Killer Queen
38 Rainha Realizada
Notas iniciais

— Porque ela não veio? – Noein indagou.
Sasuke tirou os olhos da estrada, um instante.
— Quem? Sakura? Ela não pôde fazer uma viajem assim, ela anda meio sensível.
— Ela está doente?
— Hah, não. Ás vezes parece, mas basta dar um docinho. Você vai ver...
— Hm... – Noein deu de ombros, olhando pra frente. — Okay, apesar que nessa velocidade...
Sasuke o fitou, afiado de lado.
— Tá me chamando de tartaruga, pirralho? Eu era o maior corredor de rachas do colégio, e na faculdade tinha um carango que chamavam de Relâmpago Negro.
— Pft! Que coisa de velho!
Sasuke bufou, abriu todas as janelas, deixou uma música do Guns N’Roses no último volume, pisou no acelerador, aproveitando a interestadual totalmente vazia para eles.
— É velocidade que você queria?!
Noein gritou e gargalhou com o vento forte sacudindo seu cabelo e o som do motor vibrando em seu estomago.
A velocidade ainda não ajudara tanto a encurtar a viajem, como saíram do abrigo já a tarde, pernoitaram num hotel de estrada e seguiram viajem com o carro abarrotado de embalagens de hambúrgueres gordos e latas de refrigerante.
Já no estado da Califórnia, Sasuke deu uma olhada no telefone.
“Tudo saiu bem, como está tudo aí?”
Querido, ela é louca.
Ela vai matar você.
Se tivesse feito DOIS bebês, ela estaria cansada demais para ser tão chata.
Quando você chega? Já temos tudo pronto, já podemos começar? Podemos não ter outra chance para tira-la de casa sem sermos ameaçadas!
As perspectivas eram empolgantes, ele percebeu.
“Devo chegar pela tarde, vou resolver mais uma coisinha e vou pra casa, então ocupem ela esse tempo e nos vemos na sua casa, mãe”.
Okay...
Seja o que Deus quiser.
Boa sorte, querido, é melhor que valha a pena!
Sasuke guardou o telefone e seguiu de volta ao quarto, já tendo abastecido o bastante acenou para Noein que brincava numa máquina de jogos ao lado da entrada da loja de conveniência.
— Fiz oitocentos pontos só nesse tempo!
— É? Que mãos rápidas. Vamos lá, pé na estrada outra vez, e só vamos parar quando chegar, certo?
Noein assentiu, entrando no carro.
— Já foi ao banheiro certo?
— Aham.
— Okay. Decolando.
*
Sakura olhou o telefone mais uma vez, inconformada. Largou-o na cama, bufando e se levantando.
Já estava cansada de ficar encarcerada na casa de Rachel. Sabia quando estava sendo enganada, só não sabia se era armação de Sasuke, de qualquer forma, ele ouviria um bocado de todo jeito.
Ele parecia ter o dom de sumir quando ela mais precisava. Certo que as coisas saíram do controle um pouco por sua culpa, mas era culpa dele não estar lá quando precisava de sua palavra...
Seguiu para a porta decidida a fugir, se preciso fosse. Rachel abriu e entrou, sorrindo de orelha a orelha.
— Oi, querida? Onde vai?
— Pra casa. Agora sai da minha frente ou passo por cima.
— Bom, com certeza tem peso pra isso.
— Rachel, eu tenho que te lembrar que tenho uma arma?
A ruiva revirou os olhos e então sorriu, erguendo um vestido rosa quartzo ainda embalado no cabide.
— Que tal uma festaaaa?
Sakura quis muito atirar nela, em sua bunda bem redonda e ainda bastante dura.
— Festas, Rachel? Veja se eu tenho cara de quem quer ir pra uma festa. Única festa que quero ter é uma em que posso arrancar o couro de Sasuke Uchiha.
— Ora, vamos lá. Precisa relaxar, desde quando liga tanto pra um homem? Você sempre deu dane-se ao que Hidan fazia.
Sakura quase disse que por isto, talvez, seu casamento terminou como terminou. Mas não gostava de se ver pensando que precisava fazer algum tipo de comparação ou se tornar mais “cuidadosa”.
— Onde é essa festa? – Perguntou, enfadada. Rachel sorriu, levando o vestido até a cama.
— Na casa da sua sogrinha!
Sakura quis matá-la.
*
Sasuke viu Noein se agitar com ansiedade quando pararam em frente a casa. Sorriu um pouco, e desceram do veículo.
— Não precisa ficar nervoso, ela não está aí.
Ao menos esperava, ou deveria se preparar para ser recebido com socos ou tiros.
Na verdade, já assumia que seria assim de todo jeito.
Passaram pelo portão e Sasuke estranhou não serem interceptados por Gibs.
Adentraram a casa silenciosa e Sasuke entregou a ele a sacola da loja pela qual passaram antes de vir.
— Suba, tome um bom banho e não se preocupe com comida ainda.
Noein pegou a sacola, ainda olhando em volta.
— Está meio diferente.
Começou notando pela casa agora ter uma cerca da frente mais alta, algumas câmeras e ao lado do batente da porta, um pequeno painel eletrônico. Noein se sentiu entrando numa instalação secreta, achou o máximo, admitia.
— Umas mudancinhas aqui e ali, e vai mudar mais. Vá logo, hein?
Ele assentiu, subindo as escadas com pressa foi para o banheiro do corredor.
Sasuke suspirou, foi até a cozinha, bebeu uma água, deu uma já rotineira inspecionada nos fundos e na área da piscina, notando que até os cães foram levados mesmo.
Então subiu para o quarto e tratou de um bom banho também.
Noein saiu do banheiro vestindo uma calça preta, um tênis que parecia de couro, também preto e uma camisa de botões e mangas curtas azul suave.
Enxugou o cabelo com a toalha enquanto procurava outras mudanças, e parou diante do quarto de Sakura, abriu a porta esperando ver as bonecas dela na prateleira, mas só encontrou uma parede recém engessada, abriu mais a porta, encontrando-o completamente vazio, alguns móveis já desmontados e cobertos com plástico, latas de tinta e escadas.
Fechou a porta, e foi ao de Sasuke, encontrando a porta entreaberta, viu um armário maior, um espelho na parede, e as bonecas estavam lá nas prateleiras de cada lado da janela. Sasuke estava em frente o espelho da cômoda, vestia uma camisa preta e jeans, sapato social e se envolvia numa nuvem de perfume. O garoto fez uma leve careta, quase sentindo o gosto do produto na língua.
— Qual é a dessa fita toda?
Sasuke riu e borrifou nele também.
— Eu chamo isso de “se preparar para o massacre”, ás vezes dá certo, ás vezes não, prefiro arriscar de qualquer jeito. E você também vai precisar. Estamos atrasados, pegue a sacola e vamos lá.
— Acho que estou rodando mais com você hoje do que quando rodei com os hippies. – Noein observou, um pouco desanimado com todo esse vai e vem.
Sasuke riu, descendo as escadas.
— Não duvido, aposto que passaram mais tempo chapados do que dirigindo.
Noein contou que passou cerca de dois meses com os hippies que o deram fuga da guarda da Sra. Nielsen, só que aí eles foram meio que emboscados pela polícia por causa da maconha ou seja lá o quê que levavam naqueles narguilés, os que não foram pegos, fugiram pra um descampado, Noein se separou deles e pegou uma carona com um caminhoneiro.
Daí iniciou-se sua peregrinação por alguns estados, sempre pegando uma carona em caminhões ou trens, ás vezes pegando uns trocados por ajudar com mudanças ou concertos até a polícia de Sidney o pegar tirando um ronco com uns mendigos muito legais.
Noein garantia que aqueles que não estavam sempre chapados ou bêbados, eram inofensivos e muito sábios até.
Sasuke notou que ele aprendeu muita coisa nessa viajem, mas também passou perigos que certamente não iria falar pra eles ainda, para não levar grandes sermões. Mas principalmente, notou que Noein gostava de viajar, não importava a forma que fosse. Já o via mais velho, louco para pegar uma mochila e rodar não só o país, mas o mundo todo.
Seria assustador se já não tivesse tido prova de que ele era bom em se virar, e destemido. Ainda era assustador, mas imaginou que quanto mais ele crescesse, mais fácil se tornaria lidar, já sobre Sakura...
Só queria estar levando um caminhão de doces de ursinhos...
— Uau, quem mora aqui? Algum ator dos Vingadores? – Noein interrogou, encarando a fachada da casa dos Uchiha. Sasuke sorriu até com presunção.
— Bem, modéstia a parte. Essa é a casa da minha família.
Noein o encarou, descrente.
— Você tá velho.
— Quer uns cascudos? Eu nasci e cresci aí, pirralho. Você vai ver.
— Então porque você parece sempre um pé rapado malandro e mão de vaca? Fala sério.
— Se chama humildade, pirralho.
— Foi deserdado, seja honesto. Você era aquele tipo muito burro pra cuidar dos negócios?
— Eu vou te jogar desse carro, hein?
Noein riu, ainda não acreditando em nada. Adentraram a propriedade, onde haviam muitos carros em frente. O garoto desceu, se aproximando de um camaro preto com listras brancas.
— Uau! É real, e nem é miniatura! – Sasuke apenas revirou os olhos para o jeito pomposo de Shisui. Madara estacionara seu cadillac mais adiante e presumiu que a ferrari vermelha fosse de Izuna, que o havia procurado a alguns meses perguntando sobre o que ele achava de alguns esportivos que ele estava indeciso.
Sasuke podia não mais em algo tão potente, mas ainda entendia bem deles.
— Você é o pé rapado da família, Sakura bem que falou. – Noein zombou, mais empolgado em admirar os possantes enquanto contornavam a casa.
— Não a tire como tão esperta, ela ainda ficou comigo, mesmo assim. – Rebateu. — É o meu charme, essa humildade a deixa toda eriçada.
— Mas ela nem precisa da sua grana...
Sasuke passou o braço em torno do pescoço dele.
— Agora eu afundo essa sua cabeça...- Ameaçou. Chegaram ao jardim ainda “lutando”, encontraram muitas pessoas entre mesas com balões brancos azuis e rosa, um tom suave. Uma pequena orquestra tocava algo agradável, e mesas estavam cheias de pratos, torres com docinhos como macarons ou cockies em forma de bebês tingidos com glacê rosa ou azul.
— Finalmente você- Oh meu Deeeeeeus! – Ino surgiu sabe-se lá de onde e puxou Noein, apertando suas bochechas sem acreditar. — Meu Deus, é você! É você mesmooooo. – O abraçou apertado, pulando no lugar. Sasuke riu do jeito dela. — Sasukeee, é eleeee!
— Eu sei, pingentinho.
— Oh, meu Deus, você o trouxe? Foi busca-lo?! Onde ele estava? Onde você estava? – Noein abriu a boca pra falar, ela abraçou de novo. — Não importaaaa.
— Ué?
— Você está aqui, seu pestinhaaa! – Ela deu-lhe um cascudo.
— Ei!
— Isso é por me deixar preocupada!
— Certo. Certo, quando formos todos pra casa, todo mundo vai ter sua rodada de cascudos nele. – Sasuke avisou, pondo a mão em se cabelo. — Vai ter pra todo mundo. Essa cabeça é bem dura.
— Você quer me acabar?
— Você não pode reclamar. – Ino riu emocionada e apertando seu queixo. — E está quase do meu tamanho, como pode? Se passou mesmo um ano?
— Pra mim está ótimo assim, não quero seu posto de pingente da casa...
— Ouch! Seu pentelho!
— Onde está a Sakura, Ino? – Sasuke perguntou. — E está desarmada?
— Haha, descubram vocês! E ela está... ali. – Apontou.
Sasuke finalmente localizou Sakura, só passara dois dias longe dela e ela parecia outra. Muito feliz, provavelmente pela surpresa de Mikoto e trupe, até a barriga parecia maior e mais bonita. Ela usava um vestido rosa suave, mas com joias em um azul mais profundo, mantendo a incógnita sobre o sexo do bebê. Empurrou Noein na direção dela.
— Sua vez, espertalhão.
Noein o encarou meio revoltado, e Sasuke não se envergonhou de admitir que o estava mandando pra linha de frente primeiro. O viu engolir duro, bastante ansioso, mas era orgulhoso demais para amarelar e seguiu em frente, notando que ela continuava parecendo um anjo com cabelo de algodão doce, mesmo com aquela barriga, e os cabelos tão mais longos.
Ele concluiu que anjos só poderiam parecer assim, amáveis na aparência mas de temperamento bem forte, afinal, anjos eram também guerreiros.
Sasuke logo o seguiu, mais atrás, também ansioso e com saudades dela.
— Hey, família, hey, querida? – Chamou.
— Querido! — Sua mãe exclamou, voltando-se para ele primeiro, Fugaku acenou já mandando um olhar de “prepare-se”, antes de Sakura se virar e dar com ele, os olhos já ardendo em cinismo e fúria.
— Seu pedaço de...- Baixou os olhos, para mais perto, por um momento piscando sem entender, como Noein estava perto o suficiente, pousou a mão em seu ombro com força demasiada, como se temesse ele se desfazer e fitou Sasuke, querendo saber se não estava doida.
— Desculpe o atraso de novo, querida. – Sasuke apenas disse, e foi o bastante para ela acreditar encarar o menino.
— É você mesmo. – E o puxou para si, o mais apertado que podia, quase o querendo levantar como se fosse menor. — Oh, meu Deus, é você mesmo. Trouxeram você pra mim de novo.
Sasuke desviou os olhos dos dois chorando, Noein pedia desculpas e ela apenas beijava sua cabeça e rosto atarracada a ele e viu os pais curiosos emocionados.
— É ele? – Fugaku ciciou, Sasuke assentiu e sua mãe não precisou de mais nada para se jogar sobre os dois e começar a chorar também. Lídia nem sabia o que se passava direito mas fez o mesmo, Ino veio correndo fazer parte do grupo e Karin observou de longe, rindo, mas com os cantos dos olhos molhados também e foi cutucada por Sui. Juugo não poderia aprovar e parabenizar mais a missão secreta e bem sucedida de Sasuke.
Nem ele próprio poderia mensurar quão satisfatório era ver aquilo. Era como se estivesse tudo certo desta vez, absolutamente certo, e completo, realizado.
*
A festa já estava no fim, o bebê de Sasuke já contava com uma boa variedade de candidatos a padrinhos, presentes, fraldas de tecido caro e outras bugigangas para bebês que ele nem sabia que eram para bebês.
Também uma bela coleção de roupinhas para meninas que ele até achou uma pena, já que eram tão engraçadinhas mas como seu bebê certamente seria um belo garoto, ficariam sem uso.
Noein já estava com a cabeça enfeitada com muitos galos e provavelmente a garganta seca de tanto repetir a mesma história, agora comia o máximo de comida possível com três taças de refrigerantes diferentes ao redor enquanto era mimado e ainda interrogado acerca de seus gostos e hobbies por Mikoto, as irmãs e todas as coroas da família.
Ele provavelmente estava meio assustado com tanta atenção mas a boa comida lhe parecia compensar bastante.
Sakura estava sentada num banco, rodeada pelos presentes desembalados e olhando todos com os olhos brilhantes. Ele e aproximou e sentou do lado dela.
— Ainda quer me bater muito? – Ela o fitou de lado, como se fosse óbvio, mas deu de ombros, abraçando um cueiro branco de algodão.
— Posso relevar alguns pontos na sua pena. Afinal ainda tem alguns agravantes como não ter me dito nada por um mês inteiro, sair sem dizer nada, sumir por dois dias e...- Ela suspirou tremulamente, e deitou a cabeça no ombro dele. — Trazer tanta felicidade assim pra mim de uma vez.
Sasuke beijou sua cabeça, sorrindo.
— Essa última parte não me arrependo. Também estou muito feliz agora, sério.
— Eu sei. Ainda nem acredito que ele está aqui mesmo. E está tão bem e saudável e... Ele vai continuar não é...?
— Vamos fazer de tudo para que aconteça, querida. Noein vai ficar com a gente.
Ela assentiu, sorrindo, levantou uma roupinha de bebê.
— E logo logo este também vai chegar. Já imagina?
— Ah, estou ansioso. Melhor acelerarmos o quarto do bebê. Nielsen disse que precisamos ajeitar as coisas do Noein lá em casa, um quarto só pra ele, até mesmo pensar na escola e tudo mais, adapta-lo, pro Juiz ter certeza de que ele vai ficar bem.
— Nossa, sim. Tem razão, vai ser ótimo começar isso logo...
— Aham, a casa é grande, o bairro é legal, a escola que nós dois estudávamos fica meio longe mas ainda é uma das melhores. Mas voltando ao quarto, estava pensando no fim do corredor e...
Sakura congelou, quase entalando com o ar. Sasuke notou-a empalidecer e franziu o cenho.
— O que foi? Está bem?
— E-estou, é só que... Que... Tem uma coisa que aconteceu... Enquanto esteve fora... – Voltou-se para ele. — Temos um novo inquilino...
*
— Isso é piada, né? – Sasuke perguntou, com sinceridade.
Sakura encolheu os ombros, sem graça. Não que quisesse que ele aceitasse de boa, afinal tinha que admitir que fora impulsiva e um pouco... covarde.
Ethan Haruno os fitou do sofá, com cara de tédio e enfado que lembrava a de Sai, só que mais velha e mais bronzeada, pior, ele lembrava Kizashi, e Sasuke nunca era capaz de esquecer como gostaria de socar o velho.
— O que porra você faz aqui? E porque porra deixou ele entrar? – Se indignou, encarando.
— Ele chegou ontem...
— Eu avisei que viria. — Ethan avisou, tranquilo.
— Você não estava aqui... E ele me viu...- Sakura indicou a barriga, por fim suspirou, cruzando os braços com ar de autoproteção. — Então preferi manter ele aqui e ver um acordo. Ou apenas vamos matá-lo e jogar no porão...
— Mas eu disse que vinha comer na Ação de graças, ué.
— Primeiro, que você disse sim, mas sobre a do ano passado, segundo que a desse já passou e já estamos a semanas do Natal! Terceiro, é melhor ter uma boa desculpa pra ter invadido minha casa ou vai parar num lugar bem pior que o meu porão. – Sasuke reiterou.
Ethan suspirou, aborrecido.
— Cheguei na cidade esses dias, estava na Síria desde que caí fora do rancho, então como não estou afim de voltar lá, achei que seria mais vantagem vir ver minha irmãzinha.
— Ah, francamente...
— Então você não tem... Visto ele? – Sakura indagou, inquieta e receosa. Ethan deu de ombros e riu da cara dela.
— Pft, como ainda faz essa cara depois de tanto tempo, logo você? Eu ao menos tenho uma “desculpa” e você? Está aqui em LA cagando e andando pro velho, até de contato com a Lídia sem ele saber... E ainda com esse barrigão aí...
Ela engoliu duro, e Sasuke interveio, ameaçador.
— Isso não é um joguinho, nem uma birra, cara. Sabe muito bem porque Sakura cortou todos vocês da vida dela. E não é pra que agora que as coisas estão se ajeitando, você aparecer aqui, depois outro gêmeo, outro ou até o seu pai.
Ethan suspirou, Sakura se perguntou desde quando ele se tornara tão desleixado e debochado, só não era mais rude e sisudo do que Damon ou mais tranquilo que Josh, e agora ela via um adulto de quarenta anos se portando como um moleque perdido na vida, sem qualquer inspiração ou aspiração.
— Eu só posso falar por mim, sou um soldado do exército, Damon é quase um aposentado já que está todo fodido da cabeça, pior do que você, Sakura e Josh continua na força aérea bombardeando esconderijos do Isis.
— Não sabe nada sobre Damon? Estavam sempre em contato.
Ethan negou, com um olhar quase sombrio.
— Não desde o rancho. Sei que ele pegou uma folga a um tempo, mas não se voltou ou o que tem feito, tínhamos um projetinho, sabe como é, coisas que a gente só leva a sério quando está bêbado. De começar uma empresa de segurança particular, chamar mais uns caras. Mas nunca saiu dos devaneios bêbados...
— E chapados, presumo. – Sasuke insinuou. Ethan nem se defendeu, ele suspirou, já se arrependendo.
— Quanto tempo pretende ficar?
Sakura o encarou, abismada e Ethan coçou a cabeça, ainda achando que seria expulso.
— Sei lá, só quero me encostar, sempre posso ser chamado.
— Sei, aqui fazemos um contrato preliminar chamado: “Não faça merda e pode ir ficando, se fizer merda, sai no mesmo instante”. E aí, se você se adaptar, fazemos um contrato de verdade.
— Eu vou ter mesmo que pagar? Tipo... agora seremos família, não?
— Seu cuzão...- Sakura rosnou. Sasuke riu, cinicamente.
— Vai sim, e ajudar nas tarefas de casa, mas principalmente, vamos incluir duas cláusulas extras: Uma, da sua boca Kizashi nem vai sonhar com essa linda barriguinha aqui. Duas, se você fizer qualquer merda para estressar a Sakura, vai se ver comigo. A gestação é de risco e eu já vi como vocês três gostam de agir com ela.
— Águas passadas, cara. — Ethan avisou, não muito feliz de ser enquadrado.
— Minha mulher, meu filho, cara. Não sou como seu pai, se os machucar, nem minha posição nem a sua vão te salvar da merda que vai dar.
— Certo, chega. – Sakura pediu, puxando seu braço. Sasuke suspirou, mais relaxado.
— Resolvidos então. Querida, chame o Noein, vamos sair pra comer algo, certo?
Sakura se afastou, ainda não muito segura de deixar ambos na sala. Sasuke apenas foi pegar as chaves do carro e ela subiu os degraus.
*
— Ah, o que vamos fazer? – Sakura perguntou, cansada e se enfiando sob as cobertas, Sasuke também estava. Deitou e se embrulhou, ela se deitou em sua direção apoiando-se nele. — Tanta coisa acontecendo, o bebê vem daqui uns três meses, temos Noein de volta, que achar um serial killer e agora, o babaca do meu irmão... – Ela suspirou, um pouco abatida. — Eu acho que só trago problemas, hein?
Sasuke riu, lembrando ligeiramente do que Hidan dissera uma vez, “imã de encrenca”.
— Vai tudo se ajeitando, querida. Mesmo que tenhamos que por alguém no porão...
Sakura riu e ajeitou sobre seu peito, Sasuke desligou o abajur.
— Espero que Noein fique bem lá em baixo. E pensar que ele perdeu o quarto por pouco.
— Ainda podemos ter a esperança do Ethan ou Sai fazerem merda. Nem sei qual me faria mais feliz. Mas Noein vai ficar bem, pra quem andava dormindo com mendigos ou hippies, o colchão de ar é uma maravilha...
— Ai, nem me lembre dessa merda. Deus, o que tem na cabeça dessas crianças? Ele ainda deveria ter medo do bicho papão!
Sasuke riu, e bocejando, finalmente pegou no sono mais que merecidamente.
Por mais que os últimos acréscimos fossem duvidosamente agradáveis, admitia que era melhor que sobrasse gente no ninho, que se continuasse faltando.
*
Noein despertou com lambidas no rosto, já deveria esperar, avisaram.
— Gibson...- Resmungou, o empurrando e se escondendo sob a coberta, o cão mordiscou-o por cima do pano, pulou sobre ele, cavou, até por fim deitar em cima dele. Noein bufou, desistindo, Sasuke disse que quando ele estava assim, era porque queria passear.
Tudo o que tinha para vestir pela manhã era o pijama de astronauta, o resto ainda estava na lavanderia, ele pegou o casaco, e procurou a coleira de Gibs, encontrando-a junto da que pertencia a Tinny, inconfundivelmente rosa com glitter. Procurou-a com os olhos, mas nem sinal.
— Onde vai tão cedo assim? – Sasuke perguntou, descendo as escadas enquanto colocava um relógio, ele vestia roupa social, calça preta, e a camisa branca dobrada nos cotovelos, o coldre que envolvia seu tronco era de couro preto, e Noein teve que reconhecer que o velho ficava até descolado assim, até impunha respeito...
— Passeio. – Apenas disse, erguendo a coleira.
— Ah, ótimo, vamos lá então, vou ao mercado primeiro. Onde está a cadela?
— Não a vi.
— Hm. Tinny? Augustine? – Ele assoviou, chamando-a, até ela finalmente aparecer, no topo da escada, os fitou por um momento e mesmo Sasuke chamando e Noein balançando a coleira, ela deu as costas.
— O que ela tem?
Sasuke suspirou, pegando a coleira dela e subindo as escadas.
— Quer saber? Vamos descobrir. – Decidiu, buscou-a novamente no escritório, cochilando encolhida, afagou-a e passou a coleira nela, Tinny então o acompanhou, sem compartilhar da empolgação de Gibson.
Seguiram os quatro para o petshop, e enquanto o veterinário a examinava numa sala, Noein observou de perto a variedade de animais filhotes a venda e Gibs mastigava um brinquedo de borracha que foi inevitavelmente comprado já que ele o abocanhara da prateleira assim que entrou.
O veterinário acenou através da vidraça e Sasuke se levantou, Noein veio junto e os três entraram. Augustine estava deitada na mesa de inox acolchoada no centro da sala.
— Então Dr. Como ela está? Não é nada grave, é? – Interrogou, temendo algo ruim, Sakura amava a cadela, se algo acontecesse, ficaria péssima, todo mundo ficaria.
Noein acariciou as orelhas dela e Gibson permaneceu sentado mastigando a bugiganga nova. O veterinário sorriu, apenas.
— Na verdade, ela está ótima. Bonita e saudável, apenas meio preguiçosa e introvertida, mas nesse momento é normal.
— Normal? Que momento? E ela mais me parece depressiva, dormindo pelos cantos...
O Dr. Riu balançando a cabeça e afagando estomago cheio dela.
— É totalmente normal, ela fica mais sensível e quieta, e procura um bom lugar para um ninho...
— Hein?
— Haha, imaginei que não perceberam, mas é isso, parabéns, Augustine está prenha, vocês terão, e pelo que me parece já em pouco tempo, uma linda ninhada de filhotinhos.
Sasuke encarou Noein, assombrado, o garoto não sabia se ria de empolgação ou da cara dele.
— Filhotes? – Exclamaram. O médico assentiu, sorridente.
— Ah, e parabéns ao papai. – Brincou, afagando Gibson.
Sasuke piscou, ainda abismado.
— Papai? Que safado! – Noein gargalhou. — Sakura vai ficar louca!
— Puta que o pariu, Sakura! – Sasuke queria pedir uma eutanásia canina ao médico agora, pra si. Mas se virou para o grande responsável. — Gibson.
Gibson pareceu prever o que viria, largou o brinquedo no chão e escapou pela porta, Sasuke o seguiu querendo arrancar seus pelos e dizendo o que realmente achou que jamais diria, mas que Sakura sempre dizia tanto para cão quanto para ele. — Eu vou castrar você, seu vira-lata desgraçado!
Noein permaneceu no lugar afagando a barriga da cadela e rindo. O médico balançou a cabeça, bem humorado. Como Tinny e Gibs já eram clientes periódicos, já conhecia tanto os dois, quanto os donos. Eram casos assim que o faziam concordar que os animais se parecem com seus donos...
Noein até mesmo pode sentir os filhotes se mexendo na barriga da mãe, sinal de que logo estariam vindo, e enquanto Sasuke corria pelo quarteirão atrás de Gibson, deixou escolhidos alguns itens para aguardar a gestação, como uma caminha maior, brinquedos para filhotes e até mesmo uma ração especial adequada para gestantes, Sasuke que pagaria mesmo.
— Eu não acredito, não acredito. Sakura vai me matar, matar esse vira-lata, matar todo mundo! Como isso aconteceu e ninguém viu? Puta merda! – Ele socava o volante.
— Ora, como todos na natureza fazem? – Noein disse.
Sasuke continuou resmungando encarando Gibs mortalmente através do retrovisor, o cão permanecia sentado, quieto e com cara de culpado. Tinny apenas muito entediada, mas lambeu o focinho dele como que para consolá-lo.
Desde quando essa filha da mãe gostava dele, afinal?
— Vamos ficar com os filhotes?
— Está brincando? E se vier uma penca deles? Vê o tamanho desses dois? Ponha no mínimo mais três destes na conta. A casa já está bem cheia, filhotes exigem muito cuidado e tempo, tirando você, o resto são adultos que se revezam nas tarefas.
— Eu posso cuidar deles, cuidei até de potros e bezerros...
Sasuke riu um pouco, mas ainda querendo chorar.
— Não é só tempo e alguém. Ainda temos o bebê que está chegando, Tinny literalmente estourou o potencial de gestantes da casa, se alguma das garotas também engravidar, vamos abrir uma maternidade...
*
— É o que, filho da puta? – Sakura nem acreditava que estava ouvindo isso, encarou tanto a cara de cachorro culpado de Sasuke quanto a de Gibson e a enorme barriga de Augustine que Noein tanto acarinhava. Quando processou, catou a faca na pia em foi em direção ao cão. — Seu vira-latas vagabundo, abusador filho da puta, como você ousa montar na minha garotinha?!
Sasuke entrou na frente com muita coragem segurando os pulsos dela e Gibson fugiu para o topo da escada.
— Calma, querida. Tenho certeza que foi tudo bem consentido e natural como a natureza manda... – Ela chutou suas bolas e desviou.
— Natureza o caralho, esse vagabundo aliciou minha princesa! Tá feliz? Tá feliz seu vira-lata sem vergonha?! Porque vou te mandar de volta pro canil da polícia pra trabalhar e pagar toda a ração e jornais sujos, seu encostado! Ele vai voltar pra polícia, Sasuke, vai voltar!
— Querida... Está exagerando um pouco...
— Exagerando o caralho! Alguém tem que botar ração na boca desses filhotes, porra!
Sasuke se jogou no sofá, querendo uma bolsa de gelo, apenas.
— Vamos ficar com eles? – Noein perguntou de novo.
— Não...
— Claro que vamos! Ninguém vai se livrar dos bebês da Tinny, ora!
— Legal!
— Sakura. Pense direito, querida. Ela vai dar no mínimo três ou quatro filhotes, e olhe o tamanho dela e do Gibs. Essa casa não comporta espaço nem gente com tempo pra cuidar de todos, e ainda temos nosso bebê chegando.
Sakura bufou, já sentimental de novo.
— Mas isso não é justo! Não pode simplesmente tirar o bebês dela. É a primeira vez que vai ser mãe!
Sasuke se levantou, meio encarquilhado e a abraçou.
— Vamos encontrar os melhores donos pra eles, querida, prometo, não fique assim, certo?
Sakura continuou inconformada, mas ao menos a vida dele e a de Gibs ainda estavam seguras.
Instalaram a caminha de Tinny na lavanderia e depois na dispensa, mas ela estava resoluta a se instalar no escritório de Sasuke e Sakura fez a vontade da nova grávida da casa.
O veterinário não precisou exatamente quando os filhotes viriam, mas garantiu que logo. O resto do pessoal ou riu e parabenizou os novos papais ou ficou indiferente a mais elementos adicionados ao caos que a casa já era.
Karin e Ino terminaram um tanto paranoicas com esta repentina onda de gestações na casa.
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