Kiss Me

20 Festas e deceções


Notas iniciais
eu sei que demorei um bocadinho, mas vou tentar ser mais rápida com o próximo capitulo! espero que gostem!!!!

Como é que eu vim parar aqui?

Pois…o Tiago arrastou-me para esta sala de mão dada, puxando-me, literalmente, por todo o campus e abandonou-me à entrada… para variar.

Agarrei num copo que estava num monte em cima de uma bancada, enchi-o com qualquer coisa e encostei-me num canto, desviando-me de várias pessoas que têm um ar tão feliz e um sorriso tão exagerado que só me apetecia apunhalá-las a todas.

Porque é que eu vim para um canto? Pareço uma puta numa esquina… sinceramente nunca percebi muito bem a diferença entre canto e esquina, mas pronto, graças a isso encolhi-me o máximo que pude, escondendo-me na escuridão e olhei à volta. Devíamos estar num dormitório qualquer, não muito diferente do edifício Petúnia. Quem quer que tenha organizado isto arredou os sofás para os lados deixando um espaço vazio no meio da sala onde montaram uma pista de dança improvisada, com bola de espelhos e tudo, onde toda a gente se está a acotovelar e a mexer de uma maneira que eu nunca vou perceber. Também instalaram umas colunas algures e eu juro que tento perceber como é que alguém pode gostar desta música, isto está a dar-me cancro aos ouvidos! Tenho de sair daqui o mais depressa possível ou então encontrar a porcaria das colunas para lhes corta os cabos e pôr fim a esta tortura.

Avistei o Tiago no meio da pista de dança e não, não vou ter com ele. Ele está muito bem com aquelas rapariguinhas todas a roçarem-se nele.

Bebo de uma só vez o que tenho no copo e vou até à cozinha. Pelo menos vou aproveitar esta festa para fogar as minhas mágoas em álcool.

Agarro numa garrafa de vodka preta que encontrei escondida no fundo de um armário qualquer e saio pela janela. Que se lixe quem quer que tenha guardado isto de parte.

Isto é tão cliché!

Uma rapariga com um vestido preto, de Doc’s e cabelo revolto a sair a meio de uma festa para dar de caras com dois gajos a comerem-se forte e feio. Reconheci imediatamente aquele cabelo, aquelas mãos e aqueles olhos quando ele olhou para mim a meio de um beijo todo meloso que me deu vontade de vomitar. E eu que fui burra ao ponto de pensar que um dia podia ter algo com ele.

Sorri e abanei a garrafa, afastando-me e abrindo-a ao mesmo tempo e deixei o Pedro com a sua diversão.

Sentei-me encostada a uma árvore, tentando ignorar a música que mesmo aqui se ouve e entreti-me a fumar e dar cabo da garrafa. Devia mesmo ter destruído aquela porcaria.

É estranho como aos poucos sinto o álcool a apoderar-se de mim. Está a afetar-me menos do que o que devia, só tenho a língua um pouco morta e sinto-me um pouco tonta. Um pouco…

Deixo a garrafa vazia no chão e tento levantar-me. Sim, tento, porque só consigo à terceira tentativa. Se calhar estou pior do que o que acho.

Começo a andar em direção à cozinha e estava tão entretida a rir-me da minha desgraça que acabei por ir contra alguém.

O encontrão foi tão forte que fui projetada para trás e por uns milésimos de segundos foi como se estivesse a ser projetada no espaço e já me estava a preparar para chocar com o chão quando senti uns braços a ampararem-me.

Não sei porquê, mas instintivamente pensei que fosse o Tiago e tive uma pequena deceção quando dei de caras com outra pessoa.

– Hm… desculpa… — digo, tentando libertar-me, mas ele continua a agarrar-me e de repente começa a rir-se.

Porque é que ele se está a rir?

Está a rir-se de mim ou de outra coisa? Bem, eu fui contra ele, por isso deve ser de mim.

Será que tenho alguma coisa na cara ou no vestido ou no cabelo? Nem sei, mas o simples facto de ele se estar a rir faz-me rir também e eu não me consigo controlar. Tenho de me controlar. Mas ter calma como? O álcool está a tomar controlo do meu corpo e estou a começar a hiperventilar.

– Eu bem disse que nos íamos voltar a encontrar – diz ele, entre risos.

Porque é que ele se continua a rir?

O que é que isto tem de assim tão engraçado?

Não estou a perceber nada do que ele está a dizer. Isto é tudo tão confuso. Não me lembro de o ter visto antes.

– As coincidências existem mesmo – continua e eu continuo a olhar para ele, confusa. – É a segunda vez que te encontro e das duas vens contra mim.

Ahhh… então este é aquele rapaz da praia. Como é que ele se chamava mesmo? Não era Francisco, nem Firmino… pois… Frederico, era Frederico. Que raio de nome, tenho pena dele.

Não sei o que dizer e recomeço a rir-me, possivelmente do nome dele, ou do álcool ou de tudo.

– As coincidências existem mesmo – digo, tentando soltar-me, mas ele continua a agarrar-me.

– Então o que é que fazes aqui fora? A festa é lá dentro.

Esta é a pior pergunta que ele podia fazer, de todas as coisas no mundo tinha de perguntar uma das poucas que tem uma resposta mais do que obvia, é mesmo de quem quer meter conversa e não sabe como, mas mesmo assim respondo-lhe.

– Estava um bocado farta… isto não faz nada o meu género, sinceramente nem sei porque é que estou aqui.

– É um bocado como nós – diz uma voz ao lado dele, só agora é que reparei que ele está acompanhado por dois rapazes.

– Nós vamos fumar um, queres vir connosco? – pergunta o outro. – O Fred falou-nos muito de ti.

– Falou?

Porque raio é que ele falou de mim? Nós só nos encontramos uma vez e nem uma conversa propriamente dita tivemos.

– Falou e não foi pouco, mas anda connosco que nós contamos-te tudo.

Escaro os três, mesmo na escuridão consigo ver que eles parecem deuses gregos… estes atentados contra a humanidade deviam ser proibidos, assim como o jogo psicológico que eles me estão a fazer.

– Hm… ok, mas vamos só lá dentro para ir buscar algo para beber – e espiar discretamente o Tiago, mas é claro que não digo isto.

O que será que ele está a fazer?

Já arranjou alguma miúda com quem se divertir enquanto eu estava num canto a deprimir?

Será que já me trocou?

É obvio que sim e é mesmo obvio porque a primeira coisa que vejo ao entrar na sala cheia de gente é ele agarrado a uma rapariga enquanto se devoravam avidamente sentados no canto de um sofá.

Quero ficar chateada mas olho para ela e olho para mim e percebo que teria feito o mesmo que ele.

Ela parece tão perfeita, alta, loira, super magra, bem vestida e aposto que a cara dela deve ser linda, enfim, completamente o oposto de mim, porque eu… bem, eu sou eu… e isso chega para não prestar.

O que é que eu fiz para merecer isto?

Supostamente ele vinha comigo… vínhamos os dois… juntos…

Sou assim tão má?

Sou assim tão inútil?

Porque é que acabam sempre por me trocar?

O que é que eu tenho de errado?

Ainda há umas horas era eu que estava no lugar dela… sou tão idiota…

Primeiro aquilo com o Pedro e agora isto com o Tiago.

Não sei o que fazer.

Volto à realidade quando o Fred me agarra pelo braço e me puxa para a cozinha. Aparentemente estava à mais de cinco minutos a olhar para eles com os olhos todos abertos e uma cara que fez desviar varias pessoas.

Boa… agora segundo ele vou ficar com reputação de maluca… as pessoas que pensem isso à vontade, é verdade.

Notas finais
COMENTEM SE GOSTARAM!!!!!