Killer Queen
44 Rainha Jogadora
Notas iniciais

Sakura abriu os olhos sentindo forte cheiro de café, ovos e bacon, deparou-se com Noein acabando de pousar a bandeja na beirada da cama.
— Bom dia.
— Dia...- Ela se sentou e olhou em volta. — Onde...
— Ele já foi pro trabalho.
— Ah, e quem vai te levar pra escola?
— Eu posso pegar o ônibus...
— Hum. – Sakura puxou a bandeja para si e começou a comer, sem grande ânimo, Noein deixou o quarto, ela podia ouvir sua voz abafada certamente brincando com os filhotes enquanto dava a hora da escola.
Gibson apareceu e subiu na cama, muito atraído por pedaços de bacon. Sakura deu uma tirinha, sentia-se ainda mais aborrecida e entediada do que antes, sequer queriam deixá-la descer as escadas mais. Sinceramente não sabia se suportaria mais quatro semanas de tanta inatividade.
— Estou indo. – Noein anunciou, passando pela porta com a mochila.
— Vá com cuidado.
Ele partiu, e ela se viu sozinha com uma família de cães. Desceu da cama, e saiu, realmente reparando que nem Ethan estava por aí.
Só então seguiu para o quarto do bebê e entrou nele. Ainda cheirava a tinta fresca, mas tudo já estava pronto, os brinquedos no lugar, o berço, estantes e armarinhos.
Sakura se aproximou do berço, ainda repleto de pelúcias de presente, pegou um hipopótamo cinzento e abraçou, ficando ali, um tempo.
— Ah, veio conferir? – Sasuke falou, entrando no quarto. — Ainda está com cheiro de tinta, muito forte... Mas então? – Parou atrás dela.
— O salmão... Ficou meio rosa mesmo...
— Humpf, eu disse.
— Pode ser um sinal?
— Você nem brinque com isso.
Sakura fungou, acariciando o topete do brinquedo, sentindo-se muito ruim para estar ali, com tudo aquilo ao redor.
— Hey, porque está chorando? – Ele se espantou, puxando-a para si.
— Eu sou tão, tão ruim, não sou?
— Você não é, só está numa fase delicada. Também faço merda, mas eu só tento proteger você, sim?
— Eu só fico te enfiando nos meus problemas.
— São tão meus quanto este bebê também, são nossos. Eu não quis magoar você, eu nunca a trocaria por ninguém.
— Eu acho que sei...
— Claro que sabe, você pode não lidar com isso ainda, mas é só você, okay? Não tem que ficar insegura quanto a isso.
Sakura se calou, muito relutante ainda, ele suspirou, vendo que não poderia mesmo permitir uma abertura para Lisa ou mesmo o pai delas ainda.
— Vai ficar tudo bem, o bebê vai vir logo, e tudo vai melhorar, certo?
— Tá.
— Venha, tem que se trocar, minha mãe disse que vai trazer alguém que quer que você conheça.
— Eu? Logo hoje? E você voltou por isso?
— Eu esqueci uma pasta, mas não gosto de ter você sozinha aqui, aquele bundão do seu irmão deveria servir pra alguma coisa.
— Ele deve estar verificando Damon, acho, o idiota não apareceu mais, e Josh só vem pra comer.
— Tomara que o bebê não puxe seu lado da família...
— Bom, algo vai ter que puxar, eu não aceito carregar um clone seu depois de todo esse trabalho.
— Justo. – Ele riu, ajudando-a a voltar para a cama. — Quer massagem?
— Estou bem, só entediada...
— Entendo, bem, minha mãe está pra chegar, se ela não a divertir, vai ao menos te alimentar.
— Ao menos.
— Aham. – Sasuke se afastou, deixando um beijo em sua testa.
Sakura se deitou de lado, ainda abraçada a pelúcia, o observando.
— Desculpe, pelo Hidan... Foi infantil.
Sasuke parou, na porta, inspirando, compassível.
— Tudo bem, não posso... Implicar sempre que o cara aparecer, hein? Vocês têm história, e eu não sei como é isso.
— Hum, acho que sim? É estranho pensar no que nos tornamos e no que poderíamos ter nos tornado... – Ela refletiu, enquanto Sasuke tentou outra vez ignorar isto. — Mas também é estranho pensar no que nós nos tornamos, dado o que éramos, então acho que... Faz sentido dizer que nós também temos história, não?
Ele a fitou, um pouco atônito, apesar de haver sentido, a vida deles foi uma ocasião ou outra de encontros, ou trombadas, diferente do que ela construiu e desfez com o marido, então não achava que ela poderia ver dessa forma.
Sakura sorriu um pouco.
— Uma história com pausas e fases...
— Mas história também... – Sasuke retornou até ela, abaixando-se e passando a mão em sua nuca, puxou a testa de encontro a sua. — Com uns rounds de soco e gritaria...
Sakura riu mais, concordando.
— Jack’Daniels e debates toscos...
— Melhor parte.
— Oh, achei que seria o sexo...
— Ops, deixe-me reformular.
— Hahaha!
— Mas o importante é que estamos passando de fase, hein? – Ele estendeu a mão, sobre sua barriga e Sakura concordou.
— É... Até que você é um bom parceiro de jogo.
— E adversário também.
— Ainda que perca sempre...- Cantarolou, Sasuke beijou-a e fez cócegas. — Não! Saia! Argh!
— Adoraria ficar, e te fazer contorcer até refazer essa declaração, mas tenho que ir.
Sasuke se levantou, enfim deixando-a. Sakura rolou pela cama, mais leve do que seu peso sugeria, risonha também.
*
— Uma Doula...? – Sakura indagou, voltando a atenção para a moça cheinha e simpática que acompanhava Mikoto.
— Sim, sim, caso não saiba, uma doula oferecerá suporte emocional para você durante o parto e o pós-parto, vai te encorajar e tranquilizar dar a você e Sasuke segurança para encarar essa fase, meu bem.
— Suporte emocional, hein..? – Sakura não se sentia muito segura disto, na verdade, só a ideia de ter mais gente em torno fazendo ou falando o que fazer já a deixava mais angustiada com a chegada do parto.
Era bem mais fácil no comecinho da gestação, agora chegando perto do grande (e certamente dolorido) momento, tudo o que ela queria era mais paz e menos palpites.
— Explicando melhor. – A jovem continuou. — Minha função é cuidar exclusivamente do seu suporte emocional e psicológico, algo que nem sempre é atentado nos planos de parto convencionais. Creio que deva estar cansada de ouvir que deve relaxar e aproveitar a experiência e o quanto ela é linda, mas não é pra tanto, envolve dor, desgaste de todas as formas, e mais e mais gente dizendo como você deve fazer isso ou aquilo...
Sakura se voltou completamente para ela agora.
— É, é bem isso mesmo, quer dizer, quem inventou que gravidez é maravilhoso? Vai se foder! É um saco! Certamente só pode ter sido um filho da mãe que não pode parir!
Mikoto teve que concordar.
— É, bem isso, infelizmente tudo o que envolve a maternidade ainda é muito romantizado, filmes, novelas, séries, desenhos, tudo dizendo ás meninas o quanto é lindo, te faz sentir completa. Infelizmente isto não é sempre o bastante para sua experiência ser agradável e inesquecível de um jeito bom.
— E você... Ajuda com isso? — Indagou, já bastante curiosa.
— Aham, eu faço isso há quatro anos já, você não deve ter ouvido falar muito, ainda não é algo tão comum, nem acessível, mas incrivelmente, é uma das funções mais antigas. Doulas eram as mães, as tias, avós, mulheres experientes que ajudavam as parturientes em tudo, desde a gestação aos cuidados com o bebê. Hoje em dia, a função é dar conforto emocional, aliado ás práticas mais modernas.
— E faz isso como? Como uma babá...?
— Haha, pode-se dizer que sim, mas serei sua babá, estarei com você inclusive no parto, pra te tranquilizar e ajudar a equipe que vai te atender a te dar o conforto necessário.
— Também devo frisar que é minha função te dar suporte informativo, sobre os procedimentos hospitalares, o bebê e o pós parto, eu não posso intervir em nenhum procedimento já decidido por você e seu obstetra, eu só posso ajudá-la a dizer o que quer e precisa, fazer uma ponte entre você, sua família e os médicos, evitar estresses desnecessário.
— Sem procedimentos médicos ou clínicos durante o parto?
— Aham, apenas apoio e informação, como posições mais confortáveis durante o trabalho de parto.
— É? Parece legal...
— Pode lhe ajudar muito, querida, sua gravidez tem grau de risco, e você Sasuke tem se estressado demais. – Mikoto insistiu. — Eu adoraria ter achado Rosie na época que Izumi estava esperando Kenton, então quero que você ao menos tente, sim? Só faltam quatro semanas, ela pode ajudá-la ao menos durante essas semanas.
— Bem... Eu acho que poderia ser legal, mas tenho que falar com Sasuke primeiro, não? Eu não quero que ele se sinta excluído ou coisa assim.
— De maneira nenhuma a intenção é essa. -Rosie assegurou. — Minha presença não é substituir ninguém ao seu redor, nem médicos, família ou o pai do bebê, mas estimular a presença deles e criar um ambiente acolhedor e íntimo pra você se sentir segura nesse momento.
— Quando Sasuke chegar, você conversa com ele. Rosie tem ótimas referências, e agora que você tem que ficar em repouso, creio que ele vá ficar mais tranquilo se você for bem assistida.
— Certo, certo, me convenceram...
*
— Uma Doula, hein? – Sasuke falou, curioso, sentou-se na beira da mesa, continuando a mexer o café com uma colher.
— É...- Sakura confirmou, já não muito afim de admitir que teria uma babá.
— Tipo uma babá?
— Tsc, estou indo. – Ele riu, segurando-a na cadeira.
— Qual é, só estou encarnando, sabe disso. A ideia me parece boa, se te fizer bem, eu aceito sim, qualquer coisa.
Sakura suspirou, um tanto desconcertada, e o fitou, receosa.
— Tem certeza? Ela não vai só ficar ao meu lado ajudando, ela vai estar entre nós, conosco, principalmente num momento que deveria... ser só nosso?
Sasuke pesou a ideia, e deu de ombros.
— Bom, vai ter um monte de médicos e enfermeiros, também não os conheço mas serão necessários, não?
— Sim...
— Se for pra te fazer ficar exclusivamente tranquila, eu adoraria que houvesse alguém para isso...- Sasuke suspirou, alisando seu queixo. — Eu quero estar ao seu lado, óbvio, mas, confesso que não sei se vou saber te apoiar, sim? Eu posso, sei lá, começar a vomitar, escorregar e desmaiar...
— Nossa... Isso certamente me faz repensar a ideia de filmarmos o parto.
Ela definitivamente não queria ser filmada tentando por um bebê pela vagina, mas a perspectiva de filmar Sasuke assombrado com isso a ponto de vomitar ou desmaiar era tentadora.
— Sempre diabólica... – Ele resmungou.
— Hum, então é isso? Quer a Doula?
— Por mim tudo bem, quanto mais gente pra ajudar, melhor.
— Okay, falarei com o dr. Kinoshita então, ver como ele pode incluí-la no meu plano de parto, ou mesmo se ele a aceitará na sala de parto.
— É? E tem isso?
Sakura assentiu, levantando-se e pegando a bolsa.
— Doulas não são aceitas em todos os hospitais ainda, ou só se deixam entrar um acompanhante, eu não vou escolher entre ela e você, você não tem escapatória, malandro. – Avisou, dando um beijo de despedida. — Não perderia a chance de te ver desmaiar por nada.
— Eu sei que não...
Sasuke acompanhou-a até a porta do escritório, se recostou no portal e assistiu-a cruzar o espaço até a saída, despedindo-se dos colegas.
— Vê se dirige com cuidado. – Avisou, ainda zangado que ela teimara em vir até a delegacia de carro. — E sem paradas para comer...
Sakura acenou com o dedo do meio.
— Chefe! — Helen, uma das novas policiais chamou, vindo até ele com uma pasta, sorridente e enérgica, Sasuke estava satisfeito em poder escorar nela um pouco, já que sua secretária sofrera um acidente doméstico e pegara umas férias forçadas.
— Ah, conseguiu? — Indagou, tomando um gole.
— Sim!
— Ô, Sakura? Ainda não teve esse bebê? Tá grávida a quarenta e dois meses, poxa! – Lee gritou, antes dela sair.
— Pra você parece muito? – Sakura reclamou, girando. — Pra mim já parecem anos, cara, mas fiquem tranquilos, quando eu voltar a surrar vocês na academia, vão sentir falta desta barriga.
— Basta rolar por cima deles. – Kiba provocou.
— Rolaria em cima de você, mas essas calças já devem estar te esmagando o bastante!
Então ela finalmente saiu, gargalhando assim como quem ficou, Sasuke revirou os olhos e riu.
— Eh? Quem é ela? Está de licença maternidade? – Helen perguntou, curiosa.
Sasuke confirmou com a cabeça, adentrando a sala.
— É, ela é o Coringa do caso Green Eyes, se não se lembra...
Ele não gostava nem um pouco desse título, mas era como qualquer um de fora provavelmente reconheceria ela melhor.
— Ah! Sim, não destacaram nada além dos olhos dela nas fotos, ou teria percebido pelo cabelo.
— Aham.
Helen saiu, parecendo que queria puxar mais assunto, provavelmente afim de se enturmar melhor, nem de Los Angeles ela era, afinal, viera de São Francisco.
Sasuke não tentou puxar assunto mais, não estava com o menor tempo, antigamente certamente adoraria apresentar as maravilhas de LA para uma gracinha como ela. Mas agora tinha trabalho em dobro, mulher que valia por sete e um bebê a caminho.
— Er... Chefe... – Ela chamou de novo, meio desconcertada, novamente na porta.
— Hm?
— Essa... Moça.. Ela foi das Forças Especiais?
Sasuke assentiu, intrigado.
— Navy Seal’s, não vê como ela é afrontosa e bruta?
Helen ampliou mais os olhos, surpreendida como se algo se encaixasse em sua cabeça.
— Entendo...?
— Por quê a pergunta?
— Ah! Acho que ouvi alguém chamá-la de algo relacionado, e fiquei curiosa.
— Okay.
— Certo, vou voltar ao trabalho!
Ela saiu, Sasuke observou através da vidraça, desconfiado, mas resolveu deixar para outra hora.
Voltou-se ao computador e abriu a caixa de e-mails, além de coisas do trabalho, havia sua mãe mandando matérias e até artigos científicos sobre os benefícios das tais doulas. E também, um e-mail que ele já esperava. Abriu-o, agoniado por respostas.
Lisa havia, com custo, achado número e e-mail do investigador que possivelmente trabalhava para a família materna de Sakura. O número não funcionava mais, o e-mail sim.
Sasuke entrou em contato, sem rodeios, explicou logo o que queria, por quê queria e que pagaria se preciso fosse.
Recebeu uma resposta para uma reunião, com horário e local marcados ainda por cima pedindo que levasse Sakura junto. Não gostou nada, da última vez que foi pra um encontro relacionado a ela ou que exigia ela, quase perdeu a cabeça para um psicopata.
Mas certamente iria, e certamente Sakura estava fora de cogitação. Nem se deu ao trabalho de responder mais.
Já estava mais preocupado em estar cutucando um vespeiro pior que os Haruno.
*
Uma semana depois.
— Bom dia, diabinhos do meu inferno! – Suigetsu exclamou, chegando á movimentada cozinha.
— Ora, vai culpar a gente por que fracasso da sua vida resumida a fracassos agora? – Ino indagou.
— Bem no flanco! – Karin gargalhou, Sui fez careta, Juugo continuava fazendo panquecas, Noein derramou uma boa quantidade de mel sobre os wafles.
— Achei que só eu pensava isso... – Comentou.
Mais gargalhadas, Sui atirou uma uva nele.
— Esse moleque! Você é a cria não gerada pelos ovos do Sasuke mais cara do Sasuke que poderia haver!
— Quem liga pra genética? Pra mim é mais questão de os semelhantes terem química! – Ino riu.
— Pois eu tenho é medo, se esse semelhante aqui já é um perigo, imagina o que a Sakura tá produzindo a dois anos já...
— Dois anos? Pft... – Sasuke disse, quando entrou na cozinha. Foi até Sakura, perto da pia, tomando café numa caneca, vestindo um robe curto, top de algodão e short de pijama.
— Pra você é pouco... – Ela resmungou. — E parem de falar do meu bebê, eu lá quero um clone...
— Um clone meu seria injusto, um excesso perigoso de charme e inteligência.
— Dois Sasukes há oitenta quilômetros de distância um do outro. Qual é mais chato? – Sui desafiou.
— Não dará pra saber por que as ondas de chatice de ambos colidiriam e devastariam a terra com a potência de milhares de bombas nucleares. Todo mundo morreria com taaaanta chatice. – Noein respondeu.
Sasuke o encarou logo, e Sakura caiu na gargalhada.
— Eu quase amo esse moleque. – Sui disse, levantando-se. — Vamos lá, pirralho, essa resposta magnífica merece uma carona pra escola no carro da polícia.
Noein saltou da cadeira e o seguiu, depois de despedir-se dos pais, Sakura beijou sua cabeça, ainda rindo muito e Sasuke deixou um galinho na cabeça dele também. Seguiu Sui logo em seguida.
— Maneiro, vão achar que eu fui preso pela polícia, ou que mando nela, as duas coisas vão me dar moral. – Gabou-se.
— Baixa a bola, criança.
Ambos saíram e Sasuke bufou.
— Temos que ter cuidado, querida, ou ele vai querer fazer metanfetamina na garagem logo logo...
— E você, pilantra como é, iria ajudar a vender...- Sakura disse o óbvio, ele pensou e acabou sorrindo, calhorda e abraçou-a beijando seu rosto.
— Tão gostosa, e me conhece tão bem! Sou sortudo, hein?
— Mereço...
— Bom, já estou indo também, carona, Karin? – Ino anunciou, levantando-se.
— Você duvida? Até mais, família Adams versão pornô...
— Versão pornô? Vê isso, Sasuke? Ela trepa a noite toda com o Sui e pornôs somos nós...
Karin ficou vermelha, nem conseguiu rebater e só saiu logo, Ino a seguiu morrendo de rir e Sai também já foi saindo, sempre aborrecido e azedo com a barulheira matutina.
— Não seja cruel, majestade. – Sasuke repreendeu, sentando-se a mesa, Juugo também veio assim como Sakura.
— Hora, eles trepam pra deus e o mundo ouvir... Que bom que Noein está no sótão, ou teríamos de rever as questões de fornicação...
— Quartos com isolamento acústico, que tal? — O ruivo brincou e Sakura concordou, Sasuke revirou os olhos.
— É isto! Perfeito!
— Não enfie ideias nesta cabeça, Juugo. Ou vai cuidar sozinho das reformas.
— Que senhorio preguiçoso.
— Eu já me acabei no quarto do bebê. Ou seja, já estou pagando pela fornicação descontrolada...
Sakura socou seu ombro, sem pena.
— Acha que suar um fim de semana basta?! Experimente nove meses, babaca!
— Certo, certo...
— Estou indo, até mais. – Juugo despediu-se, saindo pela porta da cozinha.
— Até, e desculpe por te fazer preparar o café.
— Por nada, é mais fácil do que preparar quartos de bebê...
Sakura fechou e cara e Sasuke riu e ergueu os punhos em concordância.
— Eis um homem sábio!
— Você, cala a boca!
Sasuke riu, afagando as orelhas de Augustine ao seu lado.
— Então, o que vai fazer hoje? – Perguntou.
— Hum? Rosie vai vir passar a manhã comigo. Faremos ioga e fofocaremos, acho.
— Uau, acho que eu gostaria de carregar esta barriga um tempo...
— Eu sabia que morreria de inveja.
Sasuke suspirou, admirando-a, ela estava tão bonita quanto cansada, mas os últimos dias a tem animado e dado mais disposição.
A jovenzinha, a tal doula, tem vindo passar algumas horas com Sakura lhe faz massagens que a deixam mansa como um dos filhotinhos de Tinny, conversa por horas sempre otimista e carinhosa como uma amiga de longa data e também fala sobre o plano de parto e o que vai acontecer durante ele.
Sasuke não estava envolvido como gostaria ainda, mas por causa do trabalho apenas, esperava deixar as coisas em ordem até a semana do parto.
Porém, não era só isso que tinha de resolver, e estava satisfeito de manter as rédeas das coisas enquanto ela pudesse relaxar.
Terminou o café e se levantou, catando as chaves e deixando um beijo nela.
— Divirta-se, amor.
— Eu voou. – Ela avisou, abocanhando um pedaço de wafle.
Sasuke saiu, contornando a casa, pegou o carro e quando dobrava a rua, acenou para o minicooper vermelho e branco de Rosie Meyer.
A moça era pontual.
Ele olhou o relógio, um pouco tenso.
Tinha muito provavelmente um encontro desagradável dali algumas horas.
*
Sakura inspirou e expirou lentamente, a cada contagem de Rosie, sentia toda a ansiedade e indisposição debandarem um pouco, e isto era tão bom quanto se entupir de comida para conter essas coisas.
— Muito bem, agora de novo. Você tem sentindo muita dor na coluna ainda?
— Na lombar, certamente. É como se o bebê estivesse ficando mais e mais pesado...
— É mais ou menos isto mesmo, ele já está se preparando pra vir, hahaha.
— Hum...- Sakura abriu os olhos fitando a piscina, Gibson nadava nela e Augustine rolava na grama com os filhotes, todos agora bem instalados nas casinhas, Cherry cochilava entre suas pernas dobradas, cheio de pelos escuros enrolados e o topete cada vez mais evidente.
— Espero que venha mesmo neste fim de mês, faço questão que o parto faça rodos esquecerem do meu aniversário.
— Ora, por quê? Não seria melhor aproveitar duas festas?
— Hahaha, não! Quer dizer, vou fazer quarenta anos, caramba. Realmente não preciso de ninguém com cara de preocupado por estar indo dar a luz nesta idade....
— Oh, as pessoas falam muito mesmo.
— Uhum.
— Por isso mesmo que não deveria se importar. As pessoas sempre vão encontrar algo para falar, por que deixar de se divertir e tomar umas margaritas por isso?
Sakura meneou a cabeça, concordando. Embora ainda não estivesse afim de lembrar que estava tão velha.
— Hum... Tem razão... E de repente até valeria a pena, se desse pra tomar umas margaritas mesmo.
— Esse é o espírito!
*
Sasuke estreitou os olhos por conta do reflexo do sol que vinha do prédio todo espelhado apontado para a costa.
Atravessou a rua e adentrou o lobby podre de rico, havia muita correria mesmo ali, mulheres belíssimas e magras e caras que também piscavam para ele com cabelos bem lambidos de gel e trejeitos “suspeitos” (embora eles não parecessem realmente interessados em esconder algo).
Tudo o que se podia esperar ver na sede de uma revista famosa.
Legou o elevador até quase o topo do colossal monstro de concreto e aço. O cubículo estava bem apertado e o cheiro de perfumes misturados já o fazia sentir-se enjoado e com dor de cabeça.
Saiu para um departamento caótico, gente com roupas, sapatos, celulares e mais revistas em mãos, telefones, tocando a toda hora.
Seguiu direto até as portas de uma sala, onde encontrou uma jovem secretária de ar arrogante.
— Pois não?
— Tenho uma reunião marcada. – Ela abriu a agenda, as mãos longas e pálidas, ossudas, com unhas pintadas de um vermelho aberrante davam calafrios em Sasuke. Ela parecia uma vampira de filme trash.
— Sr. Uchiha?
— Isto mesmo.
— Vou anunciá-lo.
Sasuke ficou recostado no balcão, assistindo aquela pobre escrava da moda praticamente flutuar até as outras portas, não por graça, era questão de preocupante falta de peso.
Ela entrou, retornou em alguns instantes, deixando a porta aberta e com um sorriso mau humorado, o deu passagem.
— Por favor.
— Obrigado. – Sasuke atravessou para a sala, muito clara e de aspecto higienizado, haviam algumas caixas com quadros envoltos em papel bolha ainda.
— Pensei que o e-mail tivesse deixado claro que deveria ter vindo acompanhado.
Ele quase recuou um pé, bastante consternado com o tom daquela voz feminina, e por não ter percebido sua presença perto da mesa.
Aproximou-se, cada vez mais descrente da visão, e puxou a cadeira para se sentar e continuar encarando-a e analisando.
— Você é ela... Não é?
Ela o fitou com uma sobrancelha rosa desbotado de pé, olhos caramelo tão expressivamente frios e amargos quanto quando ele dera de cara com Sakura na frente do banco.
O mesmo contorno dos lábios, e também mesmo tipo de silhueta, um tom mais branca, um tom de idade e mais experiência. Ela parecia uma executiva perigosa, exatamente como ele via Sakura dali uns anos.
O sorriso repuxado tinha a mesma petulância dela. Majestosa e presunçosa.
— Qual o motivo dessa expressão, garoto? Viu um fantasma?
*
Sakura bocejou, entediada e mau humorada.
— Então vocês querem que eu me torne sócia?
— Algo assim. Você entra com a grana, claro. – Josh disse, cínico.
— É bom estar brincando.
— É claro que não é pra investir toda a grana. Mas terá que ajudar com algum montante, claro. – Ethan esclareceu, aborrecido. — Precisa-se de dinheiro pra se montar empresas, bolinha.
— Tsc. É claro que sei disso! – Sakura bufou, se levantando e indo para a cozinha.
— Então?
— Então, que caso não tenha percebido, estou pra ter um bebê. Eles custam caro, acredite, posso não estar passando fome, mas faculdades são caras, e eu tenho dois filhos agora que quero que tenham chances de entrar numa caso queiram, Ethan.
— Puta que pariu, garota. Está brincando? Você nem pariu o moleque ainda, o outro mal criou pentelho no saco e já pensa em faculdade?!
— Humpf. Isso se chama pensar no futuro. Olha, não quero dizer que acho a sua ideia ruim. Mas é que não é minha época de investir em negócios arriscados, okay? Eu já estou tratando de um aqui... Além que também teria que consultar o Sasuke...
— Certo, certo. Então está fora?
Ela encolheu os ombros, com um pouco de remorso, sinceramente adoraria ajudar estes dois tomarem um jeito, mas infelizmente não tinha como ser tão altruísta agora.
— Eu poderia ajudar daqui uns anos, quem sabe? Se vocês se estabelecerem bem, não vai deixar de ser um bom investimento ter algumas ações nesta empresa, inclusive para deixar para as crianças...
Josh deu de ombros, Ethan abanou a mão, já sem muito interesse e Sakura suspirou.
— E Damon, não vai fazer parte mesmo?
— Damon ainda está meio tombado, mas esperamos convencer ele aos poucos...
— Okay...
— Bom, vamos indo. Ainda temos alguns ex colegas pra consultar e ver se conseguimos fechar essa etapa.
— Boa sorte então... – Sakura acompanhou-os até a porta.
— Aliás, você não vai parir nunca? Está grávida a dois anos...?
— Josh, vai se foder.
— Ele ainda acha que bebês devem vir de paraquedas. Mas mais uma coisa...- Ethan falou, um tanto tenso agora. — O pai ligou.
Sakura endureceu, sentindo uma falta de ar e uma angústia repentinas.
— E...?
— Queria saber da gente, e isto incluía você. – Ele disse, em tom de aviso, um pouco mais compreensivo. — Apenas seja cuidadosa. Você chegou até aqui, não tem do que se envergonhar.
Ela nada disse, ele saiu, Josh mais atrás.
— Avise quando o alien nascer, eu sei onde comprar umas jaulas bem úteis.
— Vamos por você numa, cuzão. – Ethan resmungou, mau humorado.
Sakura fechou a porta e foi para o sofá. Sentou-se, voltou a exercitar a respiração e tentar meditar como Rosie recomendara.
*
— Bem, então é basicamente por isso mesmo... – Sasuke concluiu, observando a expressão de Mebuki atentamente.
Era estranho pensar nela como mãe de Sakura, confessava que a imaginava mais como uma velhinha rechonchuda, rabugenta e metida (algo como Delilah até), mas ela era na verdade a própria Sakura.
Ainda um tanto diferente de como já ouvira em descrições sobre ela, era muito altiva e quase frígida, ao invés da criatura dita como radiante, indisciplinada e voluptuosa.
Bom, o tempo mudava alguns trejeitos, ela ainda parecia capaz de perturbar a mente até dos caras mais novos que ele.
Mebuki meneou a cabeça, com ar relutante e contrariado.
— É um bom... Argumento...- Admitiu, relutante.
Sasuke não sabia se sua experiência com Sakura o ajudaria a lidar com esta fera, ou se só se deixaria levar pelo costume e xingaria ela.
— É o melhor que posso oferecer. Realmente... Não quero entrar em conflito com você, Mebuki, mas realmente não acho que Sakura esteja apta a lidar com reencontros familiares.
Ela ergueu o queixo, o encarando com desafio e desdém.
— E você é quem julga isso?
Sasuke inspirou, a garganta coçando pra mandar ela ir tricotar.
— Bom, alguém tem que fazer isto, não? Aliás, já não era sem tempo?
*
— Hey, amor. – Sasuke sussurrou, deitando-se e abraçando a cintura dela.
— Hey. – Sakura bocejou. — Chegou tarde.
— A trabalheira de sempre, dia bom?
Sakura suspirou, apertando sua mão.
— Dentro do possível...
Sasuke assentiu,. ainda inquieto demais para dormir.
— Querida... Você vai querer uma festa de aniversário?
Sakura girou para o lado dele e deitou a cabeça em seu peito.
— Nem fodendo...- Resmungou, grogue de sono.
— Hm, okay...
Sasuke tentou dormir, pensando numa nova maneira de dar a Mebuki a chance de ao menos se aproximar sutilmente da filha. Era o mínimo que podia fazer já que ela abrira mão de muito.
Por mais que Sakura realmente não estivesse pronta para tanta coisa, não podia negar que a pressa da mãe dela era muito mais que impaciência e capricho, significava também que estava cansada e angustiada de tanto se manter como um mero fantasma a observar de longe.
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