Killer Queen
41 Rainha Procurada
Notas iniciais

Sakura cruzou a cafeteria do andar com a pompa de uma verdadeira proprietária, a túnica de seda champanhe que usava evidenciava não só a gravidez avançada mas as pernas longas sobre saltos altos, os seios cheios sem sutiã, sob o tecido fino. A ponta do tecido arrastava logo atrás dela, com um ombro nu e o outro com uma longa manga flare e a bolsa.
Ela tirou uma mecha do cabelo do rosto com um olhar superior sobre o recinto em volta, e as pessoas passaram a fitá-la com receio e a se aprumar, desconfiados de que ela realmente poderia ser alguém “de cima”.
Ignorando Sasuke resmungar em seu ouvido que era para ela ter vestido a porra do casaco, Sakura avançou sem pressa, salto por salto ressoando no piso até, para a surpresa do pessoal em torno, direcionar-se para a mesa afastada, ocupada apenas por um sujeitinho de ombros caídos e paletó amassado, que parecia estar sempre a ponto de se fundir com o ambiente, tão insignificante chegava a ser sua presença.
As más línguas diziam que ele só ainda trabalhava ali porque tinha ligações com alguém de cima, ou por pena, as boas preferiam manter-se distantes deste indivíduo cheio de trejeitos bizarros.
Sakura parou diante da mesa, olhando o homem com uma expressão quase de desprezo, porém muito fina para tal.
— Você é Genie Stuart? – Interrogou com clara decepção.
Ele ergueu a cabeça, no instante seguinte se levantou com um grito abafado e encarando-a como se fosse uma deusa que baixou a sua frente.
O resto das pessoas na cafeteria, se pusera a observar com ainda mais curiosidade graças a reação patética.
Sakura não demonstrou surpresa, apenas tédio.
— Parece que sim.
— O... O que você faz aqui...?
Ela largou a bolsa sobre a mesa com arrogância e puxou a cadeira, sentou-se e se recostou, cruzando as pernas e deixando-as quase totalmente expostas se não fosse a barriga, ainda assim, nada ocultava a sensualidade e superioridade que ela emanava.
— Sente-se, Genie. – Proferiu o nome com sarcasmo. — Não queria me encontrar? Aqui estou, vim até você. Pode começar a falar.
*
Três horas atrás.
Sasuke atravessou o gramado bem cuidado da mansão modernista em Bervelly Hills acompanhado de um longo séquito de policiais e cães farejadores. Lee bateu a porta e uma empregada pareceu, os fitando com confusão.
— Pois não?
— Polícia de Los Angeles, seu patrão está?
— Si-Sim... – Sasuke entrou na casa, uma pequena sala bem decorada fazia recepção, havia uma escada em caracol e portais de madeira escura que davam passagem para o resto da casa.
—Que está se passando aqui, Clare? – A voz de uma mulher trovejou do topo das escadas. Tinha no máximo quarenta e cinco anos ou mais, sua forma no entanto era atlética e bronzeada por baixo de um vestido formal e elegante, o cabelo era bem claro e a pele bem tratada demonstrava quase nenhum sinal de idade exceto em torno dos olhos... Verdes.
Sasuke se aproximou da escada, estudando-a, ela desceu os degraus com o queixo erguido, um olhar muito irritado e claramente zangada com a presença dos cães dentro da casa.
— Posso saber o que se passa aqui?
— Senhora, sou Sasuke Uchiha, delegado do departamento de homicídios...
— E eu com isso? O que faz invadindo minha casa com esses vira-latas?
Sasuke sentiu vontade e mandar essa perua ir pastar, e isto foi estranhamente... nostálgico.
— Seu marido está? Temos assuntos a tratar com ele.
— Frederic? O que poderiam querer com ele? Não me digam que foi Will aprontando de novo...
Sasuke já sabia que William Bancroft era o filho do casal, conhecido como um grande baderneiro na juventude mas que a essa altura já sossegara cuidando dos negócios, ao menos em parte, vez ou outra protagonizava algum vídeo íntimo com modelos e atrizes.
— Não, o assunto é com seu marido. Ele está preso por duas tentativas de homicídio, assassinatos e tentativa de sequestro.
A dama piscou, estupefata, mas por fim, riu na cara dele, e muito, na dos policiais também.
— Hahaha! Frederic? Meu querido Fred? Meu ursinho? Hahaha! Essa foi boa, é alguma piada, não é?!
— Não senhora, ele está? Pois saiba que, dado os fatos que temos, a senhora corre perigo com ele.
— hahaha, Fred, perigoso. Essa foi hilária! Ouviu isso, Clare? Eles só podem ser de alguma equipe de TV!
A empregada nada disse, mas se encolheu com uma breve risada, Sasuke decidiu que prenderia a velha também.
— Mas o que diabo... está havendo aqui...? – Uma voz masculina meio lenta e cansada chegou até eles.
Sasuke pousou a mão no coldre e olhou para cima.
Um homenzinho mirrado de velhice apareceu, usando um terno azul escuro, devia ter pelo menos oitenta anos ou mais, mau se equilibrava na bengala, quase careca e apertando um pouco os olhos para vê-los.
— Úrsula? Ursinha? Que se passa, minha querida?
A mulher subiu as escadas apressadamente, e passou o braço no dele, o apoiando com um olhar carinhoso e preocupado.
— Oh, meu bem, não se esforce demais.
Sasuke trocou olhares descrentes com os policiais. E voltou a fitar o casal ainda torcendo para que fossem pai e filha, mas já vendo que não.
— Espere aí, você é Frederic Bancroft?
— Pois sim, quem quer saber? – O ancião respondeu, amigável e curioso.
— É claro que é ele, meu marido! – Ela declarou, orgulhosa.
Sasuke afastou a mão do coldre, indignado e puto.
Se este era o sequestrador de Sakura, não havia como ser o assassino do Green Eyes...
Mas... Não era isso que as evidências diziam, quando apontavam que Frederic era o dono do prédio abandonado em que o QG do assassino fora descoberto. Assim também como o galpão nas docas, para o qual os dois bandidos contratados para levar Sakura haviam revelado que foram instruídos a deixar ela, estavam no nome deste vovô.
Ou Frederic nada tinha haver, ou era ligado ao assassino e o ajudava, ou era usado para os fins deste.
Um adendo, era que a bela e furiosa esposa do coroa tinha um bom par de olhos verdes ferozes.
Quase tanto quanto os de Sakura.
*
Agora.
— Co-como me encontrou aqui?
— Vamos chegar a essa parte, eu faço as perguntas primeiro. Como você me encontrou? De onde me conhece?
Ele a fitou, muito espantado ainda, rodou os olhos pelo local, a atenção que o resto dos funcionários dava o perturbou mais ainda.
— Não sei do que está... falando...
— Agora vai fingir que não me conhece? Mas você mandou isso. – Sakura tirou uma folha da bolsa e pousou na mesa, empurrando pra ele. Era uma cópia do bilhete e abaixo, uma imagem de câmera de segurança da portaria da DP. — E esse mané aí é você. Então?
Genie puxou a folha, receoso, e muito nervoso, apoiou o cotovelo na mesa, procurando esconder a vista e relendo o bilhete.
— Ele está encurralado, mas precisa continuar pressionando. – O perfilador do FBI aconselhou.
— Se ela pressionar mais, ele vai se borrar... Acabe com ele, amor, assim não vamos precisar perder mais tempo.— Sasuke disse.
Sakura bateu a palma na mesa, um som alto ecoou pelo lugar e o homem quase caiu da cadeira.
— Eu estou esperando uma resposta!
— Deus, ela é uma monstra...?
— Ué, já estão assustados? Deveriam tentar ter um filho com ela...— Sasuke riu. — Não o esmague demais, majestade, já conversamos sobre este tipo, ele vai explodir.
— Eu tenho mais o que fazer, tive muito trabalho pra te encontrar pra terminar sem respostas, sabia?
Genie a encarou, ainda mais arregalado, iniciou um sorriso muito idiota e desconcertado.
— Vo-você teve....?
— Ele já está enredado... Continue conduzindo, Sakura. Ele gosta das passivo-agressivas. Mas não o excite demais...
Sakura quase não conseguiu esconder o repúdio.
— É tive, então?
Genie pareceu renovado de alguma esperança, releu o bilhete, mais á vontade e pareceu disposto a falar. Mas, então, pareceu lembrar de algo, e então a fitou, com uma expressão acusativa e muito incisiva, a mudança foi como um piscar e Sakura, pela primeira vez sentiu a espinha gelar com este cara.
— Porque não foi ao encontro? – A voz dele era quase de outra pessoa, perigosa, e bastante estável desta vez, sem gaguejos ou arquejos.
— Banque a mimada.
Ela deu de ombros, brincando com a corrente do colar que escorria de seu pescoço por entre os seios.
— Estava perdido, só encontrei a umas semanas...
— Como, perdido? Eu mandei que levassem pra você.
— E daí? Não dou a mínima pra gente incompetente daquela delegacia, alguém esqueceu de entregar e depois jogou no fundo da minha gaveta, nem gosto de ficar naquela mesinha idiota. Não me culpe hora, humpf, e quem ainda manda bilhetes? Por favor...
— É por isso que você não faz amigos. – Sasuke provocou, ela quase riu.
Genie, pareceu se convencer, desistindo, ou quase.
— Bem... Acho que tem razão mas... Tem certeza que ninguém mais viu, ou escondeu?
— Ele está se referindo a mim, não prossiga, não sabemos se ele me reconheceu aquela noite. Desvie dessa, Sakura.
Sakura fez um esgar sem interesse.
— Porque alguém iria querer saber? Esconder? Não faz sentido, eu o achei na porcaria da gaveta, ora. Mas porque? Não vai me dizer que alguém foi no meu lugar, né?
— Não... Claro que não... Tem razão, foi tolice mandar um bilhete... Sem falar que você deve receber vários, não...? É tão... bonita...
Sakura empurrou a franja com ar arrogante e deu de ombros, balançando uma das pernas.
— Com a idade eles vão sumindo... E eu nunca gostei dessas chorumelas românticas, clichê me dá ranço...
— Ela não mente bem pra caralho? Vamos por você em Hollywood, Sakura.
— Mas vamos ao que interessa, porque me mandou o bilhete? O que você quer? Ajuda com alguma investigação?
— Porque veio mesmo depois de tanto tempo?
— Eu faço as perguntas...
— Porque se interessou?
— Você fala demais ás vezes...
— Está interessada em mim?
— Calma, Sakura.
— Você? Me poupe. – Ela cuspiu, impaciente e encarando as máquinas.
— Então porque está aqui?! – Foi ele que bateu na mesa desta vez. — Olhe para mim!
Sakura o encarou, fixa e ameaçadoramente
— Estou encarando. Agora encare você, homenzinho. – Sibilou, Genie sentou novamente, encolhendo os ombros suado e nervoso. — Nos meus olhos, homenzinho. Ou está com medo?
Ele esfregou as mãos com força, alertando-as, a cabeça baixa.
Então ergueu-a e fitou com os olhos castanhos viciosos e perversos injetados de adrenalina por conta do nervosismo.
— Você é que deveria ter, madame.
Ele se levantou, Sakura apenas o encarou de onde estava com desafio, desta vez ele parecia seguro o bastante para revidar com um olhar triunfante ainda que as mãos tremessem muito.
— Eu quero ela fora de lá, agora.— Sasuke ordenou. — Agora!
Genie enfiou a mão no paletó mas foi interrompido.
— Genie! O que pensa que está fazendo?!
Sakura e ele olharam para o lado e depararam-se com Úrsula Bancroft o encarando, a bolsa estruturada num dos cotovelos e olhar repreendedor que rapidamente deixou Genie ainda mais instável, como se uma parte quisesse retornar ao panaca assustado e a outra permanecesse lutando para manter liberta a fera que matou três mulheres.
*
Três horas atrás.
— Eu não entendo como isso pode ter acontecido. Jamais faria algo assim... – O senhor Bancroft afirmou, com voz fragilizada e perdida, a esposa serviu uma xícara de chá.
— É claro que sabemos que nunca faria isso, meu bem.
— Porém, alguém fez, sr., tem certeza de que não conhece nenhum desses homens e nem esta mulher?
— Nunca vi estes tipos, esta moça... Não é a esposa do Hidan?
— Ex esposa.
— Ah, claro. Recordo-me dela em alguns eventos, mas nunca trocamos palavras ainda mais no último ano.
— A saúde dele tem estado mais frágil, Fred quase não sai de casa e estou com ele quase o tempo todo. – Ela explicou.
— Você executa alguma tarefa acerca dos negócios?
— Apenas resolvo algumas coisas no banco e eventos da empresa. Quem cuida dos negócios é Will.
— Entendo... Se você cuida das finanças do seu marido... – Sasuke pegou uma pasta e abriu perto dela. — Sabe me dizer se este cartão de crédito usado para pagar os sequestradores é realmente dele?
Úrsula estudou os dados com bastante atenção, e franziu a testa, intrigada.
— Mas isso é impossível... Esse cartão deveria ter sido cancelado a meses.
— Cancelado? E porquê?
— Fred o perdeu, pedi para cancelarem... Quer dizer....Fiquei de pedir... Mas...
— Mas? – Ela se retesou, muito ansiosa e observou o marido com receio.
— Recordo bem do dia... Fred perdeu o cartão, eu fiquei de ir ao banco resolver mas... Fred teve um inicio de infarto, e acabei desistindo, mas...
— Alguém se ofereceu para ir ao banco no seu lugar, quem?
— Eu não acredito nisso... Ele nunca faria isso, roubar o pai?
— Foi o Will?
— Não! Não foi... Quer dizer... É uma longa história...
— Eu tenho tempo.
Úrsula suspirou, inconformada.
— Will é o filho legítimo do primeiro casamento de Fred. Mas Frederic não foi o mais fiel dos homens nessa época então... Teve um filho fora do casamento... Só soubemos há uns cinco anos, a mãe do garoto vivia em Las Vegas e só revelou de quem ele era filho no leito de morte, então ele nos procurou.
— Presumo que tenha sido uma confusão...
— Nem tanto, fizemos o DNA e acolhemos Genie com todo carinho, ele não tinha culpa da mãe ter mentido.
— Genie queria alguma coisa? Alguma parte da herança?
— Meu filho é um bom rapaz, todos são... Todos são. Os dois. – Frederic protestou.
— Tenho certeza que é um mau entendido, querido, Sr. Uchiha me acompanhe, vou ligar para o banco.
Sasuke e ela se levantaram e cruzaram o gramado e pararam perto da entrada.
— Onde o Genie está?
— Na empresa, ele trabalha na parte de contabilidade. Genie nunca fez questão de se envolver publicamente com a família, sempre esteve feliz vivendo no anonimato, e nós nunca o forçamos a nada. Frederic o ama tanto quanto ama Will.
— A senhora nunca teve filhos com ele?
— Eu não posso ter filhos, mas amo ambos como tal. Apesar de Genie ser um pouco... Excêntrico... Ele sempre me pareceu um bom rapaz.
— E como o Will reagiu a ele?
— Ah, Will nunca se importou muito, ambos são como água e vinho, muito diferentes mas não tem atritos.
— Então porque Genie pegaria o cartão?
Úrsula se empertigou, afobada, mas não sabia o que responder. Ela tampouco fazia ideia de como tudo isso se encaixava.
— Você tem fotos do Genie e do Will, certo? Preciso delas.
— Sim, só... Por favor, seja lá o que houve... Não contem ao Fred, tenho fé que nenhum dos meninos faria algo tão terrível mas.... Se qualquer coisa tiver acontecido, Frederic não suportaria.
— Entendo.
Assim, ela entrou na casa, ligou para o banco e trouxe as fotos dos enteados para ele.
William Bancroft era um bonitão rico que não tinha problemas em esconder isso, já Genie, era totalmente oposto, mesmo sendo dois anos mais novo que o irmão de vinte e nove anos, parecia ter mais de trinta, fora de forma, apagado e desconfortável.
Sasuke tirou fotos das imagens com o telefone e enviou para um colega na delegacia.
Úrsula retornou, muito consternada ao saber que no banco nunca recebera nenhum pedido de cancelamento do cartão.
— Genie conhecia pessoas do exército ou marinha? – Indagou.
— Sinceramente, eu não sei, Genie é muito introvertido, não falou muito da vida em Las Vegas, e aqui ele sempre foi bem... quieto...
Sasuke percebeu que ela tinha dificuldades em assumir que o enteado era um fracassado, talvez esperasse que um dia ele se tornasse tão parecido com o irmão quanto possível e assim a família não teria porque se envergonhar de assumi-lo como filho bastardo caso um dia fossem descobertos. Ela até poderia ser amável e gostar dos garotos, mas ainda era uma socialite que prezava pela melhor imagem na sociedade.
Poderia amar o marido que podia ser seu pai ou avô, mas não deixava de se atentar com a preservação do patrimônio e imagem da família.
Sasuke se afastou, ao toque do telefone, era o colega para quem enviara as fotos.
— Alguma sorte?
— Sakura não reconheceu nenhum dos dois, mas avisou que está pronta para soca-los.
— Imaginei. E quanto a Lilliana? Já a encontraram?
— Ela está na sala agora, olhando as fotos... Hm, não reconheceu o bonitão... Ei! Porra! Alguém! Alguém chame o médico!
— Que diabos está havendo?!
— Puta que o pariu... Cacete... Deem algo para ela!
Sasuke xingou mais ainda, sem entender nada além de vozes e algum choro. Sakura estava lá, então já estava a ponto de voltar pra casa.
— Que inferno está havendo? Onde está Sakura?
— Desculpe, Sakura está bem. É Lilliana, teve uma crise de pânico e vomitou.
— O quê?
— Vomitou... Vomitou só de ver outro.
— Tem certeza?
— Ela tem certeza. Acho que você tem o cara, Sasuke.
Sasuke não fazia ideia do que sentia agora. Esperou meses, quase dois anos para ouvir isso, ter isso. E agora estava nas suas mãos, finalmente.
Estava quase descrente, mas sabia que poderia tentar confirmar um pouco mais agora. Desligou o telefone e se dirigiu a aflita e altiva sra. Bancroft.
— Sra... Pode me dizer só mais alguma coisa?
— Sim...?
— Sua relação com Genie, como exatamente ela é?
Ela piscou, espantada e um monte de coisas passou por seus olhos verdes expressivos, uma delas lhe pareceu claramente ser temor.
*
Agora.
— Ah, caralho como ela chegou lá? Sakura! Caiam fora daí!
Sakura se levantou, tentando transparecer calma e manter o papel.
— Com licença, a Sra. é?
Úrsula a encarou, ainda muito nervosa e irritada.
— Sou a madrasta dele, e você?
— Sakura Haruno, a senhora parece nervosa, porque não sai para tomar um ar? Assim eu me resolvo com seu afilhado...
— Eu estou muito bem e meu assunto com Genie é muito mais urgente, sabe-se lá quando a polícia vai aparecer.
Sakura quase gritou um estrondoso “cacete”, em seu ouvido poderia ouvir a movimentação frenética de Sasuke e os policiais vindo até eles.
Genie piscou, ainda processando enquanto a mulher a dispensava e se voltava para ele.
— Genie! O que deu em sua cabeça? Porquê roubou o cartão do seu pai? Faz ideia de como ele reagiria?!
Sakura xingou internamente, e se aproximou da bolsa. Iria rende-lo logo e acabar com a ilusão da mulher. Sabia que era melhor ela saber logo quão merda este cara era, mas Sasuke preferiu manter a família no escuro mais um pouco por serem muito ricos e haver o risco de algo vazar para a imprensa.
O herdeiro bastardo de uma grande empresa de cosméticos sendo acusado de vários assassinatos, estupros e tentativas de sequestro seria um banquete para a imprensa do país inteiro.
E mesmo Lilliana o reconhecendo, ainda precisavam de um pouco mais para pegá-lo, até então só podiam ligá-lo a tentativa de sequestro de Sakura. Para o terem sob custódia e assim pegarem DNA sem precisar temer que os advogados da rica família viessem com rodeios na lei, um bom flagrante deveria ser suficiente, ainda mais se ele fosse pego caindo na tentação dos olhos verdes.
— Polícia? Que polícia? — Ele interrogou, transtornado.
— Você pagou para sequestrarem uma pessoa! Genie! O que estava pensando? Olhe pra mim quando estiver falando com você!
Sakura apertou os olhos se perguntando quanto mais esta velha abriria a boca. Genie a fitou na mesma hora, incrédulo.
— Você... Você... Sabe que fui eu...?
Sakura bufou, pegando a bolsa de forma mais natural.
— E... E ainda sim você veio...? – Alternou a vista para a madrasta. — E a senhora também...
— Hã?
— Senta a bunda aí, cara você viaja muito.
— Vocês vieram, as duas, pra mim. Agora tenho as duas....
Sakura bufou, ele enfiou a mão no terno no mesmo momento em que a polícia invadiu a cafeteria e o caos tomou conta.
Genie parecia realmente absorvido na ilusão que tinha de ter duas belas mulheres a disposição, tanto a que sempre desejou mas não tinha coragem para se aproximar quanto Sakura, a obsessão mais recente por ser tão mais próxima do ideal que Úrsula era, que talvez até a superasse, em seus delírios.
Ele puxou um pequeno canivete e puxou o braço de Úrsula.
— Vão vir comigo as du-...
A bolsa de Sakura foi parar no rosto dele enquanto a outra mulher gritava, Genie recuou tonto e a soltou, jogou a bolsa no chão e veio na direção dela ensandecido em sua ilusão de que poderia dominar ambas tal como as outras.
— Venha comigo ou...
Sakura no entanto, não estava com paciência nem tampouco tinha consideração com o maldito para tentar ameaça-lo ou esperar a polícia o conter.
Atirou duas vezes no peito, ambas no esterno acima do coração, as pessoas na cafeteria gritaram ainda mais aterrorizadas e Úrsula se encolheu nos braços de um policial.
Genie Stuart caiu sobre os joelhos, ainda segurando o canivete e a fitou completamente incrédulo e desconsolado.
— Atirou em mim...
— É. – Ela declarou, com frieza, abaixando a arma e aproximando-se.
— Porquê...?
— Porque você é uma escória, é isso que faço com a escória. Queria saber porque eu vim atrás de você, homenzinho? Foi por Leona Davies e Alice O'Brien que você impediu de terminarem a faculdade. – Rosnou na cara dele. — Por Shonda Peterson que não pode se tornar atriz, por Lilliana Wolkin que você traumatizou... – Segurou-o pela gravata, quando ele ameaçou tombar e sua voz reverberou ainda mais alta — Por Cristina Putnam! Que por sua causa não vai ver mais os filhos e o marido! – Arquejou sorriu com triunfo e raiva ao ter ainda mais certeza que o tinha nas mãos para entregar á justiça. — Por Elisabeth Sutter... a estagiária que você perseguiu por meses no trabalho, quando ainda morava em Vegas. Achou que não descobriríamos?! Ela não tem olhos verdes, e isso só mostra que nenhuma delas tinha culpa do lixo que você é ou que se tornaria! – Sakura largou a gravata e desceu o punho em seu nariz, ele tombou para trás, arrastando alguns centímetros no piso.
Ergueu-se, inspirando profundamente e olhando-o com nojo.
— E é por mim também, por te achado que poderia vir me pegar. Agora você vai apodrecer na prisão, em nome de toda mulher país neste país, e pra ensinar uma lição a toda escória que pensar em agir como você um dia.
Ela cuspiu sobre ele enquanto os policiais checavam que ainda estava vivo e só então se afastou, depois de pegar a bolsa que uma policial fez questão de a entregar e deixar o local da mesma forma altiva e majestosa com a qual entrara.
Matsuri a acompanhou e Sasuke, antes de ir até ela, decidiu ter o próprio gosto antes. A polícia ergueu Genie Stuart, os tiros de Sakura o pegaram de forma superficial o bastante, ele estava mais em choque com tudo do que com os ferimentos.
Puxou o pulso dele, o encarando.
— Genie Stuart, está preso por três homicídios, dois estupros, duas tentativas, perseguição e ameaça, tentativa de sequestro e roubo de cartão de crédito. Isso acaba aqui, Green Eyes. Alguém leia os direitos dele. — Ordenou.
— Com prazer, chefe. – Karin tomou a dianteira com gosto e assim o séquito que os levava conduziu o homem para o elevador, depois fora do prédio, onde já havia uma ambulância, várias viaturas, imprensa e curiosos já aguardavam.
Genie foi para a ambulância como um bicho acuado com todos os flashs, perguntas, xingamentos e pessoas em torno, a ambulância partiu cercada pelas viaturas.
— Já estão sabendo? – Matsuri confirmou.
— Alguém na empresa foi jogando twittes, acho que filmaram tudo, essas coisas espalham rápido.
— Imagino... – Sasuke não queria saber disso no momento, aproveitou que estavam todos mais interessados em falar do caso e seguir a ambulância do que perguntar ao delegado e foi até o encontro de Sakura.
Ela desceu do carro, que estava com as portas abertas e veio abraça-lo com alívio e ainda um pouco de dor e raiva no rosto.
— Pronto, acabou, querida. – Afirmou, esfregando suas costas.
— Eu devia ter matado ele. Matado aquele rato desprezível. – Ela chorou, ele negou.
— Ele vai ter o que merece, poder ter certeza. Isso é justiça. Lilliana e Elisabeth Sutter vão destruir a reputação dele, já encontramos fotos noutro altar de alvos no apartamento dele e também fios de cabelos que devem ser das vítimas, okay? Uma única amostra de saliva e esse bastardo vai lutar pra não pegar pena de morte.
Sakura assentiu, ainda tensa. Um lado gritando mais justiça e sangue, um lado com medo por ter sido quase uma vítima, um lado finalmente satisfeito, o outro, temendo ter um filho ou filha neste mundo em que hora outra sempre poderia surgir um Green Eyes ou qualquer outro assassino na sua porta, no ponto de ônibus, num pub ou na praça.
Ele compreendia isso, pois era impossível não ter o mesmo medo, não importava se ela carregava um garoto forte ou uma menininha, o temor de não ver o filho deles voltar pra casa um dia era indiferente a isso.
Mas de uma coisa tinha certeza, jamais iria se intimidar e lutaria pra manter esta cidade segura, agora não só para os filhos dos desconhecidos, não só por Boruto e Himawari, Kenton, Noein, até mesmo o filhinho de Hidan, era para o bebê deles também crescer como merecia, como qualquer um merece.
Sasuke segurou o rosto dela, e sorriu amorosamente.
— Vamos pra casa, parceira? A missão do dia acabou, hora de lidar com os relatórios chatos.
Sakura riu um pouco, de repente se sentindo exausta.
— Eu odeio relatórios chatos ainda, mas desta vez eu quero todos. Vamos pra casa, por favor, quero sossegar com nosso bebê e nosso menino.
— Certo, vamos.
*
Os primeiros dias foram um caos completo, uma mistura de mídia em massa, documentações, provas periciais, promotores, testemunhas, advogados de defesa e a atenção pública total sobre qualquer um próximo ao caso.
Não era a primeira ou a segunda vez que Sakura acompanhava um caso de grande repercussão pela TV e jornais, mas estar no olho do furacão era algo que a fazia repensar tudo sobre estar neste trabalho, nunca dava para saber se o próximo assassinato era passional como uma dezena ou o primeiro de outra dezena de mortes programadas por uma mente perversa.
Ás vezes até uma morte de briga de bar causava muito estrondo, e embora ela achasse que isso era uma prova boa de que nem todo mundo estava contentado e apático em relação ao estado atual da sociedade, não era como se desejasse estar na frente de uma lente toda vez que fizesse o trabalho. Holofotes jogavam alvos sobre a cabeça das pessoas também.
Talvez se não estivesse com um pedaço de carne sua e de Sasuke sendo formada dentro de si a custo de muitos hormônios e comida, ela lidasse com esta tralha melhor, mas sua preocupação maior era Noein no meio disso tudo.
Ele era grandinho o bastante para entender, mas não significava que não se afetasse, e sabia que o juizado estava atento a isso.
Agora tinha uma pequena horda de repórteres acampados na frente da casa, Sasuke estava na delegacia cuidando dos últimos retoques para mandar o caso fechado para a promotoria, Noein estava num passeio da escola e ela estava sozinha, louca para comer pretzels mas proibida de sair por causa dos urubus.
Bom, se não iria até os pretzels, se não podia ligar e pedir porque os telefones estavam ocupados de tanta gente otária ligando, ela faria os dela ela mesma.
Vestiu um short velho e um top franzido de ombros caídos pois estava um calor infernal e temia que se vestisse algo mais, o bebê cozinharia.
Sentou-se na passagem da porta da cozinha para pegar alguma brisa e assim deu início a receita ali mesmo, tudo ia perfeitamente bem tirando o vento que jogava trigo em sua cara vez ou outra e Gibson roubando um ovo da tigela de ovos e o quebrando no chão por achar que era uma bola. Ele ainda perderia as dele....
E então havia calor, o cão burro querendo mordiscá-la para brincar, e a massa de pretzel esperando ser sovada com toda força e vivacidade... Que ela já não tinha mais.
Sakura deixou os ombros caírem encarando a massa sobre a tábua entre suas pernas, louca pra que de alguma forma isto ficasse prontinho e gostoso num piscar de olhos e ela pudesse comer e saciar esse bebê dentro dela.
Suspirou encarando Gibson e se perguntando se havia alguma forma de fazer isso sem acrescentar o pelo dele na receita.
— Que diabos faz nesse chão feito uma bola? – Ethan interrogou surgindo na cozinha como um... Passe de mágica?
Mágica ou não, ele tinha músculos, e ela, um cérebro.
Ele a fitou totalmente desconfiado quando ela sorriu segurando um bolo de massa de trigo mole.
— Gosta de Pretzel?
*
— Não vou dar entrevistas nem receber ninguém. Adeus. – Sasuke foi sucinto enquanto colocava o carro pra dentro e fechava os vidros, com a garagem finalmente fechada, Noein baixou o capuz da camisa que vestia e deixou o banco sentindo-se meio como filho de celebridades.
— Eles são bem insistentes, hein?
— São pagos pra isso, infelizmente. Enquanto que eu não recebo um extra por aturá-los, infelizmente. – Sasuke resmungou, pegando a pasta no painel e entrando em casa. — O que você leva aí?
Noein deu de ombros segurando uma caixinha de papel amarrada com um fio verde.
— Lanche pro bebê.
Sasuke achou graça, isso era coisa de Sakura, certamente.
— Pro bebê, hein?
Noein fez muxoxo.
— Se eu digo que é pra ela, vai dizer que a tratamos como uma orca domesticada...
— E se disser que é só pro bebê, ela vai dizer que ninguém liga pra ela e só a tratam como chocadeira...
— Cara... Mas o que eu digo então?!
— Nada, deixe que ela fareje e tome de você, também não reaja, já te falei de como ficou o olho do Sui daquela vez.
— Tipo, jogar e sair correndo?
— Garoto inteligente...
Sakura os abordou já na entrada da cozinha, sorridente e com uma tigela cheia de pretzels ainda quentes toda suja de trigo. Noein sorriu e escondeu a caixa atrás de si.
— Oi! Porque demoraram tanto?
— Trânsito. Como foi seu dia, hm?
— Tedioso! E você, querido? Quer pretzel? – Indagou para Noein, ele assentiu, estendendo a mão pra tigela mas Sakura a desviou e apontou para trás. — Pega lá com seu tio Ethan, esses são meus.
Só então Sasuke notou um Ethan sujo de gordura e trigo ao pé do fogão com cara de quem adoraria esganar uma gestante, Sasuke conhecia a expressão, vez ou outra Sakura o fazia vê-la no espelho.
— Pretzels, hein?
— Se abrir a boca, planto maconha no seu telhado. – Ele rebateu, entregando uma rodada de pretzels para Noein.
— Ai, que mau humor. E como foram as coisas, malandro? – Sakura indagou, muito bem humorada entre uma mordida e outra. Sasuke abraçou sua cintura, dando um breve olhar repreensivo pra toda a comilança dela.
— Dentro dos conformes, ao menos, estamos correndo com as coisas por conta da opinião pública em cima, mas o caso deve ir a júri logo.
— É ótimo ouvir isso, não sabe o quanto quero que essa fase acabe logo.
— Eu sei, querida, mas as coisas vão melhorar rápido, com o tempo a maior parte das pessoas perde o interesse e a mídia também. Claro que o julgamento vai ser como um show mas nesse meio tempo até lá, teremos paz novamente.
— Tomara. Então, não está com fome?
— Não que eu esteja desdenhando da habilidade do seu irmão na cozinha, mas tem algo além de pretzel?
— Hmm... Lasanha congelada? – Ela sugeriu, com olhar de desculpas, Sasuke suspirou.
— Me conformo, até compensa ver você com essa barriga linda suja de trigo.
Sakura riu.
— Ah, eu não quero lasanha de congelador...- Noein resmungou.
— Ora, sem problemas, podemos comer isso aí que você trouxe...
Sakura girou como um pião rosa redondinho na direção do garoto que quase se jogou pro chão.
— Você trouxe comida?
— É brincadeira isso? – Ethan estava descrente e indignado.
Sakura rodeou o balcão e Noein empurrou logo a caixa que trouxera para ela.
— Hmmm! O que trouxe aqui, hein?
— Eeer... torta de limão, da lanchonete do Museu.
— Nossa! Nossa! Nossa! Nooossa! Está tão cheirosa! Obrigada! Vou adorar comer isso mais tarde.
— Tarde? Que horas? É hora do jantar...
— Diga isso ao bebê, ele que me faz levantar às três da manhã. – Sakura levou a torta para a geladeira e Ethan pegou a jaqueta sobre a cadeira e se dirigiu para fora, passando por Sasuke.
— Pensei que ela tivesse engravidado por meios naturais, parece que a inseminaram com esperma de Alien, porra.
— Foi totalmente natural, me orgulho e sinto falta...
— Humpf.
Ele partiu e Sakura retornou com os olhos brilhando e Sasuke já sabia do que seria, quis chorar. Talvez se fosse mesmo esperma de alien ele poderia dividir a responsabilidade. Uma nave alienígena certamente o levaria mais rápido até os confins de Los Angeles para comprar o próximo desejo do bebê.
— Já que os pretzels já fizeram sua parte, a lasanha foi descartada e a torta vai ficar pra mais tarde... Que tal comermos Chilli?
Sasuke pegou as chaves novamente e beijou o rosto ela.
— Tentarei não demorar, vá tomar um banho, certo?
— Adoro você!
— Aham.
Sasuke se mandou para a porta, quando percebeu, Noein estava em seu encalço.
— Quer vir mesmo?
— Está brincando? Vai que o “bebê” resolve me conhecer antes da hora? Eu não quero ir pra barriga dela dessa forma, já fui gestado uma vez nesta vida, já está ótimo....
Sasuke não achava que chegaria nesse extremo, mas tinha dois por cento de experiência com grávidas e lembrava de vez ou outra Naruto e Itachi dizerem que temiam ser comidos vivos pelas esposas.
Que bom que o lanche da madrugada já estava garantido ou ele não dormiria tranquilo do lado dela hoje.
— Mas assim, tem certeza que ir pro forno uma segunda vez não ajudaria? Essa primeira não deu tão certo, você é feio pra caramba. – Provocou.
— Pelo menos eu sou novo e apetitoso, você não dá mais nem caldo, velho.
— Quando você for mais velho vai entender o quão bom é ser mais maduro e experiente, garoto.
— Ah tá.
Sasuke nem insistiu, sabia que logo a puberdade faria o pirralho pagar pelo desdém.
*
Lídia passou pela casa com uma pressa estranha para o habitual, ainda mais agora que a casa estava muito vazia para exigir que cuidasse das coisas com demasiada antecipação.
Lisa gostaria de poder dizer que sentia falta disto, da casa, mas por mais que fosse seu lar, ela sempre sentira que o rancho era mais como um lugar de exílio. Talvez por ter sido a única dos filhos do seu pai a viver a vida toda lá, e por eles sempre estarem distantes, suas voltas nunca serem algo super comemorativo, mas uma obrigação a mais.
Talvez ela fosse culpada por nunca ter percebido isto, mas agora que tinha sua própria casa e obrigações, estar no rancho tornou-se outra obrigação e talvez finalmente entendesse um pouco esse distanciamento dos irmãos.
Era ainda mais palpável quando não os via desde a ocasião do seu próprio casamento, como se uma ruptura ainda maior houvesse sido aberta entre eles, tornando-a ainda mais distante deles, e também, afastando-a do pai mais do que imaginara que se afastaria.
Não era que houvessem mau entendidos, mas Lisa permanecia se indagando depois de quase dois anos, essa indagação ganhava mais tom cada vez que recordava.
Porque ele não os procurou?
Porque eles nem mesmo ligam mais?
Porque ela sua irmã, não estava mais aqui?
Porque ela não veio nem mesmo na ocasião dos últimos natais? E porque, por conseguinte, seus irmão se afastaram mais ainda?
Lisa até gostaria de sentir como se fosse um tipo de conspiração, mas era que talvez fosse muito desonesto pensar assim.
Decidida a deixar a mãe falando sozinha distraidamente sobre como era melhor que os netos começassem a vir logo. Lisa abandonou o antigo quarto e deixou o andar, ao chegar a sala não foi difícil vislumbrar através da janela que o pai continuava balançando na cadeira da varanda.
Suspirou, e seguiu para a cozinha, deparando-se com Lídia a enfiar um bocado de folhar de jornal na lixeira com pressa.
— Lídia? – A boa senhora deu um saltinho e um grito, voltou-se para ela e sorriu amarelo.
— Srta. Lisa! Precisa de alguma coisa?
Lisa sempre havia deixado escapar que era tratada mais como patroa do que como alguém carinhosamente próximo, em comparação a ela. Ainda assim, não sentira como se fosse uma diferenciação maldosa.
— Eu... Mamãe gostaria de um pouco de chá.
— Ah! Claro... – Lídia afastou-se da lixeira com certa relutância, mas se apressou para pegar uma bandeja e louças. Lisa pegou alguma água na geladeira e observou a mulher deixar a cozinha.
Pousou o copo na bancada e se aproximou do lixo com um pouco de nojo, mas notando que só havia papel, pegou algumas folhas do jornal.
Não notou nada demais além da intensa cobertura midiática sobre um caso de assassinato. Seu marido havia comentado alguns pormenores compartilhados por colegas que trabalharam perto do caso, mas ela não se interessara por achar tudo horrível demais.
“Caso Green Eyes.
A lista de vítimas...”.
Lisa sacudiu a cabeça um pouco indignada que a mídia transformasse isso num espetáculo. Inclusive para dar um destaque e dramaticidade maiores, chegando a por fotos das vítimas em preto e branco deixando unicamente os olhos verdes em destaque.
Lisa passou os olhos rapidamente pela fileira de fotos e olhos, moças e mulheres bonitas e com futuros promissores, no entanto, a última foto chamou a atenção por conter mais do que o nome.
“A quase vítima e coringa da polícia...”.
— Major... Sakura Haruno...?
*
— Majestade? Majestade? – Sasuke chamou, sem encontrá-la no quarto, seguiu até o escritório e encontrou-a sentada na cadeira próxima ao ninho de Tinny e rindo com um dos filhotes no colo.
— Querida, está na hora?
— Hum? Já? Okay...- Ela respondeu, na verdade sequer dando atenção e coçando a barriguinha do Elvis, Sasuke revirou os olhos.
— Querida, larga essa bola de pelos cafona, vamos.
— Onw, deixe meu Cherry em paz... Ele é tão amorzinho, né? Hahaha, que vontade de apertar todo.
Sasuke riu e beijou sua cabeça.
— Vamos lá, amor. Ou vamos nos atrasar.
— Ai, okay. – Sakura resmungou, pondo o filhote de volta com os outros e se levantando, catou a bolsa na mesa. — Vamos? Noein já está pronto?
— Lá em baixo.
— Okay.
— Nossa, toda arrumada, hein?
— Hum? O quê? Você acha?
— Parecendo uma madame... Anda chique demais, não?
— Eu? Exagero seu... – Sakura gabou-se saindo, Sasuke acertou seu traseiro.
— Cuidado com essa marra, hein? Tá gostosa demais pro meu gosto, não quero homem dando em cima.
— Vai se danar! Palhaço!
— Estou de olho. – Ele avisou, Sakura bufou, muito envaidecida, na verdade.
Desceram as escadas, Noein assistia TV junto de Gibson.
— Vamos lá.
— Okay!
A campainha tocou, e Noein abriu a porta enquanto Sasuke continuava azucrinando Sakura.
Abriu a porta e deparou-se com uma moça bonita e chique que o fitou com estranheza.
— Pois não?
Sakura e Sasuke vieram, rindo.
— Quem é, querido?
— Uma... Madame?
— Madame? Pois diga que já temos a nossa. – Sasuke riu, beijando o rosto de Sakura.
— Palhaço...
Sakura o empurrou de perto e pousou as mãos nos ombros de Noein, seu sorriso morreu ao reconhecer a pessoa diante de si, e o desagrado e raiva de imediato afloraram.
— Elisabeth, o que faz aqui?
Fale com o autor