada com o estado da dona. Ela não saiu da cama o dia todo, sem sequer comeu — Se você não levantar nem pra comer alguma coisa vai realmente acabar passando mal!
– Estou bem, Temari. Não estou com fome — a garota respondeu, ainda admirando o pingente dourado, bem seguro em suas mãos — Estou mais preocupada com o que devo fazer agora... o que eu faço, hein??
– Bom, acho que você deveria começar levantando dessa cama, comendo alguma coisa e indo pra sua aula, se correr, ainda dá tempo — a Chara respondeu
– Não... não estou com a menor vontade de dançar hoje. E também não era disso que eu estava falando — Nadeshiko murmurou pensativa — Nee, acha que eu devo me mudar de novo? Ir pra outro país talvez... quem sabe a França, Paris parece ser um lugar lindo pra se viver
– Você não fala francês, Nadeshiko — Temari lembrou com uma gota na cabeça
– Não importa, existem outros países. Quem sabe a Inglaterra, meu irmão viveu boa parte da infância lá, e disse que é um ótimo país. Ou quem sabe um país mais distante... posso ir para o Brasil talvez, ou o México... dizem que os fugitivos sempre acabam indo pro México, não é? Talvez eu vá pra lá também
– Pelo amor de Deus, não é como se você estivesse fugindo da polícia! — sua Chara exasperou-se — Quer deixar de ser uma medrosa e parar de fugir do Tadase-kun de uma vez?! Você não foi nem pra escola por medo de encontrar ele na rua... até na Academia de Dança você faltou hoje!
– Já disse que não estou com a menor vontade de dançar hoje
– Então, já que não quer ir pra aula, por que não resolve logo as coisas com o Tadase-kun? — Temari sugeriu como quem não quer nada — Quero dizer, ele viajou do Japão até a Europa, e esteve te procurando por sabe Deus quanto tempo... não custa nada falar com ele
– Mas Temari, isso faria a minha viagem perder completamente o sentido — a garota rebateu — Eu vim morar na Itália justamente pra me afastar dele, pra garantir a segurança dele. Se eu voltar a falar com ele, e entrar no Chara Change de novo... nada garante que o Tadase-kun vá sobreviver dessa vez
– Pois eu acho que você é a única quem está preocupada com isso, o próprio Tadase-kun não pareceu se importar! Ele teve o trabalho de atravessar o continente pra te ver, você deveria ao menos ouvir o que ele tem à dizer! — Temari rebateu um tanto irritada — Se, mesmo assim, você ainda quiser ficar longe dele, então apenas o rejeite mais uma vez, e explique a situação. Mas não custa nada você ao menos escutá-lo, nem que seja só por educação! Você uma dama, certo? A "dama perfeita"... e uma dama como você não deveria ser tão descortês com uma visita
– Temari... — Nadeshiko murmurou — Eu odeio quando você tem razão, sabia?
– É, eu sei sim. Mas eu sou sua Shugo Chara, estou aqui pra te ajudar afinal — a pequenina sorriu gentilmente — Além do mais, você ainda precisa devolver aquele casaco que ele te emprestou ontem, não é? Ao menos isso você devia fazer
– Sim, eu sei, mas... sinceramente, essa cidade é enorme. Acho que é... muito improvável que eu o encontre de novo afinal.
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Enquanto isso, em um corredor daquele mesmo prédio...
– Bom, é aqui. Segundo o endereço que a Temari nos deu, é esse o lugar — Kiseki falou, parando em frente ao local indicado
– É uma pensão só pra garotas. A gerente me olhou com uma cara... — Tadase murmurou um tanto incomodado
– Não se preocupe com isso, o importante é que já entramos. E acho que é bem a cara da Nadeshiko viver em um lugar assim mesmo — Kiseki comentou — Mas Tadase, antes de falarmos com ela, preciso te avisar uma coisa: Mesmo que você a encontre e consiga conversar com ela... bem... sabe que há a possibilidade de ela não querer voltar com você, não é? Quero dizer, já se passaram vários meses desde que vocês se separaram, e não sabemos o que ela andou fazendo durante esse tempo. Ela tem uma nova vida agora. Ela pode já ter te esquecido... ou pode estar com outra pessoa agora. E-Eu digo isso porque não quero ver você criando falsas esperanças e se iludindo pra depois acabar não tendo o resultado que esperava e ficar todo desiludido e deprimido de novo, entende? Então, bem... n-não sei se é uma boa idéia você ficar muito esperançoso, porque isso pode ter tanto um resultado positivo quanto pode ter um resultado negativo
– Eu sei... sei disso, Kiseki. Sei que ela pode já não gostar mais de mim... já se passaram seis meses afinal. Sei que ela também pode... g-gostar de outra pessoa agora — o loiro respondeu, encarando o chão, de modo que a franja lhe cobrisse os olhos — Mas... agora que a encontrei, não posso deixar essa chance escapar, preciso ao menos falar com ela, entende?
– Entender, eu entendo, mas... não quero ver você criando falsas esperanças pra sofrer de novo depois
– Não acho que isso vá acontecer. Ela ainda guarda aquele colar que eu dei à ela tempos trás, você viu, não foi? — lembrou Tadase
– Sim, ela tem o colar, mas nada garante que a foto dentro dele é sua. Ela pode muito bem ter realmente apenas gostado do colar, e ter colocado a foto de outro garoto dentro
– Sei disso. Sei que existe essa possibilidade, mas... ainda assim, eu preciso ter certeza. Ficar nessa dúvida é muito pior, eu preciso saber a verdaade — Tadase respondeu, respirando fundo numa tentativa de se acalmar e reunir coragem — Bem, agora que estou aqui, não posso voltar atrás. Agora é tudo ou nada.
Há poucos metros dali, Nadeshiko ouviu alguém batendo em sua porta. Realmente não queria sair da cama hoje, muito menos ter que conversar com alguém, mas sabia que não poderia enrolar por muito tempo. Fazendo um enorme esforço para sair da cama, ela se levantou e, meio que se arrastando, foi até a sala e abriu a porta. Deu de cara com a pessoa que ela mais queria ver, mas que ao mesmo tempo era a última pessoa do mundo que ela podia ver agora: Hotori Tadase.
– Etto... b-boa tarde Nadeshiko-chan — Tadase cumprimentou, meio sem saber o que dizer
– Como... como foi que... m-me encontrou?! — ela indagou perplexa, os olhos vidrados nele
– Temari nos contou onde vocês estavam — Kiseki respondeu antes que Tadase pudesse detê-lo
– Ah, foi, é...? Te punirei por isso mais tarde, ouviu bem, sua Shugo Chara de língua comprida?! — Nadeshiko murmurou, encarando sua Chara com fúria no olhar
– Hunf, pois se tudo der certo, você vai é me agradecer depois, isso sim! — Temari rebateu, aparentemente sem se deixar intimidar
– Aff... você veio pegar seu casaco, certo? Vou pegar ele pra você — Nadeshiko adiantou-se pra pegar o casaco dele, que estava próximo à porta mas, antes que o fizesse, Tadase forçou um pouco a porta e entrou — Ei, o que está fazendo?! Esqueceu sua educação lá no Japão, é?? Eu não te convidei pra entrar!
– Sinto muito pela invasão, mas eu precisava fazer isso antes que você me expulsasse, coisa que certamente você iria fazer — Tadase falou, acertando em cheio — E eu não vim buscar o casaco, pode ficar com ele se quiser. Eu vim aqui pra falar com você. Por favor, me escute, Nadeshiko-chan... se quiser que eu saia depois, eu irei embora e nunca mais aparecerei na sua frente se assim você desejar, mas primeiro escute o que eu tenho a dizer
– Droga, esqueci do quanto você era persistente... tá, já que invadiu meu apartamento, sente-se então — ela deu-se por vencida — Vou fazer um chá, espere um pouco.
Ela dirigiu-se até a cozinha, e alguns minutos depois, voltou com uma bandeja, trazendo duas xícaras de chá, um bule e um prato com biscoitos. Ela depositou a bandeja na mesa, e se sentou de frente para Tadase, que se serviu de uma das xícaras quase que imediatamente, comendo um biscoito em seguida.
– Está muito bom... sua comida é realmente deliciosa Nadeshiko-chan — ele falou sinceramente, quase esquecendo do quanto gostava da comida dela
– Não fui eu que fiz isso — ela informou — Comprei os biscoitos prontos, e isso é apenas chá de saquinho
– Ehh? Mas por que?! Você sempre cozinhou tão bem!
– Eu acho que... apenas perdi a vontade de cozinhar. Não vejo mais graça nisso — ela murmurou, mais para si mesma do que para ele. Pensando bem, ela já não cozinhava mais nada desde que se separou de Tadase
– Que coisa... não pensei que você iria enjoar de cozinhar um dia, você sempre adorou fazer isso — Tadase comentou, ainda surpreso
– Bem, as pessoas mudam — ela respondeu simplesmente, evitando encará-lo
– Verdade... você está mesmo diferente de como eu me lembrava, Nadeshiko-chan — Tadase comentou, reparando melhor nela
– Bem, é claro que estou diferente. Meu cabelo ficou mais comprido, e acho que estou um pouco mais alta também — ela falou meio incerta e, ainda que um tanto relutante, acabou reparando melhor nele também — Você também está diferente... parece ter crescido bastante nesses últimos meses
– É verdade, eu cresci, assim como você. Mas não foi isso que eu quis dizer quando falei que você estava diferente — ele contou — Eu quis dizer... que, além da sua aparência ter mudado, você... parece estar mais séria, mais madura, e... mais triste. Você não parece ter mais aquela aura doce de felicidade que costumava irradiar de você desde que te conheço. Você parece estar um tanto... solitária
– I-Isso... é apenas impressão sua. E mesmo que fosse verdade... isso... n-não é da sua conta afinal — Nadeshiko tentou desconversar — E? O que você está fazendo aqui em Roma afinal? Largou a escola, foi? Não acho que seus pais bancariam uma viagem assim tão longa pra você, tão longe de casa... muito menos que permitiriam isso, você é menor de idade afinal
– Eu não larguei a escola. Quero dizer, não estou mais estudando na Academia Seiyo, é claro, mas estou frequentando uma escola daqui — ele explicou — E você tem razão, meus pais foram severamente contra essa viagem, mas Tsukasa-san conseguiu me ajudar de alguma forma, ele assinou uma permissão para que eu pudesse vir até aqui. Claro que, ele me ajuda quando pode, mas minha família realmente não tem condições de me ajudar financeiramente durante toda essa viagem, então eu arranjei um trabalho de meio-expediente
– Sério?! E o que você anda fazendo??
– No bairro vizinho existe um Café de Mordomos. É como um Maid Café, só que apenas garotos trabalham lá. A dona do lugar é otaku, ela disse que tenho uma aparência perfeita pra esse tipo de coisa, então estou trabalhando lá desde então
– Café de Mordomos, é...? — uma imagem mental de Tadase usando uma elegante roupa de mordomo e dizendo "Qual o seu desejo, Ojousama?" formou-se na cabeça de Nadeshiko e ela sentiu seu rosto esquentar rapidamente. A garota sacudiu a cabeça com força, tentando não imaginar uma cena assim, e voltar ao foco principal da conversa — É, eu conheço o lugar... é perto de um Maid Café, certo? Parece que a dona otaku desse Café de Mordomos é irmã do dono do Maid Café próximo dali, eu trabalhei lá por uns tempos, mas precisei sair para poder me concentrar melhor nas aulas de dança — Nadeshiko contou e, involuntariamente, Tadase também formou uma imagem mental de Nadeshiko vestida de maid, fazendo-o ficar irremediavelmente corado
– Entendo. E você... o que tem feito durante esse tempo, Nadeshiko-chan?
– Eu já não expliquei na última vez que nos vimos? Vim aqui pra estudar dança. Não apenas a dança tradicional da minha família, mas todos os tipos de dança existentes, como valsa, jazz, tango, salsa... enfim, vários tipos de dança diferentes. Agora estou estudando balé. E também estou frequentando uma escola daqui, é claro, é um colégio feminino
– Entendi. E você está... namorando alguém agora? — Tadase soltou a pergunta que estava entalada em sua garganta desde que conversara com Kiseki. Não queria admitir, mas realmente existia essa possibilidade, por mais doloroso que fosse. Se ela já tivesse outra pessoa... se seu coração já tivesse outro dono, então não haveria mais nada que ele pudesse fazer, teria que desistir dela, por mais doloroso que fosse.
Nadeshiko surpreendeu-se com a pergunta. Não esperava que ele dissesse algo assim, mas pensando bem, era a oportunidade perfeita para fazê-lo desistir dela de uma vez po todas. Ela não estava namorando ninguém, mas se mentisse e falasse que tinha um novo namorado, Tadase desistiria dela com toda a certeza, e a deixaria em paz de uma vez por todas. Só precisava mentir pra ele. Só precisava atuar mais uma vez e enganá-lo... era só atuar, como já fez tantas vezes antes, então... por que era tão difícil conseguir mentir para aquele garoto?!
– Não... eu não estou namorando ninguém — ela respondeu por fim, sem encará-lo — Não poderia colocar a vida de mais ninguém em risco, não depois do que aconteceu com você — ela completou, dizendo um dos motivos pelos quais não tinha um novo namorado. Não queria admitir, mas o motivo principal era que, mesmo depois de todo esse tempo, ainda não tinha conseguido esquecer Tadase. Ela não tinha esquecido Tadase. Mas e ele? Provavelmente era uma pergunta tola, mas se passaram seis meses afinal... será que ele já não estava com outra pessoa? — E você, Tadase-kun... não arranjou nenhuma namorada nova durante o tempo em que veio pra Roma?
– E você realmente acha que eu estaria aqui agora se tivesse outra namorada? — ele falou, encarando-a com seriedade, e Nadeshiko percebeu o quanto era tola essa hipótese — Nadeshiko-chan, há seis meses atrás, logo que saí do hospital, eu fui até a sua casa. Sua mãe me disse que você não vivia mais lá, e eu... eu realmente entrei em desespero quando me vi diante da hipótese de que talvez nunca mais te veria de novo. Daí eu falei com seu irmão logo depois. Ele me pediu pra não contar isso pra ninguém, mas acho que pra você não tem problema... bom, ele me contou que você tinha vindo pra Roma. Mas ele não sabia em qual bairro, em qual rua, ou em qual apartamento você estava vivendo. Mesmo assim, eu quis vir pra Roma procurar por você. Tsukasa-san me ajudou, dizendo que me daria a viagem de presente até o fim das férias de verão. Eu vim, mas não a encontrei, e quando as férias acabaram, eu não quis voltar. Prometi ao seu irmão e à mim mesmo que só voltaria pro Japão depois de te encontrar. E, depois de seis meses te procurando, eu finalmente te achei... foi um longo tempo de espera, eu sofri muito em não poder estar ao seu lado, e com a possibilidade de nunca mais te encontrar, mas... você finalmente está aqui diante de mim. Nadeshiko-chan.... por que você você foi embora assim? Por que me deixou tão de repente, e se mudou pra tão longe? Você... não gosta mais de mim?
– Eu... t-te expliquei isso seis meses atrás, não foi? — ela falou, desviando os olhos dele, e evitando responder a última pergunta — Sou perigosa demais pra ficar perto de você ou de qualquer outra pessoa... meu Chara Change podia ter te matado daquela vez. Eu não quero que uma situação dessas se repita, você pode não escapar com vida da próxima vez. Por isso... pra sua própria segurança, é melhor você ficar longe de mim
– Seu Chara Change não me matou, eu estou perfeitamente bem, olhe — ele levantou a manga da blusa, deixando o braço que ela feriu meses atrás exposto. Não havia nenhuma cicatriz ou um arranhão sequer em sua pele — Viu, eu estou completamente curado daquele ferimento, há meses que melhorei. Só desmaiei daquela vez porque perdi muito sangue, e fiquei meio anêmico, mas o corte não foi profundo, só pegou de raspão
– Fico feliz... que você esteja bem agora. Mas nada garante que você escapará na próxima. Você não devia ter vindo atrás de mim, Tadase-kun — ela falou, finalmente encarando-o nos olhos, sentindo um nó na garganta e sendo invadida por uma terrível vontade de chorar ao dizer aquelas palavras tão duras ao garoto que amava — Eu me afastei, atravessei o continente e vim pra esse país distante justamente pra garantir sua segurança, será que não entende?! Você sabe o quão violenta e perigosa eu me torno quando estou no Chara Change! Sou perigosa demais pra ficar perto de alguém tão doce e gentil quanto você, então.... vá embora.
Ela caiu de joelhos no chão, sem mais conseguir conter as lágrimas que há muito lutavam para escapar de seus olhos.
– Vá embora logo... vá e me deixe sozinha, antes que... a-antes que eu não consiga mais resistir e acabe... a-acabe voltando atrás na minha decisão e me dando por vencida...
– Então renuncie à essa decisão. Renuncie à essa escolha cruel que você fez sozinha e se renda de uma vez — ele se ajoelhou diante dela e a abraçou gentilmente, apoiando a cabeça dela no próprio ombro. Nadeshiko tentou afastar-se mas seu corpo não queria obedecer. Estava com tanta saudade daquele delicioso cheiro adocicado que o garoto exalava... com tanta saudade de estar mais uma vez nos braços dele. Sentia-se tão protegida ali que era como se mais nada no mundo importasse — Ano nee Nadeshiko-chan... você tomou essa decisão de se afastar sozinha, acreditando que seria o melhor pra mim, mas eu não concordo com isso. Você não é a única pessoa envolvida nesse caso, eu estou envolvido também, e portanto também tenho o direito de opinar. Você acreditou que se afastar de mim seria o melhor parar me garantir uma vida segura... mas eu simplesmente não posso ter uma vida sem você. Se você não estiver ao meu lado, a minha vida perde completamente o sentido... eu não vivi durante os últimos seis meses, passei todo o meu tempo livre te procurando, porque eu só conseguia pensar em você, estava com saudades de você, com saudade do seu cheiro, de ouvir sua voz, e de ter você em meus braços. Eu não posso... viver sem você, simplesmente não consigo fazer isso. Então, se você se afastar de mim, você não estará garantindo a minha sobrevivência, e sim me matando, entende?
– Tadase... kun...!
Antes que Nadeshiko formulasse uma frase completa, Tadase tomou seus lábios para si e a beijou. Ela sabia que devia recuar, que devia se desvencilhar dele, mas não conseguiu mover um músculo diante da repentina ação do rapaz. Não era apenas ele, Nadeshiko também sentia uma imensa saudade daquele toque, daqueles lábios tocando os seus, daquelas mãos quentes e carinhosas acariciando sua pele... tanta saudade que fazia seu coração doer tanto que parecia que estava sendo esmagado aos poucos, para matá-la devagar e impiedosamente. Sentiu-o forçando a língua entre seus lábios e abriu um pouco mais a boca, dando-lhe permissão para aprofundar o beijo. Não queria admitir, mas ela realmente sentiu falta da sensação de ter aquela língua macia e aveludada tocando a sua, como apenas Tadase sabia fazer. O loiro escorreu as mãos pelo corpo dela velozmente, abraçando-a pela cintura e puxando-a para mais perto, afim de aspirar um pouco mais daquele cheiro tão delicioso que ele não sentia há tempos. Sentiu tanta falta do cheiro dela, de tocar nos cabelos dela, de ter a garota que amava em seus braços, que era sufocante continuar vivendo, não via sentido em mais nada se não podia ter Nadeshiko ao seu lado.
Logo começaram a sentir falta de ar, mas a saudade parecia falar mais alto do que a necessidade de respirar, e tanto Tadase quanto Nadeshiko recusavam-se a se separar um do outro. No entanto, ela logo começou a sentir tonteiras, provocadas tanto pela falta de oxigênio em seus pulmões quanto pela falta de alimento em seu estômago, e forçou-se a separar-se dele. Tadase conformou-se em encerrar o beijo, mas continuou abraçando a garota.
– Volte comigo para o Japão — Tadase pediu logo que conseguiu reunir fôlego para falar — Volte comigo pra casa, e volte a ser minha namorada. Vamos deixar esse lugar e voltar pro Japão juntos. Por favor, não me deixe sozinho de novo, Nadeshiko-chan... eu não quero ter que viver sem você
– Mas Tadase-kun... se eu fizer o Chara Change de novo e te machucar como aconteceu antes, eu...
– Se você fizer o Chara Change de novo, então eu farei o Chara Change também — ele a interrompeu — Posso criar uma barreira usando o Holy Crown, lembra? Assim não teria problema nenhum e, mesmo se você viesse a me atacar, não conseguiria me acertar. Naquela vez eu não estava preparado e fui pego de surpresa, mas da próxima vez, terei mais cuidado, e farei o Chara Change também assim que você se transformar, só pra garantir. Na verdade aquilo foi meio minha culpa também... sei muito bem como é difícil lidar com seu Chara Change, eu devia estar preparado pra isso, mas fui descuidado. E também... você não é a única que tem um Chara Change problemático. O meu também é bem complicado de lidar, e sei que já te causei vários problemas por causa disso, mas, no fim, você sempre me perdoou. Então eu farei a mesma coisa e perdoarei você pelos problemas causados pelo seu Chara Change. É o mínimo que posso fazer para retribuir, não acha? Além do mais... você não pode fugir pra sempre de mim. Temos uma ligação, se lembra? — ele entrelaçou o próprio dedo mindinho no dela — Nossas vidas estão conectadas pela Linha Vermelha do Destino. Essa é uma ligação tão poderosa que ninguém pode romper, nem nós mesmos
– Pensei que você... não acreditava nessas coisas de destino. Que isso era só uma bobagem das meninas, e que você não acreditava que isso fosse real
– Eu acredito agora. Acreditarei no que for preciso pra ter você de volta. Naquela época, eu era muito imaturo e ingênuo... e não percebi o significado por trás dessa sua crença em simpatias e em destino — ele admitiu um tanto envergonhado — Mas eu entendo agora. Não era na simpatia em si que você acreditava, e sim no fato de que, não importa o que aconteça, nós ficaremos juntos pra sempre, e não há nada nem ninguém que possa impedir isso, não é? Você queria apenas se prender à algum tipo de prova de que sempre estaremos juntos, e que nada nem ninguém será capaz de nos separar. Eu também acredito nisso, com todas as minhas forças. Eu te amo demais, Nadeshiko-chan... e não há pessoa, lugar, ou destino nesse mundo que possa me impedir de ficar com você. Nem mesmo o tempo ou a distância são capazes de destruir o amor que sinto por você
– Você... realmente não existe, Tadase-kun — ela murmurou, deixando escapar um fraco sorriso, contrastando com o rosto ainda molhado de lágrimas — Tem certeza de que... e-está tudo bem?
– Certeza absoluta. Nada mais me importa, desde que eu possa voltar a ter você ao meu lado, sorrindo desse jeito pra mim — ele respondeu, gentilmente enxugando as lágrimas dela
– Tá bem, você venceu, então — Nadeshiko finalmente deu-se por vencida, alargando um pouco seu sorriso — Vamos voltar.
*** Próximo Capítulo: O Laço Eterno Entre o Rei e a Rainha ***
Notas finais
Sim, podem comemorar, nosso casalzinho megafofo está junto novamente!! *soltando fogos*
Por outro lado, o próximo capítulo é o último dessa fic e da minha trilogia Tadashiko... também né gente, já chega, eu escrevi a primeria e duas continuações, vocês já devem estar de saco cheio -.-"
Fic Tadahiko:
http://fanfiction.com.br/historia/273775/Destinos_Entrelacados/
Fic de Shugo Chara na Idade Média:
http://fanfiction.com.br/historia/266701/Monochrome_Love/
Fic que estou escrevendo junto com a Shiroyuki-chan:
http://fanfiction.com.br/historia/248873/Revenge/
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Kissus e até semana que vem ^__^
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