Kingu

Sinopse:

Kingu era o título que deram ao seu Criador.

O ser que os deu vida.

O ser que criou tudo o que sabiam e os ensinou tudo o que podiam.

E antes de desaparecer ele criou seres que manteriam a paz e harmonia de seu mundo, seus filhos, os Reis.

Seres de poder inimagináveis que aprenderiam a amar e proteger o mesmo mundo que Kingu amou e protegeu.

Assim seria, até que as engrenagens do destino começaram a girar rumo a um futuro incerto para a humanidade.

Eles sobreviveram ou pereceriam diante o seu novo futuro?


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Capítulo: Renegados

“No começo, existia somente o Caos.

O Vazio que permeava todas as coisas não existentes, o berço de algo ainda não vivo.

Sem forma, sem nome, sem tempo.

Nele, tudo existia em potência – como uma semente sonhando em ser uma floresta.

Então, sem razão ou aviso, o Caos suspirou.

Daquele suspiro, brotou a primeira faísca...”

Os ventos viajavam pela imensa e densa floresta, as folhas de suas copas balançavam de forma harmoniosa como se dançassem ao som de um canto que somente aqueles tocados pela natureza poderiam ouvir. A noite jazia em seu reino onde o sol não pudesse tocar. Os animais noturnos normalmente aventuravam-se na penumbra adentro – prontos para caçarem os infortunados que não se recolheram para suas tocas -, contudo hoje não seria este dia.

Não.

Estas criaturas não tinham coragem para mover-se de suas casas, um medo primordial, uma emoção que toda criatura viva reconhecia em seu amago, pois elas sabiam que algo estava lá fora.

Rruummm...

O pequeno tremor assustou os animais mais paranoicos e mais experientes, eles sabiam que algo estava por vir e por isso foram os primeiros a superarem o medo, partindo para longe de suas moradias para o mais longe possível.

GRRRRRMMK...

A intensidade aumentou, o que era uma pequena sacudida tornou-se um prefácio, os troncos da arvores tremeram, frutos caiam de seus galhos e animais desavisados junto delas.

KRAAAAATHOOOOM!

Um chacoalhar violentou atingiu a floresta com fúria. As criaturas tomaram este aviso com um sinal.

Um sinal de que se quisessem continuar vivos....

Era melhor correr.

A terra debaixo da floresta inflou por um instante...

E então...

BRAKOOOOOM!

Rachou com um rugido feroz, lançando pedras, arvores e animais desafortunados que não conseguiram escapar da explosão que surgiu vindo da terra, tais detritos caiam do céu com uma chuva macabra e punitiva.

Era como se um vulcão escondido repentinamente entrasse em erupção.

O som ecoou pelo local que uma vez era uma imensa e densa floresta.

Não havia sobrado nada. Toda a vida, todo verde, toda natureza daquele local tinha sido destruída por uma força sobrenatural.

Tudo o que agora jazia naquele local era uma gigantesca e profunda cratera, como uma ferida aberta na crosta terrena.

No fundo dela um punhado de entulho remexeu-se, o som pesado das pedras caindo no chão ecoou pelo que agora parecia um vale.

Dela surgiu um homem alto, jovem, cabelos castanhos claros, constituição forte, coberto de cortes e lacerações pelo rosto, vestindo uma capa longa e negra que agora demostrava rasgos e gotas de sangue. A dor era excruciante, até mesmo a simples ação de respirar era demandante, ele fez um rápido diagnostico do corpo: Braço esquerdo totalmente inutilizável, algumas costelas quebradas, um corte na testa onde o sangue obstruía o seu olho esquerdo, lacerações por todo corpo, músculos rompidos e alguns cortes.

Antigamente nada disso seria preocupante, porém naquele momento a sua cura natural não conseguia acompanhar a demanda do seu corpo. Não depois do que estava acontecendo nas últimas horas, até mesmo ele estaria em desvantagem em tentar lutar contra outros seis Reis.

O homem fitou o local. O que antes era um lugar sagrado para eles, onde se reuniam, treinavam e confraternizavam de tempos e tempos, um local onde muitas coisas aconteceram, atualmente não passava de nada mais de um terreno destruído.

Memorias que não voltariam.

Memorias dele e seus irmãos.

“Desista, ainda há tempo de vocês mudarem de ideia.” Sussurrou com palavras leves ao vento. “Vocês sabem que isso é errado!” Seus olhos fitaram a figura não muito longe de onde estava.

A figura era outro homem alto de cabelos curtos penteados para trás, um rosto estoico e inexpressivo, ao contrário do caos ao seu redor, suas vestimentas pareciam impecáveis – o mesmo manto negro que o outro usava balançava ao vento frio da noite -, a área ao seu redor estava intocada e imaculada, como se nada tivesse acontecido.

“Eu te faço a mesma pergunta, Matthaeus.” Respondeu de volta o homem erguendo um grande machado de guerra com sua mão direita.

O homem, Matthaeus, abriu a boca para retrucar quando uma explosão sônica vinda dos céus fez tremer o chão sob seus pés. Ele olhou para cima e viu três silhuetas caindo rapidamente, chocando-se a alguns metros a sua frente e levando uma cortina de fumaça e destroços.

A bruma carregada se desfez com um violento vento revelando três pessoa, duas delas pisavam em cima do corpo do terceiro afundando-o ainda mais no chão antes azulejado.

“Ainda não acabou com ele, Gravethor?” Perguntou uma das figuras que caíram do céu, um homem de feições selvagem de cabelo alaranjado rebelde, estranhamente podia se ver pequenas rachadas de fogo saindo de sua boca enquanto falava.

“Estou dando a eles a chance de verem a razão, porque no fim de tudo, ainda somos família.” Respondeu o portador do machado, Gravethor. “Drakarion, Zenthara, vejo que vocês estão levando um pouco demais para o lado pessoal.”

“Tsk.” Drakarion, o homem de cabelo laranja, estalou a língua com as palavras do irmão. “Todos nós sabemos o que está em jogo aqui, irmão, a humanidade tem que ser eliminada, certo?”

A Resposta não veio do irmão que estava atrás dele, mas sim do que estava a ser pisoteado sob seus pés. Um grunhido de dor, porém que ainda carregava um tom desafiador mesmo em sua posição atual foi ouvida.

“Mentira, vocês sabem... Que isso é errado!” Disse o home com dor enquanto dois pés o pressionavam ainda mais contra o chão. “Somos protetores! Não executores!”

Gravethor suspirou, como se já tivessem aquele mesmo debate várias vezes.

“Eu já disse que...”

“CALEM-SE!”

A voz aguda se fez presente, era a terceira entidade que havia caído do céu junto de Drakarion. Uma mulher alta e esbelta de longo cabelo rosado, olhos azuis profundo que encaravam seu irmão sob seus pés com aborrecimento e raiva, em suma uma mulher que endeusada por homens e mulheres por sua beleza sobrenatural.

Que gora pisava com força sobre o corpo do renegado.

“Vocês se escondem na palavra de nosso Pai como crianças covardes!” Zenthara exclamou com força, pressionando ainda mais seu pé. “A humanidade é gananciosa! Ela pode ser a criação do Pai, mas ela não é mais pura como nosso povo! Eles vão nos destruir!”Ela ergueu a mão direita e um raio cortou os céus caindo em sua palma, dela surgiu uma lança com uma lâmina curvada. “Matthaeus, Wagner, pela última vez, vejam que o que estão protegendo vai matar a todos nós se o deixarmos como estão!”

Wagner, o homem caído no chão, riu como se tivesse ouvido uma piada de gosto ruim.

“Isso é medo que ouço vindo de você, querida irmã?” Provocou, o cabelo liso e negro acumulava os grãos de poeira de sua batalha aérea anterior, o manto negro da família estava desaparecido – provavelmente destruído – revelando vários cortes e machucados que se regeneravam vagarosamente.

“Isso é aborrecimento que você ouve.” Respondeu a rosada com certo mordaz na voz. “Aborrecimento que vocês dois se neguem a ver a razão, eles foram amaldiçoados desde o momento que começaram a existir por causa daquela coisa, você viu o qual perigosos eram! Eles foram tocados por aquela maldade que só vai crescer cada dia mais! Então temos que cortá-los pela raiz antes que terminem o que aquilo começou!”

Seu discurso fora apaixonado, pois no fundo de seu ser ela acreditava no que estavam fazendo era realmente o correto. Sacrificar algumas centenas para salvar milhares, se fosse visto pela lente fria e apática da realidade, era uma escolha lógica.

Mas não para Matthaeus.

“Nosso Pai mostrou misericórdia por eles!” Exclamou o Matthaeus com força, a perda de sangue e a dor dificultava a fala, mas ele não se preocupava com isso. “Eles são os mesmo que nosso povo! Nossa gente! Só porque tiveram o azar de serem criados por aquilo não nos dá o direito de sentenciá-los a extinção! Eles sequer sabem o que são e estão apenas aprendendo a viver!”

Ele respirou fundo, pois enquanto olhava para seus irmãos podia ver que suas palavras não os afetavam. Cerrou os dentes com frustração.

“Mas parece que não vamos entrar em consenso.”

Matthaeus estava ferido, cansado e esgotado, sequer tinha mais sua relíquia. Ele tinha perdido Bruna, tinha perdido a maior parte de sua força e tudo que o mantinha em pé era a pura força de vontade de ir contra a insanidade que seus irmãos estavam orquestrando.

Ele não tinha chances e Wagner muito menos, mas ele lutaria até o seu último suspiro.

Talvez ao menos, usando sua forma verdadeira e colocando cada gota de energia em sua transformação, ele talvez poderia fazer com que o Wagner tivesse tempo o suficiente para adentrar ainda mais no templo subterrâneo e passar pelo portal para Ikai Daichi (Grande Terra do Mundo Diferente), juntar-se com Sarah do outro lado e tentar forma um impedimento contra outros até os novos portadores aparecessem.

Este era o único jeito.

O único modo de terem alguma chance.

Matthaeus respirou profundamente. Partículas de pequenas luzes começaram a se aglomerar ao seu redor.

“Muge no hikari...”

Ao longe Gravethor fitou o seu irmão usar a pouca força que lhe restava para entrar em sua forma verdadeira. Ele ergueu o machado de guerra e preparou-se para avançar em direção a Matthaeus antes que pudesse terminar seu encantamento, ele poderia estar fraco naquele momento e bastante machucado, mas uma forma verdadeira não era algo que pudesse levar com leviandade. Se o seu irmão estivesse em boa forma até mesmo ele teria de lutar seriamente, todavia Matthaeus estava em menor número, essa seria sua ruína em usar suas últimas forças em uma tentativa fútil de resistência.

Contudo, antes que o Matthaeus pudesse liberar sua força ou que Gravethor o atacasse, os cinco irmãos sentiram a mudança no ar, como se as pequenas rajadas e vento fossem mensageiros de algo grande por vir.

A mente do portador do machado acendeu-se em menos de um segundo. Seus olhos se abriram em choque e descrença, uma gota de suor escorreu pela testa e rosto.

“Cuida-!”

Aquelas palavras mal saíram de sua boca quando uma sexta pessoa chegou no local.

Surgiu entre Drakarion e Zathara como se formasse puramente do ar ao seu redor. Os irmãos sentiram um aperto firme na parte de trás dos seus pescoços e com uma força sobre-humana foram arrancados do lugar onde estavam, lançados em direção a Gravethor como projeteis, ele sequer teve tempo de reação quando tanto o homem de cabelos alaranjando quanto a mulher de cabelos rosados chocaram-se contra ele, enviando os três contra a entrada do templo, criando um grande estrondo e uma densa nuvem de poeira.

Tanto Matthaeus quanto Wagner piscaram com a entrada repentina.

“Deixei vocês esperando, não é?” Disse o desconhecido, seu cabelo branco com neve balançava contra o vento junto de seu sobretudo preto, um rosto jovial e descontraído perceptível. “Os outros realmente tentaram gastar o máximo de tempo me segurando no Pilar, mas antes tarde do que nunca, certo?” Mandou um grande sorriso enquanto ajudava o irmão caído a levantar-se.

“Tsu-TSUBASA!?” Matthaeus e Wagner exclamaram.

Tsubasa Oshu, irmão mais velho de Matthaeus, Wagner, Gravethor, Drakarion e Zathara Oshu e líder dos Reis.

O Rei do Vento.

A brisa refrescante.

A morte silenciosa.

Aquele Mais Próximo a Kingu.

“Esperavam mais alguém?” Perguntou Tsubasa brincando com um leve sorriso no rosto que logo sumiu. “Mas não temos tempo para pôr o papo em dia, maninhos.”

Antes que Wagner pudesse perguntar do que se tratava, ele foi puxado pela gola da camisa e jogado em direção a Matthaeus que teve de usar as poucas forças que restava para não desabar no chão com o choque inesperado.

Mal havia passado milissegundo desde que arremessou Wagner quando Tsubasa materializou em sua mão esquerda uma okatana, sua guarda/tsuba tem um formato octogonal dourado, o cabo/tsuka tem um cordão preto enrolado em padrão diamante com alguns detalhes dourados nas extremidades do cabo, sua bainha era simples, preta e lisa com um acabamento polido.

Aquela era Inyōzan, a relíquia de Tsubasa.

Aquela que Corta e Une.

Da nuvem de fumaça ao longe objetos voaram em direção a Tsubasa em alta velocidade, não era possível descrever o que realmente eram o mais próximo que se podia dizer era que eram distorções no espaço em forma de esfera que puxava detritos por onde passava criando uma bola de pedra que crescia indo em direção ao rei do vento. O rei de cabelo branco usou a bainha da sua lâmina para redirecionar as esferas para os lados, criando crateras onde se chocavam, porém não era nisto onde Tsubasa concentrava-se, mas na figura de Gravethor a sua frente com o seu machado em mãos desferindo um corte horizontal visando dividi-lo ao meio.

Tsubasa ergueu a katana para que a lâmina do rei da gravidade acertasse a bainha de Inyōzan e usando seu antebraço direito como contraforça para que o choque não o mandasse para longe, resultando em seus pés serem ligeiramente arrastados pelo chão pelo impacto. Ele sentiu um peso invisível sobre o corpo, provavelmente sendo obra de Gravethor, fazendo com que a gravidade ao seu redor aumentasse e afetasse sua mobilidade.

Olhou para trás quando sentiu a presença de Drakarion, seus punhos cercados por chamas carmesins que visavam seu tronco, Tsubasa não poderia deixar aquele fogo o acertasse em hipótese alguma, então em uma demonstração de velocidade impropria a alguém que estava sobe efeito de uma pressão gravitacional duzentas vezes maior, o rei do vento deslizou a lamina do machado de Gravethor para direita fazendo-o perder o equilíbrio momentaneamente pela redistribuição de peso repentina , mas era o suficiente para que Tsubasa pudesse girar e acertar o braço do rei do fogo com a bainha da katana forçando Drakarion a inclinar-se para um reajuste rápido no seu centro de gravidade, porém ele foi muito lento quando seu irmão mais velho girou Inyōzan e com um golpe rápido o acertou com o cabo da espada no peito, força o suficiente para que o ar escapasse de seus pulmões e o fizesse cambalear para trás sem folego.

O líder dos Reis inclinou a cabeça para a direita esquivando-se da ponta de uma lança coberta de um manto de raios que o empalaria caso não tivesse se mexido, Tsubasa deu um passo para trás se aproximando de Zanthara, reajustou seu domínio sobre sua espada, segurando-a pela punho ao invés da parte de superior da bainha e usou a ponta da capa de Inyōzan para acertar o estomago da irmã, a Rainha dos Trovões sentiu o golpe com força o suficiente para tirá-la do chão e a mandando para o ar, mas não antes dela segurar a bainha enquanto era lançada acidentalmente desembainhado a lâmina e revelando-a ao mundo.

“Mujū: Tenda...” Gravethor, recuperado do seu desequilíbrio, mal teve chance de proferir o nome de seu golpe quando sentiu algo esmagando suas costas, ele já sabia o que era aquilo. “Desgraça...!”

Tsubasa estendeu seu braço esquerdo em direção ao seu irmão, posicionado a palma de sua mão a centímetros de distância do outro rei. Uma pequena esfera esverdeada começou a se formar na superfície interna de sua mão até ficar do tamanho de cobria todo o centro, era possível ver incontáveis e ferozes redemoinhos de vento dentro daquela esfera, como se fossem criaturas selvagens debatendo-se em sua jaula em uma tentativa de sair.

“Fūbaku Rasengeki ! (Golpe Espiral Explosivo de Vento)”

A dor era a única coisa que se passava na mente do Rei da Gravidade quando a esfera de vento foi liberada sobre ele, podia ouvir o ranger de seus ossos e o rasgar de seus músculos ao serem alvos daquela explosão de energia, seu corpo fora lançando com violência para a entrada do templo, quicando várias vezes até atingir a parede contraria.

“TSUBASA!!!” Zanthara gritou ainda em trajetória contra a parede lateral da cratera, ela girou no ar e arremessou a bainha da katana de volta ao Rei do Vento em pura fúria antes de se chocar.

A bainha voou em alta velocidade em encontro a Tsubasa que ajustou levemente o ângulo da katana que ainda segurava em um aperto inverso, fazendo com que a lâmina fosse embainhada novamente e usando a força por detrás do lançamento da sua irmã, girou em seu próprio eixo, segurando a sua espada como se estivesse usando um taco e com força descomunal acertou o queixo de Drakarion que ainda se recuperava no golpe anterior. O Rei do Fogo foi lançado para cima em direção a bordar da cratera.

Tudo isso em menos de dez segundos em tempo real.

“Isso foi divertido pessoal, mas já podem parar.” Disse Tsubasa com um sorriso enquanto segurava sua okatana na mão esquerda novamente. “Fiquem no chão, senão teria que levar a sério.”

Suas palavras podiam parecer leves e descontraídas, mas havia uma ameaça subliminar sobre elas.

“Você pode ser forte Tsubasa...”

O clima no local mudou quando as palavras de Gravethor foram ditas, o ar tornou-se pesado como se várias montanhas estivessem sob suas cabeças, até mesmo pensamento de mexer-se ou respirar seria uma tarefa impossível para uma pessoa normal. Mas eles eram Reis e aquela mudança indicava que as coisas ficariam sérias pela primeira vez naquela noite.

“..., mas não pode lutar contra o resto dos Reis sozinho.”

O Rei mais velho franziu a testa quando sentiu ao longe a energia de seus outros irmãos vindo em direção a eles, parece que haviam se recuperado mais cedo do que o previsto depois de tentarem o emboscar no Pilar.

“Matthaeus, Wagner.” Tsubasa chamou a atenção dos dois reis renegados, ele se virou para os dois irmãos. “Eu vou segurá-los aqui o máximo de tempo possível, quando sentir que vocês passaram pelo portal, irei selá-lo para dar tempos de pensarem em algo contra os outros.”

Os dois irmãos apenas fitavam a figura de seu irmão mais velho enquanto colunas de puro poder destrutivo subiam ao céu do local dos outros três reis.

Lançou um sorriso de lado e jogou sua katana para Matthaeus que o pegou com dificuldade.

“Conto com vocês.”

Eles sabiam que aquela poderia ser a última vez que veriam Tsubasa novamente, mas ambos sabiam que tinham uma missão a fazer.

Foi com grande pensar em seus corações e lagrimas que lutavam para serem derramadas que os dois deram as costas para o Rei do Vento e correram em direção as profundezas do templo onde estava o portal que os levariam para o outro mundo.

“Agora que isso foi resolvido, vamos voltar para nossa pequena briga.” Tsubasa voltou sua atenção para os pilares de energia, tudo o que ele podia ver eram silhuetas e olhos brilhantes o fitando com intensidade. “Vamos brincar então, como nos velhos tempos.” Socou o punho direito na palma da mão esquerda.

Der repente a pressão que os outros reis exalavam foram sobrepujadas pelo puro poder que era expelido de Tsubasa, dois pares de asas brancas fantasmagóricas surgiram com uma explosão de suas costas e uma coroa de energia etérea esverdeada se formava a alguns centímetros acima de sua cabeça.

“Fukiareru kaze yo, ō no na no moto ni tsudoe! Ōkakusei!”

(Ó ventos furioso, reúnam-se diante do Rei! Despertar do Rei!)

O mundo tremeu diante da liberação de poder de Tsubasa diante a afronta de seus irmãos. Montanhas estremecera, oceanos se agitaram e os céus reviravam-se sobre a autoridade que lhes eram sobrepujadas.

Aqueles não eram mais humanos, nem era mais reis, eram monstros prontos para lutarem entre si.

E então...

... A história de Matthaeus e Wagner como Reis acabaram e tornarem-se traidores conhecidos como Renegados...

... E a morte do Rei do Vento, Tsubasa.

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17 anos depois...

O vento refrescante batia nas copas da arvores, suas folhas remexiam-se e caiam de forma majestosa de seus galhos em uma dança harmônica e calma até pousarem no chão de terra sob suas raízes. O sol trazia sua luz e o vento um frescor refrescante, era um dia pacífico e normal na cidade de Unkaicho, na província de Aomori, Japão. Uma cidade que foi construída no período Meiji – entre 1868 há 1912 – e que até hoje ainda eram vistos sinais de expansão com distritos novos sendo construídos e uma população relativamente grande onde o comercio envolvendo o sobrenatural.

Sim, porque a cidade era bastante próxima do Monte Osore, onde diziam as lendas que era o local de um suposto portal para outro mundo, sendo este o temível inferno.

Localizado nesta mesma cidade havia uma loja, não uma loja qualquer, diga-se de passagem, mas de fato uma loja ocultista.

A fachada mistura madeira escura polida com um letreiro de neon branco escrito em kanji estilizado, Kuroki Tenshi no Hijutsu-ten (Loja das Artes Secretas dos Anjos Negros). Uma cortina preta noren com símbolos angelicais minimalista em cinza prateado cobre parcialmente a entrada.

Na vitrine: Cristais, cartas de tarot autorais e livros auto editados.

O interior é claro, com iluminação quente e minimalista. Estante de metal preto e madeira clara exibem grimórios reimpressos, arte esotérica moderna, incensos, joias com runas e decks de tarot.

Há algumas mesas de leituras com tablets para fazer leituras digitais ou ler passar o tempo. Uma trilha sonora mistura Ambient eletrônico e sons naturais.

Acima desta loja havia um apartamento estilo loft japonês contemporâneo com uma pequena varanda que tinha um jardim minimalista com algumas plantas em vãos de cerâmica.

Nesta mesma varanda se encontrava um homem de cabelo negro curto vestido com roupas relaxadas enquanto olhava de forma confusa para o celular em suas mãos.

“Há movimentos estranhos sendo feitos por todo mundo.

Avistamento de Primaris cresceram em uma quantidade considerável.

As outras organizações não sabem o que mudou para isto acontecer, talvez o selo tenha enfraquecido.

Mantenha os olhos atentos na CF, movimentos suspeitos foram detectados.

Diga para o Wagner parar de comer os meus pudins!

PS: O pacote está para chegar, você saberá quando acontecer.

Sarah.”

Matthaeus, não, Matheus piscou uma, duas, três vezes enquanto tentava entender a última parte da mensagem de sua irmã tecnófoba (ela provavelmente tinha ficado horas digitando tantas palavras letra por letra, isso resultou em uma risada mental só com esta imagem) havia feito.

Um pacote? Que tipo de pacote? E como assim ele saberia quando aconteceria?

“Esta muito cedo para usar meu cérebro agora.” Resmungou o renegado enquanto fitava da varanda a rua abaixo e o do horizonte.

Dezessete anos passaram desde aquele dia. Dezessete anos que viviam entre os humanos de vez, diferente de milhares de anos antes quando ele e seus irmãos apenas visitavam para checá-los, e passaram esses mesmo dezessete anos se preparando para o eventual choque contra o restante da sua família.

Não havia muito o que fazer além de contar com seletas pessoas – humanos – que sabiam da verdade para que estivessem prontos, contudo, a chave de tudo ainda estava fora de suas mãos.

Os escolhidos não haviam aparecido, sinal algum, e isto deixava Matheus cada vez mais preocupado com as chances da humanidade.

Somente alguém equivalente a eles, Reis, poderia ir contra os outros, porém somente existiam ele, Wagner e Sarah com reis que se alinhavam a humanidade enquanto o restante estava do lado de Primis e da extinção da raça humana por algo além de seu controle.

Ele suspirou.

“Como eu me sinto velho.” Disse o Rei deixando outro suspiro escapar ainda mais pesado.

O que era ainda mais irônico sendo que Matheus e seus irmãos deveriam ter milhares de anos, talvez até eras, mas conceito de tempo para eles era meio distorcido quando viviam tanto.

O Oshu puxou novamente o celular enquanto adentrava o loft e discou uma sequência de números para uma chamada.

...

...

...

“Moshi moshi, Wagner desuuuu~~.”

“Wagner, pelo amor de tudo que é sagrado, nunca mais faça isso novamente.”

Uma risada podia ser ouvida do outro lado da ligação, Matheus massageou a testa, exasperado. Talvez Wagner tenha gostado até demais do Japão.

“Tudo bem, tudo bem, o que foi mano? Ainda tenho que chegar no mercado então não me apressa.” Respondeu o outro Rei, ao fundo era audível o som de várias pessoas falando, passos e buzinas de carros.

“Só queria dizer que Sarah mandou uma mensagem e sim, ela mandou diretamente para mim e não para o grupo.” Apontou Matheus antes mesmo que seu irmão pudesse retrucar. “Por isso é melhor se apressar com os mantimentos para falar sobre isso pessoalmente.”

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“Okay mano, já esto... Opa!”

Wagner exclamou quando colidiu contra outra pessoa no meio da chamada. Ele recuperou o equilíbrio rapidamente mesmo com a surpresa repentina, já que era incomum dele não sentir quando a energia interior das outras pessoas chegava perto demais de seu espaço pessoal.

Ele olhou para o individuo com que havia colidido. Era um garoto, um adolescente de cabelo negro espetado vestindo uma jaqueta hoodie aberta de cor azulada com uma camisa laranja por baixo, o jovem ergueu-se quando juntou a mochila de viagem do chão.

“Desculpe por me esbarrar em você.” Disse o garoto voltando sua atenção para Wagner que o fitava com estranheza.

Aquele garoto havia batido nele. Era impossível isto acontecer. Será que ele estava tão distraído com a sua chamada que não notou? Ou seria porque estava treinando menos? Havia muitas perguntas, muitas invariáveis, mas importante era que o Oshu não conseguia sentir a energia vital do garoto a sua frente.

“Não, não tem problema...” Respondeu Wagner erguendo uma fachada calma em seu semblante. “Sem ressentimentos certo?” Perguntou com um sorriso erguendo a mão direita em sinal para um aperto.

O garoto olhou para a mão por um instante e decidiu apertá-la com a sua mão direita em sinal de respeito.

O efeito foi instantâneo.

Som de vidro quebrando ecoou suavemente e Wagner sentiu quando todo o seu poder, toda a sua energia, ela qual passou toda sua longa existência exercendo como se fosse uma parte de seu próprio corpo sumir de seus sentidos. Toda a força que ele guardava simplesmente desapareceu sem deixar vestígios.

Olhos se alargaram-se ligeiramente, levou toda a sua experiência de milhares de anos de vida para não agir por impulso com o sumiço de seu poder.

Porque naquele exato momento, Wagner Oshu se sentiu como um humano. Sem poder. Vulnerável. Indefeso.

“B-Bom, te vejo por aí garoto, olhe por onda anda!” Wagner disse soltando a mão do jovem a sua frente, sentindo o seu poder voltar no instante que deixou de ter contato.

O dito garoto fitou a sua mão direita e de volta para as costas do homem que acabará de tropeçar, ele franziu o cenho com o sentimento que teve, fechando o punho direito voltou para seu objetivo primário de chegar até sua suposta nova casa que seu guardião havia comprado.

O Rei da Escuridão soltou um suspirou ao perceber que já estava a uma distância considerável daquela pessoa.

O que foi aquilo? Sinais de perigo piscavam dentro de sua mente com o que havia acontecido agora pouco. Quem era aquele garoto? Era um inimigo? Os Primaris haviam conseguido passar para esse lado?

Seus irmãos já haviam chegado...?

“Wagner? Wagner!” A voz vinda de seu celular o puxou novamente para o mundo real. “Ainda está aí? O que houve?!”

Respirou fundo e depois a soltou.

“Estou aqui, só acabei de esbarrar em alguém sem querer.” Respondeu Wagner voltando a andar em direção ao mercado.

“Esbarrou em alguém? Você?” Indagou Matheus do outro lado da chamada. “Está fazendo corpo mole de novo?”

Wagner franziu o cenho com irritação com a indireta.

“Não, não estou fazendo corpo mole.” Ele suspirou novamente. “Olha, é melhor eu te contar quando eu chegar em casa, você não vai acreditar se eu te disser por aqui.”

“Beleza então.”

O Oshu olhou novamente para sua mão direita. Abrindo e fechando-a repetidamente.

No fundo da sua mente havia apenas uma frase que se repetia indefinidamente.

Aquele dia acabou de se tornar ainda mais problemático.

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Longe da cidade movimenta, uma figura estendeu os braços para o ar e respirou profundamente exalando os aromas da natureza que o cercava. O vento fresco que subia pela colina lhe batia a face e acariciava suas feições.

Abrindo os olhos, a figura teve a visão extensa de Unkaicho, de seus grandes prédios, numerosas pessoas e vários veículos que andavam de um lado para o outro.

“Faz tempo que eu não respirava este tipo de ar, o ar da liberdade e não de uma cela de prisão.” Comentou enquanto focava sua visão em uma silhueta que pulava de telhado em telhado. “Parece que ela também passou, mas não é problema meu, tenho coisas mais importantes para fazer.”

Puxando de seu sobretudo, ergueu um pequeno frasco com um denso líquido roxo e se prestasse atenção podia ver uma pequena figura que se mexia.

Um sorriso macabro surgiu no rosto do estranho, deleitando-se nos gritos de terror e desespero que ouviria quando chegasse na sua primeira vítima, toda uma cidade cheia de humanos para brincar.

E aquilo seria somente o começo. Uma cidade agora, depois uma metrópole, talvez reinos e inevitavelmente todo o mundo. Ainda estaria fazendo uma grande boa ação por aqueles Reis mesquinhos que pregavam tanto sobre os perigos da humanidade, talvez até mesmo lhe concederiam um perdão real.

E tudo que isso lhe custou foi esse pequeno frasco que a figura encapuzada lhe deu antes de passar por pela “porta dos fundos” entre a passagem entre os mundos.

“Está na hora de trazer um pouco de caos para esta raça.”

...

...

...

Continua... No próximo capítulo de Kingu.

Notas finais
Então, parece que voltamos não é? Não sei ao certo quando vai sair o próximo, talvez quando eu deixar de ser preguiçoso, mas ao menos todos esses anos me fizeram ver pontos na história original que me faziam remexer de tão horríveis que eram. Sem dizer sobre a gramatica, ouch. Enfim, vou ver se ainda lembro de mais coisas ou acho as anotações antigas. Até algum dia, rezem para que seja logo