Killer Queen

47 Rainha Hipotética


Notas iniciais
Olaaaaar desculpem o atraso, a semana passada foi corrida e eu tive q viajae no fim de semana rs

— Por que as bochechas dela são tão grandes? – Noein interrogou, cutucando a bochecha rechonchuda de Sarada.

— O quê? Está com ciúme?

— De bochechas gordas?

— Haha, você me entendeu.

Noein deu de ombros, orgulhoso demais para admitir que estava enciumado.

Sasuke olhou a hora e bagunçou seu cabelo.

— Vamos lá, está atrasado para a escola.

— Por que eu não posso ficar de folga? O bebê nasceu.

— Oh, mas não era você, que estava implicando com o bebê?

— Com as bochechas.

— O que você é? Um buchechofóbico?

Ambos deixaram o quarto, Sarada finalmente dormia o bastante para dar algum sossego para a mãe que também dormia no outro quarto e nenhum deles pretendia despertar ambas as feras.

— É só que eu espero que elas não continuem grandes assim, ou ela vai sofrer bullying, cara.

— Aham, claro. Sabia que bullying também começa dentro de casa?

— Eu tenho direito de me divertir.

— Não faça bullying com sua irmã!

Sasuke o levou para a escola, retornou e sentou no sofá com a TV num jogo, café da manhã e a babá eletrônica ao lado.

A casa estava quase tão silenciosa quanto quando ele ainda morava sozinho. Sentia falta dessa época, vez ou outra.

Sakura dormia, todo mundo trabalhando, e a nenê estava quietinha.

Com o passar do tempo, ele sentiu que estava quieta demais e um monte de coisa sobre bebês com refluxo ou morte súbita ainda no berço passou em sua cabeça.

Mas Sarada passara a noite quase toda acordada, certo? Devia estar tão cansada quanto a mãe, certo? Ela era perfeita e saudável, certo?

Certo.

Mas melhor verificar mesmo assim.

Ele largou o jornal e subiu para o segundo andar, a porta do quarto dela estava sempre entreaberta e com um peso impedindo-a de bater. As janelas abertas para uma boa ventilação e os aviões caça de brinquedo que os tios maternos deram de presente continuavam girando acima do berço.

Se aproximou e bem, ela estava do jeitinho que deixou. Tão paradinha como uma boneca.

Mas ela estava respirando, certo?

Era pequeninha e estava cobertinha com a manta, não dava pra ter certeza apenas olhando, e mexer nela poderia acordá-la.

Claramente ela estava dormindo, certo?

Certo.

Mas ainda não custava nada verificar...

— Ih, acordei ela.

Sarada logo começou a preparar os vocais para um show e ele entrou em pânico tentando cantarolar alguma coisa para acalma-la.

— O que está fazendo? – Sakura indagou, sonolenta e parada na porta. Sasuke a fitou por cima do ombro, sorrindo amarelo, claramente apavorado e sem graça.

— Só estava vendo se ela... respirava bem.

Sakura suspirou aproximando-se.

— Seu paranoico... – Pegou-a e começou a niná-la de novo. — Pronto, pronto. Esse idiota estava irritando você? Estava?

— Foi sem querer...

— Ele é tão grudento, né? E ainda por cima frouxo, como pode só ter coragem de pegar você com ajuda de alguém? – Sakura zombou.

— Tsc. É a cabecinha dela, quer dizer, essa moleira aí, sabia que o cérebro dela pode sair por ali? Não dá pra eu... Eu simplesmente pegar nela assim tão fácil.

Sakura se segurou para não gargalhar e irritar Sarada, esta sossegou e pode devolvê-la ao berço. Sasuke se afastou ainda olhando feito uma coruja pra ela e o quarto.

— Não é melhor fechar as janelas? – Sussurrou.

Sakura apenas o puxou pela mão para fora do quarto.

— Já levou Noein pra escola?

— Já. Não quer voltar a dormir mais?

— Culpa sua. Agora tenho medo de você ter um ataque de pânico caso ela espirre.

— Não enche, Sakura!

Eles foram até a cozinha, Sakura abriu a porta dos fundos e deixou Cherry e os pais entrarem mesmo Sasuke não os querendo lá pra latir e fazer barulho.

— Isso aqui está tão quieto que chega a ser assustador. – Ela comentou, sentando n colo dele com Cherry nos braços. Este já estava grandinho demais para colos, inclusive, e tinha o péssimo costume de lamber a cara das pessoas.

Os outros irmãos dele iam bem.

Harry estava com o antigo dono de Tinny, Jerry foi adotado por Rachel para a alegria dos gêmeos, Lary foi para o filho de Temari e Shikamaru, Gary era a estrela do bar de Owen, Marrie ficou com Kenton, e Darry foi selecionado por Boruto.

Também havia Berry que fazia felicidade do filhinho de Hidan e Sakura monitorava a vida de todos sempre que podia.

Sasuke estava mais preocupado em evitar uma segunda fornada de filhotes.

— Quando vai voltar a trabalhar? – Ela perguntou, enquanto enrolava o topete de Cherry no indicador.

— Infelizmente logo, mas você poderá aproveitar mais.

Sakura deu de ombros.

— Eu sinto falta de trabalhar, mas estou mais preocupada em como cuidar do bebê e fazer isso.

— Mas você sabe que não precisa voltar a trabalhar...

Sakura riu, o fitando.

— Como assim, hein? Quer que eu vire apenas a mãe do seu bebê, delegado?

Sasuke deu ombros, um pouco aborrecido.

— Por que não? Não é como se você fosse deixar de ser outras coisas. Você já trabalhou tanto, e chegou muito longe. Não vejo problema em sossegar e ser mãe...

Ela o fitou estreito por um tempo, e ele achou que ela o faria dormir na garagem hoje.

Sakura pôs o cachorro no chão e passou os braços em torno do pescoço dele.

— Pense assim, se fosse o contrário e eu dissesse que tudo bem você parar de fazer o que gosta só pra ser pai e me deixasse sustentar você, gostaria?

— Quer que eu seja sincero? – Sakura gargalhou.

— Droga, esqueci que você é um malandro. Vamos refazer, e se eu dissesse que queria você só fosse pai da Sarada e do Noein e nada mais?

Sasuke quase respondeu mas percebeu seu olhar sugestivo e como cruzara as pernas lentamente.

— Ser pai das crianças...?

— Uhum, e nada mais, nadinha.

— Nadinha? Só das crianças já feitas?

— Exatamente!

— Okay, entendi. – Ele e a beijou e se levantou, deixando-a sentada na mesa. — Tem toda a razão amor. Trabalho dignifica o homem e, a mulher.

— Lindas palavras.

— Não vejo a hora de ter você de volta ao trabalho, querida.

Sakura revirou os olhos, mas não disse mais nada. Este aí ela já sabia exatamente onde dobrar.

֍

— Você está com piolho, garoto? – Sakura interrogou.

— Claro que não! – Noein se defendeu, mas continuava coçando a cabeça freneticamente. Sasuke baixou o jornal e puxou a cadeirinha com Sarada para a outra ponta do balcão, longe dele. A nenê tinha bastante cabelo já, então era melhor não vacilar muito.

Noein o encarou ofendido e Sakura já inspecionava sua cabeça.

— E por que tanta coceira?

— Eu sei lá!

— Humpf, quando foi a última vez que o lavou?

Ele não respondeu, ela bufou e o empurrou de perto de si.

— Vá tomar um banho e lavar essa juba ou tiro ela com o cortador de grama!

— Mas eu já tomei banho.

— Não importa! Parece ter feito diferença?

Sasuke ficou rindo enquanto ele seguia para o andar de cima outra vez. E bufando, Sakura sentou-se à mesa novamente.

— E não esqueça de lavar a cabeça de baixo também, se a de cima está ruim assim...

— Deus, como você é cruel! – Sasuke cuspiu depois de entalar. — Pare de constrangê-lo, vai deixá-lo complexado.

— Não devia ser constrangimento mandar ele lavar o pinto! Na verdade eu nem deveria fazer isso por que garotos já deviam fazer isso sem que alguém os ensine!

— Todo cara sabe fazer isso...

Sakura revirou os olhos e apontou para a sala, lá estava Ethan vendo TV e coçando o saco demoradamente.

— E isso também já nascem sabendo fazer?

Sasuke fez uma careta e pensou que deveria começar a estudar a possibilidade de despejar alguns inquilinos, Sarada não precisava crescer cercada deste tipo de espetáculo horroroso.

— Ethan, por que não arranca logo essas coisas? Elas certamente vão parar de te incomodar.

— Não que eu precise realmente, já que não pretendo ter filhos, mas vou deixar por que é esteticamente mais agradável para as garotas.

Ela riu com desdém.

— Um saco de carne enrugada pendurado é esteticamente bonito pra quem?

— Vai se danar, mulher. Deixe minhas belas bolas em paz e pendure-se nas do seu homem. – Ethan resmungou, subindo para o quarto.

Ela riu enquanto pegava o bebê no colo.

— Quem disse que ainda preciso dessas bolas? Eu já consegui o que queriaaaa.

— Eu poderia dizer que o mesmo para você sabe o quê, mas, nós sabemos que eu estaria mentindo. – Sasuke admitiu, beijando-a no rosto e na cabeça da nenê.

Sakura concordou, presunçosa.

— Sei mesmo. Agora vou levar esta mocinha para jantar e dormir.

Ela subiu as escadas e passou por Noein, com seu cabelo ainda molhado e uma toalha em torno do pescoço.

— Satisfeita, majestade?

— Depois eu inspeciono.

— Argh.

— Deixa eu conferir. – Sasuke zombou, remexendo seu cabelo. — Acho que o problema são carrapatos...

— Hilário.

— Vamos, me ajude a pôr os pratos na mesa.

Noein catou a louça no armário e Sasuke foi pondo alguns talheres e copos.

— Hey, velho... – O garoto iniciou, tranquilamente. — Quando vai pedir a Sakura em casamento?

Sasuke sentiu como seus os dedos se inundassem de óleo, os copos escaparam e ele quase caiu junto tentando recupera-los sem deixar quebrarem.

— Que-que-que diabos você está falando?!

Contornou a mesa e se aproximou da sala, procurando ver se Sakura estava perto, Noein observou, sem entender.

— De onde tirou isso? Casamento? Hein?

— Ué, achei que fosse o certo, vocês já foram abençoados comigo e com a bochechuda, tem uma casa legal e um empreguinho mais ou menos...

— Que paga a sua mesada.

— Um ótimo emprego, na verdade. E você estão juntos a sei lá, quatrocentos anos?

— É menos tempo do que você imagina. – Sasuke bufou.

— Mas se conhecem a eras, certo?

— Bem... Tem um tempo mesmo. – Ele teve que admitir, nervosamente. — Mas onde casamento entra nisso?

— Não é normal oficializar essas coisas? O babaca do meu ex pai não quis fazer isso com a minha outra mãe, mas...

Sasuke suspirou, compreendendo que no fim, ele não estava só implicando, também queria ver Sakura ser bem considerada como sua mãe biológica não pode ser.

— Eu entendo mas é que... Sakura já foi casada e não foi uma experiência tão boa assim...

— Ela não disse isso...

O quê ela disse?

Espere, ele nem deveria estar interessado, certo? Bom ou não, esse tempo já passou.

— Ela disse que começou bem, mas não teve como terminar, que relacionamentos precisam ser renovados, se não, eles desgastam, cansam as pessoas e oprimem, então elas acabam fugindo deles de um monte de formas e terminam afundando com eles de todo jeito.

— Entendo...

— Porque entenderia? Você nunca nem namorou, é um cafajeste.

— Ah, sim? Por que não falamos de quando você vai chamar ela de mãe?

Noein enrubesceu e tossiu, virando a cara.

— Eu não... Estou procrastinando isso ou coisa assim...

— Aham, claro.

— Sem falar que não soaria estranho? Eu não sou um bebê, como a bochechuda...

Sasuke riu, pondo a panela de cozido na mesa.

— Pode ser, se você fizer uma voz estranha demais?

— Humpf.

— Mas não tem como ela achar ruim, estamos ansiosas pra que bebê possa falar também, mas tudo isso tem seu tempo. Sendo um bebê ou não, sabemos que você precisa do seu.

— Hum, okay.

— E pare de chamar sua irmã de bochechuda.

— Alguém tem que fazer, você só sabe babar ela.

— Está com ciúme?

— Por que não voltamos ao tópico que começamos, Dom Juan?

— Já puseram tudo na mesa? – Sakura falou, descendo as escadas, Sasuke tossiu demasiado e garoto revirou as vistas.

— Já sim.

— Desculpe a demora, a bebê estava manhosa. Sasuke a está deixando mimada. – Sakura avisou, enquanto inspecionava o cabelo de Noein de uma forma que já parecia mais o cafuné que ele adorava.

Sasuke encarou como pura hipocrisia quando ela fazia o mesmo com esse bebêzão.

— Ah, claro.

— Ela quer ficar no colo mesmo para dormir, eu não dei tão caro no berço para ela me transformar em um canguru. Já não ficou tempo o bastante dentro de mim?

—Deve ter sido uma baleia na outra vida, li que elas passam dois anos grávidas. – Noein sugeriu.

— Isso explica eu ter ficado enorme.

— Deixem de ser implicantes. Quando ela crescer, vai querer distância de vocês. – Sasuke reclamou, sentando-se.

Ambos riram.

— Imagine de você que não desgruda dela!

Ha-ha-ha, hilário.

O resto da família desceu ou chegou para o jantar, enquanto o vozerio aumentava e se confundia, Sasuke sentia cada vez mais como se fosse um comichão, sobre tudo o que falou com o garoto.

Era ridículo sentir-se tão incomodado com isso, e admitia que certamente aquela era uma questão que muita gente ao redor já devia estar discutindo.

Naruto já o havia sondado sobre e ele preferiu ignorar. Porém, sabia que tinha de pensar em Sakura, e se isso não a estava incomodando.

A situação deles era tão boa que Sasuke não sabia se um pedido desses faria diferença, atrapalharia ou melhoraria.

Mas lembrava o que ela própria dissera ao Noein sobre relacionamentos precisarem ser revistos e reconstruídos para que não se diluírem facilmente, e tinha que considerar se não estava mantendo as coisas assim por puro comodismo.

Mas o que uma aliança mudaria tanto afinal? Ainda mais para um casal como eles?

Sakura não era o tipo que precisava ser encoleirada para se comportar, e ele teve muita diversão sem nunca precisar destruir a relação de alguém, então tampouco precisava de uma coleira para se manter na linha.

Ele talvez realmente estivesse tão confuso por nunca ter experimentado a coisa realmente. Mas lembrava de como foi por um anel de verdade no dedo dela, assumir o namoro como real. E foi muito satisfatório.

Ela continuava sendo sua, por mais que ás vezes ficasse irritado com a atenção masculina ao redor ou com o ex marido, sabia que não tinha realmente que se preocupar com Sakura decidindo de uma hora pra outras estar com outro cara.

Ela sempre agia como se devesse desconfiar dele e implicava com o mulherio em sua agenda. Mas também era a primeira a rir das tentativas delas e mais se divertia marcando território do que o fazendo realmente... Ao menos, ele achava?

Podia ser fechada também, certo?

Mas, caralho, eles estavam bem como estavam, certo?

Só que ele deveria ao menos ter certeza? Sondá-la ou sei lá?

E por que ela falou sobre o ex como Noein, de todo jeito? Por que explicar toda a coisa para o moleque, quando podia só dizer um “Coisa de adultos, não era pra ser”? Ele ainda era muito novo para lidar, de qualquer jeito.

Inspirou, estressado e irritado consigo mesmo.

Se só cogitar casamento já fazia isso aos nervos, ele deveria desviar da ideia por questões de saúde mental.

Mas que caralho, desde quando e porque algo bobo assim deveria o perturbar tanto? As pessoas casavam e descasavam o tempo inteiro, ninguém morria só por isso.

— Sakura...

— Que é? Ah, eu disse pra ela trazer o rosa pra mim. – Ela continuou falando com as garotas. Um inferno de tantas vozes.

— Rosa vai ficar lindo...

— A gente pode ir nos jogo dos Giants na sexta?

— Como assim não vai ter pra PS4?

— Eles não tem provas periciais, cara.

— Cadê a porra do molho inglês?!

— Sakura...Você casaria comigo?

— Aqui o molho. – Sakura disse, entregando o vidro para um Suigetsu boquiaberto em uma mesa silenciosa. Fitou Sasuke lado, parecendo nem ter ouvido. — O quê? É um pedido?

— Bem... Claro que não...

— Então não tenho que responder. – Sakura deu de ombros, lambendo os dedos sujos de molho.

— Como diabos que não?! Estou perguntado, ora.

— Mas não é uma pergunta oficial. Então não tenho que responder.

— É uma pergunta, não vai morrer se responder, porra!

— E você não vai casar, se eu responder sim ou não, babaca.

— Por que não é uma situação real, caralho! É uma pergunta hipotética. Você casaria se eu te pedisse, ou não?!

Sakura revirou os olhos, Sarada chorava através da babá eletrônica.

— Se é só uma hipótese, não tem serventia uma resposta, otário!

— Claro que tem, não se faça de sonsa, vaca!

— Que serventia? Que caso aí sim ou não, você perguntaria de verdade?

Ele engoliu duro e desconcertado, todos os olhares em cima dele.

— Não sei... Talvez.... Hipoteticamente?

Ela deu de ombros.

— Então não tem serventia saber se for só pra ficar idealizando.

— Puta que o pariu! Só responda! – Karin explodiu, batendo o copo na mesa.

Sakura se levantou e lavou as mãos rápido para ir ver o bebê.

— Para quê?!

— Pra ele saber se pode fazer a merda da pergunta, inferno. – Ethan rosnou.

— Até você...?

— Responda! – Uivaram.

— Para quê? Se ele só vai me pedir se já souber a resposta, então que serventia terá ele fazer o pedido real? Seria só questão de casar logo ou não.

Silêncio.

Noein bateu a própria testa na mesa.

Sakura seguiu para as escadas, rindo.

— Eu, hein? Cada uma... Limpem tudo antes de irem pra sala. – Ordenou.

Eles ficaram um tempo absorvendo aquela merda e então Ethan se levantou, batendo no ombro de Sasuke.

— Você está real e hipoteticamente fodido.

— Percebo.

֍

Dois meses depois.

A Babá eletrônica era o verdadeiro brinquedinho do diabo. Ele deve ter inventado isso pra ver pais esgotados da rotina diária serem acordados a noite pela sinfonia de choro inspirado de seus bebês.

Sakura chutou a canela de Sasuke, afundando o rosto no travesseiro.

— Sua vez. – Resmungou.

Sasuke suspirou, levantando-se e se arrastando para o outro quarto, esfregou o rosto e pegou Sarada no colo, acalmando-a um pouco.

— Certo, certo, calma, princesinha...- Bocejou, olhando o relógio, suspirou e se dirigiu para a cozinha, levando-a.

Pegou uma mamadeira com leite de Sakura na geladeira e pôs para esquentar, voltando a continuar tentando acalmar sua doce mini Sakura de TPM.

— Por que não a leva pra Sakura? – Ino bocejou, entrando na cozinha.

— Te acordamos? Sakura está exausta, Sarada teve cólicas no começo da noite.

— Ah. Eu nem dormi ainda... Estava com Sai.

— Credo.

— Pelo menos eu estou transando.

— Ponto pra você. – Ele admitiu.

— Mas vocês já podem, certo? – Ela disse, sentando-se. Sasuke pegou a mamadeira e experimentou a temperatura do leite, antes de aa por sob a água da torneira.

Agora sua vida, depois de retornar ao trabalho alternar-se entre ele e fraldas sujas, remédios pra cólica, talco, mamadeiras e promoções de fralda descartável (era sempre bom economizar).

— Acho que sim... Mas...

— Mas você ainda está puto por que ela não respondeu daquela vez, né?

— Quem? Eu nem lembrava mais.

— Ahaaaam! – Ino riu, Sasuke meneou a cabeça, observando Sarada mamar, ela ainda rejeitava um pouco o bico da mamadeira.

— Você lembra de quando trouxe Sakura pra cá?

— Hm? – Ele a fitou.

— Ela parecia com um bicho enjaulado e maltratado. Nem você poderia prever quão perigosa ela ficaria e bem... Ela ficou.

Sasuke assentiu, embora o incomodasse lembrar daquela época um pouco e do quanto foi chocante dar com aquela Sakura toda despedaçada, com apenas desesperança e hostilidade a oferecer. Ou mesmo dos surtos dela que eram mais de dor do que de raiva propriamente dita.

Por isso ainda evitava que Mebuki a encontrasse mesmo que lhe permitisse até ver Sarada uma vez ou outra.

— E mesmo depois de ela ter mostrado ser tão instável, você disse que nós poderíamos sair se quiséssemos...

— Onde quer chegar?

Ino afagou o cabelo do bebê e sorriu.

— É que, você já deveria esperar que ela te deixasse no escuro. Você nem se importava e continuou indo até ela mesmo ás cegas, Sasuke. E olhe agora onde estão.

Ele fitou aquele lindo bebê e se perguntou se realmente havia agido tão cegamente.

No fim, para ele, só não pudera ficar sentando vendo ela se desfazer em migalhas e nunca mais ser a garota durona e altiva que ele implicava.

Não era como se tivesse planejado vir até ali e ter esse bebê, mas não era como se pudesse se arrepender de ter ido tão longe em terreno bombardeado.

— Mesmo a Sakura se acostumou com você vindo até ela sem olhar pra trás ou ao redor. Acho que ela só te deixou no escuro por que gosta que você ainda assim a encontre e se jogue em cima dela pros dois rolarem brigando, ou você simplesmente defendê-la de tudo.

— Então...?

— Porque você já tem que saber a resposta? Por que não pode simplesmente ir e perguntar? Mesmo se ela te chutasse... Quando foi que você desistiu dela só com um “não”?

— Talvez... Eu queira que ela corra atrás de mim de vez em quando?

Ino riu e se afastou.

— Você sabe que ela não virá. Sabe que não é por preguiça ou menosprezo. A Sakura correu atrás de mil coisas durante a vida dela e não conseguiu quase nada, ela só quer uma vez na vida que elas venham até ela. E você começou a trazer um bocado, ela acabou amando isso demais. Ela merece ser mimada. Dê mais isso a ela, coroa.

Ela seguiu para o andar de cima e ele também, logo atrás.

— Mas sabe o que acho? Ela vai acabar querendo te recompensar uma hora ou outra. Ela é generosa e sabe que você merece, querido. Você já provou que merece, apenas dê-lhe mais um pouco que ela vai passar a vida ao seu lado te retribuindo.

Sasuke retornou ao quarto da bebê, ela terminou a mamadeira e dormiu pacificamente.

Ele ficou um tempo observando sua imagem adorável até olhar as horas e retornar para a cama.

Já ia deitando quando Sakura despertou.

— Ela dormiu?

Ele abraçou-a e puxou a coberta, beijando seu ombro.

— Como o anjinho que é...

— Pft, pare de sonhar. – Sakura bocejou. — E aceite que ela vai te atormentar.

— Se puxar a mãe...

— Hum?

— Nada, noite.

— Noite.

֍

— Bo-che-chu-da.

Sakura bufou, parando de socar o saco de areia e olhando para trás.

— Noein...

Ele a fitou, rindo enquanto segurava o bebê.

— O quê? Estou fazendo ela ficar quieta.

— Não converta a hora da soneca numa sessão de bullying.

Ele deu de ombros, continuando a conversar e balançar o bebê.

Sakura voltou a socar o saco, enquanto podia ter alguém olhando a neném. Já estava cansada de não poder se exercitar, e apesar de ter se recuperado bem do parto, Sarada ainda deixou alguns quilinhos para trás quando saiu e Sakura não os queria mesmo.

Se bem que ficou tudo até mais corrido, mas tinha bastante gente pra contar, ainda bem. Mesmo Noein se convertera numa ótima babá.

— Quando o tio e a tia devem chegar? – Ele perguntou, pondo Sarada no moisés sobre o gramado e balançando um brinquedo para ela.

— Talvez na segunda.

Ele estava interessado era nas lembranças que Itachi e Izumi poderiam trazer de Londres, para onde foram passar uns dias comemorando o aniversário dela.

Kenton ficou com os avós, já era grandinho o bastante para tal.

— Londres parece legal, mas acho que iria preferir ir ao Japão. – Ele comentou.

— Tinha que preferir ter grana suficiente pra isso...

— Não estrague os sonhos de uma criança assim!

— Haha, okay.

— Ei, também quero socar essa coisa.

Ele se levantou e contornou o saco, começando a socá-lo também.

Outch, é muito duro!

— É claro que é, mas tente com isso. – Ela riu, tirando as luvas de boxe e passando para ele.

— Legal!

— Tem que se posicionar direito, as pernas assim, os braços assim, e também o queixo. – Sakura instruiu.

Deixou-o praticando e foi se abaixar perto do cestinho sob a sombra da árvore, e fitou Sarada, muito agitada para dormir mas ao menos sem querer chorar.

— E você? Quando vai crescer pra gente te ensinar uns socos?

— O pai com certeza vai querer que ela aprenda uns vinte estilos de luta e até a soltar shurikens...- Noein comentou, rindo e dando chutes no saco também. Sakura o fitou por cima do ombro, até espantada. — Hm? Que foi?

— Nada... – Ela riu, e se levantou, retornando até ele. — Se você chutar assim vai é quebrar um osso, faça assim!

— Woah! Quão alto você chuta?!

— Vamos ver?! Faz tempo que não faço isso!

Ao chegar ao quintal junto de Gibson, Sasuke os encontrou espancando o saco enquanto Sarada aparentemente assistia, em seu cesto cheio de babados.

— O que esses idiotas estão fazendo sem dar atenção a você desse jeito, hm? – Disse, beijando sua cabeça, ela fez um esboço de sorriso, abrindo a boquinha e deixando a gengiva a mostra, os olhos bem pretos que até agora tanto o deixavam orgulhoso quanto o faziam lamentar não serem como os da mãe.

— Ah, chegou, trouxe algo pra comer? – Noein disse, todo ensopado de suor. Sasuke manteve distância, tinha acabado de chegar do trabalho e ainda retornaria.

— Er, deixei, desvie pra cozinha, obrigado.

Ele revirou os olhos e seguiu para dentro, então veio Sakura, e Sasuke não se importaria de ser agarrado.

Diabos o traseiro dela só não estava mais duro por falta do exercício diário de antes, bem como a barriga não tão definida mais. De resto ele poderia se fartar tanto quanto antes do bebê. E com o bônus de seios mais cheios pela lactação.

Mas, ela somente pegou o cesto com o bebê mesmo. E Noein o abraçou por trás, segurando uma rosquinha achocolatada ainda por cima.

— Valeu pelo lanche!

Sasuke bufou, pondo a mão em sua testa e o afastando enquanto ele gargalhava.

Havia falando tanto do anticristo que Hinata pariu, que acabou adotando esta versão mais velha e cara de pau.

— Certo, certo, afaste-se. Está acabando com o meu traje de adulto.

— Está mais pra disfarce.

— Quer saber? Venha aqui!

— O quê?!

Sasuke o puxou pela roupa, erguendo-o o melhor que pode e arrastando até a beira da piscina.

— Não! Ei! Pare! Gibson!

O cão latia em torno deles e Sasuke enfim conseguiu jogar Noein na água.

— Um de banho tomado!

Aproveitou e empurrou Gibs para água com o pé, já que ele estava latindo tanto da beira.

— Outro! Agora o ar deve cheirar melhor!

— Que nojo! Tem pelo na água!

Sasuke voltou para dentro, rindo enquanto os dois tentavam se arrastar pra fora da piscina.

Entrou vendo Sakura fazer uma vitamina com Sarada ao lado, no cesto.

— Espero que esteja disposto a limpar o pelo de cachorro depois. – Avisou.

— Porque eu faria isso? Pra isso que adotamos seu irmão. Ele pode fazer isso, certo?

— Humpf. Quero ver convencê-lo.

— Não preciso. Está no contrato de aluguel que ele tem que ajudar. Se não quiser, digo que precisamos da piscina limpa para ensinar a nossa princesa a nadar. Garanto que ele faria na hora.

— Você confia demais no charme dela... E nem é hora dela aprender a nadar...

— Ele não sabe disso. – Sasuke se gabou, não resistindo e apertando o traseiro dela. Sakura o fitou, uma sobrancelha no ar. — Apenas conferindo a textura, está bem macia mesmo.

— Tsc, claro que está, não faço exercício de verdade a meses. – Ela bufou.

— Hm, até gosto assim...

— Pare de ser cachorro na frente da sua filha.

— Ops.

— Mas tenho que te contar algo.

Sakura espiou a janela, vendo Noein e Gibson brincando de correr e saltar na piscina, Tinny observava da casinha e Cherry já estava afim de entrar na brincadeira.

— O que é?

Sakura sorriu, contando a ele a forma como Noein falou mais cedo.

De certo fora melhor ela ter percebido na hora do que Sasuke, ele ficou muito chocado.

— Sério... mesmo?

— Aham? Por que está assim? Não gostou?

— Não, é só que... Não achei que eu seria o primeiro?

— Bem, ele não disse pra você. É diferente. Ele não percebeu que já considera assim. É diferente de admitir e falar diretamente...

— Acho que tem razão.

Mas ele ainda estava surpreso. Sua relação com Noein era boa, quase mais como uma amizade do que como um laço paternal. Além que ele ainda estava pensando em quando passaria a chamar Sakura de mãe, de modo que Sasuke nem cogitou que ele pudesse mencionar a palavra pai antes ou na mesma época que o mãe.

Mesmo que ele já dissesse as pessoas que os dois eram seus pais, ainda não os havia mencionado daquele jeito entre familiares da casa.

Ela sorriu e beijou seu queixo, afagando seu braço.

— Ele te perturba e sacaneia, mas ele te adora, sim? E ele te venera por que você foi até ele mesmo depois de um ano, Sasuke. Quando só passamos uma semana juntos.

— Eu fiz... Principalmente por você.

— Eu sei, mas outro cara teria me convencido a adotar outra criança, ou a me conformar com esta aqui. – Sakura pousou a mão no moisés. — E você foi lá e fez acontecer.

Sakura beijou-o carinhosamente, e a fitou ainda muito desconcertado.

— É por isso que não tem por que ter tantas dúvidas, baby. Você sabe como eu gosto que faça. – Comentou, o tom baixo e rouco enquanto arranhava o queixo dele de leve com a ponta das unhas. — Vou tomar banho, olha o bebê enquanto isso?

— Claro...?

Sasuke não sabia se estava processando bem as coisas e ficou olhando sua bunda (a melhor coisa para focar) até ela subir as escadas.

Voltou-se para Sarada e fitou-a, desconfiado.

— Ela quis dizer o que acho que disse?

Sarada certamente não podia responder, mas ou ele estava muito paranoico ou ela o fitou com o mesmo olhar zombeteiro e diabólico da mãe quando sorriu e se debateu, agitada e animada.

Notas finais
Santo Rikudou que ajude o Sasuke e entender essa mulher, viu? E se tem uma coisa q eu amo são as tiradas e os papos do Noein com o Sasuke mas amei fazer Sasuke enlouquecendo de preocupação com o bebe tmb aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa ♥