Killer Queen
27 Rainha Indispensável

Uma semana depois.
— Aí eu disse: “Amigo, pra você ficar com ela, vai ter que deixar suas bolas ali no triturador”, e foi assim que consegui essa bela abóbora. – Sakura contou vantagem com muito orgulho, Sasuke arqueou o cenho, observando-a tirar a polpa da abóbora enquanto Noein ria do outro lado do balcão. Estava preocupado que a louca traumatizasse o menino, mas parecia que Sakura não poderia surpreende-lo tanto. Eram dois esquisitos.
Noein era bem inteligente, com um jeito de criança do interior, claro, tinha um humor bem ácido e uma percepção aguçada do entorno, lia bem as pessoas, sabia quando não era bem vindo mais bem do que quando era.
E com o pai dele preso, estavam esperando algum parente se manifestar, e era bom que fosse logo, ou ele teria que ir parar num abrigo ou lar temporário.
— Traga aquela faca ali, a menor. – Sakura pediu, o menino desceu da banqueta e foi até o faqueiro, Sasuke observou a aliança brilhar no dedo dela, sujo de sementes e ainda se perguntava como a reação das pessoas poderia ser de opostos tão extremos. Uma porção pisou duro dizendo que não acreditava, outra porção, para ele a mais insana, disse que “já não era sem tempo”.
Só que não estava com cabeça pra pensar em como foram loucos de achar que ele e Sakura poderiam ter um relacionamento romântico, só sabia que o falso namoro estava deixando seu celular e caixa de e-mails em paz.
Estava mais preocupado com um casal muito importante em sua vida.
Chegar em casa, sentar ao lado dos pais, e falar sobre o que houve foi uma das coisas mais difíceis que teve que fazer, não por não confiar neles, mas por admitir que havia fracassado em algo que eles fizeram tão bem, por ter entrado aos tropeços numa empreitada que seus pais sempre lidaram com eficiência, carinho e maturidade.
Admitir que perdeu um filho, diante de um casal que criou dois tão bem (talvez só um, ele não se achava tão bom assim) foi duro e decepcionante para si mesmo, dizer que fez Sakura passar por algo assim foi vergonhoso, porque ele próprio sabia que ela não merecia e seus pais sabiam, ainda que só intuitivamente, que ela merecia coisas boas e que passara por coisas ruins.
Fugaku havia estado ao seu lado desde o começo ao fim, mas Sasuke não sabia dizer nem se sua mãe conseguira se situar na situação, quanto mais tomar algum partido, e ver Mikoto tão atordoada, o deixava atormentado até agora.
Itachi soube por intermédio do pai deles, mas Sasuke não estava pronto para lidar com o irmão ainda, era como se houvesse um pouco de inveja e vergonha o consumindo ainda. Sentia saudades de ver Kenton e brincar com ele, mas não sabia se conseguiria.
Noein voltou com a faca e ao ver Suigetsu acenando através da janela que dava para a lateral da casa perto da piscina, correu pela porta, Sui batia a bola de basquete no chão, esperando-o para uma partida, haviam se tornado bons parceiros de jogo, inclusive videogames.
Sakura o assistiu correr primeiramente atenta e desconfiada, depois voltou a tarefa com tranquilidade.
— Desde quando gosta tanto de Halloween? – Ele perguntou, ela deu de ombros, bastante entretida em criar uma carinha assustadora na abóbora.
— Sempre gostei, de decoração, na verdade. Gosto de decorar pro Halloween, Natal, essas coisas... – Ela suspirou, franzindo o cenho ligeiramente, não gostando do que lembrou, empurrou novamente as mangas da blusa pra cima e voltou a talhar. Sasuke se levantou, pondo a xícara na pia, se recostou perto dela.
— O que foi? – Ela deu de ombros, aborrecida.
— Nada... É só... Ele sempre deixava eu fazer... A decoração, eu talhava as abóboras com a Lídia... Comprava novos enfeites de Natal, só eu... – Sasuke beijou seu rosto.
— Você pode decorar o que quiser, agora é minha decoradora, ele que supere.
Sakura soltou um riso anasalado e retomou a faca já largada no balcão.
— Já me escravizou como namorada e empregada na polícia, já cozinho e agora virei decoradora? Ainda reclama quando digo que meu aluguel deveria ser de graça.
— Você já remexe na decoração aqui e ali, ora. E também vou te usar de gostosa fantasiada hoje, não esqueceu da festa do Owen, certo?
— Hum, não sei, promete que não vamos voltar tarde?
— Qual é, a noite é uma criança. – Sasuke ronronou, acariciando a pele dela entre a calça e a blusa, no quadril. Sakura riu.
— É, mas você esquece que temos uma criança em casa, não podemos largar ele sozinho, prometemos que cuidaríamos bem dele pra que não precisasse ficar no abrigo.
— Okay, vamos dar um jeito, arranjar uma babá, sei lá. Mas eu vou ter você linda, sexy e fantasiada hoje, e não é uma sugestão.
— Você é um cachorro. Aliás, poderia ir de cachorro, e com uma coleira, e eu puxaria a coleira, hmmm, acho que isso com certeza acabaria com as dúvidas. – Ela fantasiou, Sasuke que riu, se afastou deixando um beijo no queixo dela.
— Continue sonhando, amor. – Avisou, seguindo pra porta da cozinha. — Enquanto isso, vou ali mostrar pra aqueles manés o que é basquete de verdade.
Sakura não objetaria de ver ele suar usando calça moletom e regata branca.
Mas também voltou a tentar deixar aquela abóbora assustadora, e espantar velhas lembranças.
*
Ás vezes, a acompanhava, e passava horas observando-a se perder efusivamente entre milhares de quinquilharias de decoração.
Nunca se permitia olhar muito ou se absorver pela empolgação dela, pois ela era como a mãe, contagiante demais, o tipo que tirava as pessoas do foco facilmente e as dominava.
Sempre teve a resolução de que precisava ter controle dela, ou ela controlaria todo o resto sem nem perceber, e tiraria todos do foco, como sua mãe fizera com ele.
Mas talvez, talvez nunca tivesse sido que ela fosse perigosamente dominante como a mãe, e sim que nunca tivesse aceitado ser um pai que fazia todos os gostos da filha com uma alegre expressão tola e orgulhosa como os outros pais, pelo menos não com ela.
Agora não havia quinquilharias novas esperando para serem instaladas na casa, nem abóboras e fantasmas de papelão, provavelmente não haveriam pisca piscas para o Natal, e nem um recheio novo para o peru de ação de graças.
Então continuaria sentado ali, observando a pradaria agora verdejante por conta das chuvas.
— Oh, querido, saia dessa friagem, Lisa só chegará pela noite, e vamos poder discutir sobre o que fazer nas abóboras.
Kizashi se levantou, apoiando-se na detestável bengala, passou pela mulher com uma carranca cansada mas inflexível.
— Nada de abóboras, nem de decoração. Nada.
— Mas querido, Lisa vai trazer várias...
— Ela não tem que trazer nada, ela nunca fez parte... Parte dessa tradição. – Ralhou, um tanto atordoado de raiva já. — Não era tarefa dela, não era ela que gostava tanto... Não quero mais nada, que nada mude, então nada de decorações. – Decretou, subindo as escadas.
*
— Não, não tenho culpa se você é baixinho. – Sasuke rebateu, depois de jogar uma garrafa para Sui e Noein. Suigetsu fez uma careta.
— Alto, você? Me poupe, alto é o Juugo, o cara é um edifício. – Resmungou.
— Aham.
— E você claramente trapaceia, mas é bom desacostumar, a Ação de graças está chegando e vai ter que ralar direito pra vencer, delegado. – Sasuke apenas revirou os olhos.
— O que tem na Ação de graças? — Noein indagou.
— O pessoal do departamento geralmente promove umas partidas de jogo de futebol, beisebol e basquete, é divertido. – Sasuke explicou. — Principalmente quando as garotas jogam entre si.
— Eu não vejo a hora de ver a Sakura no futebol americano, tenho pena das meninas! – Sui gargalhou.
— Aquela monstra competitiva? Primeiro que ela nem deve jogar com alguém tão mais fraco que ela, então vamos por ela no time dos grandões, tipo o Juugo mesmo.
— Pena deles!
Os três finalmente se levantaram, e foram para dentro, lá na cozinha, Sakura arrumava um vaso com vários doces já para deixar ao lado da porta, as crianças do bairro, logo estariam batendo, enquanto isso, Juugo acabava de retornar com uma sacola com mais doces e DVDs.
— Quem ainda aluga DVDs, hoje em dia? – Sui se indignou, o ruivo tirou da sacola e jogou para ele.
— Só quem ainda precisa ralar para achar os melhores clássicos. Como eu vou ficar em casa, prefiro maratonar o bom terror de antigamente.
Sakura espiou uma capa e pegou.
— Ah, esse era bom. – Comentou, Sasuke fez uma careta de desdém.
— É muito chato.
— É porquê é terror psicológico e suspense, ou seja, pra gente inteligente que não precisa de gritos ou explosões a cada dois minutos de filme pra não dormir no sofá. – Ele apenas deu de ombros.
— Chato pra caralho.
— Ignorante.
Juugo se aproximou de Noein, tirando uma máscara de Lobisomem da sacola. Ao menino o observou, hesitante.
— Achei que iria gostar de sair pra pedir uns doces.
Noein catou a máscara, receoso.
— Eu posso? – Fitou Sakura e ela se empertigou, mais receosa ainda e fitou Sasuke.
— Eu não sei... Sasuke, a assistente...
— Ah, ele tem doze anos, tem que se divertir, é Halloween. Não vai ter problema se só ficar pelo bairro, certo? – Sasuke apaziguou, puxando a máscara e pondo na cabeça dele, deu uma penteada nos pelos sintéticos e desamassou o focinho de borracha. — Vamos lá, agora uive. – Brincou, Noein arrancou a máscara, com uma careta.
— Fala sério.
— Hey, tem que ser realista. – Sasuke bagunçou mais seu cabelo e foi para o quarto. — Mas tem que voltar cedo.
Sakura suspirou e por fim concordou, sorrindo apertou de leve o queixo do menino.
— Vá pelas quatro e esteja aqui ás sete, combinado?
— Hum, oito? – Ele arriscou. Ela estreitou os olhos e beijou sua cabeça.
— Sete e meia e não se fala mais nisso.
— Oui! – Ele concordou logo, correndo com a máscara para o andar de cima.
Sakura riu e então fitou Juugo.
— Não vai nem dar uma passada na festa do Owen?
Juugo negou, com ar preguiçoso, e ela não podia negar que ficar vendo filme de terror até tarde era bem mais atraente.
Mas iria a festa principalmente por Sasuke, ele estava muito tenso nos últimos dias, ela desconfiava do porque, mas não tinha coragem de falar disso com ele, ainda.
*
Sasuke deixou de apreciar fantasias de Halloween ainda quando criança, mas fez um esforço e resgatou o antigo quepe do uniforme da polícia e também a camisa, até que não ficara tão ruim, apesar de um pouco apertada...
Ao menos tinha desculpa para andar armado e com distintivo.
— Uau, talvez eu deixe usar essas algemas em mim hoje. – Sakura elogiou, parada na porta vestindo um de seus elegantes casacos pretos. Ele não conseguia evitar esquentar com a lembrança daquele presente de aniversário.
— Pretende cometer algum delito hoje, madame? – Indagou, caminhando até ela ajeitando o quepe na cabeça, Os olhos de Sakura brilharam muito atraídos por sua fala, e ele entendeu porque, riu ao perceber que nem estava encenando.
Ela deslizou uma mão pela porta, com um ar manhoso e arteiro.
— Talvez sim, talvez não. – Provocou, dando as costas. Sasuke a seguiu, desconfiado e de olho nos sapatos dela, eram brancos, altos e usava meias brancas finas.
— Cuidado, madame. – Avisou e ela se apressou, como se precavendo de ele não a pegar e carregar para o quarto para desvendar o que aprontava sob o casaco.
Desceu as escadas e foi até o sofá, passou deixando três beijos, um na cabeleira de Noein, Juugo, e por fim Suigetsu, todos sentados compartilhando os doces que o menino havia lucrado mais cedo e vendo os filmes alugados.
— Tchauzinho, comportem-se, escovem os dentes antes de dormir e não nos esperem acordados. – Instruiu, indo para a porta.
— Okay...- Os três devolveram, bem absorvidos, mas Sui fitou Sasuke e riu.
— Que criatividade, hein?
— Melhor que a sua fantasia de tiozão solitário. – Sasuke retorquiu afagando a cabeça dos cães, agitados com a saída dele e de Sakura. — Ô minion, anda logo! – Gritou, logo Ino veio aos resmungos, usando uma roupa de gatinha toda felpuda, um colant cheio de pelo sintético bem apertado, botas cano longo de couro roxo, orelhinhas e cauda felpudas, bigodinhos pintados no rosto e uma varinha na mão.
— Gatos usam varinhas? – Sasuke estranhou, ela bufou.
— É da fantasia da Karin, ela esqueceu.
— Ah... Passa logo, menina, tem criança na sala. – Ele recordou de Noein olhando-a agora com os olhos esbugalhados, Juugo cobriu as vistas dele e deu um olhar severo e paternal a loira.
— Ops! – Ela escapou pela porta temendo uma palmada, Sasuke adoraria dar e ainda se livraria de levar um no pé da orelha por parte de Sakura.
— Estou indo, e mandem esse pentelho pra cama cedo, não o contrário. – Avisou, finalmente deixando a casa.
— Você sabe pra quê casacos servem? Pra não ser presa por assédio infantil. – Sakura já beliscava o traseiro da loirinha enquanto ela entrava no carro. Foi uma visão interessante, ele concluiu, enquanto Ino choramingava.
— Foi sem quereeeer, eu já havia escolhido!
— Me poupe!
— Sasukeee, tira ela de cima de mim!
Sakura o encarou, indignada.
— Você viu e deixou?
— Eu não poderia cegar o garoto. Calma lá, ele tem doze anos, não seja inocente de achar que ele já não se interessa por gatinhas desse tipo, certo? – Brincou, Sakura entrou, irada e ele entrou do outro lado.
— Só porque você foi um pervertido precoce...
— Cala a boquinha vai. – Ele rebateu, bem humorado.
A casa de Owen ficava até bem perto do bar, ele poderia lucrar muito aquela noite fazendo um evento lá, mas as vezes preferia fechar e fazer um apenas para a própria diversão e dos amigos.
A casa estava muito bem decorada e chamativa, Sasuke apostava que haveriam vários penetras do colegial por lá, atraídos pela bebida, Owen os enxotaria sempre, mas com tanta gente, não seria muito fácil.
— Até que enfim! – Karin gritou, saindo da porta usando um vestido todo com camadas de tule, curto, com pedrarias brilhantes na cor lilás, um chapéu pontudo na cabeça e os cabelos de fogo a faziam parecer uma fadinha mesmo. Ino desceu do carro primeiro e deu a varinha pra ela.
— De nada! – Resmungou fazendo bico, Karin revirou os olhos e a abraçou.
— Te amooo, agora vamos! — Puxou-a pela mão e as duas entraram na casa.
Sasuke sorriu um pouco, imaginando se o conselho que ela pedira se referia a Ino e se havia sido útil, já que elas andavam distantes nos últimos tempos.
Sakura saiu do carro e parou ao lado dele, tocava uma batida altíssima de AC/DC, pelas janelas dava para ver as muitas luzes de led, sombras dançando, copos de bebida, latinhas de cerveja pelo gramado e gritaria. Ela fechou um pouco a cara, e suspirou reunindo forças pra encarar a baderna.
Estava velha demais pra essas coisas mesmo, e Sasuke apesar de não achar que duraria mais tempo, estava empolgado e a fitou em desafio.
— Pronta, madame? – Ela o encarou de volta e então sorriu maliciosa, como que se já tivesse ganhado a disputa antes de sequer começar.
Desfez o laço que prendia casaco e o escorregou pelos ombros. Seus cabelos estavam crescendo novamente, já topando nos ombros, ondulados e macios, empurrou o casaco para ele que ainda estava estático mirando suas coxas naquelas meias, na body azul escuro, com lacinhos brancos nas laterais, com um decote com duas âncoras, símbolos da marinha, no bojo e um laço descendo entre eles, punhos brancos nos pulsos e para completar, ela tirou um quepe branco do bolso do casaco, pôs na cabeça, piscou pra ele.
E então bateu continência da forma mais engraçadinha e sexy que ele poderia sonhar e seguiu rumo a casa, com única peça que realmente a cobria apertando aquele traseiro incrível tão bem quanto um maiô faria.
— Ao trabalho, oficial! – Ela gritou, Sasuke enfiou o casaco no carro e fechou a porta, apressando o passo ao encalço dela, xingou quando viu a quantidade de olhares seguirem aquela escultura para a casa, voltou, pegou o casaco e marchou atrás dela mau lembrando de acionar o alarme do veículo.
— Sakura, Sakura, puta que o pariu, mulher, bota o casaco, Sakura! Amor, bota o casaquinho, por favor.
— Hã? – Ela indagou, já não o ouvindo bem o suficiente por causa da música alta, seguiu observando a decoração na casa com curiosidade. Era fácil transitar naquele mar de gente pois todo mundo se afastava pra ver melhor aquelas pernas, Sasuke já tinha que ir na base do empurrão.
Sakura pegou uma cerveja, e seguiu já bem mais empolgada até perto da TV onde Owen estava, fantasiado de Robin Wood, ao que parecia, era um troço verde mofento com um arco e flecha de plástico.
— Owen! – Sakura exclamou, abrindo os braços e o cumprimentando, o homem arregalou os olhos, absorvendo a visão toda. — Parabéns pela festa, está tudo liiindo, querido!
— Opa, madame! Valeu! – Ele finalmente disse, então viu Sasuke por cima do ombro dela e sorriu mais. — Obrigado meeesmo! – Sasuke se aproximou, aborrecido e o cumprimentou enquanto Sakura, uma lady, tirava a tampa da garrafa de cerveja no dente.
Sasuke não acreditava que deixava aqueles mesmos dentes ficarem em torno do carinha precioso, e ainda sentia saudade.
Isso que era gostar do perigo.
— Se superando com as festas. – Elogiou, Owen fitou Sakura de novo e deu de ombros.
— Você também, amigo.
Sakura se aproximou de novo, se balançando com a música, envolveu o pescoço de Sasuke, a cerveja que segurava ficou perto do rosto dele.
— Você não precisa fazer carranca de policial só porque está de policial, querido. – Alfinetou, divertida. Ele não precisaria se a bundinha dela não estivesse tão apertada. Putz, ela podia usar ao menos uma saia.
— Porque eu não percebi que seria querer demais que você só se vestisse de bruxa feia e com verrugas? – Owen riu dele e Sakura deu de ombros, tomando um gole de cerveja.
— Você mesmo disse, “vá fantasiada e gostosa” ué. E eu só fiz o que meu amorzinho pediu. – Afirmou, cínica e apertado o queixo dele, Sasuke quis acertar aquele rabo com o próprio cinto. Sakura o soltou e saiu toda saltitante atrás das amigas, deixando a cerveja na mão dele.
— Volto já, meninos.
— Por favor. – Owen pediu, assistindo o balanço dos quadris com satisfação.
Sasuke só quis muito bater nele quando suspeitou que ele vendesse drogas em seu bar, foi pouco tempo depois de se conhecerem. Owen deve ter reconhecido seu olhar de aquela vez, e bem humorado como sempre levara a vida, desviou os olhos, rindo.
— Nada de dançar, querida, sabe que isso acaba com sua sensualidade. – Ele alfinetou, alto para ela poder ouvir, sabia que só não levara uma garrafa porque ela a deixara com ele.
— CUZÃO! – Ela gritou, obviamente não só por causa do som alto.
— Você também, amorzinho. – Sasuke comentou, satisfeitíssimo.
Owen arqueou o cenho, achando graça.
— Camarada, se eu não acreditava nessa de namoro, agora eu faria o casamento de vocês.
— Ah, vá?
— Vocês parecem dois pitbulls, até brincando se fazem estrago. Casem logo. – Sasuke revirou os olhos, até achou que se sentiria mal de mentir, mas era divertido ver as opiniões e reações.
E não negava que havia um sentimento de posse em relação a ela, não mais.
Quando a viu, outro dia, rejeitar uma ligação de encontro dizendo estar num relacionamento, foi meio satisfatório, até demais. Ela falou com uma naturalidade que ele quase julgou ser por ter apenas lembrado dos tempos de casada, mas não era, mesmo que não duvidasse de terem havido caras interessados nela mesmo casada.
Sakura já havia mencionado tantos casos de assédio quando na Marinha, seja consigo ou com outras mulheres ao longo da carreira, que ele sentia o sangue gelar de horror só de imaginar que muitas outras ainda passariam por isso em outros lugares como Exército, dava mais revolta de pensar que algumas entrariam apenas para agradar um pai ou parente como foi o caso dela, e dor de pensar nas que realmente entravam almejando uma carreira defendendo o país.
Claro que servir era difícil, desgastante e exigente, mas não era comum fazerem com homens o que se faziam com mulheres. Nenhum cara era assediado e intimidado por conta do sexo, nem tampouco desvalorizado.
Foi quando tomou conhecimento disso que entendeu melhor porque as pessoas que conhecia que já serviram, sempre se impressionavam e aplaudiam o lugar que Sakura chegou e principalmente, porque o pai dela, a família dela, deviam respeita-la e se orgulhar tanto dela, não era só uma obrigação como de um filho que se forma advogado ou engenheiro, era um dever moral considerar tudo o que ela passou e respeitar o lugar que chegou.
Enfim, não sentira que ela dispensara o cara, como se dispensa um idiota afim de mulher casada. Mas foi como se fosse óbvio, como se estivessem juntos de verdade.
Sasuke sorveu um gole da bebida, achando-se idiota por empurrar pensamentos numa direção como aquela.
Era bom mesmo, isso ser crise dos quarenta.
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