Kiss Me Again
27 Hey Daddy!
“GAB”
Eu estava deitada na cama daquele hospital sozinha, liguei a tv e fiquei prestando atenção ou melhor tentando, tudo o que o Harry me falou horas atrás passava pela a minha cabeça, eu sempre imaginei que isso fosse acontecer, mas não nessas circunstâncias, tive uma longa conversa com a minha mãe depois do ocorrido, ela esta convicta de que não vai me apoiar nessa “loucura” como ela mesma chamava minha relação com o Harry, eu escondi dela minhas primeiras aproximações a ele, e nunca contei que estava realmente apaixonada, aliás eu achava que era coisinha de momento mas não é.
–flashback- (em terceira pessoa)
Um homem alto loiro e muito bem vestido estava parado em frente a um Land Rover verde escuro, ele estava com um óculos de sol bem moderno, o que a fez rir já que o tempo em Glasgow não era dos mais convidativos, uma roupa que não convinha para a sua idade e um sorriso de ansiedade escapava pela a linha fina que sua boca formava, ele era lindo mais do que nas fotografias. Gabriela apertou as duas mãos como se fosse fazer uma oração e começou a andar, a neve fina que caia a fez cerrar os olhos para poder enxergar o que vinha a frente. 17 anos esperando por esse dia, 17 longos anos ouvindo as bandas que seu pai produzia escondida de sua mãe, procurando fotos dele pela a internet e escrevendo cartas sem remetente que nunca saíram de sua escrivaninha, 17 anos para esse dia e agora ele estava ali na sua frente.
– Hm.. Oi – a menina disse sorrindo e logo abaixando a cabeça.
– Você não, não pode ser, minha pequena?
– Acho que sim, mas não sou tão pequena ok? – ela disse séria o que fez o homem recuar, mas logo os dois começaram a rir.
– Pregou-me um susto garota! Vamos tomar alguma coisa? Temos muito o que conversar.
– Antes... – ela hesitou em falar e ele a olhou dando um sorriso amigável a fazendo menção de continue – obrigada por ter aceitado me encontrar, apesar de eu estar atrapalhando seu trabalho, eu sempre quis te conhecer e essa era a minha chance já que estamos no mesmo país por coincidência. E...
– Não! Não precisa agradecer, meu sonho desde o dia em que vi uma foto sua bem pequenininha em sua festa de 2 anos de idade é te conhecer e poder fazer – ele passou a mão no rosto tirando o óculos e mostrando as lágrimas caírem, que logo foram limpadas de seu rosto gelado.
– Fazer?
– Isso – antes que Gab pudesse seu pai a pegou no colo em um abraço que fora o melhor de sua vida – eu sempre quis ter uma filha, sua mãe foi injusta em não me deixar te conhecer, mas eu estou aqui.
– Minha mãe não podia ter feito isso conosco. – Gab disse sendo colocada no chão e limpando uma lágrima quente que caia por toda a extensão de sua bochecha direita.
– Bem, isso não é hora de pensarmos nisso, depois nos resolvemos, mas saiba que quero meus direitos de pai, férias escolares, passeios por onde você quiser, presentes caros quando você estiver triste e longas risadas em volta de uma fogueira – Gab o olhou assustada pensando em como pode ter sido mantida longe daquele anjo e por ter crescido achando que ele nunca realmente a quis. – Mas chega disso, afinal sou um produtor musical e não posso perder meu ar de mandão e estupido, se alguém me ver nesse estado serei uma piada! – o homem fez um biquinho chateado e logo ouviu sua filha rir.
– Você esta longe de ser malvado, pai! – os dois estavam rindo e logo o homem parou e a olhou curioso – É... posso te chamar assim né?
– Claro sua bobinha, e eu vou te chamar de filha o dia todo, se prepare.
–fim flashback-
Minha mãe estava dormindo então não veria minhas lágrimas que insistiam em cair, como eu sentia falta do meu pai, aqueles dois dias que passei com ele foram os melhores da minha vida, fiquei pensando em quantas vezes ele não me chamou para ir a Londres visitar a casa dele e conhecer meus irmãos, sim eu tenho 3 irmãos, engraçado pensar assim. Mas eu idiota nunca fui pensando em como mamãe odiaria saber que eu estava na casa do homem que a enganou.
Coloquei uma pantufa que estava próxima a minha cama e sai caminhando o mais levemente possível, eu precisava dar uma volta, cheguei no corredor do hospital que estava deserto e fiquei vagando por ali cantarolando uma música qualquer.
– Gabriela? – ouvi uma voz masculina fina porém parecia conhecida, senti minha pele arrepiar e meu coração pular dentro de mim, novos ataques não foi a única coisa que eu pensei antes de ser interrompida com um grito – PAAAAAI! Achei a nossa garota.
– Isso Fred bom menino. – olhei pra trás e dei de cara com Caleb, ou melhor meu pai, eu não sabia se corria e o abraçava ou se ficava no mesmo lugar em que estava, a segunda opção foi a minha escolha. – Minha filha, você quase me matou de preocupação, como você pode se meter em tudo isso? Você esta bem?
– Calma pai. – eu disse rindo e logo ele sorriu. – eu estou bem, mas... o que faz aqui?
– Eu fiquei sabendo o que houve com você, na verdade fiquei sabendo o que houve com os meninos, eles estão gravando no meu estúdio, então quando soubemos a notícia vimos fotos deles e eu te vi, implorei a Deus pra não ser você mas quando me falaram seu nome... – os olhos do meu pai se encheram de lágrima e sua voz ficou falha – eu achei que fosse te perder, sem nem ter te ouvido me chamando de pai por muitas vezes.
– Aw! – soltei um suspirinho, incrível como eu queria o meu pai aqui e minutos depois ele aparece preocupado comigo. – bom, tenho muito pra contar, mas me desculpe eu prometo não me meter mais em encrencas. – todos no corredor inclusive o tal Fred começaram a rir.
– Se você for parecida com o papai e com o John pode apostar que sua promessa não será cumprida. Aliás prazer sou seu irmão Fred, sei que isso é estranho mas é isso. – ele disse esticando a mão para que eu o cumprimentasse formalmente.
– Fred? Meu irmão chama Fred? – eu disse sorrindo – ah o que eu to pensando, vem aqui menino. – puxei a mão dele e o abracei – você não sabe o quanto eu sonhei com o seu rosto, porém você é bem mais bonito.
– Legal, já não basta minha mãe agora você vai me bajular. Você também é linda irmãzinha.
– Sou mais velha que você pra me chamar de irmãzinha – fiz uma careta desaprovando aquele apelido e ele e meu pai riram.
– Porém, acho que sou uns 40cm maior então você é minha irmãzinha e não reclama, nanica.
Ficamos por mais alguns minutos ali conversando e rindo, quando meu pai disse que era melhor eu ir pro quarto, senti meu corpo tremer quase 22 anos depois minha mãe encontraria ele, o que ia dar nisso eu não sabia, mas eu queria mesmo ver. Chegando lá minha mae estava sentada no sofá com uma feição aflita e eu entrei sorrindo sendo seguida por Fred que estava animado também, afinal combinamos tantas coisas para fazermos assim que eu saísse do hospital e fosse o visitar na Inglaterra. Caleb, ou melhor meu pai, foi o último a entrar ele entrou com passos pesados e certo de que estava indo para uma guerra, senti meu coração acelerar em pensar daquele jeito.
– ONDE VOCÊ ESTAVA MENINA? EU ESTAVA DESESPERADA, ACHEI QUE....
– Mãe? – a olhei assustada, quando sua feição mudou de aflita e furiosa para uma que mais me parecia medo e tristeza. – mãe você esta bem?
– Olá Marie! – foi a vez de Caleb falar dando um sorriso amigo.
– VOCÊ? — mamãe cuspiu aquela palavra com nojo na voz, senti meu coração acelerar, meus olhos marejarem, eu não queria que eles brigassem, afinal eu porque eu ainda tinha esperança de vê-los juntos. Fred segurou a minha mão e me olhou sorrindo, me pedindo calma por entre os dentes.
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