Killer Queen
23 Rainha Floral
Notas iniciais

— Então você já está em casa?
— É, estou. Está tudo bem. – Sasuke respondeu.
— Tem certeza? — Itachi insistiu, serenamente. Sasuke suspirou, e sacudiu a cabeça, ouvindo a manha de Kenton ao fundo.
— Tenho. – Declarou.
— Okay. Qualquer coisa, sabe que pode vir falar comigo.
— Eu sei, obrigado, eu só... Preciso de um tempo. Muito a resolver primeiro.
— Okay, boa sorte aí com sua faxina.
— Valeu, até mais.
Ele largou o telefone na cama enquanto arrastava um saco velho com peças de golfe pra fora do quarto.
Ficar com a cabeça cheia era provavelmente bom apenas para alimentar um desejo compulsivo de faxina. Ou do contrário, aquilo ficaria mais uns dois ou três anos mofando em seu armário.
Até seria bom ter ajuda, mas ele decidiu não desperdiçar a oportunidade de estar sozinho algum tempo antes de ir atrás de Sakura.
Ela estava com Rachel desde que saiu do hospital, e Sasuke jurou para ela, que esperaria um aval da terapeuta de Sakura antes de ter algum contato com ela.
Ter que ter permissão para falar com ela era uma circunstância que o revoltava. Mas, ele percebeu que, mesmo que naquela hora ela não o quisesse perto, não sabia agora se estava sendo empurrado longe realmente por ela, ou se por precaução de Rachel ou da terapeuta. E ele sabia quão instável Sakura poderia se tornar quando posta na borda. Ele estava na borda.
Pensou em entrar em contato com a médica, mas não queria soar perseguidor ou invadir a privacidade médico-paciente.
Só pôde esperar até agora. E esperou mais do que suportava.
Desceu as escadas, arrastando a tralha mofenta atrás de si, Augustine e Gibs latiam na cerca com o barulho de algum carro e Sasuke levou o saco pra fora, rumo a cozinha, largou perto do lixeiro e voltou à sala, já subia as escadas quando notou a porta aberta, os cães empolgados cheirando uma maleta pequena sobre o tapete.
Sakura estava no centro da sala, deixando a bolsa sobre o sofá, vestia uma calça branca e larga, e uma blusa vermelha curta e justa, alças abaixadas e franzidas nos ombros.
Os quilos e vigor a mais que agora eles sabiam porque haviam surgido já pareciam ter desaparecido e ela parecia ainda mais magra do que quando a reviu, esguia, um pouco pálida, e com suaves bolsas arroxeadas abaixo dos olhos vermelhos bem como o nariz.
Ele apenas a encarou, ciente que seu estado era mais lastimável que o dela, fisicamente, ao menos, e de que ela sofria mental e emocionalmente de novo.
Enxergou a própria culpa nos olhos dela, e também, para sua dor ainda maior, que ela também o culpava, mesmo não parecendo odiar, o que o espantou, quando começou a chorar e juntou as mãos em frente o rosto.
— Porque você não estava lá? Porque você não estava lá? – Ela repetiu, e Sasuke soube do que ela estava falando.
Ele não estava lá quando ela recebeu a notícia do aborto, não estava quando iniciaram os procedimentos para “limpa-la” do que sobrou, não estava quando ela chorou pedindo pra salvar o que não havia mais pra ser salvo.
Não estava quando ela o odiou por isso e foi embora quando ela mandou mesmo que devesse ter ficado e insistido em receber sua raiva.
E não estava com ela para ajuda-la a lidar com o trauma junto de Rachel e da terapeuta nos primeiros dias.
E agora ela estava de volta, porque sabia que não havia mais nada a se fazer, ele próprio sendo capaz de aceitar isso ainda ou não.
Pois foi ela que sofreu a pancada maior.
Seguiu até ela, sentindo o peito vibrar com soluços, Sakura se atirou em seus braços, e ele sentiu de novo como se tivessem voltado de uma guerra.
Uma que lutaram sozinhos quando deveriam estar juntos.
— Me perdoe, querida, me perdoe. – Suplicou, levantando-a do chão. Sakura abraçou seu pescoço, chorando copiosa e desconsoladamente.
Esta batalha eles haviam perdido, sem sequer terem tido a chance de realmente lutar.
*
Sakura esfregou as mãos uma na outra, olhando-se no espelho da porta do guarda-roupas, o cheiro de seu hidratante, agora, era algo que ele não conseguia identificar de nome, mas gostava de sentir, misturado ao cheiro de mulher, dela.
Eram sete da noite, e ela estava numa camisola longa que arrastava no chão, as costas abertas até o topo do traseiro, alças finas sobre os ombros e toda uma postura melancólica.
— Tem certeza que quer ir sozinho? – Ela perguntou, o observando encostado de lado na estante onde ficavam as bonecas que ela ganhou do avô e um conjunto de xícaras francesas do qual também tinha muito ciúme.
Sasuke fitou os sapatos que calçava, as mãos no bolso do jeans preto e as mangas da camisa social branca empurradas para os cotovelos, seu cabelo era tão liso e escuro, e a pele seria mais branca se ele não fosse tão frequentador das praias, ainda assim, fazia um contraste tão forte com os olhos e o cabelo, que ela teve que desviar os olhos e empurrar para o fundo da mente qualquer imagem de uma criança assim.
A terapeuta disse que seria natural imaginar isso, mas ela só se sentia mais aberrante.
Ela nunca quis um bebê, ela nunca quis esse bebê, sequer sabia que o carregara, e então ele simplesmente partiu em meio a um monte de sangue. O sangue dela.
E Sakura sentia-se como que violada, porque não pedira por ele, não sabia dele, ou dela, e ele se foi também sem sua permissão. Como se tivesse a usado até quando quis, não, como se tivesse tentado usa-la, e partido quando percebeu que ela não era capaz de lhe suprir.
Agora sentia-se usada e descartada, em seu próprio corpo.
Ainda, e acima de tudo, mesmo querendo sentir ódio disto, repúdio ou alívio, mesmo querendo ficar satisfeita em “se livrar a tempo”, ela só conseguia se sentir fracassada.
De novo.
Isso sim era injusto.
Apenas quando decidira não se permitir fracassar, aquilo acontecia por baixo de seu nariz, a golpeava, ia embora, e ela nada podia fazer que não fosse ficar parada chorando atordoada, como uma criança que não sabe porque apanhou.
Uma criança que não sabia porque era rejeitada.
De novo.
— Não pretendo demorar. – A voz de Sasuke a fez voltar para fora da mente, e ela viu que esfregava demais as mãos, estavam ficando vermelhas.
— Kakashi está se recuperando, nem sei porque ele se apressa tanto. – Sasuke suspirou, esfregando um olho. Ela pegou mais uma dose de hidratante de ameixa passando a esfregar nos braços e ombros. Ele se aproximou por trás dela, ainda com as mãos nos bolsos como sempre que ficava muito taciturno e reflexivo.
Ele também estava sempre se perdendo em pensamentos, embora ela não fizesse ideia de quais, não fosse capaz de perguntar, ou talvez só não quisesse dar abertura para ele perguntar de volta.
— O que vai fazer se... O que o Naruto te disse for verdade?
Ele deu de ombros, olhando algum ponto nas costas dela fixamente.
— Provavelmente terei que avaliar, e certamente, aceitar.
Ele estava resoluto a negar o cargo, mas agora, talvez isso fosse necessário, ainda não se via sendo delegado, saindo da rotina de investigador e de correr atrás de bandidos, mas também não estava totalmente pronto para voltar a rotina com Sakura, rodar a cidade num carro com ela, ficar no departamento, colher provas. E sentia o mesmo vindo dela.
Sabia que ela precisava de espaço, podia ver que ela ainda não era capaz de compreender tudo direito, e ele também não entendia como isso foi acontecer justo com eles.
Era uma merda, era muito injusto, cruel e isso tudo apenas sem levar em consideração que, um bebê dele estava crescendo dentro dela, e ele não pôde fazer nada pra ajudar a salva-lo.
O bebê dele.
Se já estava pirando apenas por ver ela sofrendo, sabia que se por acaso se permitisse também sofrer por esse filho, ficaria louco, e por mais que quisesse colar nela, beijar ela, dizer a ela que não era culpa dela, ele precisava de espaço pra não culpar a si mesmo ainda, pelo menos não na frente dela.
Então ele poderia aproveitar essa promoção temporária e ficar noites mergulhado no escritório bebendo, se sentindo um lixo, se matando de trabalhar, longe dos olhos dela, pra que ela não se sentisse culpada e pudesse respirar um pouco melhor, e superar esta... perda.
Sakura o fitou por sobre o ombro, um pouco receosa.
— Tem certeza? Precisa mesmo? Talvez devesse pressionar Kakashi, tenho certeza que ele sabe que tem gente tão boa quanto você.
Sasuke deu de ombros, não iria revelar que iria aceitar de todo jeito.
— Vou tentar. – Acabou rindo um pouco, não era muito bom em mentir, e tentou desviar o assunto. — E como assim “tão bom quanto eu”? E eu lá sou bom pra isso?
Sakura deu de ombros, encarando-se no espelho e tirando uma mecha de cabelo dos olhos.
— Sim, você é. – Comentou, ele então saiu de atrás dela e se recostou contra o guarda roupas, fitando-a, sorriu pequeno, mas bem humorado.
— Enumere, por favor.
— Você tem jeito com papelada, apenas é preguiçoso pra ler e inquieto pra ficar numa cadeira o dia todo, tem boa lábia, adora liderar, é um rosto popular, e seu jeito pode ser meio inflexível e arrogante ás vezes mas...- Ela suspirou, o encarando nos olhos. — Você trata bem e é justo com as pessoas, trata todos como humanos, então confiam na sua humanidade, e respeitam sua autoridade.
Ele a penas a fitou de volta por um longo momento até ela sentir que falou merda, e ficar constrangida, Sasuke suspirou, e puxou-a suavemente pelo braço, encostando a testa na dela.
— Vou estar de volta cedo. – Prometeu.
— Vou ficar bem. E Karin está aí.
Karin não era primeira opção que ele escolheria para estar perto de Sakura caso ela passasse mal ou tivesse um surto, mas ao menos Sakura estava ciente da própria situação e não estava se isolando.
No entanto, ninguém na casa sabia do aborto, eles também piraram com o sumiço dele, mas Naruto não contou a ninguém, nem para Hinata, ao menos ainda, por que Sasuke sabia que elas se tornaram mais próximas, bem como Rachel e Marc também nada disseram a quem quer que lhes pediu informação sobre Sakura durante esses dias.
E Sasuke sinceramente, não sabia se um dia alguém mais teria de saber. Falar com Naruto sobre isso, aliviou sua pressão, mas Rachel pediu que ele fosse a um especialista também, que entrasse em contato com a terapeuta de Sakura, que já conhecendo-a poderia o orientar melhor sobre como proceder com ela e consigo mesmo, ou um outro profissional como o que Marc visitara no período que ela perdera duas gestações e eles quase desistiram de ter filhos.
Ele não gostava da ideia de falar com um estranho sobre si mesmo, então ao menos por enquanto veria se o plano de trabalhar feito condenado e beber escondido, daria certo.
— Tudo bem, eu tenho que ir, e você não ia dormir?
— Sim, vou. Me sinto um urso, só durmo. – Ela deu de ombros, voltando-se em direção á cama. Sasuke abraçou-a conduzindo-a até lá, puxou a coberta e ela sentou, pegando um copo de água no criado e um comprimido. Ele suspirou fracamente tentando não se incomodar que a dosagem dos remédios dela aumentara um pouquinho.
Ela não estava sendo dopada, e estava mais aberta a discutir o problema com a terapeuta, não estava com raiva reprimida, ao menos não ao ponto de passar mal, então ele poderia se sentir um pouquinho menos desgraçado, por saber que não causou a ela tanto mal quanto o que a família dela causou. Que não havia se tornado um agente tóxico, assim como eles.
Sakura se deitou, suspirando e abraçando o travesseiro, ele a cobriu e se curvou, beijando-a no rosto e no ombro, inspirando o perfume dela profundamente.
Ah, ameixa.
— Bom sono, querida, volto mais tarde pra deformar seu colchão.
— Hm, não esquece de ver se os cães tem água lá fora. – Ela bocejou. — Todo mundo saiu, eu não sei se alguém verificou. Não quero eles bebendo água da privada.
— Sakura, água da privada, pra um cão, é como água mineral dos fiordes suíços pra você. – Brincou, ela resmungou algo e afundou mais a cabeça no travesseiro, Sasuke seguiu pra porta e saiu apagando a luz e deixando apenas a do abajur iluminando o quarto.
Pegou a carteira, chaves e o celular e desceu as escadas apressado, não queria se demorar muito na casa de Kakashi, não era o lugar mais acolhedor, pois Rin era sempre muito polida com ele, e eles não eram um casal que transpirava vivacidade.
Eram como estranhos vivendo no mesmo ambiente, receptivos com estranhos mas não muito entre si, então nunca era lá muito fácil se sentir confortável e Sasuke não estava nos melhores dias para fingir bem isso.
Karin estava na sala, comendo pipoca e vendo filme de terror.
— Sakura está dormindo, e devo voltar antes das nove. Então me ligue se caso algo acontecer. – Avisou, seguindo pra porta depois de rapidamente ter ido pros fundos ver se havia água nas bacias dos cães.
— Uau, me sinto uma babá. – Ela comentou, com enfado.
— Sem sarcasmo hoje, Karin. – Sasuke avisou, secamente enquanto vestia o casaco.
— Pelo seu humor, é perceptível, cara.
— Que bom, ao menos é melhor em perceber o humor das pessoas do que é em estar nos compromissos importantes pra elas. – Rebateu e Karin saltou do sofá, deixando a bacia de lado, pipoca caiu no tapete e no estofado.
— Caramba, Sasuke, você ainda está nessa? Já não basta a Ino?! Quando vão me perdoar?!
Sasuke suspirou, não se dando ao trabalho de lembra-la que ela sequer pediu desculpas por ter deixado Ino, Sakura e o resto do pessoal na mão durante a organização do aniversário dele, e sequer aparecido durante a festa para dar um abraço, e então ir sair com seus caras.
Ele não era de exigir atenção nem nada, mas ficou putamente feliz com a festa, e putamente chateado com ela por ter deixado as meninas na mão e não ter tido a consideração de ao menos apertar a mão dele e dar um parabéns antes da festa, já que não pretendia desfrutar dela como amiga dele, igual todo mundo.
Talvez ele tivesse se tornado careta e carente, mas sim, ficava feliz e satisfeito de desfrutar das coisas com os amigos e familiares, divertiu-se tanto naquele dia, eles eram como uma segunda família, e de certa forma, talvez por ser dono da casa... ele sentia-se meio que como um... pai, e queria os “filhos” perto...
Merda, era melhor ir logo antes que isto se tornasse grande e amargo, tinha que pensar em Sakura e no sossego que ela necessitava.
— Não tenho tempo pra isso. – Resmungou, abrindo a porta e passando por ela. — E vê se limpa essa baderna, ninguém aqui é seu empregado só porque passa mais tempo fora do que aqui. – E bateu a porta atrás de si ao sair.
*
— Sempre o melhor café, Rin. – Kakashi disse, embora o tom nunca fosse o de um marido orgulhoso das habilidades da esposa, havia uma clara e bem equilibrada sentença de respeito e reconhecimento.
Sasuke se perguntou se isso realmente bastava pra manter um casamento por tantos anos, mas logo viu que estava sendo ingênuo.
As pessoas se submetiam á todo tipo de coisa pelos sentimentos mais variados, cansou de socar a cara de maridos e namorados agressores e se decepcionar com mulheres que sempre retiravam as queixas ou se negavam a fazê-las. Não podia culpa-las tanto, algumas pessoas eram vulneráveis, e outras iam além de tudo que era moral e humano para conseguirem o que queriam.
Não sabia se culpa, remorso, esperança num amor não correspondido, autoflagelação ou simplesmente comodismo, era o que motivava esta relação a seguir adiante, mas principalmente, percebeu que não era nem de longe a pessoa para julgar ou analisar.
Nunca sequer se deu a chance de ter um relacionamento sério, sua mais nobre gentileza para com as mulheres sempre fora a sinceridade sobre suas intenções com elas e jantares divertidos, conversas agradáveis e atenção.
Só entregara flores para duas mulheres na vida, sua mãe, e a deliciosa Sra. Cotterie, professora de história do segundo ano, mas infelizmente ela não fora capaz de entender que sua gentileza era uma forma que ele, um moleque assanhado e cheio de ardis, havia tentado usar para ganhar espaço entre suas belas cochas cor de creme. Ela definitivamente tratava todos os seus alunos como filhos, e o máximo que ele recebeu foi um beijo carinhoso na testa, que ficou marcada com o batom vermelho dela.
Sonhara noites e noites com aquele batom marcando seu colega de baixo. Ah, bons tempos de devaneios adolescentes...
Rin, murmurou um breve agradecimento ao elogio, e pegou o resto da louça do jantar, seguindo para a cozinha, a sala de jantar era pequena, a casa bastante compacta, mas o bastante para duas pessoas que passavam pouco tempo nela, o que incomodava mais Sasuke era a iluminação baixa, amarelada, cortinas fechadas que davam um ar ainda mais melancólico e lúgubre á casa e seus donos.
— Bom, então presumo que seja a hora de falar de negócios. – Kakashi declarou, pousando a xícara no pires. Sasuke suspirou, fazendo o mesmo. — Pela sua cara, acho que já sabe o que quero te propor. Putz, imagino a bíblia que deve ter escrito com todos os seus motivos de recusa.
Sasuke riu meio amargurado e negou, Kakashi o observou um tanto consternado e criterioso.
— Não...?
— Nah, até porquê conhecendo você, também deve ter o dobro de motivos pra me fazer aceitar e vamos ficar aqui arengando um com o outro a noite toda.
— Estava até ansioso por isso... Faz tempo que não arengamos assim.
Sasuke riu mais alto desta vez.
— Então me desculpe por te decepcionar e ao mesmo tempo satisfazer. Mas eu vou aceitar a sua proposta. Aceito ser o delegado, pelo menos temporariamente.
Kakashi piscou realmente espantado e esfregou o peito sobre a camisa no lugar do curativo da cirurgia.
— Acho que ando vendo Netflix demais...
— Nem pense em enjoar, vai ter mais tempo livre...
— Na verdade eu gosto, muito, até demais. Logo Rin vai cancelar a assinatura pois vou mofar no maldito sofá. No entanto, eu acho que estou meio que numa dessas séries de ficção, tipo o mundo invertido, daquela série dos garotinhos.
— Eer.. eu só vejo filmes On demand...
— Oh, sim? Devia ver, muito mais prático e dá pra ver em qualquer lugar. Tenho que parar de ver pelo celular ou meus olhos vão ficar ainda piores. Enfim, eu acho que estou em Stranger Things, porque só posso ter ido ao mundo invertido, está tudo de cabeça pra baixo! Achei que teria de usar minha trinta e oito ou pedir a Sakura que vestisse roupa de coelhinha pra te convencer...
— Sakura? De coelhinha?
— Não daria certo? – Kakashi se espantou mais ainda.
— Opa, eu não disse isso. A ideia é tão boa que acho que usarei seu banheiro... mas o fato é, não sei se te acho pervertido ou apenas trapaceiro.
— Momentos desesperados...- Kakashi riu.
— Vou contar pra ela, você sabe.
— Ela teria um aumento. – Sasuke bufou.
— Já conhece ela tão bem também?
Se Sakura poderia vestir-se de coelha só para ter o gosto de domar ele e esfregar na cara, com grana no meio, ela saltaria e comeria a cenoura (e nem estava falando da dele) com gosto.
Ela podia ter grana a vontade mas adorava competir, ganhar e lucrar acima de tudo.
Mas, não era como se isso fosse rolar, não agora, não depois do que aconteceu. Ela parecia achar que ele também estava frágil agora, e por isso se preocupou quando ele revelou que Kakashi poderia lhe propor essa promoção justo agora.
— Bom. Se é assim. Parece que terei de me conformar. – Kakashi brincou, ele o perturbaria por ter aceitado tão fácil por um bom tempo.
— Desculpe te decepcionar.
— Você nunca faria isso. É por isso que confio em você para tomar as rédeas, tem o pulso, o coração e cérebro. Mas enfim, e Sakura?
Sasuke não conseguiu deixar de se empertigar.
— O que tem ela?
— Vai conversar com ela sobre isso? Afinal ela vai ficar sem parceiro, e você terá de arranjar alguém.
— Ah, claro, isso. Falarei com ela sim. Apesar que acho que ela fará uma festa.
— Hm, não sei. Ela estava se adaptando, vocês já se conhecerem ajudou bastante apesar de serem como cão e gato, fico preocupado com ela tendo que se adaptar de novo em menos de um ano.
— Ela não vai ficar sozinha. Não vou deixar, darei um jeito.
Kakashi assentiu, o fitando atencioso, Sasuke suspirou e levantou apertando o ombro dele.
— Está tarde, tenho que ir. E você vá dormir, chega de séries, seu sedentário do caralho.
— Não abuse da sorte, ainda tenho meu trinta e oito e ainda sou o delegado, garoto. Então cuidado com a língua e sim, vou apreciar muito as minhas séries a partir de agora. – Kakashi rebateu, o seguindo até a porta, usava apenas pantufas pretas, um robe vermelho e o pijama. Ele iria voltar pra seus mundos invertidos, certamente.
Sasuke mandou que desse um abraço em Rin, que certamente já havia se recolhido e se despediu.
Foi para a casa ainda eram nove e meia, mas já sentia como se estivesse esgotado mesmo depois de passar o dia na tomada. Tomou um banho, trocou de roupa e se aconchegou na cama ao lado de Sakura, ela estava encolhida como uma bola, e quando o sentiu, se esticou um pouco o permitindo abraça-la.
Ele se sentiu congelar quando as mãos dela apertaram a sua sobre a barriga dela, e ela se fechou numa bola de novo, um longo minuto se passou, e percebeu que ela dormia pesado, muito pesado.
Sasuke então se permitiu respirar, beijou o ombro dela e apertou-a mais perto como se os dois juntos pudessem segurar e proteger algo dentro dela.
Mas não havia o que fazer, então ele se permitiu deixar uma lágrima ou outra rolarem.
Ninguém saberia, ninguém precisaria saber.
*
— Bom diaaaa. – Ino cantarolou ao adentrar a cozinha, Sakura enfiou logo um pão na boca dela, aparentemente mau humorada e abatida demais pra ignorar Ino despejando bom humor.
Sasuke observou-a cautelosamente, se perguntando se algo havia incitado seu estado de trevas ou se apenas não acordou com a disposição para encarar os problemas dos últimos dias. Ele pretendia conversar com ela logo, sobre toda a coisa da promoção e do novo parceiro dela, mas não via brecha, e não podia demorar.
Se limitou a tomar o café demoradamente, era fim de semana e ele ainda tinha que descobrir um jeito de aparecer em casa sem sentir que tinha uma placa em sua testa com os dizeres: “Oi, perdi um filho”.
Sua família era discreta mas observadora, Itachi estava com o olho nele, e sua mãe o trabalharia até arrancar o que quer, o que conseguiria com bastante facilidade pois, ele realmente estava muito propenso a deitar com a cabeça no colo dela e soltar tudo.
Na verdade, só um sentimento de respeito ao choque e dor de Sakura o fazia segurar isso até para a família.
Por mais que ela houvesse gostado de sua família, e o sentimento fosse bem recíproco, sabia que ela estava mais que arisca com a ideia de se envolver com qualquer família de novo, levou anos para ela se desenroscar do piche que a sua havia se tornado. Ela não queria entrar noutra piscina de piche e.... Ele se perguntava se ele próprio não já estava fazendo isso...
Aos poucos todo mundo foi saindo, não estranhando mais os dois ficarem por último, pois Sakura não estava indo trabalhar de qualquer jeito esta semana e perceberam que ele também não estava o funcionário mais dedicado. Ao menos Sai estava com a boca fechada, e isso era bom pros dentes dele.
— Como foi com o Kakashi? — Ela disse, o tom preguiçoso, cansado.
Sasuke suspirou, pondo a xícara de lado. Um pouco desconfortável, era realmente ruim com mentiras, só sabia fazer bem pra trabalho, no geral, ele só omitia ao máximo ou se mantinha longe para não ser posto na parede.
— Bem... Não tem jeito. – Sakura o analisou meio intrigada, mas logo deu de ombros, com resignação.
— E porque não disse aos outros?
— Hn? Pra quê?
Ela quase riu, saindo da bancada, foi até a mesa e se recostou ao lado dele, sentada na madeira.
Sasuke notou que ela estava vestida para sair, calça jeans, coturnos, uma blusa simples de alças finas. Ela esfregou os dedos no maxilar dele, estudando-o com um olhar mais sereno.
— Bom, ainda é uma promoção, apesar dos apesares...
— Ah, não é como se eu quisesse isso, certo? – Ele avisou logo, meio aborrecido. Acariciou a mão dela, o pulso e o antebraço, a pele dela era sempre tenra, firme, a textura sedosa, ainda podia sentir o cheiro do hidratante. — Não é como se eu quisesse uma festa agora...- Comentou, baixo.
Sakura inspirou, olhando para os cães que comiam nas vasilhas.
— Você sabe... – Sasuke iniciou, inseguro e suave, sempre temendo e cuidando para não empurra-la pra borda. Ela se perguntava quem dos dois estava mais surpreso por ela não ter surtado ainda.
Mas bem, era pra isso que fazia terapia todas as quintas, certo?
Ele escolheu as palavras mais um tempo, a testa vincando, os olhos carvão pairando sobre a fina linha verde da veia dela sob a pele.
— Que temos de falar sobre... Sobre o que houve, em algum momento... Certo?
Ele parecia quase com medo de falar, na verdade estava, Sakura descobriu que não gostava de vê-lo inseguro assim, tanto quanto ele não devia suportar.
Sabia que tipo ele era, taciturno, sarcástico, acolhedor, ranzinza mas também seguro, muito sábio em muitas coisas e um moleque em outras, abnegado e generoso, mais do que ele sequer imagina. Por isso, ele era mais atingível do que parecia, e quando se sentia encurralado, era natural se esconder atrás do gostosão frio e desapegado.
Mas ele foi o primeiro a dar o passo e os lembrar, e fazer encarar que não poderiam esconder o que houve por trás de suas máscaras habituais, ele não conseguiria fingir que foi só um deslize bobo, e ela não conseguia nem ficar louca e precisar tomar remédios de louco.
Então só restava aceitar e aprender a conviver com isso, e ele que deveria ser o que menos se importaria, estava dando a cara a tapa.
Então ela teria que mover a bunda e seguir com essa dança até o fim, antes que ela os consumisse.
Só que... Não seria dessa vez.
Simplesmente não dava.
Baixou a cabeça até topa-la na dele, e embolou os dedos entre os dele, os dois observaram a sutil diferença nos tons de pele, dos dedos, unhas. Sentindo como se comparassem dois elementos, imaginando o que juntos eles poderiam se tornar.
— Eu...- Sakura lambeu os lábios, também percebendo que media palavras, queria ao menos ser a cabeça fria. Mas era automático, e se perguntou quando foi que se tornara importante não machucar ele.
Seria muito mais fácil se pudessem apenas mandar um ao outro se foder e dar as costas, cada um indo para seu lado, como sempre que discutiam e queriam apenas ver quem atirava primeiro de uma vez.
— Eu... Eu não sei. – Disse, querendo dizer algo que realmente pudesse tirar ambos dessa angústia, mas não se vendo capaz ainda.
Se ganhar filhos tornava uma mulher mais forte, perdê-los sem nem ver seu rosto, tornava-a, ou ao menos no caso de Sakura Haruno, miseravelmente fraca e medrosa.
— Eu não sei, mas... A terapeuta, ela... ela disse que, podemos ir, tipo... Os dois, se você quiser.
— É? – Ele não pode disfarçar muito o desânimo, não estava pronto ou interessado noutra pessoa se envolvendo nisso, pelo menos não da própria parte, posto que sabia que Sakura precisava destas consultas e era direito dela. Da própria parte, não estava afim.
Mas, talvez pudessem alcançar um meio termo mais pra frente, ou ele devesse contar pra alguém, e assim se sentiria mais aberto a ir com Sakura nessa sessão.
— Eu vou... Dar um jeito, pensar então...
— Você não é obrigado...
— Eu sei, só... Só preciso de um tempo...
Sakura o fitou, e assentiu, novamente se sentindo mal, agora que parecia que ele precisava de mais tempo que ela e que era ela o pressionando pra borda.
— Okay. Tudo bem.
— Okay... Então, vai sair?
— Levar os pulguentos pra vacinar.
— Putz, é hoje? Vai precisar de ajuda?
— Não, posso lidar. E Rachel vai comigo, também vamos na ONG que ela ajuda, de cães de rua, acho que ela quer enlouquecer Marc de vez adotando um cachorro.
— Eu achava você um diabo antes de conhecê-la...
— Com quem acha que eu aprendi? – Ela brincou, dando um tapa leve na testa dele e se levantando. Sasuke lamentou mais ainda por ter que trabalhar num sábado. — Vou pegar as coleiras, e você tem que ir pro serviço, delegado.
— Delegado é mais sexy que Investigador? – Ele riu um pouco.
— E importa? Ainda prefiro te chamar de malandro. – Sakura gritou já subindo as escadas, ele suspirou, erguendo-se da cadeira.
Também preferia assim, preferia como era antes.
De novo, parecia que anos haviam se passado.
*
— Será que dá pra calarem as bocas? – Sasuke bufou, encarando a sala que parecia uma convenção de velhas fofoqueiras. Já estava a ponto de dar um tiro pra cima, entregar o distintivo e ir surfar, e não faziam nem cinco minutos que era oficialmente delegado da décima sétima DPLA.
O pessoal se dividia em querer ir pro bar comemorar, entender como as coisas funcionariam, puxar o saco dele, reclamar e inventar merda.
Kakashi deveria estar rindo de sua cara enquanto assistia suas séries de conspiração com crianças fofas.
— Pode mandar o papo, chefe. – Naruto brincou, cruzando os braços, Sasuke o deu um olhar aborrecido e fitou Nancy a secretária de Kakashi e agora sua, ela parou de ficar adoçando o café dele e foi entregar as pastas com o que queria para o dia. Não estava muito afim de papo.
Mais tarde, ele recebeu algumas pessoas para depoimentos, acompanhou interrogatórios e se inteirou de mais casos.
A mesa estava abarrotada de papeis, e ele já havia mandado a secretaria reimprimir alguns documentos três vezes porque derramava café neles.
Mas sempre podia piorar mais um pouco e algum filho da puta havia espalhado a notícia, e sabe-se como diabos metade da lista de mulheres com quem ele saiu e tinha ainda contato, ligou o convidando para comemorar a promoção e outra metade para perguntar se era verdade, sua caixa de mensagens estava cheia e a galeria com nudes novos.
Sakura riria muito disso depois, ela adorava pegar o telefone dele, ler as mensagens e classificar as mulheres numa escala entre “desespero total” e “atitude poderosa”.
Como já era quase almoço, ele finalmente parou para um descanso, encarou a sala e observou o pessoa lá fora, muito mais agitados, meio que mais vivos, mas até achou interessante assisti-los. Ver quem estava se esforçando, protelando, tratando bem um suspeito ou abusando, bem como das vítimas.
O telefone tocou e ele atendeu orando pra ser algo realmente importante.
— Oi, aqui é o delegado.
— Que diabos houve com seu telefone? Estou ligando a meia hora e só dá ocupado.
— Sakura?
— Não, é a coelhinha de Setembro.- Ela riu.
A imaginação dele foi a mil. Se ajeitou na cadeira.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa?
— Nada, apenas avisando que vou almoçar com a Ray, então só vai ter congelados em casa.
— Ah, tranquilo. Acho que vou comer aqui mesmo. E os garotos?
— Sobre isso, seu cão é uma farsa. Como pode um cão policial ter tanto medo de agulhas? Ele fez um escândalo, eu e Augustine estamos constrangidas com esse bebezão.
— Puta que pariu, Gibs. – Ele gemeu só de ouvir o cão ganir ao fundo. — Mas fazer o quê, ele é policial e não enfermeiro. – Jogou. Sakura bufou.
— Não tente aliviar pra ele, quem vai levar agulhada é você.
— Fui algemado e sobrevivi.
— Além de ter adorado, cachorro. Bem, era isso, Rachel amarelou para adotar o cão. Descobriu que seu limite pra caca foi ultrapassado pelas fraldas dos bebês.
— Hah! Sabia.
— Idiota. Então, como foi aí?
— Talvez eu sobreviva... Ao menos até o jantar.
— Planejando algo pra o jantar?— Ele se recostou na cadeira, encarando a lapiseira.
— Você tem?
— Talvez eu faça algo diferente.— Ela admitiu. — Vai se foder! — Gritou pra algum motorista, Sasuke revirou os olhos. — Tente não chegar morto ou querendo matar alguém. Até mais.
Sasuke encarou um pequeno vaso com um cacto que um amigo de outra DP havia lhe enviado como presente de parabenização.
Então sentiu vontade de compensa-la por ser tão forte e aceitar o afastamento dele justo naquele momento.
Só que não com cactos.
— Até mais. Diga a Rachel que deveria adotar o cão, a fase da caca vai ser melhor que a das espinhas.
— Puta merda. Verdade. Enfim, tchau, antes que eu passe por cima destas lesmas!
Os cães latiram ao fundo e ela desligou. Sasuke esperava que os três não viessem parar ali por briga de trânsito.
Pegou o telefone do gancho de novo e girou na cadeira encarando a vidraça atrás da mesa.
— Ino? Oi, coisa rápida. Me passa o número da floricultura dos seus pais?
*
— Então, você falou com ele? – Rachel interrogou, o olhar astuto. Sakura suspirou enquanto abria a porta do carro para a passagem dos cães. Olhou para o outro lado da rua vendo um carro usado de tinta amarelo queimado já descascando, um modelo popular dos anos oitenta ou setenta, talvez.
Haviam malas não muito novas sobre o capô, e um homem fumava e ouvia música no banco do motorista enquanto que no banco traseiro, ela notou uma silhueta menor parecendo também observa-la ou muito mais provavelmente aos cães agora correndo com o disco em frente a casa.
Suspirou e fechou a porta contornando até o porta-malas sabendo que Rachel não a deixaria escapar tão fácil.
— Mais ou menos. — Comentou, pegando uma sacola de compras.
— Mais ou menos como?
— Concordamos que ainda não é a hora. Pra mim anda não é a hora embora ele já tenha vindo primeiro.
— Oh, ele veio? Isso não é bom?
Rachel sabia que embora Sakura jamais fosse admitir, ela estava com medo da rejeição ou indiferença de Sasuke.
Ela foi deixada de lado e negligenciada por tanto tempo, que o golpe com Hidan apenas a fez fechar-se de vez evitando aproximações para assim, evitar separações bruscas.
— Sei lá. Deve ser bom pra ele. Ele já pode tentar se livrar disso, e ir em frente. Uma pena que ainda tenha que me esperar.
— Sakura, não pode simplesmente tomar as coisas assim. Você não o conhece.
Sakura deu de ombros, amargamente. Percebeu que talvez o surto fosse o melhor a se esperar. Pois balançar entre positivismo e negativismo a estava matando.
Pela manhã, acreditava piamente que Sasuke só queria ajuda-la a passarem por isso e estivesse abalado, então de uma hora pra outra, ela toda rodopiava e caía numa espiral de pessimismo.
Agora parecia muito mais realista que ele só queria apressar as coisas e dar fim naquele clima idiota, agora que tinha mais coisas para focar.
— Não preciso conhecer, não é como se fosse um relacionamento. Não é como se quiséssemos, pra começo de conversa. Foi só um erro, um estrago, um fracasso. E temos de passar por cima disso. – Decretou, marchando para a porta, destrancou a porta de repente sentindo mais peso nos braços do que o que correspondia ás compras, aí estava, o remorso veio brincar na ciranda de sentimentos descontrolados.
Rachel veio logo atrás dela, teimando, e Sakura se moveu até o aparador perto da porta.
Antes que firmasse uma das sacolas, um tom rosado cheio de vigor tomou sua visão, em pinceladas vivas e onduladas, depois um amarelo, um vermelho, azul, branco, roxo, laranja.
A sacola tombou no chão bem como as chaves em sua mão, Sakura encarou o mundo de cores que repousava nos móveis, os aparadores, a estante, a pequena mesa perto da janela onde os rapazes geralmente jogavam cartas e falavam dos vizinhos. O balcão da cozinha e até onde podia ver, a mesa do café, servindo de apoio para vasos esturricados de flores de todo tipo, entre orquídeas, girassóis, margaridas, rosas, copos de leite, petúnias, lírios e narcisos.
— Cacete. – Rachel assoviou, olhando em volta bastante impressionada. — O cara tem algum tipo de sensor...?
Sakura se aproximou desajeitadamente do vaso com tulipas azuis, sobre a mesa de centro e Rachel, localizando um cartão em meio ao vaso com rosas brancas e rosadas sobre o aparador atrás do sofá, se aproximou e entregou a ela com um sorriso esperto.
— “Não preciso conhecer” você diz. Mas parece que alguém pensa diferente e foi logo jogando opções.
Sakura sacudiu a cabeça desacreditada e abriu o cartão. O logo com o nome da família de Ino deveria desencoraja-la ou fazer revirar os olhos e concluir que era assunto da Yamanaka.
Então nem mesmo ela sabia por que continuou.
“Não sabia que porra escolher, Ino não me arranjou desconto (o aluguel dela vai aumentar), então é melhor gostar de todas, certo?
Ps: Não ouse fingir que não gosta a menos que queira umas palmadas.
Você está sempre roubando uma das margaridas (?) do vizinho.
Eu devia ter te dado um vaso inteiro quando vi, desculpe por sempre chegar atrasado, acho que é sequela de delinquente juvenil, nós dois sabemos o quanto eu fazia questão de ser bom nisto.
Para sua majestade, de (insira aqui o que achar mais sexy) Sasuke Uchiha.”
Rachel se aproximou e abraçou-a, esfregando seus braços e tentando amenizar a culpa que ela sentiu.
Queria ter o poder de limpar Sakura de todas essas manchas, mas começava a sentir que talvez ela estivesse perto de conseguir isso, eventualmente, com outra pessoa.
Quem sabe.
Estaria com ela de todo jeito.
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