Killer Queen

51 Extra: O Reinado


Notas iniciais
Agora é oficial. A C A B OOO U Espero que gostem galeris ❤

Anos depois.

Oliver?! – Sasuke praticamente rugiu, a casa toda parecendo estremecer com isso.

Mas eis que Oliver finalmente surge, vestido no uniforme, uma mochila quase maior que ele nas costas (exagero da mãe) o cabelinho rosa desbotado bem penteado, e Sasuke soube que errou, de novo.

— Cristo, onde eu estava com a cabeça. – Clamou mais uma vez, enquanto Oliver e Samuel pareciam, como sempre, achar graça disso tudo.

Espere, espere, se Oliver era o que já estava arrumado pra aula, e Samuel o que ele estava dando banho nesse exato momento, então o remelento desgrenhado que estava correndo pelado pela casa nesse exato momento só podia ser... Nathan...?

Ao menos ele esperava por que desde que esses meninos aprenderam a andar, Sasuke vivia em constante dúvida de que Sakura havia parido seis e não três crianças (o tamanho que ela ficou durante a gestação até podia fundamentar isso).

— Nathan?! – Berrou, antes de sair do banheiro Mas retornou apontando o dedo para Sam em aviso. — Você, não tire essa bunda branca dessa banheira até eu chegar, capiche?

— Hahaha! – Ele riu de volta, grandes olhos verdes e dentinhos brancos, cheio de espuma e brinquedos boiando ao redor.

Sasuke se afastou já sabendo que se arrependeria.

— E você, fique aqui. – Ordenou para Oliver, sentado na cama ainda com os cadarços desamarrados.

Ah, os malditos cadarços.

Sasuke infelizmente não gozava das habilidades fenomenais que Sakura e sua mãe tinham para dar banho e alimentar três crianças ao mesmo tempo, então fazia com um de cada vez. Em teoria era sempre mais fácil.

— “Vamos fazer inseminação”, eles disseram, “muito mais fácil” eles disseram. – Resmungou, indo até o quarto da gangue e olhando sob as três camas. — Eu devia ter continuado confiando no meu taco. – Ao olhar sob a terceira cama, viu perninhas escapando do closet rumo ao corredor e se levantou de uma vez. — Parado aí, meliante!

Nathan parou, voltando-se para ele sorridente, e Sasuke correu antes que ele evaporasse de novo, o jogo sob um braço e marchou para o banheiro novamente. Não notou que Oliver não estava mais na cama, o encontrou junto com Samuel, na banheira, tomando banho, outra vez.

O uniforme e a mochila estavam arrumadinhos sobre a tampa do vaso e Sasuke não sabia se deveria interpretar isso como um pequeno gesto de generosidade.

Se segurou para não falar palavrão e queria afundar a cara nesta banheira e se afogar.

— Em nome do senhor, Oliver, porque está banhando de novo?

— Divertido! – Ele exclamou, erguendo os braços, Samuel batia na água, espalhando pelo cômodo inteiro. Sasuke se abaixou, enfiando Nathan na água e passando a esfregá-lo.

— Certo, certo, vocês querem se atrasar de novo? O quê? Eu não vou esfregar você de novo, Olly.

— Porquê?

— Você nem deveria estar aqui, caramba!

— Nathan fede. – Sam acusou.

— Você fede mais!

— Vocês todos fedem, á encrenca.

— O quê? Ainda estão no banho?! – Sakura exclamou, da porta.

— Nada a declarar, mas eles são culpados. Quando digo que deveríamos comprar coleiras...

— Você é o primeiro que deveria ser encoleirado. — Ela rebateu, para a alegria dos meninos. Eles pareciam ter um prazer imenso em ver a mãe acabar com a dignidade alheia. — Eu cuido disso, vá ver Sarada.

— Ela ainda não se arrumou?

— Eu sei lá! Eu estava cozinhando lá em baixo! – Sasuke se levantou, deixando-a tomar as rédeas, mal havia saído do banheiro para que o silêncio e serenidade reinassem naquela banheira. — Estão pensando que são o quê? Tritões? Atuns? Eu vou transformar vocês em sushi se atrasarem-se pra aula outra vez.

— Desculpe, mamãe.

Sasuke ainda ia deserdar essas pestes, foi para o quarto de Sarada, e lá estava sua princesinha sentada na penteadeira, placidamente penteando os cabelos escuros.

— Bom dia, papai?

— Está pronta, alteza? – Sarada se olhou no espelho mais uma vez, vestia calça jeans, camisa cinza e tênis, sempre mais prática do que feminina até, amava os vestidos que ganhava mas só usava em ocasiões que julgava formais ou especiais, para a escola, preferia algo que a pudesse deixar correr e pular á vontade. Pegou os óculos de armação vermelha e colocou com toda segurança e precisão que um mini nerd poderia ter.

Era o que Noein diria se estivesse com eles agora.

Ela catou a mochila e correu se jogando no colo do pai, as pontadas na coluna definitivamente valiam a pena.

— Pronta!

— Essa é a minha princesa, uma fada da pontualidade. – Reiterou quando passaram pelo quarto, os caçulas resmungaram junto da mãe.

— Não reclamem, é verdade. – Ela bufou e Sasuke seguiu rindo com a filha até a cozinha.

Sarada tomou o lugar na mesa, e logo Sui e Karin foram descendo do quarto que agora ambos ocupavam juntos.

Mesmo Sasuke não apreciando tanto ter casais fornicando embaixo do teto de suas crias (o que Sakura considerava patético já que todos foram feitos assim), essa junção de casais deixou mais quartos vagos na casa, Karin mudou-se para o de Sui, e Sai para o de Ino (embora vez ou outra ele fosse expulso de lá).

Juugo continuava muito satisfeito com sua vida de lobo solitário e o irmão de Sakura, Ethan, eventualmente saiu de lá quando a firma composta entre ele e os irmãos prosperou o bastante para lhe render um ótimo apartamento perto de Malibu beach.

Os dois quartos que sobraram tiveram outros ocupantes por algum tempo até que Sasuke resolveu transformá-los em espaços a mais na casa, um quarto de brinquedos e biblioteca para as crianças e um escritório para Sakura trabalhar como achasse melhor.

Com o tempo, a cozinha também fora ampliada para caber uma mesa maior e reformada, de modo que Sakura sentia ciúmes triplicado dela agora.

— Bom dia meus queridos senhorios. – Suigetsu anunciou, ao chegar.

— Já depositou o pagamento desse mês? – Sarada indagou, ele negou, confuso.

— Não...

— Então sem bom dia para você, inquilino.

— Credo, Sasuke. Ela vai ficar pior que você. – Karin reclamou.

— Eu sei, o orgulho é tanto que chega a doer. – Sasuke suspirou, afagando a cabeça dela. Ino e Sai chegaram, pelas caretas, provavelmente haviam brigado por amenidades de novo e sentaram bem distantes um do outro.

— Agora sentem os traseiros aí, deem bom dia com educação, e comam como filhotes de ser humano, não de cachorro, apesar do lado paterno. – Sakura veio ordenando, parou e deu espaço para a trupe de meliantes passarem, arrumadinhos, engomadinhos e perfumadinhos dentro dos uniformes, porém desanimados o suficiente.

Sasuke poderia apostar que eles referiam ter tomado banho sob as rédeas do pai do que dá major agora.

Os três sentaram nas cadeiras altas, com enormes bochechas rosadas infladas enquanto Sakura serviu a comida, ainda com um olhar ameaçador sobre eles.

— Exorcizados logo pela manhã? Deve ser cansativo. – Sui brincou.

— Cala a boca e come. – Karin riu.

— Sasuke você cortou mesmo o cabelo? – Ino comentou. — Está tão diferenteeee!

— Hn? — Ele coçou a cabeça, ainda achando um pouco estranho o cabelo aparado mais curto e Sakura se sentou, claramente fingindo não prestar a atenção. — Você acha? Nem vi grande diferença.

— Está bem sexy e sério!

— Cuidado com a língua, garota. – Sakura revirou os olhos. — E eu acho que fica melhor como estava...

— Está de piada? Você que deu a ideia, mulher. – Sasuke protestou, ela deu de ombros.

— Posso me enganar, ué. E eu disse que achava que poderia ficar melhor. Não que tinha certeza.

Quatro crianças impediram de ela ser muito bem xingada pela manhã.

— Rapaz... Finge que nem existo hoje, mulher.

— Que sensível.

— É feio ficar com raiva. – Samuel disse, a boca toda suja de geleia, Sarada olhou com nojo e bufou, limpando-o com o guardanapo.

— Garoto, sua mãe é quarenta por cento raiva, trinta por cento satânica, dez por cento anjo, e os outro vinte não convém falar por que equivalem a forma como vocês são feitos.

— Você é noventa por cento baixo QI, cinco por cento é alguma dignidade e os outros cinco não existem mais por que usei tudo pra fazer essas crianças.

— Pelo menos sou todo bem aproveitado, sua raiva é desperdiçada se não estiver na marinha.

— Eu deveria voltar pra lá então?

— Bobagem, querida. Você consegue usá-los bem quando briga no trânsito.

Sakura se levantou.

— Todos pro carro, enquanto eu agrido o pai de vocês.

— Nãoooo! – Eles gritaram.

— Eu sou um rei amado, hein? – Sasuke se gabou, levantando-se e ajudando a tirar os menores das cadeiras.

— Eu lavo isso. – Karin ofereceu, indo até a pia, Sakura concordou e foi arrumar as lancheiras.

— Mamãe, amanhã é Halloween. – Sarada comentou.

— Eu sei, querida.

— Hn, eu posso ir pegar doces então?

Sakura suspirou, sabia que ela queria ir com os amiguinhos da escola, mas ainda a achava nova demais para isso, além que trigêmeos iriam querer ir com ela.

Ás vezes a diferença de idade entre eles atrapalhava um pouco seu convívio, além das personalidades.

Sarada era calma, centrada e observadora, enquanto os caçulas eram verdadeiros furacões de gênio forte.

Se abaixou a altura dela, fitando-a.

— Sabe que eles vão querer ir com você.

Sarada suspirou, e assentiu, desanimada.

— Desculpe que isso seja chato para você, mas você é a mais velha aqui, eles vão querer te seguir porque no fundo admiram e se sentem protegidos com você.

— Igual... Me sentia com Noein?

Sakura inspirou, não querendo se abater agora e assentiu, com um sorriso terno.

— Exatamente assim, meu bem.

— Okay, eu vou com eles.

— Jura? Você é tão doce. Mas façamos assim, um acordo, okay?

— Qual?

— Você vai com seus irmãos, durante duas horas, e depois seu pai pega eles, trás para cá, e você pode ficar com seus amigos, com o papai por perto, certo?

Sarada concordou de imediato e abraçou-a.

— Obrigada, mamãe.

— Own, eu que agradeço, meu bem, por ser tão linda e perfeita!

— De nada.

Sakura revirou os olhos, recordando que até a mais perfeitinha tinha seu lado Sasuke afinal.

— Certo, agora vamos para o carro.

Acompanhou-a até o carro de Sasuke, agora um 4x4 preto e espaçoso, as cadeirinhas com os menores ocupavam todo o banco de trás, e a de Sarada instalada no banco do carona.

— Parem de ficar se debatendo aí ou arranco suas perninhas. – Sasuke reclamava, enquanto eles riam escandalosamente.

Sakura abriu a porta do carona, pondo Sarada nela, beijou sua testa, e fechou a porta.

Foi até a janela de trás e mandou beijos aos outros.

— Comportem-se, meus nenês, e boa aula, sim?

— Tchau, mamãe.

Sakura contornou, para a janela do motorista.

— Nos vemos mais tarde, malandro.

— O quê? Só isso?

Ela sorriu, debruçando-se para um beijo.

— Comporte-se e mais tarde, talvez ganhe algo mais.

— Vou cobrar.

Ela se afastou e ele manobrou o carro para fora, Sakura acenou enquanto Cherry latia e abanava a cauda ao redor. O cão tinha quase dez anos mas ainda muita energia para roer jornais e sapatos, enquanto seus pais ainda faziam saudade.

— Pronto, pronto, todo mundo andando com cuidado. – Ele disse, depois que deixaram o carro e atravessaram a rua para a escola.

Como já estava acostumado, os gêmeos sempre chamavam a atenção quando estavam em público, a combinação tripla de cabelinho rosa parecia irresistível e quando eram bebês quase viraram matéria de revistas de maternidade.

As avós deles teriam amado isso mas Sakura cortou essa na hora e sem dó alguma.

Sasuke parou na calçada e acenou, os deixando irem sozinhos até seus respectivos prédios.

A escola de Sarada ficava ao lado.

— Comportem-se, hein? E se alguém voltar todo sujo de tinta vai ficar sem doces amanhã.

— Até mais!

— Até.

Ele ficou parado, com as mãos nos bolsos observando todos finalmente entrarem.

— Que gracinha, os seus netinhos! Os pais não estão podendo trazê-los hoje? – Uma moça disse, parada ao lado dele, Sasuke sempre acabava meio que entre rir ou se lamentar.

As pessoas viviam dizendo que ele não parecia com mais de cinquenta, que estava em forma e tudo mais, só que quando envolvia as crianças dificilmente alguém parecia crer de cara que eram dele e quando sabiam, ainda ficavam com aquela cara de dúvida.

Mas achava, que o que mais aborrecia era que com Sakura não eram tão assim, talvez por ela ser claramente a mãe leoa onde quer que chegasse com as crias, ou por que, modéstia a parte, ela era gostosa pra caramba.

Ainda assim, ambos tiveram de aturar muita merda quanto a sua idade e a hora de ter filhos, principalmente os menores. Que deveriam ter parado com Sarada ou mesmo tentado evitar uma gravidez múltipla.

Mas não havia como querer mudar algo, foi tudo acontecendo, eles queriam, deixaram acontecer mais e mais.

Sarada tinha cinco anos, Sakura não havia entrado na menopausa ainda, o médico disse que era normal em alguns casos demorar, eles conseguiram sentir falta da época das fraldas e berços, por que não tentar?

Mas talvez tentar ao natural já naquela idade fosse forçar demais a sorte.

Tentaram naturalmente por quase um ano, então tentaram com remédios, e então pensaram, por que não tentar a inseminação?

E pronto, Sarada estava fazendo seis anos quando a barriguinha de Sakura se demonstrou além de abençoada, um pouco gananciosa para levar três de uma vez.

Foi três vezes mais assustador, três vezes mais feliz, e a encomenda saiu do forno com oito meses e meio de preparo, mas ainda saiu perfeita e lá estava ele absolutamente feliz de levar seus diabretes pra tocar terror na escolinha.

Que importavam as caretas alheias?

— Na verdade, são meus filhos mesmo.

Era até divertido ver essas caras, Sasuke atravessou a rua de volta para o carro, pois agora o trabalho de delegado já esperava demais.

*

Era quase hora do almoço quando ele recebeu uma ligação de Leon, o sobrinho de Rachel. Sasuke sorriu com nostalgia e melancolia ao lembrar que ele sua irmã Laura e alguns outros amigos de Noein não apareciam em casa desde que ele partira há quase três anos.

Provavelmente espantados pelas crianças também.

— Hey, se não é o cabeça de fósforo.

Haha, continua o maior bully de todos, sr. Uchiha!

— Um homem tem que manter seus títulos, não? A que devo a honra?

— Aaah, é que pode me fazer um baita favor? Meus pais viajaram, Laura está fora da cidade pra um congresso e meu carro acaba de dar pau. Eu prometi que buscaria um amigo da família da minha namorada, e não queria passar essa vergonha indo de taxi, os pais dela não vão bem com a minha cara...

— Opa, espere aí, você? Namorando? Estou velho mas não estou senil.

Tá, eu sei que é estranho imaginar...

— Estranho? Moleque você esqueceu que levou uma surra de cueca molhada da Sakura, quando ela soube que estava promovendo uma barraca de beijo na nossa garagem? Eu desisti de te ver casado ali, além de ter invejado a ideia...

Hahaha! A sra. Uchiha é uma segunda mãe pra mim, se ela não for me bater de novo, quero jantar aí logo.

— Traga sua garota como escudo, ora, é o que faço quando irrito a minha mãe. Mas enfim, me diga que horas devo te pegar.

Sério mesmo?

— Posso dar uma escapada, vou pra casa mais cedo de qualquer forma.

O voo chega ás cinco e meia, tranquilo?

— Certo, certo. Sakura já ia buscar as pestinhas de todo jeito.

— Okay então! E muito obrigado.

— Em troca eu só quero conhecer a garota.

— Er... Certamente!

Sasuke desligou, rindo ainda descrente. Mas se até ele casou, por que Leon, que com quatorze anos já tinha criatividade e senso de empreendedorismo o bastante para ganhar dinheiro e beijos, não poderia se arranjar?

Milagres definitivamente aconteciam.

Então ás cinco horas ele deixou o trabalho e seguiu até a casa de Leon, ambos conversaram besteiras sobre futebol e atrizes de cinema até o aeroporto. Sasuke ficou esperando ele ir se informar num guichê e de repente, o perdeu de vista.

— Onde estava, já ia te ligar. – Disse, ao vê-lo retornar com o celular voltado em sua direção. — Que está filmando?

— As boas vindas. – Leon sorriu, sardento e largo, Sasuke se virou logo, de repente foi como voltar dez anos atrás pra aquele rancho cheio de crianças perdidas e tomar de volta a sua.

Quase largou o telefone mas o apertou com força na mão, ao mesmo tempo, só pensando em Sakura e em dizer pra ela “querida, te trouxe ele de volta”.

Passou o braço vago em torno de Noein, quase tão alto quanto a si próprio agora, mais corpulento, forte, o cabelo desgrenhado e escuro. Ainda vestia o uniforme azul camuflagem da marinha e segurava a bolsa na outra mão.

— E aí, meu velho?

— Sua... Peste, minha peste, peguei você de volta, porra. – Foi o que ele conseguiu articular, emoção lhe entupindo a garganta, alívio banhando os pulmões, um pouquinho de raiva fazendo o punho coçar para acertar aquela cabeça dura.

Não importava se havia tido de deixar um menino se alistar, e recebido de volta um homem, ele ainda seria sempre o moleque de língua afiada e sotaque do sul que Sasuke e Sakura tomaram para si como filho, um laço tão sólido que nem se fosse de sangue poderia ser mais especial.

Se afastou e segurou pela nuca, encarando seu rosto direito, aquele mesmo sorriso calhorda e aberto, leves sardas em torno do nariz, olhos escuros e cabelo que parecia uma juba.

Seu primeiro filho, o primogênito, aventureiro e independente, que ele ia arrastar pra casa pelas orelhas como nos velhos tempos, como ainda queria ter feito quando ele veio com aquela merda sobre se alistar, e teve que aceitar que ele iria para o mundo cedo ou tarde.

Aceitar isso por si mesmo fora até fácil, pois desde cedo havia reparado como Noein era atraído para a estrada e conhecer as coisas por si só, mas doeu por que Sakura nunca poderia se conformar o bastante. Ela era assim, o contraposto protetor e estável, o ninho, as asas, era louca por esse menino. E orgulho nenhum de o ver seguindo seus passos poderia ocultar seu medo de o perder nessa caminhada.

Por que ela viu muitos pais perderem filhos, perdeu amigos, e quase perdeu a si mesma.

— Você tá chorando, meu velho? – Noein indagou, rindo, a voz mais grossa, Sasuke ainda podia ouvir a da época da puberdade, aquela fase em que a voz dos meninos ficava uma coisa esquisita entre o infantil e agudo e o mais maduro e rouco.

— Foda-se, nem a pau. Nem a pau, ouviu? – Resmungou e ralhou, esfregando a vista, Noein riu mais, e Sasuke apontou para Leon. — E você, desligue isso, e é bom apagar, eu não tenho uma cueca molhada agora, mas tenho uma arma, garoto.

— Certo, certo. Fim da gravação!

— Ainda deixo sua cabeça roxa.

— Vamos lá, você mereceu, acreditar que esse cara tinha namorada?

Sasuke bufou ainda mais zangado consigo mesmo, não bastando os malditos olhos, talvez seu cérebro também não fosse mais o mesmo, alguns anos atrás, jamais cairia nesse papo realmente.

— Eu lá tenho como ficar vigiando esse daqui? Se evadiu lá de casa também. Mas verei ambos apanhando quando chegarmos. – Avisou.

— Não vai avisar ninguém?

— Mas nem fodendo.

— Continua um velho pilantra mesmo.

— Não está em posição de reclamar.

Ambos seguiram para o carro, parando no caminho só para comprar algumas flores, Sasuke entrou em casa primeiro, estudando o ambiente e estranhando não encontrar as crianças de cara.

— As crianças ainda não vieram da escola?

Sakura estava na cozinha, cortando nabos, nem mesmo Cherry ao redor.

— Damon apareceu, eles o arrastaram até a sorveteria.

— Damon, é? – Sasuke olhou através da janela da cozinha, acenando rapidamente para a cabeça ruiva de Leon.

— Por que está com a voz estranha? Andou gritando com alguém? – Ela observou, Sasuke deu de ombros, um riso nervoso.

— Só uma cerveja gelada demais antes de vir.

— Hm. – Sakura caminhou até a geladeira, demorando-se lá, Noein finalmente bateu na porta da frente. — Atende pra mim?

— Ah, vai você.

— Mova esse traseiro, Sasuke Uchiha.

— Okay... – Sasuke seguiu para lá, rindo suavemente. — Mas vai se arrepender.

Sakura conhecia bem aquela risada de quem estava aprontando, mas estava com mais pressa para fazer o jantar, depois poderia torturar ele a vontade. Ele gostava, afinal.

Sasuke abriu a porta, rindo da cara de Noein e de Leon, decepcionados por jão pegarem ela ainda.

Eles entraram, Noein largou a bolsa no chão e seguiu para a cozinha, pousou as flores na mesa.

— Amor, te trouxe uma coisa. – Sasuke avisou.

— Não quero seu pênis agora. – Sakura resmungou.

Sasuke fitou Leon, que já filmava de novo, mas não sabia se queria que essa parte fosse cortada.

— Jesus, onde está o respeito? – Noein se indignou.

— Humpf. – Sakura reclamou, antes de se sobressaltar agarrada a uma garrafa de molho, e se virar encarando o rapaz com descrença, os olhos esbugalhados. — Oh, meu Deus. Oh, meu Deus. Oh, meu Deus! – A voz ficando mais aguda e alta até que ela já estava saltando no lugar e se abanando. — Sasuke! Sasuke! Ele está aqui! O meu bebê! Aqui! – Gritou apontando-o, Sasuke assentiu, Leon gargalhava e ela o viu, ficando mais convencida. — Está aqui! Está aqui! – E berrou de novo, atirando a garrafa na pia que se espatifou lá mesmo e finalmente pulando sobre Noein, agora alto o bastante para poder segura-la e erguê-la. — Meu bebê! Meu bebê! Meu bebêêê!

Noein girou com ela, beijando seu rosto enquanto ela o amassava a cara inteira e o cabelo, chorando pra caramba e balançando as pernas demais para que ele pudesse confiar ou querer pô-la no chão ainda.

Quando saiu de casa há três anos, sabia que tinha sido egoísta, por que ela e seu pai o deram tudo, e por que a pessoa que menos queria ele servindo era ela, e isso era justo. Mas talvez por sua mãe ter passando tanta coisa e superado tantas sequelas que ele se sentira ainda mais inspirado a ser um pouquinho mais como ela, doesse isso ou não.

Porém ainda eram pensamentos de um garoto pretencioso, e três anos foram o bastante para saber a realidade dos fatos, serviu um ano e meio na Síria, esteve junto dos médicos sem fronteiras, e também no mar, sobre enormes porta-aviões.

Viu de perto o legado de sua mãe, tios e avô, foi ainda mais cobrado por conta disso, e dali trinta dias ele teria que retornar, afinal, não era uma brincadeira que poderia largar quando cansasse, mas assim que pudesse, pediria baixa e voltaria pra casa pra fazer uma vida ali com eles.

Era lá que sempre deveria estar.

Finalmente pôs a mãe no chão, ela estava tão afobada e feliz, aqueles olhos verdes e cabelo de anjo como achou que ela fosse na primeira vez que a viu. Agora assumia que sua mãe biológica que era um anjo e os deixou juntos.

— Meu menino, meu menino está de volta! – Ela repetia apertando seu rosto.

— Desculpe a demora, querida, está tudo bem, agora, sim? Você está muito nervosa.

Ela e Sasuke podiam ser bem duros, mas Noein não se importaria menos, cuidaria desses dois coroas direito enquanto pudesse.

— Eu estou bem, estou bem, acabado é o seu pai.

— Não pareceu ainda a pouco, hein, sr. Uchiha? – Leon provocou.

— É que ela gosta de me subestimar.

— Credo. – Noein bufou, Sakura estava feliz demais para entender a piada e foi logo abraçar Leon, quase fazendo o telefone dele ficar como a garrafa de molho.

— Tire essa coisa da minha cara e me abrace seu mini cafajeste. – Exigiu.

— Ouch, tia, mini não, né? – Ele reclamou, abraçando-a.

— Nunca mais veio me ver, cale a boca. – Ela reclamou. — Por que não me disse que ele vinha?! – Finalmente reclamou de Sasuke.

— Eu fui enganado!

— Ele caiu na pior desculpa.

— Estou ouvindooo! – Sakura sorriu, indo abraça-lo de novo.

Uma buzina soou em frente e casa e Sakura se lembrou.

— Damon trouxe as crianças!

— Essa eu quero ver.

Noein seguiu para a porta, Sakura abriu-a e em frente a casa, Damon já descarregava as crianças, Sarada estava parada esperando na calçada e se virou vendo o irmão vir, que ela mal reconheceu de cara.

— O quê? É a princesa bochechas mesmo? – Ele disse, parando.

Ela gritou parecendo histérica igual a mãe agora, e correu pra ele, só não chegando mais rápido por que parou umas três vezes para ficar pulando, apontando e gritando. Chegou até ele e saltou em seus braços apertando os bracinhos em torno dele e chorando, óculos tortos na cara.

Ela chorou por semanas quando Noein se alistou, chegou a rejeitar a companhia dos trigêmeos ainda bebês. Mesmo a diferença considerável de idade não diminuíra seu laço pois ele estava com ela quando falou as primeiras palavras, andou, foi ao oftalmologista, à escola.

— Ah, que chorona, que óculos são esses? Nem um pouco estilosos.

— Já está fazendo bullying comigo. – Ela soluçou.

— Claro que estou. — Noein disse, apertando as bochechas dela. Então finalmente encarou os irmãos menores, eles o fitando completamente assustados com a reação da irmã. — Ora, se não são o trio fralda suja, a copiadora realmente funcionou bem...

— É seu irmão, queridos. – Sakura acenou, aproximando-se deles.

— Você tá chorando. – Nathan disse, com voz de choro.

— A mamãe só está feliz, não lembram do seu irmão, ele foi trabalhar mas voltou pra ficar com a gente. Vão lá abraçar ele.

Ele se aproximaram, ainda nervosos, e querendo chorar, mas Sarada ainda estava chorando grudada nele, e seja por ciúmes, ou por tanta emoção no ar para contagiar suas mentes pueris, eles se jogaram no estranho, o abraçando também e beijando e chorando.

A cena tinha seu lado hilário, ao menos para Damon, observando tudo com uma cara de que não entendia bem por que tanto drama.

*

Os gêmeos certamente não gostavam mais da ideia de ter um irmão mais velho. Somente era tudo bem mais fácil, ela monopolizava o papai e apesar de isso ser chato ás vezes, eles tinham a mamãe só para eles, em contrapartida.

Mas desde que ele chegou não era mais assim, mamãe não parava de mimá-lo, apertá-lo e alimentá-lo, papai conversava um monte de coisas com ele que os três ainda não entendiam, e Sarada também não largava do pé dele.

Sasuke escutou as reclamações pacientemente, embora não pudesse fazer muito, ou algo como devolver o irmãozão de volta. Estava mais surpreso de eles já sentirem tanto ciúmes, em geral se davam bem entre si e com Sarada, e realmente apesar de bem mimadinhos por Sakura, não chegava a parecer que adoravam tanto monopolizá-la.

Devia ser por que realmente não precisavam competir por ela com Sarada, pois entendiam que as duas tinham mais coisas em comuns por serem meninas e eles não estavam interessados nestas coisas de meninas, apenas no carinho e comidinhas da mamãe.

Sasuke se perguntou se dariam uma trinca de cafajestes iguais aos tios e esperava que não, por que sabia que Sakura só culparia ele.

Mas não sabia realmente o que fazer por que a diferença de idade entre os quatro era enorme, e Noein estava realmente com disposição apenas para aproveitar a folga com dormir, comer, beber, cafunés da mamãe e rever os amigos.

E Sakura, Sarada (todo o mulherio da casa, na verdade) realmente só queriam monopolizá-lo para si de modo que nem se quisessem conhecê-lo melhor, os miúdos conseguiriam uma vaga.

— Vamos lá? Ele não é tãoo ruim assim. – Insistiu, os três olharam por sobre o ombro, caras amarradas, observando os amados dedos da mãe trabalhando num invejável cafuné naquele cabelo preto ondulado daquele folgado deitado no adorado colinho dela.

Sasuke tinha que admitir que até ele mesmo tinha ciúmes de Noein de vez em quando. Sulista cara de pau.

— Talvez um pouco? Bem, têm que compreender o lado dele também, certo? Noein passou dois anos sem a mamãe, não acham isso muito cruel?

— Um pouco... – Sam admitiu.

— Daria pra ficar dois anos sem a mamãe?

— Não!

— Então não é só um pouco. – Sasuke riu da careta deles. — O irmãozão está cansado e com saudade da mamãe, certo? Vocês tiveram ela só pra vocês e Sarada um tempão.

— Mas a gente dividia.

— Vamos dividir de novo. Tem muita mamãe pra todo mundo, se dividem até com o Cherry, podem dividir com o Noein também. Enfim, a mamãe está fazendo um monte de comida boa pro jantar e o Noein não vai comer só, hein? Todos saem lucrando.

— Por isso o pai tá gordo.

— Olha o respeito, tampa de refrigerante de morango.

Sasuke puxou os três com os braços e os ergueu, ficando de pé.

— Vamos lá fora jogar uma partida de basquete?

— Tudo bem!

— E quando a gente voltar a mamãe é só nossa?

Sasuke se sentiu tão usado como uma garota feia dando apoio emocional ao amigo feio que levou um chute de uma bonitona. No fim, eles ainda prefeririam a bonitona mesmo ela tendo os trocado por um bonitão.

— Certo, certo, verei...

Catou a bola na garagem assim como a tabela de brinquedo, correram pelo chão de concreto, ao redor da piscina, sendo fácil driblar eles por cima, Sasuke fingia deixá-los o driblarem por entre as pernas e fazerem umas cestas. O importante era perder de vez em quando para lhes dar alguma segurança e autoestima.

Meia hora depois eles já estavam suados e afobados e Sasuke estava ao menos satisfeito de ainda poder derrotá-los no basquete, daqui uns anos, eles que estariam facilitando para ele ter alguma autoestima.

— Jogando com essa cestinha, coroa? Já não dá conta de uma de verdade? — Noein disse da porta.

— Hey, tenho que ser justo, ou dar pernas de pau para eles. – Sasuke riu, Noein veio, tirando a farda e ficando com a camisa branca de dentro.

— Vamos ver se ainda dá conta mesmo.

— Pode correr por uns campinhos com lama e arame farpado, mas mantenha a modéstia, pirralho.

— Hahaha.

Sasuke já ia esquecendo que tinha três jogadores ainda, o encarando como se ele fosse um traidor e já ia pedir desculpas. Mas a bonitona apareceu na porta.

— Tentem não quebrar uma janela e vão tomar banho cedo. – Sakura avisou.

— Mamãe! – Os três gritaram desesperadamente correndo, como se temessem que Noein a pegasse outra vez.

Parecia uma corrida de cem metros rasos valendo a medalha das olimpíadas e quarenta milhões de bombons, Sasuke temeu que um deles se estropiasse pelo caminho e Sakura olhou com espanto e confusão.

— Mas que escândalo todo é esse? Falem devagar! O que foi?! – E a arrastaram para dentro de casa.

Noein se voltou para o pai, rindo mas sem entender.

— O que foi isso? Alerta de troca simultânea de fraldas?

Sasuke balançou a cabeça, sorrindo e quicando a bola no chão.

— Estão morrendo de ciúmes de você. Se visse o discurso. Achei que trariam um documento ou petição pra te expulsar.

— O quê? Cheguei não tem nem três horas!

— Está monopolizando o bem mais precioso deles, o cafuné e o colinho da mamãe.

— Hey, eu sou o dono original desses bens.

— Que maduro, huh? Sério, não compita com eles, é injusto desde que você acabou de voltar e sua mãe está tão alegre.

— Bom, acho que também não daria pra esperar que me amassem, eu saí, e eles eram muito novos para recordar. – Noein suspirou. Também tinha sido difícil, por que havia acompanhado muitas fases de Sarada, e queria ver as deles também, além de ser um bom modelo como cara.

— Deixe só a fase de euforia, da sua mãe principalmente, passar que poderá fazer algo que eles apreciem. Terão bastante tempo.

Noein não tinha certeza, afinal trinta dias passavam bem rápido e não se cria laços tão fácil assim todo dia. Mas tentaria se aproximar dos tampinhas, assim como retomar um tempo com Sarada que sentira ainda mais falta dele.

Não queria retornar para o serviço se sentindo ainda um estranho para os irmãos, quando finalmente pegasse a baixa, queria voltar e apenas apertar mais e mais esses laços entre os cinco.

— Pensarei em algo. Eles vão me venerar.

— Nãos os faça venerá-lo trazendo números de garotas como fazia com Sarada, hein? Sua mãe te mata.

— Nem pensar que eu perco essa chance. Primeira coisa que pensei quando vi rostinhos tão fofos: Vão me arranjar muita mulher. Então vale o risco de ficar paraplégico ou virar eunuco.

— Esta maldade me enoja, mas também me dá um tremendo orgulho... — Sasuke admitiu.

Eles continuaram jogando até a hora do jantar. Sakura havia feito algumas receitas cajun e creole, anéis de cebola fritas, batatas, hambúrguer caseiro e comprado muito sorvete.

As crianças adoraram a antecipação da comilança do feriado, os adultos dividiram cerveja, histórias e até insultos, para Noein era até uma das melhores partes ver aquele pessoal se xingando e azucrinando. Eles eram como a família Adams dos palavrões.

Sakura arrumou a cozinha com as garotas enquanto Sasuke jogava cartas e falava mal do vizinho. Quando ela terminou foi logo subindo as escadas e fazendo a voz reverberar.

— Muito bem, estou chegando, e espero encontrar bocas com dentes bem escovados, camas feitas e pijamas postos.

Dava pra ouvir o rebuliço lá em cima e alguém bateu a fuça em alguma parede. Sakura suspirou.

— Depois que comem o lado retardado do Sasuke ataca, hein?

— Falou quem beijou o chão do banheiro com a bunda um dia desses. – Sasuke rebateu.

— Não brinca! – Noein exclamou.

— Sou testemunha auditiva por que deu pra ouvir tudinho. – Sui remendou.

— Cala a boca! – Sakura gritou, das escadas. — E para de mentir!

— Sua sorte foi eu estar com a cara ensaboada. Teria valido a pena sair do banho pra tirar um foto dessa bundinha vermelha. – Sasuke insistiu.

— Cale a boca se não quiser ir dormir com o Cherry hoje.

Ela foi para o andar de cima, tocando o terror nas crianças. Noein deixou a cerveja na mesinha e subiu, indo visitar os quartos.

O banheiro do corredor estava bem cheio, três cabecinhas rosas escovando os dentes em pijamas com estampa de espaçonaves. Isso era nostálgico.

— Parece que erraram o timing, hein? – Provocou, eles bufaram, sem lhe dar moral, Noein atravessou para seu quarto, Sakura resmungava enquanto ajeitava as cobertas e chutava alguns brinquedos do caminho.

— No meu tempo, se tivesse um desses no caminho, perderia um pedaço da orelha. – Comentou. Ela fez um bico, com manha.

— Está dizendo que fiquei mole, é?

— Talvez?

— Sabe que só gritei aquele dia por que seu pai poderia ter quebrado a coluna.

— Eu sei, além que isso acabou com a moral dele por uns dias...

— Seu pai se faz de durão e de conformado, mas ele não está tão pronto pra aceitar que está ficando velho.

— Ele curtiu muito a vida. Quero curtir ao dobro.

— Vai casar com quantos anos? Setenta?

— Talvez eu não case...

— Hm. Bem, não poderia reclamar disso, meus bebês ainda são bebês, não pretendo ou posso cuidar de seus bebês tão cedo.

— Okay, Rochelle.

— Engraçadinho.

— Mamãe. – Oliver chamou, os três parados na porta.

— Ah, já terminaram? Ótimo, todo mundo pras camas, hora da história.

Os três correram para as camas, havia uma poltrona do outro lado, voltada para eles com uma mesinha cheia de livros ao lado. Sakura sentava nela ou era ser disputada pra deitar na cama com um deles.

— Oba, hora da história. Sarada ainda gosta?

— Hoje é a vez do Sasuke, mas não acho que ela vai se importar.

— Okay então, vou lá. Boa noite, triplo de algodão doce.

— Não comece...

— Não mesmo, ainda tenho que descobrir quem é quem. Quando eram bebês era mais fácil por que eram meio carecas e dava pra identificar pelo padrão dos tufinhos de cabelo...

Sakura começou a rir e ele saiu, mas ela logo parou por que estava recebendo olhares bem perigosos.

— Okay... O que vamos ler hoje?

Noein bateu na porta e abriu-a.

— Hey, garota, pronta pra uma boa história?!

Sarada, já na cama e com um livro da escola ela se levantou gritando.

— Siiim!

— Okay! Vamos lá! – Ele fechou a porta e correu, saltando na cama, Sarada pegou o livro na cabeceira e o estendeu, empolgada. — Então, começando, iniciando, partindo do princípio. – Ele iniciou, com uma voz pomposa.

— Anda logo!

— Não atrapalhe os créditos iniciais. Essa historia é um oferecimento: Meias fedorentas! – Noein puxou o pé dela. — As mais fedorentas!

— Não! Não fedem!

— Ah, fedem sim! Agora vamos ao conhecidíssimo... Era uma vez...

*

—... E ela gritou com ele! E disse: “Vou acabar com você, Sr. Patinhas!” o Sr. Patinhas nem deu moral, lançando em seguida um raio lazer de queijo vencido, mais fedorento que mim cacas de de bumbum que não era lavado a sete dias...!

Sakura esfregou a cabeça, tinha esquecido como Noein costumava transformar a hora da historia num cinema 4D. Ele começava uma historia de princesa que acabava se tornando como uma mistura de Shrek, Star Wars, Os Simpsons e O incrível mundo de Gumball.

Sarada gostava tanto que as vezes até trocava Sasuke por ele, e agora os gêmeos estavam bem interessados nessa narrativa épica cheia de crossovers.

E apesar da barulheira, ela sentira falta disso.

— A história deles parece estar bem interessante, hein? Vamos lá ver?

Os três pareceram relutantes, mas a seguiram, bem curiosos.

*

— Ué, você está aqui? – Sasuke disse, ao sair do banheiro, Sakura o fitou da cama.

— E onde mais eu estaria? Essa ainda é a minha cama.

— Achei que nem dormiria aqui e sim com as asas em volta do seu passarinho.

Ela riu, dando de ombros. Antigamente ficaria até incomodada de lhe apontarem suas emoções e reações, mas agora, ao menos em momentos como esses, ela aprendera que era ainda melhor poder se expressar livremente.

E tudo isso, aprendeu graças a esse cara que agora transitava pelo quarto com o traseiro de fora após largar a toalha molhada pelo chão mesmo.

Normalmente ela ficaria afim de cortar o que ele levava na frente, mas o traseiro dele continuava bom de observar por muito tempo até.

— Bumbum calmante...

— Hm?

— Nada, por que está pelado? Não me diga que quer transar.

Sasuke deixou o relógio na cômoda, voltando-se para ela, olhou para os lados ligeiramente e deu de ombros, com ar mais que inocente.

— Não foi óbvio o bastante...?

Sakura caiu sobre as costas na cama, gargalhando.

—Realmente ainda precisou perguntar? – Ele continuou, meio chateado. — Quer dizer, eu nem tenho mais nada para tirar, então, fica meio ruim, se você não capta direito... Ah, pare de rir.

— Desculpe! Desculpe! – Ela pediu, se retorcendo na cama. Sasuke revirou os olhos e foi para o lado da cama que lhe correspondia, deitou e se cobriu e Sakura ainda ria.

— Você já foi mais atenta. Pare de rir. Se fosse o contrário, estaria toda nervosinha.

— Desculpeeee!

Sasuke jogou um travesseiro na cara dela.

— Cadela.

Sakura empurrou as cobertas, entrando embaixo delas até para cima dele.

— Own, me desculpe, me distraí um pouco, sim?

— É que você não repara mais em mim como antes.

— É claro que sim, baby.

— É sempre trabalho e crianças, eu também preciso de atenção, okay?

— Uhum.

— E você nem conversa mais tanto comigo...

— Eu vou mudar daqui em diante, sim? – Sakura prometeu, esfregando o nariz no pescoço dele, e se movendo lentamente.

— Ás vezes eu só quero conversar mais com a minha mulher.

— Eu entendo.

— Mas eu chamo e você ignora, vai dormir, nem leva a sério.

— Eu tenho sido péssima, não é? – Ronronou.

— Muito. Por exemplo agora, quero conversar e você vem com sexo. Assim não dá.

Sakura bufou e se ergueu, sentada em seu colo.

— Você quer transar ou conversar, porra?

Sasuke meneou a cabeça, encolheu os ombros, olhou pidão.

— Os dois?

— Trabalhei e cuidei dos seus cinco filhos hoje. Então decida, apenas um, e vou dormir. Transar pra caralho ou falar pra caralho?

— Tira a camisola.

Ela o fez.

— Meu malandro inteligente. – Disse antes de o tomar num beijo, Sasuke virou, deitando sobre ela.

— Mas amanhã a gente vai conversar. – Sasuke avisou.

— É claro que sim, amor.

Sakura jamais comentaria que isso foi exatamente o que ele dissera na noite passada.

*

— Mamãe, por que você estava gritando com o papai ontem de novo? – Nathan indagou.

Sakura travou um instante e Sasuke parecia nem ligar, abrindo o jornal e falando displicente.

— É por que ela odeia conversar...

— Quem foi que teve a escolha? – Sakura rebateu, ele encolheu os ombros, desconcertado. — E eu não estava gritando com o papai, querido...

— Pelo amor de Deus. – Noein gemeu, revirando os olhos. — Você definitivamente não podia estar tão feliz assim ontem, mãe. – Suplicou.

— Quem estava era seu pai!

— Estava mesmo.

— Cachorro! Você viu? É ele.

— A gente podia só ter conversado, mas você prefere ação... Sempre. Difícil ter diálogo com essa mulher.

— Te abomino seu...

— Meus ouvidos já foram traumatizados pelos últimos dois anos, satisfeitos? – Noein cortou, se levantando da mesa do café.

— Fica tranquilo, filhão. Não foi só por que você voltou, sua mãe tem energia de sobra sempre.

Sakura atirou o pano de prato no peito dele e Noein saiu tapando os ouvidos. As crianças menores ignoravam totalmente o teor do assunto e Sarada tinha o pressentimento de que isso se referia a fazer novos irmãos.

Já estava satisfeita com a quantidade atual, então, sem interesse também. Seu interesse era outro agora.

— Mamãe! Minha fantasia já está pronta?

Sakura sorriu enquanto colocava torradas no prato.

— Irei buscar depois do almoço, sim? Tenho certeza que vai estar linda!

— Que bom!

— Hey, e qual o tema desse ano, hein? Vai de princesa Disney? – Sasuke perguntou.

— Não! Eu vou ser uma gueixa samurai!

— Isso existe? – Ele perguntou para Sakura que deu de ombros.

— E precisa? É uma fantasia, eu farei a maquiagem, sua avó deixou os acessórios tem uns dias já e foi um pouco difícil de achar uma espada que não fosse capaz de ferir alguém...

— Eu não me importaria de usar!

— Querida você vai pedir doces ou assaltar? – Sasuke riu. — E os campeões? Vão de quê?

— Eu vou ser um Jedi! — Nathan declarou.

— Múmia! – Sam disse logo.

Oliver ainda parecia indeciso.

— Eu vou ser Keanu Reeves, papai.

— Como o Neo de Matrix, como Jonh Wick, ou como Ted de Ted e Bill?

Sakura gargalhou com a carinha ainda mais perdida do filho.

— Qualquer um em que ele esteja gostoso. – Alfinetou.

— Que tal vocês irem de Minions de novo? Foi um sucesso naquele Halloween...

Ela revirou os olhos.

— Eles nem andavam naquele Halloween! E ele vai de John Wick por que vai ficar uma gracinha de peruca, barba e terninho!

Depois que Sakura pegou gosto por fantasiar Sarada, acabou apreciando ainda mais passar os meninos por seus personagens favoritos.

Ano passado os três foram de mafiosos estilo Dom Corleone.

E no ano retrasado foram na vibe Mad Max.

— Querida, eles não são suas bonecas.

— Ninguém te perguntou nada. E eu pari eles, visto até de pantera cor de rosa se quiser.

— Porr- caria... – Sasuke apenas grudou os olhos naquelas cabecinhas cor de rosa. — Ia combinar pra cara- ramba, amor!

Ela revirou os olhos de novo e Sasuke passou o resto do café da manhã tentando dissuadir um dos meninos de suas escolhas e obter ao menos uma panterinha.

Ela gostava de fantasiá-los e ele de acumular fotos vergonhosas para constrangê-los no futuro.

Sasuke guardava no cofre a foto de Noein no Halloween de quando ele tinha quinze anos e perdeu para ele no baseball tendo de se vestir bola de baseball.

Noein até hoje nunca conseguiu roubá-la para queimar e ambos não sabiam que Sakura tinha sua própria cópia, por que ele estava a bola de baseball mais bonitinha desse mundo.

Noein retornou, agora com o telefone contra a orelha, foi até a geladeira.

— Eu sei, vovó, desculpe, vovó. É que eu só cheguei ontem... Você não sabia por que ninguém sabia! Ninguém sabia por que era uma surpresa!

— Qual avó ele está falando? – Sasuke disse.

— Sua mãe?

— Nah, ela já teria vindo aqui.

— Mebuki que não é, ela está em Milão com Kakashi...

— Delilah então? Faz sentindo, aquela lá fareja uma novidade melhor do que a CIA fareja procurados...

Noein no começo adorara ser disputado por três avós, mas quando seu interesse por mulheres que o mimassem diminuiu em faixa etária, ele teve bastante trabalho para se esquivar um pouco delas.

Mikoto era a avó que estava sempre perto os entupindo de comida e encobrindo traquinagens, Mebuki era a avó ocupada que enchia de presentes caros e queria o transformar no novo queridinho de Hollywood além de os sequestrar para viagens fora do país e monopolizá-los das avós, principalmente Delilah, que era a avó que no começo, sequer fazia muita questão de contato, aos poucos fora toma do interesse apenas pela disputa com a ex do marido, mas no fim, acabou criando genuíno apego por ele que o tratava de forma que nem com a filha havia tratado antes.

Havia feito suas críticas quanto a adoção de uma criança já tão velha mas no fim, esta se tornara o neto que ela mais adorava até se você comparasse com os filhos de Lisa.

Quanto aos avôs, Noein se dividia bem entre apreciar carros com Fugaku e tiro ao alvo com o Kizashi que certamente logo ligaria reclamando por ele não ter ido vê-lo ainda, caso não fosse Delilah no telefone agora.

— Eu sei vovó, eu vou sim, vovó. Te amo vó, vou querer aquela sua torta quando chegar, hein? Tchau, te amooo! – Noein desligku e soltou o ar. — Por que as mulheres da minha vida são tão loucas?

— Quem era, afinal?

— Vovó Mebuki, ela disse que está voltando de Milão pra me ver.

— Mebuki?! E o tal desfile que ela foi cobrir?

Ele encolheu os ombros e sentou na bancada.

— Disse algo sobre ter três assistentes para isso... Eu não acredito que ela continue tão... Maluquinha! E ainda vai arrastar o pobre do Kakashi junto.

— Eu não acho que Kakashi está achando tão ruim viajar por aí com a namoradinha... Embora cobrir desfiles de moda não seja o passatempo mais legal. – Sasuke comentou.

— São dois velhos safados. – Sakura deu de ombros. — Aproveite e ligue para suas outras avós, eu não quero uma segunda guerra geriátrica no tapete da minha sala como foi no seu aniversário de treze anos.

— Sakura, vamos combinar, foi um dos melhores momentos da vida! – Sasuke teve que pontuar.

— Pra quem? Passei um caaaara-ramba de vergonha na frente dos amigos da escola! – Noein se indignava só de lembrar.

— Delilah e Mebuki se massacrando é um clássico que não canso e ver mas... Minha surpresa foi até Mikoto ter entrado naquele absurdo...

— Minha mãe gritando e batendo com a bandeja, ah, eu amo, garotas lutando, não importa a idade!

— Estão vendo meninos? Não sejam esse tipo de homem, esses homens que estimulam competições entre mulheres são a escória! – Sakura avisou aos pequenos, caprichando no tom para aterrorizá-los — Sejam gentis e nunca as deixem se machucarem! Certo?

— Sim, mamãe!

— E isso vale pra você também. – Apontou o mais velho.

— Eu?! Eu nunca fiz isso!

— Elas brigaram por sua causa!

— Elas brigaram por que são loucas, e v...

E?

— Foi por minha causa mesmo. Eu sou uma escória.

— Humpf. E está vendo, minha nenê? Também nunca deixe um cara fazer você brigar com uma menina ou quebrar seu coração.

— Eu sei, mamãe! – Sarada afirmou, mais que segura. — Eu que vou quebrar o deles! – Deu um rosnadinho enquanto amassava um biscoito na mão, os pequenos se empertigaram arregalando os olhos para ela e Sasuke baixou o jornal, olhando aquilo assombrado.

— Mas que por...? – Se voltou para a Sakura que na verdade estava muito orgulhosa do que via.

O telefone de Noein tocou de novo, era a avó Mikoto e ele se afastou da cozinha suspirando. E tendo mais certeza de que todas as mulheres de sua vida eram loucas.

Mas amava e venerava todas elas.

— Oi, vovó! Saudades?

*

— Já terminou mamãe?

— Calma, calma, estou quase lá. – Sakura deveria ter estudado melhor sobre kimonos, essa coisa era complicada de vestir até mesmo como uma fantasia infantil.

Sarada estava ansiosa, com o cabelo preso alto, e o rosto pintado de branco, ela queria inclusive sandálias de madeira mas só deu pra arranjar algo de borracha mesmo.

— Pronto, pronto, agora sim. – Ela se sentou no sofá, realmente cansada dessa coisa, Sarada se voltou para ela e tudo valeu a pena por que sua cria realmente parecia uma mini gueixa perfeita.

— Opa, só falta isso. – Pegou a espada de brinquedo e enfiou dentro do obi, lateralmente. — Perfeito, e eis uma linda gueixa samurai.

— Obrigada, mamãe! Vou mostrar pra todo mundo.

— Certo, certo, mas não desfaça tudo enquanto corre, ainda quero uma foto.

— Sim! – Ela correu a passos curtos e Sakura já estava imaginando-a tropeçando por aí.

Deitou-se na cama, respirando fundo com a missão cumprida e relaxando a coluna um pouco.

— Mamãe, ajuda.

Sakura se apoiou nos cotovelos e olhou para a porta deparando-se com Samuel usando cueca e todo enrolado em papel higiênico, a cara amuada.

— Por que está enrolado em papel higiênico, querido?

— Eu vou ser uma múmia!

Sakura revirou os olhos e caiu deitada. Engoliu uma risada (que era mais de desespero) e se levantou, indo até ele e pegando sua mão.

— Vamos fazer isso direito, amor.

— Okay.

— E quem te deu a ideia de usar papel higiênico?

— Papai.

— Nem decepcionada, e nem surpresa...

Sakura pegou alguns rolos de ataduras e enrolou nele, esfumaçou seus olhos com maquiagem e empalideceu a pele, depois ajudou Nathan com a roupinha de jedi e resolveu uma quase situação catastrófica quando o treco da espada parou de brilhar.

Ela teve que revirar a caixa de ferramentas de Sasuke atrás de pilhas novas e então passou a colar o barba falsa em Oliver.

— Olhe só pra você, um verdadeiro Babayaga!

— O que é isso, mamãe?

— O bicho papão! Eu me pergunto se em vez de uma arminha eu deveria te dar um lápis...

Sakura ajeitou o terninho preto que ele usou no casamento de Henry e sua namorada peituda.

— Opa, já esta tudo certo aí? – Sasuke perguntou, aparecendo na porta.

— Prontinho!

— Uau, a barba falsa ficou bem real. A mamãe deveria ser maquiadora em Hollywood.

— Agradeço. Os outros ainda estão inteiros ou já parecem zumbis despedaçados?

— A múmia está meio desenrolada, confesso.

— Argh. – Sakura se levantou e seguiu pra porta enquanto Sasuke pegou Olly no colo.

— A mamãe não é uma rainha? Deixando vocês todos em ordem até parecem humanos.

— Qual é a da puxação de saco? – Ela replicou, Sasuke sorriu acertando seu traseiro, o estalo fez Oliver esconder o rosto entre as mãos, temendo o papai levar um soco.

Inocente criança que não sabia que era sua presença que impedia o papai de perder uns dentes.

Sakura o fulminou por sobre o ombro.

— Desculpa, amor, é irresistível vendo você toda louca cuidando dos nossos diabinhos.

— Grande jeito de agradecer! Quero ver quando eu cansar dessa palhaçada, o que vai ser de vocês quando eu sumir!

— Pra onde a mamãe vai?

— Não sei, filho. Acho que o asilo.

Sakura apontou o dedo pra ele, furiosa.

— Espero que esteja bem afim de conversar hoje a noite.

— Certamente, amor. O papai ama diálogo. Dialogar é sempre a melhor coisa a se fazer.

— Veremos. Leve logo as crianças.

Sasuke seguiu pra fora, levando o menino e seguido por Cherry que usava uma gravata com lantejoulas, muito brilhante.

Sarada seguia a frente, levando o balde em forma de cabeça de abóbora e os meninos logo atrás, crianças corriam por toda a rua de porta em porta.

— Acho que pantera cor de rosa ficaria bem melhor mesmo. – Noein declarou, aparecendo ao lado dele com a velha máscara de lobisomem no topo da cabeça.

— Eu disse, mas sua mãe é dura de dobrar.

— Ano que vem, compre as fantasias no quatro de julho.

— Anotado.

Os dois seguiram pela calçada, acompanhando as crianças a cada porta.

— Não tem nada planejado pra hoje? – Sasuke indagou.

— Os caras querem ir no velho Owen, e você?

— Conversa de casal, Sakura que disse. – Sasuke se gabou.

Noein conhecia bem a mãe pra saber que ela só proporia conversa de casal por motivos malignos. Ela era aquele tipo que tinha um conselho legal pra todo mundo, e estava sempre lá pra dar um agrado e também uns cascudos.

Mas em se tratando dela própria, ela fugia totalmente de se expor.

Ele demorou um pouco pra entender o tanto de coisas que a magoaram, e fizeram-na se plantar dentro de um vaso de aço, mas também era este mesmo vaso que a tornava o pilar da família.

E seu pai estava lá sempre cuidando de mantê-la em pé com dignidade e afeto, então estava tudo bem agora.

Por isso que, ele sabia que o velho estava se iludindo, mas ele não seria filho dos dois se fizesse a bondade de avisa-lo, certo?

Certo.

*

Sasuke se jogou na cama, soltando o ar e amando sentir aquela colcha macia que cheirava a Sakura.

Também, finalmente havia silêncio, nenhuma crise de vômito por excesso de doces aconteceu, o delegado substituto estava segurando as pontas por lá, Noein foi se divertir com os amigos e não tinha mais nenhum inquilino precisando levar umas palmadas pra ir pra cama cedo.

Ser pai de cinco era duro, mas pior era que as vezes ele sentia que era pai de muito mais.

Alguns de seus cabelos brancos também eram culpa de Ino, Karin, Sui, e até o imprestável do Sai.

Juugo não, o cara é o melhor inquilino/amigo/filho que você iria querer.

— Noein não foi pra nenhum inferninho, foi? Não quero ele chegando em casa igual um espantalho fedendo a bebida e cigarro. – Sakura reclamava do banheiro.

— Deixa o menino se divertir, vai voltar pra base em um mês. Ele tem juízo e os garotos também. – Sasuke bocejou. — Não é como se eles fossem provar todas as drogas de Los Angeles.

— Ou pegar todas as DSTs, ou encher a cidade de sua prole de cabelinho preto, sardas e narizinho arrebitado e...

— Cê já tá falando como alguém que quer ver muito essa prole, hein?

— Deus me defenda!

— Uhum... – Sasuke se esticou na cama, estalando algumas juntas da coluna. — Também concordo que ele tem que ter cuidado nessa parte... Eu não preciso de mais uma remessa de cabelos brancos tão cedo...

— Como você é fresco. Tem no máximo dois fios até agora.

— Shiu, eu fiquei muito chocado ao ver aquilo, sabe? Não estou pronto pra essa parte ainda.

— Uhum...- Sakura abriu a porta e se recostou no portal, cruzando os braços. — E quanto a essa parte, está pronto?

Sasuke olhou, deitado de queixo pra cima a primeira coisa que viu foram pernas e meias cor da pele conectadas a cinta-liga violeta.

Girou o tronco, e sobre o estomago analisou os detalhes do lingerie violeta, rendado que cobria apejas até metade de seu traseiro e de decote baixo o bastante para ver o contorno dos seios.

Ele suspirou, apoiando o queixo no punho e apenas admirando que realmente conseguira casar com ela.

Apesar que ela provavelmente o deixaria de cabelos brancos sozinha um dia.

— Ah, essa parte continua como nos meus vinte anos, querida. – Ronronou.

Sakura se aproximou com os olhos brilhando de malícia, subiu já cama e engatinhou até ficar sobre joelhos e cotovelos, o propiciando a visão dos deuses.

— Oh, sim? Bom saber...

— Totalmente, majestade. Sabe que estou sempre engatilhado pra você.

— Own, maravilhoso! Mas então.

— Então o quê?

Ela apoiou o queixo nas duas mãos e o olhou piscando com total doçura agora.

— Sobre o que mais nós vamos conversar a noite toda, querido?

Sasuke encarou-a sem palavras, então ergueu o indicador, pedindo uma pausa.

Puxou o travesseiro e afundou o rosto nele, abafando um grito.

Caralho, como eu odeio essa mulher! AAAARGH!

Respirando fundo outra vez, ergueu a cabeça, pousou a mão carinhosamente sobre a dela, e sorriu retribuindo a mesma doçura no olhar ao dizer.

— Sobre o que você quiser, amor. Temos todo o tempo do mundo.

Sakura apenas sorriu estreitando os olhos traiçoeiramente.

— Ah, eu sei.

*

— EU SOU O DONO DO MUNDOOOO!

— Porra! – Leon ganiu baixinho e depois riu quase entalando, havia gelo se formando em sua coluna pois uma parte sóbria sabia que estavam em sério risco, mas o resto era só ousadia e alegria. Olhando para a sala em total escuridão da casa dos Uchiha. — Cala essa boca cara! Quer nos matar?! – Riu.

Sim, eles haviam passado do ponto ao empurrar umas tequilas a mais em Noein, mas o filho da mãe não era inocente.

Nada como bebidas, músicas e algumas gatas fantasiadas para por o cara no paraíso e não tirar mais.

Leon fez o possível pra trazê-lo de volta sem causar alarde (ao menos ele achava que realmente não estava fazendo) até Cherry parecia compreender e ficou calado o tempo todo que os seguiu do portão até a porta dos fundos, escorregando na grama molhada de orvalho ou tropeçando em brinquedos.

Mas Noein, o famoso língua ferina, tinha que abrir a boca agora, óbvio.

— Eu nem sei por que ainda sou seu amigo.

— É por que você me amaaa!

— Esse amor não vale a surra que a sua mãe vai nos dar, e você nunca foi meu tipo.

— Eu sou o da sua irmã.

— Te manca, cara. Ela que te chutou.

— Eu já esperava isso... Ela tem coração de gelo!

— Todas tem, por isso que são mulheres...

— Minha mãe não tem.

— Não, o dela é quente, alimentado por puro ódio. Então cale-se, irmão. Eu não quero apanhar de novo. Lamuriou.

Leon tinha boas, mas também dolorosas, fisicamente dolorosas, lembranças da adolescência, que era basicamente passar os dias e fins de semanas quase sempre naquela casa.

Da comida boa da sra. Uchiha, e dos cascudos que doíam mais que um pé no saco.

A surra de cueca molhada, ele ainda podia sentir arder no traseiro e não queria repetir a experiência.

Arrastou Noein até as escadas, praticamente o maldito junto com o cão enorme no qual ele resolvera se agarrar.

— Oh, Cherry, Cherry, Cherry, topetudo, cabeça de Elvis Presley! Eu também amo você, garotão.

— Isso só pode ser carma?

— Caralho, quem precisa de um banho aqui? Eu ou você?

— Hohoho, acho que eu...? Cala a porra da boca, estamos chegando lá-

As luzes se ascenderam e o pesadelo virou realidade.

A senhora Uchiha estava no topo das escadas encarando-os e segurando uma arma enorme.

Leon não estava exatamente melhor que amigo, é que nunca fora o tipo de bêbado que fazia muita algazarra ou beijava coisas não humanas pela rua, tipo Noein. Então foi totalmente reflexivo e incentivado pelo álcool no sangue que ele largou Noein escada abaixo e se abaixou, escondendo a cabeça entre as mãos.

— Abaixaissonãofuieleatiranele!

— Mas que! Puta merda! – Sakura exclamou, vendo o filho rolar escada abaixo, o outro garoto já se deitando com as mãos na cabeça ali nos degraus mesmo e Cherry latindo ao redor como se estivessem brincando no parque.

— Que porra é essa?! – Sasuke latiu, chegando até ela também armado. Olhou pro quadro ali embaixo e não sabia se ria ou se ficava puto com a nostalgia. — Ah, fala sério. São quatro e meia da manhã, por que ainda vieram pra casa?

Leon ergueu a cabeça entre os braços, abrindo os olhos.

— Está bem?

— Er, estou, sr. Uchiha...?

Sasuke suspirou e jogou o olhar para o monte. retorcido ao pé da escada que Noein era agora.

— Tá bem aí, filhão?

— Hããã...?

— Isso me parece um sim, vamos dormir, amor. – Disse, puxando-a pela mão. — E pra quê essa joça? São só o nosso filho e o amigo retardado dele, e não uma invasão do ISIS.

— Poderia ter sido, pela barulheira! – Sakura empurrou a arma pra ele. E desceu as escadas, vermelha de raiva.

— Suas pestes! Que horas pensam que são?! – Puxou Leon pela jaqueta, o pondo de pé e acertando a palma no traseiro dele repetidamente.

— Vá já pra cima tomar um banho! Está fedendo! Se vocês tiverem vindo dirigindo...

— Foi de taxi! Foi de taxi! Ai!

— Tira a roupa dele e joga ele no chuveiro, Sasuke!

Sasuke bufou, recebendo o pacote e puxou-o pelas orelhas.

— Quer merda. Eu não faço isso nem com a minha esposa, porra...

— Senhor Uchiha, me desculpa. Eu não vou beber nunca mais.

— Você disse isso na madrugada do dia que completou dezoito anos. Pro banho.

Sasuke ajudou-o a se despir e entrar na banheira, de cueca e sob uma água bem gelada.

Logo Sakura entrou puxando Noein exclusivamente pelos cabelos com as calças emboladas nas canelas e já sem a camisa.

— Entra aí, entra aí antes que eu te afogue.

— Oi, pai. Cê me ama?

— Não nessa madrugada, especificamente, entra logo aí.

Noein sentou na outra ponta da banheira, ele e Leon se esfregaram de frio sob a água gelada enquanto Sakura dava cascudos neles.

Sasuke foi guardar as armas e voltou para assistir a cena, munido do telefone.

— Amor, sai do caminho, que eu preciso documentar isso aqui.

— Vá por as crianças de volta na cama! – Ela latiu pra ele.

Sasuke jogou a cabeça para trás, olhando o corredor, e vendo três cabecinhas espiando de uma porta, e outra da porta do quarto de Sarada.

Ambas as portas bateram no mesmo instante e as luzes se apagaram.

Ele suspirou, indo até cada quarto se certificar de estavam ao menos fingindo dormir.

Sakura pegou pijamas para os dois marmanjos, preparou algo quente para comerem e deu remédios para dor de cabeça antes de os despachar para a cama.

Depois foi deitar e reclamou que já estava velha demais pra isso até dormir e incumbindo Sasuke de começar a ensinar os trigêmeos que beber era muito ruim por que não estava nem um pouco afim de lidar com essas coisas triplicadas dali mais uns anos.

Sasuke só queria dormir mesmo.

*

— Olhem só, crianças, essas lindas caras de derrota. – Suigetsu disse aos gêmeos enquanto fazia o favor de trazer eles para o café.

Havia acordado com a barulhada e os gritos de Sakura, e ao menos ele já havia lembrado desses velhos tempos, então só voltou a dormir.

Noein e Leon apenas existiam com o que sobrou de si mesmos atingidos pela ressaca.

Não sabiam se a cabeça realmente doía disso ou dos punhos da mãe dele.

— Está parecendo um zumbi. – Sarada riu.

— Brincamos de Halloween até muito tarde, princesa.

— E quem foi aterrorizado no sono fui eu. – Sasuke reclamou, sentando-se a mesa com o jornal.

Sakura retornou, segurando o telefone e os dois rapazes se escorregaram na cadeira, quase indo para debaixo da mesa.

— Leon, sua irmã já veio te buscar.

— Opa, Deus é bom. Estou indo.

— Eu acho que deveria ir...- Noein arriscou.

— Não vai dar tempo. Tchau. – Leon se esgueirou da cadeira até a poeta dos fundos e depois só viram sua cabeça passando rapidamente pela janela.

— Que amigão da pooor... – Noein desistiu de substituir o palavrão, e apenas se calou, pegando a xícara.

Se levantou, empurrando a cadeira pro lugar, quase trombou na mãe.

— Ah... Eu já sei o que vou fazer... Vou levar os meus irmãos pra escola. E vou contar uma historia no caminho... e dar abraços e beijos...?

— A iniciativa é toda sua.

Noein desistiu de encará-la por enquanto.

Antes um covarde vivo do que um herói. despedaçado.

Desviou, se encostando na parede, esfregando o topo da testa instintiva e protetoramente, aproveitando o cabelo grosso e embolado para esconder os olhos e então escapulindo, evitando movimentos bruscos até as escadas.

Sakura bufou, quando ele saiu de sua visão e se sentou a mesa, esfregou as têmporas, então olhou para as quatro crias restantes que davam risadinhas e entalaram com seu olhar.

Ficaram calados e sérios, recolheram suas lancheiras e seguiram para o carro sem nem esperar Sasuke os chamar.

Suigetsu saiu logo atrás, rindo e Karin também.

Todo mundo foi deixando a cozinha, restando apenas Sasuke e Sakura.

Ele aproveitou pra ler o jornal, já que Noein queria agradar e ela ficou só pensando e pensando. Ainda com um charmoso vinco entre as sobrancelhas, sinal de que estava irritada e reflexiva.

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Noein passou pela cozinha como um raio, apenas catando as chaves do carro, que Sasuke atirou pra ele.

E mais silêncio se fez.

Então ela começou a rir, cuspiu uma gargalhada atrás da outra. Bateu na mesa e se retorceu no lugar.

Sasuke começou a ficar preocupado até.

— Querida...

— Você viu aquilo? Jesus, você viu? A cara dele. A cara deles...!

— Impagável mesmo... está tudo bem? Não está mais zangada?

— É claro que estou zangada, porra! Mas é que... Aaaaargh! Eles são tão! Ah, eu cometi um erro, um grave erro!

Sakura finalmente respirou direito, enxugando o canto dos olhos, e passou a encará-lo, sorrindo com um brilho nos olhos que o desconcertou.

— Eles são tão você. Me fazem um monte de raiva, e até desespero, mas aqui estou, rindo disso tudo. Igual ria de você e das suas babaquices.

— Uau. Que declaração... Mas eu estava bem só com um “Eu te amo”.

Sakura riu, apoiando o queixo no punho.

— É claro que ficaria. Você é clichê!

— Não mais que você... E eu estou puto também, não bastou passar a noite toda olhando pro teto falando besteira ao seu lado, mal dormi e acordei com aquele show de horrores...- Sasuke pegou a xícara, ainda desconsolado e lembrando que ela também o fazia querer rir, chorar e morrer de raiva quando bancava a teimosa diabólica.

Uma noite e uma lingerie incríveis foram desperdiçadas.

— Bem, quanto a isso o que eu poderia fazer? Você queria tanto que essa mulher de ação aqui se convertesse numa que dialoga...

— Humpf.

— Mas eu devo admitir que foi divertido. Desde que nosso bebê voltou pra casa, falamos sobre muita coisa de antigamente, não é?

— É, até que não foi ruim...

— Uhum. Lembrei das nossas brincadeiras também.

— Nem pareceu...- Ele resmungou.

— Não quer brincar agora?

Sasuke baixou logo o jornal.

— Eu não disse isso.

Sakura sorriu, a rainha safada e maliciosa.

— Quer brincar de quê? – Ele incentivou, o malandro sempre pronto para se aproveitar.

Lambendo os lábios, ela jogou os olhos para a porta da dispensa.

Sasuke fez a associação em segundos e foi logo se levantando atrás dela.

— Sete minutos no paraíso? Chega a ser injusto.

— Ora, por quê?

Sasuke abraçou-a por trás, fechando a porta com o pé e murmurando contra sua orelha.

— Por que estou no paraíso desde que me casei com você, Sakura.

— Oh. – Ela girou, voltando-se para ele e o imprensando contra uma das estantes. — Isso não pode ser meio tedioso? Vou te dar um pouquinho de inferno também, quente e sujo, para variar.

— As variações são a melhor parte.

Isto era quase uma mentira, a melhor parte era que era com ela.

Felicidade feita com uma dose alegre e terna de paraíso, outras duas ou três da coisa quente e infernal, funcionava entre eles, o equilíbrio perfeito.

Para o longo reinado que estavam construindo a cada dia.

Fim

Notas finais
Quando digo fim é fim meeeexmo huabauaau Mais uma vez obrigada a todos q acompanharam, favoritaram, comentaram e até recomendaram até aqui Vcs sao top pa caralhooooo E por fim VEM HEXAAAAAAA ❤
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!