Kisses and Shots
7 Em cada instante das nossas vidas temos um pé nos contos de fadas e outro no abismo. - Paulo Coelho.
Notas iniciais
—Se você acha que andar assim vai me fazer querer você....
—Hey! Relaxa marido. — pisco para ele o que o faz ficar vermelho provavelmente com raiva. Eu sei que Harley é um cara bacana, por que a gente sabe que os homens da mafia vivem no seculo passado e acham que para disciplinar suas mulheres surras são necessárias. E eu o provoquei muito até agora e ele não me levantou o dedo. Claro, eu jamais permitiria que ele me machucasse, foi por isso que treinei. Mas, é bom saber que essa não é uma opção para ele. — Eu só vim fazer algo para comer.
—Você não cozinhou isso tudo.- ele afirma. Eu bufo. Meu marido pode ser um babaca né?
— Não ? Pelo que me lembro não tem um cozinheiro aqui.
— Por que você aprendeu a cozinhar?
—Primeiro por que gosto, segundo por que meu pai achou que qualquer habilidade extra conseguiria um preço melhor por mim. — digo sorrindo. — Então ele me pagou aulas de culinária, você meu caro marido se casou com uma chef. — ele me olha estranho.
—Pelo menos você tem algo em seu favor. — ele tenta ser rude, mas ele não sabe que eu comia rudeza no café da manhã, meu pai fazia questão. Então eu rio.
—Estamos casados apenas a alguns dias marido, tenho certeza que você vai me dar mais pontos ao longo dos anos. — ele senta na mesa carrancudo e começa a comer.
— Você sabe cozinhar. — ele diz sem vontade. Minha comida é boa. Eu sei disso. É engraçado ver a forma com que ele fica chateado com isso. — Por que você não foi fazer o café da manhã para o seu amante? — eu rio alto. Veri meu amante?
— Amante? Oh não Veri eu combinamos de deixar nosso caso em apenas uma noite. — digo para provocar. Quase rindo. Ele aperta os olhos para mim.
—Você me deu sua virgindade para procurar outro no dia seguinte?
— Você deixou claro que esse casamento não é assim marido. — eu digo. Eu gosto de provocar Harley. Ele está em um lugar não muito bom agora. Eu sei que ele ama outra, outra que está casada e feliz e quando ele sair da concha escura que ele se enfiou e perceber isso, eu espero que não seja tarde demais. Mas, provoca-lo o desperta. — E eu queria experimentar mais. — digo. Tenho vontade de rir. Primeiro que Veri teria mais interesse no Harley do que em mim. E segundo que eu não procuraria um amante. Mas, Harley não precisa saber disso. — Mas, não se preocupe marido, você não ficou muito atrás. Foi uma diferença pequena. — digo baixinho. Ele larga o garfo e me olha com raiva. Eu me levanto para subir.
—Você não sabe com quem está se metendo Dona. — Ele me segura pelo braço. Mordo o lábio.
— Você quer mais uma vez para eu ter certeza que você perdeu? — Ele olha minha boca. E engole seco.
—Pare de me provocar.
—Pare de ser um covarde marido. Você está com medo de que? De deixar de gostar de uma mulher casada?
—Isso não é da porra da sua conta! — ele grita.
—Eu sou sua esposa.
Um barulho alto nos tira da nossa discussão. E adivinhem só:
São tiros!
Nos acharam.
—Vá para cima! Se esconda na banheira. — Harley sussurra. Oh, então meu querido marido quer que eu corra como um coelho assustado. Ok. Eu subo agachada, mas com certeza eu não vou me esconder na banheira. Eu bufo.
No fundo falso da minha mala eu carrego uma sniper, duas pistolas e uma faca. E bastante munição.
Quem nasceu no mundo que nasci tem acesso fácil a qualquer tipo de arma. Nádia me ensinou a atirar com uma boa variedade delas, por que são diferentes, a inclinação o retorno, a mira. Coloco coturno nos pés, coloco as pistolas em um coldre no ombro uma de cada lado, a faca na cintura e seguro a sniper na mão.
Pego pentes e procuro algum sinal de movimento. Isso tudo leva minutos para fazer. Nadia fez questão e eu fizesse simulações militares. Ela foi rigorosa. Graças a Deus por ela.
Está tudo silencioso após o primeiro tiro. Eles estão tentando achar um jeito de entrar na casa. Finalmente um dos quartos me dá a visão de movimentação. Estão entrando pelos fundos. Onde está Harley? Armado em algum lugar? O líder passa pela porta e ouço vozes, ouço Harley.
Cinco guardas ficam na porta. Ótimo. Posiciono a sniper que tem silenciador.
Miro.
Um.
Miro.
Dois.
Eles começam a procurar.
Miro.
Três.
Ficam nervosos.
Miro.
Quatro.
O ultimo abre a boca para gritar.
Miro.
Cinco.
Os retaguardas? Já eram.
Contei quatro entrando e mais o líder e ele ainda fala em voz alta com Harley. Muito bem marido. Mantenha ele ocupado.
Coloco a sniper nas costas, pulo a janela do quarto o mais silenciosa que consigo ser.
Espio dentro da sala. O lado oposto que os homens entraram.
Na sala há dois homens. Significa que Harley está na cozinha com dois. Arremesso minha faca. Acerta o da direita na cabeça. Quando ele cai o outro aponta a arma para mim. Saco a pistola e atiro.
—Que porra é essa? — alguém fala. O barulho da pistola os avisa. Eu entro devagar.
— Parece que estamos num empasse Regi. — Ouço a voz de Harley.
—Não estamos! Tenho certeza que meus homens acharam sua esposa. — ele ri alto. — Túlio, vá verificar. — Me escondo na parede. Isso Túlio. Venha me ver. Ouço passos. Túlio entra em meu campo de visão. Um tiro um sua cabeça. Túlio nunca teve uma chance. Descuidado.
Entro na cozinha apontando minha arma.
—Vadia! — diz o homem apontando a arma para Harley que está apontando a arma para ele. — Que porra é essa? Bernard!
—Oh, eu acho que matei o Bernard. — digo. Vejo Harley apertar os olhos para mim. Minha arma em punho aponta para o tal Regi.
—Quem é você?
—Seu anjo da morte se você não colocar a arma para baixo. — digo.
— Veja se ela não é uma gracinha. — ele diz. Irônico. -Você tem um belo pedaço de bunda aqui Harley. — Ele me dá nojo.
—Você não está em posição de falar merda sobre minha mulher. Abaixe a arma-
—Tudo bem amigos. O que é isso eu só vim fazer uma visita. — ele diz claramente nervoso.
—Não somos amigos. Seu irmão está tentando garantir o território Oeste me sequestrando? Achei que eram mais espertos que isso. Você trouxe o que ? Dez homens para me pegar na lua de mel? — Harley diz. Ele é frio e calculista agora. Ele não demonstra raiva. Nem sentimento algum. Como um verdadeiro homem de confiança da mafia. Ele pode não estar de terno, mas sinto que ele poderia estar vestido de palhaço e ainda estaria emanando essa mesma sensação de poder. O homem engole seco. Oeste é uma cidade das muitas que Dante comanda.
Mas, por que Oeste? Fica a pelo menos 50 km da cidade matriarca. Na divisa de Santa Aurora... A questão é que Santa Aurora está prestes a assinar um acordo para liberação da construção de casinos, Santa Aurora é território livre no momento. Apenas por que não há negócios lá ainda, mas Oeste faz negócios lá e quem domina Oeste... Domina Santa Aurora no momento certo. Aperto a pistola em sua cabeça.
—Algum plano para invadir Santa Aurora? É por isso que estão de Oeste? — pergunto. Ele arregala os olhos um pouco. Boa resposta Regi. Deveriam ensina-lo a não reagir.
—O que? Acha mesmo que vai dominar o marcado de casinos? Construir seu pequeno exercito. Esperto Regi. -Harley diz. — E você vem na minha casa, no meu território declarado, na minha porra de lua de mel tentar me sequestrar para um acordo? — ele ri. Ele se aproxima de Regi.
— Podemos conversar. — ele diz ofegante. — Sei de muita coisa. Posso ...
— É engraçado ver você perder sua confiança. E sim nós vamos conversar. Mas, Dante vai querer participar dessa conversa. — Com isso ele acerta a cabeça de Regi com sua arma.
E em seguida aquele olhar gelado olha para mim.
—Eu disse para se esconder. — ele diz com raiva. Aperto meus olhos para ele. Agora ele está me deixando com raiva. Eu o ajudei porra! E é isso que ele tem a dizer?
—Você queria que eu estivesse na banheira agora enquanto esses bastardos fossem me pegar?
—Eu iria dar um jeito. E salvaria você. — eu rio.
—Você não se casou com uma princesa marido. Eu não preciso ser salva. Você está vendo contos de fadas demais. Eu não estou em uma torre esperando o principezinho matar o dragão querido. E eu nunca vou estar. — digo. Dando as costas para ele.
—Poderiam ter machucado você! Poderiam ter matado você!
— Ou eu poderia ter matado eles. — digo andando para sala onde estão corpos. — Oh, veja! Eu matei! — eu grito. — Esteja grato por que um desses corpos não é o seu!
—Eu sei me defender porra!
— Isso faz dois de nós então.
—Quer saber? Eu não vou discutir com você agora. — ele saca o celular. — Dante? Regi se atreveu a invadir a casa na praia. Sim, não. Mortos. Quantos? — ele me olha.
—Nove.
—Nove. Ela está bem. — ele revira os olhos. — Mande a equipe de limpeza. Regi está indo para casa comigo. Quanto tempo para o jato ficar pronto? Sim. Ok. — ele desliga. -Vamos para casa.
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