Kingu Revamp

2 Garoto novo na cidade grande


Notas iniciais
Bem, demorou, mas saiu, não? Para o pessoal que leu a antiga versão já vai perceber que vou mudar muita coisa, por que a versão anterior parecia bastante rushada, não é? Eu queria algo que se construísse ao poucos, que tenham base, sabe? Não uma onde tudo acontece muito rápido e que deixa muitas perguntas. Talvez isso seja um tiro no pé, mas é o que eu acho certo em fazer nessa nova versão da história. Bom, esse ponto é introdutório do personagem, assim como os outros terão, claro mudaria algumas coisas e tentarei fazer com que eles tenham personalidade únicas, ou tão única quanto uma fanfic pode ser. Enfim, deixou o capítulo com vocês.

Capítulo 2: Garoto novo na cidade grande.

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1 No princípio era o Vazio, e o Vazio não conhecia forma, nem som, nem tempo.

2 E das sombras sem nome ergueu-se Kingu, o Primogênito do Abismo, cujos olhos contemplaram o Nada e desejaram a Criação.

3 Disse então Kingu: “Haja Fundamento para sustentar o Ser”, e firmou a Terra com o sopro de sua vontade.

4 Estendeu sua mão à vastidão, e do movimento de seus dedos nasceu o Céu, com suas mil lâmpadas em marcha eterna.

5 E Kingu pisou sobre a Terra recém-nascida, e onde seu pé tocou, brotaram os mares profundos, e as águas dançaram em honra ao seu nome.

6 Chamou o Céu de Véu Sagrado, a Terra de Trono Silente, e o Mar de Espelho Vivo.

7 E viu Kingu que era bom, e repousou por sete mil pulsares da eternidade.

8 Então falou Kingu outra vez: “Do barro do silêncio farei vozes; do pó da noite farei olhos.”

9 E moldou o primeiro espírito com sua chama interior, e deu-lhe domínio sobre o dia.

10 E do eco de sua própria palavra forjou o tempo, para que as coisas nascessem, crescessem e retornassem a ele.

11 Assim foram feitas todas as coisas — pela mão, pela palavra, e pelo desejo do Insondável Kingu.

12 E desde aquele dia, os ventos sussurram seu nome, e as estrelas tremem ao recordá-lo.

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Cento da cidade, Unkaicho

Entre os prédios que existiam em Unkaicho, uma delas destacava-se pelo seu impressionante tamanho que ofuscava qualquer outra construção ao redor perdendo somente para a gigantesca montanha que ficava ao lado da cidade. Ela não apenas se destacava por causa de seu comprimento, mas também por sua importância, pois naquele mega edifício que parecia desafiar os céus, ficava a sede de uma empresa importante que praticamente era uma cofundadora da cidade que existia hoje.

No topo desta megaestrutura, em seu último andar, encontrava-se um homem de terno, que parecia estar nos seus 40 anos, olhando pela janela de seu escritório, fitava o esplendor e a vastidão do que era a cidade de Unkaicho, a sua cidade.

Era a culminação do suor, sangue e lagrimas de seus antepassados que lutaram tanto para sua criação. Um bastião para o futuro que os aguardava, um no qual mudaria os eixos do que era considerado real.

TOC TOC

“Entre” Disse sem se virar.

Do outro lado do escritório a porta dupla moveu-se e entrando por ela era outro homem de terno com óculos escuros, em suas mãos uma pasta que segurava com bastante cuidado.

“Senhor, temos noticiais urgentes.” O visitante aproximou-se do homem de terno e estendeu a pasta.

O homem de cabelos grisalhados pelo tempo pegou e abriu a pasta, observou as informações contidas nas duas páginas de papel. Seus olhos afiaram-se quando focou sua atenção nas imagens e palavras que lhe eram apresentadas.

“Mande 7674.” Comandou o homem de terno. “Contate a Equipe de Prevenção de Danos e diga para estarem preparados para qualquer coisa, informe Zero para que retorne para o país.” Ele virou-se para o subordinado que enrijeceu sob o olhar pesado. “Urgentemente.”

“Sim senhor.”

O outro homem de óculos escurou retirou-se da sala, deixando o velho sozinho com seus pensamentos.

Finalmente as peças estavam começando a aparecer no tabuleiro.

Aproximando-se de sua mesa, apertou um botão que fazia uma discagem rápida para sua secretaria que estava do lado de fora do quarto.

“Mande Kastagear para o meu escritório, diga que é sobre o pequeno projeto dele.”

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Kuroki Tenshi no Hijutsu-ten, Unkaicho

Longe do alto prédio do meio da cidade outra conversa estava ocorrendo entre os dois dos três reis renegados em seu alojamento acima da loja de ocultismo. O sol começava a erguer-se no alto do céu sinalizando a aproximação do meio-dia.

“Deixa-me ver se entendi, você saiu pra comprar comida e quando eu liguei, você trombou em alguém e quando você apertou a mão dele, perdeu toda a sua energia e poder der repente.”

“Sim.”

“E depois que você o soltou tudo voltou ao normal.”

“Exatamente.”

“Quando você tentou localizar ele pela sua assinatura de energia, não conseguiu senti-lo nem mesmo quando ainda estava praticamente na mesma rua.”

“De fato.”

“...”

“...”

“...”

“... Você andou comendo comida estranha novamente?”

Uma veia apareceu na testa de Wagner.

“QUE?! Claro que não!”

“Aceitou outro trago de novo?”

Outra veia apareceu.

“NÃO! Isso foi a centenas de anos atrás e eu aprendi minha lição!”

Matheus cruzou os braços e se encostou no sofá.

Ele achava difícil de acreditar no que seu irmão estava dizendo ainda mais quando sabia o qual capaz Wagner era como um rastreador e caçador, por que afinal de contas ele nunca parava de se gabar do qual bom era sobre isso. Mas para alguém conseguir escapar pela detectação dele – conscientemente e inconscientemente – era um feito fora desse mundo.

“Isso não faz sentindo, como alguém consegue passar por sua detectação?” Questionou o renegado, o dedo indicador batendo em seu braço enquanto pensava profundamente.

“Eu também não sei, era como se ele não existisse e se eu não tivesse o visto com meus próprios olhos bem na minha frente, sentido a pulsação de um coração, teria achado que ele fosse um golem ou uma máquina.” Respondeu o Wagner andando de um lado para o outro na sala de estar. “Ele com certeza tem energia vital, mas por algum motivo não consigo senti-la mesmo usando toda minha concentração em meu rastreamento.”

Tudo tinha energia vital, uma pequena centelha de pura concentração de energia, onde alguns estudiosos dizia ser a alma de uma pessoa, e para Wagner não o sentir mesmo estando tão perto.

Matheus sentiu no fundo da mente que já tinha ouvido falar disso, mas lhe escapava, como um pensamento escorregadio. Franzindo ainda mais o cenho, esforçou-se ainda mais agarra-se a essa lembrança com todas as forças, contudo não importava sua força de vontade, a memória simplesmente não era clara.

No momento os dois tinha outros assuntos a tratar além do jovem que Wagner havia trombado mais cedo.

“Vamos pensar nisso outra hora.” Disse Matheus mudando de assunto. “Sarah mandou uma mensagem pra mim logo depois que você saiu.”

“O que foi desta vez?” Perguntou o outro irmão o ver Matheus mais sério que o normal. “Deve ter sido algo muito importante para não ter falado pelo celular.”

Suspirou.

“Parece há muito mais Primaris vindo para a Terra do que o normal.”

Isso fez com que Wagner parasse em pé. Isto não era uma notícia boa.

Primaris, são pessoas que vieram do mundo original, Primis, de onde ele e Matheus e o resto dos Reis foram criados, um outro planeta semelhante, mas ainda diferente da Terra que agora moravam. Antigamente um portal existia que conectava os dois planetas, criado pelo seu próprio pai, Kingu, todavia esta mesma passagem tinha sido selada por Tsubasa 17 anos atrás impossibilitando a travessia entre eles de forma segura.

Apesar de oficialmente existir apenas um caminho, extraoficialmente há centenas deles espalhado por Primis, conhecido como fendas, porém seu comportamento era errático e imprevisível, sendo mais comum chamá-los de fenômenos sobrenaturais, então não era errado dizer que alguém – com alguma sorte – pudesse viajar para a terra. Felizmente nem todos aqueles que chegavam tinham alguma animosidade contra os humanos, contudo ainda havia aqueles que não os viam com bons olhos e em até certo ponto era compreensível desde que aquilo aconteceu.

Mas para haver ainda mais avistamentos de pessoas daquele lado na Terra, somente indicava uma coisa...

“Eles encontraram uma Porta dos Fundos.” Concluiu Wagner cruzando os braços.

“Sim, não sabemos como, mas de alguma forma alguém conseguiu criar uma passagem alternativa que contorna as limitações das fendas e do selamento do portão principal.” Adicionou Matheus. “Sarah acha que o selo está ficando cada vez mais fraco e isso pode ser verdade, mesmo sendo Tsubasa, ele não poderia fazer algo mais complexo em tão pouco tempo que tinha, mas para haver ainda mais Primaris passando para cá, é a única conclusão possível.”

Um silencio tenso instalou-se.

“Acha que são eles?” Inquiriu Wagner.

“Queria que não fosse, não estamos totalmente preparados caso seja de fato obra do resto dos nossos irmãos.” Matheus expressou sua preocupação com a pior conclusão possível.

Olhou para a Inyōzan que repousava na parede da sala já que Matheus não conseguia a invocar como sua antiga relíquia, pois ele não era o verdadeiro dono da katana. Pensou no sacrifício de Tsubasa ao selar a passagem entre os dois lados e como o tempo estava acabando.

Eles de fato não estavam preparados caso o aparecimento de Primaris estivesse ligado a Gravethor e os outros, esperava que fosse somente um ocorrido peculiar, porém singular, mas sabia como a vida regia sobre esses momentos. Ela era uma cadela sem coração. Então sem sombra de dúvida estava conectado com o resto dos Reis.

Matheus precisava ligar para sua irmã mais tarde e pedir que ela voltasse para a cidade para ponderar sobre suas futuras ações.

E por falar na Sarah...

“Sarah também disse que chegaria algum tipo de pacote então fique alerta para caso alguém faça alguma entrega e para parar de comer os pudins dela.”

“ISSO FOI HÁ 20 ANOS!”

O Rei renegado riu com a indagação do irmão.

Sim, mesmo que as chances estivessem contra eles, enquanto ele tivesse Wagner e Sarah o seu lado a humanidade ainda teria uma chance.

Não deixaria o sacrifício do seu irmão e seu sonho tivessem sido em vão.

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Horas mais tarde... Ametsuchi-na (Residencial Céu & Terra), Unkaicho.

Ele olhou para o papel em sua mão e novamente para o número na placa colocado na porta. 531. Parecia que enfim estava no lugar certo depois de ficar perdido por algumas horas desde que chegou em Unkaicho, esbarrou em alguém e quase derrubou todas as suas coisas no chão — ainda bem que ele tinha aprendido sua lição anos atrás e sempre o fechava bem apertado -, havia chegado no condomínio errado que ficava no outro lado da cidade por causa que um dos kanji no endereço estava ligeiramente fora do lugar e teve que andar até o lado oposto da cidade para então chegar no apartamento que foi alugado pelo seu guardião.

Seu guardião que nunca sequer havia dado aparecido desde que havia se tornado seu responsável. Somente se comunicava por cartas de papel que chegavam via correio, o que era estranho quando em meio a um mundo tecnológico e conversas instantâneas alguém tinha decidido ainda usar papel e tinta, mas ele não reclamaria já que foi essa mesma pessoa que basicamente o bancou e proveu todo o essencial para que pudesse viver em relativo conforto.

Suspirando, guardou o papel e retirou do bolso a chave do seu novo lar.

Ao abrir a porta o jovem garoto observou onde moraria pelos próximos anos até terminar o restante do ensino médio. Era um apartamento compacto e minimalista com Genkan (Entrada) com um armário na parede para calçados, uma sala de estar que também era um quarto – um cômodo multifuncional – com moveis alguns moveis modulares tendo até mesmo uma smart TV, uma cama de solteiro encostada na parede de cor branca com detalhes de madeira clara. Uma pequena área de estudo com uma mesa compacta, estantes embutidas e uma cadeira ergonômica. Cozinha kitchnette equipada com um fogão de indução de duas bocas, micro-ondas, geladeira pequena, pia de inox, um armário para guardar utensílios ou temperos. O banheiro era um tradicional japonês, separado, toalete em um cômodo próprio, e o ofurô (banheira) com um chuveiro em outro, com piso e paredes resistentes à água. Por fim uma sacada pequena, mas funcional com espaço para secar roupas ou até mesmo colocar alguns vasos de plantas.

Era um apartamento pratico de ambiente acolhedor.

O jovem estudante fechou a porta atrás de si e colocou sua mochila com suas coisas na cama, deslizando a porta da varanda observou a vista que lhe era apresentada.

Já era tarde da noite, o sol ainda não estava se pondo, mas já estava bem baixo quando ele finalmente encontrou o lugar onde iria morar. O som de carros ainda podia ser ouvido ao longe, provavelmente pessoas voltando de seus trabalhos e indo para suas casas.

Era bem diferente da pequena cidade em que passou maior parte de sua vida, mas ele poderia acostumar-se com essa vista.

Roooonc...

Mas primeiro ele precisava comer alguma coisa antes, pois somente agora o resultado de passar a maior parte do dia andando perdido pela cidade enquanto se esquivasse do seu azar cotidiano estava aparecendo.

Voltando para dentro do apartamento o adolescente abriu a mochila que continha seus pertencentes e dela retirou sua preciosa carteira, o seu bem mais precioso que defenderia com sua própria vida, e viu seu conteúdo. Alguns ienes e poucos trocados, o suficiente para comprar alguns ingredientes para um prato de curry – já que provavelmente a geladeira estava vazia por conta da mudança -, alguns cupons de desconto que provavelmente ainda era usáveis em redes de supermercado, sua identidade e por fim algo que lhe chamou a atenção.

Era um cartão branco.

Wing Academy Student ID 9981224

Mukyokai Van

Era a carteira estudantil de Mukyokai Van, sua carteira estudantil do novo lugar que estudaria, a internacionalmente famosa Wings Academy. Uma das mais avançadas e prestigiadas academias que o mundo detinha que em seus 100 anos de existência graduou grandes nomes nos campos científicos da humanidade. Ela ocupava praticamente um distrito inteiro de Unkaicho que era usada como academia para estudantes e por outras instituições cientificas interessadas em avançar a tecnologia.

Tudo isso fundado, bancado e gerenciando pela Veritas Quantum Enteprise.

Irônico era pensamento que um dos lugares mais avançados cientificamente do mundo existia em uma cidade onde a superstição e o sobrenatural era seu ganha-pão e fonte cultural.

Alguns até diziam que era uma Cidade Acadêmica dentro de outra cidade.

Rooooooonc...!

“Me preocupar com a escola depois, primeiro vamos comer.” Resmungou Van guardando a carteira e saindo do alojamento.

O condomínio em que foi posto tinha aparência bem conservada, cores vibrantes e uma atmosfera acolhedora, nem parecia que ela já estivesse de pé desde os anos 60. Descendo pelo elevador, Van não viu muitas pessoas – literalmente ninguém — apesar das várias portas enquanto andava, o que era um tanto estranho para um lugar tão bem conservado, ou ele tinha o azar de não ver ninguém chegando ou saindo de qualquer outro quarto.

Chegando ao térreo o Mukyokai olhou a proprietária do condomínio que estava varrendo do lado de fora do prédio. Vestida com elegância fora do tempo, a proprietário parecia uma figura saída de um romance gótico. Seu vestido azul-escuro, de corte justo e gola alta, marcava a silhueta com uma sofisticação discreta, quase teatral. As mangas justas terminavam em babados delicados, e uma fita escura amarrada ao pescoço balançava suavemente com os movimentos que fazia ao varrer a entrada do edifício. Luvas de cetim azul cobriam-lhes as mãos finas enquanto segurava o cabo da vassoura, que estranhamente sempre estava em sua posse desde que a viu pela primeira vez.

Cobria o rosto com um véu negro translucido preso ao pequeno chapéu de época, sempre inclinado com precisão matemática sobre os cabelos roxos presos em um coque baixo. Seus óculos grandes escondiam os olhos de cor ametista, mas deixavam transparecer um sorriso quase maternal.

“Saindo a esta hora da noite, Mukyokai-kun?” Perguntou a bela senhora parando seus movimentos.

“Estou dando uma saída para ir comer algo, voltou em algumas horas, Kusanagi-san.” Respondeu Van com a mão na nuca e um sorriso cansado.

Kusanagi Saeko sorriu com a resposta do garoto.

“Tome cuidado.”

Com a troca de palavras entre os dois, Van aventurou-se na nova cidade a procura de alguma loja ou algum restaurante. Era nítida a diferença entre a cidade de Unkaicho, que já estava sendo apontada para se tornar uma importante metrópole tal qual ou senão maior que Tokyo, e sua pequena cidade do interior em Takayama na província de Gifu. Começando pelo fato de tudo aparentar ser muito maior, o volume de pessoal, o tamanho dos prédios, a quantidade de lojas e até mesmo os sonos eram diferentes. Se ele não tivesse com seu celular, provavelmente já estaria perdido nesta selva de pedra.

Ele não se lembrava de quanto exatamente andou até poder achar um mercado aberto – o do porquê não haver sequer um pouco mais perto do condomínio o incomodava profundamente – que na sua volta para casa, toda a vontade de preparar uma comida caseira já havia se esvaído por completo. Por isso o garoto decidiu parar em uma pequena barraca de ramen que havia visto no caminho.

Era uma pequena estrutura ambulante, charmosa e acolhedora, o aroma que exalava já podia ser sentido enquanto aproximava-se, um cheiro irresistível de caldo fervente, temperos e macarrão. Uma luz ambâr, suave como velas, um toldo vermelho ondulando ao vento. E o cheiro... Caldo de frango envelhecido. Peixe seco, talvez niboshi. Um traço cítrico, talvez gergelim tostado? O monstro em seu estomago chamado fome rugiu.

“Com licença.” Cumprimentou Van sentando-se em um dos bancos e colocando seu saco de compras no chão.

“Seja bem-vindo!”

Olhou para o menu de pratos no balcão da barraca. Tabi no Aji (Sabor da Jornada). Um nome que parecia combinar com o sentimento que exalava do ambiente, de uma barraca de ramen que andava de um lado para outro trazendo consigo uma sensação calorosa de paz.

“O que posso fazer por você hoje, jovem caminhante?” Perguntou o chef da barraca, um homem adulto que parecia estar no meio dos seus trinta anos, estranhamente com uma mecha de cor cinza no cabelo.

“Vou querer o especial do dia grande, com macarrão extra, dois ovos marinados e um suco.”

“Entendido.”

Van acomodou-se no banco enquanto esperava o seu pedido ser feito, já que ele era de fato o único ocupante naquele momento da barraca, puxou o celular do casaco e navegou pela página da cidade. Vários artigos sobre tráfego, clima e entretenimento estavam em destaque, porém um que o chamou a atenção era de um fórum dos cidadãos com o título “Vulto sobre os prédios” que continha um vídeo borrado de uma figura passando entre os prédios em alta velocidade.

Os comentários variavam entre descrença e zombaria por ser algo impossível de acontecer, todavia havia alguns que conectavam o estranho vulto com outras aparições em outras partes do mundo, como Rússia, Índia, Inglaterra e Brasil.

Silhuetas vista no Lago Baikal, na Rússia. Varanasi, na Índia. Stonehenge, na Inglaterra. Serra do Roncador, no Brasil.

Contudo o que deixava essa teoria ainda mais crível eram os pontos que ligavam cada um desses lugares. Todos eles tinham algum tipo de lenda ou tradições voltadas a passagem para outro mundo.

E agora outra dessas sombras foi aparentemente avistada em Unkaicho, cidade onde também havia nas proximidades o Monte Osore e sua lenda do portal do inferno.

“Estranho, não é?”

A voz repentina que surgiu ao lado fez o Mukyokai pular levemente em seu assento.

Do seu lado estava um homem velho de cabelo curto grisalho vestindo um terno levemente desfeito, com a gravata solta e o paletó sob as pernas, como se acabasse de sair do trabalho. O velho percebeu o susto e riu com a reação.

“Desculpa por lhe assustar.” Disse o idoso coçando a nuca. “Vi que estava olhando para o fórum e não pude deixar de comentar.” Voltou sua atenção para o chef que continuava preparado a comida. “Chef! O de sempre!”

A resposta do chef foi retirar de baixo do seu lado do balcão uma caixa térmica onde retirou um prato de macarrão já pronto e de outra caixa cheia de gelo duas garrafas de cerveja geladas, como se ele já soubesse da chegada do seu novo cliente, ou melhor, do seu cliente regular.

“Eu devia estar prestando mais atenção ao meu redor, não se preocupe.” Declarou Van guardando o celular.

“HaHaHa! Não se preocupe meu jovem, a culpa também é minha, então estamos quites.” Respondeu o velho de terno enquanto solvia o macarrão do ramen de seu prato e derramava cerveja em seu copo. “Vivi nesta cidade por muito tempo e vim nesta barraca muitas vezes, mas é a primeira vez que eu te vejo, é novo na cidade?” Perguntou.

Pensou por um momento se deveria realmente continuar aquela conversa, porém não viu mal em conversar com o outro cliente da barraca.

“É, acabei de chegar na cidade para continuar o resto do meu ensino médio na zona acadêmica.” Declarou.

“Wings Academy, eu presumo?” Adivinhou o velho, Van acenou como resposta. “Claro, temos outras escolas na cidade, mas para se mudar somente para continuar o resto do ensino letivo, só o melhor do melhor, eu acho.” Outra mordida e outra garrafa de cerveja. “Bom, espero que goste da nossa humilde cidade, ei, chef, muito obrigado pela comida!”

Só agora Van prestou atenção no prato do velho sentado ao seu lado, estava vazia junto com as duas garrafas sem mais conteúdo, algumas notas de ienes jaziam ao lado da cerâmica. Como ele havia comido tão rápido sem ele ter percebido?!

“Ei, garoto.”

“Hum?”

“Faça suas escolhas com sabedoria.”

Antes que ele pudesse perguntar o que aquelas significavam, o velho desapareceu pelas ruas movimentadas de Unkaicho como um fantasma.

“Aqui está o seu pedido.”

A voz do dono da barraca tirou o garoto de seus pensamentos quando uma tigela fumegante de ramen e seu acompanhamentos foram postos na sua frente.

Ele pensaria no aviso mais tarde, agora tudo o que queria era aproveitar a comida.

O visual era harmônico, não apenas bonito.

O caldo era claro, com viscosidade leve. Sem gordura boiando, apenas um brilho sutil.

Três finas fatias de pato defumado, cuidadosamente sobrepostas como pétalas, soltavam um perfume salgado e doce.

Um ovo marinado – ponto perfeito. Gema quase liquida, textura macia. A borda da clara mostrava leve coloração âmbar: marinada no shoyu doce.

Um shitake grelhado, com cortes cruzados no topo, absorvendo caldo como uma esponja viva.

O macarrão era trançado, provavelmente feito caseiramente. Ligeiramente amarelados, indicando uso de kansui (água alcalina).

Folha de shiso e raspas de yuzu como toque final. Estético e funcional: levavam o aroma ao nariz antes mesmo da primeira colherada.

Ele pegou os hashis, mas não comeu de imediato. Fechou os olhos. Inspirou. Provou com o olfato. Não era todo dia que Van poderia experimentar a culinária de outra pessoa, já que desde que se lembrava, sempre morou sozinho e teve de aprender a cozinhar caso não quisesse sobreviver a base de comida de instantâneas das lojas de conveniências.

“Itadakimasu!”

Finalmente, o garoto deu um gole no caldo.

Caldo duplo. Base de frango com osso, levemente gelatinoso – sinal de colágeno bem extraído – misturado com dashi de peixe seco. Camadas limpas. Primeiro o sal, depois o doce, depois o cítrico. A acidez do yuzu explode no fundo da língua, mas é contida pela gordura do pato. É... Ótimo.

Mergulhou o macarrão, puxou uma porção e os saboreou com um ruido respeitoso.

Textura firme, al dente, com mordida suave. O trançado era funcional: prendia melhor o caldo. Tecnica refinada.

O ovo... Sublime. O tempero havia penetrado apenas até o ponto certo. Nem mais, nem menos.

E o pato – ah, o pato era uma lição de humildade. Cozido, depois defumado e finalizado na frigideira. Tinha crosta nas bordas, mas ainda suculência no centro. O equilíbrio entre gordura e doçura trazia uma sensação quase... nostálgica.

Quando se deu por conta, já estava vendo o fundo da tigela.

Aquele prato foi uma aula de culinária que falava por si só e Van, como um cozinheiro auto ditado, aproveitaria esta lição para suas futuras refeições.

De todo modo aquela barraca de ramen havia ganhado um cliente fiel em suas fileiras.

“Gochisō-sama deshita!” Agradeceu o estudante agora alimentado ganhando um aceno do chef, deixando no balcão o pagamento.

Pegando sua sacola de compras, Van parou em frente a barraca e suspirou o ar em contentamento, agora que seu estomago não estava mais ameaçando devorar todo o seu interior como forma de protesto, apesar de ser uma cidade bem populosa e movimentada o ar parecia bem puro o que denotava o cuidado que os cidadãos tinham com o meio ambiente.

Agora tudo o que restava era ir para casa, colocar suas compras na geladeira e dormir para ir ao seu primeiro dia no novo colégio.

...

...

...

Ele acabou de se azarar, não é?

Como se o destino tivesse um senso de humor distorcido, Van viu do outro lado da rua uma garota loira correndo, em seus olhos era perceptível perceber a ansiedade, temor e medo quando disparava entre as pessoas na calçada. Logo atrás dela um grupo de quatro outros garotos aparentemente a perseguia com claras intenções nada honesta.

Foi algo rápido, tão passageiro que ninguém o culparia por apenas ignorar.

Van fechou os olhos e olhou para cima, inspirou profundamente e praguejou consigo mesmo.

Merda.

Mukyokai Van disparou na mesma direção daquelas pessoas como se a própria morte estivesse em seu encalço.

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Cada lufada de ar que entrava nos seus pulmões queimava dolorosamente, os músculos das pernas pareciam terem chegado aos seus limites quando se encolheu por trás de uma parede perto de uma loja de conveniência abandonada. Não sabia por quanto tempo tinha corrido desde que aqueles garotos começaram a persegui-la depois de que não gostaram de sua rejeição.

Suor escorria pelo rosto dela, fios de cabelos grudavam em sua pele e olhos que exibiam um par de safira estavam bem abertos. Apertou a mochila ainda mais contra o corpo ao mesmo tempo que tentava se esconder e ouvir os sons a distância, ainda era audível as buzinas de carros e passos de pedestres, ela esperava que um deles fossem dos seus perseguidores.

Eles realmente esperaram quando ela estava sozinha sem a companhia da irmã, a única impedidora do seu assédio contínuo.

Então ela esperou. Esperou. E esperou.

Após momentos passarem sem ouvir nenhum deles aparecerem, a garota suspirou de alívio e escorregou pela parede, agora só bastava ligar para sua irmã e

“Te achei~~”

“Aaaaah!”

Ela gritou quando o rosto do seu perseguidor e seus comparsas surgiram ao seu lado. Caindo no chão a garota rastejou para trás tentando o máximo possível aumentar a distância entre eles até que sua costa se chocou contra o poste de luz que tremulava.

Cabelos lisos e bagunçados que chegavam até a clavícula, um rosto com cicatrizes e piercings, olhos tão negros quanto a noite que a fitavam com fome, um casaco estilo blaze escuro surrado da sua escola – um sinal de sua presença antes de ser expulso pela administração – e por debaixo dela uma camisa vermelha com uma caveira branca no meio, calças cargo e tênis. Aquele era Kumonaka Kyohei, notório delinquente de Unkaicho, ex-aluno por expulsão da Wings Academy, líder de uma das maiores gangues do submundo, diziam os boatos que ele também estava conectado com uma poderosa facção da Yakuza que explicava de o porquê nunca ter sofrido quaisquer consequências de suas ações ou ser mandado para a reabilitação juvenil.

Mas nada daquilo importava agora porque Kumonaka Kyohei por algum motivo tinha uma fixação doentia por ela desde que pôs seus olhos nela há meses, começando seu assédio e cada dia que se passava era um medo constante de estar sozinha. E ele esperou pelo momento oportuno em que ela estivesse só e sem sua irmã.

Ela precisava correr.

“Que bom que finalmente podemos continuar nossa conversaaa ~~” O sorriso no rosto de Kyohei tinha tudo menos intenções impuras. “Demorou um pouco, mas agora estamos só nós aqui.”

Precisava gritar por ajudar.

“Sabe, você realmente é tão bonita~~” Ele se agachou e ela recuou ainda mais, podia ver as pequenas lagrimas no canto de seus olhos. “A gente vai se divertir muiiitoooo ~~”

Precisava fazer qualquer coisa, porém todo o corpo tremia em terror ao se ver sozinha e cercada em um beco vazio atrás de uma loja abandonada.

“Vamos para um lugar mais...”

“EI! VOCÊ ESTÁ AQUI!!!!???”

Uma voz gritou na esquina do beco, a garota de um pequeno pulo com o som repentino. O sorriso de Kyohei morreu e deu lugar para um cenho franzido em aborrecimento, ele estalou a língua.

“EU VIM AJUDAR!!! TEM ALGUEM??!”

O Kumonaka bufou em escarnio.

“Vocês.” Apontou o líder delinquente para dois de seus capangas mais próximo da esquina. “Deem um jeito nele, faça ele se arrepender de ser um bom samaritano.”

Os dois garotos entreolharam-se com sorrisos maliciosos e caminharam em direção a esquina com intenção de “cumprimentar” o bravo herói.

“Onde estávamos? Ah, sim~~” Falou Kyohei voltando sua atenção para sua presa. “Que tal nós...”

“AH!”

“GHK!”

Kyohei virou-se novamente para a esquina quando ouvir as vozes de dor de seus dois subordinados e do som de corpos caindo no chão e lá, ao lado dos referidos corpos desmaiados, estava um garoto de moletom azulado e cabelos negros espetados carregando uma sacola de compras ofegando levemente.

“Você sabe o qual horrível é correr logos após comer?! Nunca mais... Quero fazer uma coisa dessa novamente.” Reclamou o intruso e o responsável que acabará de nocautear dois outros garotos, seu rosto ficou levemente verde quando algo como uma ânsia de vomito surgiu. “Horrível.”

Kumonaka Kyohei junto dos seus outros dois últimos colegas apenas fitaram o recém-chegado, não era a primeira vez que alguém brigava com eles já que logo descobriam que não era a ideia mais sensata a se fazer, mas por algum motivo aquela pessoa que parecia querer pôr para fora o conteúdo do seu estomago tinha acabado de nocautear dois dos seus.

Aquilo o irritava, muito.

“Ei, seu maldito! Quem tu’ pensa que é?!” Exclamou Kyohei erguendo-se em sua altura total, que era um ameaçador quase dois metros. “Tu’ acha que algum maldito...!”

Ele parou. Kumonaka Kyohei parou de falar, não por choque ou por surpresa, mas pelo simples fato do que o intruso que ainda tossia desagradavelmente havia erguido a mão esquerda, mostrando a palma do membro para eles, pedindo tempo para se recompor.

Uma veia parecia querer estourar em sua testa.

Aquele filho da puta estava tirando com a cara deles?!

“Peguem ele.” Um comando simples, porém, carregando com uma raiva sem igual.

Os dois garotos andaram em direção a sua presa com olhos afiados e estalando os dedos das mãos, estavam prontos para vingar seus irmãos caídos, contudo quando chegarem a uma certa distância os papeis inverteram-se.

Eles não eram mais os predadores, mas as presas.

O garoto de cabelo espetado rapidamente deixou o ator de parecer estar passando mal quando percebeu a distância entre eles, com fluidez jogou o saco plástico de mantimentos que carregava em direção ao delinquente a sua esquerda, pegando-o de surpresa pela ação repentina resultando nos objetos acertando-lhe o rosto e atordoando-o momentaneamente, mas era isso que Van precisava. O segundo delinquente olhou para seu companheiro com preocupação, entretanto o lapso de tempo, lugar e situação voltaram para ele muito tarde quando sentiu como se uma marreta estivesse sendo pressionado com extrema força no lado esquerdo de sua face, o impacto do golpe e da força foram o suficiente para lançá-lo do chão e direito em colisão com o chão, deixando-o inconsciente. O capanga número dois sequer teve chance de reagir, pois quando a sacola de mantimentos caiu no chão, ele recebeu um soco de um punho direito com poder suficiente para jogá-lo contra a parede do beco e por consequência sua cabeça, o mandando para o doce mundo dos sonhos.

“Então...” Abrindo e fechando o punho direito, Van olhou diretamente para Kyohei. “Pronto pra reconsiderar?”

...

...

...

“HAHAHAHAHAHAHA!”

De todas as respostas que o Mukyokai esperava, uma gargalhada não era uma delas.

Kyohei não podia deixar de rir com o que acontecia à sua frente. O sentimento de raiva e aborrecimento não era mais sentido, porque ali na sua frente, vendo por um novo ângulo, estava a sua motivação pelo qual fez tudo até agora na sua vida de delinquente. De poder enfrentar aquelas pessoas que se metiam em seu caminho, não fazia a diferença entre seres adultos, policiais ou outros delinquentes, só o falto de ter alguém que se levantaria contra suas ações como um maldito herói defensor da justiça era um ótimo parar rir.

“Ei, qual é o teu nome?” Kumonaka perguntou depois de cessar sua gargalhada.

Van franziu o cenho.

“Eu sou uma pessoa qualquer que você vê pela rua.”

“Bom, Mob-san, eu sou Kumonaka Kyohei, líder do SPIDER, muito obrigado, de verdade.” O delinquente retirou o casaco e o jogou no chão, revelando surpreendente musculatura que estava escondida. “Faz muito tempo que alguém tão idiota aparecer para me enfrentar, mas então você surgiu como um maldito herói da justiça vindo do nada e nocauteou meus manos.” Puxou um par de luvas sem dedos pretas do bolso da calça e vestindo-as, naquele beco quase mal iluminado era possível ver marcas vermelhas que começavam a brilhar. “Então, antes de eu te esmurrar até virar uma polpa sangrenta me responde, por que tu ta’ fazendo disso? Por fama? Pra tirar uma casquinha dela como recompensa?”

A garota sentiu um arrepio percorrer seu corpo quando as palavras do delinquente se referiram a ela, encolheu-se ainda mais contra o poste em uma vã tentativa de se tornar a mais invisível possível.

Sua resposta foi um encolher de ombros.

“Acho que é só meu azar de sempre.”

Mukyokai sequer ter chance de terminar de falar quando percebeu o punho de Kyohei há meros centímetros de distância do seu rosto, foi somente pela resposta institivamente do seu próprio corpo que recuou ligeiramente para trás fazendo com que o soco errasse por uma margem mínima, contudo o poder daquele golpe era evidente quando sentiu em seu rosto uma rajada de vento.

Uma gota de suor escorreu pela testa quando percebeu que aquilo era inumanamente impossível. Ele não tirou Kyohei do seu campo de visão e sequer havia piscado, mas de alguma forma aquele delinquente encurtou uma distância considerável entre eles em instantes e caso não tivesse se esquivado daquele soco, um olho roxo seria o último de suas preocupações.

Entretanto antes que pudesse revidar com um golpe, um segundo soco vinha em sua direção por baixo em grande velocidade visando seu fígado. Com pensamento rápido Van recuou seu tronco para trás evitando um golpe devastador por meros centímetros, o mero pensamento de contra-atacar sequer conseguiu passar por sua cabeça quando uma barragem de golpes consecutivos veio em sua direção, levando toda o seu foco para não virar uma pasta sangrenta.

“O QUE FOI? O QUE FOI? CADÊ TODA AQUELA MARRA?!” Provocou Kyohei entre golpes.

Aquela provocação gerou resultados quando Van tentou revidar com um punho de direita, porém Kyohei vê o movimento vindo há quilômetros de distância por causa de sua vantagem monstruosa. O punho do delinquente acerta Van no estomago, ele sente o estomago quase se tornar uma panqueca e se amaldiçoa pelo descuido. O impacto o joga contra a parede do boco rachando os tijolos. Van se levanta com dificuldade, sangue escorrendo do canto da boca e suor derramando de sua testa.

Aquele golpe quase o levou ao fim prematuro, mas naquele momento ele não podia se debruçar sobre a dor que sentia, Van precisava pensar em como dar a volta caso contrário tornaria um saco de pancada ambulante.

“Aquelas luvas.” A imagem de Kyohei especificamente colocando um par de luvas e Van ter claramente visto linhas vermelhas brilhantes surgirem clicou em sua mente. “Aquilo não são luvas normais, humano nenhum se move assim, não alguém com um porte físico como o dele.”

Outro golpe chegou – um cruzado – que atinge o Mukyokai no ombro, o barulho do impacto ecoa como um trovão abafado, ele segurou um grito de dor quando sentiu como se seu ombro quase fosse arrancado de seu corpo. Kyohei manteve a vantagem com um sorriso predatório, seus golpes sempre um passo á frente, deixando Van encurralado e gerando vários hematomas em sua pessoa – costelas, estomago, mandíbula -, cada impacto fazia seus ossos tremerem e sua consciência oscilar, reagir era um pensamento tardio em sua mente, pois tudo o que ele conseguia fazer era manter-se de pé.

Algo estava errado, pensava Kumonaka Kyohei enquanto continuava seus golpes e percebia algo inquietante. Normalmente as suas lutas eram curtas e decisivas e isto era antes dele ter ganho esse par de luvas de seu benfeitor – que na verdade não sabia como funcionava, mas ele não ligava o suficiente para se importar contanto que fizesse com as pessoas o temessem e ficassem fora do seu caminho-, as pessoas geralmente caiam com dois ou três golpes seus, todavia ali estava alguém na sua frente, um zé ninguém que apareceu como um maldito herói saído de uma mangá barato e clichê, que mesmo depois de levar vários socos, ainda permanecia de pé.

Cerrando os punhos Kyohei golpeou Van no peito com força que facilmente abriria um grande buraco em uma parede fez no máximo com que ele cambaleasse para trás e caísse de joelhos enquanto tossia. Ele não sentia o sentimento de vitória e satisfação que vinham quando via pessoas curvar-se diante dele, o que ele sentia naquele momento, naquela situação, era um arrepio em sua espinha como se algo incomum onde sua mente não conseguia fazer sentido. Como se estivesse sentindo medo do que estava por vir.

“Eu entendi... Agora...” A voz de Van era rouca e grave, o golpe em seu peito realmente tinha o afetado.

Uma gota de suor escorreu pelo rosto de Kyohei, algo naquelas palavras o faziam ficar desconfortável.

“Bem que... Eu achei estranho você conseguir fazer... Essas coisas...” O garoto de cabelo espetado continuou enquanto erguia-se lentamente de sua posição anterior.

Ele já devia ter caído. Ele já devia ter caído. ELE JÁ DEVIA TER CAÍDO.

“Você é somente um trapaceiro...”

Então, algo apenas estalou em Kyohei.

Você é nada.

Saia da minha frente, zé ninguém.

O seu lugar é no chão, assim como aquela vaca!

Você é que nem aquele seu pai!

Ajudar? Garoto, eu tenho coisas melhor para fazer.

Por que você nasceu, Kyohei?

“CALA A BOCA! CALA BOCA! CALA A BOCA! EU ESOTU POR CIMA! EU SOU VITORIOSO! NÃO ESTOU ABAIXO DE NINGUÉM! NÃO VAI SER UM NINGUÉM QUE VAI ME DIZER O CONTRÁRIO!”

Kumonaka avançou com fúria em seus olhos e ódio em seus punhos, tão cerrados que somente não estavam sangrando por causa da luva. Ele não seria menosprezado, não seria mais tratado como se fosse lixo jogado no meio da rua, socaria tudo e todos que ficassem no seu caminho para ser respeitado. E aquele garoto na sua frente seria somente mais uma pedra que precisava ser tirada.

Ergueu o punho direito com toda a força, até mesmo podia sentir aquela sensação estranha das suas luvas quando sentia um poder descomunal ser derramado dentro de seu ser, foi então que pela primeira vez algo aconteceu. Chamas vermelhas surgiram em seu punho como se respondesse ao seu sentimento desesperado por poder, Kyohei não estava preocupado do porquê aquilo aconteceu ou do motivo, nada aquilo era importante, ele sentia em seu amago o poder. Ele era invencível. Ele era imparável.

Ele era um...!

GATCH!

KRAKSHH!

Todas aquelas sensações de invencibilidade e poder sumiram no momento que Van, ao invés de esquivar-se daquele golpe de aparência perigosa e sobrenatural, escolheu segurar o punho direito flamejante de Kyohei com a sua mão direita. O efeito foi imediato. A luz assim como as chamas carmesins se apagou quando os membros se tocaram, um silencio absoluto tomou o beco depois do som de vidro se partindo surgiu, um silencio como o mundo tivesse prendido a respiração e esperasse os próximos acontecimentos.

“O que...?” Kyohei tentou recuar quando percebeu que aquelas luvas estranhas tinham perdido o seu brilho normal, mas era tarde demais.

“Você não é o único que a sofrer, seu maldito idiota egoísta! Só porque a vida não parece justa não te dá o direito de pisar sobre as pessoas por satisfação própria!”

Van apertou firmemente a sua mão direita no punho de Kyohei, como um predador certificando-se de que sua presa não tivesse chances de escapar. Com força o puxou para perto de si e desferiu uma joelhada certeira no estomago, Kumonaka sentiu o ar sair de seus pulmões e a consciência vacilar como resultado, mas Van não parou e continuou com uma cabeçada, o som do nariz do delinquente quebrando era audível assim como o sangue espirrando para fora de sua narina, e terminou soltando-o e realizando um soco cruzado com seu punho direito direto no queixo, fazendo Kyohei girar no ar e cair no chão, imóvel.

E então pela primeira vez que entrou naquele beco Van permitiu-se enfim relaxar, voltou sua atenção para a vítima que permaneceu calada e invisível durante toda aquela cena, uma garota de cabelos loiros e olhos esverdeados que o fitava em choque.

“É melhor você ir para casa antes que mais alguém apareça.” Ou o pior, alguma autoridade surgisse das sombras.

Era praticamente seu primeiro dia na cidade, ele não precisava de uma advertência em sua ficha escolar justo no dia em que havia chegado!

A garota levantou-se com esforço já que as pernas bambas e quase dormentes dificultavam um pouco o processo, ela segurou a bolsa contra o peito com força enquanto passava pelos corpos inconscientes de seus perseguidores. Ela ainda não acreditava em tudo que tinha presenciado minutos atrás, mas não tinha forças e nem vontade para debater consigo, ela só queria ir para casa. Então fitou pela última vez seu suposto salvador e correu para fora do beco.

Mukyokai Van suspirou pela última vez e andou vagarosamente para fora do beco também, a sensação de dever cumprido era eclipsado pela tristeza de lembrar que o seu saco de mantimentos agora era residente do chão sujo da viela e a dor que seu corpo estava sentindo, ele com certeza acordaria dolorido amanhã de amanhã.

E ainda tinha aula do dia seguinte.

“Eu tenho que parar de me meter nessas situações...”

Quem ele estava querendo enganar...

Porém para o desavisado Van, ao longe daquele beco isolado onde aconteceu o embate entre um delinquente junto de seus capangas contra um bom samaritano desconhecido, no topo de um prédio há quilômetros de distância, apoiando-se na beirada, uma pessoa abaixou o binoculo. Ela observava a situação desde o começo quando a garota loira adentrou a viela sendo perseguida até a luta entre o delinquente e o objeto de sua missão.

E a conclusão de sua observação era... Esclarecedora.

“Então, o que você achou?”

“... Difícil.”

“Entendi, bem, você sabe da ordem dada, então é melhor se preparar.”

“...Entendido.”

“Ah, antes que eu me esqueça, você me pediu para olhar além dos arquivos que entregaram a gente, certo? Descobri que a maior parte parece mais fragmentos do que qualquer coisa conclusiva como se alguém tivesse apagado ou retirado do banco de dados.”

“... Estranho.”

“Não é? Enfim, vou tentar olhar mais um pouco, mas não posso fazer muito sem alertar o firewall interno do sistema.”

“... Obrigado.”

O observador abaixou o binóculo e retirou-se do local perdendo por apenas alguns segundos outra ocorrência naquele beco.

A de um homem que apareceu como se surgisse das sombras, fitando o corpo inconsciente de Kyohei.

Ele abriu um grande sorriso.

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A noite sumiu do horizonte dando o lugar ao luminoso sol que trazia consigo o início de um novo dia e de uma nova rotina para os residentes de Unkaicho. Pessoas despertavam de seus repousos e iniciavam os afazeres do dia, pais acordavam para irem trabalhar e mães preparavam os bentos para seus filhos, donos de loja abriam seus negócios e estudantes dirigiam-se para seus colégios.

Era um ótimo lá fora. Os pássaros cantavam, as flores desabrochavam e um certo garoto de cabelo negro espetado corria a toda velocidade como se o próprio diabo estivesse em seu encalço.

“Como posso me atrasar para o meu primeiro dia???!!!”

De fato, vários fatores aconteceram que resultaram no atraso do garoto. Ele havia acordado dolorido da briga que tivera na noite passada e quando tentou colocar alguns adesivos analgésicos ele tropeçou sobre seus próprios pés resultando em bater sua testa contra o chão frio do apartamento, levando a alguns gritos de agonia tanto pelo novo ferimento quanto para os velhos. Já não bastasse levar um tempo considerável para arrumar-se e comer algo para o café da manhã, Van no caminho para o colégio deparou-se com vários outros infortúnios.

Quando estava a ponto de pegar o trem percebeu que havia esquecido sua carteira em casa e teve de correr de volta e quando se deu conta já havia perdido o horário do trem.

Ele foi perseguido por alguns cães que passeavam com seus donos no caminho de volta.

Deu de cara com que parecia outra gangue de delinquentes que tentaram pegar seu dinheiro.

Por algum motivo havia uma obra acontecendo no meio da rua que o levou a pegar outro caminho e ele ficou um tempo perdido por ainda não ter aprendido o mapa da cidade.

E quase foi roubado quando ajudava uma velhinha a cruzar para o outro lado da rua.

Tudo isso o atrasou consideravelmente, tanto que Van tinha medo de olhar no celular para ver que horas eram de fato. Porém sua graça salvadora surgiu quando ao longe podia ver o portão da Wings Academy com ainda alguns estudantes entrando, agora poderia simplesmente andar até a entrada sem preocupações, mas foi quando estava chegando ao seu destino que uma voz veio de suas costas.

“Ei, você, espetadinho, quanto tempo!”

Van virou-se institivamente e fitou uma garota de cabelos negros e olhos castanhos vestindo um uniforme escolar desconhecido para ele. Podia sentir o olhar intenso daquela garota nele, seu rosto passando de um alegre para um decepcionante como se não tivesse achado aquilo que procurava.

“Hum?”

“Achava que era alguém que eu conhecia, desculpe lhe incomodar.” Disse a garota de cabelos negros levemente curvando-se como um pedido apologético.

Antes que Van pudesse dizer qualquer outra palavra a pessoa correu na direção contraria, o garoto ergueu a mão em uma tentativa de chamá-la novamente.

Mas então o sinal tocou indicando o início das aulas, olhou para o portão e o viu fechando-se, retornou sua atenção brevemente para a garota, porém ela havia sumido.

Sumido assim como a sua chance de chegar no horário no seu primeiro dia de aula.

Ele estava atrasado.

“Dá um tempo...”

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Chegar atrasado era uma droga já que passaria uma má imagem para o corpo docente e Van não queria que sua reputação que recém-criada deixasse de existir além, mas em sua mente pessimista provavelmente sua sorte faria esse favor a ele o colocando no fundo do poço proverbial.

Queria muito suspirar de desanimo quando seus pensamentos voltavam para o infortúnio que os esperava a cada esquina, porém isso poderia ser considerado um gesto de má educação já que ele estava na sala dos professores depois de ser guiado por outro professo que havia encontrado na entrada do colégio. Aparentemente Van não era o único aluno transferido que deveria ter chegado no horário já que foi informado que sua professora responsável pela classe que ficaria tinha saído para buscar outro aluno que também estava atrasado.

Bom, pelo menos não é o único que começou a vida escolar com o pé esquerdo.

Era por isso que ele estava esperando a professora e o outro estudante na sala dos professores nos últimos cinco minutos, ainda havia alguns outros membros do corpo docente na sala que simplesmente estavam muito absortos em suas próprias tarefas para sequer se dar ao trabalho de reconhecer sua existência. Assim estava bom, não precisar se preocupar em ser o centro das atenções.

Shrrrk... clak!

Foi então que o som da porta deslizante sendo aberto chamou sua atenção e de lá surgiram duas pessoas. Uma parecia uma garota de estatura baixa, muito baixa mesmo, por um momento o garoto de cabelo espetado pensou que era uma criança do fundamental que havia chegado, porém nenhum dos outros professores parou o que estavam fazendo para observar. Seus cabelos são longos, lisos e em tom castanho escuro que puxava a cor vinho que ia até a altura das coxas com franja reta cobrindo a testa, moldando um rosto expressivo e confiante. Olhos dourados âmbar tinham um brilho penetrante que pareciam sugerir uma inteligência afiada muito mais que uma simples pessoa pudesse ter e uma personalidade firme.

Ela veste uma jaqueta vermelha de botões com gola alta, um pouco larga. A jaqueta contrasta com a minissaia escura plissada, revelando suas pernas finas e fortes. Por fim em seus pés ela usa bota de cano médio com cadarços verdes.

Por algum motivo, na mente de Mukyokai Van, ele já sabia que aquela garota que parecia uma criança do fundamental era sua professora responsável. Como sabia disso? Sua sorte não o faria ter uma vida fácil ou normal, então porque não jogar em cima da sua vida já estranha uma professora loli?

Mas o que chamou a atenção de fato era o acompanhante da garota.

Era um garoto, provavelmente da sua idade, de aparência de um jovem cavaleiro nobre saído de algum tipo de conto de história estrangeiro. Seus cabelos loiros, ligeiramente bagunçados, pareciam brilhar como outro sob a luz que que vinha de fora, enquanto seus olhos verdes vibrantes transmitiam firmeza, otimismo e serenidade.

O pior de tudo era que ele também vestia o uniforme da escola assim como Van.

Um estrangeiro, talvez?

“Desculpe, desculpe, nos atrasamos por que esse coitado se perdeu no meio do caminho.” Disse a garota sentando-se em uma das mesas que aparentemente era dela, ela remexia em alguns papeis enquanto recolhia outros.

“Mil perdões, eu ainda não aprendi a me locomover com certo êxito pela cidade.” Respondeu o garoto loiro curvando-se ligeiramente.

“Não se preocupe, não se preocupe, por que parece que nosso outro aluno também não chegou no horário, não é mesmo?” O olhar dela direcionou-se para Van que pode somente esfregar a nuca da cabeça com mão esquerda enquanto ria sem graça.

“M-Muitas coisas aconteceram.” Mesmo que Mukyokai contasse sobre tudo que tinha passado naquela manhã eles provavelmente não acreditariam.

Diabos, ele mesmo não acreditaria se não fosse o alvo em questão dessas situações.

“Bom, vou deixar passar por serem novos alunos.” Com isto dito ela levantou-se da cadeira um pulo, já quem, bem, a mesa era um tanto alta para ela. “Siga-me, vou levá-los para a sala de aula.”

Assim iniciou-se uma pequena caminhada até onde passaria o resto do seu ano escolar, apesar que o passeio foi feito em silencio enquanto observavam alguns outros alunos andarem pelos corredores indo em direção a suas próprias salas de aulas.

Foi então que depois de subirem três conjuntos de escada e caminharem por um longo corredor, o grupo de três parou em frente a classe nomeada 1-A.

Van respirou fundo tentando controlar o nervosismo enquanto seu futuro colega de classe loiro parecia imperturbável com um sorriso calmo e sereno.

A garota deslizou a porta de metal, o som chamou atenção de todos os outros alunos lá dentro.

“Tudo bem, seus macaquinhos, comportem-se por que temos novidades.” A garota disse enquanto subia em um pequeno apoio escondido por detrás de sua mesa na frente da sala. “Vocês dois, podem entrar.”

Com isso os dois garotos adentraram o quarto ganhando vários sussurros dos estudantes que pareciam surpresos com eles. Bem, provavelmente com o estrangeiro de cabelo loiro que mais parecia um nobre de alguma família rica, porque Van poderia muito bem ver algumas garotas corarem apenas por observá-lo.

“Como temos novos alunos vou me apresentar novamente.” A pequena mulher estufou o peito e sorriu com confiança. “Eu sou a professora responsável por vocês, me chamo Fujisawa Akane, estarei cuidando de vocês nesse ano letivo até que vocês meus pequenos macaquinhos passem de ano ou tenham a infelicidade de nós vermos novamente ano que vem.” Apresentou-se agora a nomeada professora Akane que voltou sua atenção para os dois que estavam ao lado dela. “Agora quero que se apresentem a classe.”

Van deu um passo a frente, entretanto quem começou foi o garoto loiro de olhos verdes com um sorriso que parecia lhe cegar se visse por mais tempo.

“Olá a todos, estou encantando por sermos colegas de classe.” Disse ele ganhando vários suspiros das garotas e olhares feios dos garotos. “Meu nome é Cendric Vane Nakajima Kaminari, mas caso seja muito longo, podem me chamar de Tikie, sou meio japonês e britânico, ainda tenho muito o que aprender sobre sua cultura, então por favor tenham paciência comigo.” O brilho em seu sorriso parecia aumentar ainda mais.

“Um meio estrangeiro!”

“Que gato!”

“Droga, por que diabos temos um bishounen!? Lá se vai minha chance de arranjar uma namorada!”

“Você acha que ele vem de alguma família nobre?”

“Então quer dizer que ele é um tipo de príncipe?!”

“SERÁ QUE ELE ESTÁ SOLTEIRO?!”

Van somente podia observar o caos que foi o resultado da apresentação do Nakajima nas garotas da classe e no aborrecimento dos rapazes.

“Agora você, espetadinho.” Chamou Akane para o outro aluno restante.

Suspirando, ele se apresentou.

“Meu nome é Mukyokai Van, espero nos darmos bem.”

Porém os sussurros e conversas paralela sobre Nakajima pareciam que não acabariam tão cedo, tanto que a sua própria apresentação sequer havia sido anunciada. Bom, para todos menos uma pessoa.

Ofuscado pelo príncipe perdido da Inglaterra. Ótimo.

“Parece que vai difícil para você espetadinho.” Comentou Akane com um sorriso apologético. “Muito bem, loirinho você vai sentar no lugar vago atrás do Sato-chan.” Apontou para uma carteira vaga atrás de um garoto no lado direito da sala perto da porta. “E você espetadinho, do lado da Kazeyama-chan.” O lugar era no outro lado da classe, na última fileira perto da janela e atrás de uma garota de cabelo rosado.

E como foi dito e mandando, Van sentou-se no seu lugar designado e olhou para sua vizinha de carteira. Cabelos rosa claro, cortados em um estilo bob reto com franja, caiam lisos e perfeitamente alinhados até o queixo, o tom suave dos fios refletem uma delicadeza aparente, contrastando com seu semblante sério e olhar firme. Três presilhas brancas decoram o lado esquerdo da sua franja, seus olhos castanhos profundos e atentos, transpareciam concentração, como se sempre estivesse observando e processando tudo ao seu redor com calma.

Ao todo ela parecia uma pessoa muito séria.

“Prazer em conhecê-lo.” Começou sua vizinha repentinamente, assustando-o um pouco. “Me chamo Kazeyama Barami.” Seus olhos castanhos o fitaram com muita intensidade, analisando cada pedaço visual.

“O-O prazer é todo meu.” Respondeu o garoto surpreso ganhando um aceno robótico da garota, que voltou sua atenção para frente.

Aquele era o início da sua nova vida escolar na Wings Academy, Van esperava que nada desse errado ou algo maluco acontecesse...

Ele tinha acabo de se azarar...

Não é?

....

....

....

CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO DE KINGU:REVAMP...

Notas finais
Enfim, foi isso, vou tentar atualizar mensalmente ou bimensalmente, ou se for muito ruim, até três meses. Sabem como é, tenho toda a nova história na cabeça, bem, pontos chaves dela, que trabalho por cima sem anotar nada por que tenho medo de esquecer, mas é dificil colocar no papel sem ficar com preguiça. Até o proximo capítulo, que provavelmente vai ter bastante ação, talvez. meh.