Notas iniciais
E aqui estamos nós para o penúltimo cap de KQ rs

Sakura despertou bem cedo naquele fim de semana, foi até o quarto de Noein, sentou-se na beirada da cama, e mexeu nas cobertas até o encontrar encolhido sob elas.

— Querido? Meu bem, vamos acordando?

— Já...? Mas é fim de semana...

— Eu sei, meu bem. Mas é que gostaria de levá-los para visitar uma pessoa.

— Pessoa? – Ele se sentou, os olhos ainda apertados e o cabelo cada vez maior e mais bagunçado.

— Vai ser divertido. Arrume-se, vou preparar sua irmã.

Sakura deixou o quarto, e foi pegar o bebê. Sarada já estava desperta balançando as pernas um pouco. Ela trocou-a e pôs num vestidinho rosa leve e cheio de drapeados.

— Mas o velho ainda está dormindo... – Noein bocejou da porta.

— Deixe ele. Chegou tarde ontem.

— Hm... Não é por que estão brigados?

Sakura riu suavemente, pondo Sarada na cadeirinha.

— Acha que se estivéssemos brigados ele estaria dormindo na cama? Ele está cansado, além que a pessoa que vamos ver não é exatamente a preferida dele, acho...

— Okay.

— Vamos. Vai ser uma viajem um pouco longa e vamos comer na estrada.

*

Casa de Repouso Donna Lane, Lancaster.

— Carl, seu velho fodido! Está roubando de novo?!

— Se enxergue, Eduard, seu bastardo! Eu não preciso roubar de um velho acabado como você!

— Vai se foder seu...- Ambos pararam de se ameaçarem com as bengalas quando um carrinho de bebê encostou perto da mesa.

Um garoto sorridente, na verdade mais afim de rir, os observou e olhou para trás.

— Você disse que era o mais maluco, mas nenhum parece normal...

Sakura se aproximou, rindo, tinha que concordar. Quando o avô se reunia com sua turminha para o xadrez, cartas ou bingo, chegavam a ser um perigo.

Se a abaixou em frente a cadeira do avô, sorrindo.

— Olá, vovô? Desculpe aparecer assim, mas trouxe uma pessoas que queria que conhecesse.

*

Sasuke bufou mais de uma vez, antes assistir jogos no fim de semana tinha sua cota de diversão pura e relaxamento, exceto por aturar Suigetsu ou Naruto.

Agora ele tinha que aturar ambos, e mais a adição de três cunhados desocupados e rabugentos.

Agora entendia Naruto quando ele reclamava da família da esposa.

E por falar em mulher oficial, Sakura havia dado o fora levando as crianças sem sequer avisar, então além de querer ter sua bonequinha para mimar o fim de semana todo, ou jogar videogame com Noein, queria dar uns tapas no traseiro dela.

— Tem certeza que ela não foi dar uma volta no parque com a Rachel e as crianças? – Juugo perguntou.

— Já liguei, ela não sabe onde a maldita se enfiou, o mesmo para minha mãe, Lídia ou mesmo Mebuki.

Apesar que de todo jeito ele duvidava que ela fosse ver a mãe espontaneamente, era ainda muito orgulhosa para tal. Ao menos a aproximação delas fora algo bem tranquilo.

Sempre achou que saber sobre a mãe fosse ser algo tão chocante e difícil para ela quanto lidar com o pai, mas Mebuki tivera sua figura completamente apagada da criação de Sakura exceto pela marginalização que sofria e que era imposta sobre a filha.

Sakura sempre a tinha visto como um fantasma que só servira de motivo para a diminuir, mas não saber o real motivo do sumiço da mãe a fez ignorar que poderia odiá-la ou ignorou que deveria tentar a compreender, tornando-a apática em relação a sua existência.

Bem, ao menos assim elas poderia recomeçar aos poucos, ele estava mais preocupado com como ela estava lidando depois de saber que seu pai ainda havia feito tanto para afastá-las.

— E quanto a sua sogra? Gente boa?

— Matéria prima da Sakura, o que você espera? – Riu.

— Credo...

— Mas ela é bem tranquila na verdade. Talvez seja a idade mas não é nada como o demônio devasso que viviam pintando por aí. Mandona e cheia de banca no trabalho e parece que ainda não está pronta pra ser chamada de vovó, mas vai se acostumar...

— Sorte a sua, a minha é exatamente como pintam, um demônio.

— Hahaha. Nem me lembre.

Ethan e Damon jogavam cartas na mesa perto da janela e Josh estava mais focado em comer e ver TV, Suigetsu retornou com mais cervejas e foi quando finalmente Sakura entrou trazendo o bebê na cadeirinha e Noein correu para saltar no sofá vago, onde ficou pulando com os cães.

— Ora quem chegou, se não é a realeza que não sabe deixar recado.

— Garoto desce do sofá ou corto suas canelas. E quem disse que não deixei recado? Tinha um bilhete na cama, idiota. – Sakura disse pondo a cadeirinha com Sarada na mesa de centro. — O que é isso? Reunião de pelotas?

— Primeiramente, tira a mão daí, Hozuki. – Sasuke bateu na pata dele, não deixando ninguém pegar o bebê antes dele mesmo, a pegou no colo e trouxe pro peito, recostando-se confortavelmente. — Segundamente, tinha recado nenhum, não sabe atender o telefone?

— Estava na estrada...

— Terceiramente, aonde foi levando minhas crias, mulher?

— Fomos dar um rolê em Lancaster! – Noein anunciou.

— É o quê? Pegou duas horas de estrada com meu bebê?!

Sakura atirou um almofada em Noein, o garoto tombou para atrás do sofá num baque meio alto, os cães ainda pularam por cima e Sasuke se perguntou se isso se enquadraria em agressão contra menores.

— Sai do sofá, peste. E qual o problema? Eu não fiz o bebê dirigir ou usei como estepe. – Ela resmungou, tirando a jaqueta e pegando a cerveja sobre a mesa, tirou a tampinha entre os dentes e cuspiu bem na testa de Sui.

— Se bem que do jeito que ela está gorda, dava pra usar como pneu. – Noein disse, levantando-se e esfregando atrás da cabeça. — Ai... Isso é agressão contra menor, sabe?

— Pula no sofá de novo que vamos enquadrar em crime de tortura, pirralho.

— Sua irmã não está gorda, ela é uma bolota grande e adorável de pura doçura. – Sasuke declarou.

— Gaaaay! – Todo mundo na sala disse.

Sakura o encarou com nojinho.

— Nem dá pra acreditar que foi contigo que a fiz...

— Ás vezes também não acredito, já faz tanto tempo... – Suzpirou ele. Ela revirou os olhos, tomando mais um gole da cerveja, contornou o sofá.

— O que tem pra comer? Não fizeram nada? Bando de pelotas imprestáveis... Noein, vá dar banho na sua irmã.

— O que foram fazer em Lancaster? – Sasuke ciciou pro menino, enquanto o entregava o bebê.

— Fomos ver o vovô Ed.

— Huh? E ainda vive? – Josh disse.

— Eu acho que ele vai durar bastante, apesar que quando me prometeu que eu herdaria uma cabana em Malibu...

— Você é uma vergonha. – Sasuke repreendeu.

— Ele te prometeu a cabana? Eu que deveria herdar a cabana! – Ethan cuspiu da mesa.

— O quê? Por que você? Nem caçula nem primogênito é. – Damon resmungou, aborrecido.

— Ele é bisneto! Eu sou neto! De quem deveria ser a preferência?!

— Eu até queria a cabana, é uma ótima cabana... – Josh comentou.

— O que seu avô prometeu pra sua irmã?

— Eu sei lá, algo sobre ações numa empresa de pesca...?

Sasuke olhou para o bebê e de todas as coisas maravilhosas que esta criaturinha lhe fez sentir, ele nunca imaginou que “bolsos cheios” fosse ser uma delas.

— Ah, minha bolotinha de ouro... – Disse, tentando pegar ela de novo, mas Noein se afastou, levando-a.

— Somos ambos uma mina de ouro, hehe, né irmãzinha linda e fofa?

— Fique longe desse bebê, seu caloteiro! Sakura?! Isso tudo é verdade?

— Não se empolgue ainda, caloteiro. Vovô só estava emocionado, é provável que nem seja capaz de mudar o testamento mais...

— Meu primo Shisui poderia ajudar muito, sabe disso.

Sakura revirou os olhos e sorriu, saliente.

— Por falar no Shisui...

— Está fora da cidade. – Ele cortou logo, aborrecido e ela ficou rindo enquanto cortava alguns legumes.

— Vá ver se Noein está dando banho no bebê direitinho.

Sasuke se levantou, lembrando que da última vez, Noein pôs muita loção infantil na água da banheira, e mexeu a água com a batedeira até criar tanta espuma que quase perderam Sarada lá dentro.

Ele realmente torcia que esse jeito empolgado e criativo de brincar com a irmã melhorasse com o tempo, ou Sarada estaria em apuros.

Nem chegou no quarto do bebê, Noein estava no banheiro com a porta aberta, lavando os pézinhos de Sarada.

Que estava deitada sobre toalhas molhadas.

Dentro.

Da

Pia.

E com a torneira ligada jorrando água sobre sua barriguinha.

— Noein... Por que não dá banho nela, dentro da banheira dela?

— Ah, nem tem torneira, e a banheira daqui é muito grande pra ela, então a pia é perfeita! Olha como ela encaixa aqui dentro? Parece um bolo fofo na forma, hahaha. Ela está adorando!

Sasuke não podia negar que o bebê parecia até se divertir mas se Sakura visse, eles seriam afogados na pia.

— Você molhou quantas toalhas?

— Duas? Tá bem confortável e macio... Parece até um SPÁ.

— De acordo. – Sasuke puxou o telefone da calça e tirou algumas fotos daquela obra de arte polêmica.

Vossa majestade mandaria cortar as cabeças deles.

— Certo? Certo, vamos finalizar isso, princesa, está gostando? Se divertiram no passeio? Aquele velho não foi um babaca com vocês, foi?

— Ele é hilário! Jogamos xadrez, cartas, rolou até bingo! A terceira idade é demais!

— Sei...?

— Tinha que ter visto, eles brigaram dando bengaladas um no outro e o tio Ed disse que quando as enfermeiras não estão por perto, eles apostam quem é mais rápido na cadeira de rodas!

— E foi assim que ele quebrou a bacia. – Sakura disse. — Eu não sei de quem foi a brilhante ideia de banhar o bebê na pia, mas quem concordou também não está valendo muita coisa. Terminem isso logo. – Avisou, saindo.

— Sim, senhora!

— Claro, querida.

— Mas só pra avisar, a ideia foi do...

Moleque.

*

— Sakura? Vamos, querida. – Sasuke chamou, mais uma vez. Desistiu de por uma grava e largou-a sobre a cama.

Sakura finalmente deixou o banheiro, pegou a gravata e foi até ele, passando-a em torno de seu pescoço, Sasuke estudou o vestido dela, bastante incerto da escolha.

— Você está usando calcinha? – Sakura apertou o nó da gravata um pouco forte como sempre e o fitou.

— Que pressa é essa, hum?

— Não, sério, sabe que só vamos jantar, certo? Precisa tudo isso.

— Ai que bobagem, nem é grande coisa, sequer tive tempo de fazer o cabelo, agora vamos?

Pegou a carteira e seguiu para a porta.

Sasuke acompanhou, não muito seguro ainda por cima, mas talvez fosse sua própria insegurança hoje.

— Crianças, estamos saindo, o bebê já está dormindo então deve ficar tudo em paz por enquanto. – Sakura disse.

— Uau! Vocês vão a uma festa, por acaso? Está incrível! – Ino declarou, aproximando-se com uma bacia de pipoca.

— Me pergunto o mesmo... – Sasuke resmungou.

— Qual o grande problema, hein? Se vai amarrar a cara, eu te deixo aqui e chamo alguém jovem, sexy e sorridente pra comer comigo.

— E vejam só, encaixo perfeitamente no padrão! – Sui declarou. — Principalmente se for pra ir comer.

— Cala a boca. Karin e Noein, vocês estão no comando da casa por hoje. Vigiem o bebê, não deixem o Cherry roer mais nada, e se preciso for, usem poder de fogo pra se livrar de alguns otários.

— Sim, capitão!

— Porque eles dois? Eles não são confiáveis! – Ino protestou.

— Não são, mas é mais fácil comprar a lealdade deles.

— Certo, certo. Se comporte, e vá pra cama cedo, não é só porque é fim de semana que é pra extrapolar. – Sakura aconselhou, beijando a cabeça do filho.

— Posso fingir que não ouvi isso em troca de um elogio? Você está muito gata hoje.

— Boa tentativa.

— Gata demais pra andar com esse cara.

— Okay, mas não passe da uma da manhã.

Yes!

Sakura seguiu para a porta, ignorando o olhar irritado de Sasuke.

— Cuidem-se, crianças. Anda logo, pelotas.

Sasuke bufou, indo para o carro, Sakura já estava dentro, olhando a maquiagem.

Pelotas isso, pelotas aquilo, de onde tirou essa palavra mesmo?

— O que você? Você não sabe? Mas vive pagando de fluente em espanhol...

— O quê? Desde quando? O máximo que sei falar de espanhol é gritar “Tequila!¡”— Disse, com a voz mais ridícula do mundo. — Como na música do The Champs. E geralmente tenho que estar bem chapado e sem resquícios de dignidade para faze-lo.

— Ah, achei que soubesse, Matsuri disse que estava se dando tão bem com as novas investigadoras...

— Ah, fala sério!

— Ouvi que parecem a miss México...

— Que besteira!

— E que gostam de um coroa gostoso. Então mantenha sua rabugice num nível bem alto, camarada, ou suas pelotinhas estarão em risco.

— Que pelotas?!

— Suas bolas, idiota.

— Ah. Mas eu não fiz nada!

— Cala a boca e comece a dirigir! Humpf... Aiai, tequila, ridículo.

— Gostava mais de quando você ria das minhas pretendentes. – Sasuke meneou a cabeça, dando partida e finalmente indo para a rua.

— É claro que vou rir, querido. Assim que eu puder estar lá, olhar nas caras das peruas e dizer “Miss México? Essas são versões da DeepWeb?”

— Você. Absolutamente. Não vai dizer isso!

— Me aguarde.

— Quer levar uma advertência?!

— E quem vai dar?! O pai dos meus bebês?!

— O delegado!

— O pai dos meus bebês?!

— Isso é abuso de poder! Tente se aproveitar de mim e vai quebrar a cara, querida.

— Veremos, malandro.

Eles foram jantar no Soho de novo, por que era o favorito dela e porque, bem, o certo, aparentemente, era agradar ela.

Mas eles só comeram e discutiram a noite toda, Sasuke não sabia se isso era bom ou frustrante. Andavam tão ocupados com as crianças, rotina e tudo mais que nem batiam boca como antigamente.

Ao menos Sakura estava muito feliz comendo salmão agora, ele suspirou, observando-a e tirou a caixa preta de dentro do bolso, pondo-a sobrea mesa.

Ela fitou a caixa, e o fitou, e então sorriu puxando o garfo de entre os lábios.

— Hmmm, Tequila! – Brincou e ele bufou.

— Você nunca verá isso acontecer... – Avisou logo.

— Hum, será? Porque se o que estiver nessa caixa for o que eu imagino, logo teremos uma festa pra eu te ver gritar Tequila, siiim!

— Nunca, isso foi na faculdade. Sou pai de duas crianças agora, um anjo e um diabo, não posso baixar mais a esse nível.

Ela riu, se remexendo ansiosa antes de pegar a caixa.

— Vamos veeer! Sabia que você aprontaria algo.

— Por isso está sem calcinha?

— Não, isso é só para o caso de eu gostar muito da surpresa. – Sakura piscou.

E finalmente abriu. Encarando as alianças de ouro puro, o fitou realmente chocada.

— Puta merda, Sasuke!

— Eu sei.

— Meu Deus, são enormes. Quer tanto assim mostrar que tem dona?

— Humpf.

Sakura as tirou da caixa e deixando na palma, mediu o peso o talhe de aspecto áspero e arranhado na superfície do ouro.

—Algo meio rude e cheio de marcas... Acho que traduz bem a nossa dinâmica...

Sakura o encarou e sorriu, quase sem palavras.

— Eu deveria experimentar?

— Fique a vontade, e faça sozinha. Eu mesmo só colocarei se tiver de colocar...

— Ah, claro, você quer uma resposta.

— Não era suposto que você entendesse o processo melhor que eu?

Sakura riu e pondo a aliança no dedo, se levantou e quase deitou na mesa em sua direção, segurando a aliança dele na ponta do indicador, ele ficou admirando os bolinhos no decote do vestido.

— Quer uma resposta? Sua resposta é. Estou bem feliz de ter vindo sem calcinha.

— Graças a Deus, agora saia de cima da mesa, amor. Ou o cara da mesa ali atrás também vai ficar feliz de você estar sem calcinha e eu vou ter que socar ele.

Sakura retornou pro lugar, sorrindo ao estilo louca pra foder e guardando as alianças.

Sasuke pediu logo a conta e pegou a caixa de volta enquanto saíam. Do jeito que ambos estavam, eles teriam que tomar cuidado pra não perder até as calças antes de chegarem no hotel.

No caso ele.

Mas ela só tinha uma pequena exigência no fim da noite.

Que o pai dela também fosse ao casamento.

Notas finais
É oficial, preparem suas melhores roupinhas que finalmente vamos amarrar a Rainha e o Malandro Vestido d hj: https://imgur.com/a/CLIQv6h Alianças: https://www.tmuuz7.com/wp-content/uploads/2017/08/00c14fa1eee490ae642253c2ef49c54c-300x300.jpg TEQUILAAAA (essa vai tocar ate no meu casamento): https://youtu.be/QVnwBcqb6SI Inté o prox e o último caaap!