Notas iniciais
Olaaaaaar

Desta vez o Natal foi ainda mais povoado de convidados que no ano passado, os pais de Sasuke vieram, Naruto trouxe sua trupe, Rachel também e também dois sobrinhos de segundo grau, filhos de uma prima e na mesma idade de Noein para interagir mais com eles.

Sakura ficou grata por isso, sabia que cada detalhe destes era crucial para que Noein se adaptasse realmente a eles e um passo para a concretização da adoção fosse dado.

Fizeram uma grande mesa no quintal mesmo, e até Sai apareceu mais para se enturmar um pouco, ou apenas para comer. Ethan havia saído bem mais cedo, e Sasuke duvidava que ele viria a tempo de comer o peru que tanto cobrara.

Nas últimas semanas ele era um hóspede quase fantasmagórico, nem notavam seus horários direito e raramente aparecia na hora das refeições, parecia Sakura quando chegara, esquiva e desdenhosa.

Ao menos ele não estava perturbando ou trazendo merdas como bebida ou drogas para a casa, Sasuke não toleraria de ninguém, ainda mais com Noein na casa.

— Não sei o que é melhor, comer peru sem aturar o Madara, ou sem olhar a cara das cunhadas. – Fugaku se alegrou.

— O tio Madara deve estar bem tranquilo em Havana... – Sasuke teve que avisar.

— Que nada, Ele vai voltar antes do ano novo e ainda reclamando de ninguém ter pedido para ele voltar e sentido falta.

— Crianças, nada de piscina hoje. – Hinata avisava aos filhos.

— Onde está Sakura? – Sasuke perguntou, quando ela passou.

— Provavelmente ainda obcecada com aquela bendita vila de biscoitos. – Ela riu.

Sasuke nem sabia porque ficara surpreso. Sakura quando encarnava com receitas era pior que quando encarnava com ele. Deixou a mesa e seguiu para dentro, na cozinha, só estava ela, ainda suja de comida, trigo e tudo mais.

— O que conversamos sobre não se esforçar demais?

— Ah, estou terminando...

— Está de pé a tempo demais, amor, apenas suba, tome um banho e termine isso depois, certo, ainda temos tempo até o peru sair.

Sakura fez um bico, relutante, mas cedeu ao cansaço, e ao peso da barriga, certamente seria primeira vez em anos que passaria o Natal usando sapatilhas, tirando os anos em que acabava por estar servindo nestas datas.

— Okay. Vou lá. — Sasuke a seguiu, muito interessado.

— Acompanho você, querida.

— Haha, safado.

Saíram da cozinha e passaram por Noein, ele os esperou subir as escadas e se aproximou da bancada, repleta de trigo, glacê, chocolate e vários biscoitos em forma de casinha ainda na forma.

Sabia que pegar um dos que estavam prontos o faria ser descoberto, então pegou um dos biscoitos ainda sem qualquer cobertura e passou ele mesmo uma camada de chocolate, de glacê e jogou um pouco de granulado colorido, abocanhou com gosto.

— Ora, ora, sempre tem um. – Ele quase entalou e se virou dando com a fabulosa mãe de Sasuke, ela parecia aquelas atrizes mais velhas que faziam sucesso antigamente. O fitou com um olhar desconfiado e severo e se aproximou, ainda de braços cruzados. — Sempre tem um que não resiste, né?

Noein apenas engoliu mais do biscoito, embora não afim de falar ainda.

Mikoto por fim riu, não resistiu e se viu empurrando mais um biscoito pra ele e limpando sua bochecha.

— Certo, certo, agora suma daqui antes que ela venha e te pegue! – Avisou, Noein não questionou, apenas fugiu.

— Do que você tanto se alegra aí, meu bem?- Fugaku perguntou, curioso ao entrar na casa ela riu, o abraçando.

— Ah, só feliz de já poder fazer estas coisas de avó! – Ele arqueou o cenho, ainda intrigado mas apenas riu com ela.

Mikoto viu que não precisaria esperar Kenton falar para poder começar a ser uma avó coruja que mimava os netos e os entupia de comida sem os pais verem.

*

— Hmm, nossa, isso está uma delícia. – Sakura gemeu, se estirando mais que relaxada. Sasuke riu e continuou massageando-a lentamente. — Oh, sim... Mais pra direita, oh... Oh, bem aí, ah, agora no meio. Que gostoso.

— Aqui?

— Sim, sim. Acho que vou derreter.

— Hahaha, você é incrível. – Riu dela, continuando a massagear seus pés. Sakura apertou os olhos em êxtase. Ele não sabia se ficava orgulhoso ou um tanto triste por ela ficar tão manhosa assim com massagem nos pés.

Demorou um pouco, mas ao menos aprendeu o bastante para agradar a fera e fazê-la sossegar um tempo.

— Hmmm, isso parece o paraíso. Me faz esquecer que a casa está cheia e da bagunça que vai haver amanhã. – Ela suspirou.

— Deixe de lado. As meninas cuidam disso, e de qualquer forma, já tenho algo planejado para amanhã, nem vamos estar em casa.

— Hum? – Ela baixou os olhos, o fitando com interesse. — O que vai aprontar, hein?

— Vocês dois vão ver, você e Noein.

— Hmmm.

— Agora vamos, você tem que se vestir, majestade.

Sakura choramingou um pouco, cheia de preguiça, mas levantou e foi até o armário atrás de algo para vestir.

Sasuke saiu do quarto, retornando ao andar de baixo, encontrou Noein jogando cartas com Laura e Leon, sobrinhos de Rachel que também tinham cabeças ruivas e Suigetsu completava a roda, provavelmente perdendo, dada a cara aborrecida.

Sakura desceu e voltou a tentar terminar aquela bendita vila de doces, a cozinha começou a ser melhor organizada e a mesa lá fora finalmente recebeu os primeiros pratos prontos.

— Acha que já podemos retirar os perus? – Indagou, Mikoto meneou a cabeça, brincalhona.

— Sem pressa, sabe que assim que eles forem para mesa todo mundo vai avançar o sinal. Deixe-os, estão todos muito ocupados com as deliciosas enchiladas que Lídia fez.

— Isso me lembra que eu ainda não provei. Vou antes que acabe. – Sakura fugiu para fora e Mikoto ficou rindo, terminando de organizar os biscoitos no lugar, Noein voltou a cozinha e ela piscou para ele.

— Que tal pagar ajudando a por isso lá fora?

Ele concordou, ajudando a segurar a base a conduzindo para fora, deixaram numa banqueta alta perto da mesa.

— Perfeito, não acha?

— Ficou muito legal.

— Uau. – Fugaku disse. — Todo aquele trabalhão valeu a pena, hein? Já podemos comer?

— Que apetite é esse, Fugaku? Está em fase de crescimento de novo?

— Hey, parece muito apetitoso...

— Depois do jantar, se ainda sobrar espaço isso vai estar liberado, certo? – Sakura avisou.

— Ótimo, e quando o jantar sai?

*

— Sakura? Já estamos indo. – Rachel avisou, baixinho, Sakura despertou do cochilo que estava tirando no sofá, Noein dormia com a cabeça em suas pernas, completamente abarrotado de comer.

— Já, querida? Tome cuidado, está tarde.

— Está tudo bem, mando uma mensagem quando eu chegar.

— Vou esperar. Obrigada por vir e feliz Natal.

— Você também, meu bem. – Rachel beijou sua cabeça e se apressou para a saída, em silêncio, Marc segurava os bebês e deu um para ela e Laura e Leon acenaram com expressões sonolentas antes se os seguirem para fora.

Sakura suspirou e ouviu o telefone tocar, olhou para Noein e não vendo ninguém a vista, se levantou deixando uma almofada sob sua cabeça e seguiu ao aparelho.

— Alô? – Não obteve resposta, ao fundo ouvia um baixo e abafado couro de vozes e alguma música de natal. — Alô? – Desistiu logo, e desligou, esfregando os olhos.

— Ainda está de pé, majestade? – Sasuke inquiriu, um pouco repreendedor.

— Já estava indo dormir. – Ela mentiu, dando de ombros, ele fingiu que acreditou, rindo e se abaixando ao lado do sofá. — E esse camarada aqui? Melhor pô-lo no colchão logo.

— Ótima ideia.

Sasuke pegou o colchão de ar na dispensa e deitou-o no meio da sala, Sakura cobriu com as cobertas e ele puxou o garoto do sofá para o colchão.

— Pronto. – Pôs uma coberta sobre ele puxou seus tênis, depois se levantando. — Pronto, vai dormir como um anjinho de Natal.

— Hahaha.

— E você também, vá já pra cima.

— Oh, okaaaay. Não é como se eu quisesse ficar e cuidar desta bagunça toda mesmo. – Sakura deu de ombros indo para as escadas. Ele balançou a cabeça, em negativa.

— Vá, leve esse rabo pretencioso daqui. – Ordenou ela lhe mandou dedo e seguiu caminho.

Sasuke ajudou o pessoal a organizar um pouco a bagunça antes de finalmente tomar um banho e ir se deitar, Sakura se remexeu suavemente, jogando um braço sobre o peito dele e enroscando as pernas nas suas.

Acordaram bem tarde naquela manhã de Natal, e foi com Noein os balançando e chamando, empolgado.

— Ai, o que foi? Que horas são? – Ela resmungou, grogue de sono.

Sasuke se sentou a cama quase sendo arrastado pra fora dela pelo menino.

— Certo, o que houve?

— Venham! Venham ver a Tinny!

Os dois se entreolharam e saíram da cama, seguindo-o até o escritório, Noein correu até o cantinho onde Augustine se instalara.

Ele se abaixou, sorrindo e olhou para eles, chamando-os. Os dois se aproximaram, um sonzinho baixo de ganidos bem finos soava dali e encontraram a cadela deitada de lado com um bocado de coisinhas miúdas e roliças mamando vorazmente.

— Puta que o pariu...- Sasuke soltou, Sakura se sentou logo, emocionada e afagando as orelhas da cadela, agora bem mais esguia.

— Oh, meu deus, você já pariu! Não acredito! São liiiindos! Olhe, Sasuke!

— É... To vendo e... tem vários...

— Que coisinhas lindas, aaaaaaanw! – Ela se retorceu no lugar, louca para pegar um, eram pequenos e pareciam caber na palma da mão, a maioria bastante branquinhos mas alguns com o pelo escuro característico do safado do pai. Não pegou, pois eram muito novinhos e talvez Tinny fosse ficar agressiva e protetora.

— Onde está o pai safado, hein? Deixem ele vir ver a obra!

— Se ele for esperto já vai ter fugido... – Sasuke suspirou, se abaixando e afagando a cabeça da cadela. — Você é durona mesmo, hein? Mas enfim... quantos são? – Perguntou, fitando Noein, o garoto se voltou para os filhotes e dando de ombros, iniciou uma contagem.

Quando passaram de três, Sasuke já queria chorar, de cinco, Sakura estava orgulhosa da performance da cadela como reprodutora.

— Er... Nove.

— Como é? – Sasuke coçou os ouvidos.

— Nove.

Nove?

— Uhum.

— Haha, engraçado, pensei que você tivesse dito nove.

— São nove, Sasuke.

Ele se levantou e foi pra fora.

— Gibson?! Despeça-se destas bolas, vamos ao veterinário.

Sakura e Noein deram de ombros, ele a ajudou a levantar do chão e foram preparar o café, deixando Tinny cuidar de suas crias sossegadamente.

Sasuke passou o resto da manhã reclamando de como faria pra arranjar donos pra todos eles e quem quis ir visitar a nova mamãe, dava uma passada no escritório.

*

Sakura detestava ser subestimada ou feita de burra, e isto era algo em que seus irmãos sempre foram bons em fazer. De certa forma, isso ensinou-a a ter mais atenção com os detalhes á volta e a estudar o comportamento alheio.

Então sabia melhor do que eles mesmos poderiam prever, quando estavam aprontando alguma merda. Não gostava de rodeios então assim que pegou Ethan sozinho, foi logo ao ponto.

— Certo, abra o bico. Porque veio pra cá? – Interrogou, Ethan piscou preguiçosamente, erguendo os olhos pra ela, um pouco apertados por causa da claridade da piscina incidindo sobre os dois.

— Bateu a cabeça enquanto rolava por aí, bolota? Eu já disse, ora.

— Nos poupe de enrolação, Ethan, você veio aqui atrás de alguma coisa, o que é?

Ele suspirou, jogando a bituca de cigarro no chão e deu as costas.

— Você tá neurótica...

Sakura bufou e puxou-o pelo antebraço, pressionando com força e o encarando furiosamente.

— Você sai o dia inteiro, volta com cheiro de cigarro e bebida sem estar bêbado, ás vezes volta á noite com os sapatos sujos de lama, terra de construção e areia, também já vi sangue nas mangas e os seus dedos estão escoriados. Eu não sei o que está aprontando, mas é bom me dizer logo, porque me cheira a perigo e já deixamos claro que não vai trazer qualquer merda pra cá, Ethan.

— Eu tenho meus negócios a resolver, okay? Pare de ficar enchendo o saco ao redor, não estou aqui de favor, que eu saiba.

— Sim, você está, ninguém aqui precisa do seu dinheiro. Sasuke dará graças a Deus se você cair fora. Mas você sabe que eu não me satisfaria com isso. Eu vou descobrir o que é, nem que tenha que por um policial na sua cola, babaca.

— Você é um chute no cu, quando quer, não é? – Ele riu um pouco, ainda mau humorado.

Ela o soltou, cruzando os braços.

— Abre o bico.

Ethan, suspirou, xingando baixo, coçou a cabeça e encarou o céu, por fim bufando.

— Damon. – Ela franziu a testa, intrigada.

— O que tem ele?

— Damon está fora do radar já tem uma semana ou mais.

— O que isso significa? Ele não está na base? Nem em nada sigiloso?

Ethan bufou, meneando a cabeça.

— Damon foi aposentado, Sakura. Estresse pós-traumático bem alto.

A informação a chocou, mesmo que tecnicamente ela estivesse quase aposentada pelo mesmo motivo. Ainda que provavelmente nunca fosse voltar a servir em operações especiais, Sakura sabia o quanto poderia contribuir como instrutora, consultora ou no burocrático, em qualquer lugar do mundo. Sabia que o irmão mais velho tinha problemas, mas não achou que chegassem a tanto.

— Então ele não está... Então onde? Talvez em algo paralelo? Talvez só viajando?

— Ele começou a trabalhar com um cara, um ex fuzileiro que agora é investigador particular. O que me dizia era que não pagava super bem mas era uma distração, ele sumiu sem responder qualquer mensagem, então eu voltei, chamei Josh e estamos investigando os últimos lugares em que esteve. O último contato foi a mais de uma semana, e não temos nada até agora.

— Onde está Josh?

— Rodando em alguns lugares fora da cidade onde Damon ia, como um clube de tiro, atrás de mais alguém que o tenha visto...

— E porque diabos não foram até a polícia? Faz mais de uma semana, porra!

— Porque o idiota pode muito bem estar dormindo em algum motel mofado, louco de maconha, sem bateria no celular e trocando DSTs com prostitutas, caralho.

— Foda-se, ele não tem condições de estar na rua...

— Porque? Porque ficou inválido? – Ele cuspiu de volta. — Não seja hipócrita, porra! Você deveria estar do mesmo jeito.

— Eu aceitei o tratamento, certamente não estaria lá ainda, se não fosse por ele! Você, Damon e qualquer um poderiam ter uma chance se buscassem ajuda ou aconselhamento, mas são uns cuzões arrogantes por isso continuam na merda! – Sakura rebateu, esbravejando. Respirou fundo, esfregando o rosto e tentando se acalmar, tinha de pensar no bebê, em Noein, em Sasuke. Suspirou e prosseguiu. — Eu sei qual o sentimento, Ethan, de se sentir descartado e inútil, mas achar que isso é o fim, é burrice, vocês são todos capazes e inteligentes, não precisam se matar com maconha ou antidepressivos, nem nas ruas atrás de traficantes pra provar alguma coisa.

Ela também achou que ficar na polícia era uma forma de conseguir se sentir válida como soldado, mas logo esta coisa foi se tornando realmente sobre fazer alguma diferença, talvez fosse por trabalhar com gente tão apaixonada pelo o emprego como Sasuke, Juugo e os outros, mas ela estava satisfeita em fazer algo, podendo ou não usar uma arma pra isso.

— Tem que chamar a polícia, Ethan. Eu vou falar com Sasuke.

— Não faça. – Ele disse, exasperado. — Damon está aficionado com esta merda, mas eu desconfio do cara que era parceiro dele.

— Porque?

— Ah, não sei. Ele já havia comentando sobre o jeito desse cara, meio preguiçoso, desleixado. Damon estava começando a se irritar com o jeito dele de levar o caso em que estavam, parecia coisa grande demais pra agir com tanta tranquilidade. Ele já queria juntar o material e mandar pra polícia, mas esse cara ficava inventando desculpas e postergando.

— Talvez porque não queria entregar o caso realmente. Por que queria lucrar com ele?

Ethan deu de ombros, cansado.

— Talvez. Mas não sei quem é esse cara. Se Josh não trouxer nada sobre o rastro do Damon, vamos atrás do babaca.

— Acha que pode encontrá-lo?

— Acho que posso fazer isso sem a polícia. Nosso irmão vai ver isso como um fracasso, e não sei se ele tem estrutura pra lidar. Então pode manter seus amiguinhos da polícia fora?

— Com eles poderia ser mais fácil, Ethan! Sasuke pode conseguir um mandado num estalar de dedos, e poderíamos rastrear o telefone de Damon.

— Mas vamos fazer do jeito antigo, okay? Você até pode ajudar se tiver algum contato fora, mas sem seu namorado delegado se meter. Se não puder, mantenha seu nariz fora.

Sakura balançou a cabeça em negação.

— Vocês estão querendo uma desculpa pra se matarem...

Ele deu de ombros, sarcástico, se afastou rumo a casa.

— Então deixe rolar, maninha.

*

— Aonde estamos indo? – Noein interrogou, encarando através da janela do carro.

— Vão ver logo. – Sasuke avisou, sorrindo, vendo que Sakura também já estava impaciente.

Fez uma curva entrando num grande estacionamento, em frente um enorme complexo de lojas de móveis e imóveis.

Os três deixaram o carro, havia uma considerável movimentação de pessoas entrando e saindo.

Satisfeito, Sasuke suspirou e beijou o rosto dela antes de esfregar a mão no cabelo enrolado de Noein e voltar para o carro.

— É isto, bom passeio.

Os dois trocaram olhares rapidamente e se apressaram até a janela.

— Vai nos deixar aqui, seu maluco?!

— Onde diabo pensa que vai? O que viemos fazer aqui, porra?

— Crianças, por favor. – Ele riu, já começando andar de ré pra fora da vaga. — Não é óbvio? Estão aqui para fazer as compras para os quartos novos, okay?

— Hã? Como assim? Agora?! Não iríamos fazer isso juntos?

— Eu vou fazer a oooutra parte do negócio, certo? Você e Noein podem cuidar dessa, certo? Não vão precisar de mim, você diz que eu tenho péssimo gosto mesmo.

— Você tá brincando comigo?

Sasuke acenou.

— Volto pra pega-los na hora do almoço. E Noein, não deixei essa chata falar demais no que você quiser escolher pro seu quarto, certo? Até mais, crianças.

Os dois ficaram parados observando-o partir.

— Como você faz um bebê com um cara desses?

Sakura nem tentou se defender.

*

— Hahaha, cara você é maluco. – Naruto ria alto mesmo com o som da serra enchendo o cômodo. — Sakura vai te degolar quando chegar.

— Pior que vai, então vamos terminar isso antes que ela comece a ficar com fome e isso triplique o perigo.

— Okay. Mas então? Tudo bem deixar ela ir sozinha com Noein?

Sasuke suspirou, carregando uma tabua para o canto.

— Por isso a deixei bem longe, mas de qualquer forma, não está sozinha, mandei Rachel e mamãe no encalço deles. Não são seguranças mas... Estando todas num local público vai deixar tudo seguro.

— Tem razão.

— Sem falar que se eu grudasse no pé dela mais um pouco esse ano, iria passar a virada sem as bolas.

— Hahaha, espere aí, vou buscar a droga da marreta lá fora.

— Gênio...

Naruto saiu do quarto, Sasuke se aproximou da janela para respirar algum ar sem pó de madeira.

— Porque Sakura precisaria de seguranças? – Ethan indagou, recostado no portal.

Sasuke o fitou por cima do ombro, com um suspiro aborrecido, se o cara era minimamente parecido com a irmã, não teria paz se não abrisse a boca.

Já no escritório, abriu a gaveta e tirou uma pasta, jogando-a sobre a mesa na direção dele.

Ethan a pegou, folheando, intrigado.

— Caso Green Eyes, huh? Cheguei a ler no jornal...

— Então sabe o perfil das vítimas.

— Sei, olhos verdes. Honestamente prefiro os azuis.

— Olhos verdes como os da sua irmã. – Sasuke desdenhou, puxando uma das fotos do mural encontrado no prédio abandonado e deixando a vista dele. — Ela se tornou um alvo.

Ethan encarou a foto, ainda incrédulo.

— Santa merda... Essa pirralha deve ter nascido com um imã de azar enrolado no cordão umbilical. – Largou a pasta na mesa, bufando. — Nenhuma pista do fodido?

— Apenas digitais parciais, não indicaram nada no sistema, e algum DNA encontrado nas vítimas que não é muito útil sem ter com o que comparar.

— E como ele pode ter chego nela? Aja perua de olho verde nessa porra de cidade.

Sasuke deu de ombros rindo de frustração.

— Depende muito de onde ele realmente circula, pode tê-la visto pelo bairro, eventos... Mas temos mais certeza que possa tê-la visto nas cenas de crime. Eu e Sakura trabalhamos nele quando eu era investigador. E como dizem por aí, “o criminoso sempre volta ao local do crime”, pode tê-la visto lá.

— Hum...

— Ele também tentou contato. Foi como chegamos ao “QG” dele. Certamente está fascinado com ela, como ela estava no caso, pode ter sentido que tem alguma ligação entre si. De qualquer forma, isso impediu que houvesse mais uma vítima, por enquanto ao menos. Mas claro, ele não vai ter o que quer.

— Isso é o motivo do vira-lata na cola dela e das câmeras lá fora?

Sasuke riu, sem se importar.

— Também. – Recolheu a pasta e devolveu para a gaveta. — De qualquer forma estamos sim em alerta. Mas se conhece sua irmã, ela preferia sentar ali no quintal com uma espingarda na mão e esperar o cara aparecer enquanto come donuts.

— Ela certamente rolaria pra cima dele, do jeito que está. – Ethan resmungou seguindo pra fora. — Filha da mãe, como se já não tivesse merda o suficiente pra si, ainda quer pegar a dos outros...

Sasuke franziu o cenho, sem entender porque ele ficou tão aborrecido. Se fosse outro irmão de outra pessoa, entenderia, mas vindo da família de Sakura estava surpreso por ele não a estar culpando simplesmente.

Saiu do escritório deixando Augustine e seus rebentos em paz e voltou ao trabalho.

Logo chegou hora do almoço, e Rachel ligou avisando para vir buscar sua bola devoradora de pessoas antes que ela fizesse exatamente isso, devorar pessoas.

Naruto resolveu ficar para o almoço e saiu para comprar comida.

Sasuke pegou o carro, o trânsito o atrapalhou bastante, por isso achou válido parar e comprar uma pequena caixa de chocolates zero açúcar.

Assim que estacionou o carro, já podia ver uma Sakura bem carrancuda, com várias sacolas ao lado de um Noein em posição de fuga em caso de necessidade.

— Porque a demora? Puta que pariu eu vou queb- isso são chocolates? – Sasuke entregou a oferenda e abriu a porta do carro pra ela, Sakura entrou no veículo, rasgando a embalagem.

Noein jogou o resto das sacolas no porta-malas e entrou, sentando no banco ao lado de Sasuke.

— Isso não vai durar muito tempo. – Avisou, Sasuke fitou a mulher pelo retrovisor e suspirou. Era o jeito acelerar um pouco mais ou sofrer as consequências.

*

Semanas depois.

Sakura se sentia ridícula por entrar na vibe de missão de risco igual quando estava nas forças especiais, simplesmente entrado no prédio da delegacia. Mas o jeito era ser furtiva ou ser pega por Sasuke e deixá-lo saber o que a trazia até ali.

Seguiu direto, desviando das pessoas e encarando o escritório dele, ao que parecia ele não estava, olhou em volta e viu Shikamaru conversando com alguns colegas.

Apressou o passo, sempre atenta e aproximou-se dele.

— Shikamaru! Bom dia, bom dia, pessoal?

— Dia.

Os outros se afastaram, e ela fitou Shikamaru com pressa, ele suspirou, apenas torcendo para ela não aprontar muito, abriu a gaveta e lhe entregou uma pasta parda.

— Foi o máximo que consegui, o endereço é antigo, então ele pode não estar mais lá, mas é um começo...

Sakura abriu a pasta, encarando a foto nela, um homem de uns cinquenta anos, barbado e com um olhar caído e despretensioso, suspirou se perguntando o que dera na cabeça de Damon para se meter com esse tipo de gente.

Este cara poderia ter sido um fuzileiro um dia, mas hoje estava longe de parecer um grande contribuinte para a sociedade. A ficha estava repleta de brigas de bar, agressão e até atentado ao pudor.

— Bem... É melhor do que nada. Obrigado, cara.

— Cuidado, não quero Sasuke tentando me castrar pelo o que você aprontar, certo?

Ela riu, acenando e se afastando

— Se ele fizer isso, deixo a Temari castrá-lo.

— Hah, duvido...

— Ué, porque não? Já consegui o que queria. – Brincou, passando a mão pelo estomago inchado.

Seguiu para fora rapidamente, quando entrou no carro, pôs a pasta no painel inspirou com tranquilidade renovada.

— Hey, onde vai? – Sakura gritou, quase sacando a arma na cara de Sasuke, em sua janela. — Nossa...

— Seu... Cuzão filho da puta! Quer me matar, caralho?! Puta que o pariu eu quase dei a luz aqui, porra! Quase espirrei o bebê!

Sasuke imaginou a cena e foi bizarro, acariciou a barriga dela, rindo.

— Está ouvindo, garoto? Ela tá achando que você é um resfriado.

— Vai se foder, Sasuke, vai se foder.

— Certo, o que veio fazer aqui, huh? Matsuri pegou um caso?

Sakura quase pegou a pasta e engoliu-a, talvez o bebê não se importasse de dividir o espaço com algumas folhas, mas fingiu que estava tudo bem.

— É... Eu, vim dar uma passada, ver as novidades, fiquei entediada enquanto Noein estava com os conselheiros, mas já vou voltar.

— Hm...- Ele estudou-a, curioso, mas por fim deu de ombros, passando o braço em torno de seu ombro e a puxando para um beijo. — Vá com cuidado, okay?

— Okay...

Sasuke se afastou do veículo, permitindo-a sair da vaga e partir.

Sakura pegou Noein depois de sua pequena entrevista com o juizado, e partiu para uma lanchonete e casa de jogos próxima aos limites da cidade. Enquanto o garoto se divertia nas antigas máquinas de games, ficou de fora, comendo um hambúrguer e esperando Ethan aparecer.

— Então? — Ele disse, usando um boné sujo de poeira. Sakura se virou, pegando a pasta no carro e lhe entregando.

— Só pode ser esse cara, espero que tenha sorte no endereço.

Ethan folheou a pasta rapidamente, satisfeito. Ela estava nervosa com até onde isso tudo poderia ir, Damon estava sumido a muitas semanas, e isso só aumentava as chances de algo péssimo ter acontecido e eles vacilado em não ter acionado a polícia direito. Estava cansada dessa tensão toda e de mentir para os outros, ainda mais para Sasuke.

— Deve ser mais que o bastante. Vamos pegar o cuzão e fazer umas perguntas.

— Onde está Josh?

— Tirando um ronco no hotel, relaxe. Até mais e...- Ele arrancou o hambúrguer de sua mãe e acenou, dirigindo-se ao próprio carro, Sakura realmente só não atirou no rabo dele porque Noein estava vindo. — Valeu pelo lanche, bolinha.

Ela bufou e Noein os fitou, curioso.

— Porque ele está aqui?

— Você não viu? Ele veio só pra roubar meu hambúrguer. Ele é um bosta de irmão. Prometa que nunca vai roubar o hambúrguer do bebê.

— Okay, mas sem promessas diante da pizza, do chilli e o cream cheese.

Sakura achou justo.

— Okay. Vamos embora.

— Tá.

Ambos entraram no carro, Sakura pegou o caminho de volta para casa já um pouco cansada de pensar que ainda havia serviço esperando. Apesar do quarto de Noein estar praticamente pronto, o do bebê ainda enfrentava “controvérsias” Sasuke teimava em querer o quarto azul e ela ainda nem estava satisfeita com a escolha da mobília.

Ainda havia esta confusão com Damon e Noein logo iria entrar na escola, praticamente no meio do ano letivo e ela sabia bem como era desgastante tentar se adaptar e se enturmar na idade dele. Ainda mais um garoto como ele que tinha uma linguinha afiada no sarcasmo, impaciente e era meio cheio de si.

Já estava anoitecendo quando chegaram, Sakura saiu do carro levando algumas compras para o jantar e Noein veio a frente, abrindo a porta para ela.

— Depois suba e veja como Tinny e os filhotes estão, okay? – Pediu. — E onde o Gibson está? Se ele tiver cavado a cerca de novo....

— Vou ver.

Noein saiu, deixando a porta aberta, posto que era um saco digitar a senha toda vez para entrar, correu contornando o quintal, procurou o cão ao redor da casinha e na dispensa da piscina.

Seguiu rumo a cerca e encontrar outro buraco escavado abaixo dela dando caminho para o quintal do vizinho. Bufou, sabendo que teria de andar pelo bairro atrás de Gibs, posto que não havia mais ninguém em casa.

Gibson vivia fugindo, principalmente depois que a cerca foi aumentada pra dar mais segurança, Sasuke dizia que o danado ia dar umas voltas e retornava depois, e nem se importaria tanto com isso se não estivesse mais preocupado em manter o cão treinado perto de Sakura.

Noein se perguntava se todas as gravidas precisavam desse melindre todo (pelo menos sem mencionar a parte da comida, claro).

Retornou para dentro e catou a coleira.

— Noein? – Sakura chamou da cozinha.

— Gibs tá na rua! Volto já.

— Ugh, cachorro cretino... Não demore! Se não o encontrar, volte pra casa.

— Okay.

— E leva a capa de chuva.

— Mas nem vai chover!

Leva.

Noein revirou os olhos, pegou a capa no cabideiro e saiu, fechando a porta atrás de si.

Saiu no portão, olhando em volta, e seguiu pela calçada.

Em casa, Sakura sentou numa banqueta e continuou preparando algo rápido, um pouco aflita com a demora de Ethan em ao menos dizer algo relevante.

Em menos de quinze minutos uma chuvarada já estava caindo, ela desceu após um banho rápido e se deparou com Sasuke entrando em casa, ensopado como um gato de rua.

— Que droga... Oi, majestade?

— Porque não levou capa de chuva?

Ele torceu a cara, inconformado.

— Foi dia de sol! Essa porra de aguaceiro despencou do nada, alguém lá em cima deve ter quebrado um cano. – Reclamou, beijando-a. — Hm, está cheirosa, banhou agora?

— Não, foi semana passada, otário. Viu Noein?

— Acabei de chegar, otária.

— Humpf. Noein?! Sério? Não acredito que ele ainda não voltou...

— E onde ele foi?

— Procurar aquele cachorro vagabundo, ele fugiu de novo!

— Caralho, que aguaceiro. Oi pessoal. – Sui cumprimentou, entrando em casa encharcado assim como Ino e Juugo.

— Oi, pessoal.

— Eu vou atrás dele... – Sasuke disse. — Alguém viu Noein lá fora?

— Eu não vi nada depois que a blusinha branca da Ino ficou molhada, falo mesmo. – Sui deu de ombros, Ino bufou, subindo as escadas enrolada na jaqueta. — Lindo sutiã, gata, eu te amo.

— Ah, vai se foder.

— Aonde Noein foi? – Juugo perguntou, Sui ligou a TV e Sakura desistiu de algum silêncio e sanidade por agora.

Sasuke até riria, mas ela iria querer sair de casa na chuva.

— Eu vou atrás dele, relaxa, gostosa.

— Só se Henry Cavill der as caras usando cuequinha branca na chuva, mas como não rola, vá buscar meu menino.

Sasuke já estava começando a ficar puto com esse tal de Cavill. O que o cara tem de mais? Só fez o Superman? Ele preferia o Batman, mas se era pra jogar sujo, viraria fã da Margot Robie então, ou de Scarlet Johansson, até porque Esquadrão Suicida foi um suicídio mesmo...

Seguiu para fora, deixando a casa e o caos habitual que ela se tornava quando todo mundo chegava do serviço ao mesmo tempo.

A chuva permanecia intensa, ele saiu na calçada e caminhou até uma das esquinas, ao dobrar, ouviu o latido de Gibson e se deparou com os dois ratos molhados.

— Ô, caramba. Onde estava?

— Culpa dele. – Noein apontou o cão, ensopado. O menino usava capa de chuva mas não se mantivera mais seco com isso.

— Vamos. Gibson, porra. Quer dormir na corrente? Que grande exemplo pros seus duzentos filhotes.

Noein não sabia se ria do cão ganindo arrependido ou do exagero de Sasuke.

Os três voltaram para casa, a barulheira que indicava que estava todo mundo em casa só não era mais alta que a chuva. Karin e Sai já haviam retornado também e já estavam comendo mesmo molhados.

— Onde está o molho de pimenta?

— Acabou o molho de pimenta.

— Não brinca! Eu não vivo sem molho de pimenta, cara!

— Bem que eu desconfiei do fedor, está em decomposição a quanto tempo?

— Respeita a minha história!

Sakura se levantou, rindo da discussão e foi até os três ratos molhados na sala.

— Vá pro banheiro seu rato encharcado! – Ordenou, apontando as escadas. Os três fitaram.

— Er... Quem?

— Você! – Gibson ganiu e subiu os degraus, latindo. — E você vá dar banho nele antes que ele meleque tudo. – Apontou Sasuke, que bufou, seguindo pra lá. — E você, vá tomar um banho quente antes que pegue resfriado. – Apertou o queixo de Noein, plantando um beijo em sua testa.

— Okay...

O menino subiu as escadas, passando por um Sasuke e um Gibson um tanto inconformados com a diferença de tratamento.

— Que foi?

Sasuke voltou, abraçando-a mesmo sob protestos.

— Também mereço um beijo e olhe o Gibs, você só tem sido dura com ele desde o lance dos filhotes...

Sakura fitou o cão, parado no meio do caminho das escadas com um olhar estreito, Gibs a fitou de volta, ansioso mas também temeroso. Ela revirou os olhos e cedeu.

— Tá bem. Venha aqui, seu malandrão. – Ele reconheceu tom no mesmo momento e desceu as escadas correndo, Sasuke conteve seu pulo na direção de Sakura, pondo o corpo no meio e só então o deixando abraça-la e receber afagos.

— Cuidado, grandão.

— Pronto, pronto. Seu fazedor de filhotes fofos, até que eles vão ficar bonitinhos se puxarem você também, certo? Tão danado, para de ficar fugindo, querido, preciso de você aqui. É, preciso! Hahaha, e você precisa de um banho, mais tarde eu te dou uns beijinhos, agora, sujo assim, não!

— Isso vale pra mim também? – Sasuke arriscou, puxando o cão pela coleira.

— Vou pensar.

Ele a puxou roubando um beijo.

— Como se eu precisasse de permissão. É viciada na minha boca.

— Cachorro, você é pior que o Gibs, subam logo! Estão molhando tudo.

Sasuke subiu, levando o cão para o banheiro.

Sakura balançou a cabeça, ainda rindo, voltou-se para a discussão na mesa de jantar que agora era sobre catchup na pizza.

Uma pontada forte e assustadora a fez congelar no lugar e pousar a palma contra a parte inferior da barriga, apoiou-se na poltrona, sentindo outra, ainda que menos intensa, mas nem um pouco menos assustadora.

Seu olhar viajou por todo o cômodo, ainda sem saber o que fazer, se tentava andar, se só gritava, se pegava o telefone e ligava para o médico. Mas no fim recaiu sobre a arvore de natal, ainda montada perto da lareira e depois sobre esta, as meias penduradas, grandes verdes e vermelhas.

Com outra aferroada, ela olhou para a pequena meia branca pendurada lá, um afável lembrete que fora renovado no ano passado, então só gritou.

— Sasuke! O bebê!

Notas finais
Vcs acharam msm q seria tão fácil? Muahahahahaha