Killer Queen
35 Rainha Gestante
Notas iniciais

Dois meses depois.
— Sasuke? Sasuke? – Sakura entrou no quarto, deu a volta até o corredor, chamou mais uma vez, e como ele não respondeu, desistiu e voltou ao quarto, parando em frente o espelho e olhando com dúvida para o vestido que usava.
Era preto, relativamente simples, simples até demais, diria, mas parecia a única coisa que não a fazia se sentir redonda e estranha.
Talvez calça e blusa fossem ideais, mas não queria soar indiferente, também não queria muito exagero para uma festa diurna e casual.
— Me chamou? – Sasuke apareceu na porta. — Ah, já está pronta?
Ela se virou, com as mãos nos quadris.
— Eu não sei. Eu não me sinto pronta, digo, isto está mesmo bom? Está apertado, caralho.
Ele se aproximou, medindo-a com os olhos, e apenas sorriu segurando sua cintura. O vestido era justo, mas deixava-a com ainda mais cintura, o decote curto e aberto com alças finas e um pequeno laço de tecido acima do quadril, nas costas.
— Você está linda. Não tem o que se preocupar.
Sakura não se convenceu, aborrecida.
— Está brincando? Meu rabo está enorme, pareço uma vespa, e meu rosto está redondo, caramba. Eu tô inchada, sei lá. Eu ando comendo demais. – Choramingou.
Sasuke riu e beijou seu ombro e pescoço.
— Eu gosto que você tenha um baita rabo. E quanto ao resto, pode estar... Cheinha, mas não é nada de mais.
Sakura se virou, encarando incrédula.
— “Cheinha”? Cheinha? Tá me chamando de gorda, seu arrombado?
— Eeeer...
Ela o empurrou e foi embora, soltando uma longa fila de impropérios, pegou a carteira, um colar de pérolas e o pequeno embrulho que seria o presente.
— ...Filho de uma chocadeira, cara de pau. Me chamando de gorda. Se enxerga!
E saiu do quarto. Sasuke coçou a cabeça, decidindo se ainda ia atrás dela. Resolveu ir só para não correr o risco de ela bater no carro dele ao sair da garagem. Ela fez isso “sem querer” na vez em que foram ao médico e cruzaram com a médica gostosona com quem ele saiu algumas vezes e teve ótimas consultas.
Sasuke poderia fingir que não conhecia as mulheres com que já saiu, mas achava tal ato de muita hipocrisia. Sakura nunca deixou de falar de Hidan ou comentar algo acerca dele quando parecia normal ou apenas relevante.
E por mais que ele também não gostasse do cara, ela não precisava ter batido o carro dele... ou apagado ela mesma mais da metade dos contatos femininos do celular dele... Ela andava bastante passional ultimamente, talvez tivesse haver com o tratamento para fertilidade, ou que ela ainda temesse que ele recuasse e saísse a tempo.
De qualquer forma, sabia que ela não era ciumenta assim normalmente, pois o que comandava era seu grande ego e auto estima, então deixou passar com tranquilidade.
Não fazia mesmo questão de manter aqueles contatos, e sobre o carro, no fim ela se sentiu mal, pagou o concerto e um belo oral.
Por que ele ainda reclamaria?
Mas lá estava ela, noutro rompante de raiva e sensibilidade. O carro dele não merecia sofrer com isso toda vez. Também presumiu que ela estava nervosa em ir ao aniversário de Lídia.
— Sakura? Querida, eu não falei por mal. – Insistiu, chegando ao andar de baixo e ainda ouvindo ela aos resmungos. Queria era rir, mas ela o castraria.
Encontrou-a na geladeira, revirando tudo, irritada.
— O que foi dessa vez?
— Onde estão os doces? Os chocolates? Porque não tem um bolo nessa casa?!
— Querida. Você disse que não queria ver doces na geladeira. Que quem comprasse que comesse logo...
— E daí? Eu quero comer algo doce. Vou ter que derreter açúcar agora?!
Sasuke suspirou, e foi até ela, puxando-a pelo braço.
— Amorzinho, vamos logo. Será uma festa de aniversário. Aposto que vai ter todo o doce que você imaginar.
— É, acho que tem razão...
Sasuke pegou as chaves, e o presente sobre o balcão. Sakura acompanhou até o carro dele, o dela estava na revisão.
De Mid-City até o tradicional e cultural bairro de Lynwood, não eram mais que vinte minutos. Sakura, claro, afirmou que conseguiria chegar em menos de dez.
Ele não duvidava, mas o carro era dele e gostava dele inteiro ou sem multas para pagar.
A casa no endereço era entre alguns prédios de dois andares bem comuns por ali, haviam vários carros pela rua, os quintais eram de cercas de ferro baixas, bastante amplos e musica latina era só o que se ouvia desde o começo da rua, crianças atravessavam a toda hora e brincavam nas calçadas. Alguns jovens ao celular não eram novidade também.
Sasuke parou antes de chegar a casa, ao lado da calçada, olho em torno com o típico costume de verificar qualquer possível suspeito ao redor, e então fitou Sakura, que tentava entrever algum conhecido enquanto esfregava uma pérolas do colar entre os dedos.
— Vamos lá, fominha? – Ela bufou, o encarando desconfiada.
— Quer dizer o que com isso, hein?
Se ela não sabia, ele que não diria...
Tiraram os cintos e desceram, ela pegou o presente no painel antes de fechar a porta. Sasuke acionou o alarme e contornou, acompanhando-a sobre a calçada.
— Está animado hein?
— Está mesmo.
Passaram pelo portão aberto para o quintal, a churrasqueira estava a todo vapor em se tratando de assar muita carne, linguiça e até verduras e legumes, caixas de som já ao lado, entre as de gelo com cervejas. Pessoas dançavam e rodopiavam pelo gramado e algumas mesas de plástico abrigavam os mais interessados em comer e beber.
— É melhor achar ela logo, já estou me sentindo um intruso. – Sasuke avisou, bem humorado. Eles eram alguns brancos e ainda por cima arrumados demais, entre muitos negros e hispânicos, principalmente.
Sakura concordou também desconcertada até que enfim viu a mulher cuja figura foi a mais materna que já conhecera sair da casa, usava um vestido modesto e mesmo sendo a aniversariante, não se importava de agir com toda preocupação com a comodidade dos convidados.
Sakura instantaneamente se apressou, mas logo se deixou levar pelo nervosismo e estacou, insegura.
Sasuke a puxou, seguindo em frente e desviando das pessoas e parou perto da mulher que agora falava com duas jovens, provavelmente parentes.
— Dona Lídia, que prazer vê-la de novo. – Disse, já avançando e pegando a mão dela, as garotas o fitaram com receio, já o achando um doido varrido. Lídia o fitou, os olhos arregalados mal o processando a sua frente.
— Você? Mas você...?
— Ah, lembra-se de mim? Que bom. Trouxe seu presente, sabe?
Simplesmente empurrou Sakura para ela.
Sakura apenas a abraçou logo, escondendo o rosto entre os cabelos castanhos já cada vez mais grisalhos da mulher. Lídia a tateou, ainda incerta e então reconhecendo, riu com um choro alegre, afagando o cabelo dela e a apertando.
— Oh, oh, minha estrela. Você está aqui! Está aqui! Oh, gracias, gracias.
Realmente agradeceu a Sasuke e fitou Sakura no rosto, que já fungava.
— Oh, meu bem, que presente maravilhoso. Não sabem o quanto quis que viesse!
— Não-não ouça esse idiota. Claro que eu não sou o presente. – Sakura resmungou, corada e oferecendo o presente.
Lídia abanou a mão, pegando o embrulho mas mais interessada em levá-la para dentro de casa.
— São meus presentes, você também, venha aqui. – Chamou, Sasuke as seguiu, a casa era modesta e tudo cheirava a comida, a cozinha interligada a sala por um balcão americano estava cheia de mulheres, panelas no fogo, comida sendo temperada e cortada.
Lídia os levou até um dos quartos, de casal. A colcha era toda bordada, e havia um pequeno e colorido altar para uma santa. Sobre a cama, vários presentes já abertos, e papel de embrulho pelo chão.
— Aqui está mais sossegado, preciso dar uma olhada em você! – Ela disse, pondo o presente na cama e segurando Sakura pelos braços para medi-la com toda a atenção e orgulho, deixando-a até sem graça.
— Eu cuidei muito bem, não foi? – Sasuke se gabou, encostando-se na porta e cruzando os braços. Sakura o mandou um olhar de ameaça e Lídia riu calorosamente.
— E estava cuidando é? Por isso tão ocupados? Hahaha, você está linda meu bem. Tão... Tão... cheia de vida? – Ela continuou analisando, muito mais interessada e apertando as bochechas de Sakura. — O que vocês andaram aprontando, hum?
— Nada muito proibido.
— Sasuke, cala a boquinha?
— Consegue imaginar ela me tratando assim o tempo todo? Um namorado não merece isso. – Ele jogou, dando um beliscão no traseiro de Sakura antes de fugir para fora do quarto. Sakura o xingou alto, pronta para lançar algo nele.
Mas ele já havia conseguido escapar.
— Estão namorando? Não acredito! Oh, olhe este anel, que bonito!
Sakura empurrou uma mexa de cabelo para o lado, sorrindo sem jeito e tendo que admitir.
— É, por incrível que pareça...
— É? O que mais vocês planejam, hein?
Ela fitou a mulher um pouco desconcertada, Lídia sugeria algo como noivado? Certamente que surtaria se soubesse o que os dois estavam trabalhando arduamente para conseguir...
Adoraria falar sobre isso com ela, Deus sabe como queria, mas ainda sentia dentro de si uma redoma de medo e superstição que a impedia de se sentir segura sobre falar dos seus planos mais abertamente. Era tudo muito incerto, em sua mente ao menos. Que temia que até mesmo um comentário desmotivador como “você não é muito velha para isso?” a derrubasse de vez.
Sabia que palavras assim jamais viriam desta boa mulher, mas a trava ainda estava lá. Ela também não conseguia deixar Sasuke falar com a família sobre isso.
Quando recebeu o convite e desejou ir, quis engravidar mais ainda e chegar ali com essa notícia para ela. Mas isso ainda não havia acontecido, Sakura estava se esforçando a ficar menos ansiosa e agora com o contato entre elas retomado, pretendia mantê-lo, e esperava poder falar com ela disso logo também.
— Nós, não estamos planejando nada ainda... Quer dizer, estamos ótimos como estamos, sabe? É uma fase muito boa.
— Oh, sim? Certeza?
— Uhum...
— Se você diz... Então, posso abrir meu outro presente?
As duas riram, Sakura assentiu logo, Lídia desembalou a caixa com todo gosto, fez uma cara impressionada ao ver a caixa preta de joalheria, se gabando como uma mocinha, e então abriu, encarando já emocionada o belo pingente de ouro branco, numa corrente fina, que presentava Maria de Guadalupe a quem era mais fiel.
— É tão lindo... Céus, gracias, querida.
— Quer por logo?
— Mas é claro. Serei sucesso na missa esse domingo. – Ela se gabou, bem humorada. Deu as costas e Sakura pôs o pingente, rindo, e então a abraçou por trás, suspirando.
— É tão bom, estar perto de você de novo. – Confessou, Lídia afagou sua mão, sorrindo e então se virou. — Chega de falar do passado, vamos pra lá comer?
Sakura voltou a sentir o estomago implorar por comida mexicana loucamente e assentiu, já se levantando.
— Sim, comida. Algo doce pra começar, por favooor.
Lídia riu e seguiu de volta a cozinha, observando-a alegre e bastante desconfiada, chegando até a comentar com uma das irmãs, o quanto sua querida Sakura estava bonita, cheia de vigor e apetite como nunca vira antes. Um viço nos olhos e um brilho bastante singulares.
*
— Aquela madame é sua patroa, amigo? – Um dos sobrinhos de Lídia indagou, o oferecendo uma cerveja, Sasuke pegou sem pestanejar, já sentindo a boca salivar de saudades de uma boa cerveja, estava fazendo o típico calor infernal da Califórnia e ainda meio de tarde. Chegava a considerar ir pra pequena piscina de plástico das crianças.
— O demônio de cabelo cor de rosa? Estou mais pra escravo. Mas as pernas são demais, fazer o quê?
Ele riu junto com os outros.
— Eu acho que conheci ela quando era mais novo. Tia Lídia as vezes a trazia pra cá, escondido do patrão, era toda quieta, parecia ter medo da gente, achávamos que era por ser branca e rica, mas a tia sempre disse que ela nunca esteve acostumada com irmãos que agissem como irmãos ou muitos primos. Quando cresci ela falou mais, dos Haruno e do jeito de militar, fez sentido.
Sasuke concordou, um pouco pesaroso, olhando em volta, poderia imaginar Sakura novinha, perdida e nervosa com toda essa barulheira, gente feliz, cantante e faladora, provavelmente ela se escondeu em sua casca, sob uma figura que parecia arrogante e deslocada ali, bem como fazia no colégio.
— É... Ela criou uma casca bem dura. Vai por mim, ela parece uma rainha, mas dois minutos deixando ela irritada, você aprende novos palavrões. Eu até arriscaria fazer uma demonstração ao vivo, mas irritei ela mais cedo e ela quase atirou em mim...
Ele abanou a mão, rindo e dispensando comprovar a ideia.
— Vou confiar nas tuas palavras, cara. Com fome?
— Aceito qualquer coisa. Estava mesmo era afim de uma dessas. – Ele ergueu a latinha. — Com saudades.
— É uma dieta? – Perguntou o outro primo.
— Patroa...
— Dios. Mulheres brancas são loucas.
— Mas você põe ela na coleira também, não é?
Sasuke riu, maldoso.
— Ela gosta que eu use o cinto...
— Ah, muito melhor então!
*
— Ora, você achou que Sasuke não se enturmaria, Sakura. – Lídia riu, enquanto lavava alguns pratos e observava o quintal pela janela acima da pia. Sakura revirou os olhos, bebendo um suco e comendo um burrito feito pela irmã de Lídia, Laura.
— Ele só parece intimidante, por dentro é um aproveitador cara de pau.
— E é muito bonito. – Disse Laura, secando os pratos. — Disse que ele já tem quarenta? Aposto que teve que competir com menininhas por ele.
Lídia riu também, Sakura deu de ombros, apesar que lembrou que o safado já tivera rolo com Ino e Karin. Não que sentisse ciúmes das duas, mesmo Karin tendo sido implicante com ela por um bom tempo, não era exatamente por causa de Sasuke, e hoje em dia as duas já tinham uma convivência mais pacífica.
Na verdade, talvez fosse a rotina de morarem na mesma casa, se aturarem era inevitável e se tornou até chato achar motivo para brigas.
Ino claramente não veio ao mundo para ser amarrada por um cara, pelo menos não tão cedo e certamente não por um coroa, mesmo que um no nível de Sasuke.
Ela amava o trabalho que fazia, e amava a liberdade que tinha. Um cara teria que rebolar muito para tomar um pedaço tão farto do coração dela que pudesse convencê-la a ser no mínimo mais monogâmica.
Quanto as outras. Sakura não se importava tanto, talvez só de vez em quando. Nada que apagar da agenda e as mandar pastarem em alto e bom som não resolvesse...
— Haha, quem? Esse velho babão? – Ela deu de ombros.
*
Já eram oito da noite, a festa parecia que iria durar muito mais, mesmo Lídia já bem cansada. Até cortaram o bolo mais cedo para poupar mais a boa senhora. Sasuke observou que Lídia não tinha filhos, mas parecia amar os sobrinhos como se fosse mãe também. Talvez isso justificasse sua ligação com Sakura, mas ele sentia que ela era mais aquele tipo de pessoa que dava amor a qualquer um que precisasse, quanto mais uma garotinha sem mãe, com uma madrasta má e um pai ausente.
Era impressionante a quantidade de gente que veio vê-la o carinho que davam, ela era como uma celebridade de bairro, o que impressionou Sakura também, afinal a mulher fora e ainda era, empregada da família. Como poderia ter sido tão atuante ou popular enquanto vivia boa parte do tempo no rancho e anteriormente na casa que tinham na cidade, não sabia direito.
Abraçou-a forte outra vez, antes de entrar no carro.
— Promete que vai ligar?
— Prometo sim! Ou mesmo mando um e-mail, seus sobrinhos olham sua caixa de e-mail sempre?
Lídia riu, orgulhosa.
— E quem disse que ele mexem no meu e-mail, ora? Sou uma mulher moderna, eu que enviei o convite.
— Sério? Caramba!
— Já tenho até Instagram, os filtros deixam minha comida ainda melhor!
Sakura não sabia se ria ou se invejava, não sabia nem o que era Instagram, sua página de facebook era basicamente uma forma eletrônica para alguém do trabalho achá-la, e achava e-mails mais rápidos e diretos, fora isso, usava apenas o whatsapp e tinha pouca paciência para grupos, basicamente só havia o da delegacia, e o do pessoal de casa.
Na internet, quando mais nova, costumava participar de fóruns e seguir blogs, apenas.
— Uau, que moderna?
— Hahaha, quem disse que temos que ficar para trás só por sermos velhos? Mas me ligue, sim? Quero todas as novidades, e sinto que não vai demorar a ter umaaaa.
— Se você diz, seria algum pressentimento? – Sasuke brincou. Ela piscou, muito faceira.
— Algo assim! Por isso não me deixem de fora, hum? Ah, leve isso, querida, pra matar a fome, tem que ficar bem alimentada. – Aconselhou, dando a Sakura outra vasilha com comida, sendo que já tinha dado um baita pedaço de bolo para ela levar.
— Mais comida? Ela vai estourar... – Sakura o encarou com raios de calor nos olhos e ele virou a cara. — Estourar de felicidade...
— Humpf. Obrigadaaa, esse arroz estava uma delícia, nunca consigo fazer um igual ao seu, além do seu chilli, awn... -Sakura gemeu, já com fome de novo só de lembrar.
— Oh, querida, venha sempre que puder, agora tenho tido mais dias de folgas, então, muito mais tempo para cozinhaaar.
— Gosto disso. Mas temo que ir, antes que o trânsito fique ruim.
— Vá com Deus, minha menina e você também, querido. Continue cuidando dela.
Sasuke a abraçou, e assentiu, contornou o carro e Sakura se despediu da mulher mais uma vez, antes de entrar e eles pegarem o caminho de volta pra casa.
Ela estava esfuziante, leve e, antes de chegarem em casa, comendo o bolo de novo.
Sasuke só se perguntava o que havia acontecido para Lídia ter mais dias de folga, mas Sakura pareceu não perceber na hora, e ele tampouco comentaria.
*
Uma semana depois.
— Eu não acho que estou grávida. – Sakura afirmou, embora não fosse com alegria, deu de ombros. — Não sinto nada demais, nem enjoos, nem coisas do tipo. – Sentou-se na bancada, esta cheia de itens para o preparo de um sanduíche bastante volumoso.
Rachel a encarou, aborrecida.
— Você está comendo como um animal.
— Ah, cala a boca.
— Uma zebra em peso de comida todo santo dia. Sasuke ainda não foi dormir no outro quarto com medo de você comer ele?
— Ele que pede pra me comer, hehe.
— Que vadia, mas sério, Sakura, esse apetite todo não é normal.
— Ah, devem ser os remédios, Ray. E talvez eu esteja ansiosa também, o que me dá uma puta fome...
— Cof cof e está gorda cof cof.
Sakura apontou a faca para ela, ainda mastigando uma fatia de presunto, engoliu e falou.
— Agora é pessoal. – Ameaçou, descendo da bancada e pegando a sacola com um teste de farmácia, marchou até o banheiro mais próximo, Rachel deu de ombros e voltou a dar papinha aos bebês.
— Ela está duvidando da capacidade de vocês se camuflarem ou se revelarem, não é? Ela não viu nada ainda, não é? Hahaha.
Logo ouviu os saltos de Sakura ecoarem de volta para a cozinha, foi em sua direção, encontrando-a pálida e congelada, pegou o palito e sorriu com satisfação, deu pulinhos no lugar.
— Dois tracinhos! Yuhuuul! Bebês á bordoooo! – Exclamou, seus filhos rindo nas cadeirinhhas. — Seus noivos estão no fornooo!
Se voltou para Sakura, e esta correu de volta ao banheiro, pondo a mão na boca com ânsias de vômito, Rachel pôs as mãos no quadril e riu diabolicamente, ecoando pela casa inteira, a emprega chegou apressada e encarou-a com receio, os bebês morriam de rir e se melar com a papinha.
— Eram esses sintomas de gravidez você queria, querida?!
*
Sasuke encarou o amontoado de folhas por toda a mesa com desalento, evitou lidar com toda a burocracia pelo maior tempo possível, mas desistiu, ou seria afogado nela.
Começou tentando empilhar e organizar, encontrou algumas correspondências, foi lendo e empilhando. Um envelope amarelo, pequeno e meio amassado se revelou, no meio, Sasuke o virou, procurando o remetente, um perfume forte e caro emanava dele, parecia uma colônia masculina, olhando o destinatário, sua curiosidade se ampliou para um pequeno incômodo, estava endereçado á Srta. Investigadora Haruno.
Nem sabia se era instinto de policial ou ciúme, mas não gostou nada de uma carta com perfume masculino endereçada a sua mulher.
Se perguntou se deveria abrir, mas poderia ser algo ridículo, ou algo que pudesse irritar Sakura, ela se importando ou não com quem enviou, iria chiar pra ele por abrir correspondências dela.
A porta abriu de uma vez, e viu Sakura entrando, apressada e sorridente, segurando um papel, Sasuke se ajeitou na cadeira e largou o cartão dentro da gaveta entreaberta ao lado.
— Hey, o que faz aqui? – Indagou, pois ela estava de folga e ele a deixara mais cedo na casa de Rachel.
Sakura subiu na mesa, varrendo as pilhas de papel para o chão, ele já havia fantasiado algo assim (com ela vestida de secretária) mas não sabia se sentia tesão ou se ficava puto.
Ela sentou sobre os joelhos dobrados e puxou o rosto dele, beijando-o até na sobrancelhas. Sasuke sentiu aquele arrepio de tesão e medo, imaginando ela estava mesmo cogitando transar na delegacia.
— Mas que porra? Mulher, estamos no meio do expedi-...
Sakura afastou o rosto e encarou com os olhos brilhantes e úmidos, e sorrindo muito.
— Eu estou grávida.
Sasuke piscou, tentando ter certeza se enxergava ela direito, pôs as mãos sobre as dela.
— O que disse?
— Estou grávida.
— Repete.
— Estou. Grávida.
— Está me sacaneando?
— Estou grávida! Grávida!
Sakura foi pro colo dele, o enchendo de beijos e deixando um papel com ele, Sasuke mal conseguiu ler, mas entedia o que positivo queria dizer, e deixou a folha cair, segurou-a e encarou.
— Você está grávida. – Ele disse, como se ele que tivesse descoberto primeiro e a estava contando. — Está grávida. Grávida, muito grávida!
— Grávida pra caramba!
— Fodendamemte grávida! Porra! – Sasuke agarrou mais algumas folhas sobre a mesa e as jogou pra cima. — Gravida! Porra! Caralho! Você é demais!
— Sou mesmo! Estou grávida!
— E eu fiz esse bebê, caralho! Eu sou demais!
Sakura gargalhou, com ele girando na cadeira e jogando mais folhas pra cima. Sasuke a apertou contra si e a encheu de beijos, afagando a barriga dela e não sabendo se babava sobre o bebê ou se ficava se gabando.
*
— Que bolada eles devem ter ganho... – Lee comentou, presumindo que fosse o caso de eles terem ganho na loteria.
Todo mundo parou, e ficou observando o que acontecia através das vidraças do escritório.
— Ou devem ter ferrado alguém, juntos. – Opinou Konohamaru, Naruto riu um pouco, ainda não se arriscando a adivinhar, embora já tivesse quase certeza. Sasuke e Sakura eram do tipo de casal estranho que era capaz de brigar por qualquer coisa, e até comemorar qualquer besteira também. Ás vezes eles voltavam á época do colegial e eram impagáveis. Mas juntos eram uma dupla diabólica também.
Por isso, mesmo já imaginando o que se tratava, ele não se atreveu a ir se meter.
Depois de um bom tempo, e com o fim do show, eles continuaram conversando, sorrindo como idiotas, então finalmente saíram, juntos.
Já era horário de almoço, Naruto mandou uma mensagem para a esposa.
“Terei uma baita fofoca pra você até o fim do expediente”
Hinata respondeu com um emoji de dois olhos atentos e ele sabia que ganharia uma bela nude da dela ainda hoje, agora que atiçara a curiosidade de sua doce esposa fotógrafa, que sabia achar lindos ângulos para registrar suas lindas curvas, só precisava esperar para arrancar a fofoca de Sasuke.
*
Sasuke geralmente se gabava de ser mais paciente que Sakura, mas estava para usar o distintivo para furar ordem dos pacientes e entrar logo no consultório.
Quando enfim uma outra gestante saiu, com o estado de gravidez bem mais avançado, ele pode pensar melhor e absorver mais um pouco a realidade.
Sakura estava grávida, e ele sequer lembrava mais do quanto era ruim evitar beber e comer tanto peixe, amêndoas, pistache ir pra academia como antes.
Era como se tudo que fizera fosse absolutamente nada perto do que conseguiu agora e se perguntou se todos os pais se sentiam assim. Aquele bebê ainda era uma semente dentro dela, e ele já queria pôr Sakura numa caixa, e mantê-la segura de tudo. Queria entrar dentro dela, por as mãos em volta desta semente e impedir que qualquer coisa pudesse machuca-la.
E estava morto de medo de entrar lá e descobrir algo errado com a semente, ou de acordar amanhã e ela não estar mais lá.
Sakura disse que podiam fazer a consulta de início do pré-natal outro dia, mas ele a pegou, pôs no carro, e levou para o hospital outra vez, por isso enfrentaram uma grande fila, sendo encaixados quase em cima da hora do almoço.
O Dr. Kinoshita os parabenizou muito e Sasuke nunca simpatizara tanto com o homem, enquanto Sakura era só risos e choro, tudo misturado, fizeram a primeira ultrassom, pouco se podia divisar, para dois leigos que nem eles, menos ainda.
Mas o som, o bendito som, batidinhas contínuas e rápidas, ele queria morrer de tão feliz que se sentiu, o bebê era mesmo só uma sementinha de pouco mais de dois meses, mas estava lá, o coração batendo forte, se desenvolvendo em baixo do nariz deles, se pudesse rir, com certeza riria dos dois pais idiotas transando em qualquer lugar, e depois discutindo sobre como o bebê se sentiria se soubesse que foi concebido numa dispensa, no banheiro, na garagem ou no carro.
E ele já estava lá!
Difícil saber desde quando exatamente, então eles decidiram que fariam o favor ao bebê de também por a culpa em cegonhas kamikazes (como os pais de Sasuke fizeram, Sakura aprendeu nos livros de biologia, tinha vergonha de perguntar a alguém).
Sasuke a deixou em casa com pena, queria passar o resto do dia, da gestação, da vida perto dela e do bebê, mas tinha que participar de uma audiência pela tarde. Deixou-a na cama, olhando as fotos da primeira ultra e com a orientação de investir em repouso de agora em diante, ainda mais por ela ter tido enjoos.
Quase ligou pra todo mundo e convocou pro bar do Owen, mas Sakura o pediu para esperar mais.
Dr. Kinoshita não precisou tentar assusta-los para ela ficar temerosa, as gestações para alguém da idade dela apresentavam muito mais riscos no primeiro trimestre, e eles souberam disso bem antes, infelizmente.
Sakura queria passar pelas próximas semanas com calma e cuidado, focando na alimentação e nas consultas que também seriam bem mais periódicas que o comum para uma grávida mais nova.
Ele só teria que esperar mais um mês, mas poderia dizer para Naruto.
— Morra de inveja, filho da puta, eu vou ser pai.
— Hahaha! Mas eu já sou pai, otário! Mas obrigado por me comunicar, garantiu minha noite, e sua comemoração no trabalho me garantiu lindas nudes. Acho que faremos outro bebê pra acompanhar o seu na escola. Quantas semanas?
— Oito semanas e meia, que danadinho! E a gente trepando feito louco.
— Vai sentir falta disso por um tempo... Mas e aí? Festa no Owen?
— Só daqui um mês, vossa majestade está ansiosa pra passar pelo primeiro trimestre.
— Ah, entendo. Boca fechada, então?
— Agradeceria. Mas aí faremos muita festa, quando meus pais souberem...
— Haaah, cara, parabéns. Vocês merecem, são uns doidos varridos, mas merecem. Eu serei padrinho!
— Claro que vai. Meu garoto precisa de alguém que o ensine a como não chegar numa garota.
— Haha, vai se foder!
*
Um mês passou bem rápido até, Sakura reclamou tanto de ele não saber ser discreto, que como um carma, ela se sentia quase sempre tão enjoada que quem estava passando dificuldades para manter aquela sementinha em segredo era ela.
Com os resultados na nova ultra em mãos e o porta malas cheio de novos suplementos vitamínicos ela agora só queria comer alguma coisa assim que chegassem em casa, se sentia um buraco negro e Sasuke a ficava provocando sobre comprar um monte de calças de grávida para ela, aquelas com elástico e muito feias.
— Sinceramente, isso não me parece justo. Eu vou carregar seu filho e ainda ficar feia e gorda?
— Pois é não é? Que linda a natureza.
— Por isso dizem que Deus é machista... Mas é o caralho que vou usar calça de elástico sozinha, você também vai.
Sasuke revirou os olhos.
— Quer que eu use uma melancia por baixo da camisa também?
— Eu me sentiria muito melhor.
— Troco por sexo oral e massagem nos pés.
— Fodi-... Sempre que eu quiser?
— É só ligar, amor.
— Hum. Feito.
— Perfeito.
A tolinha nem sabia que ele nunca massageara o pé de alguém na vida, mas Sasuke esperava fazê-la esquecer usando seus outros talentos.
— Enfim em casa. – Sasuke disse, ao estacionar, Sakura desceu do carro e foi direto para a porta.
— Graças a deus, to morrendo de fome. Porque você tem que dirigir tão devagar?
Sasuke bufou, descendo e tendo que levar as compras.
Deixou tudo no balcão enquanto Sakura comia um sorvete. Não pode deixar de se aborrecer, havia feito de tudo para vir direto pra casa e evitar que ela atacasse besteiras e ela vai direto ao sorvete.
Chegou perto e puxou do alcance dela.
— Que tal uma coisinha mais saudável, hein? Tipo uma salada ou verduras no vapor?
Sakura o encarou segurando a colher como se fosse uma faca.
— Me dá esse sorvete agora, malandro. Se tem amor a vida.
— Troco por um oral e verduras.
— Eu não quero verdura, quero sorvete.
— Nem oral?
— Sasuke, eu posso ter quantos orais quiser e ainda comer todo o sorvete do mundo. Basta ligar pra um gigolô. Então me dá esse sorvete agora ou esse bebê vai nascer sem pai.
Ele empurrou o pote de volta pra ela e se afastou.
— Só dessa vez, hein? E vamos conversar sobre esse negócio de gigolô...
Ela nem respondeu, apenas a colher em ação, ele seguiu para a cozinha passando por Suigetsu.
— Diaaa.
— Dia.
Sasuke seguiu direto para a escada mas parou quando ouviu Suigetsu.
— Oba, sorvete!
— Puta merda... – Deu a volta correndo. — Sui, não-..
— AI! MEU OLHO!
*
— Que porra foi essa no seu olho? – Karin indagou, realmente consternada.
Sui encarava o vazio com um olhar perdido e assustado, o outro olho fechado de tão inchado e roxo.
— Era só... Sorvete... – Ciciou, fracamente.
— Dia de reunião de novo? – Sai resmungou, descendo as escadas e se sentando ao lado de Hozuki, bocejou e olhou pro lado, então passou para a poltrona, antes de perguntar. — Que porra foi essa no seu olho?
Logo Juugo e Ino desceram, também arrumados pra sair, Sasuke disse que haveria uma festa no Owen, mas não especificou o porque e ainda fez reunião de moradores numa sexta a noite.
Por fim ele e Sakura desceram, também arrumados, ele usava a jaqueta de couro e a camisa preta da Jack Daniel’s. Sakura num elegante vestido branco, o cabelo puxado de lado e lábios bem vermelhos.
— Todo mundo reunido? Ótimo.
— O que tem pra falar que não pode esperar a próxima quarta? – Sai resmungou. — E que porra é essa? – Apontou o olho de Sui.
— Oh, ainda está tão inchado? – Sakura compadeceu-se, Sui se encolheu no sofá.
— Eu to bem, eu to muito bem, não sei se volto a enxergar mas eu to bem, não to reclamando.
Sasuke não sabia se ria ou ficava com pena, poderia ter sido Sai no lugar dele, aí com certeza não ficaria indeciso, iria rir pra caralho.
— Enfim, o que nós temos pra falar é que. Temos algumas... explicações a dar e também uma notícia.
— Vocês vão casar? – Ino indagou.
— Não.
— Querem vender a casa e expulsar a gente? – Karin, sempre otimista.
— Não, mas expulsar o Sai seria ótimo... – Sakura o acotovelou pra ele manter o foco.
— Sasuke tem hemorroidas? – Sui chutou, Sasuke apontou pra ele.
— Eu posso cuidar do outro olho.
— Está ótimo assim. Nem dói, só uns espasmos de vez em quando.
— Deixem eles falarem. – Juugo disse. — Ou vamos teorizar a noite toda.
— Certo. – Sasuke retomou, pondo as mãos nos bolsos, Sakura juntou as mãos, um pouco inquieta e com certo pesar. Ainda era difícil rebobinar tudo isto e contar pra mais alguém. Mas sentia que era uma forma de agradecer tanto a quem tentou ajudar ou que simplesmente tentou não atrapalhar, e estavam todos ali.
— É... Então. Sei que nos últimos tempos, ano passado principalmente... Vocês perceberam algumas coisas... ruins acontecendo entre mim e Sakura. E tentaram ajudar, e viram o quanto estava sendo difícil, tanto pra ela quanto pra mim e como acabamos deixando vocês de fora. Sei que as coisas pareceram ter melhorado, quando a gente assumiu o namoro mas... Sendo honesto, estávamos apenas distraindo um ao outro.
— É sobre Noein? – Ino interrogou, ansiosa. — Por não o terem encontrado?
Sakura suspirou, trocando um olhar com Sasuke.
— Não totalmente, em parte. Ele se tornou parte do que já estava havendo, e por isso também que não desistimos de encontrá-lo... Espero que ainda possamos... Um dia...
— É. Noein veio numa hora complicada, mas Sakura e decidimos que se for possível, queremos ele na nossa vida também. Mas continuando. Houve algo um pouco antes disso, e o que houve foi que... Descobrimos que Sakura... Que Sakura estava grávida.
— Oi?
— Como?!
— Cara, rebobina isso direito, meu ouvido, acho que está danificado também.
— O bebê? O que houve?
— Eu perdi o bebê. – Sakura declarou, um tanto serena até.
— Você perdeu?
— Perdi...
— Não tivemos tempo. Quando ela abortou, foi que soubemos. Era inevitável. – Sasuke prosseguiu. — E então não sabíamos o que fazer, mas não conseguia contar a ninguém mais por um tempo. Mas começamos, eu comecei, a ir nas sessões com a Sakura, e, podemos dizer que... Estamos indo bem agora, certo, querida?
Sakura assentiu, sorrindo um pouco.
— Bom, é isso. Não conseguíamos contar para mais ninguém. Todos sabem como as questões familiares são complicadas para Sakura. E eu... Eu não fui preparado para isso, por um lado talvez tenha sido melhor assim, não sei. Foi uma merda. Mas estamos seguindo e... Isso nos leva a outra coisa que temos a dizer.
— Mais bomba? – Sui gemeu, ainda muito perdido para saber como reagir, bem como os outros.
Sasuke riu, e Sakura se recostou no ombro dele, sorrindo e apertando sua mão.
— Bom, quando se passa por coisas... difíceis, creio que seja para algo maior mais adiante. Também te faz enxergar de maneira mais ampla. Não só fora, mas dentro também. O que houve nos fez ver tanto que queríamos realmente estar juntos, quanto que... Somos bons juntos, e principalmente que... Podemos sempre tentar de novo. E foi o que fizemos. Sakura iniciou o tratamento em Fevereiro, e agora está com três meses, grávida. Vamos ser pais.
Houve um momento de silêncio, eles meio que aguardando ser uma piada. Sui saltou do sofá largando a almofada no chão e apontou pra ela.
— Por isso você me deu um baita soco!
— É! – Sakura riu. — Agora pega essa almofada.
Sui seguiu até ela (depois de por a almofada no lugar) e a abraçou.
— Caramba! Um bebê!
— Aaaaaaaaaaaaa! – Ino gritou saltando sobre Sasuke e batendo na cabeça dele. — Velho safado! Safado! Safadoooo! Como não disseram antes? Como contam tuuudo de uma vez?! Eu vou enfartar antes do trinta!
Sasuke riu, pondo-a no chão e abraçando.
— Não faça isso. Meu garoto precisa de um belo primeiro exemplar de peitos pra admirar.
— É menino?!
— Não sabemos ainda. – Sakura disse, afagando a cabeleira de Sui. — Ele que está contando vantagem antes da hora.
— É claro que vai ser menino. – Ele deu de ombros e então abraçou Juugo.
— Você é... Eu nem sei dizer o que você é. – Juugo meneou a cabeça, em negação e então abraçou Sakura, erguendo-a do chão um pouco. — Mas você é magnifica. Isso eu sei. É uma mulher esplêndida, Sakura.
— Não fale assim, eu sou uma bolha de lágrimas agora, nem perto de um soldado, uma vergonha isso sim. – Ela resmungou, já fungando.
— Eu já disse, chore o quanto quiser, ombros não vão faltar aqui.
Ela sorriu o abraçando de novo e Sasuke sentiu vontade de separar até. Juugo não era o tipo que conquistava garotas com um sorriso e cantadas, mas cinco minutos com uma mulher e ela estava a seus pés por meses.
— Sua danada! Eu te adoro! – Ino exclamou, abraçando-a.
— Eu até adoro você também. Mas não se magoe de perder o posto de pingente da casa por um tempo...
— Passo com todo gosto!
— Hahaha! — Sakura então tomou um susto, quando Karin a abraçou de repente, se desfazendo em lágrimas, todo mundo se calou, observando.
— Quando ela foi abduzida? – Sui perguntou.
— Sei lá. – Ino respondeu.
Sakura por fim sorriu, a afagou as costas da garota.
— Pronto, pronto. Já passou, estamos bem, tudo está bem.
— Por quê você tem que ser tão forte? – Karin lamuriou, com a voz anasalada.
— Haha, a gente faz o que pode. Não tem problema em cair de vez em quando, só é ruim quando desiste de levantar.
Sasuke se aproximou, também afagando as costas de Karin.
— Ora, não chore. Não borre sua maquiagem. Vamos ao Owen justamente pra comemorar.
Karin o abraçou também, como uma criancinha. Ino buscou água para ela e Sui já lamuriava por estar de olho roxo.
— Vocês são bizarros. – Sai avisou aos dois, por fim. Então deu de ombros e seguiu para a porta. — Se merecem. – Por fim declarou e saiu.
Sasuke encarou Sakura.
— Isso foi a forma dele dizer “parabéns” ou posso socar a cara dele sem culpa?
— Acho que a bizarrice que ele vê nas pessoas é reflexo dele mesmo. E também, você nunca sentiria culpa de soca-lo, seja sincero.
— Hm. Tem razão. – Sasuke a beijou e sorriu. — Vê? Nem foi tão ruim.
Ela concordou, sentindo-se também mais leve. E se estava, imaginava Sasuke como uma pluma, a ligação que ele tinha com essas pessoas a fazia recordar seu antigo esquadrão. E se pudesse dizer tudo isso a eles também, diria.
Podia imaginar a reação de cada um, mas o que fazia seu peito pesar era sempre ter consciência de que algum deles poderia nunca ter tal chance mesmo se ela tentasse contato.
— Foi ótimo.
— Foi sim, mas que tal irmos logo, hein? – Chamou o pessoal. — A cerveja está esquentando!
— Vamos!
Seguiram todos para a porta, pegando os casacos e falando alto como sempre.
— Lembrando que pago uma rodada pra quem impedir essa madame aqui de por álcool na boca! – Sasuke avisou, apontando Sakura.
— Babaca!
— Ebaaa!
— Eu viro segurança dela! – Sui afirmou.
— Cuidado com o outro olho. E não preciso ninguém me vigiando. Sou a rainha do autocontrole, não vou beber nada além de suco de frutas, humpf.
Já no bar, ela tomou três caipirinhas e uma marguerita escondida, quase saiu no tapa com uma estranha, bateu em Lee, tentou negociar um beijo com Owen em troca de outra marguerita (quase conseguiu), quase socou um estranho e Sasuke a levou pra casa mais cedo, como forma de castigo.
Ela chorou e riu no carro até dormir.
A rainha do autocontrole, com toda a ironia a que se tinha direito.
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