Killer Queen

33 Rainha Maternal


Notas iniciais
Hello, óia eu aqui

Ele abriu e fechou a boca várias vezes, fitando no fundo de seus olhos verdes muito brilhantes, e já sabendo a fodida resposta.

— Mãe, você quer ser mãe?

Sakura assentiu, pondo a palma contra a boca, e ainda com medo do que ele iria dizer, no entanto, repentinamente feliz.

Feliz de admitir isso, e já não soar tão assustador ou ruim, não tinha como algo assim ser ruim, certo?

Milhares de mulheres eram mães todos os dias, ela certamente poderia tentar, não estaria entrando num vale inexplorado, e a recompensa... um doce bebê em seus braços, ou quem sabe um pequeno traquinas correndo pela casa, um adolescente aborrecido grudado ao celular, até mesmo, isso parecia encantador agora.

Encantador e natural, porque ela não poderia tentar? Porque não poderia ter?

Sasuke engoliu e engoliu o nada, tentando ter o que falar, ela escondia os lábios com a mão porque queria sorrir muito, até gargalhar, queria muito isso mesmo que ele fosse chama-la de louca, ou mesmo terminar com ela...

Era isso que mais a fazia temer a aceitar essa vontade, pois o que os dois tinham juntos já era bom demais para ser verdade, e temia estragar isso, pois Sasuke... Não poderia obriga-lo a se sentir como ela.

— Quer ter um bebê? Tipo, agora? Assim? Do nada? Você... – Ele esfregou o rosto, meio pálido. — Não, não é do nada, sei que não é. Talvez seja pelo que houve, mas seria muito egoísta por dessa forma...

— Não é só pelo que houve, eu juro. Eu já aceitei, juro mesmo. Nosso bebê não vai voltar, eu não vou poder... gesta-lo, mas... Eu ainda quero ter isso, quero ter um segundo filho, quero ser mãe desta vez.

— E o Noein?

Sakura se encolheu por um momento, Sasuke se sentiu mal. Não era uma chantagem, nem uma troca. Por mais que ela quisesse adotar Noein, não seria capaz de ter a experiência de gravidez, do parto e tudo mais. Além de quê, sabia que uma coisa não excluiria a outra, e viu isso nos olhos dela logo em seguida.

— Quero ter os dois. – Sakura declarou.

Ele não poderia argumentar contra, nesse ponto. Muitas pessoas adotavam crianças antes ou depois de terem filhos, afinal, mas estava mais preocupado com ela tão sonhadora, os pés fora do chão, quando ele sabia o que acontecia quando os balões estouravam.

Não sabia se seria capaz de suportar outra perda de novo, muito menos se Sakura era capaz.

— Sakura... Você tem que pensar direito.

— Eu...

— Por favor. – Pediu, segurando seu rosto. — Eu não quero te ver sofrendo de novo... Eu não quero que tenha que comprar outra meia branca.

Sakura o fitou, sem resposta, e se encolheu no colo dele, cobrindo o rosto para esconder o choro.

Sasuke abraçou-a, sentindo que ela estava a mil outra vez, torturando-se. Havia percebido que ela andava distraída nos últimos dias, mas havia decidido não forçar mais nenhuma entrada.

E foi nesse momento que percebeu que talvez ela só confessara agora porque ele não a estava importunando tanto. E viu que fazê-la sentir-se mal por desejar algo que merecia ter, era justamente o que a estava premiando por ter confiado em si.

Inspirou e puxou o queixo dela para fita-la.

— Olhe pra mim. Não vai decidir nada, não agora, okay? Você está emotiva, é fim de ano, muita coisa aconteceu. Eu... Vou aceitar qualquer decisão que você tenha, mas quero que você pense bem, que espere um tempo, e se continuar sentindo que é o quer, vai acontecer. Até lá, não falamos mais nisso, nem com ninguém, sim?

— Sim. Prometo.

— Vai continuar sua vida, não vai procurar nenhuma clínica de inseminação ou um médico, ainda, certo? Só você, sua consciência, seu coração... Okay?

Sakura assentiu, o abraçando.

— Me desculpe.

— Já está valendo, não falamos mais sobre.

— Okay, obrigado. Vamos sair? Eu quero sair.

Ele já não tinha mais ânimo para nada, mas se levantou mesmo assim.

— Vamos esquiar.

— Ótimo! – Sakura sorriu, como que revigorada.

֍

No dia de ano novo, eles resolveram apreciar a festa da praia.

Sakura já havia desfeito o penteado a tempos, ventava muito e logo após a contagem e os fogos, eles caminharam ao longo da beira mar, ela segurando as sandálias numa mão, e ele uma garrafa de champanhe e duas taças, já descalço, nem sabia onde largara os sapatos, e mentalmente torcia para ainda ter as chaves do carro no bolso, estava com preguiça de soltar a mão dela e verificar.

— Você vai voltar pro DP? – Ela indagou, parando. Sasuke suspirou e se sentou na areia.

— Nada como começar o ano trabalhando.

Havia um caso de assassinato num hotel, Sai estava cobrindo junto com Kiba, parecia algo fácil de resolver, mas ele resolveu não deixar para mais tarde pois todos os possíveis suspeitos tinham grana para escapar e Sasuke era necessário para expedir qualquer mandado de busca ou prisão ao juiz.

Sakura se acomodou entre as pernas dele, aborrecida por ter que voltar para casa só, mas não discutiu.

— Então, qual os desejos para o começo do ano?

— Hm? Ah...

Ela encarou o mal escuro, apenas as luzes da cidade incidindo sobre as ondas.

— Não tenho nada em especial para começar...

— Não? – Ele duvidou, e ela riu.

— Tá, tenho. Que seja, mas vou manter fora. Vamos deixar a meta em aberto, que tal? Que tudo apenas dê certo, da melhor maneira.

Sasuke desatarraxou a rolha do champanhe que saltou em direção ao mar num estampido alto, um pouco da espuma escapou e Sakura riu, ele serviu as taças e os dois beberam e fizeram sexo na areia, sem muita pressa porque ela queria o segurar mais tempo ali. Ele só estava preocupado com voyeurs.

Levou-a para casa e seguiu para a delegacia.

Infelizmente, algumas pessoas não se importavam de começar o ano derramando sangue. Ele não poderia então, se importar de começar pondo-os na cadeia.

֍

Dois meses depois.

Sakura cruzou o departamento sem muita pressa, a garrafa térmica com café ainda bem quente, cumprimentou alguns colegas e adentrou o escritório de Sasuke, ele ergueu olhos de uma documentação para ela e se recostou.

— Podia bater de vez em quando, assim o resto deles vai achar que pode chegar entrando também.

Ela deu de ombros, presunçosa. E parou diante da mesa, deixando a garrafa sobre.

— Eles não são igual a mim, eu posso, sou sua dona, afinal.

— Aham, claro. — Sasuke pegou a garrafa, e apreciou o cheiro forte do café dela. — Hmmm, café.

Sakura revirou os olhos se apoiou na mesa, na direção dele. Deixando um beijo em seu queixo.

— Tem que parar de sair de casa tão atrasado. – Avisou.

— Quem quis uma rapidinha no banheiro?

Sakura se afastou e seguiu para a porta, o fitando por sobre o ombro com malícia.

— Você. – Lembrou-o.

Ele não poderia negar, apenas apreciou a visão dela saindo e reinando por onde passava. Usava um body preto, de costas nuas e uma calça social também preta, foi até mesa, pegou o coldre e a jaqueta e sinalizou para Matsuri a seguir, esta foi como um cachorrinho pinscher atrás de um alto poodle.

Nada como um dia normal.

Ele se serviu do café, ela já sabia fazer bem como ele gostava mais, o que a secretária dele não tinha muita mão para conseguir.

Claro que ela não admitiria que estava marcando território. Sakura ser ciumenta foi uma novidade assustadora, ela confiava muito no próprio taco, mas também não se importava de manter as coisas bem demarcadas. E em geral era ele que se fodia se fosse simpático demais.

Não demorou muito e ouviu batidas na porta, se virou e se levantou, surpreso em se deparar com Kakashi.

— Caramba, velho, você ainda tá vivo.

— Ora, mandou me matar? E você parece bem, huh? – Kakashi sorriu, aproximando-se e trocando um abraço com ele.

— Velho sacana, porque sumiu? Estava quase indo a sua casa com um esquadrão.

— Por isso Sakura diz que você é dramático. E ela está ótima, hã?

— Pôde vê-la? Ela está mesmo.

Kakashi se sentou na cadeira de visitas e ele sentou na beira da mesa mesmo, cruzando os braços.

— Desculpe não ter aparecido durantes as últimas festas. As coisas estiveram um pouco complicadas.

— Muitas séries para ver?

— Em parte. E a minha favorita só volta no outro ano. Isso é lamentável.

Ele parecia realmente desolado, e suspirou e fitou Sasuke com um sorriso um pouco triste mas também aliviado.

— Rin e eu nos divorciamos.

Sasuke soltou os braços, apesar que já esperava isso, ainda era um pouco chocante.

— E como ela reagiu?

— Ah, foi um inferno. Mas serviu para ela perceber que essa dependência que estabelecemos era muito... tóxica. Tive que acompanha-la em alguns terapeutas, também resolver tudo sobre a separação dos bens. Ela não queria nada, mas não podia ficar sem, não tem um emprego remunerado pois sempre trabalhou em Ongs, mas com o tratamento dando resultado, ela aceitou tudo, ontem a embarquei num voo para o Maine.

— Maine?!

— Tínhamos uma casa lá. Agora é dela. Ela achou melhor recomeçar longe de mim. Parece que eu meio que sou... o problema central.

Sasuke se perguntou se não era a mesma questão que havia entre Sakura e o pai. Mas duvidou, Sakura sempre estaria ligada a ele, Rin tinha que compreender que nenhum laço além de Obito prendia ela a Kakashi, e deixar isso morrer em paz assim como o tio.

— Entendo...

— Bom, descobri que também tinha dificuldade em deixá-la ir. Era o que chamavam de relação abusiva, erámos abusivos um com o outro, privávamos um ao outro. Mas ela foi sempre mais passional. De qualquer forma, ela vai continuar o tratamento onde está. E eu... Vou... Continuar... Seja lá o que isso queira dizer.

Ele parecia meio cansado e perdido, talvez deixar o emprego fosse a alternativa errada agora. Talvez ele precisasse voltar a ativa como forma de se encontrar um pouco. Mas havia a questão da saúde e Sasuke não poderia passar por cima disto e lhe oferecer o cargo de volta.

— Bom, e o que tem feito no tempo livre?

— Um monte de coisas. Desde andar nu em casa e participar de leilões on-line até jogo do bicho e prostitutas.

— Okay. Estou assustado.

— As garotas eram bem gentis...

— Estou mais horrorizado com imaginar você andando nu por aquela casa.

— Mas eu estou em ótima forma.

— Vou fazer Sakura andar nua pela casa para esquecer essa atrocidade.

Kakashi deu de ombros.

— As meninas elogiaram. Mas enfim, o que tem acontecido de divertido por aqui?

— Infelizmente nada além do normal. Gostaria de dar uma mão em algum caso?

— No momento? Adoraria dar pitaco sim, mas não quero atrapalhar.

— Besteira. Mas já pensou em voltar a ser investigador? Nem que particular?

— Como antigamente? Descobrir casos de traição ou roubo em famílias não me é mais tão atrativo. Mas posso pegar um ou outro pra sentir que estou sendo útil...

— Você já esta falando como aqueles aposentados do condomínio de idosos. Quer que eu pague umas garotas pra te animar?

Kakashi riu e levantou.

— Por mais que eu fosse adorar ver você se rebolando para explicar a Sakura as faturas do seu cartão de crédito, eu vou dispensar, desta vez. Mas meu aniversário está chegando.

— Anotado, meu chapa.

— Vou conversar um pouco mais com o pessoal e cair fora. Diga a Sakura que mandei um abraço.

— Tente aparecer lá em casa, ela vai adorar cozinhar algo pra nós.

— Tentador. Quem sabe.

Ele saiu e Sasuke voltou para a cadeira. Duvidando que ele fosse mesmo aparecer casualmente. Felizmente, quando falasse com Sakura, ela iria pegar o velho e levar para casa facilmente. Persuasão e ameaça eram grandes talentos dela.

֍

Sakura passou por baixo da faixa amarela enquanto enfiava as mãos num par de luvas de látex.

Seguiu um dos policiais até atrás de um monte de areia no centro da obra do que seria um novo Walmart.

Matsuri estava agachada perto do corpo de uma mulher de cerca de trinta ou trinta e cinco anos, loira e muito bem vestida, porém o vestido vermelho que usava já estava bastante avariado.

Pela cor da pele no momento, suspeitou que tivesse morrido a pelo menos doze horas.

Matsuri se ergueu, e lhe entregou a carteira da vítima.

Sakura abriu, olhando os documentos todos ali, inclusive dinheiro, a vítima se chamava Cristina Putnam, tinha trinta e quatro anos e parecia ser de classe média alta. Também encontrou uma foto dela junto com quatro crianças entre dez e quinze anos, lindos olhos verdes e dourados e não pode deixar se já sentir-se mal de dar essa notícia a uma família tão bonita.

Fechou a carteira e se concentrou no corpo, abaixando-se.

— O carro dela está no estacionamento, as chaves perto das rodas. – Matsuri disse.

— Então ela foi pega lá. Mande verificar se tem câmeras.

— Claro. Ah, já ligaram para o marido, ela é gerente de uma galeria aqui perto, deveria ter ido pra casa lá pelas sete, mas ficou até mais tarde com um cliente. Já estamos verificando a agenda e o computador...

Sakura se levantou, encarando o corpo com uma expressão tensa e enraivada.

— O que foi?

Ela passou os olhos novamente e então gesticulou para a perícia se aproximar novamente, com pressa.

— Fotografe tudo, leve o corpo, quero prioridade total no momento e sem declarações á mídia. – Ordenou.

Eles assentiram mobilizando-se rapidamente e Matsuri se aproximou dela, vendo-a tirar as luvas e pegar o telefone.

— O que houve?

— Preciso ligar para o Sasuke. Isso aí, esse filho da puta, é o bastardo do Green eyes. – Rosnou, marchando rumo ao carro. Matsuri perdeu o ar, olhou os peritos começarem a ensacar o corpo e correu atrás da parceira.

— Você tem certeza?!

— Mesmo método, arrastou-a pra um beco, estuprou, esganou e bateu na cabeça enquanto ela lutava. E os olhos...

Matsuri não tinha reparado, a mulher não era um tipo exatamente chamativo para si, era loira como milhares em Los Angeles, alta, bem vestida, e olhos verdes ou azuis eram só um detalhe padrão qualquer.

— Mas pode ter sido um caso passional também. Ela é bem mais velha que as outras afinal.

— Olhos não envelhecem. Se é isso que atrai esse pervertido nojento, nem uma criança pode estar segura. – Sakura rosnou, ligando o carro. Matsuri passou o cinto e apoiou as mãos nos painel. Já estava pegando o jeito com o ritmo de Sakura.

֍

— Tá de sacanagem?! – Sasuke rugiu para a sala inteira estremecer. Matsuri se escondeu um pouco atrás de Sakura e Kakashi, que já estava quase saindo antes de ser pego no meio do alvoroço.

Sasuke se virou, esfregando as mãos nos cabelos e então chutando uma das cadeiras.

— Filho da puta desgraçado!

— Você viu o padrão? Não acha que pode ser coincidência ou um imitador? — Kakashi indagou.

— Um imitador? Talvez, não é como se ele deixasse uma assinatura ou digital, mas...

— É ele sim... – Sasuke interrompeu, ofegando um pouco. — Se passaram o quê? Seis? Sete meses? Eu já devia saber....ele não conseguiria aguentar, é como uma sede, coça sob a pele. Ele precisa, viciou, não suportaria mais tempo que isso. Mas o que irrita é...

— Esperava que ele estivesse fora da cidade. – Kakashi completou. — Depois que a última vítima escapou, claro. Ele não é tão audacioso. Eu arriscaria que fugiu sim, mas para esperar a poeira baixar.

— Que bastardo. Mas então? O que vamos fazer? – Matsuri interrogou.

Sakura jogou os olhos sobre Sasuke, assim como os outros policiais. Infelizmente ele tinha o pequeno mau costume de levar algumas coisas pro pessoal, provavelmente todo policial deveria ter. O fraco dele eram crianças e mulheres, e tinha que admitir que perceber que o assassino tivera a ousadia de continuar usando Los Angeles como território de caça era muito irritante, uma audácia e até um desafio á polícia.

Seguiu até a mesa sentando-se nela enquanto Sasuke andava de um lado para o outro, bufando e provavelmente mais inclinado em pensar em quantos socos daria do que em pegar o cara, enquanto estivesse com a cabeça quente.

Mas geralmente ele até pensava melhor sobre pressão, só precisava ser empurrado direito.

— O que vai fazer? O tempo está passando, vai esperar mais seis meses? – O resto da sala esbugalhou os olhos em sua direção. Matsuri agora achou seguro ficar atrás do antigo delegado.

— Cala a boca, estou pensando. – Ele rosnou, já andando pra lá e para cá como um leão numa jaula, o cabelo cada vez mais arrepiado, esfregando as têmporas. — O corpo...

— Já está com o legista, mas você sabe que não vai encontrar nada que já não tenha encontrado antes.

— Se ele não estava aguentando mais. Pode ter se apressado, penetrado, deixado sêmen. – Kakashi pontuou. Sakura deu de ombros, displicente.

— Não vai bater com nada no banco de dados, assim como o das outras vítimas não bateu, amorzinho. – Avisou.

— Disse que foi no estacionamento, já conferiram as câmeras?

— Também já estão com os peritos, querido. Mas o que vai fazer com a imprensa? Imagine o alvoroço que vai ser. Primeira página, com certeza.

— Está querendo um tiro no rabo, Sakura? – Sasuke perguntou, fuzilando-a com o olhar.

— Quero soluções, querido. Estamos em Los Angeles, o caso já repercutiu muito ano passado,, eles vão voar para cá, voltar a atazanar os parentes das vítimas, e cada passo nosso vai parar na tv onde o fodido vai acompanhar.

— Eu sei, eu sei porra!

— Tic-tac, tic- tac...- Sasuke avanço nela, pondo a mão em torno de seu maxilar e fechando aquela boca do demônio.

— Você acha cada hora me tirar do juízo com essa boca e esses...- Encarou bem no fundo dos olhos cínicos dela, se vendo refletido no verde exuberante deles. — Olhos... – Voltou-se para a equipe. —Verdes. Porra, sei como desviar a mídia.

— Como?!

— Primeiramente. Que a descrição inicial da vítima não vai incluir olhos verdes. – Ele decidiu, maquinando cada vez mais mas ainda preferindo segurar a boca de Sakura bem fechada. — Ninguém tirou fotos do corpo ou se aproximou muito, certo?

— Não, os funcionários da obra chamaram um carro de polícia que estava perto, eles isolaram a tempo. – Matsuri respondeu.

— Perfeito. Mande todos que viram o corpo pra cá, vamos ter uma conversinha sobre sigilo. A nota vai mentir sobre os olhos dela, e quando encontrarem a família, peça que acessem e desativem todas a redes sociais da vítima. Se não puderem, o pessoal da informática faz de boa. Assim eles vão demorar a encontrar fotos da vítima, a foto que sair nos jornais vai ser em preto e branco também.

— Genial, mas sabe que não vai durar muito tempo. Assim que o nome dela for divulgado... -Kakashi pontuou.

— Vou conversar com a família sobre. Eles tem filhos pequenos, não vão querer esse tipo de atenção. Eles concordam em mantermos o nome dela a salvo pelo menos por um tempo, e enquanto isso, torcemos para arranjar uma pista melhor. Além que, sem dar tanto buzz, ele, não vai se sentir tão intimidado novamente e pode ficar desleixado nem que seja pra sair na rua.

— Ou pra fazer outra vítima. – Lee apontou.

Sasuke meneou a cabeça e se voltou para Sakura, os olhos escuros brilhando quentes e determinados.

— Ah, mas não vai mesmo. Esse fodido caiu na minha mão agora. – Avisou puxando-a pelo pescoço e plantando um beijo duro na boca dela. Soltou-a e seguiu para fora. — Vão trabalhar seu filhos da mãe.

Todo mundo correu para a porta e Sakura quase se deitou na mesa, tão mole se sentiu com toda aquela autoridade e, hum, virilidade, exalando assim.

— Uh, nossa. Achei que ele fosse te comer. -Kakashi riu. Ela suspirou.

— Bem que podia...

— Hum?

— Deixa pra lá.

֍

Depois de um turno de quarenta horas, alimentado apenas por pizza fria e um banho gelado no banheiro da DP, Sasuke se jogou na cama e queria morrer.

Mas sentia que valeu a pena, que iria valer. Se sentia bem mais perto agora do que no ano passado.

Se o desgraçado pusesse a cara na rua mais uma vez...

— Sasuke? – Sakura chamou, vindo do banheiro. Ele levantou um pouco a cabeça para vê-la se aproximar, vestindo um conjunto de lingerie púrpura recoberto com renda preta, o cabelo ainda molhado.

— Olhe só pra você. E pensar que passou dois dias me fazendo querer te matar.

Ela riu e montou em seu quadril, jogando a toalha no chão, passou a mão no peito dele.

— Olhe só para o meu malandro, está tão cansando de fazer justiça. – Ronronou, beijando seu rosto e pescoço. Ele suspirou, alisando suas costas.

— Estou mesmo. – Confessou.

— Hmmmm. Deixa eu te fazer relaxar, meu super herói...- Sakura ofereceu, deslizando para o chão ao pé da cama, entre as pernas dele e baixando o zíper. Provocou-o com a língua, sobre o tecido da cueca, até finalmente puxa-la e o estender para fora com uma mão. A outra empurrou o cabelo para trás enquanto o envolvia entre os lábios devagar e carinhosamente.

Ele desistiu totalmente da ideia de morrer agora. Apenas fechou os olhos esticou as costas mais confortavelmente e sentiu a boca dela o molhando, trabalhando e tomando cada vez mais, sempre lento.

— Se sente recompensando agora, querido?

— Melhor que ganhar na loteria, querida.

Sakura se apoiou em seus joelhos, começando a chupar com mais força e sem usar as mãos, grunhindo manhosa.

Ele gemeu roucamente. Sentando, assistindo-a e venerando a imagem. Acariciou seu rosto, espáduas e apertou o traseiro empinado.

— Tão quente, você é o próprio inferno. Uma tentação e um infortúnio quando quer. Vamos lá, tome isso. – Ordenou, envolvendo seu pescoço e ditando o ritmo que ela seguiu com prazer.

Sasuke apertou os olhos por um instante, quando a primeira pontada veio mas abriu, assistindo deliciado ela o deixar encher sua boca vermelha e então engolir.

— Você é divina. – Sakura riu.

— E você não se decide. – O beijou e se levantou, Sasuke encheu seu pescoço de beijos, apertando tudo que tinha direito. — Vamos lá, garotão. Se quer segundo round, ao menos tome um banho de verdade e coma comida de verdade, pra recarregar as energias, certo?

Sasuke adoraria pular pra o segundo round, mas talvez ela o matasse de vez se arriscasse toma-la depois de tanto tempo de trabalho, sem dormir ou comer direito. Sakura era uma máquina de sexo que poderia ser perigosa se utilizada sem os devidos cuidados.

— Okay. – Concordou, soltando-a e se dirigindo para o banheiro. Ela pegou um robe de seda, preto, um pouco curto demais e seguiu para fora, fazendo querer segui-la apertando sua bunda.

Apenas torceu que não houvesse ninguém em casa pra reparar.

Sakura desceu para a cozinha, ouvindo Gibs e Augustine rosnando em direção a porta dos fundos, de pé sobre as patas traseiras, eles encaravam através da parte de vidro.

— Hey, o que foi?

Como Gibs era um brutamontes como o dono, havia feito a proeza de arrebentar a tela de plástico que cobria a entrada feita para eles saírem quando bem quisessem, então Sasuke optou por fechá-la de vez até que concertasse, usando uma placa de madeira.

Ela os afastou da frente e encarou o quintal, apenas as luzes da beira da piscina estavam acesas, as da garagem que ficava quase ao lado, apagadas, deixando quase todo o quintal na penumbra. Foi até o interruptor ao lado da porta. As ascendeu e voltou, observando parte do quintal iluminada agora. Exceto pela parte oposta á piscina, onde haviam duas árvores e os arbustos que nasceram perto da cerca do vizinho lateral.

Gibson latiu alto e arranhou a porta ao que pareceu ser algum movimento perto da cerca. Ela presumiu que fosse algum gato, e resolveu deixá-los sair logo. Abriu a porta e saiu dando passagem a eles. Os observou sumirem entre os arbustos latindo e rosnando, cruzou os braços em espera, e logo Augustine retornou, perdendo o interesse, mas sempre olhando para trás, enquanto Gibs continuava latindo na cerca.

Sakura encarou as sombras entre as árvores dos fundos e ao redor não muito... Segura. Na verdade, intrigada, insatisfeita. Talvez instinto.

— Querida? – Sasuke saiu, e abraçou-a por trás, sua pele ainda tinha respingos de água, fresca e um pouco fria, ela se arrepiou, mas era um arrepio bom. — Que faz aqui fora? E o que esses dois têm?

Sakura se voltou para ele, sorrindo um pouco, deu de ombros.

— Nada, acho que era só um gato mesmo.

— Hm. Vamos entrar, está praticamente nua aqui fora? Tão safada...

Ela riu, enquanto ele a puxava para casa, mordiscando sua orelha. Antes de fechar a porta, assoviou, convocando os cães de volta para dentro.

— Tem que concertar essa porta logo. Eles não sossegam dentro de casa. – Sakura avisou.

— Eu sei. Mas talvez casinhas sejam melhor...

— Também não precisa expulsá-los.

— Mamãezona...

— Idiota!

֍

Sasuke levou Sakura para o The Capital Grille, um restaurante-bar em Beverlly Center, que ele descobrira a alguns dias e gostara do ambiente.

Ela disse que queria conversar, e ele já presumia saber sobre o que era, não negava que temia a resposta, mas tomara o tempo que deram para pensar, tanto quanto ela.

Não podia dizer que estava totalmente pronto para qualquer decisão dela, mas estava preparado para encarar o que viesse.

Já sentado no bar, esfregou as mãos com nervosismo, então viu Sakura entrar, acompanhada de um maitrê, ele se ergueu do banco, acenando e ela chegou, sorrindo.

— Desculpe a demora. Acho que o GPS do meu carro está meio doido.

— Tudo bem, nossa mesa ainda nem está pronta.

— Adorei o lugar, te indicaram?

— Vi em alguma propaganda e conferi. Senta. – Ela se sentou, no banco ao lado, Sasuke pediu um Manhattan para ela, que ela adorava.

— Nossa mesa não vai demorar, acho. Quer começar agora?

Sakura tomou um bom gole, o fitando com um sorriso sem jeito e ansioso.

— Acho que é melhor sim. Eu... Queria dizer que pensei muito.

— Hm, imaginei...

— E eu quero dizer que já decidi.

Sasuke soltou o ar, e inspirou sem saber mais o que dizer, então apenas apertou a mão dela.

Sakura afastou a taça e se voltou para ele, o encarando profundamente e também reunindo uma respiração.

— Eu... Eu quero tentar. Quero ter um bebê.

Sasuke permaneceu encarando-a até lembrar que deveria dizer algo. Honestamente gostaria de achar incerteza nos olhos dela, mas agora só o que havia era um desejo bem mais concreto e racional. Não poderia sustentar que ela tivesse optando apenas relevando o emocional.

Havia mais certeza nela do que vira em Izumi quando ela anunciou sua gravidez. Estava feliz, mas não completamente preparada para começar a jornada. Talvez Sakura fosse muito mais madura que ela nesse quesito, mesmo tendo passado pelo o que passou.

— Certo... Okay... Você decidiu.

— Sim.

— Muito bem decidido.

— Uhum.

— Uau. Que decisão. – Ele coçou a cabeça, ainda sem saber como reagir mesmo que tivesse planejado o que dizer antes.

Sakura o fitou com expectativa e insegurança, obviamente esperando mais, seja ruim ou bom.

Ele pegou suas mãos juntas e beijou.

— Vai ser como quiser. Tudo bem? Eu te apoio?

— Você jura?

— Juro.

— Não me odeia? Nem quer que eu vá embora?

— Sakura, claro que não.

— Mas você não quer que eu faça isso. Seja honesto.

— Eu não quero que você sofra. Mas é seu direito e seu desejo tentar. Você é mulher, maternidade é mais importante, mais... Coisa de mulher, eu não seria capaz de saber quão profundamente você sente isso, querida.

— Mas e se eu... – Ela engoliu em seco, emocionada. — E se eu perder...?

Sasuke abraçou-a e beijou seu rosto. Sendo honesto consigo mesmo, provavelmente amaldiçoaria o dia em que a deixou seguir com aquilo, mas talvez impedir Sakura de tentar um “E se”, fosse assombrá-lo mais ainda.

Algumas coisas aconteciam para que eles descobrissem algo maior sobre si mesmos, se era para ela tentar de novo, e não conseguir, restaria ter fé que serviria para algo maior e melhor no futuro e a conformidade de ao menos ter tentado.

— Não pode pensar nisso. Não seja pessimista já do início. Você vai a um médico, ele vai te passar o que quer de exames que tiver de passar pra saber como seu corpo está, e vai fazer tudo direitinho, sem tirar nem pôr. Correto?

Sakura concordou, com um suspiro e o fitou, novamente insegura o fitou nos olhos.

— Sim, a questão agora é... Eu devo procurar uma clínica de inseminação, ou...?

Foi quando ele percebeu que a decisão dela de tentar, era apenas a ponta do iceberg.

Afinal, ela realmente deveria?

֍

O Dr. Kinoshita era um senhor simpático de olhos bem apertados. Sasuke continuava desconfortável e Sakura, ansiosa e inquieta.

— Então temos aqui uma nova peregrina ansiosa para começar a jornada da maternidade, sim? – Ele disse, muito bem humorado.

Sakura encolheu os ombros, um pouco constrangida.

— Um tanto tarde, aliás...

Ele abanou a mão, tranquilo.

— Vai ficar impressionada com quantas tentam na sua idade ou pelo menos só a partir dos trinta e cinco. Bem, o tempo realmente se torna um problema para a natureza seguir seu curso como vocês querem. Mas hoje em dia, vocês têm boas chances porque tem boa informação e claro, seguem bem os cuidados necessários.

— Claro, minha amiga Rachel disse o mesmo. Agora ela tem gêmeos.

— Rachel? Ah, ótima paciente. Tivemos percalços mas foram bem recompensados, não? Já se decidiu completamente, Sakura? Ou ainda pretende sondar mais?

— Bem, sim, eu quero começar o... tratamento, ou que quer que for preciso fazer...

— Ah, mas pra isso precisamos saber como seu corpo está no momento, te farei algumas perguntas e passarei uma bateria de exames, depois deles é que vamos saber exatamente como conduzir isso, sim?

— Tudo bem.

— Assim como para o Sr. – Declarou, fitando Sasuke, ele quase caiu da cadeira e se ajeitou, tossindo.

— Eu?

— Claro. Vocês são...? – O médico indagou.

Os dois se entreolharam, e foi quando ele decidiu realmente.

Havia passado dois dias pensando, se realmente era capaz de arriscar isto com ela. Veio inclusive apenas para “sondar” e dar apoio a ela.

Talvez não apenas não quisesse que Sakura sofresse, mas que ela não fosse adiante sozinha, encarar essa coisa de novo, enquanto ele se sentia amedrontado com o impacto anterior.

No entanto, pensou e pesquisou o bastante para saber que ela poderia fazer isso sozinha sim, ou com outro cara...

Ainda não sabia se era apenas egoísmo seu, ou um surto de coragem. Mas não iria deixá-la seguir sozinha, e definitivamente, não teria uma criança com outro além dele.

Se aprumou na cadeira, e pressionou a mão sobre a dela, encarando o médico com determinação.

— Somos sim... Vamos tentar isso juntos.

Notas finais
Agora eu vi prova de machesa heim Sasuke cum? Opa e parece q alguém desagradável está de volta hihihi