Killer Queen
31 Rainha (In) Perfeita
Notas iniciais

Sasuke despertou com a claridade forte sobre a vista, apertou os olhos em incômodo e virou o rosto para direção oposta, sem topar então com o topo da cabeça de Sakura e sim a cama vazia. Sentou rapidamente e a localizou recostada em sua janela com um grosso livro nas mãos e vestindo sua camisa preta.
Esfregou os olhos e procurou o relógio da cabeceira. Suspirando, deitou novamente.
— Já atrasei mesmo. – Comentou. Sakura balançou a cabeça para sua displicência e fechou o livro, pondo de volta no lugar.
— Até que esse tal de Tolkien é legal. – Admitiu, depois de dar uma lida em alguns trechos. Sasuke riu, levantando a cabeça e a fitando. Ela veio até a cama e sentou em quadril, sobre o lençol. — Mas não dá pra brincar com os elfos mais, hora de trabalhar, o feriado acabou.
Ele acariciou seus joelhos, sorrindo preguiçosamente com o cabelo escuro escovando a vista. Sakura teve de admitir que esta era uma visão que valia a pena ser disputada, como as peruas tanto faziam. Empurrou o cabelo para o lado do rosto dele.
— Estava pensando em brincar de outra coisa. – Sasuke avisou, ela riu e se inclinou, beijando-o, mantendo a testa junta a dele e encarando seus olhos. — Se eu disser uma coisa... Promete que só dessa vez não vai fazer piada da minha cara? – Disse, depois de um longo momento.
Sakura se empertigou e mordeu os lábios segurando um sorriso, já se preparando para lutar contra uma gargalhada ou uma resposta sacana, mas ele não desistiu por isso.
— Você é a mulher mais linda que eu já conheci na vida.
Ela retesou, momentaneamente, e ele passou os braços em torno de seu tronco quando se ergueu um pouco para o assistir, incrédula ou pasma.
— É tão imperfeita, cheia de defeitos por fora e por dentro, mas cada coisa perfeita é.... Perfeita. Eu acho que gosto disso, tipo, muito, demais. E que quero ter por perto, não importa quanto tempo realmente. Não só ter... – Sasuke desviou os olhos por um momento, buscado mais palavras mesmo já havendo muitas. Não parecia possível parar agora que começou. Fitou-a novamente, os olhos dela estavam vidrados, e com um vinco profundo entre as sobrancelhas, os lábios finos entreabertos secos, em expectativa muda e tensa. — Quero possuir isso, você. Então... Acho que é isso. Quer namorar comigo, de verdade?
Sakura pela primeira vez piscou, e várias vezes mais, até que lágrimas começassem a surgir, e ela se curvou, deitando em seu peito, encolhida e o abraçando.
— Eu te... Eu te odeio. – A voz saiu anasalada, e ele esfregou suas costas com um riso baixo, sabendo que ela estava fazendo bico e zangada consigo mesma por isso. — Isso não deveria ser tão fácil, nem aqui nem num universo alternativo, deveria? Te odeio por fazer isso. Nós somos inimigos, porra. Você está estragando tudo.
— Eu posso lidar...
— Droga. Eu quero.
— Posso lidar melhor ainda.
Sakura levantou a cabeça, com o rosto um pouco molhado mas com uma expressão raivosa, então ela cuspiu uma risada e ele logo em seguida. Beijaram-se longamente, abraçando-a mais apertado ainda, sentindo que já queria reivindicar sua posse com os dedos e talvez que ela também.
Então puxou a mão dela, com o anel e a fitou, com um meio sorriso e uma proposta que sabia que sua namorada safada, interesseira, real e perfeita, iria adorar.
— Então? Quer ir trocar esse anel por um de verdade?
Sakura sorriu largo, e gargalhou porque ele já estava se arrependendo, mas era tarde. Tentou segura-la na cama e ela fugiu logo atrás das roupas e do telefone, precisava de uma dica sobre joalherias e Rachel ajudaria de muito boa vontade.
— Oh! Finalmente descendo para o café. Eu já ia chama-los. – Mikoto disse, parando perto do sofá e os observando descer. Retesou surpresa quando Sakura desceu como um foguete que tropeçava um pouco nos saltos, o vestido amassado e o cabelo desgrenhado, segurando a bolsa, as chaves do carro, o telefone e o casaco.
— Cacete, melhor esperar. – Sasuke resmungava, tentando correr na mesma velocidade a ainda calçar os sapatos, desistiu no meio da escadaria para finalmente calça-los e Sakura envolver Mikoto num abraço apertado e risonho.
— Obrigada pela noite! Foi uma das melhores da minha vida!
— Oh, oh querida! – Logo ela a soltou, se apressando para abraçar Fugaku, logo atrás da esposa e correr para a porta, dando uma boa guinada para o lado para desviar de Sasuke que quase caiu no sofá, surpreso e desequilibrado. Então ela desapareceu depois da porta e ele fitou os pais, tão pasmo quanto.
— Caralho, viram isso? A mulher parece uma Cheetah! – Mas se levantou, despedindo-se na velocidade da luz também e correndo pra fora.
Sakura já estava no volante então todos os beijos e promessas de oral não foram capazes de desvia-los do caminho da joalheria, e nem do de um quarto de hotel. Ele foi trabalhar no horário de almoço, mas todo o resto parecia finalmente andar da forma certa em sua vidas.
Nada mais importava, e o que importava, lidariam estando ainda mais unidos.
*
— Ele disse isso mesmo? Tipo, todas as palavras? Você não estava bêbada?
— Claro que não.
— Uau! – Rachel exclamou, dando uma ruidosa sugada no canudo de vitamina que chamou a atenção até dos bebés. Sakura bufou, um pouco constrangida, e voltou a balançar o chocalho vista de Dayse, que apenas balançava as mãos e seguia com os olhos, ela lembrava o pai mais do que o irmão até, que era uma pilha inquieta e temperamental como a mãe.
Cada movimento da própria mão a fazia recordar e olhar diretamente para o dedo com o anel estilo Tifanny & Co. que agora ocupava-o. Ela poderia ter escolhido um mais opulento, diferente e caro, mas estava descobrindo-se uma otária clichê da pior espécie junto com Sasuke.
Bom, pelo menos não tinha que passar por mais constrangimento de admitir o namoro, pois já namoravam e não viram motivo pra desmentir uma parte só pra dizer “Agora é sério, pessoal”. Só disse para Rachel pois ela já sabia da brincadeira boba, e agora estava tão impressionada quanto ela.
— Tipo, estou realmente surpresa. Você sabe, de você ter se dado mesmo uma chance, passou-se o quê? Um ano ou mais? Temi que você fosse levar mais tempo para tentar, mas estou feliz em vez de preocupada, como pensei que ficaria, caso você tentasse fora de seu tempo. – Rachel prosseguiu, finalmente descartando seu copo de vitamina, se ela desse outro show de sugada ruidosa no meio da lanchonete, Sakura faria os filhos dela assistirem a mãe levar um chute na bunda antes de serem capazes de falar “bunda” ou “mamãe”.
— “Fora do meu tempo”?
— Sim, nós duas sabemos o quanto você é lenta com essas coisas. Você nasceu pra ser monogâmica, tanto que é capaz de confundir amor com mero conforto conjugal. Sempre te avisei isso enquanto estava casada. Ser casado é bom, trás segurança, e te deu muita liberdade em alguns pontos da sua vida. Para Hidan também. Acho que vocês dois confundiram as coisas de um tempo pra frente. Então sabendo como você é, temi que não fosse arriscar um relacionamento tão cedo, ou que se fosse, que acabasse confundindo A por B e se machucando.
— Hum.
— Mas, você está com Sasuke. Acho que não tem o que temer, vocês podiam não estar num relacionamento de verdade como uma... Como chamam mesmo? “Ficada”? Mas já se conheciam bastante, convivem muito, e ele está sempre ao redor de você, e você gosta.
— Eu gosto? Quê? Claro que não, ele é um pé no saco, e eu tenho que chamar duas vezes se quiser que levante na hora ou que ponha a porra do lixo pra fora. Ele é uma porta! Vive no mundo da lua ou de Tolkien, sei lá. Eu gosto? Pft...
Rachel a encarou com tédio e revirou os olhos. Se Sasuke era uma porta, Sakura era também. Mas gostava de ver como ela era com ele, com Hidan, os dois eram um casal fino e que inspirava imponência e elegância.
Com Sasuke, Sakura era mais como ela mesma, quando liberava seu outro lado de boquinha suja, estabanada, pavio curto e grosseirona como um menino, que assim se mesclava com o lado altivo, educado, inteligente e autoritário formando esta pessoinha completamente sem igual.
— Se você diz... Mas enfim. Falando como a melhor amiga deve falar, e usando o peso deste meu privilegiado título, quero dizer que... Eu aprovo completamente o seu novo namorado, meu bem. – Declarou, muito séria, como se fosse mesmo questão de alta importância.
Sakura riu á vontade, um pouco aliviada também, admitindo que queria mesmo uma opinião sobre tudo. Tinha acontecido muita coisa ultimamente e estava afim da normalidade de consultar uma amiga ao invés de alguém pago para dar opinião.
— Então vai fundo!
— Okay...
— Oh, ou melhor, deixe o rapaz ir fundo, sim? — a ruiva piscou, Sakura gargalhou sonoramente.
— Você é impagável! Mas então, quando pretende deixar o Marc ir fundo também?
— Oh, eu deixo, ele vai fundo na paternidade, nadando entre as fraldas e mamadeiras requentadas.
— Quando digo ao Sasuke que você é o demônio que mor...
Rachel que riu, diabolicamente. Sakura não precisava que ela dissesse quando ou como as coisas mudaram um pouco. Conhecia seu semblante e tom, e sabia quando ela estava exagerando e se fazendo de difícil.
Marc podia não ter voltado a ir “fundo” novamente, mas Sakura sabia que Rachel estava quase cedendo a deixá-lo mergulhar. Conhecia aquela ali e sabia bem que ela estava começando a se coçar com a falta de sexo.
Talvez contasse uma vez ou outra a mais sobre o quanto Sasuke podia ser um ótimo namorado, só para dificultar ainda mais a resistência dela ao marido.
Não que houvesse perdoado Marc totalmente, mas era capaz de ver o quanto ele estava se esforçando, o coitado merecia um “mergulho".
Os dois tinham que se acertar direito logo, quanto mais cresciam, mais as crianças necessitariam de um lar equilibrado, com ou sem eles juntos como casal.
Sakura olhou no relógio, sabendo que Matsuri logo a ligaria para ir busca-la no restaurante de sua família.
— Querida, tenho que voltar para o trampo. Tudo bem?
— Ah, entendo. Ainda vou ficar mais um pouco, ao menos fazer compras. É um saco ficar em casa enquanto Marc trabalha, eu devia por ele com as crianças e ir trabalhar. O que acha?
— Eu não entendo porque vendeu sua parte na revista. Poderia continuar trabalhando em casa e cuidando das crianças.
Rachel era editora chefe de uma revista de arquitetura, decoração e design, uma revista pequena mas bastante lucrativa pelo público bem endinheirado que geralmente atendia em Los Angeles e as parcerias com escritórios e imobiliárias que tinha para servir de propaganda. Era muito boa nisso, apesar que preferia lidar com a decoração e escolher os ambientes das matérias do que escrever sobre elas.
Ela deu de ombros, meio aborrecida.
— Nunca gostei de ficar trás de uma mesa escrevendo. Na verdade, não sinto falta mesmo que ser mãe seja meio enfadonho ás vezes. Mas gostaria de fazer alguma coisa nesse meio tempo que fico em casa e as crianças dormem. E é legal ser assalariada também, ser herdeiro tem suas chatices.
Sakura revirou os olhos, tinha uma galera lá em sua casa que enforcaria Rachel se a visse reclamar de ser herdeira. Ela própria poderia querer, não era de família altamente rica afinal, só o que tinha dividido com Hidan que era considerável se investisse e deixasse acumular, ainda assim, nem perto do que os pais de Rachel lhe deixaram.
— Você pode procurar algo quando eles estiverem maiores. Até mesmo voltar a estudar.
— Eu? Numa sala de aula? Pft, como se ainda pudessem me ensinar alguma coisa... – Rachel balançou o cabelo, Sakura terminou de acomodar Dayse no carrinho duplo.
— Cadela arrogante.
— Somos gêmeas, querida. Até logo e não esqueça de avisar sobre o Natal!
— Okay. – Sakura acenou, vendo-a partir com seu carrinho duplo de cor branca e faixas azul e rosa. Nada chamativo...
Cinco anos atrás as duas ririam se concebessem essa imagem na mente. Sakura ficou feliz de pelo menos uma delas conseguir superar isso... Ou mesmo as duas, não importava mais, presumia.
Pegou a bolsa e deixou o dinheiro sobre a mesa, atendendo a ligação de Matsuri enquanto se dirigia de volta ao serviço.
*
— Ah, eu não devia mesmo permitir isso... – Sasuke admitiu, aproximando-se por trás. Sakura sorriu de lado, vendo-o através do espelho no qual se mirava enquanto ajustava a meia calça preta arrastão por sobre a calcinha.
Sasuke apreciou a visão por trás, se ela era matadora com bonitas e delicadas meias transparentes ou pretas. Aquelas ali a tornavam um furacão. Derrubaria qualquer um a quilômetros de distância.
Realmente, fora bobo de achar que a idade inadequaria Sakura para participar desta pequena operação. Na verdade, esta delícia muito bem amadurecida ao longo de trinta e nove anos, faria chover “clientes" para a casa de shows que estavam investigando.
Prostituição era ilegal no estado da Califórnia, isso não impedia que muitas mulheres procurassem esse ramo ou que muita gente se aproveitasse delas para ganhar dinheiro e vender drogas.
Eles receberam uma denúncia anônima de que uma prostituta fora morta por estar devendo a agiotas donos de um clube perto de Bervelly Hills, além de atraírem de menores e outras mulheres para fazerem ponto lá, as obrigavam a vender suas merdas e a pagar pelo uso do local depois de o usarem, atando-as á dívidas exorbitantes.
Sakura não se importou de ser uma isca assim como outras três policiais, mas ele não já estava gostando tanto de deixa-la circular num clube noturno com aquelas meias e aquela calcinha.
Ela pacientemente fixou os fios da escuta e da micro câmera contra o corpo, usando tiras de fita adesiva e ele beijou seu ombro e pescoço.
— Certeza que não quer ficar comigo no furgão? Tem café quente e TV. – Ela riu, apertando, suas mãos contra a cintura.
— Prefiro tomar vodca e atirar em alguém.
— Opa, combinamos que nada de atirar. – Avisou, virando-a para si, Sakura deu de ombros.
— Eu não prometi nada. – Lembrou. — Mas relaxa, sabe como vodca me deixa tranquila. Posso até acabar gostando.
— Hm, na verdade, vodca te deixa louca. – Ele resmungou, cingindo-a mais perto. — E eu prefiro você louca só pra mim. Ainda mais nessas meias. – Beijou-a, aprofundando a língua em sua boca. Esfregou suas costas com vontade de soltar o sutiã e desceu apertando a bunda com ganância. Sakura gemeu, erguendo uma perna contra o quadril dele, e Sasuke a segurou, puxando-a mais perto e apertado.
A vontade de vira-la contra o espelho, rasgar aquela meia e fodê-la duro, ficando cada vez mais difícil de lidar.
— Já está tudo pronto. – Alguém avisou, do outro lado da porta.
— Hum, aqui em baixo também. – Sakura ronronou, estregando-se no quadril dele. Sasuke deu-lhe uma palmada de advertência e a empurrou para longe de si, ou a operação teria de ser adiada e eles usariam aquele quarto de hotel para outra coisa.
Ela sorriu, lambendo os dentes como uma matadora faminta e se ocupou de pegar o vestido de paetês que usaria enquanto ele seguiu para a porta. Sasuke esperou ela cobrir aquele rabo antes de abrir a porta.
— Tudo pronto aqui também. – Declarou e o policial, vestido de mendigo, concordou, Sakura se aproximou, vestindo um casaco de pele bem vagabundo e ajeitando a maquiagem forte. Ele passou o braço em volta de seu ombro, antes de deixa-la ir.
— Bom, já sabe o script, mas espero que saiba que pode e deve chamar reforço se precisar, okay? Não se arrisque pra saber demais, eu duvido que consigamos muita coisa só num primeiro dia, de qualquer forma. Okay? – Aconselhou, ela assentiu, um pouco aborrecida e ansiosa.
Odiava ser tratada como iniciante, mas toda operação tinha riscos e ele a trataria como um bebezinho se fosse preciso, para mantê-la segura. Entendia a perícia que ela tinha como major, mas usaria sua autoridade para manter o traseirinho viciado em adrenalina dela, sob controle.
Além de quê, ela não era só sua investigadora, ou amiga, ou parceira, ou subordinada, era muito mais e estava foda-se pra quem percebesse isso, iria proteger sua garota e as garotas que também estavam na operação.
— Okay. – Sakura concordou, subordinadamente. Ela deixaria para querer chutar o traseiro dele quando chegassem em casa, então Sasuke se aproveitaria da autoridade um pouquinho mais, de todo jeito, enquanto podia.
— Certo, vai lá. Juízo, mulher.
Ela revirou os olhos e seguiu com o policial disfarçado.
— Esse cara é uma mala, não acha? – Sakura resmungou.
— Eu ouvi isso. E o Hopkins aí tem permissão de atirar no seu rabo se for malcriada.
— Você ama tanto o meu rabo que levaria um tiro por ele, chefinho.
Sasuke assistiu o elevador fechar as portas e suspirou, um pouco inquieto, talvez um pressentimento estranho, não ruim, talvez apenas um pouco assustador.
Levaria um tiro por ela toda.
*
Sakura caminhou com um pouco de pressa e ar desleixado pela calçada, os saltos das botas que calçava eram muito finos e escorregavam facilmente na superfície úmida pós-chuva.
Não havia fila para entrar na boate, passou ignorando a presença dos dois seguranças altos e encorpados e adentrou o recinto, luzes neon vermelhas e azuis caíram sobre ela e uma maré de corpos agitados ao som de algum pop eletrônico se estendia pela pista.
Ela observou, com ar de desinteresse, a geografia do ambiente, onde ficava o bar, o acesso ao segundo andar, áreas Vips, e pessoas de ar importante ou que parecesse mais interessadas em algo além de dançar e beber.
Seguiu até o balcão, pondo o casaco sobre a banqueta vaga ao lado, sentou-se cruzando as pernas em direção á pista de dança, e voltou a bancar a carne de açougue, á espera de ser abordada por alguém do andar de cima.
Percebeu um homem careca surgir na multidão, com ar de gostosão mas pouquíssimo talento para convencer de tal. Ela bufou, virando a cara sem paciência pra camarão nanico atrapalhando sua caça a tubarões.
— Boa noite, você quer...
— Não.
— Mas nem um...
— Não.
Ele bufou, constrangido e irritado, provavelmente tendo alguma plateia que queria impressionar. a fitou da cabeça aos pés e então insistiu, com ar de troça.
— Quanto cobra lá no asilo?
Sakura finalmente o fitou com desdém.
— Pra você e essa coisinha? Teria de ser justa, e acabaria fazendo caridade. Mas não sou uma vovó generosa. Rala peito, bola de bilhar.
Ele rosnou, disfarçando muito mal, fingiu perder o interesse e se afastou afim de abordar outra mulher. O som estava muito alto, então ela não ouvia bem a equipe através da escuta, mas chegou a perceber que estavam se divertindo muito com o que ouviram.
— Você é bem exigente. – Ouviu atrás de si, se virou sobre o banco, observando o jovem barman, cabelo castanho, aparentemente, praticamente raspado nas laterais e longo, penteado para trás no topo, forte e tatuado, o tipo de rosto que intimidava, mas sua voz era quase doce. Como um tigre com a personalidade de um gatinho.
— Nunca gostei de carecas. – Comentou, indicando o maço de cigarros que ele tinha no bolso do avental preto. Ele tirou um, oferecendo e fitando-a com desconfiança e curiosidade. Ascendeu o cigarro para ela.
— Você fuma, desde? — Sasuke interrogou, abafadamente, ela ignorou.
— Você é nova por essas bandas? – O barman disse, amigável e curioso.
— Cheguei ontem. Ouvi dizer que aqui é bastante lucrativo, se é que me entende. – Sakura gesticulou cédulas entre os dedos.
O rosto bonito e de aparência perigosa do jovem se mostrou pela primeira vez que poderia ser realmente ameaçador.
— Esse não é um bom lugar.
Ela meneou a cabeça, intrigada, e ele baixou o rosto, suspirando enquanto esfregava uma flanela na superfície do balcão.
— Não é grande coisa, quero dizer... Quem te falou, só estava exagerando.
— Já estou aqui, não me importo de arriscar uma noite...
— Não. Digo, sério, é perca de tempo. Você só vai se encrencar atoa...
— Bom, eu gastei uma grana feia vindo pra cá. Tenho que tirar ao menos o de voltar. – Ela pressionou, até com certa pena dele. Ele era assustador ou no mínimo suspeito, mas parecia gentil e muito compassivo.
Ele parou, esfregando o rosto, e inspirou, jogou a flanela de lado e começou a tirar o avental.
— Caia fora, Sakura. — Sasuke ordenou. — Katy, Brook, Alex, todas fora.
Sakura se remexeu no banco, tentando olhar pros lados e entender o que estava havendo, viu as duas outras policiais seguirem para a saída, logo em seguia a outra que lhe mandou um olhar, apressando-a.
O barman surgiu ao lado dela, sorrindo.
— Se é assim, eu posso ir com você. E fazer valer a pena, okay? – Declarou.
— Porra, Sakura, está surda? — Sasuke rosnou.
— Que diabo está havendo? – Ela tentou entender, o rapaz a fitou, confuso, Sakura olhou pro andar de cima, vendo vários homens descerem as escadas empurrando quem estava pelo caminho. — Cacete. – Catou o casaco, e puxou o barman pela mão. — Vem!
Um estampido emudeceu a boate inteira, a música cessou, e então gritos encheram o local, Sakura olhou pra trás vendo uma das policiais, Alex, no chão, sangrando, os homens se aproximaram prontos a executar e o barman a empurrou rumo a saída lateral.
Ela jogou o corpo contra ele, puxando a arma do coldre entre as coxas, atirou por sobre seu ombro, acertando a costela do babaca armado.
A polícia invadiu nesse mesmo instante e ela correu para fora pois agora haviam mirado nela e no barman.
A saída dava pra um estacionamento subterrâneo, pessoas fugiam em seus carros, e os dois correram até três homens surgirem entre os veículos, um acertou o rapaz dando um encontrão com o ombro e o outro atingiu a mão de Sakura com um tapa.
Ela viu de relance a caminhonete de onde eles vieram, com a carroceria aberta, percebeu facilmente a silhueta de um corpo dentro de um saco preto.
Girou atingindo o nariz do terceiro deles, o outro a agarrou por trás e ela usou o peso do próprio corpo, impulsionando pra frente e o levando junto num baque duro contra o concreto. Virou acertando o cotovelo na mão do segundo, inutilizando a arma e acertando a esquerda com tudo em seu nariz dele, que caiu contra a traseiro do carro, batendo a cabeça e ali ficando.
Chutou o rosto já ensanguentado do que já tentava levantar, e aquele que imobilizava o barman o soltou e avançou para ela com um canivete. Sakura desviou seu braço, socou o estomago, o queixo, joelho, e o pondo de joelhos, acertou um chute no rosto que o tombou ali mesmo.
Respirando profundamente, em lufadas, fitou o rapaz por sob o cabelo desgrenhado e suado da franja. Ele a fitava pálido e consternado.
— Uma vodca cairia muito bem agora, hein?
*
— Porque você tem sempre que fazer eu querer bater no seu rabo? – Sasuke bradava pela sala. Sakura deu de ombros, sentada em sua mesa.
— Eu não faço isso. Você que usa qualquer desculpa...
Ele a mandou um olhar fulminante, e ela se encolheu de ombros, um pouco mal por estressa-lo tanto. Sasuke gostava de mandar nas coisas, mas não tinha prática como líder, como agora na posição em que estava exigia. Ele preferia mandar de seu jeito desleixado, ou simplesmente dar foda-se a quem ignorar seus conselhos. O que como delegado, era inviável.
— Eu disse “Saia daí”, o que você faz? Não sai! Puta que pariu! O que você tem na porra da cabeça? Alex levou um tiro, cacete!
Sakura tinha experiência o bastante para ver estas situações de maneira realista. Saber prever ou perceber quando perdia o controle de algo, um fator, um escorregão, um tiro fora do tempo, decidiam muitas coisas.
Eles não tinham como adivinhar que seriam confundidos com membros de uma gangue que vinha de olho no negócio clandestino da boate. Por isso foram atacados daquele jeito e Alex foi alvejada.
Ela estava bem, Sakura estava mais preocupada com as moças encontradas presas numa salinha imunda, e na família da que estava morta e eles pretendiam descartar como lixo.
O plano não saiu como queriam mas ainda puderam usar a bagunça a seu favor.
Levantou-se da mesa, e se aproximou dele, pousando as mãos em seus ombros e massageando.
— Está tudo bem. Deu certo no final, sim? -Abraçou-o por trás e Sasuke inspirou, encarando a janela. — Você não pode levar as coisas desse jeito, se estressar assim. Ou vai enlouquecer, ou, terminar como o Kakashi...
Sasuke fez uma breve careta, mas não contestou. Apenas lembrando que Kakashi andava bastante sumido, e avulso, sabia que tinha haver com ele estar aproveitando mais a vida, relaxando. E também, com a separação de Rin. Só não sabia o que realmente estava afetando-o mais.
Segurou as mãos de Sakura contra o estomago, acariciando, se desvencilhou e se voltou para ela, puxando seu rosto entre as mãos e a fitando.
— Eu não vou ficar, porque tenho você, okay? – Sakura sorriu um pouco, ele a abraçou apertado e beijou sua cabeça. — Então pare de encrencar esse maldito rabo, sim?
— Uhum.
— Ótima garota. Agora vai se trocar.
— Está certo. – Sakura concordou, se afastando rumo a porta.
— Mas pode manter as meias pra usar mais tarde. – Sugeriu ele.
Ela piscou, antes de sair.
— Com certeza pensarei nisso, querido.
Ele acenou e observou-a partir. No fim, passou o resto da noite na delegacia e seguiu para casa já perto do horário do almoço.
Entrou quase sendo, como já era habitual, derrubado pelos cães. Gibs e Augustine só sossegaram quando puderam fugir com seus sapatos e Sasuke se jogou na poltrona, esticando-se dolorido, cansado e tentado a dormir ali mesmo.
Sakura veio da cozinha, usando um vestido branco com algumas flores de hibiscos desenhadas e segurando um vaso de vidro com um pequeno arranjo de flores. Balançou a cabeça ao que os animais passaram levando os sapatos dele e se curvou pondo o vaso sobre a mesa de centro.
— Achei que não fosse mais vir hoje. – Declarou, Sasuke a puxou pela mão, trazendo-a para o colo.
— Eu passei a noite ouvindo prostitutas, barmans, seguranças...- Bocejou. Ela acariciou seu rosto analisando o cansaço nele e suspirou.
— Vá subir e tomar um banho, o almoço já está quase pronto.
— Hm? Você fez? – Sakura deu de ombros e se levantou, puxando-o da poltrona. Sasuke subiu as escadas quase se arrastando, tomou um longo banho e quando saiu, ela estava em seu closet, revirando tudo.
— O que cê tá aprontando agora?
— Faxina de fim de ano. Ninguém vai escapar.
— Te abomino.
— Sei que sim. Veja, estou separando essa velharia. Veja o que ainda quer, e se livre do resto. Vou juntar umas roupas velhas pra doação.
— Posso fazer isso ano que vem? – Ele pediu, realmente sério, faxinas eram um saco.
— Claro que sim, nos seus sonhos. – Sakura rebateu, revirando os olhos. Ele abraçou-a por trás, com força. Beijou seu pescoço e respirou o perfume enquanto esfregava uma palma no seio dela.
— Posso te convencer bem realisticamente...- Avisou, Sakura resmungou algo inaudível quando mordeu sua orelha e rebolou contra o quadril dele. Sasuke deixou a urgência e o desejo dominarem de vez e pressionou-a contra o espelho, na parede ao lado dos armários.
Puxou as alças do vestido para baixo, com uma mão, e com a outra espalmou as pernas dela até o topo do traseiro, erguendo a barra do vestido e empurrando os dedos entre suas pernas, sobre a fenda quente. Ela gemeu, se balançando sobre seus dedos e apoiando as palmas no vidro. Sasuke afastou a mão, plantando um tapa numa das nádegas, xingou baixo, contra o ouvido dela, e puxou a calcinha de uma vez. Abaixando-se em seguida para leva-la até o chão.
Plantou as mãos no traseiro dela, empurrou a boca e a língua direto em seu sexo e o saboreou vorazmente. Sakura grunhiu em êxtase, movendo-se contra sua boca viciosamente, arranhando o vidro com as unhas, os seios rijos roçando na superfície fria enquanto ele a provava com a língua o mais fundo possível e provocava o clitóris com a ponta dos dedos.
— Puta merda, baby. – Exclamou, sentindo a vista doer de tanto apertar as pálpebras e revirar as órbitas.
Sasuke subiu a boca, mordiscando sua carne e sentindo-a estremecer. Riu em lufadas e apertou a mão em torno do pescoço dela, pressão apenas para dominá-la.
— Acha que terminei de te comer? Hm? – Puxou o quadril para si, bruscamente erguendo-o e empurrando a barra do vestido para cima. Arrancou a toalha que tinha em volta do próprio quadril e segurou o pênis contra a pele do traseiro dela, acariciando. Sakura suspirou e gemeu, ansiosa e manhosa. — É isso que quer, querida? Olhe pra mim. – Avisou, empurrando-se entre as coxas dela. Sakura abriu os olhos, o encarando através do espelho, a vista entrecerrada e languida de prazer. — Olhe só pra você, olhe só como gosta.
Sasuke rosnou, pressionando-a contra o vidro, adentrou-a com força, inspirando profundamente e chupando seu pescoço, ela gemeu e tremeu, as pernas quase perdendo a força quando ele arremeteu duramente.
Sakura permaneceu apoiada contra o vidro, empinada e o recebendo cada vez mais ensandecida. Ele atou a mão em seu cabelo, a outra palma segurando o vestido amassado ou deixando marcas em sua bunda.
— Fode mais. Com força, sim! – Pediu, o quadril dele batendo com força contra ela, duro e inchado dentro de si, tão molhado e quente que a deixava zonza.
Sasuke estocou-a cadenciadamente, dando a ela o que queria e também se alongando em sentir-se mergulhado nela, ao se mover mais devagar e empurrar mais fundo. A respiração dela já deixava o vidro embaçado mas ele ainda podia assistir sua expressão sedenta de prazer, suada e rubra.
O calor fumegante que já conhecia começava a se formar, ela o esmagava dentro de si, querendo mais e mais. Abraçou sua cintura, apoiando o queixo contra o ombro dela e Sakura puxou-lhe o cabelo, gozando em seguida com um grito agudo. Ele se liberou logo em seguida, e deixando as respirações voltarem ao normal, os dois caíram sentados no chão.
Deixou Sakura sobre o colo, abraçando-a e suspirou. Ela se acomodou, também confortável, acariciando o braço dele em volta de si e descansando a cabeça em seu peito.
— Vamos jantar assim também? – Indagou, quase num fio de voz. Ele riu suavemente.
— Se eu estiver vivo para tal...
Ela fez um muxoxo, um pouco aborrecida.
— Você tem trabalhado demais...
— Hm.
— Eu não quero te fazer sentir pra baixo. Você é muito bom, mas também era bom como investigador... – Ela ergueu a cabeça um pouco e beijou seu queixo. — Quero que faça o que te realizar mais. Só isso. Você sabe?
Ele suspirou, encarando a porta do closet.
Seria mentira se dissesse que não sentia falta do que fazia antes. Mas seria mentira dizer que não gostava completamente do que fazia agora.
— Quando eu comecei a faculdade de Direito. – Iniciou. — A ideia de defender as pessoas era o que eu mais gostava. E quando larguei, eu não tinha perdido o interesse nessa ideia, apenas em realiza-la como advogado, então entrei pra academia de polícia, me formei e lá vi que poderia fazer o que queria de outro modo, me tornar investigador foi ainda mais realizador. E eu sei que atrás daquela mesa também posso fazer a diferença. Assim como descobri que num carro de polícia poderia. Eu estou me readaptando, mas fazendo o que gosto, okay?
— Okay...
— Acho que só está sendo maçante porque evitei ficar atrás de uma mesa a vida toda e acabei indo parar numa, mas lá eu posso fazer muita coisa, e eu gosto de fazer isso, desse modo. Ao contrário do que foi com a advocacia.
— Certo.
— Vamos deixar esse ano passar, certo? Essa época é ainda mais corrida. Ano que vem deve tudo normalizar, e a gente vê como esta coisa fica. Quem sabe eu volte a ser seu parceiro...
— Até estou me acostumando com a Matsuri.
— Mas você sabe o que ela quer. Exatamente o que eu acabei de ter, aliás.
— Palhaço.
Sasuke beijou sua cabeça e os dois tomaram mais um longo momento de silêncio até ela ter vontade de falar outra vez.
— Rachel me chamou para passar o Natal com ela, Marc e os bebês. – Iniciou.
— Hm? Você quer ir?
— Seria ótimo, mas...
— Mas?
Ela se virou para ele, abraçando seu pescoço e o encarando um pouco acanhada.
— Eu acho que eles deveriam fazer isso juntos. Com as crianças. Acho que Rachel também quer escapar de finalmente se resolver com Marc. Eles amam o Natal, e passa-lo juntos, sei que ela quer evitar se deixar decidir por conta do momento...
— Mas ela já adiou isso demais. Os bebês estão crescendo, eles têm que se decidir logo.
Sakura suspirou, dando-se conta de que ele tivera a mesma resolução que ela. Mas nem por isso queria abandonar Rachel.
Sasuke acariciou seu cabelo, percebendo sua relutância.
— Talvez se eu passar só um dia... – Sugeriu ela, ele negou logo.
— Nem pensar, você vai passar o Natal comigo.
— Hã?
— Isso mesmo. Peru e vinho, neve, tombos com os esquis e muito sexo na frente da lareira. Diga a Rachel que não pôde resistir a isso.
Sakura gargalhou.
— E onde você pretende achar neve para esquiar?! Com as temperaturas aqui a gente derreteria em frente uma lareira, porra.
— Droga de aquecimento global.
— De humanos. – Ela corrigiu.
— Também. Eu dou um jeito, na verdade já estava pensando nisso a um tempo.
— Você realmente fala de viajar? – Sakura se atentou. — Achei que passaríamos aqui mesmo.
— Seria legal. Mas nem toda a galera vai ficar aqui. Nunca dá certo.
— Ah...
— Geralmente. Antes do Natal nós fazemos um “Natal adiantado”. Trocamos os presentes, nos entupimos de bebida e peru e assim todo mundo pode viajar ou trabalhar tranquilo.
Ela concordou e então se empolgou de novo.
— Então ainda vamos poder fazer decoração. -Concluiu, com euforia. Sasuke achou-a adorável se empolgando assim. Só por isso não encarnou com ela dessa vez.
Beijou seu rosto, confirmando.
— Com pinheiro e tudo mais que quiser. – Prometeu.
Sakura fechou os olhos, suspirando com leveza.
— Você... Já teve uma ideia sobre aquilo? – Sasuke indagou, depois de um tempo enrolando os dedos no cabelo dela.
Sakura sabia o que era. E apenas se encolheu um pouco.
— Não... E você?
— Também não... acho que vamos levar sermão na próxima sessão.
— Arranco as unhas dela, humpf.
— Mas acho que tudo bem. Desde que tentemos, certo? Eu vou tentar pensar em algo.
— Hum. Você já anda tão sobrecarregado...
— Nem pensar. – Sasuke cortou logo. — Eu quero participar disso. Se você tiver uma ideia. Me comunique e decidimos. Eu faço o mesmo, okay?
Ela não discordou mais, Sasuke beijou sua cabeça.
— Certo. Agora vamos sair daqui ou não? Estamos a bastante tempo...
— Porra. Espero não ter queimado nada. – Sakura se levantou, ajeitando a roupa e correndo pra fora do quarto. Sasuke riu dela correndo com apenas um salto no pé, vestiu algo confortável e se jogou na cama. Caiu no sono rapidamente.
Quando acordou, já estava escuro lá fora, ele trocou de roupa, e consultando o relógio ao pegá-lo na cômoda, desceu as escadas encontrando muitas vozes e risos vindo da cozinha. Tocava I Sing the Blues, de Etta James, no rádio e enquanto Sakura fazia o jantar e gargalhava, Ino e Suigetsu rodopiavam pela cozinha dançando com pinta de profissionais, Juugo e Karin observavam, compartilhando um drink de frutas, e os dois cachorros pulavam e corriam em torno, empolgados e atrapalhando um pouco a coreografia dos dois bobões humanos.
Sasuke adentrou a cozinha, observando com um pouco de culpa por não poder participar do momento agora.
— Opa, olha quem finalmente acordou. – Sui gritou por conta da música.
— Não me deixe caiiiir! – Ino riu, girando e girando como um pequeno pião loiro.
Sasuke desviou dos dois, afagando a cabeça e as orelhas de Gibson que veio em sua direção sobre as duas patas. Perto do balcão, provou um gole do drink de Karin, que o ofereceu.
— Você que fez? Está bom. – Disse, ela confirmou, vaidosa. — Puxou o talento do seu primo.
— Hahaha, e um pouco mais de cérebro. – Ela riu, Sasuke também, a velha história de Naruto ter desejado largar faculdade e tudo mais para ser barman nunca perdia a graça pela forma como os pais dele ficaram loucos na época e de como ele realmente levara o lance a sério.
Devolveu a bebida para ela e se aproximou pelas costas de Sakura, que conversava com Tinny, que a observava apoiada com as patas dianteiras na beirada da pia, ansiosa por ganhar um pedaço da carne de forno que a dona fatiava para por numa travessa.
Abraçou-a por trás.
— E você? Não tentou dançar? Vejo porque a cozinha está inteira. – Provocou. Ela revirou os olhos e deu um pedaço de carne para a cadela.
— Eu danço muito melhor acompanhada, na verdade.
— Aham, claaaaro.
— Danço sim, um dia eu te mostro, com um parceiro melhor que o Sui, eles quase quebraram minha tigela vermelha, cacete.
— Uhum. O que está aprontando? Isso sai logo? Preciso ir...
Sakura girou, voltando-se para ele e apoiando a mão em seu peito, na outra, segurava a faca. Notou que ele estava mesmo pronto para trabalho e suas feições se aborreceram e irritaram.
— Sério isso? – Bufou, dando as costas. Sasuke pensou em jogar outra piada mas lembrou que ela tinha uma faca afiada na mão e cortava a carne como se pudesse matar a vaca novamente. Abraçou-a outra vez, cheirando seu cabelo.
— Qual é, preciso ao menos terminar o trabalho de ontem, certo? Prometo não chegar tarde.
— Vai trocar o dia pela noite agora. – Sakura reclamou.
— Prometo que não vou. E se eu for, tem carta branca pra chutar o meu traseiro. – Sakura se desvencilhou, dando de ombros e seguindo para a geladeira.
— Eu sempre tive. – Resmungou.
Sasuke suspirou, desistindo de dobra-la agora.
Sakura voltou com uma travessa de salada e se direcionou para a mesa.
— Rango na mesa, crianças. – Avisou, fazendo questão de também abaixar a música.
— Ai, rodei tanto que estou enjoada. – Ino disse, entre risos e puxando uma cadeira para se sentar.
— Ué, não devia estar acostumada? – Karin provocou, as duas se bateram com os guardanapos, também trocando risadas.
— Falou a própria santinha!
Sasuke se sentou e quase caiu da cadeira quando Sakura plantou a faca de carne sobre a tábua de madeira perto do prato dele, a lâmina refletiu a cara levemente pálida dele e todo mundo observou a mulher se sentar, em silêncio.
Sakura arrumou o guardanapo sobre o colo, com ar aparentemente satisfeito e os fitou.
— Então?
Karin e Ino se empertigaram logo se virando para a mesa e pegando os pratos, Sui arrastou a cadeira alguns centímetros para longe da coroa e Juugo fitou Sasuke de lado, um pouco inseguro.
— Eu te admiro mas também tenho pena. – Confessou, baixinho.
Sasuke sentia o mesmo sobre si. Pegou os talheres e teve certa dificuldade de puxar a faca enfiada na tábua. O cara que pôs a Excalibur naquela pedra poderia ser parente de Sakura.
Observou-a, ligeiramente, recebendo um sorriso falso e um olhar mais afiado e mortal que a faca.
E pensar que havia ido dormir depois de sexo maravilhoso com esta mesma criatura.
Era isso que chamavam de relacionamento?
Uau.
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