Kiss Me

19 Pensamentos


Notas iniciais
demorei um bocado a escrever este capitulo, mas espero que gostem!!!

Já faz um mês que aqui estou e às vezes ainda me pergunto porque é que os meus pais me mandaram para aqui, para um colégio interno, mas depois lembro-me que eles não gostam de mim e que para eles vou ser sempre aquele fracasso total e desisto de tentar encontrar outra explicação.

Pelo menos aqui posso fazer o que quero, entre aspas é claro, sem ter de dar satisfações a ninguém, o que, para ser sincera, acho bastante estranho.

Bem, pelo menos era isto que eu pensava até o Tiago se ter passado comigo por andar sozinha com outros rapazes e me ter dado uma lista do que eu estava ou não autorizada a fazer. Ridículo… Porque é que é que ele fez isto? É claro que não cumpro a maioria das coisas, mas ele também não desconfia e enquanto ele não souber estou segura, acho eu…

Olho para ele, sentado na secretária, todo absorto e volto a olhar para o céu.

Estamos em pleno mês de outubro e está a chover, melhor, a trovejar. Não é que eu desgoste da chuva, mas assim estou a molhar-me.

Se estivesse em casa a minha mãe já tinha começado a gritar comigo, mas como o Tiago não me diz nada posso estar à vontade na varanda do quarto a fumar.

Estou aqui parada, só de t-shirt, um pouco húmida por sinal, a ver os relâmpagos, a ouvi-los embater em qualquer coisa a poucas centenas de metros, a sentir a brisa despentear-me e o cheiro do mar misturado com terra molhada e folhas caídas.

Mas, apesar de tudo, está um calor infernal. Já disse o quanto odeio calor? Podia simplesmente votar para dentro do quarto, mas estar lá sozinha com ele assusta-me um bocado. Não que não tenha estado ao longo deste mês, mas pronto, desde que aquilo aconteceu e à medida que o tempo vai passando as coisas ficam mais estranhas, apesar de não ter voltado a acontecer e de nenhum de nós falar nisso… é como se fosse tabu. Agora que penso bem, não temos tido grandes conversas… só mesmo as coisas básicas do quotidiano. Será que fiz alguma coisa e que ele me está a evitar?

Não posso pensar nisso! Quanto mais pensar nas coisas pior é.

Tenho de agir com naturalidade e no momento em que estava a pensar em chamá-lo o telemóvel dele toca.

A sério? Que timing perfeito.

Se me tivesse esforçado minimamente tinha ouvido a conversa, mas para ser sincera não tenho interesse nisso.

Volto a concentrar-me na trovada e nas ondas.

O mar está furioso. Se me atirasse a ele duvido que sobrevivesse. O mais provável era afogar-me em segundos. Mas ver o mar assim dá-me uma vontade enorme de entrar lá dentro, rasgar as ondas e fundir-me com ele…

Estava tão absorta neste pensamento que só me apercebi do Tiago quando ele se encostou a mim, pousou as mãos nos meus ombros e o queixo na minha nuca.

Arrepiei-me com o seu toque, não sei se de medo ou de outra coisa qualquer.

– Sabes, estive a pensar e tu e eu podíamos fazer algo juntos… — sussurrou-me ao ouvido e como não sabia o que responder limitei-me a esperar que ele continuasse – Hoje à noite alguns alunos mais velhos vão dar uma festa, mas uma festa a sério, o que achas de irmos?

Não acredito que depois de tudo ele me está a convidar para uma festa assim tão naturalmente.

– Irmos os dois?

– Sim, os dois.

Nem sei bem como reagir, por isso acabo por deixar o meu corpo dizer:

– Hm… está bem…

Ok… eu não acredito que acabe de aceitar… eu devo estar louca… mas também era louca se não aceitasse.

Continuamos assim agarrados durante um bocado e por esse tempo esqueci-me de tudo. Esqueci-me do seu olhar gélido e do tom enervado da sua voz enquanto ele gritou comigo até me fazer chorar e me fechar na cada de banho a tratar de redecorar o meu corpo.

Inconscientemente encostei a minha cabeça à sua mão e virei-me para ele. Porque é que estou a fazer isto? É como se não tivesse controlo absolutamente nenhum sobre as minhas ações.

Então ele agarra-me pelo queixo e puxa-me para si, beijando-me.

Foi tão suave, tão doce, tão… tão estranho.

Porque é que eu o estou a deixar fazer isto?

Ele voltou a beijar-me, e voltou, e continuou, cada vez com mais intensidade e necessidade, como se no mais profundo do seu ser me desejasse, o que por sinal eu acho pouco provável… devem ser só hormonas descontroladas, mas mesmo assim eu correspondi. Também tenho hormonas e necessidades, infelizmente.

Beijei-o com ainda mais sofreguidão e colei-me o mais que pude a ele.

Não sei o que me passou pela cabeça mas agarrei-o pelo pescoço e enterrei a minha mão no cabelo dele, agarrando-o e puxando-o para mim, mesmo que para isso tivesse de me pôr em pontas de pés.

Ao sentir o meu subtil e aparente interesse ele pegou em mim ao colo e atirou-me para cima da cama dele sem nenhuma piedade. Acho que é a primeira vez que estou aqui deitada…

Desta vez não me tocou nem me tentou despir. Ficamos simplesmente aos beijos cada vez mais desesperados por uma eternidade.

Apesar de não ter controlo sobre o meu corpo eu não queria parar e não o fizemos até estarmos os dois completamente ofegantes e com os lábios dormentes.

Acabei por me deitar com a cabeça no seu ombro, a passar a mão pelos seus cabelos ruivos e tinha acabado por adormecer ao som da chuva se ele não me tivesse obrigado a levantar para me preparar para ir àquela festa…

Eu não me percebo… ainda há umas horas atrás estava cheia de medo de estar sozinha no mesmo quarto que ele e agora dava tudo para continuar agarrada a ele… sou tão estúpida.

Ponho a música no máximo para parar de pensar nestas e quando saí do banho tinha roupa em cima da minha cama à minha espera e nenhum sinal dele…para variar... gostava de saber para onde é que ele desaparece tão misteriosamente e durante tanto tempo…

Mas espera aí!

Eu não só vou ter de ir a uma festa com ele como também vou ter de vestir o que ele me escolheu? Eu hoje devo estar ainda pior do que nos outros dias… o que é que se passa comigo?

Notas finais
comentem por favor!!! um comentário pode ajudar muito ^-^