Killer Queen

8 Rainha Bombardeada


Notas iniciais
Oi voltei, aceito um notebook de presente

Sasuke correu até os contêineres, xingando baixo, e ouvindo as mulheres gritando lá dentro, olhou em volta e puxou a arma atirando no cadeado, abriu a caixa metálica de uma vez, e acenou, chamando-as.

— Vamos, vamos! – Elas vieram ainda muito espantadas, ele correu até o outro contêiner, atirando no cadeado e erguendo a porta, gritou para que viessem logo, e correu a frente, se esgueirando entre os outros contêineres e caixas, parou e mandou-as pararem seguiu em frente e atirou em dois homens parados perto do portão.

Correu e atirou nos cadeados, abriu e deu de cara com Sai e Kiba, os dois adentraram enquanto a equipe puxava as mulheres para longe e também adentrava.

— Onde estão os reféns expostos? – Sai indagou.

— Provavelmente ainda expostos.

— Caralho!

— TÃO CORRENDO PORQUÊ? A QUEEN NEM COMEÇOU A BRINCAR! – A voz de Sakura reverberou pelo lugar, banhada numa insana empolgação.

— Que porra é essa? – Sai indagou. Tiros os receberam numa esquina.

Sasuke se escondeu atrás de alguns barris, xingando baixo, correu agachado até onde ouvia Sakura trocando xingamentos com os caras.

Entrou numa esquina e quase foi ao chão ao receber uma cotovelada violenta, recuou apontando a arma e sentindo a boca sangrar por dentro, e deu com ela, lhe apontando a arma.

— Ah, cacete, é você! – Sakura bufou, baixando a arma, ele a puxou pelo braço, furioso.

— Você está maluca! – Afirmou, com veemência, ela se soltou mandando-lhe um olhar venenoso.

— Se não dá conta do recado, arrega. – Avisou, recarregando uma espingarda em mãos, e com o cinto cheio de armas enganchadas. — Vamos dar o fora.

— E o resto dos reféns?

— Você quer dizer, estes? – Ela apontou para trás, e foi quando ele viu pelo menos sete homens abaixados contra os contêineres, Sasuke observou que todos usavam ternos, estavam desarmados, mas um estava praticamente inconsciente, com o rosto cheio de machucados, e com as mãos amarradas, sendo guiado por outros dois.

— Diabos...?

Sakura seguiu em frente, a passo meticuloso e treinado, ele seguiu ao lado dela, ouvindo um certo silêncio.

— O que aconteceu com vocês? – Ele indagou para o homem que seguia mais perto.

— Estávamos fazendo negócios por aqui até essa confusão começar esses caras nos trouxerem. — Um deles avisou, sempre o encarando com certa atenção, como se esperasse algum movimento repentino.

— Sei.

Ele não estava muito convencido, principalmente, porque, dentre eles, um homem de aparência mais rica e bem polida andava aparentando com muita tranquilidade para a situação, com um sorriso calmo e os olhos dourados espreitando tudo com curiosidade, principalmente encarando as costas de Sakura e sua postura obviamente de alguém treinado com eximia disciplina.

Talvez fossem também, detalhes da tatuagem dando para ser visualizados pelo corte da blusa.

— Onde vocês estão?— Kakashi indagou pelas escutas.

— Temos os reféns, vamos tentar sair, quer arriscar invadir?

— Acham que podem chegar rapidamente? Estão perto de alguma saída?

— O portão do outro lado. – Ela disse.

Sasuke assentiu, e encarou-a, em uma pergunta muda, e não soube nem porque ficou na dúvida.

Sakura sorriu por um momento, um sorriso assassino louco por sangue, mas logo ela calou a expressão, mudando-a para a verdadeiramente esperada de um ex fuzileiro.

Destravou a arma em mãos, e moveu o pescoço, apressando o passo na frente dele.

— Me dá cobertura.

— Devia te deixar levar um tiro no rabo.

— Se conseguir manter meu rabo livre de chumbo, eu te dou uma bela fodida.

Ele a encarou desconfiado.

— Balela.

— Paga pra ver.

Sasuke suspirou, pensativo.

— Eu pagava. — Um dos caras comentou.

— Me parece justo. – Almofadinha sem medo concordou.

Ele revirou os olhos, e estendeu o punho da mão livre para ela.

Sakura empurrou o punho para trás rapidamente, chocando com o dele para firmar o acordo.

Então seguiu em frente.

— Deixa a Queen trabalhar.

Queen é o quê? Codenome?

— Aham, te mostro também, se meu rabo continuar lindinho. – Ela disse, dando uma breve parada para balança-lo, ele segurou firme no cabo e conteve a vontade de rir e apertar seu traseiro.

Ela era uma fodida louca, e estava contagiando ele, merda.

— Vai logo, caralho.

Sakura seguiu em frente, entrou numa curva, e avançou de uma vez três passos para passar o braço em torno do pescoço de um homem que estava de costas, ele soltou a arma e tentou forçar contra ela, a mulher fincou um pé no chão, e praticamente girou o jogando por cima de si num baque violento. Acertou seu rosto com um chute e seguiu em frente, Sasuke se abaixou apenas para puxar o cartucho da arma e joga-lo longe e então voltou a segui-la e olhar seu entorno.

— Esquerda! – Ela gritou, voltando-se para a direita e acertando o cabo da arma no nariz de um homem que veio em sua direção, correndo. Sasuke apontou a arma na direção oposta, acertando o ombro de um cara que saltara sobre uma caixa e caiu deitando urrando de dor. — Deixa de ser lento. – Sakura avisou.

— Seu rabo continua lindinho, não? – Ele rebateu, aborrecido.

Sakura seguiu entre os corredores de caixotes atirando entre as caixas e alvejando com uma eficiência mecânica, fria e sobretudo tão calculada que ele sentiu arrepios.

No fim das contas ainda era só um investigador com a experiência regular para se manejar armas, nunca esteve muito próximo de pessoas dos grupos táticos, por exemplo. Então observar alguém de um nível ainda mais superior, chegava a ser atordoante.

No fundo, ele ainda a enxergava um pouco como a dondoca do colégio que no máximo, lhe daria um olho roxo se tentasse apalpa-la, agora encarava uma mulher talhada para matar friamente.

Algo rolou para perto deles, no meio de tantos tiros, quase não deram atenção, Sakura olhou apenas de relance, mais preocupada em recarregar a arma bem rápido, mas reconheceu o objeto, sua mente foi novamente engolida pela mistura de adrenalina, lembranças, e traumas. E gritou, já completamente mergulhada nos próprios reflexos, sua mente disparando como um controle, ativando comandos.

— Granada! – Berrou. — Todo mundo pro chão! – Ordenou, voltando até ele e o empurrando, caíram os dois num vão entre dois caixotes e a explosão praticamente os ensurdeceu.

Sasuke viu apenas pedaços de madeira caírem sobre si, rolou pelo chão, atordoado, e ouvindo Kakashi gritar pelo megafone, ordenando a invasão policial, não demorou para ouvir ordens de prisão, e se sentou, olhando em volta e empurrando a sujeira de cima de si e do rosto.

Olhou em volta, e franziu a testa, ao encontrar Sakura completamente encolhida contra o solo, deitada sobre os joelhos flexionados, as mãos pressionando os ouvidos e a testa colada no chão.

Se aproximou, achando graça, e tocou a canela dela. Sakura se empertigou e imediatamente começou a rastejar no chão, a cabeça ainda baixa, as mãos ainda protegendo os ouvidos.

— Sakura.

— Bombardeio! – Ela gritou com vigor, com rigor, porque estava completamente mergulhada na necessidade de sobrevivência de seu pelotão, que fora ativada ao som da explosão que a pegara de surpresa.

Sasuke se levantou, encarando a cena abismado demais para se mexer, na outra esquina, viu Kakashi surgir, ele encarou a mulher no chão, gritando todo tipo de jargão e código, e então apenas largou a arma e se aproximou, agachando-se, puxou-a pelos braços e sentou no chão, envolvendo-a contra si e segurando-a firme, enquanto Sasuke se aproximou lentamente.

— Você está segura, Sakura, está segura. – Kakashi afirmou, apenas deixando-a despertar do torpor da guerra encrustada em sua alma, aos poucos.

*

— Como ela está? – Sasuke indagou, recostando-se na parede, Kakashi suspirou, apagando o cigarro.

— Vai ficar bem, isso a fez abrir um pouco os olhos, e agora ela vai deixar o orgulho de lado.

— E?

— Voltou a contatar o terapeuta que a estava acompanhando antes de deixar o comando, ele vai repassa-la a um colega, e irá reiniciar as sessões.

— Hm... E quanto tempo esse tipo de coisa leva?

— Não sei, talvez a vida toda, acredito que mesmo que tudo melhore muito, ela vá sempre precisar ser forçada a falar, pelo menos até que encontre alguém íntimo com quem se abra. Mas acho muito difícil.

— Porquê?

— Não me parecia que esses problemas estivessem em pauta no casamento dela, mas não dá pra dizer. Talvez o cara até ajudasse, talvez tenha acabado porque ele percebeu que não dava conta da barra. Enfim, ela está melhor sem ele, e pelo menos agora, não está sozinha. Bom, eu vou indo. – Kakashi se levantou, pegando o casaco, até rindo um pouco. — Sakura não vai estar afim de me ver mesmo, a essa altura já deve ter percebido que sou intrometido.

— Ah vá, sério?

— Você, calado. Até amanhã.

— Okay. – Kakashi bateu em seu ombro e por fim partiu, não demorou muito para que Sakura deixasse o elevador junto de uma senhorinha toda engomadinha de ar adorável, e foi uma cena até cômica, a mulher falava docilmente alheia ao olhar enfadado e arredio da outra.

— Espero ver você amanhã sem falta, minha cara. – Ela avisou, bem-humorada, mas com uma pitada bem dada de aviso.

— Tá okay.

— Boa noite.

— Boa. – Sasuke a cumprimentou de volta, e ela foi embora, a passo tão tranquilo que ele sentiu que levou um ano para ela chegar nas portas da saída.

— Me mato mas não vou nessa sessão. – Sakura disse, com uma careta inconformada. Ele a fitou, feio.

— Ah, você vai. Nem que eu te arraste, filha da puta.

— Cai fora, tá louco? Essa mulher fala num tempo completamente diferente do nosso, as sessões dela devem demorar doze horas!

— Que se foda, problema seu, e vamos logo, caralho cê dá mais trabalho que criança.

— Tomar no cu, arrombado, acha que eu gosto de ser assim?! – Sakura seguiu em frente apontando-lhe o dedo e ele a seguiu, bufando.

— Então se não gosta, faz a porra das sessões, cuzona.

— Como se isso fosse remédio, humpf.

— Cala a boca, não quero ouvir, cê devia tá me pagando uma foda e não me fazendo mofar no hospital.

— O caralho que eu devo, babaca, cê não fez o trato.

— É o quê? – Ele bateu a porta do carro, indignado, Sakura pouco se importou, até porque não era o dela, ora.

Sasuke contornou e entrou.

— Quem disse que eu não fiz?! Você tá aqui viva, me infernizando, demônio.

— Cê não me deu cobertura, boneca, aquela granada quase fez a gente ir comer grama pela raiz.

— Seu cu! – Sasuke ligou o carro e saiu, irado. Sakura riu.

— Era pra você ter visto aquela granada otário, e quem salvou seu rabo foi eu.

— Se não calar a boca agora. Vai dormir no meu porta-malas, fodida.

— Poço de DSTs.

— Piranha... Mas podia ao menos mostrar a tatuagem...

Sakura apenas riu.

— Hoje não, malandro, hoje não.

*

Um mês depois.

— Vamos logo. – Sasuke avisou, pegando as chaves. Ino e Karin passaram direto para a porta, quase o atropelando, como se não precisassem justamente dele para chegar ao jogo.

Revirou os olhos e foi fechar as cortinas, então voltou-se para sair, mas ouviu passos na escada e viu Sakura descê-las, ela ajeitava um casaco caro em torno de si, segurava uma bolsa preta pequena, e estava de saltos. O cabelo estava penteado, e os olhos marcados em preto.

— Vai sair também? Achei que fosse mofar em casa. – Comentou, curioso com o que ela poderia estar escondendo no casaco. Ela apertou os braços em torno de si, parecendo com receio de dizer o que faria.

Ela parecia bem mais tranquila ultimamente, menos sisuda e mais comunicativa, não fugia mais tanto do convívio social, ao menos não dentro da casa.

Sakura morreria negando mas sua terapeuta adorável como uma vovó de filme meloso, estava fazendo uma grande diferença, ao menos estava até aquela noite.

Ela estava arisca e mal-humorada de novo, com aquela aura sombria.

— Eu vou... Só dar uma volta... talvez ir ao cinema, sei lá.

— Apesar que vai ser um jogão, podemos conseguir um ingresso de última hora. – Ele ofereceu, intrigado, e ela negou passando direto para a porta.

— Eu estou bem, não estou com humor pra basquete.

— Carona?

— Já chamei um taxi.

Sakura saiu sem dar muito tempo para insistir, e ele se perguntou porque estava, afinal.

Trancou a casa e saiu, quando entrou no carro, um taxi já deixava a rua.

— Onde ela foi? – Ino indagou.

— Não faço ideia, nem estou interessado.

Era mentira, mas não era como se pudesse fazer muito sobre isso.

*

Trufas de entrada, vinho suave, música ambiente agradável, uma cadeira vazia a frente.

Sakura balançou a taça de vinho entre os dedos, dando voltas lentas, apoiou o queixo na outra mão, e fechou os olhos, suspirando alto.

As outras vozes no ambiente, desde as risadas mais escandalosas, até os sussurros íntimos e ousados. Nenhum deles calava a gritaria dentro dela, nem secava a melancolia empreguinada em si.

Nem o vinho embebedava os antigos demônios, as trufas não calavam os novos.

— A senhora está esperando alguém? – O garçom indagou, inclinado a parecer piedoso, ele parecia novo demais para se lembrar dela. Os antigos não ousavam sentir piedade.

Ela ainda era capaz de não parecer digna de piedade.

Sakura inspirou, balançando a cabeça.

— Eu não estou esperando ninguém.

— Oh, entendo, quer fazer o pedido?

Ela puxou o cardápio, sem ânimo, buscou algo no menu que fizesse ao menos seu estômago se sentir vivo.

— Dezesseis por favor, e sem pimentão.

— Como desejar. – Ele recolheu o cardápio, e se despediu, depois de encher mais sua taça.

O prato não custou a chegar, e encarando-o, Sakura sentiu que não era só o pimentão que não queria. Ainda forçou-se a catar algo, ainda era muito caro para que em sua atual condição financeira, pudesse deixar tudo intocado.

Que lamentável.

Ela girou o garfo, enroscando o macarrão nele com um desalento descomunal, viu o garçom subir as escadas para o segundo andar, e reconheceu mais fácil do que gostaria a figura de Hidan subindo os degraus com empolgação estampada no rosto e cuidado em cada passo, as mãos uma pousada nas costas e outra no estômago protuberante de uma mulher baixa e esguia num vestido vermelho, seus cabelos eram castanhos e longos, e a pele irradiava vigor não apenas da idade, mas da condição em que estava.

Eles ficaram numa das mesas mais próxima da escada, havia outra. Uma mais discreta, atrás dela, Sakura pegou a bolsa, e chamou um garçom, pagou a conta e vestiu o casaco, seguindo para esta escada e descendo ao primeiro andar, deixou o restaurante o mais rápido que pode, sabendo que poderia ter apenas pedido para mudar a mesa para o andar de cima.

Era o que sabia que teria feito em qualquer outra ocasião em que se deparasse com algo que fizesse o jantar intragável.

Percebeu então que já não era capaz de digerir a si mesma, não se conhecia mais.

Havia finalmente se convertido noutra pessoa. E não era uma versão a se orgulhar.

*

O bar do Owen era sempre a parada depois de um jogo, ou quando ninguém tinha grana pros ingressos nem tempo de ir comprar, todo mundo se pendurava lá pra assistir.

Sui entrou primeiro, vibrando para infernizar o time derrotado, e o próprio Owen que já limpava o balcão com uma careta irritada, os ignorou e seguiu até a ponta afastada do balcão, perguntando se a mulher nele queria mais alguma coisa.

Sakura negou, ainda com um grande copo de cerveja ao lado e o casaco pousado sobre o balcão.

Owen se afastou sem dizer nada, uma cara que transparecia que ela não estava lá para ver o jogo dos Lakers pela TV e papear sobre.

Sasuke tirou a jaqueta e seguiu até ela, encarando suas costas nuas, usava um vestido preto, com um suave brilho que desenhava seu quadril, o decote nas costas era um V cuja ponta quase chegava ao último osso da vertebra, e finas alças passavam sobre os ombros, a tatuagem da Marinha estava quase encoberta pelo cabelo, naquela posição e no braço direito a tatuagem do esqueleto de rã segurando um tridente era a mais visível e combinava com o vestido; preto destacando a pele.

Tocou suas costas, sentindo as riscas das cicatrizes espalhadas por ela, as mais graves ficavam mais lateralmente, no centro apenas arranhões que não puderam ser cuidados com a assepsia correta e imediatamente.

Chegou perto de seu ouvido.

— Errou o caminho do desfile? – Ciciou, Sakura se ajeitou no banco, empurrando um dorso da mão contra o canto dos olhos e respirando fungado.

— Tinha que ser o fodido. – Disse, embora sem grande vontade. — Que desfile? – Indagou, impaciente. Ele se sentou no banco ao lado, tentando encara-la além do cabelo.

— Está arrumada como que para um desfile chique, errou o caminho, perdeu a paciência e veio parar aqui?

Parecia bem a cara dela.

Sakura soltou o ar, cansada, e puxou o copo de cerveja para si.

— Já voltei de onde tinha ido, mas lá não tinha nada forte o bastante.

— Hn. Deixe-me ver.

— Ver o quê?

— Tentar adivinhar onde andou através da sua roupa. – Sasuke insistiu, puxando seu braço, Sakura bufou, se levantando e encarando-o, o vestido era pouco solto, outro V profundo na frente, evidenciando seu colo, os seios pequenos e orgulhosos e o externo ainda um pouco magro demais para o gosto dele, dando leve mostra do osso.

— Uau, não parece ter sido tão divertido quanto foi caro. – Comentou, engolindo mais ar e saliva do que seu ego admitiria, suspirou. — Está incrível. – Ergueu os olhos para os dela, e tocou seu queixo o erguendo e podendo notar melhor a vermelhidão neles e opacidade das írises. — Mas não parece acreditar nisso.– Acrescentou. — Onde você estava, Sakura?

Sakura caiu sentada no banco, apoiando a cabeça no braço deitado na bancada, suspirou encarando o vidro.

— Fui no meu restaurante favorito.

— Sozinha?

Ela deu de ombros.

— Sempre gostei de fazer algumas coisas sozinha, desde pequena, eu ia ao parque, olhava as outras famílias felizes, e fingia que era um deles, era a minha forma de ler um livro e me imaginar dentro, depois passei a ir a outros lugares, na praia, até mesmo na escola, em dias especiais. Depois que casei, encontrei aquele restaurante.

— Hidan sabia?

Ao menos para ele, não parecia algo legal de aceitar, que homem gostaria de saber que a esposa sempre ia a um restaurante sozinha? Ainda mais quando era para enxergar noutras pessoas, algo que não tinha em casa? Lhe parecia quase pior do que estar saindo com outro cara.

­— Ele sempre me julgou excêntrica, fomos uma vez ou outra e tenho certeza que ele já deve ter me seguido para ter certeza de que estava sozinha mesmo.

— Babaca.

— Achei fofo na época, ele se importava. Eu gostava de ir, era divertido perceber as conversas, alguma briga, algum romance. Era parte de quem eu era, mas hoje... Eu não me achei mais. Há sempre tanta coisa agora, eu não consigo me achar em nenhum outro lugar que não seja servindo. Uma nova vida não é tão empolgante, a antiga parece só uma lembrança medíocre, não estou só perdida, eu nem me reconheço mais. Eu não consigo encontrar mais nada.

Sakura afastou o copo de si, tomou ar e soltou ainda mais exasperada, pegou o casaco e a bolsa.

— E então ele estava lá, no meu lugar, com a esposa nova. – Deixou uma nota no balcão e se levantou, Sasuke a puxou de volta.

— Venha aqui, vamos beber mais um pouco e falar do jogão que você perdeu.

— Eu posso superar.

— Você não tá superando, Sakura. – Ela deu de ombros. Ele suspirou, erguendo a mão, empurrou um pouco o cabelo para trás. — E você também não vai se encontrar mofando naquela cama.

— Ao menos é mais confortável fracassar lá do que em cima desses saltos.

Ele riu, se levantando, puxou-a pelo quadril e guiou até a mesa mais barulhenta, Sakura soltou um gemido de desgosto.

— Pare de tentar se encontrar. – Disse lhe, baixo, ela o fitou de lado. — Pare de tentar se reconhecer, sim? Você está fazendo isso como se fosse seu dever, sua obrigação, pare de buscar uma missão, é a sua vida, não é uma obrigação vive-la. Apenas viva, majestade. O que tiver de acontecer e o que você vai se tornar... deixe apenas vir, sim?

— Vai bancar o terapeuta?

— Cuzona.

— Não to reclamando, é de graça, então de boa.

Ele forçou um sorriso enquanto puxava uma cadeira e a fazia sentar com um pouco de rudeza, Sakura resmungou sem se importar tanto. E ele se curvou ciciando.

— Pago sua rodada, vou adorar consolar você quando estiver bêbada, vai pular no meu colo que eu sei.

Sakura revirou os olhos e lhe empurrou o casaco.

— Vai ser culpa da bebida, porque eu me importaria? – Ele se afastou, pondo o casaco dela em algum lugar, e não se importando quando ela usou sua oferta de pagar uma bebida para fazê-lo pagar a de todo mundo.

Iria beber como nunca antes e fazê-la beber até entrar em coma, ou pelo menos para que ele também pudesse pôr a culpa na bebida depois que arrancasse aquele vestido dela com os dentes.

Notas finais
Tchau.