Kisses and Shots

6 Pode falar, não importa, o que eu tenho de torta, eu tenho de feliz. -Mallu Magalhães


Notas iniciais
Por que eu penso que a vida é pra ser encarada de cabeça pra baixo, por que eu ainda acho que o jeito certo é o errado e o certo mesmo é ser feliz! kkk O por que dessa frase? por que Donna é uma dessas pessoas que a gente chama de louca, mas é mais feliz do que mta gente normal. E pq essa autora é meio como ela KKK Boooooom diaaaa!

— Veri.

— E isso deveria me dizer algo? – ele pergunta rudemente.

— Veri. – eu digo antes que Harley possa dizer algo para ofender ele.

— Uau, você está linda. – ele diz quando passa por Harley e me abraça. Eu retribuo o com um sorriso.

— Onde você está indo? – Harley pergunta quando passo por ele de mãos dadas com Veri.

— Isso não é seu problema Harley. – digo o nome dele com ênfase, calmamente, e não ofereço detalhes.

Eu apenas vou.

Posso dizer que ele está me olhando com raiva, mas eu não ligo. Estou fazendo algo por mim. Entramos no carro e Veri se afasta.

— É por caras assim que eu acho que me tornei gay. – ele diz sorrindo. – Melhor, é por caras assim que eu nasci gay! Deus! O homem exala sexo em cada poro.

— Eu achei que você fosse casado.

— Não cego. – ele sorri. – E olhar caras heteros não conta. E eu amo demais Fabien.

— Eu sei, dá pra ver.

— Como você acabou casada com o Deus do Sexo?

— Uma longa historia Veri. – eu rio. – Para outra ocasião.

— Tudo bem, mas eu quero saber os detalhes, principalmente os picantes.

Eu gosto do jeito fácil de Veri, não é todo mundo que tem essa despreocupação e essa sinceridade. Da onde eu venho ninguém tem. Tem pelo menos vinte pessoas em sua casa. Alguns tocam violam e cantam uma mistura de rock com indie impressionantemente boa. E todos estão conversando e rindo e comendo da grande mesa que está cheia de coisas frescas, há peixes, frutos do mar, frutas, saladas, e alguns petiscos crocantes e tem uma mulher fazendo drinks coloridos. Foi uma noite muito agradável. Eu nunca tive a oportunidade de estar rodeada de pessoas rindo e se divertindo e felizes por estarem na presença um do outro. Tudo sempre foi negócio, rígido e frio. Alguém em algum momento tira fotos. Eu sei por que vejo os flashes, mas é espontâneo e em nenhum momento ninguém para pra fazer pose.

Eu sei que perco a noção do tempo, dos drinks. E quando eu finalmente volto para casa é tarde e minha cabeça flutua. Entro em casa e no quarto. Só não esperava ver Harley sentado na minha poltrona me olhando feio.

— Hey, marido. Ainda acordado? – pergunto alegremente.

— Onde diabos você foi?- ele pergunta duramente.

— Fui me divertir. – eu tiro meu top e seus olhos azuis caem direto nos meus seios. Eu o vejo engolir seco.

— Vejo não pode sair assim. Está me ouvindo? Se algo te acontecer seu pai vai começar uma guerra... – ele para quando tiro a saia e fico em apenas lingerie sexy preta.

— Uma guerra marido?- eu rio alto. — Não tenha tanta fé no meu pai. Mesmo que eu morresse agora ele sempre teria a mais forte conexão com a família mais poderosa da máfia. Ele nunca abriria mão disso por causa de mim. Então se essa é a sua preocupação, pode dormir tranquilo. – eu engatinho na cama virando minha bunda no ar em frente a ele. Muito inocentemente.

— E se meus inimigos pegassem você? – ele pergunta sua voz adquirindo um tom mais grosso.

— O que você faria então marido? Negociaria a vida de uma esposa que você não quer? Que você não deseja? – Eu rio outra vez. A ironia escorrendo pelo meu tão. O sarcasmo me vem tão fácil e me é tão familiar. Minha melhor ferramenta pela sobrevivência. Meu melhor jeito. Ele sai da poltrona e vem até mim. Estou estendida na cama e sinto seu peso afundar no colchão. Ele está em cima de mim em segundos. Suas mãos abrindo minhas pernas e seus quadris encaixando no meio delas.

— Que merda você está fazendo? – ele pega meu cabelo e dá um ligeiro puxão.

— Me preparando para dormir, marido.

— Vai dormir assim?

— Posso dormir nua. Mas eu estou simplesmente exausta. – o seu corpo em cima do meu me distrai.

— Você saiu vestida desse jeito com aquele cara?

— Não, eu levava um top e uma saia marido.

— Ele sabia que você estava vestida para uma foda embaixo disso?

— Isso você vai ter que perguntar a ele. – eu sorrio.

— Você o deixou ver? O que é meu?

— Talvez eu tenha, marido. Talvez eu tenha deixado ele ver tudo. E talvez eu tenha dito a ele que meu marido não me quer e que eu precisava de alguém pra atender as minhas necessidades. Talvez, marido, você não seja tão bom quanto você pensa. Talvez marido, ele tenha sido melhor. – eu sussurro em seu ouvido.

— Você. O. Deixou. Te. Tocar? – Ele diz arrastadamente. Ele está furioso.

— Isso você nunca vai saber. – Harley respira pesado em cima de mim. Ele sai de cima de mim como se estivesse sido queimado. E sai do quarto sem dizer mais nada.

Acordo com o barulho de uma chuva torrencial. Chove muito forte e posso ouvir os trovões e ver os relâmpagos. Eu amo chuva. Simples assim. O cheiro, a temperatura, o som. É demais. Isso imediatamente me coloca de bom humor. Escovo meus dentes, a temperatura baixou ligeiramente. Então coloco pantufas de pele brancas, uma cueca feminina cinza clara que molda minha bunda perfeitamente e deixa a polpa de fora e um cropped que destaca meus seios, prendo o cabelo em um coque ligeiramente bagunçado. Estou com o ar sexy que quero. A casa está em silencio, mas eu sei que com essa chuva Harley não saiu. Então começo caçar ingredientes para um bom café da manhã, bacon, ovos, molho, panquecas com gotas de chocolate, morangos, e laranjas para um suco fresco. E ligo a musica.

Começo a colocar as panelas e cantar e mexer os quadris. O barulho da chuva e da musica é tudo que eu preciso, eu me perco, o cheiro do bacon começa a soltar, eu aprendi a cozinhar e era proibida de comer por que meu pai dizia que eu tinha que estar em forma para quando me casasse, ele não sabia que eu fazia treinamento com Nadia, que eu gastava muito mais calorias do que eu poderia ingerir, ele sempre pensou que Nadia era apenas uma treinadora de boas maneiras, e bom comportamento. E atuava como minha dama de companhia. Ela me ensinou a cozinhar e nós íamos a cozinha sempre com essa desculpa, eu acabei gostando muito e era a oportunidade para comer o quanto eu quisesse sem os olhos e reprovações do meu pai. O prazer que eu tinha em cozinhar e comer era indescritível.

Monto um prato substancioso com as guloseimas depois que termino tudo. O cheiro invade a cozinha. Acho que esse cheiro atrai Harley que desce apenas de calças e com a casa amassada de sono. Ele parece como um anjo, só que com tatuagens.

— Bom dia marido. – eu digo com um sorriso. Ele me olha sério.

— Que merda você está vestindo? – ele pergunta em tom gutural.