Killer Queen
7 Rainha (Re) Ativa
Notas iniciais
— Pisa no acelerador, malandro, quero chegar na hora da ação ainda. – Sakura reclamou, praticamente sentada com o corpo pra fora da janela, gritando pra todo mundo sair da frente.
Ele havia posto a lâmpada da polícia no teto do carro, e ligado o sinal sonoro, mas o trânsito ainda estava meio caótico daquele lado da cidade.
— Sai da frente! Não tá vendo essas luzinhas não, porra?!
— Fica quieta, sua louca! – Gritou pra ela.
Logo chegou onde a polícia fazia um cerco, impedindo a entrada de veículos nas docas, passaram mostrando os distintivos e ele dirigiu entre dezenas de galpões enormes, até achar o que estava praticamente cercado de policiais e carros, havia uma ambulância e Sasuke desceu, vendo dois policiais aparentemente baleados sendo atendidos.
— Que diabos aconteceu?! – Perguntou, quando finalmente encontrou Juugo, ele estava suado e parecia ter entrado em ação mesmo, além de furioso, o que era raro de se ver.
— Foi um desastre, cara.
— O que aconteceu? Estavam planejando isso a meses.
— Eu não sei bem, foi tudo muito rápido, tínhamos o mandato para entrar nesse armazém e revirar tudo, já tínhamos provas de que estão passando armas e drogas aí, mas cara... Tinha um... um contêiner, cara, já estava dentro do navio, por isso pudemos tocar.
— O que tinha no contêiner? – Sasuke indagou, se preparando para a resposta.
— Pessoas.
Ele e Sakura se entreolharam, ela cruzou os braços absorvendo a informação mais rápido do que ele.
— Tráfico de pessoas.
— Mulheres, alguns homens, até crianças. – Juugo disse, como se revivesse a cena. — Pessoas, cara. Como animais.
Sasuke tocou seu ombro, sacudindo-o um pouco. Sakura suspirou, encarando outro ponto.
— Vi muito isso. – Disse.
— A coisa é bem pior. – Juugo esfregou o rosto — Acho que o chefe está aí, o peixe grande, nós sabíamos que iria um navio lotado, e que ele poderia aparecer pra conferir pessoalmente, mas agora, temos certeza do porquê da importância. Tá cheio de vagabundo armado até os dentes, queremos invadir mas não sabemos quantos tem, e é provável que tenhamos mais contêineres com pessoas, que eles podem usar a vontade.
— Não exigiram nada pelas pessoas?
— Ainda não, estão apenas acuados, atirando em quem tenta entrar, é muito grande aí dentro, contêiner pra porra.
— Estão protegendo o vagabundo maior, eles vão tentar escapar de algum jeito, se não, vão fazer exigências. – Sakura disse.
— Onde está o Kakashi? Ele me chamou.
— Kakashi? Porquê? Achei que tinha vindo por causa da TV.
— Kakashi não está no comando? – Juugo negou, novamente irado.
— Sai está no comando, junto com o Inuzuka, estão latindo pra todo mundo aqui, estão sendo forçados fora, mas não largam o osso, Kakashi está observando, não sei porquê.
— Também não.
Sasuke bateu no ombro dele, o deixando sentado ali naquele barril e seguiu com Sakura até o cerco policial, havia apenas um dos portões do galpão aberto, para onde as armas e exigências eram apontadas. Provavelmente onde pretendiam invadir primeiro. O navio cargueiro que levaria a carga suja, ainda estava ancorado lá e policiais provavelmente ainda faziam vistoria neles.
Sasuke viu Sai gritando com os policiais da força tática, apontando mapas e tudo mais, sua pele de cera estava uma pimenta, e outro cara, que ele reconheceu por estar com um vira-lata do lado, também latia para outros policiais mais desnorteados pelos gritos do que pela situação.
— Ah, chegaram. – Kakashi disse, vindo até eles, já de colete.
— Que inferno é esse? Porque diabos aqueles dois ainda estão no comando?!
— Bom a operação ainda é deles, aliás, era sua e de Sai, vocês desfizeram a dupla.
Sasuke rosnou, havia mesmo saído do caso por conta disto, mas não se importara realmente, sua onda sempre foram os homicídios e não esquemas de tráfico de drogas.
— Eles estão claramente fazendo merda e você está tranquilo? E aqueles policiais feridos?!
— Ninguém foi baleado, foi acidental mesmo, eles caíram de um contêiner que estava avariado. – Kakashi esclareceu.
— Porque nos chamou? – Sakura indagou, enfadada. — Os vira-latas ainda estão no comando, e nem tem nada acontecendo, é só pra assistir esse show de megafone?
— Na verdade, eu pensei que pudessem querer ajudar.
— Ajudar? Pergunte a ele, ele vai deixar? – Sasuke desdenhou, apontando Sai que já veio em sua direção espumando de raiva.
— O que faz aqui, Uchiha? Essa operação é minha. – Rugiu em seu rosto, Sasuke riu, revirando os olhos.
— Porque eu quis deixar que fosse, se ainda estivéssemos juntos, eu estaria no comando, e talvez não tivesse chego a isso. – Provocou.
Sai ficou ainda mais vermelho, ergueu a mão apontando seu dedo.
— Olha aqui, velho filho da puta. – Sasuke encarou seu dedo e seu rosto com um olhar de ameaça.
— Abaixa esse dedo pra falar comigo, filhote. – Avisou.
— Mova seu rabo pra fora, você não tem nada aqui, caralho.
— Chega, os dois. – Kakashi cortou, intrometendo-se entre os dois.
— Vá cuidar do seu parceiro de ração. – Sasuke jogou, Sai riu, sardonicamente.
— Ainda não comeu o rabo da sua parceira, por isso está aqui enchendo o saco?!
— Que porra está insinuando?
— Melhor repensar o que diz. – Kakashi avisou. Sai continuou, risonho e venenoso.
— Na hora que soube que iria pegar uma parceira mulher, já sabia que me daria bem, você provavelmente passaria mais tempo trepando no seu carro do que indo investigar, cadê ela, afinal? Ainda não fomos apresentados! – Ele olhou em volta, Sasuke percebeu que ele só estava sendo ainda mais estúpido por estar cedendo ao estresse causado por toda aquela responsabilidade.
Era um menino brincando com coisa grande.
Olhou em volta também, não vendo Sakura. Imediatamente encarou Kakashi, os dois se perguntando se a louca já não tinha invadido o lugar em busca do mesmo tipo de ação que tinha nas forças especiais.
Sasuke não era burro, ela estava louca pra ter permissão de atirar.
— Não entendo sua implicância com quem eu fodo, mas não misturo trabalho com sexo e nunca vou misturar. – Respondeu, impaciente.
— Se eu fosse implicar com quem você fode, estaria fazendo isso com metade da cidade, do departamento!
— Isso é inveja ou algo assim?
— Seu escroto filho da...- Kakashi entrou na frente, o encarando em aviso.
— Comece a mostrar alguma maturidade e foco, ou tiro essa operação das suas mãos.
Sai o encarou, indignado.
— Vai dar pra ele?!
— Eu não disse isso, disse?
— Hey, malandro, delegado? – Sakura disse, se aproximando novamente ao lado de um policial da tática.
— Onde diabos você se meteu? – Sasuke rosnou pra ela, ela o encarou com enfado.
— Trabalhando, enquanto você troca latidos com esse filhote aí.
— Descobriu alguma coisa? – Kakashi indagou.
— Tive uma ideia, quando fazíamos operações que envolviam resgates de reféns tanto a noite quanto de dia, usávamos uns binóculos com visão noturna, isso ajudava a identificar o número de reféns, onde estavam, e também o número de pessoas que as vigiavam.
— Prossiga. – Kakashi disse, pensativo.
— Prosseguir?! Isso é ridículo, táticas de exército pra pegar uns capanguinhas?! – Sai explodiu.
— Sai...
Sakura coçou a sobrancelha, suspirando, e então acertou a testa dele com o indicador a fazendo encara-lo, e chegou perto.
— Hey, moleque, quando eu estiver falando, você abaixa esse rabo, cala a boca e ouve. Você não é merda nenhuma aqui, ouviu o delegado me dizer pra prosseguir, me corta de novo, e eu corto você.
— Eu mando nessa operação. – Ele rosnou de volta e ela o encarou com ainda mais violência borbulhando no olhar.
— Me corta de novo, e vou te deixar tão quebrado que não vai conseguir mandar nem nas fraldas que vai vestir. Eu vou te deixar vegetando, moleque.
Sakura se afastou lentamente, o olhar de um assassino que espera ansiosamente ser desafiado novamente pra ter o prazer de estraçalha-lo.
Inspirou novamente e encarou os outros três homens, calados.
— Falei com o garoto aqui e ele disse eles têm algumas destas belezinhas, façamos assim, encontramos um lugar alto, pra ter a melhor visão possível lá de dentro, alguém corta a energia por algum tempo, no escuro é mais fácil de identificar, faço rapidinho.
Sai se empertigou, irado, os três o olharam e Sasuke tinha decidido que ele o faria vegetar antes de Sakura encostar nele.
Estava no limite com Sai.
Mas ele engoliu, o que tinha pra falar e saiu rosnando.
Sakura ignorou completamente e prosseguiu.
— Duvido que dê pra contar quem está armado, mas dá pra diferenciar quem está cativo e acredito que já seja alguma coisa.
— Tinha gente nos contêineres. – Kakashi suspirou.
— Já sabemos. – Ela e Sasuke disseram.
— É até melhor assim, uma equipe entra e se concentra em tirar essa gente de lá o mais rápido possível.
— Deixa os vagabundos lá...- Sasuke começou, ela o encarou, dando de ombros.
— E o chumbo pode comer à vontade pra vagabundo que quiser encarar.
Ele gostou desta parte.
Encararam Kakashi. Ele ainda refletia tudo, provavelmente pensando no que mais fazer.
— Muito bem.
— Isso. – Ela vibrou socando o ar.
— Minha parceira. – Sasuke brincou e ela já lhe mandou um olhar de aviso.
— Vai comer chumbo pelo rabo se vier se pendurar na minha genialidade.
— Deixa de ser fominha.
Kakashi se voltou ao outro policial.
— Me arranje um binóculo desses, sim?
— Sim senhor!
Kakashi seguiu até o carro que era usado como base tática, com capô recoberto de plantas das docas, o qual Sai praticamente fulminava tentando formular uma nova tática, rodeado pelos policiais.
— Ótimo, tive uma ideia, vão todos...
— Ideia abortada, vou usar os binóculos. – Kakashi cortou, se aproximando e puxando as plantas, Sai socou o capô do carro, furioso.
— Mas que merda, senhor!
— Comece a controlar seus acessos de fúria, garoto. – Kakashi avisou.
— Ao menos ouça meu plano!
— Estou ouvindo, mas vou usar os binóculos mesmo assim, onde está a caixa de força desse lugar?
— É bem aqui. – Sasuke indicou, na folha. Como trabalhara na operação, ainda em fase de planejamento, ainda sabia muito sobre ela. — Geralmente tem um só painel enorme na entrada das docas, onde também comandam as máquinas que embarcam e desembarcam os contêineres, mas cada armazém tem um painel também, é melhor desligar aqui mesmo.
Sakura estava encostada no carro, olhando para o armazém, no alto quase na linha do telhado era que haviam as janelas, mas entrar por ali era se tornar alvo fácil de tiro, com certeza os caras estavam de olho em movimentação suspeita. E era dia também.
— Aqui senhor. – O policial retornou com um binóculo de metal espesso e pesado, este modelo era preto, mas Sakura o reconheceria de longe, sentiu nostalgia só de olhar e pegou da mão dele.
— Olha essa belezinha. – Ela disse, já o ligando e ajustando, experimentou — Está muito bom.
— Sabe usar isso mesmo, não é? – Sasuke disse.
— Claro que sei, só preciso do lugar perfeito e já sei como.
— Mais ideias? – Ele revirou os olhos
— Mais ideias sim, tá com inveja? – Sakura baixou os óculos e apontou para o enorme guincho que sustentava um contêiner no ar, parado. — Alguém sabe pilotar aquele bebezinho?
— Posso arranjar. – Kakashi disse.
— Quero aquele contêiner em cima daqueles contêineres. – Apontou os que estavam empilhados perto da parede do armazém — Dali, a gente usa uma escada, eu subo, dou o sinal, vocês desligam as luzes lá dentro, dou uma espiada com esse neném aqui – Ergueu o binóculo. — Volto, e vamos ter uma ideia de como prosseguir lá dentro.
Sasuke imaginou tudo pela mente e não gostou. Ela subiria numa escada apoiada em um contêiner e inclinada contra a janela do armazém, a pilha de metal e o prédio estavam a uma distância de pelo menos dez metros entre si, somando tudo isso a altura da janela, havia pelo menos uns quinze metros de abismo terminando em concreto duro no chão.
— Se você cair vai virar patê, madame. – Sai ecoou os pensamentos dele, com um tom maldoso.
— Eu já caí de um avião e nem sabia se o paraquedas funcionava, filhote. Na verdade, nem tinha paraquedas.
— E como sobreviveu?
— Caí no mar.
— Hah.
— A queda matou dois colegas meus, homens de família, pais. – Ela o encarou, mortalmente. — Acha que quis pular de um avião pra brincar? Acha que a Marinha é isso, neném? Isso que vocês fazem aqui que é brincadeira. Arruma a porra da escada, eu vou brincar.
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— Tudo bem aí? – Sasuke indagou, pelo rádio. O tempo todo olhando pra cima.
— Tudo ótimo. – Sakura disse, através da escuta, enquanto escalava uma longa escada, levando o pesado binóculos por meio de uma alça. — A visão tá boa?
— Com certeza, rabo espetacular.
— Otário.
Ela finalmente chegou até as janelas, primeiro olhou, procurando ter certeza de que o plano não fora notado.
Haviam soado tiros e ameaças, quando eles usaram o guindaste para mover o contêiner.
Os caras estavam mais que acuados lá dentro, não tendo ideia real do que estava acontecendo lá fora, e isso era perigoso.
Sakura puxou o binóculo e o ajustou novamente, posicionou e então ergueu uma mão, dando o sinal pra ele, e ele, que estava de pé sobre o capô do carro, acenou para a equipe que estava perto da caixa de força, um dos policiais desligou toda a força, o lugar se apagou lá dentro.
— Agora deixe-me ver...- Ela disse — Ah, estou vendo.
— Você tem um minuto, antes que achem que vamos entrar, Kakashi vai anunciar que foi apenas uma queda de energia, para que não ameacem matar alguém.
— Tem mais alguém de refém além das pessoas dos contêineres? – Sakura indagou, estranhando algo.
— Não que eu saiba.
— Merda. Várias merdas.
— O que foi?
— Merda um: Tem pelo menos mais seis contêineres com pessoas, muitas pessoas, lotados, temos que ser rápidos, muita gente morre dentro dessas coisas antes mesmo da viajem começar.
— Okay, melhor deixar as ambulâncias já esperando fora das docas.
— Muitas ambulâncias. – Ela reforçou. — Merda dois: Tem vagabundo pra caralho aqui, cara, não tem jeito vai ser uma guerra.
— Merda.
— Eu disse. Merda três: Não consigo ver ninguém em posição de comando, então não sei onde podemos ir pra chegar no tal cara, estão espalhados por todo o lugar.
— Mais merda?
— Sim. Merda quatro: Eles têm pessoas fora dos contêineres, não posso identificar a olho nu, estão fora do meu alcance visual, cerca de dez, no chão, deitados, tem um grupo armado com eles, temos que ir neles primeiro, os contêineres fechados oferecem um pouco de segurança pra quem está lá dentro.
— Não vão conseguir usa-los pra ameaçar durante um tiroteio.
— Yeah.
— Ótimo, desça daí, seu tempo acabou, por mais que eu e todo o departamento estejamos adorando ver seu rabo empinado nesta escada.
Sakura xingou começando a descer, Kakashi que estava no chão, cronometrando tudo no relógio, lhe deu o sinal que ele repassou para o pessoal da caixa de força, e as luzes foram acesas novamente.
O delegado recebeu o megafone e seguiu para a entrada isolada, para anunciar que fora uma queda de energia e ninguém estava tentando invadir.
Novamente insistiu por cessar fogo e por uma negociação.
Sakura desceu da escada que foi usada para subir nas latas empilhadas e veio apressada até o carro.
— Me dá uma folha. – Ordenou, pegando uma grande folha branca e fina, jogou sobre a planta do galpão e encarou, passando e rememorar o que viu. Circulou e desenhou com uma caneta piloto vermelha. — Estão concentrados na ponta de lá, os contêineres com as pessoas estão distribuídos pelo lugar.
— Eles não deixam tudo junto, misturam entre outras cargas pra despistar ao máximo, já esperado. – Sasuke disse.
— São seis, estão de dois em dois, e é muita gente, mas estou mais preocupada com o grupinho de fora. Estão aqui, mais perto desta entrada.
— Vão ser usados logo. – Sai disse. — Vamos invadir.
— Não por ali, vai causar uma baderna. – Sakura cortou logo.
— Uma equipe pequena. – Ele ressaltou.
— Não importa se é pequena, se você entrar pela porta da frente, todo mundo na festa vai notar.
— Isso é fato. – Kakashi disse, retornando. — Tem um pequeno buraco de rato na lateral do outro lado, está escondido entre as cargas, apertado demais pra ficar passando na hora da vigia. – Declarou.
— Se abrir mais esse buraco...?
— Vai dar pra passar uns ratinhos maiores. – Ele disse, triunfante.
— Ou um gato. – Sasuke disse, eles o encararam — Que é? Prefiro ser chamado de gato.
— Sempre soube que adorava leitinho. – Sakura desdenhou.
— Vai se foder, Haruno.
— Gato das DSTs.
— Então, como vai ser? – Kiba Inuzuka finalmente se pronunciou. — Posso entrar com uma equipe por lá, chegamos nos reféns expostos, e metemos o louco logo, o resto dos reféns está a salvo nos contêineres.
— Não vá contando vantagem. – Sakura o cortou. — Esse metal não desvia chumbo grosso, se eles abrirem fogo, aquela gente vai ser alvejada de todo jeito.
— O risco é pequeno. – Ele jogou de volta, entediado.
— Ainda é um risco. Não tem filhos seus lá dentro, não iria querer eles lá.
— E tem filhos seus? – Ele ironizou.
— Eu não preciso ter, pra pensar neles, se não pode se pôr no lugar deles quando necessário, então não é tão diferente dos vagabundos lá dentro.
— O que está insinuando? – O homem se irritou.
— Que você está querendo por reféns em risco, apenas porque não sabe o nome deles, esta cidade não sabe o nome deles, então não vão reclamar da morte de alguém que pra eles não existe e seu rabo sai limpo, depois da cagada que essa operação se tornou.
— Essa operação foi planejada a meses! – Sai cortou, já furioso.
— Essa operação é uma merda, mal planejada e mal executada. – Ela cuspiu de volta. — Vocês tinham um mandado pra entrar num lugar atrás de algo que nem sabiam o que era! Bando de inúteis do caralho! Seu trabalho não é só ficar apreendendo drogas e armas, pirralho, tem que proteger pessoas, e se você entrar lá metendo bala em quem for, vai matar alguém e a culpa será só sua! A operação não é sua, afinal?!
Ficaram calados, depois, pensando e remoendo mais opções.
Sakura estava mais para impaciente do que reflexiva. Kakashi suspirou, encarando-a.
— Você tem mais uma ideia. – Disse.
Ela o fitou de lado, e sorriu, presunçosa.
— Estava pensando em deixar os meninos pensarem mais.
— Filha da puta. – Sasuke resmungou.
— Não podemos demorar mais, a cada minuto eles ficam mais estressados lá dentro. É pior para os reféns.
— Abra a boca, gênio.
Sakura respirou fundo, apoiando as mãos nos quadris, encarou o chão e então o delegado.
— Entro sozinha.
— Nem fodendo. – Sasuke cortou logo.
— Se for pra alguém entrar, eu entro. – Sai rosnou — Porque essa...
— “Essa operação é sua”. – Ela fez uma vozinha enjoada que Sasuke teria rido se não quisesse apertar o pescoço dela.
— Nem fodendo, Sakura, nem fodendo.
— Sabe quantas vezes eu já fiz isso na vida? – Ela achou graça. — Malandro, eu já invadi acampamentos de treino de recrutas do ISIS. Os bombas ambulantes são tão bem treinados quando a SWAT, cara. Eu posso lidar com vagabundinhos armados que só sabem puxar o gatilho e apontar.
— Não é uma missão de auto risco, não é a porra do Estado Islâmico, e você não está nas forças armadas. – Ele apontou o dedo, em aviso, ela o encarou de volta quase encostando o rosto.
— Tira esse dedo da minha cara, Uchiha.
— É a polícia de Los Angeles, querida. Então relaxa.
— Tira esse dedo da minha cara ou ele vai parar na sua garganta. – Ela rosnou ainda mais irada.
— Chega, os dois. – Kakashi cortou — Sakura, você entra.
— Chupa, filho da puta!
— Mas não sozinha.
— Chupa, filha da puta!
— Sasuke entra com você.
— É o quê? Filho da...! – Os dois se calaram, encarando-o.
— Porque eles entram?! – Sai rugiu, fora de si.
— Ela tem experiência, isso é inegável, e ela está aqui para usa-la. – Kakashi respondeu, encarando Sasuke em aviso, ele bufou, inconformado. O homem se voltou para Sakura, que há fazia careta — Sasuke vai com você, por que é obrigação dele como parceiro dar cobertura.
— Ah, eu vou cobrir esse rabo com prazer. – Ele resmungou.
— Vai mesmo, ou guardo uma bala pra meter na sua perna e te deixar de isca. – Ela avisou logo, nada feliz também.
— Esta operação. – Kakashi continuou, agora para Sai e Kiba. — É minha.
— Chefe, não!
— Sei que esperou muito por essa, garoto, mas você não amadureceu o bastante para isso. – Kakashi declarou, e mandou um olhar enviesado para Kiba — E seu parceiro não soube te ajudar ainda, pelo menos.
Ele se voltou para os outros dois.
— Vão se arrumar, se fizerem merda, vão ter que rolar nela. Sakura vai dar o sinal de que podemos entrar, existe outro portão, só que trancado deste lado, quebrem o cadeado, e usem ele para tirar os reféns, vamos acobertar por aqui também.
— Eu vou entrar, pegar de um por um ao máximo, quando tivermos os reféns expostos, crio distração pra mim, e Sasuke cuida do pessoal dos contêineres.
— Opa, você ouviu o homem, vou colar no seu rabo. – Sasuke cortou logo, já vestindo um colete.
— Cai fora, eu não preciso de ninguém na minha aba não. Você foca nos reféns. – Ela disse, enquanto vestia um colete e destravava a arma no coldre, sacou uma faca de caça da bota, usava calças camuflagem verde, e regata branca, além dos óculos escuros que ainda estavam engatados na gola. Ela passou o dedo pela lâmina, verificando a afiação, e girou-a na mão, com habilidade enquanto com a outra, sacava os óculos e colocava no rosto — A Queen aqui vai jogar.
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Havia um buraco recém alargado na parede, bem rente ao chão.
Sakura se arrastou para dentro dele, olhou em volta, haviam muitas caixas de madeira pesadas bem próximas a parede, Sasuke passou logo e se levantou.
Os dois seguiram entre estreitos corredores de caixas, era difícil enxergar sem ter a luz do galpão vindo diretamente sobre os dois.
Ela ergueu o punho, sinalizando para parar numa esquina e ele o fez, tirando a arma do coldre, ela caminhou lentamente, contornando uma caixa, havia um homem armado mascando goma, passou o braço em torno de seu pescoço de modo a deixar a faca de caça rente ao canto de sua boca.
— Se der um pio, deixo você com um sorriso de coringa. – Avisou, puxando-o para trás até se esconder novamente, Sasuke puxou a arma da mão dele, uma submetralhadora. — Deita.
O homem deitou, pondo as mãos na cabeça, ela atingiu sua nuca e ele relaxou no chão, inconsciente. Sasuke passou a alça da arma pelo pescoço, pondo de lado, e os dois seguiram.
— Hey, Uchiha?
— Quê?
— Acho melhor irmos nos contêineres primeiro. Vai ser mais discreto, tem dois naquela direção, você pode tira-los pela toca que usamos.
— Não vou te deixar sozinha.
— Eu já disse que não te quero na minha aba. – Ela rebateu, seguiu em frente, entrou noutra esquina empoeirada atingindo de uma vez a nuca de outro cara, que foi ao chão, segurou seu corpo o bastante para abafar a queda e verificou sua arma, um revolver pequeno, colocou no coldre vazio e eles seguiram em frente, ela logo localizou dois contêineres pretos lado a lado, contornou-os, e se aproximou do primeiro, Sasuke ficou as suas costas, vigiando todas as direções, e ela examinou o cadeado.
No pouco movimento que fez, ouviu os murmúrios vindos lá de dentro, assustados.
— E aí? – Sasuke ciciou.
— Cadeado com senha, deixa comigo.
Os dois se empertigaram ouvindo passos, ela não pensou duas vezes em sacar a faca a atirar naquela direção, cravando-a no peito de um homem que caiu no chão, gemendo baixo.
Sasuke lhe mandou uma olhada feia, mas ela deu de ombros, voltando a se concentrar no cadeado.
Ele se afastou, indo recuperar a faca e arma do cara.
Uma faca certeira no coração.
Esfregou a lâmina ensanguentada na camisa dele, e se ergueu, voltando, olhou para a faca que não era comum, mas estilizada.
Havia inclusive uma gravura na lâmina, mas estava em latim.
Ouviu o clique do cadeado abrindo e se aproximou de Sakura, ela soltou o cadeado, e abriu os ferrolhos enferrujados com o máximo de silêncio, então ajudou-a a erguer a porta para cima sem grande ruído.
O interior do lugar se encheu de um burburinho assombrado, Sasuke puxou uma lanterna apontando e viu dezenas de pessoas se espremendo umas nas outras com rostos pálidos de horror tentando se manter o mais distantes possível.
— Calma, calma. – Pediu, entrando devagar, eram provavelmente todas mulheres, entre vinte e trinta anos, talvez menos, peles amorenadas, traços latinos, ele duvidou que pudessem falar inglês, até. Pegou a lanterna a apontou para si, para distintivo no cinto — Sou da polícia, Polícia, vocês vão ficar bem, venham comigo.
— Vamos, somos da polícia, vamos tirar vocês daqui e levar pra um lugar seguro. – Sakura disse — Em silêncio, por favor, ainda é perigoso.
Aos poucos elas se levantaram e vieram murmurando agradecimentos e querendo chorar.
— Leva elas daqui, eu vou tirar os outros.
— Nem fodendo, solta os outros e vamos todos juntos. – Ele cortou, ela negou, irritada.
— Leva elas daqui, caralho. É muita gente pra levar de uma vez, o lugar é apertado não vão passar com rapidez, leva elas agora, eu vou estar logo atrás.
Sasuke avisou logo.
— Não me sacaneia.
— Vaza fora, malandro. – Sakura se afastou, indo para o outro contêiner, ele sinalizou para as moças o seguirem, em fila, agarradas umas nas outras e abaixadas elas o acompanharam, as primeiras da fila, iam agarradas em seu colete.
Ele voltou a serpentear entre as caixas, passando pelos dois caras derrubados, elas se assustaram ainda mais.
— Shhhh. – Pediu, finalmente achando a abertura na parede — Vão, vão, vão! – Cada uma foi entrando e sendo acolhida rapidamente pelos policiais, o choro foi alto e Kakashi mandou logo leva-las para o mais distante possível. Quando a última passou, ele fez menção de dar a volta, mas viu policiais adentrarem o buraco.
— Vamos cuidar daqui, vá. – Ele assentiu, seguindo de volta já xingando Sakura pela demora. Mas não ouvira nenhum tiro, então as coisas ainda estavam sob algum controle.
Numa esquina, cruzou com ela, no susto ela apontou a arma na sua cara.
— Filho da puta! – Ciciou, abaixando-se, as mulheres atrás dela se abaixaram temerosas.
— Você demorou.
— Vai se foder sai da frente, eu achei outro contêiner. – Sasuke a encarou furioso.
— Você não segue um fodido plano sequer, não é?
Sakura revirou os olhos, seguindo em frente com uma fileira que era o dobro da que ele levava. Como já haviam policiais esperando para ajuda-las, ela voltou logo.
— Agora só faltam três.
— Grande merda.
— Deixa de ser mala.
Seguiram caminho, indo mais adiante, ela se abaixou contra um caixote, e apontou para o outro lado do galpão, a uns bons metros. Sasuke viu outro contêiner preto, e assentiu.
Ela contabilizou nos dedos. Um, dois, três.
Correram agachados até uma grande caixa, metade do caminho. E dali já ouviam vozes e passos circulando por perto.
— Lembra do portão que o Kakashi mencionou? – Disse ela, já com aquele sorriso sádico.
— Nem fodendo.
— Lembra sim, ele fica pra lá. – Apontou com a arma. — Tem dois contêineres bem pertinho da gente, você pode guiar essas pessoas pra lá, abrir o portão e eu crio a distração perfeita.
— Nem. Fodendo.
— Se fizer isso, eu fodo com você.
— Você já faz isso, obrigada.
— Nos seus sonhos? – Ele arregalou os olhos, perplexo.
— Tá falando de...
— É, malandro, é lento pra cacete.
— Tá me oferecendo sexo, só pra ter a oportunidade de atirar nos caras?!
— Algo assim.
— Sua sem noção do caralho! Eu não vou barganhar com você! Quer sentar no meu pau? Deixo sentar de boa quando a gente chegar em casa, vivos!
— Como se eu fosse aceitar o risco de pegar suas DSTs por nada.
— Por nada não, te daria um orgasmo de rachar o assoalho.
— Se seu pau for dois por cento grande como seu ego, eu vou ser espetada como carne no espeto, não, isso não é prazeroso. Mas considerando que egos grandes estão diretamente relacionados a paus pequenos...
— Vai se foder.
— Será mais fácil você me dar cócegas de rachar o assoalho, Uchiha.
Ele a fulminou com o olhar e estava sinceramente pronto pra traçar aquela filha da puta ali mesmo e dar-lhe uma prova de seu pau.
Sempre quis, na verdade.
Mas tiros atingiram a caixa exatamente entre eles, os dois olharam pra frente vendo um homem gritar pelos outros e voltar a atirar.
Se entreolharam e Sakura sorriu, malvadamente, ele xingou e saltou para um lado, ela para o outro, voltando para a posição anterior, e revidando alguns tiros.
Os dois se encararam de longe ele a mandou um olhar de aviso.
— Nem. Pense. Nisso!
— Nos vemos mais tarde, malandro. – Sakura se levantou, destravando a outra arma.
— Filha da...
Ele se levantou, rolando para o outro lado e correu entre as caixas, tiros soaram atrás dele, Kakashi já tentava contata-lo pelo rádio.
— Hey, vagabundos de LA. – Sakura gritou, subindo numa das caixas — Venham jogar com a Queen, cuidando quando forem apontar seus paus com balas.
Pulou do caixote avançou, revidando os tiros.
A Rainha estava reativa, em sua face perigosamente instável e, sanguinária.
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