Killer Queen

36 Rainha Encrenqueira


— Onde a Sakura está? – Sasuke perguntou, Ino encolheu os ombros, enquanto se passava bronzeador á beira da piscina.

— Dá última vez que vi. Comendo.

— Caralho, de novo?

— Eu quase impedi, mas aí lembrei do olho roxo do Sui...

Sasuke suspirou e voltou para dentro, encontrando uma tigela de lasanha requentada sobre a mesa.

— Sakura? – Subiu as escadas e a viu vir do banheiro do corredor, enxugando a boca na manga da blusa que vestia, o som da descarga ainda ecoava.

— Que é?

— Vomitando de novo?

— A lasanha estava meio eeeer, sei lá. Enfim, vou na feira do bairro, e vou comprar material pra fazer outra.

— Outra lasanha?

— Eu quero comer lasanha, caralho.

Sasuke a seguiu até o andar de baixo. Sabendo que impedi-la era criar uma verdadeira guerra e um possível olho roxo. Se conformou de ela não ir longe.

— Certo, ao menos leve o Gibson.

— De novo? Pra todo lado que vou você me manda levar o cachorro, Sasuke. O coitado já deve estar enjoado de mim.

— Não estaria se você sossegasse o rabo em casa. De noite fica “Ai, meus pés estão me matando”.

— Eu to levando seu filho!

— Deixa de drama! O moleque nem deve ter o tamanho de uma maçã!

Sakura lhe mostrou o dedo do meio, pegou a carteira, também a arma e foi pra porta.

— Se me seguir, estouro seu rabo. – Avisou, passando por Juugo na saída. Bateu a porta e o grandão o encarou, bem humorado.

— Parabéns, acaba de aumentar o risco de soco, para risco de tiro.

Sasuke se largou no sofá, bufando.

— Ela não para! Toda hora atrás de comida ou indo por tudo no vaso, ou então fica toda sensível. E mau chegamos ao quarto mês!

— É a primeira vez pra ela também. Mulheres ficam ainda mais estranhas nesse período. Quando a barriga começar a crescer, ela vai pedir que não a obrigue nem a descer as escadas.

— Hm... Mas então, não quer dar um pulo lá na feira?

— Você é tão maluco quanto ela. Mas então, já contou aos seus pais?

— Ah, estão viajando. E percebi uma coisa, esse ano eles fazem cinquenta anos de casados.

— Puxa! Que bacana.

— Pois é. Acho que um neto vai ser um presente e tanto...

— Haha, ainda mais vindo de você.

— Aham. Vou falar com Itachi hoje, depois do trabalho, comunicar a ele para que possamos organizar um jantar num bom restaurante, como Miss Mikoto adora.

— Vai trabalhar hoje a tarde?

— Vou sim. Cobrir o maior número de horas possível, para poder ter mais tempo quando a hora chegar.

— Claro. E Sakura?

— Tsc. Aquela lá pensa que vai trabalhar até o nono mês.

— Bom, talvez possa. Força de vontade, dela não vai faltar.

— Humpf. – Sasuke resmungou. — A gravidez tem um grau de risco, Juugo. Ela não pode forçar nada, questões de idade e tudo mais.

— Nossa, tem isso? Uma pena, mas Sakura é sensata, ela está afoita agora, está feliz, mas na hora certa ela vai fazer direito. Vocês só estão começando a aprender, então menos pressão, ainda tem um tempo pra grande hora.

— Pois é, tomara. Espero estar preparado.

*

Semanas depois.

— Aí eu disse pra ele: “Se tentar pegar esse queijo de novo, vai ficar sem mão”. E consegui esse queijo delicioso.

Sasuke suspirou, meneando a cabeça enquanto ela cortava outra fatia de queijo e dava para Tinny.

— Hmmm, está gostoso não está?

Ele riu, enquanto lutava com uma gravata, Sakura estava deitada na cama, com vários relatórios de perícia de um caso abertos ao redor, vestindo legging preta e com a camisa amarrada acima da barriga cada vez mais protuberante e arredondada, ela era magra e alta, sua gestação mesmo recente era fácil de divisar. Ele adorava isso.

— Que horas Matsuri vai vir? – Perguntou.

— Logo, espero que logo, com o sono que estou vou acabar dormindo e deixando a coitada trabalhar sozinha de novo.

Elas estavam se revezando bastante, quando Sakura estava enjoada demais para andar de carro, ou com fome demais para que não fizessem outra coisa além de visitas a restaurantes, quitandas e lanchonetes. Lupita ia até os casos e cenas de crime e as duas trocavam informações pelo telefone, depois se reuniam e repassavam tudo.

— Seja paciente, querida. Ou deixe ela te bolinar em troca.

— Hmmm. Você é que está muito bom de ser bolinado... – Ela ronronou, os olhos agora saboreando ele. Sasuke a fitou por sobre o ombro, levantando uma sobrancelha, sorriu e veio até ela. Apoiando as mãos na cama, beijou-a.

— Até ficaria e deixaria você me abusar, mas estou atrasado.

— Não pode recusar desejos de grávidaaa. – Sakura cantarolou, aproveitando-se do que Mikoto dissera mil vezes desde que soube da gravidez. — Ele vai nascer com... Com...? Hm, cara de cachorro no cio? Ah, mas então só vai puxar você, hahaha.

— Quem estava pedindo sexo a pouco, quem?

Sakura fez um bico, Sasuke beijou-o.

— Tenho que ir, até mais, ratinha. – Se abaixou mais, beijando a barriga dela. — Até mais, garotão.

Sakura revirou os olhos, cortando outra fatia de queijo.

— Confiante demaaais.

Sasuke ignorou, pois nada abalaria sua convicção e ainda essa semana ela seria confirmada.

Ele saiu de casa, um pouco apressado, tirou o carro da garagem e manobrou para a rua, notando então um furgão azul escuro parado em frente a casa do filho da mãe do Osborn, havia um homem de jeans e camisa moletom sentado no banco do motorista, encarando o nada a frente.

— Hey, companheiro? – O cara apenas virou um pouco o rosto. — Não tem ninguém morando aí desde o ano passado, talvez tenha errado de casa.

O homem encarou a casa novamente, segurando o volante.

Sasuke olhou o relógio e se apressou.

*

Matsuri parou o carro um pouco abruptamente, não era muito boa em estacionar.

Desceu do carro, abriu o portão do quintal, e ouviu o som da campainha da casa soar, olhou para frente e viu um homem vir da casa, com pressa, e acenando ligeiramente, tocando a aba do boné.

— Perdão, casa errada. – Disse, quase num ar só.

Ela se virou, o observando sair e ir até um furgão do outro lado da rua.

Sakura abriu a porta e os dois cachorros dispararam por ela, vindo cumprimentar Lupita e então correndo para latir na cerca.

— O que você faz aí? – Sakura indagou, Matsuri se apressou para a casa, erguendo uma pasta.

— Desculpe, estava esperando o laudo sair.

— Então?

As duas pararam ouvindo o furgão acelerar para o fim da rua.

— Gentinha mau educada.

— Você chamou algum serviço de suporte ou pediu comida? – Lupita indagou, Sakura franziu a testa e negou.

— Eu não, estava quase tirando uma soneca, e comi um bocado de queijo, ugh...

— Hm, deixa pra lá. Sobre o laudo, pegamos o filho da mãe!

— Isso!

*

Dr. Kinoshita demorou um pouco para achar o lugar certo, mas em seguida acenou, satisfeito.

— Está bem aqui, e está se desenvolvendo muito bem...

— Hah! Eu não disse? – Sasuke exclamou. — É um menino, um meninão!

Sakura revirou os olhos.

— Ele está falando do bebê inteiro, Sasuke. Pare de pensar em pintos, nem parece que foi quem fez esse bebê.

— Sem essa, pode falar Dr. ela supera.

— Bem, se é assim...

— Ah, eu não quero saber. – Sakura declarou, dando de ombros. Sasuke quase enfartou, mas pegou a almofada da poltrona ao lado e ameaçou sufoca-la com ela.

— Calma, deixa comigo, Dr, eu resolvo isso aqui e você diz só pra mim.

— Ah, mas assim não tem graça, deixe ser uma surpresa. – Sakura pediu.

— Surpresa? Surpresa pra quê, mulher?

— Eu acho legal, ora. Hinata disse que Boruto foi surpresa.

— E Naruto quase ficou louco com isso!

— Viu porque é legal?

Sasuke encarou o médico.

Realmente precisamos dela pro bebê nascer?

Sakura riu, e pegou a mão dele.

— Deixe ser surpresa, por favor?

Ele ergueu a cabeça, suspirando, toda a excitação da descoberta escorrendo em frustração.

— Ah, como odeio você.

— Eu massageio seus pés!

Sasuke quase avisou que ela ia massagear outra coisa para compensar por essa.

— Certo, não queremos saber ainda. – Afirmou, inconformado. Sakura riu, mas bastante empolgada agora.

— Certo, se é assim, terminamos por hoje. Está tudo indo bem com seu bebê...

Seu ou Sua?

— Sasuke...

— Desculpe.

— O/a bebê está ótimo/ótima, certo?

— Sim senhor.

— Daqui para frente você vai sentir que a criança está crescendo de maneira bem rápida, Sakura. E estará mesmo, e isso vai literalmente te sugar energia, prepare-se para longas sonecas, pouca disposição e mais fome.

— Uau...

— Mas continue procurando se exercitar um pouco, não force nem o corpo, e nem a mente demais. Vou avaliar você o mais perto possível, por isso se, eu decidir que deve entrar em licença maternidade, entre. Sim?

— Ah, ela vai entrar. Ou eu vou despedir ela. – Sasuke avisou.

— Que malandragem é essa? Isso é abuso de poder.

— Dane-se. Agora vamos pra casa.

— Palhaço...

Sakura desceu da maca e foi trocar de roupa, Sasuke ficou novamente tentado.

— Então, Dr...

— Cala a boca, Sasuke. – Ela avisou, do outro lado da porta.

Sasuke suspirou, desistindo.

Sakura saiu e depois de encerrarem a consulta, ela quis ir comer no shopping. Saíram da praça de alimentação e caminharam em frente algumas lojas. Sasuke comia um sorvete, e Sakura, churros repletos e chocolate e açúcar, ele parou em frente uma loja de bebês, encarando a vitrine.

— E como vamos comprar as roupas? E as cores do quarto? – Falou, aborrecido.

Sakura deu de ombros.

— Já pensei sobre isso, Rachel tem uma amiga, dona de uma loja que faz o orçamento de todas as coisinhas para ambos os sexos. Eu só preciso dizer qual é depois que nascer, e pagar. E nem precisam ser muitas, para recém nascidos o que vale é serem confortáveis e podem ser brancas e outras cores neutras.

Sasuke revirou os olhos.

— E se eu quiser comprar um carrinho de bebê ultra personalizado, um com controle remoto, turbinas e barbatanas?

— É um carrinho de bebê ou do Batman?

— Batman é legal! Quero comprar bonés do batman pra ele, um taco de basebol, as primeiras playboys...

Sakura parou e o encarou, feio.

— Primeiro, que você pode comprar essa tralha depois que “ele” nascer, segundo que uma menina também pode gostar do batman! Terceiro, o bebê nem nasceu e você já está pensando na puberdade?!

Sasuke encolheu os ombros.

— Organização? – Ela estreitou os olhos.

— E se for menina?

— Primeiro, que não vai ser. Segundo que se, veja só, se for, já estou vendo algumas escolas e internatos católicos...

Sakura deu as costas e foi embora.

— Eu devia ter feito esse bebê com os dedos, ou chamado o espírito santo!

Sasuke riu, acompanhando-a e passando o braço ao redor dela.

— Primeiro que você teria que ser virgem...

— Vai se foder.

— Haha, vamos lá, majestade. Ainda temos um monte de coisas pra decidir. Tem a questão do quarto...

— É, sei.

Ela não queria pensar muito agora. Não era exatamente tão simples, eles não moravam numa casa deles, e embora Sakura preferisse manter mais intimidade em torno disto tudo, não queria que a chegada do bebê fosse motivo para expulsar algum deles.

Esta criança era algo entre ela e Sasuke, não era para ser um obstáculo ou problema para ninguém. No entanto, Sasuke estava muito empolgado, já falava em reformar a casa toda e isto poderia acabar gerando desconforto nos outros moradores.

Sakura estava bem naquela casa, não era seu ideal dos sonhos, mas não era como tivesse vivido nesse ideal enquanto casada com Hidan, um casal ocupado e com pouco tempo, resultou numa casa quase sempre impecável e um tanto impessoal.

Gostava de ter sempre uma besteira para arrumar aqui e ali, gostava de haver um toque de cada pessoa que lá morava, muitas fotos, objetos de decoração. Não poderia querer outro lugar para criar seu filho, algo que nunca achara que conseguiria ter um dia, de modo que, uma casa dos sonhos era supérfluo em comparação ao que estava tendo agora.

— Podemos fazer do seu quarto o quarto do bebê, ou o meu? – Sasuke disse.

— Hum, melhor o meu, pega mais claridade.

— Tem razão. Então vai se mudar para o meu?

— Ué, já quase moro lá mesmo. – Sakura deu de ombros. — Mas vamos precisar de um armário maior, pras minhas coisas.

Maior?

— Claro, ué. E estantes pros meus bibelôs, porta retratos, e minhas bonecas e livros, claro.

Agora ele estava preocupado.

— Aquelas bonecas tem mesmo que ir?

— Claro! Bom, a não ser que seja uma menina, e poderão ficar no quarto do bebê.

— Tá, leva as Annabelles pro meu quarto.

*

Era fim de outubro novamente e infelizmente Sakura não estava com a mesma empolgação do ano passado. Ela se esforçou para decorar algumas abóboras, mas logo desistiu e apenas se sentou perto da janela da frente e ficou observando as crianças do bairro correndo pela rua em suas fantasias.

Sasuke preferiu não dizer nada, não que quisesse deixar em branco e forçar um esquecimento, mas ficar lembrando talvez não fosse bom.

Já fazia um ano, basicamente, isso deixou a ideia de perda e a diminuição das esperanças, mais concretas.

Se aproximou do sofá e beijou a cabeça dela, cheirando seu perfume no coque bagunçado.

— Hey, não está com fome? Posso sair e comprar um baita bolo com decoração e tudo.

Sakura negou, suspirando.

— Estou bem.

— Certo, já tomou suas vitaminas?

— Sim.

— Certo... Já...

— Sasuke, vá trabalhar, estou bem. – Sasuke desistiu, beijando sua cabeça outra vez, se afastou e pegou o coldre sobre a mesa, chaves e carteira.

— Volto lá pela meia-noite, com sorte, se estiver acordada, e eu espero que não esteja, assistimos um filme, okay?

— Tá.

Ele resolveu sair antes que sua autoestima fosse muito abalada, ás vezes sentia falta do tempo em que haviam mulheres ao redor se roendo por um convite desses. Bem, ainda haviam, mas ele também não era o mesmo daquele tempo.

Pegou o saco de doces e saiu de casa, o carro estava na calçada e mau saiu, crianças o abordaram com suas cestas.

— Certo, certo, aqui tem bastante.

Secou o saco, e foi embora, até na delegacia o clima de Halloween parecia ter se infiltrado para atazaná-lo, haviam pessoas fantasiadas nos bancos de espera, algumas figuras e potes com doces pelas mesas e alguém até se arriscava a usar algum apetrecho sobre o uniforme como um chapéu colorido ou óculos divertidos.

— Você tá com dentes de vampiro?

Naruto sorriu pra ele, mais arreganhado do que de costume.

— Tô lindão né?

Sasuke balançou a cabeça e voltou ao escritório, se sentou, deixou o relatório sobre a mesa, procurou uma caneta, tateou a mesa inteira e então abriu as gavetas até achar uma mais velha, já ia fechando quando notou um pequeno envelope dentro dela, pegou-o e finalmente lembrou.

A cartinha com perfume masculino endereçada á Sakura, se pegou novamente em dúvida de abrir ou dar a ela, mas já fazia mais de um mês que aquilo chegara, se era algum convite, com certeza já se perdeu a oportunidade.

Agora esperava que não fosse algo sério, ou Sakura o mataria.

Sasuke abriu o envelope, o papel branco que puxou, exalou mais daquele perfume que já o estava irritando. O virou e encontrou uma letra masculina e meio desajeitada, hesitante.

“Por favor, encontre-me neste endereço.

É importante.”

Sasuke coçou a sobrancelha, se perguntando se seria muito estranho ou exagero ir conferir que lugar exatamente é aquele, e assim ter uma ideia de que tipo de encontro esta pessoa planejava.

Por fim, deixou aquilo na gaveta novamente, e focou no trabalho que tinha noite adentro. Aquela porcaria no entanto, um pressentimento ou instinto continuara o pinicando o resto do turno.

Eram quase meia noite quando ele soltou um xingamento, pegou o bilhete, o casaco e saiu do escritório, tinha pouca gente no momento, e ficou satisfeito de sua parte da cidade estar mais segura nessa noite de festa.

— Hey, Sasuke, vai encostar no Owen? – Naruto perguntou.

— Não.... Você vai?

Naruto negou, tirando a bendita dentadura de plástico.

— Está brincando? Estou velho pra essa merda...

— Qual a novidade? Quer saber, venha comigo. Preciso verificar uma coisa.

Naruto se levantou, pegando o casaco também e o seguiu, lá fora uma chuva torrencial caía, os dois vestiram os casacos e entraram no carro dele. Sasuke explicou no caminho.

— Sério, cara? Ciúmes? Que vergonha. Sabe que a Sakura não é dessas.

Sasuke bufou, atento ao volante, os limpadores no máximo.

— Não é sobre a Sakura. É que tem algo estranho, sinto isso. É um bilhete estranho.

— É um bilhete de um possível admirador. Isso que você sente é ciúmes. Bem vindo ao mundo do amor.

— Não é ciúmes. É um pressentimento. Essa pessoa sabe que Sakura é investigadora, porque não ligar? Qualquer um pode vir na delegacia e pedir o contato dela. Um mês se passou, e não tentou novamente? Só recebi isto daquela vez pois Sakura estava de folga, a secretária passou pras minhas coisas porque eu poderia repassar para ela.

— Não que você tenha feito isso...

— Detalhes... Chegamos.

— Chegamos? – Naruto estranhou, tentando ver através do vidro. Sasuke também, releu o papel mas o GPS e as placas da rua indicavam exatamente esta esquina.

Eles olharam como puderam, mas a rua era mau iluminada, haviam poucos prédios comerciais, quase todos em reforma ou construção. O endereço apontava nada mais que um enorme esqueleto de aço rodeado por guindastes e caminhões de construção.

Os prédios ao lado pareciam abandonados dado o estado atual das estruturas, mas via-se luz em algumas janelas do prédio da direita. A chuva ainda caía, com menor volume, e Sasuke desceu do carro, ignorando a reclamação de Naruto.

Pegou uma lanterna no porta luvas e atravessou a rua, pisou na areia encharcada do chão da construção, o nome na placa indicava que seria um complexo de escritórios sendo feito pela construtora e imobiliária de ninguém menos que o ex de Sakura. Sasuke tentou não se deixar cair na coisa de ser ciúmes, e focar no racional.

Porque Hidan a procuraria daquela forma? Seria por achar que ela não queria contato? Por saber que ela estava em outro relacionamento? Alguns caras deixavam a mulher ir fácil enquanto estivesse sozinha, se, ás vezes não importando quanto tempo fizesse, elas voltassem a se envolver com alguém, o sentimento de posse e ciúmes desses caras podia aflorar de um jeito nada legal.

Mas geralmente eles não deixavam o relacionamento acabar tão fácil, o que tornava a peça difícil de encaixar com Hidan. Ele a traiu, deixou-a ir, e nunca a procurou desde que o divórcio saiu e teve aquela provocação de merda no casamento de Lisa.

Sasuke afastou Hidan da cabeça, e tentou pensar em motivos para não ele, mas alguém próximo ou indiretamente ligado a ele querer procurar Sakura secretamente.

Caminhou pelo canteiro de obras, Naruto acabou seguindo mais para outro lado, aos resmungos.

Encharcado até os ossos, Sasuke olhou em volta, a iluminação da rua não tinha efeito em quase noventa por cento do local. Os arredores não tinham um ar muito saudável em termos de segurança, aquilo tudo parecia entregue ás moscas, mas talvez essa construção pudesse revitalizar a economia local.

Olhou em volta, para os prédios, o da esquerda certamente fechado, as paredes descascando e algumas janelas fechadas com folhas de compensado, no entanto, em algum ponto, havia luz.

Sasuke caminhou alguns passos encarando o ponto de luz amarelada que vinha de alguma fresta nas janelas vedadas, talvez por conta do vento tão forte que silvava e da chuva.

As opções para alguém estar ali eram poucas e menos confiáveis ainda. Ou eram mendigos se aquecendo e fugindo da água ou simplesmente alguém interessado num prédio caindo aos pedaços.

— Naruto? – Sabendo que ele o esganaria por o levar até aquele prédio também, ouviu passos e seguiu, ainda de costas. — Acho que tem algo...

Virou-se, o que se deparou não foi a jaqueta laranja de Naruto, mas o que parecia ser uma capa de chuva preta e uma barra de ferro em sua direção. Sasuke recuou um passo, erguendo o braço como um escudo e sentiu o choque da barra com brutalidade.

A dor o fez sentir as pernas fraquejarem, escorregou numa tábua molhada e urrou, puxando a arma do coldre, ouviu o grito de Naruto e a barra o acertou no ombro cabeça. Desta vez ele só via o mundo estremecer, e rodar, ficou de quatro ganindo de dor, a mente embaçada mas eletrizada com o instinto de sobrevivência ativo em todos os níveis.

Um caos, mas pensou em Sakura, e que poderia ser ela ali, o novo grito que soltou foi de raiva. Ouviu vagamente a pessoa se afastar correndo, os passos ecoando na areia e piçarra e então Naruto mais próximo.

— Caralho! Sasuke?! O que foi isso?!

Naruto tentou ajuda-lo a levantar, sentia cheiro de sangue mas com a chuva não podia dizer de onde vinha. Viu um cara fugindo na penumbra, sumiu pela calçada, mas nada pode distinguir além de uma capa de chuva preta.

Poderia ter seguido, mas resolveu não arriscar a saúde do amigo.

— Que merda foi essa? Puta que pariu. Foi um assalto?

— Não, e me leve pra casa. – Sasuke rosnou, ainda grogue com a dor, se retorcendo no banco do carona.

— Está brincando? Nem fodendo. Você está sangrando e todo míope. Precisa de um médico agora.

— Me leve pra casa. Sakura está lá e sozinha! Quem não está cobrindo turno está na festa do Owen, porra.

— Acha que vão atrás dela? Cara, calma, pode ter sido coincidência, viu o lugar. Deve estar cheio de trombadinha.

— Não foi um assalto. Não tentou me roubar nada, não viu que sou tira, não falou, e tentou me matar. E alguém queria encontrar minha mulher lá. Me leve pra casa!

Naruto sacudiu a cabeça, irritado.

— Ah, eu vou levar. Vou sim.

*

Sakura sentou na cama, olhou em volta e já não chovia tanto.

Olhou para o lado e estava vazio. Ia deitar novamente quando encarou o relógio, eram uma e meia da manhã, e quando Sasuke dizia que ia chegar num horário, ele dificilmente se atrasava tanto.

Levantou da cama, vestiu o robe e foi até a porta, olhou para o corredor e notou as luzes de baixo acesas. Voltou, pegou a arma na cabeceira e saiu.

— Mas que porra está fazendo? Terminando de me matar? – A voz de Sasuke soou irritada.

— Tá achando ruim? Tenho cara de enfermeira? Vá ao médico!

Sakura desceu as escadas, baixando a arma ao lado corpo.

— Que diabo está acontecendo aqui?

Os dois se viraram, estavam encharcados mas a camisa de Sasuke ainda continha sangue manchando um ombro, o lado do rosto também sujo, uma mancha roxa no antebraço.

Sakura se apressou, pondo a arma na mesinha e pegando a mão dele para ver o roxo.

— O que aconteceu? O que foi isso?

Notou a caixa de primeiros socorros e encarou Naruto, que segurava um algodão e um frasco de remédio. Ele ergueu as mãos em paz.

— Não fui eu!

— Não foi nada de mais. – Sasuke começou.

— Como assim, nada de mais? Andou brigando? Estava em alguma festa? – Ela tateou sua cabeça, achando um galo enorme e um corte, Sasuke recuou grunhindo de dor. — Que porra é essa, Sasuke? – Exigiu.

— Querida, estou bem.

— Ah, para de graça, Sasuke. Se eu não estivesse lá, poderia ter morrido.

Sakura pôs as mãos nos quadris, ainda mais irritada.

— Cala a boca, Naruto.

— Ele cala a boca, mas você vai falar. – Ela avisou.

Sasuke bufou, pegando o papel e o envelope da carteira, estavam um pouco molhados mas eles esperava ainda pegar alguma digital. Entregou para Sakura.

— Que diabo é isso?

— Me diga você. Talvez saiba.

— Quando isso chegou?

— Importa?

— Eeeer. Mais de um mês... Alguém não entregou quando devia... – Naruto cantarolou, Sasuke o fulminou com o olhar.

— Mais de um mês? Sério isso, Sasuke? O que achou que fosse? Cartinha de um admirador? De um amante? Francamente...

— Certo, certo. Reconhece algo ou não? Alguém que poderia enviar isso ou não? – Ele se irritou.

Não, não faço ideia. E olha como fala comigo, babaca. Sou mãe do seu filho, não uma testemunha ou suspeito. – Ela rugiu de volta.

Naruto quase sentiria nostalgia se a situação não envolvesse sérios riscos físicos. Se bem que, tratando-se dos dois, sempre havia esse risco...

— É por isso que estou querendo saber que merda é essa, madame. Eu fui lá! Um buraco de ratos e mendigos, escuro e quase sem gente durante a noite. De dia é uma construção, que parece parada. E se você tivesse ido antes? E agora? Olha o seu estado, porra.

— Estou grávida, não doente. E certamente não incapaz de usar minha arma! De qualquer forma, não era seu direito se meter, ou pelo menos não esconder de mim.

— Ah, eu vou te matar. Naruto, eu vou matar ela. Testemunhe isso, cara.

— Prefiro ir pra casa transar com a minha mulher.

— Ah, Naruto, pode ir e transe muito, transe por todos, e por esse cara aqui também. Ele não vai me matar, ele nem consegue se manter vivo direito ao que parece, muito menos vai transar tão cedo. – Sakura deu as costas e foi para as escadas. — Vá transar, Naruto. E Sasuke, vá tomar banho e tomar um bom café, querido, sua noite nem começou.

Sasuke rosnou em frustração, Naruto bateu em seu ombro de leve e se foi para a porta.

— Boa sorte, cara. E desculpe o trocadilho, mas parece que a bruxa tá solta...

Sasuke atirou uma almofada nele, que saiu pela porta rápido.

— Filho da mãe.

*

A noite fora longa, e cansativa, Sasuke deixou Sakura dormindo profundamente e saiu da cama cedo, pegou Gibs pela coleira e saiu deixando um bilhete de que ia passear com ele no canil da polícia e depois comprar algo para o café.

Retornou até a construção, como suspeitara, estava aparentemente abandonada ou adiada.

Pensou mais um pouco, e novamente leu a placa já um pouco apagada com o nome da construtora responsável. Já tinha outra parada agora.

— Vamos dar uma volta, garotão?

Deu ré e foi para o centro, o escritório da Akatsuki ficava num prédio comercial que também servia a outros negócios e escritórios.

Sasuke atravessou o hall com Gibson no encalço e ignorando o nervosismo e indignação dos funcionários da recepção. Apenas mostrou o distintivo e entrou no elevador.

Suspirou, por fim olhando-se no espelho e não vendo a melhor das imagens, estava com o mesmo casaco da noite passada, que mau secara direito, a camisa meio amassada e o cabelo um caos, o galo ainda latejava se mexesse muito a cabeça. Gibson estava mais decente que ele, inclusive.

Chegaram ao décimo nível, as portas se abriram em um luxuoso andar, de um lado haviam vários mini escritórios, visíveis pela parede envidraçada, do outro, apenas a mesa da secretária, e as portas duplas da sala do chefe.

— Com licença, precisa de alguma coisa?

Uma baixinha curvilínea de grandes olhos azuis e cabelo castanho contornou a mesa em direção a ele. O reconhecimento foi mútuo mesmo tendo se visto uma única vez. E ela quase recuou pro outro lado da mesa, com um olhar receado de uma corça.

— Deseja alguma coisa, detetive? Tem hora marcada?

Sasuke negou, tirando o distintivo e acenando.

— Preciso só de algumas informações, seu... O chefe está?

Ela assentiu, receosa.

— Posso ter com ele?

A mulher concordou, seguindo para a porta e abrindo, Sasuke a seguiu.

— Tem uma pessoa aqui pra te ver. — Avisou. Do outro lado da mesa, Hidan estava ocupado assinando alguma papelada, mas Sasuke acabou se atentado ao único lugar colorido da sala predominantemente chumbo e cinza.

No canto perto de uma estante tinha um tapete colorido, imitando peças de quebra cabeça, com muitos brinquedos de montar, papel e tinta onde um garotinho de cerca de dois anos brincava de martelar as cabeças que saiam de um brinquedo.

Ele tinha grande olhos azuis também, mas o cabelo muito loiro, quase platinado como o do pai, e se atentou e fez manha assim que viu a mãe.

Ela se aproximou e o pegou rapidamente.

Hidan se ergueu da poltrona, ainda bastante surpreso.

— Você é o investigador...?

— É, sou. Agora delegado, na verdade.

— É? Sim? Bem... Ah, querida, pode levá-lo para um passeio?

— Claro. Até mais. Dê tchau ao papai.

— Tchau, garotão.

Eles saíram, Sasuke tomou uma cadeira e Hidan, ainda um pouco estranho e desconfiado, contornou a mesa.

— Pois não, o que o traz aqui?

— Vou ser rápido. – Sasuke tirou o mesmo papel do bolso, ainda mais amassado mas agora dentro de um saquinho de perícia, achou melhor evitar que mais gente tocasse naquilo. — Este é o endereço de uma construção em Santa Mônica, que está no nome da sua empresa. Reconhece? Sabe para quem está sendo feita ou é negócio seu?

— Santa Mônica? Não me recordo de termos um prédio lá, apenas imóveis residenciais. Deixe-me verificar. – Ele pôs um par de óculos de grau e se voltou ao computador.

— Também não reconhece a letra? Nem é sua?

— Não mesmo. Pode olhar. – Ele disse, tranquilo, indicando uma pilha de folhas organizadas ao lado, Sasuke passou o olho e viu que as caligrafias diferiam muito, a letra de Hidan era cursiva, muito elegante e marcada na folha. Bem como Sakura já havia dito noite passada. — Sem falar que, se eu quisesse falar com Sakura, mesmo que em particular, não teria porque mandar um bilhete. Tenho o contato dela através do advogado, e ela é dona de parte disto aqui ainda, recebe todos os dados que tem que receber todo mês sem falta. Está tudo no e-mail dela.

— Claro...

— Aconteceu alguma coisa?

— Tentando descobrir.

— Mas ela está bem, certo?

— Está...

— Hahaha.

— O que foi?

Hidan deu de ombros, bem humorado.

— A forma como você diz, é como eu lembrava de dizer quando me perguntavam se ela ia bem. Veja só, como poderia dizer? Ela é competente, mas ela estava no Afeganistão, ou nem isso eu sabia, ás vezes. As pessoas perguntavam e eu não podia dizer que tinha medo de ir reconhecer o corpo dela sempre que me ligavam de madrugada... – Ele suspirou, encarando a mesa e tirando os óculos. — Mesmo depois que... Deixou de ser como era antes. Eu ainda tinha esse medo. Espero que ela nunca mais seja chamada. Não importa o quanto ela goste daquilo, as medalhas não valem a dor que ela passava lá, ou o medo que ficava aqui.

— Ela está bem... Na polícia... – Sasuke começou, um pouco desconcertado agora. — Eu estou verificando porque ela não sabe quem poderia ter mandado, o lugar está abandonado e é meio perigoso.

— Ah, entendo. Encontrei o lugar. É esse? – Ele virou o monitor em sua direção, o prédio ainda estava começando a ser erguido na época da foto mas Sasuke reconheceu os prédios ao lado.

— Esse mesmo.

— Hm, lamento, mas não tenho mais nada haver com esse lugar. Vendi para um magnata dos cosméticos, era para ser um complexo de escritórios, e ele queria para fazer uma espécie de fábrica ou filial, não sei. De modo que está tudo nas mãos deles agora. Isso já tem uns dois anos ou mais.

— Nada? Você nem mesmo vende o material ou coisa assim? – Hidan negou.

— E nem meus engenheiros e arquitetos ele quis. Ia trazer toda essa gente da França e Holanda.

— Entendo. – Sasuke suspirou, frustrado. Devia ter ficado dormindo. Encarou Gibs sentado no chão ao seu lado, o cão o fitou erguendo as orelhas. — Pois é, parceiro. Demos viajem perdida.

— Eu tenho o contato deles, se quiser.

Sasuke negou, se levantando.

— Não, eu precisava saber se algo ali tinha ligação com esse escritório, por Sakura estar ligada a ele, mas talvez o que eu procure não esteja aqui, mas lá, ou seja apenas coincidência.

— Entendo. Bom, de qualquer forma, se precisar de mais informações, basta que Sakura ligue, todos os sócios tem total direito ao acesso dos arquivos dos negócios e imóveis, basta pedir e mando que passem para ela por e-mail.

— Isso seria útil. De qualquer forma, obrigado e desculpe o incômodo.

— De nenhuma maneira. Ajudaremos qualquer investigação policial. E foi bom ter notícias de Sakura, é meio difícil não se preocupar com o tipo dela.

— Que tipo? – Sasuke estreitou os olhos, meio ameaçador.

— Que vive se metendo em encrenca. É um dos talentos dela, já deve ter percebido.

— Ah...

Sasuke acenou, indo embora dali, quando chegou ao hall, seguiu para a saída vendo a secretária e seu bebê na recepção, conversando com as moças de lá.

E a vida seguia seu curso, de um jeito ou outro.

Sobre Sakura ser um imã de encrenca, ele estava começando a acreditar.

Esta coisa toda o estava dando dor de cabeça.

Sem nada nas mãos, ele voltou ao começo. Quando chegou a rua da obra, viu Naruto recostado no próprio o carro, sorrindo ao lado de Konohamaru.

— Sabia que você viria de novo, mas demorou.

— Fui verificar outras coisas.

— Um caixão? Sakura vai te matar de vez por voltar aqui sem ela.

— A encrenqueira está dormindo o sono dos anjos agora. Mas vai acordar pior que o diabo, então vamos logo.

Naruto riu e o acompanhou, seu colega também verificou o perímetro. Sasuke encontrou a barra de ferro que quase arrancara sua cabeça ontem.

— Não tem como pegar DNA, a chuva lavou tudo. – Naruto concluiu. Sasuke teve que concordar, até seu sangue fora levado não restando nem uma marca seca pelo sol.

Voltou a olhar em volta, para os prédios, agora percebia-se mais vida no prédio ao lado, um pouco de música, vozes, janelas abertas e roupas secando em varais.

Mas no prédio da direita, parecia tudo ainda imerso em silêncio. Sasuke recordou da pequena luz que viu antes, e seguiu para lá.

— Aonde vai?

— Verificar uma coisa.

Ele seguiu até a lateral do prédio, ia contornar para chegar a frente e entrar, mas notou um portão lateral vedando uma entrada, de forma precária. Empurrou a porta velha, e adentrou, Naruto e Konohamaru vieram logo atrás.

Havia água da chuva pelo piso perto desta entrada, pouca luz atravessava as frestas na parede e janelas vedadas. Chegaram a uma escada de incêndio e foram até o quinto andar.

Sasuke entrou no corredor, olhando em volta, iluminando com a lanterna do celular, ratos enormes fugiam, guinchos ecoando no escuro, alguns pombos também.

— Eu acho que vou voltar, sou meio alérgico a mofo... – Konohamaru avisou, toda hora se segurando pra não espirrar. Naruto já temia que um espirro fosse o bastante para esta porcaria de prédio desabar.

Sasuke continuou avançando olhando as portas abertas dos recintos abandonados a décadas, nó mínimo, em alguns ainda haviam móveis.

No fim do corredor, ele parou diante uma porta fechada, descascada e bem resistente. O trinco era novo.

Trocou olhares com Naruto e ele teve que concordar, puxaram as armas dos coldres e Sasuke chutou a porta que estrondou soltando do trinco e abrindo, Naruto e o colega entraram apontando as armas e lanternas, mas o espaço era pequeno, quase sem móveis.

— Limpo!

— Limpo.

Sasuke entrou, vendo a janela por onde vira a luz noite passada, numa velha cômoda estava uma lamparina ainda acesa. Mas ao lado, um binóculos novo e limpo demais para ter sido largado a muito tempo. Pegou-o e olhou para um canto escuro, era de visão noturna.

— Cacete... – Naruto balbuciou, encarando a parede oposta. — Sasuke, veja isso.

Sasuke se afastou da cômoda e parou ao lado dele, mas assim que viu direito através da penumbra do recinto e da poeira, sua espinha gelou e ele se aproximou da parede repleta de fotos, desenhos, rabiscos, e pinturas em preto, branco e verde.

Verde, olhos verdes, para todos os lados, e fotos.

Ele arrancou um mesmo sobre o protesto de Konohamaru para não macular a cena. Naruto tirou o telefone do bolso, digitando freneticamente.

— Alô? Alô? Preciso de reforço e uma equipe de perícia agora, aqui na Rhodes com a Tucson, 245 em Santa Mônica!

— Mande uma unidade pra minha casa, e diga pra ficarem lá.— Sasuke ciciou. Voltou-se para Naruto e mostrou a foto para ele. — E não saírem nem por um decreto. – Rosnou, Naruto quase deixou o telefone cair, assombrado.

Não que a foto fosse tétrica, era linda, era Sakura que estava nela.