Notas iniciais
Mano Eu To Acabando Uma fic ...

Meses depois.

— Eu acho que prefiro creme de avelã, mas frutas vermelhas também seria ótimo!

— De acordo, mas e sobre o estilo do buffet?

Sakura ficou só observando aquelas duas, parecia que eram elas que casariam e suspirou, olhando Sarada deitada de bruços no tapete. Já debatia as perninhas e queria tudo na boca, mas ela estava bem resoluta de não deixá-la comer nada sólido até os seis meses.

Ainda mais, se constado que Sarada teria a influência de um pai e um irmão que de muita boa vontade a entupiriam de hambúrgueres, sorvete e chocolate na primeira oportunidade.

Levantou e foi preparar um café, sabendo que aquelas duas atormentariam seu juízo por boas horas ainda.

Que Mikoto estava vibrando com os preparativos, não a impressionava, mas ter Mebuki ao redor ainda era meio aborrecedor. Porém, ela tinha um bom talento em se enfiar nas coisas e ir tomando as rédeas e Sakura já havia percebido que organizar um casamento, quando se tem filhos pra cuidar, casa, trabalho e muita gente afim de dar pitaco, não era fácil.

Ela ainda estava reabsorvendo a palavra casamento outra vez, mas estava feliz de estar no controle de tudo e definitivamente pronta e segura para iniciar isso (embora meio que já estivesse bem iniciado).

No momento só estava chateada com Sasuke, ele parecia bem seguro de que sua única participação nos preparativos era tirar medidas pra maldita roupa, e se ele continuasse enrolando mais, ela iria casar com seu corpo morto, somente.

Retornou para a sala, com a bandeja e deixou-a sobre a mesinha, voltando a se sentar e pegando Sarada no colo.

— Então, querida! Como acha o buffet pode ser? Algo mais alto nível como um bom chefe preparando alguns pratos na hora ou comida mais caseira? – Mikoto disse.

— Quer saber? Pergunte ao Sasuke.

— Sakura, sei que ele está fazendo corpo mole, mas é assim que é pra eles, acham que o que importa é pedir e depois dizer sim no dia. Se deixar nas mãos de Sasuke, seus convidados vão comer batatas fritas e cerveja.

Sakura quase disse que nem tinha nada contra o cardápio, mas estaria mentindo se não dissesse que queria uma festa perfeita.

Mas, como tudo poderia dar certo com Sasuke sendo o noivo?

— Então mandem ele escolher os convites, sei lá, eu tenho um bebê pra cuidar e manter um certo malandrinho com notas decentes.

— Ele logo vai chegar e vocês decidem isso juntos!

— Saco...

Sakura deixou-as novamente discutindo mais opções, e foi fazer o almoço, Sasuke veio para casa somente por causa dessas discussões do casamento, ao menos isso.

Ele entrou pela porta da cozinha, com Gibson no encalço, assoviando como se a vida fosse uma grande cerveja gelada.

— Tem cerveja?

Sakura ignorou, enquanto colocava os pratos na mesa e ele foi até a geladeira.

— Olha só, minha princesinha. – Disse, parando onde Sarada agora estava. — Quer a cerveja do pai? Não, só depois dos quarenta, apesar que o pai acha que freiras não bebem cerveja...

— Ah, cala a merda dessa boca, Sasuke.

— Mamãe está uma fera, deixa eu ver sua fraldinha... – Ele riu, mas logo viu que a faca que a mulher tinha realmente poderia ser atirada em si e parou. — Okay, sou inocente.

— Idiota.

— Sério, o que foi que eu fiz?

— O que foi que não fez. Estas duas estão me perturbando a manhã toda por causa do casamento, sendo que eu vou casar com você, não com elas, então algo está bem errado.

— Mas o que diabo eu poderia fazer? Eu não entendo nada de casamento, querida.

— Eu não preciso que entenda, preciso que tente ajudar.

— Certo, certo. Eu vou pra fogueira por agora.

Sasuke pegou o bebê, foi pra sala falar com as duas tagarelas, e dez minutos depois ele entendeu por que Sakura provavelmente já queria dar um pé na bunda dele e se mandar pro Caribe com as crianças.

— O que diabo é grinalda e por que não misturar porcelana com resina?

Ambas o encararam muito irritadas, e ele ajeitou o bebê no colo, meio que como escudo.

— Você é pior que seu pai, apesar que tive esperanças por saber trocar as fraldas da nenê certinho. – Mikoto acusou, realmente decepcionada.

— Eu sou pai e um garanhão excepcional, se também entendesse de casamentos seria injusto.

— Bom, você certamente não vai ter dificuldade de se achar excepcional num fraque de casamento, com essa autoestima... – Mebuki observou.

— Eu também fico bem sem nada, inclusive é o nosso modelo escolhido para a Lua de Mel.

— Se manca. – Sakura reclamou da cozinha.

— Sakura! Você tem que pensar no vestido logo, querida.

— Oh, já estou imaginando, branco, com renda, talvez cheio daquelas transparências sexys...- Ele comentou, pensativo.

Sakura retornou, mordiscando um pedaço de cenoura.

— Hm? E quem disse que vou casar de branco?

Por um momento, até Sarada pareceu encara-la a sério.

— Como é? – Ele repetiu logo depois da mãe, Mebuki bateu palmas e foi logo catando outras revistas.

— Mas claro! Por que não, vamos ver, as cores do ano são...

— Como assim, não quer casar de branco? – Sasuke entoou, atônito.

— Ah, querido é totalmente normal hoje em dia. – Mebuki abanou.

— E eu já casei de branco, ora. – Sakura deu de ombros.

— É, com Hidan, mas é comigo que vai casar agora, porra.

Sakura o encarou perplexa.

— Você realmente liga pra isso?

— Por que não ligaria? É o meu casamento também, quero uma noiva de branco.

— Esta me sacaneando? Vinte minutos atrás você estava cagando pra esse casamento! E qual é a da exigência? Estamos na era vitoriana agora?! Também não quer uma noivinha nova e virgem?

— Meninos, por favor.

— Você que está pirando, qual o problema com o branco? Vai casar como? De roxo? Azul? Vai costurar uma arma na saia também?!

— Ah, vai se foder. E dê aqui o meu bebê, otário! – Sakura catou a criança do colo dele e foi pro andar de cima.

— Isso mesmo! Olhe pra esse lindo bebê e pense se vai tirar dela a alegria de ver suas fotos de noiva branca!

— Você está senil!

— Você é que está!

*

Semanas depois.

— Não posso crer que você está com tanto ciúme do primeiro casamento dela que está implicando com algo assim. – Naruto declarou, Sasuke fez uma careta e sentou na ponta da mesa.

— Isso não tem nada haver...

— Claro que tem, Sasuke, de todos os detalhes de um casamento, o que menos tem importância pra um cara é o vestido. Vai por mim, isso é pras garotas, okay? Ela tem o direito de se casar como se sentir mais feliz.

— Mas qual o problema de branco?

— Sei lá, branco remete sempre á garotas puras e virginais, sua noiva já foi isso e não foi com você, supere e deixe-a ser quem ela é agora, com você.

Sasuke balançou a cabeça, ainda inconformado e chateado. Embora Sakura tivesse seguido com sua ideia até o fim e estivessem a semanas do casamento, esse era o único detalhe em que ainda estavam em total desacordo.

Buffet, lista de presentes, espaço, igreja, cores, convites, carros, e viajem de lua de mel tudo bem planejado e nos conformes, mas ele ainda queria sua noiva de branco.

Naruto riu, observando sua cara chateada.

— Hey, cara, um toque, quando você a vir chegando, vai achar ela tão linda que sua garganta vai secar e travar e mal vai dizer os votos como deve.

— Hn... Por isso fez aquele vexame todo?

— Mas claro, porra! Pelo padre de língua presa que não foi! – Riram.

Sasuke suspirou, ainda pensativo, e finalmente cedendo a curiosidade, Sakura não deixou muita gente participar da ideia do vestido, ou expôs muito como este seria. Ou talvez ele que tivesse se recusado a ouvir muito sobre.

Foi realmente infantil.

— Muito ansioso?

— Não sei dizer, é estranho, já vivemos juntos, muito vai mudar? Mas ela só havia experimentado a aliança... Realmente quero ver aquilo em seu dedo definitivamente.

— Eu estou tão emocionado de ouvir isso, cara. Meu amigão mais rodado que bolsa de meretriz se tornou um homem de valor!

— Vai se foder.

*

Mebuki estava perigosamente empolgada, Lisa reparou, mas não havia muito a ser feito, ela fez questão de vir e duvidava que Sakura ainda tomaria a dianteira para fazer algo assim.

Observou outra vez o bonito envelope de tom creme e dourado e não podia negar que estava um pouco decepcionada por ser apenas um, mesmo sabendo que não tinha o direito.

— E como vai com seu marido? Já decidiram ter filhos?

— Ah, ainda não, na verdade, decidi que gostaria de voltar a estudar... E Simon me apoiou.

— Sim? Que maravilhoso! Boa sorte então!

Lisa concordou, não muito segura ainda, inspirou desejando ter tido este mesmo apoio da mãe das tias.

— É. Vou tentar sim.

— Vai se sair muito bem, tenha certeza!

Elas ouviram claramente o motor do velho carro do pai de Lisa, não demorou muito para ambos chegarem pela porta dos fundos.

— Bom dia, papai e mamãe!

Kizashi as fitou com um pouco de desconfiança, mas se limitou a acenar com a cabeça e por as sacolas que segurava sobre a bancada.

— Mas o que essa mulher faz aqui, Lisa? – Delilah protestou.

Mebuki se levantou com um mero esgar e pegou o envelope, levando-o até o pai da filha.

— Não precisa se desgrenhar tanto, querida, só estou de passagem, vim a Lancaster rever alguns amigos e aproveitei para fazer esse favorzinho á vocês, por nada.

— Convite? – Kizashi ironizou um pouco, mas pegou o envelope e abriu-o, lendo ligeiramente. Fitou a mulher com desconfiança. — Sakura vai se casar?

— Mas o que?! – Delilah pegou o convite para si, quase como se pudesse comê-lo com os olhos. — E com que?! Uchiha? Dos Uchiha? Aquele Uchiha?!

— Ora, qual a grande surpresa? Eles já tem até um bebê, e não vamos esquecer de Noein, o adorável Noein!

— Ele é adorável mesmo! – Lisa teve que emendar.

— Ao menos parece disposto a fazer as coisas direito. – Kizashi resmungou. — Mas uma festa num hotel?

— Só por que está casando pela segunda vez não precisa ser tão simples... De novo? Os pais de Sasuke obviamente iriam querer uma festa memorável!

— Como assim, festa simples?! Eu mesma organizei o casamento de Sakura e foi espetacular! – Delilah repreendeu, vermelha.

— Com licença, mas alguém com experiência em fazer quermesses de igreja...

—Deixem de ser insuportáveis. – Ele cortou, aborrecido.

— Enfim, vim apenas anunciar a boa nova, se tiver de vir, esteja bem apresentado, sim? O traje é Black-tie, sim? Se precisarem de ajuda pra se situarem, não tenham vergonha de pedir, sim?

— É claro que sei o que Black-tie exige! Não me venha com esses afrontes absurdos! Sakura sabe que tenho muito bom gosto e tenho certeza que iria apreciar minha ajuda.

— Oh, não se incomode, não é necessário mais nenhum novo retoque, o casamento está indo totalmente ao planejado.

— Como assim? Já tem tudo planejado? Como ela no chama sem sequer considerar nossa ajuda, querido?!

— E eu entendo algo de casamentos? Eles podem bancar uma festa como essa? Não precisam de nenhum apoio?

— Não se incomode com amenidades, meu caro, Sasuke e Sakura até queriam algo mais intimista mas eu e Mikoto os convencemos a não poupar investimento nesse dia maravilhoso, além da lua de mel, claro.

— Sei.

— Tenho que ir agora, não posso ficar muito tempo fora da cidade mesmo. Até o mês que vem! – Dito isso, ela catou a bolsa, os óculos e saiu.

— Mas-mas e o vestido?! Damas de honra, ela não convidou nenhuma prima? O buffet?!– Delilah insistiu.

— Já está nas mãos de um grande estilista amigo meu, é claro. – Mebuki gabou-se, obviamente. — Sakura tem muitas amigas em LA, e o buffet será servido á francesa. Fiquem tranquilos, vai ser um casamento magnífico!

Lisa empurrou um copo de água para a mãe e seguiu Mebuki até o carro.

— Desculpe por ela, acho que ela adora demais ocasiões como essa... Mas ela vai entender que é importante pra você também, estar a frente dos preparativos.

— Oh, não se incomode, benzinho.

— Obrigada.

— Isto me lembra! – Mebuki remexeu na bolsa e tirou outro envelope e ofereceu a ela. — Sakura já tem tantas candidatas á damas de honra que a essa altura seria complicado por mais alguém sem que a coisa parecesse um desfile de moças bonitas na igreja, mas, espero que possa vir também.

Lisa segurou o envelope contra o peito, fitando-a em choque emocionado.

— E-eu posso mesmo?

— Mas claro, não vou negar que teve uma mãozinha de Sasuke para que mais convites chegassem a esse lado da família, mas se Sakura esta conseguindo trabalhar bem com a ideia de ter o velhote ali por perto, acho que o resto pode até ser tolerável, não?

— Entendo. Muito obrigada, obrigada mesmo! E eu já fui daminha no primeiro casamento dela, então acho que jeito ou outro está tudo bem em só assistir!

— Esplêndido! Nos veremos lá então!

— Sim, sim!

Mebuki acenou, por fim ligou o motor de seu belo conversível de estilo bem vintage e partiu.

Lisa apertou o convite consigo, absolutamente feliz com como tudo estava indo agora.

*

Dez de Setembro de 2018.

— Jesus Cristo. – Foi a única coisa que saiu de sua boca ao finalmente olhar-se no espelho.

— Querida, está fantástica! – Mikoto exclamou, ajeitando de novo a barra do vestido, Mebuki fazia o mesmo do outro lado, e Lídia se debulhava em lagrimas segurando o buquê.

Sakura continuou se encarando, horrorizada.

— Ela parece uma deusa! Uma princesa solar! Uma rainha! Esse casamento vai estampar as maiores revistas de casamento do país!

— Acalme-se, Mebuki! Prometeu que não enxeria tanto a cerimônia com fotógrafos.

— Oh, serão só alguns amigos importantes, se é que me entende, hahaha! Então, meu bem, como se sente?

— Horrível! Não posso me casar assim! Eu nem sei o que deu em mim pra casar!

— Oh, sangue de Maria! – Lídia ecoou antes de tombar ali mesmo contra um dos sofás.

Sakura desceu do banco onde estava e se aproximou do espelho, muito nervosa para aceitar a própria imagem agora.

Tudo estivera correndo com a melhor eficiência, mas agora a minutos de pegar carro para a cerimônia, ela sequer sabia o que estava fazendo.

— Você está maravilhosa, Sakura, não fique nervosa e não diga que não vai casar de novo na frente de Lídia, o coraçãozinho dela pode não aguentar. – Mebuki disse.

— E-Eu, não sei se posso fazer isso, sério, tudo de novo? E se der errado de novo? E se eu for um azarão que só aposta em garanhões de merda? Sem ofensa, Mikoto.

— Tudo bem, querida, é normal. Você estar fazendo de novo não significa que seja tudo igual, sim? Seu primeiro casamento foi uma coisa, o segundo será outra, e muito melhor. Modéstia a parte, aposto tudo no meu garanhão.

Sakura deixou os ombros caírem, e se afastou do espelho, indo se sentar no sofá, Mikoto gentilmente abanava Lídia e Mebuki lhe trouxe um copo de água.

— Acho que uma tequila cairia bem melhor. – Resmungou, bebendo.

— Haverá muita na sua festa! Agora respire fundo, aproveite pra pensar nos seus votos e no quanto Sasuke deve estar se contorcendo de ansiedade.

— Aham, sei, tanta que foi pra uma despedida de solteiro ontem.

— Vamos combinar que ele merecia...

— Humpf, é bom não aparecer nenhuma stripper grávida daqui nove meses.

— Na verdade, estávamos pensado na possibilidade de vocês encomendarem mais um bebê para nós mimarmos! – Sakura as olhou com horror.

— Oh, pelo amor de Deus, eu ainda posso sentir a dor quando lembro de por aquela bolinha Uchiha no mundo. Sinceramente, só arriscaria se algum anjo me enviasse a descrição do bebê, porque parir clones do seu filho não é muito animador...

— Oh, a graça está na surpresa!

— Mas não na dor, humpf. Quando o maldito carro vai chegar?

— Em até sete minutos, não se preocupe, até seu atraso de noiva está programado.

— Mas isso não faz com que deixe de ser um atraso...?

— Depende do ponto de vista.

Rachel adentrou a sala do ateliê toda esbaforida, apertada no vestido vinho que usava, e ainda trazendo uma caixa.

— Jesus! O trânsito está um inferno, Mebuki querida, melhor adiantar a saída dela daqui ou o atraso da noiva vai ser bem maior que o planejado! Meu Deus, amiga, você está divina!

— Calma, meu bem, calma. Isto é o segundo vestido?

— Siiim! Acabo de pegá-lo!

— Hã? Segundo vestido? – Sakura indagou.

— Acredite, querida, seu vestido é uma obra de arte mas não vai querer morrer dentro dele, este aqui vai para você depois das fotos e para o jantar e a festa.

— Puta merda.

Bateram na porta da sala e Mikoto atendeu, Lídia já estava desperta novamente embora um pouco tonta.

— O motorista chegou!

Sakura se levantou e fez menção de fugir pela outra porta, mas a cauda e o véu eram longos demais e muita gente a capturou de primeira.

*

Igreja de Saint Mary.

— Puta merda, eu não posso fazer isso!

— Casar?! – Exclamaram ao redor.

— Não, porra, aturar essa demora, diabos, ela vai chegar em Dezembro? E está um calor do caralho aqui.

— Sasuke, isto é uma igreja. – Itachi repreendeu.

— Desculpe. Está um calor do santo caralho.

Sasuke se sentou num banco, esticando um pouco a gola da camisa, queria enfiar a cara na bacia de água benta para se aliviar.

Esfregou as mãos nervosamente, estralando os dedos até doerem as juntas, seus votos estavam pela metade, não passavam de um bocado de rascunhos. Esperava que Sakura não fosse ficar muito zangada se pedisse pra pularem os votos.

— Sua mãe já está vindo, o ateliê não fica longe, relaxe. – Fugaku garantiu.

— Mil desculpas, mas quero saber da maldita da noiva.

— Hahaha, o motorista já foi buscá-la.

Noein invadiu a salinha trazendo Sarada embalada num vestidinho branco com flores douradas bordadas. Como pajem, ele usava um smoking preto com um pequeno arranjo de flores miúdas em torno de uma tulipa amarela no bolso e o cabelo estava começando a se rebelar contra gel.

— Não aguento mais segurar ela.

— Ela está chorando? – Sasuke pegou-a e Noein sentou ao lado, com uma careta chateada.

— Ela é pesada! E todo mundo quer ver e apertar ela, gente que nunca nem vi, então não posso deixar a bolinha girar por aí na mão deles.

— Faz certo, deixemos ela aqui até que a mãe chegue.

— A minha ou a sua?

— Tsc, ambas, mas procure a mamadeira dela, não vamos correr o risco dela chorar durante a cerimônia.

— Pelo menos alguém não vai passar fome. – Noein se levantou e se arrastou pra fora de lá.

Naruto estava controlando seus pestinhas antes de vir até eles na sala.

Além de Noein como pajem que levaria as alianças, Boruto e Himawari, Dayse e Theo seguiriam como pajens e daminhas, além da entrada de Ino, Karin, Matsuri, e Rosie como damas de honra.

Sasuke escolheu Naruto, Itachi e Kakashi como padrinhos e Sakura escolheu Rachel, Hinata e a própria terapeuta como madrinhas.

Era tanta gente direta e indiretamente ligada a eles, todos ali pra testemunhar até onde foram juntos e de onde resolveram abrir um novo caminho.

Ainda que sua relação com Sakura fosse só dele e dela, era impossível não se sentir responsável para que tudo desse certo, não decepcionar tanta gente que estava ali apoiando-os.

Mas havia sempre o famigerado e se e o traiçoeiro inevitável.

Restava eles lutarem todos os dias para driblar qualquer coisa que tentasse empurrá-los do caminho que escolheram.

Não importava quantas duvidas houvessem, medo de vacilar ou de fraquejar, no fim ele ainda queria estar exatamente ali, vivendo esse dia.

Se havia certeza maior que essa, desconhecia.

— Sasuke, está na hora. – Mebuki anunciou, da porta.

Sasuke se levantou com uma das suas maiores vitórias de vida no colo e olhou-a.

— Está ouvindo, princesa? Hora de amarrarmos a mamãe com a gente pra sempre.

*

— Meu. Deeeeus! Você está absolutamente linda! – Ino esgoelou-se quase falando num único e curto puxão de ar.

Sakura quase a estapeou para longe de si, não fazia exatamente calor mas estava quase sufocando dentro da roupa, do momento, das horas.

— Parece uma deusa, tem certeza que não posso te acompanhar pra lua de mel? – Matsuri indagou com uma vozinha fragilizada e manhosa.

— Por que você quer isso? – Rosie inocentemente indagou.

— Nem queira saber...- Karin avisou. — Está incrível, Sakura, Sasuke vai enfartar, que aposta?

— Aposto vinte! E acho que Sai apostaria cem, hahaha!

— Trinta dólares, que ele vai ficar sem palavras! – Rosie chutou.

— Cinquenta que vai deixar as alianças caírem! – Mikoto disse, animada, Sakura a encarou feio. — O quê?

— Primeiramente que se ele fizer qualquer merda esta festa vai virar um enterro.

— Se acalme, meu bem, vai sair tudo perfeito!

— Meninas! Está na sua hora! – Mebuki anunciou, começando a tocá-las em direção as portas de acesso a igreja.

— Quem vai na frente? Eu? – Ino disse.

— Claro que não, se manca. – Karin a empurrou.

— Ordem de altura, Matsuri, Rosie, Karin e Ino.

— Que injusto!

— As baixinhas comandam! – Lupita gabou-se.

— Segurem esses buquês direito. – Mebuki cortou, muito rígida, e volou-se para o pequeno radio que segurava. — Elas estão prontas, pode soltar a música das damas.

Logo uma introdução ressoou por todo o prédio, e as portas foram abertas, dando a visão da igreja com capacidade para quase trezentas pessoas bastante cheia, o tapete era cor creme, pétalas de flores ao longo dele assim como vasos juntos aos bancos, Sasuke se virou, inquieto, mas ainda eram só as damas.

As portas fecharam-se novamente e Sakura se levantou.

— Muito bem, já sabe como é, as crianças estão chegando.

— Sarada está bem? Não está irritada?

— Ela está com Izumi, comportada como uma dama.

— Ah, ótimo.

Mikoto veio de uma ante sala lateral trazendo as crianças no encalço.

— Muito bem, queridos, do jeitinho que treinamos, sim?

— Ooooh! Tia Sakura parece uma princesa! – Boruto exclamou.

— Oh, obrigada, meu bem, você também parece um príncipe.

— Está incrível. – Noein disse, ao lado dela.

— Obrigada, como está o malandro?

— Até se parece com gente hoje.

— Acho que não poderia exigir mais...

— Muito bem todos em posições, já podemos soltar a música da-...

— Espera! – Sakura cortou, afastando-se e empurrando o buquê para a sogra. — Deixe-me respirar, okay? respirar...

— Certo, meu bem

Sakura respirou e respirou, andou de um lado para outro, discutiu consigo mesma e as crianças riram disso, bateu já própria testa, e até arrisco rezar depois de um bom tempo.

Respirou fundo outra vez, retornou para a posição e pegou de volta o buquê. Encarou as portas ainda afobada, em pânico, mas assentiu.

— Tudo bem, pode começar.

— Tem certeza?

— Antes que fuja pelos fundos. – Ela forçou entre o sorriso.

— Okay. Podem soltar a...

— Espera. – Noein interrompeu.

— Jesus Cristo! – Sakura exclamou, quase pulando.

Noein saiu da frente dela e deu a almofada de brilho dourado onde as alianças estavam atadas para Boruto.

— Pode levar isso?

— Querooo!

— Obrigado.

— Que está fazendo? Esta com dor de barriga? – Mebuki indagou.

— Eu vou obter uma ulcera até o fim deste casamento. – Mikoto gemeu.

Noein parou ao lado de Sakura, oferecendo o braço.

— Eu levo você.

— Me levar...? – Ela gaguejou, desconcertada.

— Aham, eu quero ver a cara do velho em primeira mão com você, certo, mãe?

Sakura não sabia se foi por pura boa intenção ou seu jeitinho cara de pau de sempre, por que só quis chorar mais quando ele disse aquilo.

— Está querendo rir da minha cara borrada junto com seu pai? – Fungou, passando o braço vago ao dele.

Noein ergueu o queixo, com sua presunção inata e ao mesmo tempo pueril e doce de sempre.

Sakura sentia tanto orgulho dele, e de ser chamada de mãe por ele, mesmo que não houvesse ainda nada que comprovasse oficialmente isso, ele já era dela e de Sasuke e nada mais mudaria seus corações quanto a isso.

Talvez Noein fosse o único que devesse levá-la até Sasuke mesmo, ele estar naquele parque, ser achado por eles, certamente foi o que selou os dois juntos mais do que o filho que ela havia perdido, uma criança para unir, uma para selar, outra para confirmar, e quem sabe mais algumas para reforçar este último viriam.

— Tudo certo, podem soltar a música da noiva.

— Oh, deixe-me ir para meu lugar! – Mikoto exclamou, em seguida fugindo para chega ao altar discretamente.

As portas se abriram.

*

— Jesus, esta mulher está sendo teimosa e vindo puxada por um camelo? – Sasuke reclamou para os padrinhos. — Ela não devia entrar seguido das damas?

— Quer uma água? – Naruto disse.

Sasuke bufou e deu mais uma olhada no bebê, Sarada estava bastante tranquila no colo da tia e Kenton parecia sossegado também, ele poderia ter sido um pajem mas era o tipo irritadiço ao extremo com eventos assim e Sakura não quis fazer chantagem emocional com ele mesmo ele a adorando.

Finalmente a música da noiva começou a ressoar pela igreja e ele se voltou para a frente, inquieto e praticamente se coçando de ansiedade, as portas se abriram, as daminhas de pajens vieram primeiro e ele estranhou Noein não estar logo atrás deles com os anéis e reparar que Boruto era quem segurava a almofadinha.

— Por que deram a almofada pro pestinha? – Naruto disse.

— O pestinha é seu filho... – Hinada soprou do outro lado.

— Por isso mesmo estou preocupado. E se ele comer as alianças?

— Não é Himawari que faz isso? – Sasuke disse, aliviado que a miúda estava muito satisfeita em levar seu cestinho com pétalas e joga-las pelo chão (ou comê-las).

Mikoto chegou bem rápido ao banco da frente reservado ao lado da família do noivo, o esquerdo e logo Mebuki veio, em seu deslumbrante vestido de tom verde oliva e sentou-se com todo prazer ao lado de Kizashi para o ódio de Delilah se ampliar.

Sasuke esperava não ter que lidar com duas velhas se estapeando no meio do casamento.

Só então viu Noein ao lado de Sakura e sua garganta começou querer pinicar do nada.

Por que diabos não pediu uma água?

Por que diabos ainda teve esperanças de ela estar de branco?

E por que diabos ela estava tão deslumbrante que nem parecia real?

— Jesus Cristo. Olhe isso.

— Ele certamente está olhando, filho. – O padre comentou, satisfeito.

Sasuke puxou a manga de Naruto repetidamente.

— Olhe esta fodenda filha da mãe, Naruto, eu realmente estou achando ela linda ou é efeito da abstinência de uma semana que ela me fez passar?

— Não sei, talvez ambos? Hinata não veio com esse lance não.

Naruto!

— Sua esposa é uma boa esposa, eu vou casar com o diabo, esqueceu? O mini diabrete até está trazendo ela, Cristo.

— Sasuke. Maneire ou vocês vão casar na rua...- Itachi pediu.

Ele nem respondeu, apenas encarando-a com aquela cara quase encabulada, o vestido era praticamente dourado como o de uma fada ou coisa assim. Expansivo e magnifico, o véu longo jogado para trás e um buquê das flores favoritas dela. Ele provavelmente deveria ter adivinhando a cor do vestido de cara, mas ele nem sabia dizer o próprio nome agora.

Isto realmente estava acontecendo.

A garota frígida e arrogante do colegial.

A mulher fria e apática que veio trabalhar ao lado dele.

A criatura ferida e repleta de magoa e angústia que ele consolou ao mesmo tempo que o ensinara tanto sobre o significado de valorizar família, amigos, trabalho, os laços e desenlaces da vida.

Era ela que estava diante dele agora para assumir mais um compromisso, um enlace completo?

Tão resplandecente e quente, Sakura parecia a nova mulher dada a demonstrar emoções, afeto, amor incondicional que ele sempre soube que poderia ser e almejara ver somente por que ela merecia.

E além da sorte de ver isso, ele ganhou a de estar ao lado dela nessa nova fase e para sempre?

Era quase muito para processar.

— Ei velho, sabe que tem câmeras pegando essa sua cara babada? – Noein disse, assim que pararam ante ele.

— Eu vou dispensar o babador agora até por que acho que não ajudaria o bastante. – Ele declarou, sempre fitando-a. Noein fez um muxoxo, obviamente esperando uma bronca, mas o cara estava tomado.

— Okay, pode pegar. Só não a levei por que ainda não tenho carteira.

Sakura riu, já se sentindo idiotamente envergonhada com o olhar de Sasuke.

Ele sacudiu a cabeça e abraçou Noein forte.

— Obrigado por ter trazido ela ainda assim, filho.

Noein assentiu, deixando Sakura juntar a mão com a dele, ela entregou o buquê para a pequena Dayse e Sasuke esperava que ela não fosse de fosse flores ou as solteiras do casamento ficariam bem chateadas.

Ambos se entreolharam antes de se voltarem para o padre.

— Quando eu tiver uma palavra certa pra dizer o que senti quando te vi, eu digo, certo? – Sasuke sussurrou, ele realmente não podia deixá-la achar que não queria elogiá-la.

Sakura piscou, surpresa e sorriu encabulada.

— Certo, mas vai ter que achá-la até o fim da cerimônia.

— Combinado, parceira.

— Certo, parceiro, e desculpe o atraso.

— Não estava combinado?

Ela pendeu a cabeça pra um lado e pro outro, sem responder e Sasuke a fitou, chocado.

Realmente tentou fugir?

— O garoto não tem carteira, fazer o quê?

— Arrombadinha filha da...

O padre tossiu e ambos se voltaram para ele, Sakura segurando o riso.

— A gente termina essa conversa depois, majestade. – Sasuke desdenhou e ela acabou cuspindo uma risada bem quando a igreja já estava em silêncio completo.

— Oh, perdão.

— Foi de propósito sim.

— Cala a bocaaaa.

O padre já os encarava entre desgosto e riso, e deu início ao sermão, ficar de joelhos por mais uma hora foi mais fácil do que processar que a hora dos votos estava chegando.

Sasuke adoraria se esconder sob o véu de Sakura para tentar escrever algo nas folhinhas amassadas dentro do bolso mas duvidava que ela deixaria sem enfiar o buquê em sua goela.

— Eu tenho mesmo que levantar? – Disse, o padre assentiu, apesar de estranhar e Sakura se levantou primeiro.

— O que foi? Perdeu a força nas pernas?

— Antes fosse...- Ele suspirou, se erguendo.

— Sasuke, diga seus votos. – O sacerdote incentivou e ele se voltou para Sakura que o fitou, muito desconfiada já.

— Você não fez os votos. – Concluiu.

— Errado, eu só não terminei.

— Alguém me dê o maldito buquê. – Sakura exigiu olhando por sobre ombro.

— Quem precisa de roteiro, ora. Vamos lá, eu posso fazer isso sem colar.

— Desde quando? Nem na escola era assim...

— Eu sou testemunha. – Naruto admitiu, Sasuke mandou se foder com um olhar e então virou para ela, segurando suas mãos.

— Acho que não posso mesmo chegar aqui e dizer meus votos, ou simplesmente dar um por quê a toda essa gente de eu estar casando com você agora. Mas... Acho que isso é completamente esperado vindo de mim, de como eu sou com você. Por que em se tratando de você, eu nunca fui realmente capaz de parar a mim mesmo. E acho que isso é um dos meus maiores medos em relação a esse casamento. Como eu vou me parar, se acabar começando a machucar você?

Sasuke baixou os olhos, olhando suas mãos entre as próprias.

— Mas... Ao mesmo tempo me parece que foi inevitável chegar até aqui. Passei meses me perguntando se não estava apenas te arrastando imprudentemente por aí. Quando você não sabia o que queria fazer, ou quando estava com medo de fazer, eu te empurrei, mas você que me empurrou mais longe ainda. Me tirou uma velha apatia que eu não sabia que estava vivendo, renovou meus objetivos, e me fez ver que eu sou capaz de mais e até melhor e isso, eu não vou ser capaz de te agradecer o bastante.

Sasuke ergueu as mãos dela até o rosto, beijando-as e inspirando.

— Eu ainda não descobri como dizer o quão linda você está hoje. Ainda assim, você me aceita?

Sakura o encarou atônita, quase esquecendo que era sua vez agora.

— Eu... Eu... Eu esqueci.

— Oi?

— Eu esqueci tudo. – Ela afirmou, chocada, cocou a testa olhando até para os convidados que começaram a rir. — Cacete...

— Rapaz, saiu melhor que eu esperava, hein? – Sasuke disse, até respirando com mais tranquilidade agora.

— Você armou isso!

— Não me culpe por sua falta de talento pra falar em público, benzinho.

Ele falou de propósito para a oradora da turma do terceiro ano. Haviam muitos ex colegas deles entre os convidados, gente que literalmente só veio pra ter certeza de que o convite não era uma piada.

Sakura inspirou, entre irritação e nervosismo, voltou a segurar as mãos dele e encará-lo.

— Eu tinha a droga dos votos, que apesar de não estarem exatamente como eu queria. Estavam ao menos decorados mas... Eu também acho que não posso ser plenamente fria em relação a você. Você é o pirralho babaca que fazia a escola ser menos maçante, admito. Era divertido te humilhar...

— Não vamos pensar muito nisso...

— É, sério, era divertido. A seu modo, mas eu era imatura demais o que era realmente viver, ser uma garota normal, e você de alguma forma, mesmo que só um pouco, ajudou-me a me moldar, eu por isso, eu agradeço.

Sakura inspirou, trocando o peso nos pés enquanto escolhia mais palavras.

— Tem muitas coisas que eu tenho que te agradecer... Coisas tão tolas até, mas que se você não tivesse me dado, eu não sei onde eu estaria agora, e isso me envergonha um pouco, e então desculpe por que só estou sendo orgulhosa demais para admitir. Você me deu sua casa, me deu seus amigos, deu um significado ao meu trabalho na polícia quando me fazia ver o quanto você amava fazê-lo... E você me deu até mesmo um pouco da sua família quando eu não sabia o que era ter isso mais... E você foi tão incansável, que me levou pra terapia mesmo quando... Quando isso também machucava você.

Sasuke soltou o ar, também se remexendo, pensar naquilo sempre cutucaria uma ferida sarada no peito dele. Ver ela chorando ao lembrar, era sempre doloroso e sufocante, mas continuou encarando-a e deixando-a continuar e soltar tudo.

— Eu queria tanto ter tudo aquele bebê. – Sakura liberou, e soluçou. — Desculpe, desculpe, não estava no roteiro.

— Continue improvisando, querida.

— Eu queria ter tido o bebê, nós temos Noein, e nós temos Sarada, mas eu só queria ter podido te dar aquele bebê. Pois embora a gente tenha chegado a achar que não, eu só confirmo a cada dia que você é um pai maravilhoso demais para merecer passar por aquilo, então só me desculpe. Me desculpe por ainda pensar nisso, se isso parece muito egoísta. É apenas a verdade, eu queria te dar tudo que você merece, por que você me deu absolutamente tudo o que você tinha... – Ela jogou os olhos por sobre os ombros, mirando Noein no banco junto a tia e a irmã. — E, e ainda foi muito mais longe para me dar muito mais. – Ela encarou aquele homem mais uma vez e completou. — Eu nunca vou ser capaz de pagar por tudo isso, mas você me aceita ao seu lado para tentar?

— Eu... Posso responder ou ainda tenho que esperar você, padre?

— As alianças, por favor. – Ele pediu, Boruto salto o banco, cheio de pompa e trouxe a almofada.

— Está fazendo ela chorar. – Acusou.

— Eu sei, desculpe. – Sasuke pegou as alianças e Sakura beijou a cabecinha dele.

— Nós sabemos quem seria um noivo melhor, não é? Obrigada, querido.

— Você aceita essa mulher, filho?

— Eu ainda poderia querer outra? Sim, eu aceito.

— Filha?

— Sim.

Boruto retornou ao banco como se tivesse ganhando a noiva de vez. Sasuke repreendeu Sakura com o olhar por iludir o menino assim.

Pegou o anel dela e levou ao seu dedo enquanto declarava solenemente.

— Eu, Sasuke Uchiha, te recebo, Sakura, para amar e cuidar, respeitar e adorar, por toda a minha vida, até o fim, e depois dela.

— O quê? Vai me perturbar tanto tempo?

— Aham, e agora não dá pra voltar atrás, majestade.

— Hum. Eu, Sakura Haruno, te recebo, Sasuke, para amar e cuidar, adorar e respeitar, por toda a minha vida, até o fim. E depois do fim.

— Então assim será, pelo poder de Deus a mim concedido, vocês são agora, marido e mulher.

— Amém.

— Amém.

— Já pode beijar sua noiva, filho.

Naruto deu o primeiro grito de viva, e Sakura revirou os olhos enquanto Sasuke a puxou de uma vez.

— Finalmente, porra.

Beijou-a duro e talvez até impropriamente, logo veio a parte civil, Sakura assinou o documento enquanto ele já tinha Sarada no colo, que havia chego a o limite da paciência, ao que parecia.

Ela ofereceu a caneta para ele e pegou a criança.

— Oh, que mau humorada, hum?

— Esta ansiosa pela melhor parte, não é, querida? Festa! – Sasuke exclamou, erguendo a caneta.

Sakura continuou levando o bebê ao longo do tapete com arroz e pétalas chovendo sobre eles, a limusine preta já esperava em frente e Noein correu para dentro dela assim que mais algumas fotos foram tiradas.

— Primeira rodada vai ser de tequila, hein?! – Sasuke gritou antes de entrar, Sakura acenou com o bebê no colo e o buquê.

— Jogue o buquê! – Ino gritou.

— Aqui! Aqui!

Ela negou, Sarada estava entretida com as flores e claro que ela não dispensaria torturar mais um pouquinho.

— Até a festa!

O veículo partiu, Noein ficou de pé com a cabeça pra fora da abertura do teto e Sasuke abriu o champanhe servindo as taças.

— Você não disse o que devia dizer até agora. – Ela o lembrou, ele admitiu e beijou-a.

— Mas eu sei porque não consigo definir.

— Sabe?

— É porque te amo. Acho que não tenho como definir além disso.

Sakura beijou-o de volta.

— Acho que posso aceitar isso. E talvez eu também te ame...

— Talvez?

— Uhum.

— Posso aceitar isso, vou ter tempo para te fazer confirmar, começando por hoje a noite.

— Vamos ver.

— Aah, já acabou? – Noein reclamou, quando o veículo parou.

— Depois você dá uma voltinha de novo, com as crianças, ou quem sabe algumas meninas...

— Não comece com o mau exemplo. – Sakura avisou, desceram do carro, a equipe que organizava a festa já os recebendo e levando até o salão. Não demorou muito para os convidados chegarem dada a curta distância entre igreja e hotel.

— Mais fotos com a família. – Sasuke suspirou. — Não foi pra evitar isso que chamamos alguém pra filmar?

— Foi pra pegar sua cara babada em tempo real. Quando vão cortar o bolo?

— Calminha, querido, espere as pessoas chegarem.

— Mas por que?

Os quatro ocuparam uma das mesas mais próximas ao bolo de quatro andares estilo naked, de massa escura e recheio amarelo com muitas frutas e açúcar salpicado por cima.

Noein estava se contorcendo de fome e amor por aquela mesa.

Então veio a parte chata e divertida ao mesmo tempo, falar com parentes e amigos, receber elogios sinceros, outros nem tanto. Nenhum casamento era totalmente perfeito se não tiver imperfeições afinal.

— Eu não acredito que você sabe mesmo valsar...- Sakura admitiu, enquanto rodopiavam no centro do salão.

— Você me subestima. Eu dancei com muitas debutantes, culpe a minha mãe.

— Achei que a graça de debutar fosse dançar com um bonitão famoso...

— Eu já fui modelo e quaaaase ator, esqueceu?

— Eu só não engoli mesmo.

Sasuke revirou os olhos, girando-a, abraçou por trás.

— Sobre os votos... Concluí que você é muito generosa, tanto que pensa sempre que não está dando o bastante, mas você me dá, sim?

— Certo... Podemos, só dessa vez, definir como um empate?

— Completamente de acordo, majestade.

— Okay, majestade.— Sasuke demorou para entender, mas não deixou de adorar a sensação disso.

Finalmente eles alcançaram um ao outro.

*

— Mãe. – Noein chamou, Sakura se voltou para ele pronta a dar só mais uma fatia de bolo, mas ele estava ao lado da sra. Nielsen e segurava uma caixa.

— O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Disse, um pouco mais alto por que ao redor da mesa estava cheio de colegas de Sasuke e dela inclusive da marinha.

Sakura havia convidado seu antigo time da Navy Seal, mesmo sem ter certeza se eles poderiam estar lá. Mas até seu comandante veio, ela não poderia desejar nada de tão melhor pra esse dia.

— É que eu ainda não dei meu presente. – Noein disse, oferecendo.

— Presente...? Certo então, o que aprontou? – Ela pegou, ansiosa. — Sasuke pode ver depois, estou curiosa e ele não vai largar o bebê ou a tequila tão cedo.

— Pode sim. Ele vai me dar cascudo de todo jeito.

— Hmmm.

Sakura desatou o laço em torno da caixa, abriu-a e fitou uma espécie de porta retratos com um documento dentro.

Ela soltou a caixa no chão enquanto lia e Nielsen acenou para Sasuke se aproximar.

— Opa, o que temos de bom?

Sakura caiu no chão, as pernas emboladas no segundo vestido da noite, um modelo mais leve cheio de contas douradas pelo tronco. Ela só começou a mais gritar do que chorar e ele quase caiu junto, assombrado com o que pudesse ter havido.

— Diabos, o que houve?

— Meu bebê, meu bebê!

— Que bebê? Sarada? – Sasuke rodou os olhos achando a filha calmamente lambendo os dedos sujos de bolo no colo de Itachi.

Sakura puxou Noein pra si, o cobrindo de beijos e abraços.

— Ele é nosso bebê, nosso bebê agora! Sasuke é só nosso! Nosso!

Sasuke olhou para a certidão de nascimento no quadro, nova, os nomes dele e de Sakura lavrados ali como se Noein sempre tivesse sido deles, ele agora tinha seu sobrenome assim como Sarada, assim como Sakura.

— Está brincando comigo? Quando isso...?

— Ele pediu para eu não contar. — Nielsen confessou, sorridente.

— Seu filho da...- Sasuke nem teve certeza de acertar a cabeça dele com um cascudo, só de os ter entre os braços. — Você é meu, sua peste! Entendeu? Entendeu?! Meu filho, caralho! Meu filho!

Sasuke empurrou o porta-retratos para o pai, ao redor assim como mais um monte de gente antes preocupada.

— Está lendo isso, meu coroa? Eu tenho um filho! Um filho, porra! Tragam a maldita champanhe!

Mikoto tomou o documento, iniciando um choro feliz logo em seguida, o porta retratos passou por todo mundo praticamente, e demorou um pouco mais para cumprimentarem Noein por que ele estava totalmente sob as asas dos novos pais e fungando pra não chorar envergonhado por que Sasuke já estava andando pelo salão inteiro gritando que tinha um filho menino agora e oficialmente e Sakura chorando abraçada a certidão.

Podia ser um plano dele para pegar os pais de surpresa, mas ele não estava preparado pra receber tanto amor e felicidade de volta.

A festa saiu do ritmo da música clássica dirigida por uma pequena orquestra, Sakura lançou o buquê e que caiu para Mebuki, que ainda não fez questão nenhuma de abrir mão dele.

Delilah arrastou o marido para o mais longe possível, mas foi Kakashi que inesperadamente distraiu a mãe de Sakura numa conversa bem empolgada.

O movimento no salão foi diminuindo, amigos bêbados foram sendo despachados e Sakura sentou na beira de uma fonte na parte externa do hotel para mais algumas fotos com o segundo vestido.

Sasuke já estava bem alto, sua gravata tinha sido cortada mas implicou mais por terem pego uma das meias dela.

— Olhe só pra essa beldade. – Comentava, com as mãos nos bolsos e ela bufou rindo, constrangida com o fotografo que apenas concordava.

— Você não ia beber toda a tequila? Caia fora!

— Ah, eu quero beber sim. Mas deitado? Enfim, você é tão linda. Quer dizer, linda e metida, agora acredita que estamos casados?

— Não espalhe mais isso!

— Nossos amigos da escola estão em choque e até vingados. Quem diria que a rainha de gelo casaria com esse mané que ela tanto desde havia, hein?

— Cala a booocaaaa! Eu tenho uma reputação! – Ela gargalhou. Fiquei a noite inteira fazendo a cabeça deles pra acharem que só estou casando pela sua herança!

— Que herança? Nem você tem mais herança, nossos filhos lindos vão receber tudo, por isso deixei a Sarada tanto tempo com seu avô maluco.

— Hahaha, você não presta!

—Hey, Sasuke! Venha aqui, seu cuzão! – Naruto, completamente bêbado mas como Sasuke não estava bem das pernas, acabou sendo arrastado de volta pra dentro.

— Pago um extra por fotos bem vergonhosas deles. – Sakura ofereceu, o fotógrafo tirou uma última dela.

— De acordo, madame. – E foi logo atrás de ambos. Sakura suspirou, finalmente relaxando um pouco, pegou novamente a certidão de Noein e ficou abraçada nela.

Kizashi chegou até ali, mancando mais de cansaço que da perna ruim, e sentou ao lado dela.

— Sua irmã bêbada... É algo assustador.

Sakura devia concordar, Lisa havia descambado na tequila provavelmente pela primeira vez na vida e definitivamente liberou muito mais que algumas besteiras de bêbado. Simon finalmente poderia dizer que a conhecia por inteiro agora.

— Os três idiotas, ao menos onde bebem, caem. – Comentou, lembrando dos irmãos que talvez ainda dormissem num dos sofás lá no salão.

— Soube que estão trabalhando muito na empresa de segurança. – Ele suspirou, silêncio preenchendo o ambiente como já estavam acostumados. Kizashi olhou-a de lado, sempre abraçada com aquela certidão.

Para ele era um pouco estranho imaginar uma criança já tão velha como neto, não o viu nascer nem acompanhou nada sobre seu crescimento, sequer sabia suas reais origens e ele já estava dentro de sua família, além que parecia ser um tipo bastante espaçoso que tomava intimidade rápido.

Delilah não processava que a chamasse de avó, mas também já implicava por ele chamar Mebuki avó, então isso já devia ser um bom começo.

E havia a outra miudinha, ele realmente esperou que fosse sair menino, mas agora até fazia sentido e era geniosa como a mãe quando novinha.

Havia um genro que ele não ia com a cara, e também toda uma família para passar a conviver e dividir momentos. Mas havia coisas que ele devia fazer e ainda não conseguia, coisas que devia dizer mas não sabia como, e outras coisas para processar que eram mais sobre si mesmo do que sobre seus filhos, e esta filha.

— Está feliz? – Indagou, pela primeira vez.

Sakura ergueu os olhos e o encarou, somente assentindo.

Kizashi enfim concordou, passou o braço em torno dela, deixando a cabeça descansar em seu ombro.

— Então está tudo bem, muito bem. Tudo valeu a pena.

Sakura suspirou entrecortado, e se permitiu aceitar o afago e as poucas palavras hoje, pois era muito fácil agora, aceitar o pouquinho que ele estava se esforçando para dar.

Ela já estava completamente preenchida por milhares de outras coisas, como nunca esteve antes, de modo que mesmo que uma parte sua sempre fosse inconformada de não ser tratada como Lisa, isto já não a maltrataria como antes, pois ela se tornara muito mais que alguém que desejava ser uma boa filha.

Então, ela poderia calmamente esperar que, eventualmente, ou não, pudesse ser capaz de ouvir todas as palavras que queria ouvir, pois tendo isso ou não, ela já era completamente feliz.

*

Sasuke se encostou na porta, observando Sakura namorar a imagem dos dois filhos deles dormindo num dos quartos reservados do hotel.

— Eu não sei se quero ir e deixá-los. – Comentou.

Mas Noein ainda tinha escola, e Sarada já tinha seis meses, então poderiam ficar uma semana ou mais na casa dos avós enquanto eles viajavam. Só que ela nunca ficara tanto tempo longe de seu nenê, e Noein finalmente era só deles.

— Por que não decidimos isso amanhã? – Ele sugeriu.

Sakura cobriu-os com uma coberta e se levantou, indo até ele, fez menção de se livrar dos saltos.

— Talvez...

— Ei, não tire isso ainda, quero minha noiva inteira.

Ela revirou os olhos, saíram do quarto e seguiram até a suíte.

— Quer que eu ponha o primeiro vestido então? Estava tão implicante por não ser branco.

— Ah, eu já me conformei o bastante. – Sasuke abraçou-a por trás, aspirando seu cheiro, ela abriu a porta e ele a ergueu fazendo-a gargalhar e entrou, fechando a porta com o pé.

— Não é assim que se leva a noiva, idiota!

— Estou bêbado, se preocupe mais que eu consiga transar com você sem cair no sono antes.

— Vai saber se fez certo se acordar sem um olho roxo.

Sasuke a largou na cama, virando-a para si.

— Como eu disse antes, lua de mel preferencialmente sem nada. Então, teremos que tirar esse lindo vestido agora...- Afirmou, roucamente, procurando o fecho atrás do vestido, Sakura ergueu a coluna, facilitando o processo e sorriu daquele jeito quente e travesso que ele desfrutaria pra sempre de agora em diante.

— Isso me lembra, que eu tive pena de você, sabe? Por não ter te dado uma noiva de branco no altar.

— Sim? – Sasuke puxou o vestido por suas pernas e largou no chão. — Porra, sim? – Quis esfregar os olhos pra ter certeza de que ela realmente estava numa lingerie de pura renda branca para ele.

Sakura riu e o puxou para si pelo o que sobrou da gravata.

— E mais uma coisa. Você quer ir pra Vegas, e eu pra Veneza, que tal...

— Termos os dois?

— Exatamente. É um bom meio termo pra você, malandro?

— É tudo que um parceiro poderia querer, majestade.

Eles poderiam facilmente continuar competindo de agora em diante. Sem importar pelo quê, para quê, ou o que ganhar.

O valor não estava mais em quem ficava por cima, mas na competição que continuaria levando ambos campeões, governante e empatados sobre as batalhas da vida.

Não mais uma rainha solitária versus seu súdito rebelado.

Mas monarcas absolutos e completos dentro de seu próprio reinado.

Fim

Notas finais
Eu quase pus algo como "Fim por fim, feito por mim" mas isso ia cagar a finalização, eu sei. Mas é isto, acabou, fim da linha, não tem mais, adeus, tchau, q a porta bata onde o sol não bate... Maaaas, teve gnt q pediu um extra e eu acho q vou fazer sim, algo curto e fofis so pra fuder com a maravilha q tava fechar a fic com CINQUENTA caps redondins (odeio vcs). Cara obrigado DEMAIS pra quem acompanhou ate aq, quem riu e até chorou, quem se identificou e quem aprendeu algo novo, coisas assim que são a real essencia do QUERER e do SER escritor, sem elas (ao menos pra mim) a escrita é vazia. Obrigado a quem veio do SS depois q a fic caiu lá, obrigado aos q comentaram e recomendaram ela aqui (eu sei q nao respondo aq mas é eu leio tudo sim e guardo no coração, podem crer, e vou responder os desse ultimo sim, promessaaaa) E é isto, somente obrigada, obrigada e obrigada, até a próxima história, quem sabe até um possível livro?! Sonhar não custa! Link da pagezinea para quem quiser continuar acompanhar esta que vos fala e inventa tanta fanfic doida, bjs e obrigadas, amo vcs pra sempre! > https://www.facebook.com/KinesterFanfictions/ Agradecimentos especiais tmb á Tainá (pode postar isso, vadia) pq sem ela essa fic teria ate quem sabe afundado no limbo por eu nao ter como postar ela pelo cell toda semana. NEM TODO HERÓI USA CAPA A MINHA USA SAIA SABRINA