Killer Queen
40 Rainha Perfumada
Notas iniciais

— Braxton-Hicks. – Kinoshita disse, o semblante tranquilo, Sasuke iria acabar socando ele, até Sakura já queria. — São contrações falsas, querida, está tudo bem com seu bebê, certo?
Os dois se entreolharam, confusos mas não menos aflitos ainda. Na verdade, ainda em pânico, ela mau entrara na vigésima oitava semana.
— Como assim, o que quer dizer?
— As contrações que sentiu, não são as de parto, são como um treino, entende? Você mesma disse que só sentiu pontadas, não doeu realmente, certo?
— Ce-certo mas... Foi assustador.
— Tem certeza disto, Doutor?
— Eu entendo o medo de vocês, mas está tudo bem, garanto. Essas contrações acontecem até desde a décima sexta semana, mas algumas gestantes também nem as sentem durante toda a gestação. Acontecer agora é normal, e pode ser que mais pra frente apareçam, vez ou outra. Vai perceber, Sakura.
— Como vou saber a diferença?
— Geralmente são mais espaçadas, não tem ritmo, se você mudar de posição ou mesmo tomar água, elas vão embora, okay? Também não tem qualquer tipo de líquido ou sangue, fique atenta a isso somente por sua gravidez ser de risco por conta de sua idade, mas, creio que vai sair tudo perfeitamente.
— Okay...
— Respirem agora, e comece a praticar alguma atividade que vá te ajudar na hora do parto ou te relaxar, querida.
— Tá.
— Vão pra casa, e descansem, nada de ficar muito ansiosos, não querem deixar o bebê ansioso também.
— Okay.
Eles partiram, antes de ligar o carro, Sasuke verificou as mensagens no telefone, percebendo até onde a confusão já havia ido, seus pais já pediram notícias, até Itachi que nem no estado estava, no momento.
— Tudo bem? – Disse, para ela. Sakura assentiu, um tanto cansada e meio cabisbaixa, deitou a cabeça em seu ombro.
— Me leve pra casa. – Pediu.
— Certo.
Sasuke deu a partida e retornaram para casa ainda sendo pouco mais de oito da noite, não chovia, nem parecia ter chovido, inclusive, e o ar da noite parecia mais abafado.
Saíram do carro e Ino e Karin apareceram na porta, aflitas.
— Hey, tudo bem?
— O bebê está bem?
— Está sim, foi um baita alarme falso. — Declarou ele, estava mais que aliviado, e sabia que Sakura também, mas ainda difícil não ficar amedrontado.
— Alarme falso?
— É, algo assim, falamos disso amanhã, certo? Esta belezoca aqui precisa descansar.
— Certo.
— Oh, você nem jantou, querida. Vou esquentar alguma coisa!
Sakura não respondeu, subiu as escadas e foi para o quarto, trocou as roupas por um pijama, e então saiu, seguindo pelo corredor até a porta que levava ao sótão recém reformado.
Subiu os degraus e bateu, entrando e encontrando as luzes ainda acesas.
Noein estava sentado na lateral da janela.
— Hey, sem sono? Se bem que ainda está cedo.
Ele se aproximou, um tanto receoso e olhando seu estomago alto.
Sakura sentou no sofá dele, olhando o quarto mais uma vez e suspirando, meio sem muito ar por causa da barriga.
Noein veio e sentou com ela, fitando-a um pouco receoso.
— Tá tudo bem?
— Está sim, o bebê só estava sacaneando com a nossa cara... alguma dúvida de que é filho do Sasuke?
Ele riu, um pouco e Sakura se deitou, esticando-se com ar cansado.
— Ah, seu cantinho ficou bem legal, achei que seria meio quente aqui, mas está mais arejado que nosso quarto... – Bocejou, sorrindo. — Acho que vou vir tirar um cochilo mais vezes.
— Haha, pode vir. Quem sabe o bebê fica menos agitado.
— Tomara.
— Hey. – Sasuke chamou, surgindo na porta e os observando. — Você não vai comer nada? E você, francês de quinta, não devia estar dormindo? Amanhã tem aula.
— Oui, oui. – Noein revirou os olhos. Sakura riu, com preguiça de levantar.
— Eu não sei se quero levantar... Ou se consigo, haha. Meu deus, eu virei uma orca.
— Pior que sim, esse sofá é bem fofo, eu apostaria uns vinte mangos que você não levanta daí sozinha.
— E gastaria esses vinte mangos comprando curativos pra sua cara que eu iria arrebentar depois que alguém me ajudasse a levantar daqui.
— Aposta cancelada, vamos lá, Willy?
Sakura catou uma almofada e atirou nele.
— Seu fodido...- Noein a ajudou a se sentar de novo, gargalhando, e Sasuke a ajudou a se erguer do colchão e se afastou logo, seguindo na frente e rindo dela atrás dele, com o passinho curto, destrambelhado e cuspindo xingamentos.
Sakura desceu as escadas com cuidado.
— Eu não vou ter essa barriga por muito tempo, mas vou garantir um olho roxo em você por umas boas semanas, malandro.
— Vamos lá, majestade, sabe que eu adoro te ver rechonchudinha assim... Boa noite, Noein, nada de dormir tarde.
— Noite, Noein! E você, babaca, venha aqui se for homem!
— Noite! – Noein fechou a porta do quarto ainda ouvindo ecos da discussão deles.
Os conselheiros haviam perguntado como ele se sentia sobre ter um irmão assim, de repente. Ele estava mais preocupado se o bebê teria alguma chance de ser normal com os pais que teria, se aprenderia a falar “otário” primeiro do que papai ou mamãe... Quanto a sentir-se numa competição, não havia nada muito incômodo nisto, talvez ele pudesse se acostumar ao bebê assim como este se acostumaria a si, se ambos tivessem a chance.
*
Sasuke estava puto, e com razão, mas Sakura tinha uma vantagem e teria de usar, por mais que fosse injusta.
Claro que não teria sido necessário se Ethan e Josh não achassem de trazer um Damon magro e acabado como um coiote do deserto para casa ás quatro da manhã.
Agora teria que chorar mesmo e bancar a barriguda sensível.
E faria sim, se fosse para não ter Sasuke zangado com ela por ter mentido.
Agora ele estava dentro do escritório, puto pra caramba e ela observou os irmãos ajudarem o mais velho a lamber as feridas.
Se tinha achado Ethan meio acabado, agora ele era uma sombra muito melhor que Damon, uma criatura magra, amargurada e sombria.
— Que diabos houve com ele? – Perguntou.
— O cara que ele era parceiro o fodeu. O manteve preso esse tempo todo quando ele se negou a receber uma grana para manter as informações do caso que trabalhavam na encolha.
— Inferno... Ele ficou tentando te convencer? Sabe a sorte que teve? Ele poderia simplesmente ter te matado.
Damon ergueu o rosto, sentado na cama do quarto de Ethan e fitou-a com desdém.
— Te pedi opinião? Guarde sua merda para si.
Sakura cruzou os braços, tentando sinceramente relevar que ele estava praticamente em choque despois de dias amarrado ou preso sabe-se lá onde.
— Hey, cara, nem teríamos achado sua caveira se não fosse por ela, okay? Baixa a bola. – Ethan reclamou, enfaixando uma ferida na perna do irmão.
— E por acaso pedi sua ajuda? Não chamei ninguém para a minha merda.
— Você tá sendo desnecessariamente escroto, encha mais o saco e eu soco o resto de merda fora de você, não tá alugando os ouvidos de ninguém e deveria estar agradecido de ainda respirar, seu bosta.
— Se foder...
— Tá parecendo uma bonequinha de vidro e querendo crescer pra gente, Sakura traga o vidro de pimenta que a gente soca no rabo dele sem nem que ele possa chiar. – Josh emendou, rindo descaradamente, Ethan riu também e Damon apenas resmungou mais.
Sakura balançou a cabeça e saiu, sabendo que no fim, eles só se entendiam entre si e tanto ela quanto Lisa jamais estariam encaixadas.
Sempre foi assim, três times: Eles, Lisa com os pais, e Sakura só por si mesma. E sempre seria.
Seguiu até o escritório, adentrou e encontrou Sasuke reclamando junto de Augustine que não poderia fazer muito para se livrar dele, posto que os filhotes estavam mamando.
— E está vendo? Eu faço tudo direitinho, ao menos tento, mas não minto. Não se mente pro parceiro, certo? Você não mentiria para o Gibs, certo?
— Amorzinho, vem pra cama, já passou. – Sakura chamou.
— Ouviu algo? Eu não ouvi nada, nadinha.
Sakura revirou os olhos e se aproximou mais.
— Sasuke, para com isso e vamos conversar, okay?
— Tá ouvindo isso? Agora ela quer conversar. – Sakura não era a melhor pessoa para adulações mesmo quando estava errada, se Hidan convivera com isso, Sasuke também teria.
— Sasuke, deixe a cadela em paz, tá pedindo a Deus pra você cair fora, são quase cinco da manhã! Levanta daí, e vamos pra cama conversar, cacete.
E saiu do escritório, ele observou, aborrecido.
— Agora!
Ele levantou, rapidamente e saiu, foi para o quarto, entrou apagando a luz, ocupou seu lado da cama e cruzou os braços, esperando enquanto ela tirava o robe e sentava no colchão.
— E então? Qual sua explicação?
— Ah, isso? Hmmm, talvez depois... – Sakura ronronou, recebendo um olhar indignado.
— Depois? Filha do...
Ela muito pretensiosamente o puxou pelo cabelo da nuca e roubou um beijo longo e molhado como os de quando eles estavam na onda de fazer bebês.
Afastou o rosto e sorriu.
— Depois de eu chupar você todinho, baby. – Avisou, rapidamente desaparecendo sob as cobertas.
Obviamente ele estava puto com este artifício covarde para escapar de uma DR, mas ao menos estaria zangado e satisfeito, teria que admitir, também.
*
— Puta merda, olhe isso, Sakura, parece igualzinho.
— Hum? Você acha?
— Você não? Aff!
Sakura deu de ombros e Noein suspirou, percebendo que não escapariam da onda de nostalgia mesmo.
Desceram do carro e atravessaram o pátio e o gramado em frente um conjunto de três prédios de três andares que abrigavam muitos, muitos estudantes.
— Olha lá! Ainda tem a mesma máquina de refri! – Sasuke exclamou, apressando-se.
— Não é a mesma máquina, Sasuke... – Sakura reclamou, esfregando a barriga sob o vestido.
— Claro que é, porra!
Ele se foi e Sakura balançou a cabeça, olhando em torno sem grande interesse nas mudanças.
— Tá tudo bem mesmo? – Noein perguntou.
— Hm? Ah, está sim, querido, o bebê resolveu sambar aqui dentro, ao que parece. E claro, o idiota ali resolveu encarnar o saudosista...
— Você não sente falta?
Sakura fez pouco caso, eles continuaram caminhando até a entrada enquanto Sasuke brigava com a máquina de lanches, talvez fosse mesmo a da época deles...
— Eu nunca fui muito apegada, enquanto a maioria dos alunos fazia disso um habitat onde poderiam ser grande coisa... Vide aquele idiota ali...
— Haha, ele era alguém popular? Não parece...
— Acredita que eu também nunca entendi? — Piscou para ele, faceira. — Mas adolescentes sempre tiveram gosto duvidoso mesmo... Sasuke, larga essa máquina ou te enfio nela.
Entraram no prédio, a sirene já havia tocado, os corredores estavam quase vazios e Sasuke os acompanhou segurando uma lata de Coca-Cola.
— Bem como antigamente, certo, majestade?
— Você tá bêbado, Uchiha. Eu não acharia o banheiro nem se minha dignidade dependesse disso, tá tudo diferente, cara.
— Claro que não, tá louca? Os hormônios afetaram sua memória? Olhe, por exemplo, a sala de Geografia fica bem aqui! – Ele abriu a porta e deram de cara com nada mais que esfregões e materiais de limpeza.
— Meus hormônios, né?
— Se me perguntarem, eu nem te conheço. – Noein avisou logo.
Seguiu em frente, Sakura foi logo atrás revirando os olhos para as afirmações de Sasuke. Finalmente encontraram a diretoria que ficava de frente com a sala de troféus.
Noein entrou nela enquanto os adultos conversavam. O diretor era professor na época que Sasuke e Sakura estudaram ali, e afirmou que se não enfartara de ver ambos juntos, como um casal, matriculando um filho e a espera de outro, certamente viveria até os cem anos com tranquilidade.
As armações de Sasuke e as conquistas acadêmicas de Sakura não foram mesmo esquecidas assim como o quanto ele era bom nos esportes, e ela também, além de notas altas, feiras de ciência, debates e discursos.
Mesmo depois de mais de vinte anos, isso ainda estava sendo preservado nos quadros e troféus naquela sala.
— Eu nem acredito que ele ainda está vivo e vem querer me tirar onda, vê se pode. – Sasuke reclamou, depois que saíram da sala do ex professor de Álgebra.
— Você fazia um inferno na vida dele, é justo dar-lhe isso antes da morte.
— Caladinha que você também era um diabo no grémio estudantil.
— Eu sei. – Ela se gabou.
— Infelizmente, uma diaba sexy, até hoje. – Sasuke admitiu, beijando-a.
— Melosos. – Noein acusou.
— Haha, o que você vê aí?
— Seu troféu da era paleozoica...
— Engraçadinho. De quando conquistamos as Estaduais, ah, se eu tivesse investido no basquete... Hoje estaria numa cobertura em Nova York, certamente, mas... Quis o destino me ver fazendo justiça...
Sakura trocou um olhar de deboche com Noein e se aproximou da vidraça da estante.
— Bom, se formos considerar isso, eu certamente estaria num apartamento em Londres fazendo alguma tese revolucionária na área de Neurologia...
— Isso, Noein, são os hormônios da gravidez.
— Vai se danar.
— Eu acho... Que é a idade, dos dois.
— Garoto, você quer ir pra sala de traseiro dolorido?
— Moleque, eu vou te transformar num velocista porque é melhor correr se quiser viver.
*
— Então? Gostou de algum? – Sakura perguntou, deitando-se no chão do escritório ao lado de onde Boruto encarava rechonchudos filhotes de Tinny mamarem, todos já com quase dois meses e ela ainda relutante de doá-los a estranhos, enquanto Sasuke já estava enfiando panfletos em tudo que era lugar.
— Aham.
— Ah, é? Qual?
— Desse, desse, desse, desse, desse, desse, desse, desse e desse.
— Mas, querido, isso são todos.
— Ah, tudo bem então.
Sakura não sabia se ria ou se chorava, acabou chorando de tanto rir. Já fora dificílimo convencer Naruto adotar um dos filhotes, e Boruto não facilitava.
— Mas nós conversamos sobre isso, você pode ter um com Himawari, os outros vão para outras crianças.
— Ah...
— Você não precisa decidir ainda, vai demorar um pouco para que possam ir pra outro lar. Mas, podemos decidir outra coisa.
— O quê?
— Os nomes, ideias para nomes?
— Ah! E tenho sim, já que pretendia ficar com todos...
— Oh, sim, claro? O que você pensou, então?
— Primeiro... Seria legal dar nomes de pokemons... Tipo Bubassáuro, Pikachu...
— Ah....? Sim?
— Mas aí não seria muito original, então pensei em outros.
— Tem toda razão! O que pensou?
Ele ergueu a mão e foi apontando cada um.
— Eu pensei em: Harry, Jerry, Larry, Garry, Berry, Marie, Cherry....
— Cherry? Mas esse é menino...
— Ah, é mesmo...
— Pois é...
— Ah, mas deixa assim mesmo, pra não estragar a ordem.
— Oh, okay...? E os outros dois?
— Flarie e Darry.
— Okay... É realmente uma ideia legal para os nossos gêmeos múltiplos...
— Eu sei, obrigado.
Sakura torcia para que com a idade, o ego de Boruto baixasse mais, ou não seria tão fofinho como era agora...
— Certo, certo, decidido então. Todos com nomes, não me deixe esquecer de por nas fitinhas ou teremos outra confusão como foi pra saber os meninos e meninas.
Dos nove, apenas dois eram fêmeas, respectivamente Marie e Berry, nomes não tão ruins, ao menos comparados ao pobre Cherry que já tinha motivos o bastante para ser zoado na ninhada.
O rapazinho Cherry puxou o pelo enroladinho da mãe, todo castanho escuro como o do pai e com direito a um topete no topo da cabecinha que o fazia parecer um tipo de Elvis Presley canino que Sasuke não cansava de zoar junto com Noein, para Sakura era a coisinha mais preciosa e já não sabia como faria para mantê-lo. Já era seu favorito e o mais gordo, guloso e agitado.
Certamente os outros candidatos a dono iriam preferir ele de cara.
Boruto só não o queria pois estava mais interessado nos irmãos dele, que mais se pareciam com Gibs, ou claro, ficar com todos de uma vez.
Sasuke adentrou o recinto, procurando-os e parou, diante dos dois esparramados no carpete.
— Que diabos fazem aí? Você está bem? – Interrogou, já puxando-a para que se levantasse.
— Haha, estou sim, apenas estávamos decidindo os nomes dos bebês.
— Nomes?
— Aham! Eu escolhi todos! – Boruto se ergueu, espevitado.
— Fala sério, pra quê dar nomes? Eles nem vão ficar com a gente... Dê números então, pra facilitar, tipo zero-um, zero-dois...
Sakura socou sua costela, bufando, deixou o recinto levando o menino pela mão.
— Babaca insensível.
— É! – Boruto mostrou a língua. Sasuke estregou o flanco gemendo um pouco e fitou Tinny.
— Foi tão ruim assim?
Ela o ignorou e ele saiu, apressando o passo por estar meio atrasado, tinha que devolver Boruto para a mãe, buscar Noein na escola e voltar ao trabalho e encontrar mais donos para os zeros gordinhos de Tinny e Gibson.
— Vamos lá, pestinha, tenho que te devolver pra jaula.
— Porque eu não posso ficar aqui?
— Porque você tem que voltar pra sua família, peste, eles têm toda a parafernália pra te conter, tipo crucifixos e água benta, mingau...
Sakura não sabia se ria do debate ou se ficava temerosa pelo QI do filho que ia nascer. Deveria ter pedido uma análise do DNA de Sasuke...
— Mas, podemos fazer assim! Eu fico com vocês e vocês dão o Noein ou o bebê pros meus papais!
— Nossa! Que ideia genial! Não acha, Sakura? Esse garoto é um gênio!
— Pois é....
— Que ideia bacana, cara. Sério mesmo, deveriam te dar um prêmio!
— É!
— Mas a resposta ainda é não, vamos dar o fora, peste.
— Nãoooo! – Sasuke o catou pelas perninhas, jogou nas costas de cabeça pra baixo mesmo e partiu.
— Siiim! Hora de volta pra jaula, monstro! Thauzinho, amor.
— Tchau, tchauzinho, Boruto.
— Isso é um ultraje!
— Garoto, nem seu pai deve saber o que significa “ultraje”.
Sasuke enfiou o pestinha no carro e foi devolvê-lo, pegou Noein na escola e seguiu rumo ao bar do Owen.
— Porque estamos indo pra um bar?
— Ora, beber e pegar umas garotas.
— Mas isso é o mesmo que suicídio.
Sasuke não pode discordar. Ambos entraram no bar e encontraram Owen limpando a bancada, o lugar estava bem vazio, exceto por um ou dois clientes no canto.
— Owen, meu velho, grande, e fodalhão amigo.
— Hã? Brigou com a Sakura ou está sem grana? Porque pro primeiro, posso até te emprestar um colchão na dispensa, mas se for grana...
— Pft, por que acha que eu iria querer alguma coisa? Somos amigos, sem falar que eu só estou dando um passeio com o meu garoto aqui. – Sasuke desconversou, bagunçando o cabelo do menino.
Owen não se convenceu nem por um nano segundo.
— Solta logo essa língua, Uchiha.
— Okay... Quer adotar um cachorro?
— Hahaha, boa. Valeu pela visita, manda uma beijoca pra Sakura e diga que as margaritas sempre estarão esperando.
— Vamos lá, cara. Só um filhote, tipo um cão de guarda, são filhos do Gibson e da Augustine, aquela cadela, tudo raça de primeira, amigão.
— Eu não tenho tempo pra cuidar de um cão, cara. Eu mau cuido da minha própria bunda!
— Eles crescem, vai por mim, num dia são coisinhas fofas que nem... Que nem a Himawari, depois crescem um pouco e, viram demônios anões como o Boruto... Mas isso é rápido! E então quando você se dá conta, viram... Viram.. pré aborrecentes que nem, que nem ele! – Apontou Noein. — E aí já fica tudo tranquilo... Ao menos até a adolescência vir com tudo...
— Aham....
— Mas, ao contrário do que é com uma peste de bípede como o Noein, a gente pode conter esses problemas de adolescência com um método simples. Castração!
— Ora, então faça exatamente isso! Boa sorte!
— Cara! Eu não posso! Sério, adote um, ao menos um!
— Porque não?
— Porque são fodendos nove filhotes, porra!
—Ah.... Nossa, essa cadela é uma máquina de parir, hein?
— E que máquina! Mas então? Vai pegar?
— Eu vou pensar.
— Eu diria que te amo.
— Quer me ver desistindo, então? Foda-se, vou pensar. Talvez seja bom ter outra companhia aqui que não esteja só afim da minha cerveja ou só do meu... – Owen recordou que tinha criança por perto. — Dote masculino.
— São os melhores amigos do homem, cara.
— Desde que não me deem prejuízos.
*
— Cara, eu sou o melhor negociante.
— Negociar? Mas você só saiu por aí implorando...
— Se chama usar de “artifícios emocionais”, foi tudo pura dramatização.
— Bom, já poderia fazer um filme de drama, é um baita chorão.
— E você trabalhar como madeireiro, com essa cara de pau que não ajudou em nada!
Noein pouco se importou, entraram em casa encontrando Sakura ao sofá, lendo um livro, e Gibson cochilando aos seus pés.
— Ei, porque demoraram tanto?
— Trabalho em dupla, que eu fiz sozinho, aliás.
— Haha, Sasuke saiu por aí tentando doar os filhotes. Tinha que ver o drama.
— Você estava tentando se livrar dos meus filhotes?!
— Você nem vem com essa, madame. E você, pirralho, vai ficar sem sobremesa.
Noein subiu as escadas e ela jogou o livro em Sasuke.
— O que você tá tramando, seu arrombado?!
— Eu estou cumprindo meu dever de avô, ora bolas. E estou indo bem, obrigado, e você, vovó, trate de engordar seus netinhos, preciso que eles sejam roliços, fofos e adoráveis, assim ninguém vai dar pra trás na hora de levá-los. Serão bolotas irresistíveis... tipo você.
— Te abomino.
— E como está nosso castelo, hã? Todos os súditos em ordem?
— Só você tem merecido apodrecer no porão mesmo... Até Sai está comportado, conseguiu até que Ino tivesse pena dele e o levasse pra passear.
— Ela podia mesmo ela mandá-lo pro canil... – Sasuke sentou ao lado da mulher e a puxando para si. — E como vai esse garotão aqui, hm?
Sakura sorriu, esfregando a barriga.
— Você chegou na hora, logo ele vai começar a se agitar, tem estado ativo nessa hora e depois do jantar.
— Ah, é isso mesmo, garotão? Vamos lá, me dê um bom golpe pra mostrar que é fortão. – Ele pediu, circulando as palmas na barriga dela. — Vamos lá, mostre pro papai.
— Vai ver ela está chateada por ficar chamando-a de menino, tem essa possibilidade, sabe? – Sakura provocou.
— Não tem não, tem um baita pintudo aí dentro, que adora tirar um ronco, puxou o pai...
— Escroto!
Uma pontadinha suave marcou a barriga dela e Sasuke vibrou.
— E um baita jogador de futebol, eu não disse?
— Humpf.
Sasuke ficou mais um tempo interagindo com o bebê que correspondeu com chutinhos suaves que vez ou outra podiam ser incômodos, ele voltou para o trabalho e Sakura que já estava a um bom tempo sem ânimo para cozinhar, pediu comida de um restaurante mais “natureba” apenas para evitar deixar Noein comer muita porcaria só por ela estar sem disposição para a cozinha.
Ajudou-o com o dever de casa, assistiram um filme junto de Karin que era basicamente a única a não estar cobrindo turno hoje e foram dormir cedo.
Ela demorou um pouco mais porque seu pequeno ou pequena atleta estava muito agitado e foi quase impossível achar uma posição agradável.
Pensou até em trocar mensagens com Sasuke ou esperar ele chegar, mas o sono veio e ela só não esperava acordar com um som tão agudo reverberando pela a casa.
Demorou para entender que era o alarme de segurança, levantou meio grogue e Karin invadiu o quarto, armada.
— Você tá bem? Tá bem?!
— O que está havendo?
Karin seguiu até as janelas, conferindo-as rapidamente e saindo, Sakura a seguiu e Noein apareceu no corredor.
— O que houve?
— Volte pro quarto. – Karin mandou, depois de conferir o banheiro e seguir para o andar de baixo. — Você também, Sakura.
— Fique comigo, querido. – Sakura pediu, abraçando-o. Tinny e Gibson latiam enfurecidamente lá em baixo e no quintal, respectivamente. — Vai ficar tudo bem.
Um estrondo ecoou de lá, Karin gritou voz de prisão e dois tiros soaram, Sakura empurrou Noein na direção do quarto dele.
— Pro seu quarto, agora!
— Ma-s.
— Agora, Noein! – Ele subiu as escadas e bateu a porta, Sakura marchou para o próprio quarto, entrou no closet, subiu na banqueta e catou a caixa com a M24, pegou os cartuchos e encaixou um antes de seguir para fora já com ela em riste.
Uma sombra grande demais para ser Karin apareceu no corredor, assim que identificou uma arma Sakura alvejou o estranho no braço e peito, apressando o passo ela chegou ao fim do corredor, recostando-se na parede, espiou a sala e desviou rapidamente de tiros e Karin desmaiada perto do sofá, mais três homens com máscaras de hóquei contendo os cachorros com varas do tipo que a carrocinha usava.
Ela recuou, seguiu de volta até os degraus rumo ao sótão, bateu rapidamente.
— Abre pra mim, Noein. – Ele abriu na hora, Sakura entrou, fechando a porta e Noein recuou assustada com a arma. — Pra janela, vamos.
Ambos seguiram até lá, ela abriu e eles passaram para o telhado, chegaram até uma escada e desceram. Sakura fez isso milhares de vezes com os SEALs, mas com seu bebê era tudo bem mais complicado. Um escorregão absolutamente a vida dos três estaria em risco.
Não se aliviou mesmo quando chegaram ao gramado.
— Se esconda ali. – Ordenou apontando os arbustos e seguiu em frente, contornando a casa.
Como previra, os dois homens ainda continham os cães e o terceiro havia subido atrás dela.
Seguiu atirando nas pernas de um, o outro se virou em sua direção, sacando uma pistola mas a essa altura, Gibson já estava livre para abocanhar seu braço, Tinny acabou sendo solta também e ambos o atacaram.
Sakura avançou, chutando as armas para longe deles, adentrou a porta da sala e se abaixou diante de Karin, verificando sua pulsação e ouvindo a movimentação na escada, girou atirando e prgou o último maldito ali mesmo, o fuzilando sem pena.
Levantou, finalmente respirando melhor e ouvindo as sirenes da polícia. Saiu de casa e manteve o rifle apontado para os dois otários restantes, um fodido de bala e o outro mastigado pelos cães, principalmente por Tinny que não obedecia tão bem aos comandos de pare tal como Gibs, além de provavelmente estar com o instinto materno totalmente ativado.
— Tire a máscara antes que eu decida encher sua cara de furos de verdade. Quem são e o que querem?
O que estava mastigado tirou a máscara, muito acuado enquanto o outro só gemia de dor.
— Tudo bem, tudo bem.
Sakura estudou sua fisionomia mas não reconheceu.
— Fomos contratados, sequestro, é tudo que as sabemos.
Ela apontou a arma mais perto ignorando os policiais que invadiram o quintal.
— Sequestrar quem?
— Você.
*
Sasuke saiu do carro como um furacão, atravessou a rua e encarou a movimentação policial em torno do jardim da casa.
— Onde eles estão? Onde estão?! – Rugiu, alguém apontou para uma ambulância, Sasuke correu e contornou, encontrando Sakura e Noein sentados numa maca, enrolados em uma coberta e Karin deitada em outra, muito mau humorada e segurando uma bolsa de gelo contra a testa.
Um sopro frio de alívio preencheu seu peito e a tensão evaporou de uma vez o deixando quase mole demais.
Aproximou-se da maca e os abraçou forte.
— Ah, porra. Puta que pariu, graça a Deus.
— Oi, querido. Está tudo bem. – Sakura esfregou suas costas o sentindo ainda duro. Ele a beijou e apalpou procurando qualquer problema.
— Você está bem? Está bem? O bebê está bem? Noein, você está bem.
— Estamos bem. Está tudo bem, juro. Fique calmo, vai acabar enfartando.
— Claro que vou enfartar! Entram na nossa casa, tentam atirar em você! O que diabos houve aqui?!
— Querido, calma. – Sakura pediu, por Noein, ele precisava de segurança em torno agora. — Não olhe pra lá, filho. – Avisou, o abraçando mais para ele não olhar os peritos saindo com um dos corpos em um saco preto.
Sasuke tentou respirar com calma, e não pensar nos milhões de problemas que isso poderia acarretar, Sakura e o bebê em risco, Noein sendo levado pela assistência social, mais uma investigação para atulhá-lo isso se alguém de cima não passá-la para outro.
— Tudo bem, vamos ficar bem. Karin você está bem?
— Estou sim, só furiosa, então, vamos pra delegacia?
— É melhor irmos logo. – Sakura suspirou.
— Não, não, ninguém vai pra delegacia. Vamos, entrem no carro, vamos pra casa da minha mãe.
— Tem certeza, Sasuke? E os depoimentos?
— Vocês me falam o que houve no caminho, amanhã a gente faz essa parte oficial. Mas agora, casa.
— Preciso pegar alguma roupa então. – Karin disse, levantando-se e largando a bolsa de gelo.
— Traga algo pra mim? E para Noein? E a bolsa dele também, tem aula amanhã...
— Tá.
— Ele não vai pra aula amanhã. – Sasuke avisou.
— Mas Sasuke, é a primeira semana dele.
— Amanhã é sexta, outras virão. Mas ninguém vai por o pé na rua até descobrirmos o que porra está acontecendo.
— Eu não vou discordar de dormir até tarde mesmo.
— Que bom pra você, mas está bem mesmo? – Sasuke abriu a porta para Sakura que entrou, bufando, Noein entrou do outro lado, muito enérgico.
— Cara, ela tava com metralhadora, eu não podia estar melhor! Teve um tei-tei-tei, foi irado! E Gibs e Augustine? Pareciam uns cães do inferno! O mané tava só o farrapo! Foi tipo Call of Dut com Supernatural!
— A assistente social vai nos matar... – Sakura lamuriou.
— Ou nos tirar da guarda dele. – Sasuke disse, meio que se perguntando se as crianças de hoje em dia eram todas assim ou ele só a tinha sorte pra viver com gente doida sempre.
— Eu vou dar depoimento também? – Noein continuou, empolgado. — E vai ter aquelas coisas tipo CSI mesmo? Você não devia tirar digitais? – Perguntou para Karin que estava muito mau humorada ainda.
— Pirralho, se continuar de amolação, vão precisar tirar as suas pra te identificar.
— Noein, chega, certo? Estamos todos bem cansados. – Sakura pediu, Sasuke pegou o volante. — E não era uma metralhadora, era um rifle M24...
— Maneiro!
— Sakura...
— Er...
*
Sasuke espiou o antigo quarto e observou Noein conversando ou talvez narrando epicamente a pouca coisa que viu noite passada com um grande entusiasmo também acompanhado da srta. Nielsen.
Não sabia se deveria sentir alívio de Noein ver a situação como e tivesse participado de um filme de ação.
Seguiu até o quarto de hóspedes e se deparou com Kiba e Sai saindo de lá.
— E aí? – Interrogou.
Sai deu de ombros e Kiba riu um pouco.
— Essa mulher é louca, Uchiha. Parabéns pela coragem, porque noção...
Sasuke nem quis socar ele porque já imaginava o mesmo.
— Se pensar bem, o que ela mais teve foi noção, só não arregou. – Sai admitiu. — O treinamento de soldado foi bem utilizado, mas ainda vou rir muito imaginando uma grávida atirando em caras maus...
— Ou andando pelo telhado de camisola e com um rifle.
— No telhado? – Sasuke sentiu outra batida falhar. — Eu vou ter que apressar o parto desse bebê pra matar essa mulher, puta que pariu.
— Esse bebê vai nascer dando facada nas pessoas. – Kiba gargalhou seguindo em frente, Sai revirou os olhos e também partiu.
Sasuke assistiu a dupla babaca partir e entrou no quarto, Sakura estava sentada na cama, cabelos soltos, blusa de ombro caído e calça, acariciando a barriga.
— Andou no telhado, né? – Ele repreendeu, ela ergueu os olhos e sorriu carinhosamente.
— Está chutando de novo.
E ele não podia mais brigar depois disso, suspirando em desistência, foi até o colchão e sentou perto dela, tocando o local e sentindo os golpes.
— Alguém acordou agitado hoje, hein?
— Dois alguéns, Noein acordou cedo pra esperar a polícia. Ainda estão com ele?
— Creio que não vai demorar mais. Nielsen também está.
Sakura apoiou a cabeça em seu ombro, aborrecida.
— Eu sei. Estou com medo.
— Vai ficar tudo bem. Noein é grandinho, não presenciou nada além de uma gestante armada e cães furiosos, o que pareceu gostar muito. Acho que eles vão ter medo dele.
Ela riu suavemente e Sasuke beijou seu ombro nu.
— Foi muito assustador, hein?
— Eu sei, desculpe.
— Não é sua culpa. Eu que achei que estavam seguros... Isso pode ter sido por qualquer motivo, você sabe? Por eu ter sido investigador ou por ser delegado...
— Ou pode não ter tido nada haver com você, Sasuke. Não se precipite. O que vai fazer? Largar o trabalho? Não podemos nos assustar tanto, certo? Podia ter sido pior, mas não foi, okay?
— Ainda pode ser pior, querida. É isso que temo.
— Mas não vai. – Sakura beijou seu rosto e maxilar longamente. — Vamos ficar bem, vamos achar esse idiota, certo? Já tem alguma coisa?
— Ah, já pedi o mandato para investigar a conta que pagou a primeira parcela do sequestro e... Já estão tentando localizar o telefone por onde fizeram o negócio, mas esse último certamente deve ser de um telefone descartável...
— Entendo. E os otários que sobraram?
— Literalmente sobraram, hein? Sua monstrinha... Dois mortos, um está todo furado nas pernas e só estamos conseguindo arrancar algo do que você deixou os cães usarem de mastigador.
Sakura deu de ombros, sem qualquer pena.
— Tem certeza que não quer ir fazer um exame?
— O bebê está bem, acho que a agitação de ontem o deixou cansado demais para me impedir de dormir o resto da noite, hahaha.
— Certo... Nem acredito que só faltam dois meses... Logo vamos conhecer esse rapazão.
— Aham... Mas só você está ansioso, eu estou mais pra cansada. Estar grávida é uma droga! Prioridade em filas de banco não compensa todo esse cansaço, pés inchados e gases! O governo deveria nos dar um milhar de dólares, caralho!
— Eu acho justo, já ajudaria muito pra faculdade.... Isso é que me deixa preocupado...
— Humpf... Se puxar minha inteligência vai ter bolsa, então estamos cinquenta por cento despreocupados.
— Mas eu tenho pais ricos...
— Se manca, vagabundo.
Noein bateu e entrou, correndo até a cama.
— Finalmente acabou. – Disse, muito mau humorado agora.
— Ué? Seu grande depoimento não foi bem?
— Nem tem aquela emoção das séries, eles só ficam perguntando e perguntando... – Revirou os olhos. — Teria sido melhor ir pra aula.. Ou continuado dormindo. – Lamuriou deitando a cabeça nas perna dela, Sakura gargalhou e Sasuke meneou a cabeça, levantando-se.
— É uma figura mesmo...
Alguém bateu na porta novamente ele respondeu e Sai pôs o rosto pra dentro.
— Pegamos o nome e endereço da conta, velho. Tem que vir ver, promete ser interessante.
Sasuke e Sakura se entreolharam, alarmados.
— Está no nome de quem?
— Ah, Sakura, o cara que quer você, parece ser é um tal Frederic Bancroft, milionário dos cosméticos.
O casal voltou a se entreolhar, ainda mais confuso e Noein acompanhava com expectativa.
Encararam Sai, novamente.
— Hein?!
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