Killer Queen
9 Rainha Solteirona
Notas iniciais
O despertador o acordou pela primeira vez em um bom tempo. Sasuke sempre conseguia acordar antes dele, e nem sabia porque realmente o mantinha.
Talvez fosse para dias como esse, em que não sabia nada além de que pelo menos estava vivo em sua cama, e que sua cabeça estava a ponto de explodir.
Coçou o queixo, e esfregou os olhos, ao tentar se sentar, sentiu que havia peso sobre si. Olhou para ombro vendo um corpo delgado sobre o próprio, o lençol estava enroscado nos dois, cobrindo apenas parte do quadril e da cintura, o deixando ter certeza de que Sakura só usava calcinha. Ela com certeza não estava esperando terminar a noite numa foda, pois não era a calcinha mais atraente do mundo. Era preta, e simples, cobrindo o essencial de seu traseiro firme, tão durinho que chegava a ser uma afronta as mais novas.
Ele se desvencilhou um pouco dela, deixando-a se arrumar e abraçar seu travesseiro. Rindo, se preparou para sair pelo outro lado da cama, mas deu de cara com outro traseiro firme e bronzeado, e este ele conhecia.
— Opa. – Ciciou admirado, a noite parecia ter sido melhor do que imaginava. Ino ainda usava a blusa, o cabelo longo e solto, e também o ignorou completamente quando acariciou suas costas e apertou um pouco o traseiro, só para ver se relembrava algo da noite passada.
Até onde sua memória ia, todo mundo bebeu e bebeu, até mesmo dançaram, muita risada e piadas sujas encheu a mesa, os casos dele sempre eram uma parte das conversas da noite, e Sakura adorou ouvir e zombar de todos, bem como falou de coisas engraçadas de quando servia, das torturas mentais e psicológicas que passara nos exercícios de seleção do SEAL, e até algumas missões que, tecnicamente, seriam segredo nacional.
O despertador tocou uma segunda vez, após um minuto, e Sakura levantou o rosto, encarando o nada, o rosto coberto de cabelo. Ele se deitou ao lado dela, encarando-a com um sorriso jocoso e dando um tapa delicioso em seu traseiro.
— Bom dia, majestade? – Sakura o encarou, e então afundou o rosto no travesseiro de novo.
— Meu deus, virei um poço de DST.
— Bem-vinda ao clube, querida.
— Diz que a gente usou camisinha, por favor.
— Pra falar a verdade, eu não sei, mas você me deixou bem tentando depois que disse que sem capa era mais gostoso.
— Ai, cacete. – Sakura se sentou, e puxou o lençol junto do colo, coçou a cabeça e olhou em volta. — Ah, não, puta que pariu.
— Que foi?
— Me diz que essa daí chegou depois que eu gozei e que você terminou com ela? – Sasuke olhou para a Ino, e deu de ombros.
— Também não sei. – Estapeou o traseiro dela também e apertou. — Mas geralmente eu faço tudo ao mesmo o tempo o máximo possível, saca? Aquele embolado molhado e quente e enrolado...
Ela fez uma careta quase vomitando e se levantou.
— Nojo! Eu não acredito que acabei minha vida assim, transando bêbada com um poço de DST e ainda com esse pingente bronzeado.
— É o desejo de muitas, viu? Não desdenhe assim. – Sakura entrou no banheiro, e ele se deitou, só não mais satisfeito porque não lembrava de nada.
— Que tá acontecendo? – Ino bocejou, se sentando.
— Oi, gostosa?
Ela o fitou arqueando o cenho.
— Porque essa cara de quem fodeu duas numa noite?
— Me conhece tão bem. – Ela boiou completamente, e Sakura saiu ainda enrolada no lençol, encarou os dois e voltou a querer vomitar.
— Eu preciso ir ao médico.
— Querida, você só poderia pegar um bebê de mim, e não acho que dê pra atestar gravidez com menos de um dia de concepção.
— Vai se foder.
— Hahahahahaha! Como assim?! – Ino gargalhou — Vocês acham que transaram?
— Pelo amor de deus diz que não. – Sakura implorou indo se sentar na cama, Ino gargalhou mais.
— Claro que sim. – Ele disse, tentando beija-la, Sakura afundou o travesseiro em seu rosto, montou nele e tentou sufoca-lo.
— A vida dele depende disso, se eu tiver dado pra esse cara, ele morre!
— Calma lá, viúva negra. – Ino disse, se levantando e vestindo a calça. — A gente chegou rindo muito no taxi, vocês dois não paravam de se atracar...
Sasuke afastou o travesseiro, e encarou Sakura.
— Hah! Quem desdenha quer comprar, majestade! – Sakura rosnou e voltou-a tentar um homicídio.
— Mas quando chegamos aqui. – Ino continuou — Vocês começaram a brigar, se xingar, como sempre, então todo mundo dormiu.
Sakura largou o travesseiro e ergueu as mãos para o teto.
— Sempre soube que Deus ainda estava comigo. – Sasuke afastou o travesseiro do rosto, e bufou, então apertou a bunda dela. — Ai, cacete!
— E porque esse rabo tá descoberto?!
— Frescura de bêbado, você disse que tava com calor, por que Sasuke ficava se esfregando em você igual cachorro no cio.
— Eu diria isso mesmo. – Sakura admitiu.
— Então ele tirou a camisa, os dois começaram a brigar/transar, e no fim não fizeram nada, todo mundo dormiu.
— E porque seu rabo tá descoberto? – Sakura indagou, o olhar estreito, a loira deu de ombros, arrumando o cabelo e seguindo pra porta.
— Porque eu gosto, ué, bom dia pra vocês, malucos. Deus me livre estar ao menos um quarteirão perto quando vocês foderem, vai ser um inferno de poluição sonora.
— Vai se foder! – Os dois cuspiram e ela saiu, batendo a porta.
Sakura soltou o ar, mais que aliviada, e fez uma careta para a dor de cabeça que sentia, Sasuke bufou e apertou suas cochas, ela revirou os olhos e tentou sair, girando sobre ela, ele a segurou na cama.
— Não vejo porque não continuar de onde paramos, o dia ainda está bem quente. – Disse, aproximando o rosto o bastante para cheirar o rosto dela.
— Vai se foder, perdeu sua chance, tenho mais o que fazer agora.
— Hm, ainda é estranho acreditar que beijei você.
— Hum?
— Sei lá, naquela época eu te achava gostosa, mas tão insuportável que preferia beijar um hidrante cheio de xixi. – Sakura cuspiu uma risada, encarando o teto.
— Idem, ou beijar Jimmy Folley...
— Jimmy Folley?! Cacete, você me odiava. – Sasuke acusou, ofendida e ela riu mais — Folley? Porra!
— Você fez por onde, você fez por onde.
— Humpf. – Ele suspirou, e encarou-a de novo, tocando os fios rosados, Sakura inspirou profundamente.
— A audiência é hoje. – Comentou. Ele piscou, ainda perdido, encarando uma pequena pinta que ela tinha na lateral direita da garganta.
— Por isso...?
— Eu só não precisava saber que ele estava tão tranquilo.
Sasuke assentiu, entendendo. Ela bateu em seu ombro.
— Sai de cima de mim, não posso me atrasar. — Sasuke baixou o rosto, beijando sua garganta, tocou a pinta com a língua e então se afastou, encarando-a. Ela arqueou o cenho.
— O que foi isso?
— Beijinho de boa sorte, arranque muita grana daquele filho da puta.
— Ah, sim, eu vou depena-lo.
— Depenar, escaldar e temperar bem por que vai comer ele assado.
— Hum, com molho.
— Muito molho.
— Okay, agora sai de cima de mim.
— E vai me levar para comer também, okay?
— Hã? O que é isso, já quer me explorar? Sai fora, encosto.
— Vai ter que me recompensar por ter desperdiçado minha noite não liberando essa boceta, majestade. Quero um bom frango assado, pra comemorar, okay?
— Hum...- Ela meneou a cabeça, pensativa — Minhas habilidades culinárias podem ser bem questionáveis.
— Quem falou em cozinhar? Vai me levar no melhor restaurante, queridinha.
— Vai se foder, você não é um Uchiha? Dá tanto desgosto assim que te deserdaram?
— Vai se foder você. – Sakura tentou o empurrar, e ele cedeu a tentação logo de uma vez. Puxou seu rosto e a beijou, ela recuou ainda pega de surpresa, e então, mordiscou seu lábio de volta, com força. Ele sorriu um pouco, de algum modo já sabia que o gosto dela era assim. Picante, instigante.
Encontrou sua língua e dançou com ela lentamente, sugou-a e usou a outra mão para puxar um pouco o lençol. Quando encerrou, baixou a cabeça e olhou seu colo nu, os seios pequenos, firmes e de aureolas de tom salmão opaco.
— Hum, olhe só esses lindos bolinhos, é um café da manhã meio curto, mas...
Sakura bateu em sua cabeça, e puxou o lençol, saindo da cama e pegando o vestido.
Ele gargalhou, deitando-se, e apreciou-a a visão dela vestindo o vestido por cima.
— Mas é bem gourmet, como um prato caro, hein, majestade? – Sakura pegou os sapatos e seguiu para a porta, dando-lhe dedo.
— Caro demais pra um vira-lata como você.
Sasuke riu rolando na cama, suspirou alto, afinal era um prato luxuoso que ele sempre quis provar, ainda mais depois de ter visto.
*
— Então quer dizer que você levou duas pra cama, e ainda terminou sem nada? – Sui gargalhou, enquanto jogava bifes sobre a chapa quente da churrasqueira. — Você já foi melhor, coroa, é a idade afetando?
Sasuke se limitou a abrir uma cerveja e observar a piscina, o sol quente e forte fazia a água refletir e quase cegava qualquer um, com os óculos escuros, ao menos ele poderia ver aquelas duas bundinhas que já provara, expostas.
Depois que a ressaca diminuiu, lembrou de mais fatos e retomou a noção, ficou completamente perplexo.
Ele e Sakura praticamente treparam em uma porra de taxi, e ela tinha uma pegada violenta, que só de imaginar como seria trabalhando em pleno vigor, o deixava sedento, literalmente.
— Eu diria que é mais consequência do álcool. – Resmungou.
— Seeei!
Sasuke não deu muita trela, ainda estava absorvido como um adolescente, no fato de que quase transara com Sakura Haruno, a rainha.
Podia ser nada agora, mas se estivessem no colegial, ele seria o mais perto de um deus, considerando que nenhum outro cara havia tido uma chance, ela sequer havia ido ao baile de formatura, onde com certeza teria sido rainha, e o título coube a uma de suas seguidoras sanguessuga de popularidade.
Aliás, ela não ter ido era um pequeno mistério que o importunava, não achava que Sakura houvesse se negado a ir apenas pra não ter que aceitar algum dos muitos convites que recebera para isso, ela não era o tipo que se importaria de aparecer sem par, ela sempre reinou sozinha onde quer que fosse, ou quando em grupo, sempre liderava.
— Onde a Sakura foi, Ino? E porque essas coisas divertidas sempre acontecem quando estou fora? – Sui continuou, indo para a água, e se apoiando na beira.
— Eu não sei, eu não a vejo desde o dia da audiência, pergunte ao Sasuke, ele é parceiro dela.
— Sasukeee?
— Nem vem, ela foi liberada pra ir pra aquela droga, e imagino que esteja no fórum se matando com o ex, ainda.
— Mas tem o quê? Três dias?! Eu achei que o cara fosse liberar a grana fácil.
— Humpf, não é fácil deixar metade de tudo o que tem pra uma qualquer que não fez nada. – Karin disse, os olhos os óculos escuros.
— Metade de tudo o que ele nem teria se não tivesse casado com ela? – Ino disse. — Está mais que certa! Não é porque ele que estava “trabalhando” que ele merece todo o crédito, aliás, considerando que a amante é a secretária, com certeza parece que ele estava trabalhando duro.
— Duro ele estava sim. – A ruiva brincou, Sui e atirou um pouco de água nela.
— Que malvada!
— Humpf.
— Então se você se casasse e se divorciasse não iria querer nada do cara? – Sasuke indagou. Ela moveu os ombros, pensativa.
— O que me fosse de direito, ora, é de se esperar que os dois construam tudo juntos, não? Então sim, metade pra cada. Mas e se a pessoa em questão, nem sequer estava em casa? Quanto mais pra construir algo em comunhão? Ou chupar as tetas do governo enquanto brinca de guerra é realmente carreira?
— Brincar de guerra? – Ele disse, incrédulo que isso houvesse saído da boca dela, e não só ele.
— Então... Você não apoia os militares? – Sui disse, meio perdido.
— Hellooou, somos a América, somos a maior potência, devíamos estar defendendo nosso território daqui de dentro, e lidando com nosso próprio lixo, não mandando gente pra essas guerras aí fora.
— Você sabe o que é Política, né? – Juugo, que até então parecia mais ocupado com um livro, indagou.
— Claro que sei, ora. – Ela afirmou, cheia de certeza, mas Sasuke não quis ficar para comprovar.
Seguiu para dentro e abriu a geladeira, pegou uma cerveja, e voltou, vendo Ino entrar, pousou a latinha na bancada, e se apoiou nela, respirando fundo.
— Você viu isso né? – Ela disse, baixinho, e ele assentiu.
— Ah, eu vi... Puta, merda, e ouvi também...- Era rir para não chorar. Ela riu.
— Depois falam de mim, hein? Não quero mais saber disso!
Ele pegou sua mão e beijou, ainda rindo.
— Nunca mais, minha loirinha, nunca mais. – Os dois bufaram tentando não rir muito alto.
— Ah, se o mundo fosse simples assim...- Sasuke suspirou, por fim.
— Simplório, você quer dizer.
— Sei...- Ela pegou o vidro de bronzeador que havia deixado lá dentro e os dois voltaram para a piscina, torcendo para que o assunto tivesse mudado.
— Graças a deus que a Sakura não tá aqui – Suigetsu disse, baixo, seguindo para dentro com uma expressão incrédula, Sasuke e Ino cuspiram outra risada.
— Qual a grande piada? – Karin indagou, bem-humorada.
— Sasuke escorregou no meu vidro de bronzeador. – Ino disse, sem grande interesse em firmar a história, Karin fitou Sasuke, curiosa, mas ele deu de ombros, sentando-se na beira da piscina.
— Ô Sasuke! – Suigetsu gritou, da porta — Cadê o controle da porta da garagem?
— Onde está o seu?
— Lá em cima, mas a Sakura disse que tá chegando e quer pôr o carango dela pra dentro.
— Sakura? – Ele se levantou, tateando o bolso do calção, havia deixado o telefone na cozinha, então não sabia se ela havia o contatado primeiro, se é que havia. Achou o controle e as chaves — Ela finalmente concertou aquele carro?
— Deve ser...
— Preciso de notíciaaas! – Ino declarou logo, saltando da cadeira, e contornando a casa, ele revirou os olhos sabendo que encararia olhares tortos por uma das suas hospedes ficar desfilando de biquíni pela frente da casa, que só tinha cerca da metade para os fundos, passou pelo portão e parou em frente. Não demorou para que um veículo vermelho parasse em frente sua casa, o modelo era um Ford Mustang 2016, e ainda por cima, conversível, apesar que com a capota preta encaixada. O motor ronronava como um leão, vigoroso, mas manhoso.
Os vidros eram escuros e em no teto, havia uma prancha de surfe dentro de uma capa preta bem acoplada.
A porta se abriu, e a batida de Sweet Dreams, aquela versão mais velha que ele, escapou do interior.
Sakura pôs um pé pra fora, num salto agulha preto, e desceu do carro, já se balançando ridiculamente com o som, uma bolsa pequena de alça longa, preta pendurada num dos ombros, e um vestido vermelho, tubinho, com uma abertura enorme na frente e mangas levantadas. Seu cabelo brilhava num corte ainda mais curto, repicado e em mechas levemente onduladas, e óculos escuros cintilavam completamente novos no rosto perfeitamente maquiado com vivacidade e naturalidade.
Ela deu mais uma requebrada com o final da música, ridícula por sinal, ela realmente não sabia dançar, e então desligou tudo e se voltou para eles, estendendo as mãos.
— Olá, família Adams! Mama Queen voltou!
Ino pulou até ela como se fosse uma filha mesmo, abraçando o que Sakura não apreciou taaanto, mas deixou passar enquanto Sui foi se embevecer nos pneus cromados do carro.
— Diabos! O que aconteceu?! Onde você estava?! E que upgrade é esse?! – Ino indagou quase histérica.
— Garota, vê se respira. Mas enfim? Ficou booom? Vermelho é a minha cor, então comprei pra combinar com esse bebezinho aqui – Disse, passando a mão na porta — E você não vai encher ele de marca de dedo – Avisou logo ao Sui. — Não é lindooo?!
— Você comprou?! Essa prancha?! E aquilo são sacolas de compras?! – Ino disse, encarando o interior do carro. — Mas você não estava na audiência?!
— Ah, é, eu tava sim. Fala, malandro? – Ela notou Sasuke se aproximou, dando um giro rápido — Um espetáculo, não é? Eu sei, eu sei.
Ele se limitou a coçar o queixo, ainda tentando assimilar as coisas corretamente.
— Imagino que a audiência...
— Ah, foi ótima, nem precisei encarar a cara daquele palerma muito tempo, apenas precisou o advogado dar uma leeeeve ameaçada de processar ele e o prédio por terem compactuado com toda aquela palhaçada do apartamento. Hidan se faz de machão trabalhador mas ele vive mesmo é de bons contatos, qualquer deslize o faz ir parar na lama, ele já vai ter muito o que contornar por ter trocado de esposa tão de repente.
— Bom, não é como se não tivessem caras trocando o tempo todo, não é? Ainda mais pelas mais novas...
Ele se arrependeu instantaneamente de falar assim, não era como se tivesse almejado atingi-la agora.
Sakura tirou os óculos, seus olhos estavam levemente marcados, e brilhantes, bem como a pele, e ela deu de ombros, tranquilamente.
— Acontece que os contatos que meu ex maridinho conseguiu não são exatamente a nata da modernidade.
— O que quer dizer?
— Sasuke, sou filha de um coronel, machista, conservador, homofóbico, cristão e por aí vai. Ele só tem contatos na nata desse tipo, gente rica e tradicional sim, na minha humilde opinião, gente enrustida e hipócrita até o último fio de cabelo do rabo. Hidan tem esses clientes, acha que ele manteve esse casamento por tanto tempo atoa? Ele sabia o que estava em risco.
— Mas parece que esqueceu...?
Ela deu de ombros.
— O filho o deixou em êxtase, o idiota viajou legal, mas agora ele está voltando a si, e percebendo que não vai ser nada fácil ficar no troninho que estava sem mim. Bom, eu já fiz minha parte. – Indicou o carro — O resto é com ele e os outros caras, estou fora.
— Hm... Depenou ele muito?
Sakura riu como uma vilã de filme infantil.
— Quando eu saí da audiência, fui buscar meu novo cartão. – Abriu a carteira e tirou um cartão platinado, que ele não pode deixar de seguir com os olhos como um cachorrinho, bem como Ino e Sui se aproximaram, enfeitiçados. — E ver o número e burocracias referentes a minha nova conta bancária como solteira...
— Hm. – Ele gostou desta parte, ela revirou os olhos.
— Golpista. E então, com a minha nova grana em mãos, passei os últimos dois dias em um SPA, espere, um SPA não, o melhor SPA de LA.
— Não brinca?! – Ino gritou.
— Ah, eu não brinco, também fiz umas comprinhas, como esse bebêzinho, essas roupinhas e outras coisinhas, bem básicas, e agora estou aqui. Ah, desculpe não dar notícias, precisava de um tempo.
— Totalmente aceitável! – Os dois mais novos concordaram.
— Obrigada.
— E a prancha? Um presente pra mim? – Sasuke indagou, agora interessado em verificar aquilo, se aproximou e desencaixou-a de lá. Ino e Sui pegaram as coisas dela.
— Uau! – Juugo exclamou, aproximando-se. — Que carrão!
— Obrigada – Ele a fitou, demorando-se nela, muito surpreso.
— E que Sakura...?
— Onwt – Ela brincou, o abraçando — Já fui bem mimada no SPA, mas ainda aceito uns agrados aqui e ali.
— Não vão faltar a partir de agora – Ele admitiu, e ela riu, toda encabulada até.
Sasuke torceu muito para que a prancha fosse para ele mesmo.
— Ah e a prancha é minha, tira a mão daí, malandro – Sakura avisou logo, ele bufou já pronto pra jogar fora.
— Desde quando você surfa? – Sakura se aproximou, pegando a prancha cheia de cuidado.
— Eu vou aprender, okay?
— Quero ver.
— E pode apostar também, se quiser, mas aviso logo, sou uma Navy SEAL, queridinho, a água é minha segunda casa, fico até doze minutos em baixo sem respirar, nadar então...
— Cadela d’água? Não conhecia a raça!
— Vai se foder! – Sakura mostrou-lhe o dedo do meio antes de abrir o porta-malas com o controle — Agora pega essas compras aí, e cuidado, é comida.
— Hm – Ele pegou as sacolas, de mau gosto e seguiu-a até a garagem agora aberta, rindo de nervoso, com seu andar no gramado fofo sobre saltos tão altos e ainda segurando uma prancha.
Ela andava majestosamente, cacete.
Sua majestade estava de volta.
— Comprou comida? Já estamos fazendo churrasco com cerveja, não precisa mais nada.
— E eu aceito de bom grado! Isso é pra a noite, certo?
— O jantar? – Sakura assentiu, pondo a prancha num canto seguro da garagem. Voltou e passou por ele, brincando com o cordão de seu calção.
— Esqueceu da nossa promessinha? Vou fazer seu Hidan assado e com molho.
Sasuke parou observando-a seguir para dentro com aquele andar reinante e pernas espetaculares, aquela velha banca que o irritava pra caralho, mas era sexy demais.
Ele definitivamente preferia comer ela com champanhe ou vinho, do que frango assado e molho.
*
— Uh, nossa, esse foi o melhor frango que eu já comi na vida. – Suigetsu afirmou, quase sem ar de tão empanturrado estava, ele se recostou na cadeira, e abriu um botão da calça, deixando a barriga protuberante livre.
— Credo. – Ino murmurou, se levantando, e levando o prato para a pia.
— Não se deixe acreditar nele tão fácil, só está adorando não ter que fazer comida ou gastar com ela. — Sasuke avisou, Sakura deu de ombros, levando os pratos dele e dela para a pia e Juugo se ergueu com a travessa agora cheia de restos de ossos e legumes.
— Pois eu espero que goste de comida caseira, por que eu odeio gastar com comida de fora, e odeio lidar com o lixo que fica, então, vão ter muito mais que “Hidan assado” daqui em diante – Ela avisou, Sui se levantou e foi abraça-la.
— Me adota!
— Hahaha, não, obrigada.
— Realmente, foi muito bom – Karin disse, se levantando, todos a fitaram meio desconfiados até.
— Valeu.
— Ah, e parabéns também pela causa ganha.
— Mas você não...- Sui começou, mas e calou logo.
— Obrigada, mais uma vez – Sakura, respondeu, polidamente, Karin sorriu satisfeita e seguiu para a sala, onde pegou uma bolsa, e acenou, seguindo para fora.
— Isso foi mesmo a Karin? – Disse Ino.
— Até a Karin tem salvação?
Sakura riu e se voltou para a pia.
— Eu acho que a única salvação que ela procura é a de ter que lavar a louça que ficou.
— Ah!
— Agora fez bem mais sentido.
— Isso me lembra – Sasuke disse — Temos que reorganizar nossas tarefas aqui, já disse que não quero ninguém pendurando nos outros.
— Por mim de boa.
— Juugo, chama a Karin? – Ino pediu.
— Nah, deixa ela – Sasuke disse, malvadamente — Eu já tinha conversado com ela sobre isso, e também é noite de quarta.
— E o que tem? – Sakura indagou.
— Quartas são noites de reunião – Ino disse.
— Ah.
— Enfim, como vai ser? Eu não quero mais lavar o banheiro! – Sui reclamou.
— Vamos ver – Sasuke disse, se sentando na mesa, Sakura foi até a geladeira e pegou uma garrafa de cerveja. — Que tal irmos pela vocação de cada um?
— Eu não tenho vocação pra lavar banheiro – Ino avisou logo.
— Ninguém tem, mas vamos tentar fazer o mais confortável, okay?
— Okay.
— Alguém se propõe antecipadamente a cuidar de alguma coisa?
— Eu gosto de cuidar do quintal – Juugo disse — Limpar a piscina, churrasqueira, arrumar o telhado...
— Como fazem para lavar a roupa? – Sakura indagou.
— Está se propondo? – Sasuke disse.
— Lavar suas cuecas? Não lavei nem do meu marido, querido.
— Quando todo mundo se fode no trabalho, a gente manda pra uma lavanderia. – Ino disse. — Mas no geral, cada um lava as suas.
— Vocês adoram gastar dinheiro, hein?
— Deixa de ser mão de vaca, está com o rabo forrado de grana – Sasuke reclamou, ela lhe apontou a garrafa.
— Exatamente, eu. Vocês não, então deveriam ser um pouco mais conscientes.
— Qual sua proposta, gênio?
— O mesmo sistema ué, uma pessoa só se responsabiliza por lavar a roupa de todo mundo, num único dia, menos gasto de água, energia, sabão.
— Hm...
— Mas é muita gente... – Ino encarava as próprias unhas, já temendo por elas.
— É só colocar na máquina, depois na secadora – Sakura revirou os olhos. — Se não der tempo pra fazer em casa, alguém leva pra lavanderia, todo mundo ajuda a pagar.
— Okay.
— Eu aceito! – Suigetsu disse.
— Okay.
— Suigetsu com as roupas, Juugo com o quintal, o que sobra?
Sakura passou os dedos pela estante, e mostrou para eles, sujos de uma fina camada de pó.
— Alguém vai ser nossa empregadinha de avental? Voto em você, vou adorar ver seu rabo pra cima enquanto passa o aspirador – Sasuke disse.
— Porque não faz você?
— Eu? Eu não tenho que fazer nada, aliás. Moram aqui na minha casa, eu aturo vocês.
— Pagamos pra você aturar – Ela disse — Sasuke vira a empregadinha, eu voto.
— Voto também! – Ino disse.
Ele mandou um olhar fulminante para ela, mas logo para os outros dois.
— Você vai ficar me devendo essa – Juugo disse — Voto na Ino.
— Ino também! – Sui afirmou.
— Seus bastardos!
— Não é por mal não, loira, mas prefiro seu rabo pra cima do que o do Sasuke!
— Odeio vocês!
— E como Karin não está, sobra meu voto, e eu voto na loira, amo você, loira – Sasuke disse, cheio de si, Ino bufou irada, e ele encarou Sakura — Não foi dessa vez, que virei seu serviçal, baby.
Ela deu de ombros, tranquila.
— Sempre haverá um dia, baby.
— Certo, o que mais falta? – Juugo disse.
— Comidaaaaaaa – Suigetsu disse, os olhos já sobre Sakura, o resto deles fez o mesmo e ela revirou os olhos.
— Okay, a mamãe vai fazer vocês comerem que nem gente.
— Yeah!
— Fará as compras também – Sasuke disse — E todo mundo vai deixar sua parte da grana pra isso – Avisou — Se quiserem algo diferente...
— Deixem numa lista – Sakura disse — Na geladeira.
— De acordo.
— Agora sobraram Sasuke e a Karin.
— Eu já disse que sou o senhorio...
— Se catar!
— Sasuke vai ser o nosso auxiliar – Sakura disse, pousando a mão no ombro dele. — Precisa mexer o rabo mais vezes mesmo, então é perfeito.
— Como assim?
— Vai ajudar todo mundo nas tarefas, ué.
— O quê?!
— DE ACORDO! – Os outros ecoaram e ela deu de ombros, com um olhar desafiador, ele bufou.
— Filha da puta!
— Vamos lá, Ino não poderá mover os móveis sozinha, é muita roupa só pro Sui lidar e mesmo o Juugo pode precisar de uma mãozinha.
— Humpf.
— E eu preciso de alguém para empurrar o carrinho de compras e cortar alguns legumes, ainda mais depois de pintar a unha.
— Se foder!
— Vai se sair muito bem, baby— Ela riu, tocando seu queixo brevemente. E indo se recostar na estante, os fitou mais seriamente, puxando um gole de cerveja. — Agora falta a Miss Simpatia.
— Ah, nós já sabemos bem o que ela vai fazer – Ino afirmou, os olhos azuis brilhando de crueldade, Sui e Juugo concordaram.
— Ih...
— Os banheiros!
— Vocês são muito filhos da puta, ela vai chiar no meu ouvido, porra – Sasuke reclamou.
— Qual é, Sasuke, vamos ser bem sinceros. Karin não faz questão de ajudar em nada que não seja diretamente necessário para ela. – Ino reclamou — Só lava as próprias roupas, só faz algo para ela mesma, tudo bem que ela limpa o que suja, mas na maior parte do tempo a casa está uma baderna, aí quando todo mundo se mobiliza e tenta arrumar tudo, ela sai de lado e inventa alguma coisa. Já deu né?
Ele suspirou, aborrecido. Sabia que estavam certos e algumas dessas atitudes também o irritavam. Não se importava que qualquer um fizesse o que quisesse em seus devidos quartos, mas ao menos a área comum da casa deveria ser preservada por todos.
A questão era que Karin era mimada, tanto pelos pais que chiaram quando ela saiu de casa para viver ali, quanto por avós, e por Naruto, que seria o primeiro a vir lhe encher o saco.
Mas talvez ele próprio estivesse sendo tendencioso por conta do casinho que tinham vez ou outra, e ela se aproveitasse que não era exatamente bom em ser rude com mulheres (tirando Sakura, mas ela fazia por merecer, e era a dinâmica deles, afinal) ou mandão. Sua mãe, tendo criado dois filhos homens, sempre fora muito implicante com a forma que ele e o irmão deveriam tratar as garotas.
Ele nunca teve algo sério, mas nunca buscou iludir qualquer uma delas, e sempre tivera o olho atento nas que deixaram transparecer buscar algo sério desde o começo, para evitar dores de cabeça. Também pela criação que teve, que nunca se interessou em qualquer tipo de caso com mulheres comprometidas, nem tinha interesse em manter um relacionamento ainda que curto com mais de uma mulher.
Seu pai havia traído a sua mãe, uma vez. Um deslize que quase custou o casamento deles. Sasuke tinha cerca de doze anos, e viu o impacto disto na mulher que mais amava, na única que amava. Não estava interessado em ser pivô de algo desse tipo nem de passar qualquer parte de uma dor assim a qualquer outra mulher.
Ainda havia resquícios disso no casamento de seus pais, não eram mais os mesmos, amadureceram, com certeza, seguiram em frente juntos, e talvez isso houvesse até fortalecido o amor deles, mas não a confiança, nunca seria como antes, mas seu pai se esforçava para fazer valer a pena cada dia, e sua mãe reconhecia isso.
Agora Itachi estava casado, Izumi, sua esposa, esperava o primeiro filho deles, e Sasuke sabia que ele também aprendera a lição com o pai deles.
— Okay – Disse, por fim.
— Ótimo, só me tirem da reta, a Miss Simpatia parece já não gostar muuuito de mim – Sakura disse, e eles a fitaram surpreso — O que? Acham mesmo que eu não percebi? Só não me importo mesmo, eu na minha, ela na dela. Enfim, quem vai ficar com a louça mesmo?
Suigetsu e Ino dispararam para fora da cozinha.
— Bom, geralmente fica com quem cozinha – Sasuke disse, ela revirou os olhos, já bem mais claros, livres de olheiras, a pele reluzente, mesmo que já tivesse desfeito aquela produção para cozinhar mais confortavelmente, usava uma camisa azul escura, e mais desbotada e provavelmente parte de um uniforme antigo, e uma saia preta, jeans e bem acabada.
— Eu te ajudo. – Juugo disse, se levantando, Sakura aceitou, de bom grado e se voltou para as louças, começando a lavar e passando para ele secar.
Sasuke apenas observou.
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