Killer Queen

4 Rainha Policial.


Notas iniciais
Volteeeei Meu ntebook tmb voltou, o arrombado. Este dignissimo filho de uma puta cibernética, tava mais morto que o pop atual, e simplesmente não ligava, mandei pro carinha que arruma e ele disse que BASTOU. LIGAR. NA. TOMADA. (O QUE EU TINHA FEITO 29834823 VEZES) Em suma, estou feliz e puta.

— Dormiu bem, princesa? – Sasuke disse, Sakura passou reto seguindo para dentro do prédio e ele a acompanhou.

— Sonhei que enfiava um cetro no seu rabo, sempre achei que seria prazeroso ver, mas foi bizarro.

— Claro que é bizarro, qualquer coisa próxima de Fisting, é bizarra.

— Pior ainda quando você estava gostando tanto. – Ela disse, enojada.

Sasuke revirou os olhos e os dois adentraram o departamento, indo para suas respectivas mesas.

— Sasuke? – Uma mulher chamou, mal ele havia sentado, Sasuke a cumprimentou com gosto, era Olivia Harper, uma advogada que vez ou outra vinha defender um cliente por ali, sua índole era meio duvidosa, mas Sasuke já era criado o bastante para não deixar a deliciosa serpente ali se aproveitar para arrancar-lhe informações ou qualquer coisa do tipo.

— Hey, Olivia, como vai, querida?

— Bem, e você? – Ela disse, sentando-se na beira da mesa, e cruzando as pernas, a saia lápis emoldurando perfeitamente suas cochas malhadas, o decote da blusa de seda, tornando seus seios sutil e deliciosamente atraentes.

— Ótimo, trabalhando muito?

— Quase sempre. – Ela riu, graciosamente, ele concordou, torcendo um pouco o nariz para o perfume dela, extremamente forte e doce.

— De quem é esse perfume enjoado? – Sakura, disse, do outro lado, já com uma cara desgostosa, se levantou da mesa e seguiu rumo à máquina de lanches.

— A sutileza em pessoa...- Sasuke resmungou, e Olivia o encarou, curiosa, obviamente incapaz de perceber que seu perfume era quase tão potente quando um gás venenoso.

E não era no sentido sensual.

— Quem é ela?

— Parceira nova.

— Jura? Não conseguiu mesmo ir com o Sai?

— Quem consegue? Ao menos vou lidar com adultos agora.

— Mas que putaria é essa?! – Sakura rugiu, o bastante para pelo menos metade do departamento ouvir, bem como os três chutes seguidos que deu na fodida máquina de lanches.

— Oh, nossa...

— Pelo menos era a ideia inicial...- Sasuke disse, olhando por cima e vendo Kakashi observar tudo da vidraça de sua sala.

Sakura conseguiu puxar uma soda e se recostou na máquina, ainda resmungando e bebendo. Então ele deu a volta e foi para sua mesa.

— Ela parece estar tendo um tempo ruim. — Olivia continuou — Você não está sendo cruel com ela também, está? – Alfinetou, em tom de brincadeira.

Ele riu meneando a cabeça, ao lembrar que ela lidava, na maioria das vezes, com casos de violência doméstica.

Adorava por um agressor atrás das grades.

— Sabe muito bem que eu sou um amor com as mulheres. – Provocou e ela acariciou seu queixo, os olhos castanhos brilhando de sedução.

— Sei bem, querido, sei bem.

— Ei, malandro. – Sakura disse, se aproximando.

— Vai lamber uma tomada, caralho. – Devolveu, instintivamente, e recebeu uma olhada espantada da advogada.

Certo, talvez não fosse um amor com todas as mulheres.

Só as que mereciam.

Suspirou, esfregando o rosto e Sakura, pouquíssimo preocupada com sua rudeza, largou sobre a mesa uma pasta.

— Os resultados da autópsia daquele caso de envenenamento saíram, e o legista quer que vejamos o cara do caso do beco também.

Sasuke assentiu, aborrecido e se levantou, pegando a pasta, Sakura tomou mais um gole da cerveja, e Olivia se ergueu, voltando-se para ela.

— Prazer, Olivia Harper, advogada.

Sakura a cumprimentou, sem lá grande interesse.

— Sakura Haruno, ex marinha.

— Oh, jura?

— Forças especiais.

— Uau! Deve ter mais medalhas que muitos caras que conheci.

— Tenho mesmo. – Ela deu de ombros, embora não ocultando bem sua arrogância.

— Hahaha, prazer, iremos nos ver bastante, talvez? Tenho que ir, Sasuke? Foi bom te ver, querido, não suma, sim? – Olivia pediu, com um biquinho charmoso, e beijando demoradamente o queixo dele — Até mais, bom trabalho, pessoal. – Se voltou para Sakura antes de sair desfilando pelo departamento. — Belas botas, querida.

Sakura encarou as botas sujas de lama se perguntando o mesmo que ele. E ele podia jurar que sentiu uma pontada de veneno nas palavras da advogada.

Mulheres sendo mulheres.

— Acho que ela gostou de você. – Comentou.

— Pena que eu não ando brincando nem com a minha, quanto mais a boceta dos outros. – Sakura disse, se erguendo e largando a latinha vazia na lixeira.

Ele a seguiu, enfadado.

— Não disse que ela está atraída, doida.

— Melhor ainda.

— Mas... É sério mesmo?

— O quê?

— Que não anda brincando, nem com...

— Ah, olha pra minha cara, parece que andei tendo até mesmo um orgasmo “dedal”? Não consigo nem dormir direito, quanto mais foder.

— Okay. Quer ajuda? Sabe que não me importo de ajudar.

— Não gozar e permanecer limpinha ou gozar com você e pegar DSTs que nem foram registradas ainda... Hum, que escolha difícil. – Sakura ironizou, entrando no carro.

— DST o caralho, porra. Sou limpo, okay?

— Deve ter sete filhos com sua cara feia pela cidade, então.

Sasuke fez uma careta enquanto ligava o carro e partia.

— Eu me protejo, sempre me protegi, até o cabaço eu perdi de camisinha.

— Não adianta nada se faz sexo oral.

— Humpf.

— E que lamentável, sexo sem camisinha é a melhor coisa do mundo.

Ele meneou a cabeça, pensativo, não podia contestar se nunca tentara, e nem fazia questão.

Nunca havia namorado na vida, pelo menos não propriamente, já havia mantido casos por mais de seis meses até, e essas mulheres também quiseram ou ofertaram deixar a camisinha de lado, mas ele nunca quis.

Nunca se sentira amarrado de verdade, hora ou outra sempre acabava se interessando por um lance novo ou apenas perdendo a vontade do atual. Então era melhor manter tudo num único patamar.

— A senhorita segurança e nojinho fodendo sem proteção? – Desdenhou. — Sei não.

— Ponto pro time dos casados, malandro. Tem lá uma vantagem aqui e ali.

Ah, sim, tinha esse fato.

Ele olhou para suas mãos de relance, mas não viu aliança, no entanto, viu uma marca, Sakura tinha uma pele bem mais clara do que se esperava de um soldado que vivia enfrentando também a fúria da natureza, mas ela já fora bem mais branquinha, esta pele alva estava agora, em apenas uma faixa em seu dedo anelar.

Só que ainda continuava meio pálida, dando ao tom bronzeado, um ar opaco e sem vida.

— Não estou interessado em conhecer. – Disse.

Ela deu de ombros, olhando a janela.

— Menos interessante do que imagina.

Ficou curioso, mas decidiu não se meter muito, agora, pelo menos.

Ela não parecia sensível sobre falar sobre tais assuntos, mas preferia não ficar fazendo uma entrevista.

֍

Sasuke odiava admitir, mas ela tinha razão.

James José era “gente fina”.

Havia se metido em umas coisas ruins quando mais novo, principalmente por conta das amizades ruins, algo difícil de evitar quando se cresce em bairros violentos. Pegou três anos e alguns meses por estar junto de alguns caras que traficavam, a avó materna gastou tudo o que tinha com advogados para tira-lo de lá.

Tinha esperança que se ajeitasse, e quando saiu, foi exatamente o que procurou. Voltou a estudar, e como uma ficha suja não abria muitas portas para bons empregos, se arranjou numa oficina.

Estava indo bem, as amizades ruins voltaram para atazanar, ele rejeitou todas, mas Daniel Montez, que um dia fora seu melhor amigo, não aceitou, que ele saísse da vida, que abandonasse os “irmãos”.

Tentou convencê-lo uma última vez, os ânimos se exaltaram, Daniel atirou nele, maldade e inveja o definiam.

Primeiro o coração gentil, depois a cabeça ajuizada, levou o dinheiro para simular um assalto. Achou que ninguém se importaria com mais um latino ex presidiário morto, nem com o lamento de uma avó que mal falava inglês e provavelmente ainda era imigrante e ilegal, só veio porque a filha havia trazido o neto para a America em busca de vida melhor, foi enganada, virou prostituta, foi morta por sabe-se lá quem.

Ninguém liga pra mais uma prostituta latina morta.

Mas havia ficado um garotinho.

Mas ele não pode fugir até o fim desta sina.

Graças a um melhor amigo, um irmão, que achava ter o direito de arrasta-lo para a merda.

Sasuke sabia que deveria encontrar Daniel logo, ele havia fugido da oficina em que trabalhava, a mesma em que José havia se ajeitado, serviço que ele lhe arranjou, e pulado várias cercas.

Pra uma quarentona com corpo de vinte, Sakura estava muito preguiçosa, na primeira cerca que Daniel pulou, ela pegou o carro de Sasuke e saiu atrás dele, em vez de correr. Sasuke sabia que não seria fácil alcança-los e Daniel viu que ela não era qualquer uma.

Mas ele tinha que achar o filho da puta logo, pois tinha a forte impressão de que Sakura adoraria ter um motivo para meter uma bala na cabeça dele.

Nem ela estava livre de sentir raiva por uma história como aquela.

Correu entre vários prédios desviando de varais com lençóis, segurando a arma apontada para baixo e travada, haviam muitas pessoas por ali, não poderia sair atirando.

Chamou reforço e entrou noutra viela, ouviu o barulho de cercas de metal e correu, avistando Daniel tentar escalar outra cerca, muito alta, e o som do motor de seu carro adentrando o beco, ela fez um cavalo de pau violento, o veículo girou, com a porta aberta por onde ela saltou certeiramente nas costas do cara como um puma.

Puxou-o com força e os dois rolaram no chão, ela tentou se levantar, o bastardo rolou sobre as costas e acertou o rosto dela tão logo tentara se erguer.

Sasuke adoraria meter uma bala nele agora, mas havia uma cerca em seu próprio caminho e com ele se movimentando em torno de Sakura, não poderia atirar sem correr o risco de feri-la.

— Hey, filho da puta!

Daniel o encarou, aturdido, mas viu que ele estava temporariamente contido, Sasuke rosnou, se agarrando a cerca e começando a escalar.

O suspeito tinha tatuagens por todo o corpo, inclusive na cabeça raspada e piercings também, pela boca, nariz e sobrancelhas.

Ele sorriu lambendo os lábios e puxou Sakura, ainda tonta pelo cabelo.

— Venha aqui, cadela americana, eu vou te ensinar umas coisinhas.

Sakura o encarou lambendo o sangue que saia do corte no lábio inferior.

— ¡Me muestra, hijo de una puta! Cuspiu, provocando, ele rosnou atirando o punho em sua direção, ela baixou os pulsos, desviando sua mão para baixo, e chutou sua perna, Daniel a soltou, e ela se ergueu, endireitando a coluna enquanto ele gemia com a dor no joelho.

— Cadela.

— É, vem brincar com a cadelona, seu merdinha. – Ela o chamou.

— Sakura! – Sasuke gritou, já do alto da cerca — Não!

Óbvio que a filha da mãe iria ignora-lo.

Daniel catou um pedaço de ferro e veio pra cima, ela desviou, chutando suas costas, ele se desequilibrou e retornou, ela desviou de um golpe e outro, observando seu movimento, até vir pra cima, jogando o corpo de lado, recebeu um golpe contra o ombro e braço direito, mas acertou seu queixo com uma esquerda, e ele foi para trás, caindo inconsciente como um pacote.

— Merda. – Gemeu de dor e Sasuke saltou a cerca da metade, pousou no chão e correu até ela.

— Sua bastarda maluca!

— Eu ainda tenho um braço bom e vou usar. – Ela avisou logo, de mau humor.

— Porque diabos apenas não o rendeu com sua arma?

— Porque eu esqueci tá?

— Esqueceu onde?!

— No seu carro...

— Você estava no meu carro, sua anta! E porque não correu atrás dele também?

— Eu não corro. – Ela declarou, cheia de si. – Algema esse puto.

Sasuke xingou, seguindo até Daniel, completamente apagado, verificou sua pulsação, temendo que Sakura o tivesse quebrando o pescoço.

— Quase matou o infeliz.

— Não procure esse tipo de pena em mim. – Sakura avisou, sentando-se num caixote.

Ele suspirou e puxou o cara, o deitando de barriga para baixo, algemou suas mãos.

Logo uma viatura passou, e retornou, entrando no beco junto com outra.

Daniel acordou, mas foi levado ainda grogue.

— Bom trabalho. – Lee disse.

Sasuke sacudiu a cabeça, inconformado, e foi até Sakura, ela tirava a jaqueta que vestia com dificuldade, e ele ajudou, puxando.

— Fica quieta, nunca mais faça isso, ele poderia ter uma faca.

— Seria mais justo pra ele. – Ela gemeu, ele quis bater nela também, ainda mais depois de ver a marca cada vez maior e mais roxa em seu ombro, Sakura encarou a obra e suspirou.

— Isso vai dar ainda mais trabalho pra dormir.

— Vem, vamos pro hospital, cadelona.

Ela riu um pouco, segurando a jaqueta na outra mão e se levantando.

— Vai se foder, eu to bem.

— Tem que por alguma coisa nisso, Sakura. E um parafuso nessa cabeça também.

— Hey, parte disso não teria acontecido se não pulasse cercas como uma lesma.

— Vai se foder, eu sou policial, não um maratonista. Mas pelo menos eu tentei.

Sakura gargalhou, e bateu em seu peito.

— Você está velho, Uchiha. Nós estamos. – Declarou, caminhando com um pouco de dificuldade, o ombro latejava, suspirou. — Okay, mas vai me dar um pirulito.

Sasuke a seguiu, tentando não transparecer o quanto a verdade que ela disse, o havia atingido.

— Só tenho um pirulito aqui.

— Pirulito de DST. – Ela parecia bem-humorada, e logo depois de levar um sarrafo?

— Seu rabo.

֍

— Aí eu falei pra ele: ¡Me muestra, hijo de una puta!, e o bastardo ficou espumando de raiva e veio pra cima. – Sakura disse, cheia de si.

Sasuke a imaginou desse jeito sentada num bar, numa roda de barbudos e pançudos.

Mas ela estava indo bem na rodinha de policiais que a ouviam muito empolgados. Seu braço ainda estava roxo, e ela o movia pouco, tinha espécie de faixa branca nele e no braço.

Ele meneou a cabeça e suspirou, indo se sentar com uma latinha de refrigerante diet ao lado.

— Parabéns pela prisão do Montez. – Karin disse, se aproximando e sentando na beirada.

— Valeu. – Ele brindou, erguendo a latinha e ela franziu o cenho.

— Refrigerante diet?

— Hm? Apenas diminuindo as calorias. – Deu de ombros, provando e quase cuspindo de volta — Que merda horrível!

Ela riu um pouco.

— Eu sugiro uns sucos e vitaminas, apesar que não acho que você precise se atentar tanto na saúde.

Ele achava que não também, bufou. Mas iria voltar a frequentar a velha academia novamente e iria marcar um check-up em breve, da última vez que vira um médico foi uma belezura de um metro e setenta, que mais parecia uma modelo.

E ela fez questão de examinar outras partes importantes, e aprovar, claro.

— Vai sair cedo hoje? – Ela indagou.

Ele negou, ainda tinha que fazer um relatório e mesmo que fosse, não estava afim de pendurar-se com ela. Não que ainda estivesse irritado com sua birra.

Ela era jovem, talvez fosse bom para ela perceber logo que não tinha muita chance.

Não estava era afim mesmo.

Correr atrás do fodido Montez tirou toda sua energia, lamentavelmente.

Sakura se aproximou pegando sua latinha e tomando um gole, cuspiu de volta e fez um a careta.

— Diet? Quer merda, hein?

— É pra gente abusada se foder mesmo. – Rebateu.

— Não seja assim, parceiro, posso pedir um favor?

— Já sabia que vinha merda...

— Acha que quero mesmo depender de você, malandro? Meu braço está fodido, não consigo escrever nada, nem digitar, faria o meu relatório?

— Eu não seria o filho da puta que acha que eu sou se não negasse. – Sorriu, ela revirou os olhos.

— Cuzão.

— Use a oportunidade pra se tornar uma cadelona ambidestra.

Sakura lhe mostrou o dedo do meio e finalmente notou a outra mulher, e encarou-a erguendo o queixo em cumprimento.

— E aí.

Karin descruzou os braços cumprimentando-a com um olhar avaliativo.

— Também vai aprender a andar armada. – Comentou, apontando a marca roxa.

Sakura riu, pondo a mão boa no quadril.

— Não vai querer lidar comigo nem munida de uma colher de plástico, ruivinha. – Avisou, e se afastou, contornando a mesa e pegando a jaqueta.

— Onde você vai? – Sasuke indagou, embora não estivesse afim que o clima de animosidade entre as duas desabrochasse de vez.

Sakura seguiu em frente, caminhando sobre o salto da botina velha que usava, o traseiro bem proporcionado e as pernas espetaculares naquele jeans de lavagem azul clara.

— Achar alguém que faça o relatório por mim.

E ele não duvidou que ela pudesse conseguir.

Era uma rainha afinal.

Os súditos vinham naturalmente para ela.

— Cadelona.

֍

Sakura conseguiu dormir mesmo que minimamente graças aos analgésicos para dor, e começava a cogitar levar mais umas pancadas vez outra para conseguir fácil esses remédios.

Talvez sua cara fosse estar mais aceitável na manhã seguinte, mas quando o primeiro estrondo de vidro quebrando soou, ela duvidou disso.

A porta do carro foi aberta através do rombo no vidro, ela se levantou sobre o braço bom, a letargia do remédio se tornou um inimigo a mais, quando a puxaram pelas pernas até jogarem-na na calçada e a puxaram pelos cabelos.

— Olá de novo, vagaba! – Gritaram, ela gemeu apenas pela dor no ombro, a jogaram pra trás e um monte de braços a segurou, um chute atingiu seu estomago enquanto mais do vidro do carro era quebrado, a lataria vandalizada.

— Vamos acabar com você e esse carango, dona. – O primeiro deles avisou, segurando um taco de baseball, outros dois chutavam o carro e Sakura presumiu que mais dois ou três a segurassem, apertando seu ombro sem ideia da dor extra que causavam, e puxando pelo couro cabeludo, ela encarou bem reconhecendo o vadiozinho que pusera para correr a alguns dias com o nariz ainda inchado com um curativo e os olhos avermelhados.

— Eu disse que se viesse de novo, te mandaria pro necrotério. – Disse, ele riu, junto dos outros e acertou seu nariz, ela caiu para trás quando a soltaram.

— Devolvendo o presente, madame! Venha aqui, ainda não terminei com você, vou te mostrar um homem de verdade, sua vaca.

Sakura piscou, tentando enxergar, os olhos ardiam pela dor no nariz, mas o puto não havia conseguido quebrar.

Ele teve sua chance, e desperdiçou.

Quando veio pra cima com o taco, ela esticou uma perna, chutando sua canela, usou o tempo da dor dele para se erguer.

A arma estava dentro do carro, para meia sorte deles.

O resto era azar, ela tinha os dois punhos ainda.

— Vem pra cima, neném.

֍

Sasuke desceu as escadas pisando forte a cada passada, ainda vestindo uma jaqueta, o barulho e as luzes que ele ascendeu por onde passava, fizeram os outros irem acordando.

Juugo saiu do quarto, o seguiu, logo Ino, Suigetsu e Karin desceram, todo mundo armado e de pijamas, Ino estava com uma tinta verde no rosto, e Sui quase atirou nela.

— Que porra é essa, mulher?!

— Cala a boca, o que está havendo, Sasuke?

Ele ignorou catando as chaves e calçando os coturnos de qualquer jeito.

— Aquela filha da puta...- Rosnou.

— O que aconteceu? – Juug indagou.

— Eu não sei, não sei. – Ainda estava atordoado por atende o telefone praticamente dormindo e ouvir algo sobre Sakura ter sido atacada por uns vagabundos e estar no hospital. — Tenho que ir pro hospital, ela foi parar lá, aquela maluca desgraçada.

— Ela? Ela quem? Espera! A quarentona?! – Ino exclamou — Meu deus, espera, vou com você.

— Não precisa.

— Precisa sim! Eu adorei ela, meu deus, será que viram o distintivo?

Não era raro, um policial ser pego apenas por ser policial, mas ele duvidava, Sakura estava batendo perna de madrugada, posto que Shino o ligou direto de um parque, foi o máximo que entendera.

Ino já subiu as escadas e desceu tirando o máximo da máscara do rosto com um lenço, calçando pantufas e um robe mais longo.

— Eu vou com você, também quero conhecer essa quarentona. – Sui disse, subindo, Sasuke ignorou e saiu para fora, tirou o carro e dirigiu ouvindo Ino tagarelar e reclamar.

Adentrou o hospital vendo alguns policiais na recepção, inclusive Kakashi.

— Sasuke? Quem o chamou? – Kakashi indagou, surpreso.

— Poderia dizer o mesmo, onde ela está?

— Está sendo examinada, pedi que me avisassem de qualquer problema. – Ele suspirou — Não achei que as coisas estavam tão ruins assim...

— Está tão mal assim? – Ino indagou, horrorizada.

— Não, não é essa a questão, pior estão os vagabundos que a atacaram, mexeram com a fera errada...- Ele suspirou, indo se sentar, os dois o seguiram — Sakura estava na praça, dormindo num carro.

— Como é?

— Pelo o que repararam ela estava morando na droga do carro. – Kakashi disse.

— Como diabos? Porque diabos? – Sasuke exigiu. — Porque ela não está em casa?

— O enfermeiro falou com ela, estava delirando um pouquinho na dor, não queria que ligassem para o número de emergência.

— Quem é?

Kakashi suspirou, se recostando.

— Do marido dela... Ex-marido, ela disse algo sobre ter chego da missão, moravam num apartamento caro do centro, mas a portaria não a permitiu entrar, o cara saiu do apartamento e vendeu tudo, parece que foi morar com outra mulher, tudo o que havia era o mustang e algumas coisas dela no porta-malas, desde então ela está morando nele.

Ino se sentou ao lado dele, a face branca de horror, Kakashi apertou sua mão, compadecido, ela era uma mulher também, obviamente se solidarizaria e se poria um pouco no lugar.

Sasuke se agachou ali mesmo, esfregando o rosto, quase querendo rir de tão furioso que estava, Kakashi bateu de leve em seu ombro.

— Eu disse, disse que sentia que algo mais estava fora do lugar com ela.

Tudo está fora do lugar nela. – Declarou, respirando compassadamente.

— Ela provavelmente é orgulhosa demais pra ir atrás do bastardo e pegar o que merece de volta, ou ainda estava muito chocada.

— Ela devia moer ele no soco, arrancar tudo dele, e não correr atrás de vagabundinhos pra ter algo na carteira, porra.

— É uma soldada, Sasuke, eu acho que Sakura ainda não percebeu que está fora da guerra, ela ainda está indo para lutar e se machucar por qualquer coisa que pareça certa, e ignorando o lado pessoal. Está perdida.

— E você a chama para polícia, grande ajuda.

— Chamei-a para ter uma chance de voltar pra sociedade, ser um soldado é tudo o que ela sabe, precisa desaprender isso um pouco, ser menos isso, mas precisa sentir que está contribuindo. Na polícia, ela pode compensar bastante, e terá tempo de se re-estabelecer. É uma chance que poucas pessoas como ela têm, uma chance que seu tio não teve, e que talvez tivesse salvado ele.

Notas finais
Esse deve ser um daqueles caps em que vcs ficam pensando: "PORRA, Kinester já parou de foder com a vida dessa mulher?" A resposta, é NÃOOOO. Sakurinha é uma pessoa beeem baqueada pela vida, que precisa de um recomeço e de uma boa paz no coraçaum No entanto, pelo menos não é o Sasuke que tá sendo o fdp master, né? É só a vida dando umas rasteiras na pobre da Sakura, buuuut... RAINHA NUNCA PERDE A MAJESTADE, MEUS AMORES. E o Sasuke vai ajudar ela muito, pq né, UM SUGAR DESSES, BIXO. Reiterando que a relação de "ódio e ódio" (em breve "ódio e amor/secsu") desses dois é bem balanceada, mesmo a Sakura estando meio por baixo no momento, não tem nada de mais, é a dinâmica de ambos, se xingam pra crl, mas no fim um vai estender a mão quando o outro precisar. Page> https://www.facebook.com/KinesterFanfictions/