Killer Queen
34 Rainha Tentante
Notas iniciais

Sakura, de todas as coisas, não achou que isto a faria rir tanto.
Sasuke estava puto ao seu lado no carro, ela se via vermelha e já com os olhos lacrimejando de tanto segurar o riso.
Desde que decidiram começar esta coisa de ter bebês, ela nunca se divertira tanto. Era algo muito complicado, um pouco assustador e ás vezes cansativo, muito exames eram exigidos e específicos, e ela nunca gostou muito de fazer nem os de praxe. Era o tipo que comia direito e fazia exercícios pra ficar o mais longe possível de hospitais.
O custo também era alto, e não estava tão confortável com Sasuke querendo dividir as despesas, ainda parecia mais que era só capricho dela, mas ele não estava reclamando, estava tão impressionado quanto ela. Acompanhou-a em todos os exames que ela foi fazer e óbvio que ela faria o mesmo.
Nunca achou que adoraria tanto essa parte.
— Sakura, se continuar rindo eu juro que...
— Me desculpe! – Ela suplicou, explodindo numa gargalhada, Sasuke bufou como um touro, a cara enorme de tão zangado e constrangido.
Quando o médico passou um espermograma, ele achou que tiraria de letra, seu grande ego já antecipando que resultaria numa taxa enorme e tudo mais.
Quis desistir só de saber que teria de ficar cinco dias em abstinência de sexo, ficou puto de ter que se masturbar numa sala com revistas pornôs como entretenimento (o que ela não entendia porque, ele não fazia isso desde pirralho?) e não levou mais que dois minutos para sair de lá pois esteve “segurando” a tempo demais, mal tocou e foi tudo para o bendito copinho.
Mas ao menos ele não errou, ou teriam que fazer tudo de novo.
— Baby, veja pelo lado bom... – Sakura insistiu, descendo do carro, ele também, aborrecido. — Ao menos comprovou que você tem ótima pontaria...
— Sua...! – Sasuke xingou, dando a volta no carro, ela correu pra casa. Entrou largando a bolsa no chão mesmo e Sasuke a agarrou já ao pé da escada e jogou-a no sofá. — Eu devia matar você!
Ela já estava morrendo de rir, nem era capaz de se defender. Ele suspirou, abraçando-a e beijando sua cabeça, Sakura já sentia o estomago doer e escondeu o rosto no peito dele.
— Bom, pelo menos não doeu. — Ele suspirou, ela respirou melhor aos poucos e concordou.
Os exames de sangue eram chatos, mas o Histelrossalpingografia, a deixou aterrorizada, admitia, aquilo doeu como o inferno, ainda assim, se perguntava se isso era natural para qualquer mulher que quisesse ter filhos, ou ela que era meio masoquista mesmo. Pois só conseguia torcer para que tudo desse certo e ela fosse saudável o bastante para continuar conduzindo tudo de maneira natural.
Sasuke estava inseguro com o resultado do exame, mas não o atazanaria quanto a isso, sabia que esse tipo de coisa mexia com o ego masculino e não queria atingi-lo. Ele continuava fazendo tanto por ela.
Ao menos não tardaria para essa espera acabar.
— O que é que tanto diverte vocês, hein? – Ino perguntou, enquanto descia as escadas.
— Até mais. – Acenaram, ela deu de ombros e saiu de casa.
Os dois sempre riam de imaginar como eles reagiriam ao saber o que estavam planejando, mas decidiram não comunicar nada antes de terem algo mais... Concreto em mãos.
Sakura se sentia mais segura e menos exposta assim, com menos medo de falhar sem tanto público para assistir... Apesar que agora tudo o que mais queria era pode sentar com Ino e Karin e rir com elas sobre as aventuras de Sasuke e o espermograma.
Voltou a rir loucamente outra vez.
— Que foi agora?
— Só-só estou imaginando, que se ela souber o que você aprontou hoje...
Sasuke revirou os olhos, indignado, puxou uma almofada e pôs na cara dela.
— Olhe aqui, madame, acho que temos que conversar um pouco. Falar sobre um tratado de silêncio.
— Nuncaaaaa!
— Ah, vamos sim! Lá em cima, depois que eu puder terminar o que comecei lá no laboratório e com sua ajuda.
Sakura afastou o travesseiro do rosto e o encarou.
— Ué, e ainda sobrou alguma coisa? Achei que tinha soltado tudo, sem controle, tipo uma mangueira de incêndio e...
Sasuke abafou sua fuça novamente.
— Morre, diaba.
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Duas semanas depois, o Dr. Kinoshita parecia muito satisfeito em ter os exames em mãos, ou só estava sorridente como sempre mesmo.
Sasuke já não tentava ver diferença, Sakura continuava ansiosa, de todo jeito.
— Bom dia, como foram os exames para vocês?
— Bem, na medida do possível.
— Entendo, bem, dei uma olhada nisto aqui assim que chegou, e não tem porque fazer mistério, Sakura, você está ótima para engravidar, melhor do que eu esperava até.
Sakura se empertigou, ainda incrédula, o encarou com desconfiança.
— Tem certeza?
— Total. Bem como você havia avisado, também temi que seu último aborto pudesse ter sido causado por um fator mais preocupante. Mas pelo que se pode concluir aqui, você teve dificuldades como qualquer mulher na sua idade teria se não fizesse um acompanhamento adequado para uma tentante e um bom pré-natal. Uma pena que não tenha havido tempo, você teria conseguido.
— Entendo... – A informação não a consolou tanto assim, ainda trazia pesar, mas ela se esforçou a aceitar, poderia ser pior.
— Os exames não apontaram qualquer problema congênito, ou patologia, apenas o alto nível de estrogênio, o que é normal na sua idade e atrapalha a gestação. Sendo assim, eu só tenho que mandá-la para um nutricionista, e recomendar suplementação vitamínica, ácido fólico por exemplo, é imprescindível antes mesmo de você engravidas para assegurar a boa formação do bebê, as outras vão assegurar sua saúde também.
— Nossa... Eu... Eu nem sei... Você tem certeza, não é? – Ela insistiu, ainda muito desacreditada, Sasuke passou o braço ao redor dela, apertando-a e beijou sua testa.
— Querida, você é perfeita. – Afirmou. — Vai se sair muito bem, sim?
Uma parte dele também estava com medo de acreditar, mas a outra só podia agradecer, era uma primeira notícia e um incentivo sem igual.
— Ah, claro, temos que falar dos seus exames também, Sr. Uchiha.
Ele poderia parar de sorrir agora, Sasuke decidiu, ajeitando-se na cadeira, incomodado e com Sakura o encarando também em expectativa. Não estava ajudando, mas ele preferia morrer a admitir que estava nervoso.
— Há, hm, entendo.... Então?
— Bom, pelos exames de sangue tudo parece nos conformes também. Mas o que os homens devem entender, é que ao contrario do que popularmente pensa, ser capaz de produzir espermatozoides a vida toda e não sofrer com problemas semelhantes a menopausa das mulheres, não significa que se vá ser fértil a vida toda. A qualidade e quantidade dos espermatozoides tende a diminuir também com a idade. Mas no seu caso, não houve nada alarmante. Na verdade, está indo muito bem, você sempre manteve a forma e comeu bem, isso influência muito e vai ser mais que necessário que apenas melhore mais o seu estilo de vida daqui em diante.
— Sério? Digo, eu já esperava. – Ele abanou a mão rapidamente, se recostando na cadeira mais confortável.
— Você quer dizer que ele também tem que fazer dieta? – Sakura disse.
— Apenas continuar comendo o que se tem de saudável, fazendo exercícios e evitando os excessos de álcool, gordura e tabaco, já devem ser o bastante. O foco é mais em você, por isso que além de passar as vitaminas também vou te dar um remédio, chama-se Clomid, e vai ajudar na maturação dos seus óvulos, os resultados tendem a ser muito bons, no seu caso, a gravidez não custa a começar, as vezes já no primeiro ciclo ou no segundo, de um total de três.
— Nossa... Isso é rápido.
— Claro que tem casos e casos e você deve focar em manter o estilo de vida saudável, tomar o remédio na exata dose prescrita e o principal...
— Que é?
— Haha, praticar.
— Oh, ah, claro...
Sasuke apreciou essa parte.
— Isso eu garanto.
— Argh, você não perde a chance, não é?
Kinoshita esfregou as mãos, satisfeito, e começou a escrever a receita e recomendação ao Nutricionista.
Ao fim do dia, Sakura já estava em casa, havia uma enorme sacola com verduras, frutas e legumes, muitas carnes e também as latas de suplemento, ela lia a bula do remédio linha por linha e também a prescrição de uso na receita.
Sasuke achou engraçado, ela estava tão adoravelmente concentrada quanto quando pegava os livros de leis para estudar ou a caderneta de códigos da polícia.
— Já vai começar a tomar? – Indagou, enquanto mordia uma maçã.
— Hum, acho que quanto mais rápido melhor, assim fica tudo regulando com a suplementação. Ainda tenho que ver uma academia, e você também...
Ele revirou os olhos já se vendo numa nova ditadura. Ditadura dos bebês.
Largou a maçã e puxou-a por trás, jogando-a nas costas e saindo da cozinha.
— Mas que porra?! Me põe no chão, Sasuke! Quase derrubou tudo, argh!
— Chega dessa tralha por hoje, vamos ao que interessa, garota. – Rebateu, subindo as escadas.
— Me põe no chão! Inferno, e minha arma quando preciso? Leve as coisas á sério, porra.
Sasuke entrou no quarto e a pôs no chão.
— Eu estou levando a sério, muito a sério, então tire a roupa mulher. – Avisou, já se livrando da jaqueta.
— Oi? Pelo amor de deus, você...
— Sem blá blá blá, você ouviu o homem, o importante é praticar.
Sakura revirou os olhos e pôs as mãos no quadril.
— É só o que interessa, não é?
Ele passou as mãos atrás de suas costas, abrindo o vestido ele mesmo e trilhando beijos em seu pescoço e rosto.
— Você ouviu, sou apenas o reprodutor, o resto é com esse seu corpo maravilhoso, querida. Apenas me deixe cumprir minha humilde parte na obra da natureza.
Sakura riu, o abraçando, ele tomou o frasco de sua mão e jogou no tapete, erguendo-a e caindo na cama com ela.
— Está ansioso é, malandro?
— Muito ansioso, majestade. Sou um súdito, e trabalhador dedicado. – Sasuke se ajoelhou na cama e arrancou a camisa do tronco, ela puxou seu cinto. — E que comecem os trabalhos.
֍
E que terminem os trabalhos, ou ele morreria.
Quatro semanas depois, Sasuke aprendeu várias coisas sobre tentativas de engravidar, desde alimentos que potencializavam a fertilidade à posições sexuais específicas para facilitar a concepção, sinceramente gostava mais de quando não parecia haver necessidade de toda essa preparação.
Era só questão de beber uma garrafa de vinho, esquecer de tomar a pílula um dia, ou a camisinha ser vagabunda, para a Mãe Natureza preparar suas cegonhas kamikaze para atirarem bebês na vida das pessoas.
Estava cansado, cansado de comer verdura, cansado de tomar pouco café, de acordar seis da manhã para correr, dormir antes das dez, de ficar longe de uma boa cerveja, batatas fritas e bacon, longe do jogo e perto de livros sobre maternidade e bebês.
E definitivamente, estava cansado, veja, não achando ruim, mas cansado de tentar fazer bebês.
Sexo era uma atividade, e qualquer atividade exagerada cansava, ora.
— Porque temos que comer peixe de novo? É a terceira vez essa semana...- Sui observou, um pouco desgostoso, a panela fumegante de peixe cozido, o cheiro era ótimo, mas peixe não era sua carne favorita...
— Oh? Você não quer? – Sakura disse.
— Bem... Estava mais afim de pernil no forno, confesso...
— Bem, quem sabe no fim de semana? Mas se não quiser, porque não pede uma pizza ou sei lá?
— Tudo bem mesmo?
— Claro.
— Obrigado!
Ele correu para o telefone, Sakura já lançou um olhar de aviso a Sasuke.
— Mas você não.
Ele estava decepcionado, mas nada surpreso.
— Nem se for de frango?
— Sasuke...
— Querida, eu estou implorando, só umas batatinhas.... Frango frito ou um Hambúrguer. Caralho, Sakura, eu sou americano, gosto de fritura, não sou japonês, bom, não tanto assim pra gostar de peixe.
Sakura bufou, cruzando os braços inconformada.
— Você prometeu que faria tudo direito. Peixe é bom pra saúde, assim como amendoim e pistache, vai garantir ótimos espermatozoides.
— Meus espermatozoides já são ótimos, o médico disse.
— E vão ficar melhores. Eu quero o melhor material que essas bolas podem oferecer, cara.
— Isso foi insensível, o que eu sou pra você? Um garanhão reprodutor?
Ela balançou a cabeça, evitando responder, ele a fitou indignado, e deu a volta.
— Eu vou pro Mc’Donalds agora.
Sakura apagou o fogo sob a panela de peixe e o seguiu.
— Sasuke!
— Eu vou comer bacon, uma tonelada de bacon e eu vou tomar um barril de cerveja, mulher. Além de definitivamente, ter minhas coisas dentro das calças por mais de duas horas.
— Que diabo está falando?
— Estou falando que essa dieta é uma ração e que estou me sentindo explorado.
— Está sendo dramático, são só umas rapidinhas aqui e ali...
Ele se voltou para ela, já na porta.
— Durante esse mês, fizemos sexo pela manhã, depois do café, antes e depois do almoço, isso quando não tinha a sorte de estar preso no trânsito ou numa sala com pessoas. Antes do jantar, depois do jantar, antes ou durante e depois do banho, e antes de dormir, isso quando você me deixa dormir!
Sakura ficou pensativa e encolheu os ombros, fazendo um bico magoado.
— Desculpe?
Sasuke suspirou, deixando as chaves novamente no aparador.
— Tudo bem, mas peixe de novo, só mês que vem, okay?
Ela assentiu, o puxando de volta pra cozinha, enroscada em seu braço.
— E sobre o pistache, que tal sorvete de pistache?
Sasuke gemeu, querendo chorar.
— E você está tão sexy, irritado assim...
Desviaram, de novo, para a dispensa, ele sabia que quando ela vinha com essa manha, o jeito era satisfazê-la e torcer para estar vivo após o orgasmo. Não havia como resistir a ela nenhuma vez, mas precisava prezar ao menos pela própria integridade física. Sua dignidade já havia ido pro ralo a tempos mesmo.
— O que conversamos sobre não usar calcinha com outras pessoas em casa?
Sakura apenas se esfregou mais nele, enquanto brigava com o cinto.
— Fica mais fácil assim, ora.
֍
Um mês depois.
— Sakuraaaaa, saia logo daí, mulher! – Rachel reclamou.
Sakura finalmente saiu, com expressão emburrada e encarando o palito de testes.
— Nada. – Resmungou, dando o palito para Rachel e seguindo para fora do banheiro.
Rachel verificou mais uma vez antes de jogar na lixeira.
— Querida, não fique assim, vai acontecer, certo? – Insistiu, seguindo-a até a sala, Sakura estava sentada com o bebê no colo, cabisbaixa.
— É que já é o final do terceiro ciclo e...
— E o médico vai aumentar a dose de Clomid, eu sei, já vi acontecer, certo? Tenho certeza que deve dar certo dessa vez, não pode ficar tão ansiosa, isso atrapalha, sabe?
— Argh, sei. Sasuke fica dizendo isso.
— Logo vão estar brigando para escolher os nomes. Garantooo!
Sakura a fitou, assustada.
— Nomes?
— Mas claro! Aposto que serão gêmeos, de preferência menino e menina pra casarem com os meus, já imaginou nós duas no altar casando nossos bebês?!
Sakura a encarou nada confortável com a idade de por dois bebês no mundo. Ainda estava pensando em como seria por um, e toda aquela tonelada de vídeos de parto e livros sobre sintomas de gestação não estavam cumprindo exatamente seu papel de informar e tranquilizar...
Nem sabia o que responder.
— Er.. – Tossiu. — Uma coisa de cada vez, hum?
— Claro, claro! Mas fique tranquila, se continuar ansiosa, vai ficar paranoica com sintomas e tudo mais.
— Tem razão. Acho melhor nem contar a Sasuke que desconfiei de novo... Não quero frustrá-lo...
— Vai por mim. Se o deixar ansioso é pior. Marc ficou paranoico com o parto já no começo de todas as gestações. E você viu o que rolou quando ele teve que lidar com a dos gêmeos...
Sakura sentiu um arrepio só de pensar nisso. Não sabia se lidaria bem se Sasuke não quisesse mais continuar com aquilo depois que ela engravidasse.
Antes de começarem, estava resoluta e pronta pra lidar com a possibilidade de ele querer terminar para não ter que estar com ela nessa empreitada toda. Mas agora, estava cada vez mais acostumada a contar com ele, a ficar ansiosa e ser tranquilizada por ele. Não achava que daria conta de continuar com isso se ele pulasse do barco. Admirava muito Rachel por ter tido garra de prosseguir mesmo com a possibilidade de se tornar mãe solteira de duas crianças já em cima dos quarenta anos.
Sakura queria era normalidade, convencionalidade, e estava cansada de contar só consigo mesma, na verdade. Talvez sem Sasuke, ela não teria conseguido ir adiante como achou que conseguiria.
Suspirou, concordando.
— Melhor... Deixar pra quando tiver confirmação mesmo...
— Uhum, uhum.
— Enfim, tinha mais uma coisa pra falar com você. Recebi um convite mas... Não sei se devo ir.
— É? De quem?
Sakura suspirou, pegando a bolsa e tirando uma folha impressa de e-mail.
— Da Lídia... Ela, ou talvez algum sobrinho me mandou o e-mail, mas...
— Você não quer correr o risco de encontrar alguém da sua família...
— Não agora, não agora que tudo está indo tão bem. Ray, eu estou feliz. Estou muito feliz, com ou sem o bebê. Eu não quero ser mãe para preencher algo, eu apenas descobri que quero isso, e não quero desistir de mais nada sobre mim.
— Querida, eu entendo. O mundo nos faz achar que só seríamos completas se fossemos mães de uma penca de filhos. Ser mulher é muito mais que isso. A capacidade de gerar é um dom, uma escolha e um privilégio. Eu não escolhi ser mãe por estar infeliz. Eu apenas descobri, estava lá e eu não só não sabia, como achei que não fazia diferença estar ou não. Me senti um lixo por causa dos abortos, mas esses bonequinhos aqui. – Ela apertou a bochecha gorda de Dayse. — Não vieram para completar nada, me fizeram transbordar de felicidade, sei que será o mesmo para você, querida. E quanto a sua família, tenho certeza que Lídia sabe porque está evitando contato. Se ela resolveu enviar o convite, é porquê quer você lá, ela te ama, sente sua falta.
— Eu também amo. Muito...
— Vá com Sasuke. Se algo acontecer, ele a tira de lá. Ele já fez antes. – Ray piscou.
Sakura sorriu, enrubescendo sem perceber.
— É, já fez mesmo...
— Quando é a festa?
— Finalzinho de Agosto.
— Ué, está bem longe ainda.
Sakura sorriu, terna, e encarou o papel com carinho.
— É bem a cara dela. Me dar tempo para decidir...
— Pois pense bem, sim?
— Vou pensar... Argh, e pensar que já estamos em Junho, passa tão rápido.
— E esses monstrinhos aqui? Marc disse que sente que daqui a dois meses eles vão estar pedindo um carro.
— Ah, sim, crescem rápido mesmo. Kenton já está começando a andar. Izumi está pra ficar louca.
— Oh, sim. Kenton, isso me lembra que caso você tenha meninas, Dayse pode casar com ele...
— Rachel, já saímos da época dos casamentos arranjados tem um tempinho.
— É apenas a título de organização.
Sakura revirou os olhos e deixou o bebê na cadeirinha. Se levantou e catou a bolsa e os óculos escuros.
— Bom, tenho que ir. Sasuke vai chegar em casa cedo hoje.
— Oh, ele chega hoje de viajem?
— Uhum. Filho da mãe. Não acredito que ele não me levou. Estou subindo pelas paredes, sabe?
— Claro que sei. Mas lembre o que disse. Sexo apenas em dias alternados. Ou você pode arraçoar ele a vontade que não vai ajudar na qualidade do esperma.
Sakura bufou, parecia-lhe ridículo ter que fazer sexo tabelado. Claro que o remédio era que a estava deixando tão disposta, mas Sasuke não precisava ir para São Francisco sem ela.
Ela podia se controlar.
— Tenho que ir logo.
— Cadela no cio. – Rachel cantarolou.
— Vá amamentar suas crias, vaca.
— Olha aqui, em breve a vaca será você!
Sakura pegou o carro, e seguiu para casa, no caminho, recebeu uma mensagem de uma conhecida que era gerente de uma loja de sapatos. Avisando-lhe que os Jimmy Choo que ela queria a meses haviam chegado.
Sakura definitivamente poderia controlar sua libido em troca daqueles sapatos. E se Sasuke a quisesse com mais urgência, a teria levado. Desviou e seguiu para o shopping. Pegou aquelas belezinhas e ainda tomou um café com a gerente.
Só então seguiu para casa, entrou estranhando a falta de Gibs e Tinny e seguiu para a cozinha, tirou uma lasanha da geladeira e pôs para esquentar no microondas, então subiu para o quarto e largou a caixa de sapatos na cama, tirou o vestido e resolveu experimentá-los de novo, desta vez revendo o guarda roupar para escolher qual vestido será adequado para estreá-lo.
— Parem de latir dentro de casa. – Reclamou, ouvindo os dois cachorros latindo no corredor.
— Parece que já estava me esperando. – Sasuke disse, recostado na porta, ela o fitou, ficando inerte. Ele sorriu com aquele cantinho que formava uma covinha que apenas acentuava a sensualidade e cinismo de sua expressão, e ergueu uma garrafa de vinho. — Também me preparei.
Sakura seguiu até ele, o encarando fixamente e até ameaçadora, Sasuke notou os sapatos novos, arqueando o cenho, mas não pode comentar pois ela o estapeou e montou, enroscando as pernas longas em torno dele e puxando um punhado de cabelo com brutalidade, dominando-o e tomando um beijo.
Ele passou os braços em torno dela, apertou a bunda e caminhou até a cama, jogando-a sobre o colchão.
— Vamos lá, amor. Você só de saltos, eu só com esta garrafa.
— Feito.
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— Sasuke? Onde você se enfiou? É hora de fazer bebês.
Sasuke suspirou pesadamente, se perguntando se ela não percebia que chamar um cara para sexo com “Fazer bebês” como convite, não era exatamente muito atraente.
Estava plenamente envolvido na causa, mas não achava necessário irem tanto para os termos técnicos.
Sakura abriu a porta do banheiro e sorriu, muito satisfeita de enfim por as garras nele.
— São sete da noite, porque fazer bebês tão cedo?
— Haha, estou brincando, agora, claro. Só estava vendo de onde você sairia correndo. E você não me falou como foi lá em São Francisco.
Sasuke suspirou, preferindo fazer bebês agora.
Havia sido designado a ir para uma convenção de Ciência Criminal, algo assim, com um monte de nerds cheios de invenções e palestras de gente experiente. Poderia ter mandado outra pessoa, mas os contornos que o caso Green eyes estava adquirindo o fizeram sentir a necessidade de estudar mais sobre a psique humana desses criminosos e acompanhar algumas palestras de perfiladores ajudara muito.
Ainda no momento, o caso corria com total sigilo, a identidade de Cristina Putnam como uma das vítimas, permanecia oculta e ele estava muito satisfeito de manter assim, poupando a família, os filhos pequenos dela, o marido já desolado.
As câmeras do estacionamento pegaram o desgraçado atacando-a, mas só forneceram uma descrição já próxima que a vítima sobrevivente já havia dado.
Um homem com cerca de trinta anos, cabelo castanho curto e feições bastante comuns, comuns demais para se registrar, até sem graça e apagado, exceto pelos olhos injetados e viciosos.
Enquanto esteve em São Francisco, Sasuke não descobriu nada que desse muita luz sobre o caso, mas ao menos arranjou alguns bons contatos de profissionais interessados em ajudar.
E com alguns deles, ele repensou e repassou o caso e assim pode tirar algumas conclusões, que o ajudaram a entender mais sobre o que poderia originar o desejo do assassino em atacar essas mulheres e como ele estava “evoluindo”.
Ele não era nenhum troglodita, não usava nenhuma técnica de luta para imobilizar as vítimas, era definitivamente um cara comum e um tanto atrapalhado por sua pressa e anseio quando as atacava.
Ele parecia tão patético agarrando-se á Cristina que sua equipe ficou tão enojada quanto indignada de estar tanto tempo atrás de um paspalho daqueles. Contra um homem qualquer, ele não duraria três segundos, definitivamente precisava exercer a força sobre mulheres para se sentir menos patético, e por isso começou atacando moças mais comuns, depois, um pouco mais encorajado pelas investidas bem sucedidas, atacou as ante penúltima e penúltima vítimas.
Uma era uma jovem bela com porte de modelo e provavelmente muita auto estima para dar qualquer brecha a um “pouca bosta” como Sakura definia, por isso não pode resistir a ataca-la bêbada, a outra, uma jovem estilo badgirl, que chutaria suas bolas se lhe dissesse um A (e ela fez e assim que escapou) e por fim Cristina, uma mulher bem sucedida, vaidosa, de porte também intimidante e elegante, bem casada e com filhos que também dificilmente olharia para um paspalho que andava de moletom se escondendo de tudo e todos como um rato.
Todas elas tinham uma ligação além dos olhos verdes, essa preferência evidenciava alguma ligação ou desejo insaciado que ele deveria manter sobre alguma mulher em seu circulo familiar ou pessoal.
Podia ser uma antiga colega de escola que o intimidasse, de trabalho, uma namorada geniosa e até abusiva, uma vizinha, até mesmo a própria mãe.
Baseado nisso, Sasuke e a equipe concluíram que ele buscava dominar, humilhar e depravar uma mulher não só de olhos verdes, mas uma mulher que representasse, com cada vez mais precisão a figura que o atormentava realmente.
— Mas isso não nos leva até ele. – Sakura pontuou, ele suspirou, sentando-se na cadeira do escritório.
— Não, não leva. E também não leva até a possível próxima vítima. Ele pode cruzar com ela em qualquer lugar...
— Sasuke. Eu estive pensando. Ele poderia mesmo simplesmente estar no mesmo estacionamento que a Cristina?
— Pode tê-la visto e seguido antes do trabalho. Ela passou o dia na galeria, almoçou lá. Só esteve realmente sozinha quando ia pra casa.
— O que já mostra que ele não estava agindo completamente na “fome”.
Sasuke parou de esfregar o rosto e fitou-a.
— Que quer dizer?
— Que ele também pode ter a escolhido a dedo. E esperado, bem antes do dia do assassinato.
Sasuke deixou a cabeça cair contra a poltrona.
— Puta merda... Sabe o que isso implica?
— Que sua cabeça vai explodir a qualquer momento? – Ela suspirou, sentando-se a beira da mesa. Não queria fazê-lo correr de volta para delegacia e revisar todo o caso, mas acabara se empolgando um pouco.
— Implica que pode haver a possibilidade mínima de ele estar ligado a Cristina. De sair de alvos aleatórios para alvos mais específicos. Isso com certeza facilitaria a vida dele. E definitivamente poderia o fazer se sentir mais próximo do alvo idealizado.
— Mas é só uma teoria...
— Uma teoria muito boa. – Sasuke se levantou, pegando o telefone da mesa e beijou o rosto dela. — Você é genial. Estou orgulhoso.
— Hm.
Depois de alguns minutos pedindo informação e trocando figurinhas com o Uzumaki, Sakura já estava prevendo ele sair correndo de volta para o trabalho. Mas não estava afim. Virou-se sobre a mesa, agora em cima dos joelhos e mãos, chamando a atenção dele, que a observou sobre o ombro.
Sakura deslizou sobre a madeira escura, mantendo o traseiro alto e balançando suavemente os quadris, tirando cada vez mais a atenção dele da ligação.
Sasuke sorriu, sabendo que ela o estava tentando pegar, mas saber suas estratégias ainda não o fazia imune a elas. E ele não era. Por isso ela prosseguiu, caprichosamente desfazendo o laço do vestido que ficava na nuca, mas se recusando a deixa-lo ver o tronco nu.
Virou-se, dando as costas, e só então deixando parte da peça cair contra o quadril.
— Aham. Certo. Me ligue depois, se conseguir algo...
Sasuke desligou, e seguiu até a mesa, contornando-a, deixou o telefone e se sentou na cadeira, observando-a.
— Temos que trabalhar isso direito, querida. Você não me pode me dar algo para trabalhar e então me tirar do trabalho, sabe?
Sakura deu de ombros, apoiada na mesa. Os braços impediam a visão que ele queria, tanto em cima, do colo, quanto de entre as pernas.
— Eu posso te dar algo pra trabalhar. Esqueceu do nosso projetinho particular? Eu definitivamente quero que trabalhe muito. – Ronronou inclinando-se em sua direção, e mordendo seu lábio.
— Então acho que é o caso de você estar monopolizando o meu tempo e me tirando das minhas outras obrigações, majestade. Isso é muito feio, tem que saber dividir. – Sasuke censurou, beijando-a lentamente e acariciando seu braço, beijou o pescoço, a pinta que tanto adorava, o colo e por fim a puxou da mesa e se levantou, bruscamente, Sakura riu e ele abocanhou seu seio enquanto a pressionava duramente contra mesa e abarcava sua bunda.
Ela se remexeu gemendo longamente, deliciada e apertando a mão dele contra seu sexo, Sasuke invadiu a calcinha e deslizou os dedos carinhosamente provocando-a e provocando o mamilo entre os dentes. Ela se desfez num pequeno orgasmo que só a deixava mais disposta e voraz. Os dois se embolaram com as línguas, ele estocando-a com os dedos.
Afastou-se um pouco, e pegou-a pelo cabelo e quadril, pondo-a de costas para si e reclinada na mesa, quebrou facilmente o cós da calcinha e arrematou o vestido em torno de sua cintura, abriu a calça e liberou o pênis, pressionando e esfregando na carne dela.
Sakura se remexeu sobre a mesa, pedinte, arranhando a superfície, ergueu uma das pernas e apoiou-a dobrada na beirada, Sasuke mordiscou os próprios lábios, saboreando a entrega e sede dela. Passou a mão por suas costas, até sobre a tatuagem e a nuca, então envolveu a mão no cabelo dela, soltando a outra e pousando-a na carne da nádega dela com um estalo e um apertão, então entrou dentro dela de uma vez e grunhiu com a intensidade e o calor dela.
— Puta merda. – Ela soltou, surpresa excitada, sentindo uma breve ardência que apenas a fazia mais primitiva. Sasuke apertava seu cabelo, cada vez mais longo, já podendo enrolar uma volta em torno do punho e estocava duro e certeiro, totalmente fundo, tanto que pinicava e a fazia tremer e perder a respiração.
Seu traseiro batia contra a pélvis dele, ecoando nitidamente no recinto, Sasuke apertou um de seus seios, xingando em meio a um rosnado, cada vez mais rápido, sua respiração soprando quente nas costas dela, a mão úmida e forte apertando sua carne e marcando.
— Você adora me ter trabalhando, não é, querida? – Ele esnobou, ela queria xingar de volta e o mandar fodê-la como devia, era sua obrigação, mas de sua boca só saiam ruídos e ar.
Sasuke saiu dela, sentando-se na cadeira, segurou-a no lugar, apertando sua perna aberta e mergulhando a boca, Sakura estremeceu, apertando os olhos e mordiscando os próprios dedos. Cada lambida dele a fazendo derreter mais e balançar.
— Você vai me comer mesmo? – Choramingou, sentindo os dentes dele marcando suas coxas e bunda.
— Completamente. Venha aqui. – Sasuke soprou, sedutoramente. Puxou-a para si, para o colo, ela se sentou apressada, passando um braço em torno do pescoço dele, apoiou a outra mão na mesa e ergueu o quadril para ele se encaixar dentro dela novamente.
Sasuke puxou-a para baixo, ofegante contra seu colo, observando sua expressão febria e suada, e lambeu um dos seios que saltaram a cada investida dela auxiliada por suas mãos.
— Isso, porra. De quem é essa boceta agora, hm? Mostre como você rebola pra mim, cadela.
Sakura gemeu, as sobrancelhas franzidas, balançando os quadris para cima e para baixo, frente e para trás, freneticamente. Sasuke ergueu uma mão e apertou o queixo dela, beijando-a e mordendo o pescoço.
— Sabe o que eu acho? Que você não quer só ter um bebê. Você está adorando ter uma desculpa para saltar sobre o meu pau o tempo todo.
— Cretino...
— Admita pra mim, querida. O bebê não vai ligar, quando crescer eu direi que você era louca pelo papai.
Sakura grunhiu, se virando de frente, afoita e o montando, Sasuke riu e se recostou na cadeira, dando-a mais espaço. Ela se apoiou na mesa agora atrás de si e continuou subindo e descendo, ao próprio ritmo. E ele apenas beijou-a, provocou e lambeu. Esfregou seu clitóris até fazê-la tremer muito para se manter apoiada e segurou-a pelo quadril.
Impulsionando-a, as primeiras ondas do orgasmo dela já sendo detectadas por ele no aperto quente de seu sexo, no franzir da testa, nos lábios abertos e concentrados, nos xingamentos que soprava cada vez mais agudos e sôfregos.
O levando junto também, ele apoiou a cabeça entre os seios dela, cingindo-a mais forte contra si e gozou depois dela, quase perdendo o ar, afogado na atmosfera densa e sexual que emanava dos corpos.
Sakura relaxou contra ele, em longas respiradas e arquejos. E Sasuke suspirou bem fundo, absorvendo o cheiro dela e admitindo.
— Esqueça, eu estou me aproveitando muito mais.
Sakura riu, passando os braços em torno dele o fitou e piscou, suada, eufórica e traquinas.
— Que você é um malandro aproveitador, eu farei questão que ele saiba bem cedo. Me preocupa mesmo é que ele puxe esse lado de você.
Sasuke riu, anasalado e abraçou-a pela cintura.
— Acho que também me preocupo.
Ainda mais se também puxasse o lado persuasivo e determinado da mãe. Seria definitivamente uma criaturinha perigosa. Que se não conseguisse as coisas com um jeitinho malandro, conseguiria na base do tapa ou de métodos pouco convencionais e uma mente diabólica.
Ao dobro.
Lembrou de quando confidenciara para Naruto, a única pessoa além de Rachel e Marc que sabia do “projeto bebês” até agora, e de que ele dissera que uma cria entre Sakura Haruno e Sasuke Uchiha só poderia ser nada além do próprio Anticristo e desbancaria até Boruto (Sasuke não sabia se era elogio ou ofensa)...
Sasuke achara um exagero, ele nem Sakura eram mais as duas forças descomunais e opostas da época escola, embora suas brigas ainda fossem um belo show. No entanto, quanto mais pensava em si e no jeito dela, mais pensava que talvez fossem ter bastante trabalho para não terem um delinquente de jardim de infância ou uma candidata a presidente...
Ou os dois.
— Temos que batizar esse bebê assim que ele nascer.
— Hã?
Ele encolheu os ombros.
— Proteção divina, só pra garantir.
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