Killer Queen
10 Rainha (In) Desejada
Notas iniciais
— Sakura? Anda logo – Sasuke gritou da escada, já impaciente, embora apreciasse muito o pão recém assado que ela fizera para o café da manhã bem como o café quente.
Estava começando a apreciar muito as dádivas de viver com a rainha mais desgraçada do mundo. Para mãos acostumadas a empunhar armas de todo tipo, elas cozinhavam divinamente e ele poderia se acostumar fácil com a nova dieta.
Finalmente ela surgiu no topo da escada, com uma careta aborrecida e limpando um par de óculos escuros, e ele, ele engoliu um pedaço de pão a seco, observando-a descer sobre um par de scarpins pretos e lustrosos e um num vestido tubo vermelho vinho, a barra batia em seus joelhos, mas o tecido de alfaiataria colava em cada curva, e um blazer preto por cima não escondia o decote pequeno mas chamativo.
— É muita audácia sua me chamar pra trabalhar cheio de pressa, mas ainda comendo como um porco. – Ela reclamou, parando pouco acima dos degraus em que ele estava.
— Onde você vai?
— Trabalhar? Eu hein, bateu a cabeça no chuveiro?
Desceu as escadas e seguiu para a cozinha, Sasuke foi atrás, encarando o andar perfeito dela, tão hipnotizante que chegava a soar obsceno.
— Trabalhar? Onde? Comigo? Desse jeito?!
Sakura se voltou para ele, já perto da mesa, enquanto puxava um pedaço do pão.
— Desse jeito como?
— Ué, desse jeito! Tá parecendo uma advogada, porra.
Ela franziu o cenho, genuinamente perdida, encarou a roupa.
— E isso é ruim?
— Você é advogada? Não! Então é ruim, somos investigadores, vamos ver cenas de crime, e não ir a um buffet.
— Está exagerando. – Sakura deu de ombros, enchendo uma xícara de café e indo para a sala novamente, ele a seguiu, ainda incapaz de ignorar o feitiço que era o balançar de seus quadris, e irritado com isso. Não precisava de uma distração dessas, o dia todo. Sakura abriu a porta e se curvou, pegando o jornal, ele deu a volta, engolindo um gole fumegante de café.
— Não to não – Avisou, retornando para a cozinha. — E se precisarmos correr atrás de um bandido? Vai tirar os saltinhos?
— Eu não corro.- Ela reavisou, entediada, enquanto retornava, sentou na mesa, e cruzou as pernas, abrindo o jornal sobre elas e folheando-o.
— Tsc. Sakura, ao menos ponha uma calça. Tá parecendo uma executiva.
— Fico lisonjeada.
— Puta merda.
— Aliás, vamos fazer compras hoje, okay?
— Me poupe.
— Sem falta, e por favor, espero que mande lavar aquele seu carro hoje, aquele porta-malas é impróprio para levar qualquer item alimentício, malandro.
— Como assim, meu carro? E o seu?!
Sakura riu, como se fosse a melhor piada, e pescou uma uva no cesto.
— Você acha mesmo que vou pôr o meu bebê, novinho em folha, em perigo? Quando volta e meia tem um louco atirando ou atropelando a gente? Nem pensar!
— Vai se foder, sua perua. Use seu carango! Só estava te levando por pena.
— Aham, claro. Vamos lá, sem drama, pra quê dois carros? Trabalhamos no mesmo lugar, juntos, moramos no mesmo lugar e até vamos pra outros lugares juntos, não vejo porque gastar minha gasolina se posso gastar a sua.
— O cacete.
— O que vocês já discutem tão cedo? – Ino indagou, entrando na cozinha, usando calça pantalona, uma regata preta e boné. Sasuke apontou pra ela.
— Olha aí, tá vendo? De calça, muito sexy, e perfeita para mexer com defuntos.
— Hã?
— A boneca resolveu implicar com meu guarda-roupa, acho que está é com inveja.
— Seu rabo.
— Ué, você está incrível. – Ino disse — Claro, não são os melhores sapatos pra perseguir bandidos mas...
— Hum, eu não corro, pra isso – Sakura acertou um bom tapa no traseiro dele, e Ino quase cuspiu o café que acabara de provar. — Tenho esse garotão aqui. – Ela afirmou, ainda dando uma apertada.
Sasuke respirou fundo, e a loira puxou a cadeira para mais longe.
— E mais, eu sempre me vesti assim, ora, claro que ultimamente meu guarda-roupas estava péssimo, mas agora as coisas mudaram... Eu me visto assim, e sempre vou me vestir... Que é? – Sasuke a encarava profundamente.
— Faz isso de novo, e juro que a próxima coisa que vai fazer é ficar virada sobre a barriga levando palmada o resto do dia. – Rosnou.
— Uhhhh, não recebo esse tipo de ameaça desde que tinha dez anos. – Ela zombou, finalmente se levantando. Foi até a gaveta onde pegou um bloco de papel e transcreveu algo rapidamente. — Nosso cronograma está pronto, como o fim de semana começa amanhã, as bonitas já podem começar com suas atividades e isso inclui limpar a casa, porque sinceramente, tá um nojo isso aqui.
— Ain, não me lembraaa. – Ino choramingou — Tenho mesmo que...
— Trato é trato. – Os dois lembraram e ela bufou, então sorriu, empolgada.
— Acho que tudo bem! Tenho o nosso Sasuke pra ajudar. – Ele revirou os olhos.
— Só tenta pra você ver. – Ela fez um biquinho, magoado. A mão coçava para fazer a mesma ousadia que Sakura. Sasuke bufou, seguindo para a porta.
Mas talvez, esse fosse só mais um dos privilégios que Sasuke, inconscientemente, deixava apenas Sakura ter.
Ino encarou a porta da geladeira, onde um pequeno quadro havia sido escrito numa folha de papel com a atual situação das tarefas de cada um:
Limpador de piscina (Juugo), Empregada (Ino), Cozinheira (Sakura), Lavadeira (Suigetsu), Lavador de banheiros (Karin), e Sasuke, estava como “pau auxiliar”, Ino gargalhou muito.
*
— Vem cá. – Sasuke começou, passando o cinto e ligando o motor — O que você fez com aquele Mustang, se é que ainda podia chamar assim, não tinha o mandando para o concerto?
Sakura apoiou o cotovelo na janela e o rosto no punho, com um breve suspiro.
— Sim, e então, o mandei de volta para o dono.
Ele a encarou, com uma pergunta silenciosa.
— Nunca foi meu mesmo, afinal, era só uma falsa compensação.
Sasuke, deu marcha ré, e entrou na rua, logo uma mensagem chegou mandando-os ir para uma determinada área do centro, para o trabalho.
*
— Tem certeza disso? – O filho do meio, indagou, quase ferozmente, fazendo o homem do guincho praticamente se encolher.
— Sim, senhor, juro, aqui estão as notas. – Ele entregou a pasta, e o homem bufou, irado.
— Eu não acredito...
— Então eu posso deixar...? – O encarou com olhos verdes assassinos.
— Pode enfiar essa porra no centro do seu...
— Basta, Ethan. – A voz carregada do pai dele saiu, pela varanda, este apareceu, por fim dando um olhar para o carro ainda sobre a plataforma. Suspirou, profundamente e encarou o responsável por trazer o veículo — Pode deixar, é para cá mesmo que está sendo devolvido.
O homem assentiu, afastando-se de Ethan logo e mandando os auxiliares descerem o Mustang com todo o cuidado possível.
— Mas pai? – Ethan protestou.
— Deixe, Ethan, apenas deixe... Por enquanto.
*
— Hum, deixe-me ver o que falta... – Sakura disse, caminhando passo à frente de passo, entre as prateleiras, Sasuke até reclamaria do seu metodismo até para fazer compras, mas havia enganchado numa conversa quente com uma mulher por meio de mensagens, então apreciou a lentidão.
Sakura pegou um pacote de alguma coisa, e jogou dentro do carrinho, depois riscou mais um item da lista que tinha num bloco de post-its vermelhos e brancos que levava.
— Nossa, que delícia...- Ele soltou, impressionado com o palavreado da mulher, se ela fizesse o que falava tão bem assim...
Sakura franziu o cenho, se voltando para ele.
— Gosta tanto assim de macarrão instantâneo?
— Hm? Quê?
— Em que mundo você tá, hein? – Sasuke riu, se erguendo, posto que praticamente era levado pelo carrinho, em vez do contrário. Ergueu a tela do celular ao alcance dos olhos dela, e Sakura leu rapidamente, logo formando uma careta.
— Que nojo.
— Isso é um tesão da porra, já fez?
— E vai realmente fazer? Credo.
— Vou experimentar hoje, se você me liberar dessa porra toda aqui. – Reclamou, ela revirou os olhos.
— Porque a pressa? Esse tipo de posição nem dá pra manter por muito tempo, mas essa – Sakura apontou uma mensagem mais acima, na tela — Essa sim, se fizer bem, uh, vai valer a pena.
Ele visualizou a cena, pensativo e encarou-a, chocado.
— Você já?!
Sakura deu de ombros, puxando o carrinho e quase o fazendo cair, atentou-se nas marcas de potes de azeitona.
— Porque todo mundo pensa que gente casada não transa? Ou que só faz papai e mamãe? Eu hein.
— Mas porra, isso é outro nível!
— É sexo, uma contorcida diferente aqui e ali, mas continua sendo sexo, pau na buceta, e uma gozada. Com alguma competência e um pouco de sorte, a mulher também goza, simples.
— Hidan te fazia gozar? Sinceramente eu duvido.
— Não foi falta de orgasmo no sexo que esfriou nosso casamento, Sasuke, foi falta de oportunidade para sexo, e orgasmos. Eu sei o que todo mundo pensa, okay? Que a coroa deixava o marido para ir pra Marinha pagar de matadora. Que eu não fazia questão do meu marido. – Ela pegou dois vidros de azeitonas, pondo no carrinho e o fitou — Mas acontece que não foram poucas as vezes em que fiquei sozinha no nosso apartamento, enquanto ele estava no escritório, não foram poucas as vezes em que nossas saídas como casal, acabavam sendo apenas para manter as aparências de que apesar de vidas tão distintas, erámos unidos. Quando chegávamos, cada um dormia em seu lado da cama, estávamos tão cansados, que nem brigávamos mais.
Entraram numa outra esquina, onde ficavam as carnes e coisas refrigeradas. Sasuke ajudou a pegar bastante carne pra churrasco, e ela pegou algumas bandejas de queijo e presunto.
— Mas no começo? Foi quente? – Indagou — Você meio que deu a entender que foi empurrada pra ele, então...
— Ele era bonito, e galante, tudo o que uma garota queria, eu tenho certeza que com esforço próprio ele também cresceria. Ele também era mais velho, o que me fez vê-lo como ainda mais perfeito, eu nunca tive um bom julgo dos caras da minha idade, ainda mais se comparando-o aos da minha escola...
— Ownt, devo me sentir mal?
— Foda-se você. Ele não era meu cara ideal, meu cara ideal seria mais como eu, minha idade, mesmas perspectivas que eu, mesmos sonhos, tudo igual. Casar com Hidan me mostrou que eu poderia ser feliz com alguém diferente de mim, mas me divorciar dele, mostrou que não podemos ser tão diferentes assim. Ou nos tornamos desconhecidos vivendo sob o mesmo teto.
Sakura abriu uma geladeira e tirou alguns pacotes de cerveja, e caixas de suco.
— O sexo era incrível. – Ela completou — Ele era o cara mais velho e experiente, eu era muito sisuda, e ele foi incrível quebrando isso.
— Perdeu com ele?
— Aham.
— Droga, sabia que escondia sua cerejinha.
— Como se houvesse tido a possibilidade de ela ser sua. – Sakura revirou os olhos — Eu era muito mecânica naquela época...
— Fato.
— E eu tinha certo nojo de sexo, não da parte carnal, é mais do depois, quando você cresce numa família toda repartida por casos e casos, as consequências do sexo ficam mais claras para você. Eu tinha nojo das minhas colegas, sempre agindo como se uma foda fosse declaração de amor, e mais nojo de como alguns de vocês usavam isso para se aproveitar delas.
— Eu não.
— Mas era um comedor insaciável.
— Ainda sou!
— Nojo. Enfim. Eu odiava sexo casual, odiava a possibilidade de ter filhos ou doenças, e ter meu maravilhoso futuro destruído, não foi questão de um sonho frufru sobre perder a virgindade na lua de mel com o príncipe encantado, mas sobre só fazer isso quando qualquer coisa que saísse errada, pudesse ser bem assegurada. E o que seria mais seguro do que transar no casamento, sim? Se eu pegasse doenças, ele seria o culpado, se engravidasse, ele também seria.
— E se não gozasse?
— Não é obvio? – Os dois riram, e ela pegou uma barrinha de chocolate. — Bom, os itens da lista acabaram, como vocês pedem tralha.
— Carne e cerveja e eu já to feliz.
— Idem.
— Claro, senhora das frutas e vitaminas.
— Humpf.
— O que você quis dizer com família repartida? Achei que tivesse só uns irmãos mais velhos.
Sakura deu de ombros, com a barra de chocolate ainda em mãos.
— Eles são trigêmeos não idênticos.
— Whoah...
— Filhos da primeira esposa do meu pai, que morreu em consequência do parto.
Sasuke quase parou, mas continuou seguindo-a, ela andava a frente, a barrinha girando em mãos, os olhos presos no passado.
— Eu sou filha da segunda mulher que ele se envolveu, que na verdade, provavelmente, já era sua amante.
— Não me fode.
— Não sei dizer se já trepavam pelas costas da esposa dele, mas ela era um casinho que não teria sido sério se eu não tivesse tido que aparecer.
— Então eles se casaram?
— Não.
— Então?
— Ela foi embora quando eu tinha dois anos, ou talvez ele a tivesse mandando embora, a assustado, qualquer opção é válida, afinal ele não a amava, assim como não amou a mulher que morreu lhe dando três filhos.
— Quem ele amava, Sakura?
— Oh, sim, tem uma sortuda. Mas ela casou cedo, coisa da época. E ele foi para a guerra, só que ela se tornou viúva quando eu nasci, e o velho não pode controlar a vontade guardada por muito tempo, ela gostava de fazer a recatada, e o caso com a minha mãe provavelmente atrapalhou mais um pouco – Explanou, desdenhosa. — Mas eu só fui entender melhor quando tinha doze anos, o porquê do meu pai ser tão diferente comigo em relação aos meus irmãos. Eu não era imperfeita apenas por ser filha mulher, mas por também não ser filha da mulher que ele realmente amava. E então ela apareceu, quando eu tinha quatorze anos, ela era um bebê... Eu lembro que nunca vi meu pai tão diferente... Ele nunca foi aquele tipo de pai pra mim... Nem nunca seria. Foi frustrante perceber isso, mas ao mesmo tempo, foi uma revelação.
Sasuke parou no lugar e suspirou.
— Então porque continuou sendo como ele queria, Sakura?
Mesmo sabendo que era impossível alcançar esse objetivo, era uma batalha que ela já havia perdido mesmo antes de nascer, ao ser concebida, mas ela continuou lutando, ficando cheia de marcas.
Sakura parou, e o encarou de soslaio.
— O que mais eu poderia me tornar, Sasuke? A sombra de uma mulher que todo mundo odeia, mas sequer lembro o rosto? Todo mundo dizia que pareço com ela, sabia? Ou talvez fugir de casa e virar algum tipo de hippie? Me drogar e engravidar aos dezesseis para chamar a atenção? Me tornar ainda mais um fardo? Não, eu me recusava. Eu nunca seria um fardo, eu seria a coisa que ele mais se orgulharia querendo ou não. Eu sou a única Major, dentre os filhos dele, Sasuke, eu sou a única que ingressou e passou na seletiva das forças especiais, eu tenho medalhas de missões que fariam o próprio Kizashi correr na época em que ele era soldado. Eu sou mais que ele, sou melhor que ele, ele não pode sequer se recusar a sentir orgulho de mim, eu não só fui como ele queria que eu fosse, eu fui melhor, eu sou a melhor filha ou filho que ele poderia sonhar em ter, o melhor soldado que ele poderia se orgulhar de dizer que é pai. E ele sequer me amava, e ele vai ter conviver com isso.
Ele nunca lhe dera amor, mas ele teria que lhe dobrar-se de orgulho diante dela, ela aceitou isso há muito tempo. Era tudo o que teria, mas era dela, apenas dela.
— Mesmo agora? Agora que você é uma coroa divorciada trabalhando numa porcaria de delegacia, morando num quarto alugado?
Sakura deu de ombros, encarando o pacote em mãos, o abriu e tirou um bloquinho de chocolate que estalou em seus dentes antes de derreter em sua língua.
— Eu posso ter decaído, entrado em ruínas, mas o meu auge, meu auge ainda é visto por muitos, e poucos vão alcançar, malandro, e certamente, nenhum dos adorados filhinhos do Kizashi, e muito menos a bonequinha que ele criou depois de mim vai chegar lá. Elizabeth não passa de uma bonequinha que invoca alguma ternura nele com aqueles olhos azuis herdados daquela esposa esnobe e fresca que ele tanto ama, mas até onde eu sei, ela sequer se casou ainda, e não é grande coisa como professora de francês, passa os dias brincando de fazer caridade, festas beneficentes, e provavelmente os netos que ele vai ter, serão das putas que Damon, Ethan e Josh comem porque são babacas demais para segurar uma mulher decente com eles, iguaizinhos ao pai. E a doce Elizabeth. – Ela fez uma voz enjoada. — Provavelmente ou vai terminar velha com sete gatos, ou vai casar com algum babaca que não sabe dar orgasmos e adotar crianças africanas ou talvez da Síria.
— Hey, dona Cascavel, seu veneno tá escorrendo aí. – Ele brincou, mais para desfazer a própria tensão do que acabar com o assunto, Sakura lhe deu um olhar afiado e sarcástico.
— Relaxa, baby, meu veneno também é meu néctar, um doce.
Sakura seguiu em frente, ele a acompanhou, puseram mais algumas coisas no carrinho, discutiram sobre marcas e tamanhos de vidro de palmito, e então, finalmente chegaram até o caixa, a movimentação era menor naquele mercado, próximo de casa, Sasuke preferia comprar lá do que sair da delegacia e parar em algum hipermercado lotado.
— Erm, senhora, não pode consumir os produtos antes de pagar – O caixa, um rapaz entre vinte e vinte e cinco anos disse, intimidado com ela, mas não disfarçando o olhar no corpo.
Sakura o fitou, e fez um bico.
— Own, me desculpe – Usou aquela voz aveludada que usava quando queria sair de fininho de algo — É que faz tanto tempo que não provo essa delícia – Disse, lambendo um dos dedos sujos de chocolate. Sasuke que até então ignorava os dois para retomar o assunto com a mulher das mensagens, parou de digitar e observou aquela cena, tão atraído quanto o rapaz. Os olhos dela brilharam de malícia ainda mais depois de passar melhor os olhos no rosto e tronco do rapaz — E muitas outras coisas deliciosas também...
O jovem gaguejou como um garotinho e Sasuke a encarou, estupefato, incrédulo enquanto o caixa se pôs a passar as compras na velocidade da luz e ensaca-las. Gaguejou o preço total, e ela pagou, com gosto, a soma já prevista e composta pela vaquinha que todo mundo fez antecipadamente.
Sakura desfilou para fora, e ele a seguiu empurrando o carrinho com compras prontas e mais do que emburrado, olhou para trás, vendo o cara sentar em sua cadeira, soltando o ar completamente embasbacado e apressou o passo atrás dela.
— Que porra foi aquela? – Alcançaram o estacionamento e ela abriu seu porta-malas.
— O quê?
— Como o quê? Que porra foi aquela de: “E muitas outras coisas deliciosas também”? – Imitou a voz dela.
— Eu não falei assim.
— Falou sim!
— Claro que não, essa voz de puta? Nunca.
— Não foi voz de puta, foi voz de: “Quer me dar orgasmos, querido?”.
— Ah, sendo assim, tudo bem, era meio que essa a intensão mesmo...- Sakura deu com os ombros pondo as sacolas no porta-malas enquanto ele praticamente as jogava dentro, e continuava encarando-a.
— Como assim?
— Olha, considerando tudo o que eu disse, não sou a melhor pessoa pra flertar, percebeu?
— Hã...?
— To tentando treinar, ué.
— Treinar...?
— Claro, uma hora eu vou precisar usar de verdade, preciso me atualizar. Aliás.
— Está falando de voltar a fazer sexo?
— Claro que sim, to divorciada, mas não morta.
— Você se divorciou tem nem uma semana! Já tá procurando casamento?!
— Calma lá, eu não falei em casamento, estou falando de sexo. Eu não quero nada fixo nem tenho pressa, o tempo pras coisas darem certo como casamento e filhos já passou, mas...
— Mas?
— Eu não vou virar uma velha com sete gatos, enquanto ainda posso ir à luta por uma gozada ou outra, né? Ainda devo dar um caldo, ou não?
Sasuke fechou o porta-malas e a encarou.
— Dá um banquete.
— Então? Sexo casual pra mim está ótimo, ainda mais agora que o divórcio, é recente, não sou burra, sei que todo cara que souber vai fugir achando que sou uma quarentona divorciada.
— Vai mesmo!
Sakura riu, maleficamente, enquanto abria a porta do carro e entrava.
— Mal sabem eles que serei eu a primeira a deixar a cama depois da foda.
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