Killer Queen

24 Rainha Cativada


Sasuke saiu do escritório desligando o telefone novamente, se continuasse assim, ele trocaria de número.

Estava cansado, aborrecido e com fome, havia tentado comer um cachorro quente no almoço, mas teve que lidar com duas famílias brigando na recepção por causa da suposta morte de um gato (o animal não foi encontrado), não teve tempo de comer durante a tarde porque o comissário veio falar a respeito da oficialização da promoção dele, basicamente uma festa pra comerem e beberem ás custas do dinheiro público. Sasuke detestava essas politicagens por isso sempre desprezava a ideia de subir para um cargo mais público.

Além de aturar a puxação de saco das pessoas abaixo, prontas pra puxarem o tapete dele, tinha que babar ovo pra um bando de filhos da mãe que não estavam interessados nos policiais que se colocavam em risco indo contra cartéis de droga, assaltantes, assassinos e estupradores. Só queriam os melhores resultados para se exibirem nos jornais.

A única coisa realmente útil na reunião foi ele cobrar avanços no caso do serial obcecado por olhos verdes femininos, que estava parado sem avanços, desde a falta de suspeitos, pistas, testemunhas e vítimas.

Pegou uma papelada, enfiou na pasta e torceu para sair dali sem ser percebido, e já passava pela recepção, quando Naruto quase montou em suas costas.

— Até que enfim, meu garoto, achei que não fosse mais desincorporar o delegado trabalhador e sair dali! Vamos pro baaar, pessoal!

Houve uma exclamação coletiva e Sasuke se desvencilhou dele.

— Opa, opa. Quem falou em bar? Eu to moído, e estou com fome, se eu por cerveja na boca, vou vomitar pra caralho. Não.

— Deixa de ser maricas!

— Maricas o caralho, eu quero minha casa, minha poltrona e comida. – Naruto deu de ombros então, e voltou a puxa-lo.

— Certo, certo, não tem jeito. Você tá acabado.

— Obrigado! — Sasuke bufou, aliviado.

Naruto se virou e assoviou alto.

— Atenção galera! Nada de bar do Owen por hoje! A cerveja é na casa do Sasuke!

— Como é?! O quê?! – E todo mundo tentou sair na mesma hora e ele foi levado até o estacionamento como que carregado por uma onda.

Sakura o mataria, e ele pediria por isso.

*

Sakura viu que ficar em dúvida sobre qual vinho escolher era perda de tempo quando identificou tantas vozes vindo da sala, suspirou e deixou ambas as garrafas sobre a bancada, se virou rapidamente para verificar o macarrão que cozinhava.

— Whoah, quantas flores Sasuke. – Naruto provocou depois de entrar.

— Uuuuh, rosas. – Riu Lee.

— Calem a boca, seus parasitas. – Sasuke bufou, entrando, Sakura seguiu para a sala, assistindo os amigos de trabalho mais próximos tomarem o espaço e acenarem energicamente.

— Hey, pessoal, cerveja na geladeira e sabem da regrinha de não sujar o sofá. Não quero mandar ninguém pra casa com o rabo cheio de chumbo.

Eles apenas riram e invadiram a cozinha, Naruto a fitou um pouco receoso e envergonhado.

— Ops, acho que descobri de quem são as flores. – Comentou marotamente, avaliando-a, Sakura coçou a nuca, desconfortável e o mandando um olhar de que seria ele a receber o primeiro chumbo da noite, ele riu, abanando as mãos e seguindo pra cozinha.

Mas ela ainda estava fissurada na tolice que se mostrou óbvia, de vestir um vestido branco com estampa de flores vermelhas, era solto a partir do busto, o tecido suavemente mais encorpado dava-lhe um ar mais refinado em equilíbrio ao juvenil dado pelo modelo em si, sem alças e um laço fino e discreto nas costas, ela calçou um par de scarpins vermelhos medianos, torcendo para não parecer tanto uma garotinha numa sala cheia de flores.

Sasuke pôs o casaco no pendurador perto da porta e então abraçou sua cintura, suspirando contra o pescoço dela.

— Desculpe, não consegui evitar, eles me arrastaram. – Seu tom era o de um menino que perdeu o lugar na fila dos brinquedos do parque. Ela não podia ficar zangada nem se quisesse, e ainda haviam as flores, enchendo-a de um calor agradável que não lembrava ter sentido a anos.

O calor de quando era mimada e agradada, sentindo-se surpreendida e feminina de novo. Desejada de um jeito mais afetuoso do que carnal.

— Tudo bem. – Afagou a nuca dele, os fios macios e úmidos da rala chuva que caiu pouco antes de eles chegarem. — Eu disse que iriam querer comemorar.

— Aff. – Sasuke resmungou, afastando-se ligeiramente aborrecido com a falação vinda da cozinha e dos fundos. Provavelmente eles já estavam querendo ascender a churrasqueira.

Fitou Sakura, percebendo os cabelos ainda um pouco úmidos, lisos e os lábios tomando a atenção num vermelho escuro, o vestido não era apertado mas entraria na lista de favoritos dele, na verdade, qualquer coisa estaria incrível nela enquanto tivesse aquele brilho no olhar.

— Posso perguntar uma coisa? – Ela disse, com um sorriso leve e matreiro.

— Hmm? – Ele beijou seu pescoço, naquela pintinha maravilhosa.

— Você sempre exagera assim, ou só foi uma tentativa primária e desesperada?

Sasuke olhou em volta vendo as flores, sentiu-se meio constrangido, mas Sakura estava radiante. Então tentaria era não soar muito orgulhoso ou amador.

— É. Um pouco dos dois e de qualquer modo, a Ino vai pagar com um aumentinho no aluguel.

Sakura gargalhou.

— Você é um tirano. Mas eu seria muito hipócrita se não declarasse apoio.

— Claro que tem que apoiar. É a minha general, mão de ferro. – Pegou a mão a dela, beijando-a e fitou-a. — Gostou mesmo? Sério, não fazia ideia de qual escolher. Rosas é tão clichê. Pensei em perguntar a Rachel mas sinto que ela ou entregaria fácil ou me faria comprar uma estufa.

— Eu adoro estufas...

— Deus sabe o que faz.

Sakura deu de ombros, rindo atoa. Sasuke beijou seu rosto e ela suspirou abraçando-o, escondeu ligeiramente o rosto contra o peito dele.

— Mas, ela não saberia dizer quais são. Eu nunca disse á ninguém.

— É tão feia assim? É uma planta carnívora?

Na verdade nem ela sabia porque não dizia, rosas não eram as únicas flores clichês, Hidan adorava entregar rosas, e ele sempre entregava quando brigavam. Sakura não quis que uma flor que gostava tanto acabasse se tornando um símbolo desses.

Talvez, não quisesse olhar pra elas e lembrar de cada briga, ou do quanto se deixara manipular pela beleza hollywoodiana do momento, como um filme de romance água com açúcar.

— Nada. Só não achava que valia a pena. – Suspirou.

— Nem Hidan? – Ele ciciou, intrigado.

Sakura negou suavemente, e então se afastou, sorriu radiosa novamente e o puxou pela mão.

— Mas elas também estão aqui e eu as amei. Amei todas.

— Que bom...?- Ele se sentiu meio lento, derretido pelo calor que ela irradiava.

— Agora, não está com fome? Estou terminando o espaguete á carbonara. Tem sopa de tomates, e anéis de lula ao forno. Provavelmente vamos precisar pedir comida de fora, mas a rodada italiana até pode ser sua.

Sasuke a agarrou e girou com ela, beijando forte seus lábios.

— Puta merda, sopa de tomate, você é minha garota perfeita! – A pousou no chão e foi ameaçar quem se atrevia a tocar no fogão. Sakura riu e pegou uma garrafa de vinho, abriu e encheu a taça enquanto ligava para um restaurante que entregasse comida.

Logo Suigetsu chegou, ainda uniformizado e já sabendo das últimas notícias, trazia quatro caixas de pizzas e um pacote com cervejas em lata.

— Aqui a minha contribuição. – Avisou logo, e se bandeou para o fogão. — O quê? Isso é sopa de tomates? Adoro!

— Não se empolgue tanto. Sasuke já a reivindicou.

— O quê? Ah, qual é, Sakura. O cara já é nosso senhorio, chefe e você ainda o mima assim?!

Sakura deu de ombros e Sasuke adentrou a cozinha tomando a colher da mão do Hozuki antes que ele tentasse provar.

— Mãos longe da sopa, pirralho.

— Você não vai comer isso tudo, cara!

— Posso tentar! Opa, pizza? – Suigetsu, arrancou as pizzas de seu alcance e empinou o nariz rumo a saída.

Sasuke revirou os olhos e encarou Sakura que apenas acenou com uma taça de vinho, se sentou na banqueta ao lado dela e aceitou o vinho.

— Consegui impedi-los de fazerem fogo e comerem minha carne inteira assada.

— Sui trouxe pizza. Vamos dizer que é a noite da comida italiana, hahaha.

— Ótimo, assim a minha sopa e a minha carne ficam á salvo.

— Malandro carnívoro. Deixe-me terminar esse espaguete. – Ela se levantou, dirigindo-se ao fogão para verificar o cozimento do macarrão.

Ino adentrou a sala como um foguetinho dourado, toda se abanando.

— Oh, meu deus, Sasuke, oh meu deus, Sasuke!

— Querida, decida quem quer chamar primeiro. – Sasuke riu abraçando-a, ela encheu seu rosto de beijos.

— Não acredito que você virou delegado. Eu vou transar com um delegado!

— Garota, você tem que tomar cuidado com esses fetiches. – Sakura avisou, se perguntando se o objetivo de Ino era transar com o maior número de fetiches possível.

— Hey, se ela acha que um cargo novo melhorou as minhas habilidades...

— Você não passa de um safado.

— Sasuke, quem é o coroa ruivo gostoso pra caralho que está lá fora?! Quem? Queeem?

— Hã? Sei lá, chegou mais alguém?

— Ui, ele está lá fora! Ah, Karin está conversando com ele, aquela perua não já tem cabelo ruivo o bastante? Vamos lá, Sasukeee, me ajuda. Eu vi ele primeiro! – Ela insistiu, puxando-o pelo braço.

— Puta que o pariu, eu não tenho mais dignidade mesmo.

Sakura riu e gritou.

— Pergunte se o carpete combina com as cortinas! Faz isso por mim, vaaai?

— Cala a boca, Sakura, cala a boca! – Ele resmungou enquanto Ino gargalhava e o puxava para a porta da sala.

— Eu mesma perguntoooo!

— O caralho que vai, sua pentelha. Eu só tenho mulher louca nessa casa, cacete.

Já presumia saber quem era o ruivo, e se era quem pensava, ele ficaria no mínimo traumatizado de lidar com essas loucas.

— Vou já perguntou ao Juugo? – Sakura quis saber, provocando.

— Deixa de ser assanhada, porra.

Juugo riria serenamente da piada, se fosse o caso, mas Gaara, do vigésimo DP, ficaria vermelho, desconcertado, e fugiria.

Era um cara muito reservado, portanto lidava melhor com mulheres mais contidas e delicadas. O coitado veio parar num antro de harpias desbocadas e sacanas.

*

“— E... Sasuke?

— Hm?

— Tulipas.”

Sasuke abriu os olhos, numa manhã duas semanas depois daquela noite e finalmente se lembrando porque não dormira com Sakura, mesmo que fosse tudo o que tivesse querido durante todo o jantar.

Ela não o deixou passar do batente da porta do quarto porque não estava pronta para sexo, e os dois estavam bastante bêbados de vinho.

Uma parte dele se sentiu ofendida, por ela parecer achar que qualquer contato os faria ter uma gestação indesejada de novo, mas também sabia que nem ele próprio, pelo menos não sóbrio, estava realmente pronto para voltar pra cama com ela.

Era como se o fantasma da possibilidade, uma vez revelado, não os deixasse mais. Claro, poderiam usar preservativos, ela poderia voltar ao controle de natalidade mesmo que só tivesse feito sexo desprotegido com ele.

Mas, agora ele lembrava que ela o havia dispensado dando algo que nunca deu a ninguém. E desta vez, ele não perderia.

Levantou da cama e mais disposto do que esteve em semanas, decidiu que era hora de enfrentar alguns desses fantasmas.

Desceu as escadas apressadamente, ouvindo a risada gostosa de Sakura na cozinha, ela estava fritando ovos e jogando tiras de bacon para os cães, sentados nas banquetas como se fossem os verdadeiros donos da casa.

Abraçou Sakura por trás e teceu beijos por seus ombros e nuca.

— Hey. O que foi?! Pare, vai me deixar marcada seu cachorro sugador.

— Opa, tem razão, quem sabe possamos fazer isso depois da festa, hm?

— A festa é hoje? Ih, vai pra Vegas, malandro?

— Não, estou inteiramente comprometido em ser o bom delegado na festa de hoje. – Sakura o encarou toda desconfiada e ele roubou um pedaço de ovo frito.

— O que está aprontando? Ontem estava rosnando pra todo lado por causa dessa festa e da sua mãe querendo te empurrar a tal prima do Texas.

— Mamãe pôs na cabeça que um delegado de respeito precisa de uma dama de respeito ao lado dele, é a desculpa nova dela pra me forçar a casar. Mas, o que ela esqueceu foi que..?

Sakura não fez muito esforço pra chutar uma.

— Que você nunca vai ser de respeito?

Ele a encarou com um olhar estreito.

— Olha que eu te dobro nessa bancada...

— Oh, querido, isso só fortalece meu argumento. – Ela piscou e ele teve de admitir que fazia sentido. Revirou os olhos e sorriu travesso.

— Enfim. Eu quero dizer que não preciso da prima Madison, por que veja só, rufem os tambores. – Sakura cruzou os braços não gostando nada do que isso ia dar, foi a vez dela de o encarar estreito.

— Porque eu tenho.... Você!

Ela deu as costas e seguiu pra sala.

— Eu passo.

— O que, como assim? Bebida de graça, comida de graça, eu sendo forçado a sorrir em fotos sem estar com o rabo cheio de cerveja e você está dispensando?! Sem falar que vou estar de gravata, você sabe que eu odeio gravata.- Ele a seguiu. — Imagine só, eu todo amarrotado e com cara de cu do lado do prefeito, Sakura. Porque diabos não vai?

Sakura se voltou pra ele, ao pé da escada.

— Seus pais vão estar lá. – Declarou, angustiada. Ele deixou os braços caírem ao redor do corpo e a fitou. Sakura se remexeu inquieta e atormentada, com lágrimas nos olhos. — Seus pais vão estar lá, aquelas pessoas maravilhosas e... Eu nem sou capaz de falar de tudo com você... Desculpe, eu não posso.

Então começou a subir as escadas ao mesmo tempo em que Ino descia, Sasuke se apoiou no corrimão, inspirando alto enquanto ela passou pela loira sem a ver realmente. Ino suspirou e continuou descendo.

— Sasuke.

— Agora não, Ino.

— Sasuke, quando vocês vão falar com alguém sobre isso? O que está acontecendo?

— Querida... Ás vezes eu não faço ideia também. – Ela o encarou, condoída. — É apenas tão... Injusto.

— Não tem nada que possa fazer?

Ele riu com tristeza escancarada.

— Quem me dera. Quem me dera mesmo. Eu sei que está zangada por eu deixa-la triste toda hora. Eu.... eu acho que só tenho conseguido deixa-la assim toda hora mas eu só... Eu não sei como deixa-la feliz ou como deixa-la bem. E isso está me matando, acredite.

A pergunta que veio a Ino acabou se tornando outra.

— Vê-la feliz... importa tanto assim pra você?

Ele não pensou muito, perturbado mas completamente aberto, e foi isto que o entregou para ela.

— Mais que tudo nesta vida.

*

Fugir de casa nunca fora uma opção que, quando criança ou adolescente, Sakura considerasse, sempre lhe parecera a opção mais covarde.

Mas era sempre hora para descobrir o covarde dentro de si.

As chuvas torrenciais que vinham decorando a maior parte das noites e manhãs de Los Angeles fez a cidade perder seu brilho e ar caloroso, descolado e sensual que sempre tivera.

Talvez os anjos também chorassem.

Sakura arrastou os pés na grama molhada e fofa do parque, apertando-se dentro de uma jaqueta de brim respingada pelo sereno da manhã, uma rara neblina natural (a maior parte era produto da poluição) tomava o pequeno campinho de futebol, o som de bola de basquete batendo no concreto da quadra onde os rapazes jogavam de vez em quando, vinha misturado ao assovio do vento úmido.

Ela se aproximou dos brinquedos e olhando em volta, para o caminho que fizera, torceu que Sasuke não a procura-se tão cedo, de algo teria de valer o risco de sair pela janela e pisar no telhado molhado até a escada.

Sentou-se no balanço, e se curvando pra frente, apertou a jaqueta contra si, observando com desânimo, a barra da camisola suja de grama e areia.

Sakura recostou a cabeça contra a corrente fria do balanço, e apertou dolorosamente um dos pulsos quando este estendeu-se contra o estomago, negando-se ao reflexo inútil de afagar algo.

Então desejou que houvesse mais neblina e chuva, que as lágrimas dos anjos a levassem numa forte corrente, e que a neblina ocultasse sua rendição.

O sereno engrossou um pouco, não era o bastante, e ela ouviu suaves passadas através da névoa, a sua frente, uma sombra se descobrindo, uma estatura que ela só então notou um tanto baixa.

Ele parou a cerca de cinco passos, como se só então a neblina a revelasse a sua frente também, dentro de uma calça jeans escura, um casaco grande demais e uma camisa xadreza, seus olhos escuros como carvão, mas tão doces, a encontraram espantados e congelados.

Sakura ergueu o queixo, segurando as correntes de cada lado do balanço com força, levando sabe-se lá quanto tempo contemplando seu rosto.

Face oval e delicada, os mais lindo nariz que ela já viu; grande porém reto e estreito, lábios pequenos e inchados, o cabelo fino, ondulado e muito escuro, adornando graciosamente a tez branca salpicada de sardas.

Ele, ainda com os lábios entreabertos de espanto, escondeu as mãos dentro do casaco, e Sakura o encarou atordoada, se levantou, apoiando-se na corrente e fitou tão arisca e maravilhada quanto ele.

— Você... É um anjo?

Ele se espantou mais, piscou, engoliu bem seco, olhando pros lados como se ainda precisasse ser convencido. Apesar da idade já sugerir, sua voz não era uma mistura atrapalhada de tom infantil ao de um homem em formação, um sotaque lento, cadenciado transformava o som num quase ronrono charmoso e encantador.

— E você... Não é...?

*

— Tem certeza que ela pode ter ido por aqui? – Juugo interrogou, um pouco afoito, Sasuke olhou em volta sem se render e prosseguiu, o outro, desistiu de perguntar e apenas continuou procura do, neblina densa que tomava a rua, talvez toda a cidade, dificultava a visualização e Sasuke foi noutra direção ao chegar na esquina.

— Vá ver naquele mercado, eu vou ao parque. – Juugo apenas concordou.

Sasuke cruzou a rua, e correu alguns bons metros até chegar ao parque, a quadra de basquete só ocupada por uns seis caras de ar duvidoso não o tranquilizou.

Cruzou o gramado até os brinquedos de concreto engessado fincados na areia, as figuras imitando personagens pareciam um tanto macabras naquela manhã cinzenta.

Ouviu um suave ranger de ferro e risadas, e passou pelas figuras até um escorregador, mais a frente viu o balanço e soltou o ar em alívio ao por os olhos em Sakura, balançando-se pacificamente como uma criança ao lado de uma criança de verdade.

— É mesmo? E o que disse a ele? – Ela disse entre o riso.

— Sakura. – Sasuke a chamou, os dois a fitaram e ela se levantou, aturdida e procurando no pulso um relógio que nem usava.

— Você ainda está...? Que horas são? Você não deveria estar na aula? – Disse ao garoto que apenas esbugalhou os olhos.

Sakura foi até Sasuke, ele a puxou sem aviso num abraço apertado, esfregando as costas dela em reação ao que sentiu seu corpo frio e úmido.

— Puta que pariu, mulher, puta que pariu. Que diabos deu na sua cabeça?

— Desculpe...

— Como diabos você sai, assim? Olha o clima, caralho, quer voltar pra papinha de hospital?

— Eu to bem, não força. – Ela resmungou.

— Vamos pra casa.

— Okay. Espere, tenho que me despedir do nosso novo habitante de LA.

Sasuke ia joga-la nas costas e levar de volta pra casa, mas ela se virou tão alegremente que ele não tinha, nem queria mais ter, poder para desfazer sua alegria.

— Sr. Grant, esse é o senhorio mala do qual falei. – Afirmou, risonha e Sasuke jogou os olhos pro garoto que ainda parecia decidir se não teria sido melhor ter caído fora sem que o notassem.

Era mais velho do que determinara de primeira, e não conseguiu não parecer intimidador pois ele não parecia mesmo ser da cidade, ou mesmo que iria a escola. A roupa estava bem amarrotada e fora de ordem pra ir ao colégio, sem mochila e o cabelo ondulado era o próprio caos, além da cara de quem definitivamente aprontara algo e estava de rabo amarrado pra não ser pego.

Sasuke até simpatizou porque na idade dele, fazia muito essas coisas que o deixavam a um passo de pegar um puta sermão.

— Sr. Grant? Não deveria estar na escola? – Indagou, cruzando os braços.

O menino se acuou mais e Sakura apenas o observou muito encantada como se esperasse algo mais de surpreendente. Ou apenas ele já fosse surpreendente.

— Eu-eu-eu... Ainda não fui matriculado, chegamos a pouco tempo.

— Ah, vá?

— Entendi, deve ser complicado, não? Você veio de tão longe. Sasuke ele veio da Louisiana, não é adorável? Digo, o sotaque dele, é um sotaque lindo e charmoso, adoro o sotaque sulista, quando era pequena dizia que ia casar com um cara do Sul.

— Hã? Sakura o moleque nem tem pelo no saco ainda.

Sakura revirou os olhos.

— Ignora, ele é velho, ah, acho que você deve voltar pra casa agora. – Afirmou a certo contra gosto. — Seu “velho” pode ser uma mala mas não é tão divertido irritar ele, acredite. Eu também tive um pai babaca.

— Ainda tem. – Sasuke cantarolou, mãos nos bolsos, ela deu de ombros e ele notou que foi a primeira vez que a ouvia citar o pai sem qualquer amargor ou sarcasmo, pois dirigiu-se ao menino com afeto e bom humor.

— Eu sei, já vou indo. – Ele deu de ombros.

— Okay, vamos lá. – Sasuke a puxou pelo braço.

— Vamos juntos, onde você mora mesmo?

— Sakura, o garoto vai achar que quer sequestra-lo.

— Besteira, você não é tão intimidador quanto pensa. Seus tempos de Bully acabaram, querido.

O Sr. Grant negou, prontamente e permaneceu no lugar.

— Eu moro... na outra direção!

— Oh, certeza?

— Cacete mulher.

— Não xingue na frente da criança, porra.

— Que puta exemplo você é, baby. – Sasuke desdenhou, ela ficou vermelha e ele voltou a puxa-la envolvendo-a com o casaco que vestia.

Sakura acenou quase o tempo todo, até onde poderia olhar pra trás e o ver acenando de volta.

Sasuke suspirou deixando-a viajar mentalmente sabe-se lá pra onde, desde que parecia ter esquecido a discussão deles pelo menos por enquanto.

*

Os dias na Califórnia eram quentes como na parte da Louisiana onde o rio Mississipi brotava, as noites bastante frias, e não estavam num lugar exatamente bem protegido.

Bufando mais uma vez com o cheiro da fumaça do cigarro, Noein não conseguiu disfarçar o desgosto e Martin percebeu, o encarando de lado por um momento.

— O que foi? Porque essa cara? – Indagou, enfadonhamente.

O garoto poderia citar uma lista inteira de motivos pra estar de mau humor, mas a verdade era que, Martin não estava interessado nisso, nem nele, e que provavelmente só conseguiria piorar a própria situação, caso reclamasse demais.

O mais irônico era que nem podia culpa-lo de ser um pai de merda, porque disso já sabia fazia tempo, cresceu sabendo disso, todo mundo dizia isso. Ainda assim achou melhor ir com ele do que ficar com os avós.

Sua mãe era a única coisa que o ligava ao lugar que nasceu, e agora, depois que ela estava morta, só tinha para contar o homem que fora quem contribuiu para a morte dela, indiretamente ou não. E que não se importava realmente com isso.

Martin só ligava para si mesmo e Noein teve de admitir que no fundo, havia nutrido esperança de que isso não fosse verdade, mas bem como acontecera com os avós, ele só estava passando pra outro lugar que ninguém o queria.

Encolheu-se no banco e suspirou, encarando a janela por onde uma brisa com cheiro de flores soprava e o fazia lembrar da casa em que morou com a mãe.

Infelizmente ela se fora cedo demais para ele recordar seu rosto, mas o cheiro de flores em torno da casinha, e um sorriso amplo, mas nebuloso, ainda o acompanhavam em lembranças e em alguns sonhos.

— Nada.

— Ah, sei. Se você diz.

— Na verdade, estou com fome, quanto tempo mais vamos ficar aqui?

A cara queimada de sol, marcada por linhas claras de rugas e uma barba mal aparada de seu pai enrugou numa careta irritada e ele olhou mais uma vez para a casa onde focava sua atenção desde que chegaram, ao lado da casa onde o carro estava estacionando em frente.

— Só quando aquele filho da mãe aparecer. Não saio daqui sem meu dinheiro, mas nem fodendo.

Martin Grant fizera muita fama como um devedor nato na pequena cidade de Lafayette, então era engraçado ver o cara se roendo de ódio pela grana de uma dívida. Tinha sido fácil rir da cara dele até chegarem nesta cidade enorme, quente e poluída e ficarem horas cozinhando dentro do carro.

— Cara, eu estou com fome.– Insistiu, cansado. Martin tirou o cigarro da boca e cuspiu a fumaça, impaciente.

— Guri, vê se eu tenho cara de quem está com grana. Hã? Hã? Estou tão farto desta merda quanto você, garoto, agora pare de choramingar feito um bebê, você já tem onze anos.

— Doze.

— E comece a falar direito que nem homem, isso aqui é a Califórnia, Los Angeles, não é lugar pra falar afrescurado. É terra de homens de poder e quando eu pegar a grana, vamos morar aqui e você vai ter que se adaptar.

Noein esperou ele se virar para frente para revirar os olhos, não ligava realmente para a negação do pai ao seu sangue cajun, Martin era o tipo hipócrita que certamente tecera mil elogios a toda bonita mulher de sotaque francês acadiano ou creóle, para conseguir o que queria. Além de ser um pretencioso vagabundo que realmente sonhava alto demais para a pouca determinação e inteligência que tinha.

Sonhava que um dia viveria em casas tão boas quanto aquelas que os cercava ou até em grandes mansões como as dos famosos em Bel-Air, por onde passaram.

Mas com a astúcia de um abutre e a esperteza de uma ratazana ele só se arrastaria até achar uma armadilha de rato perigosa.

Noein começava a perceber que talvez não fosse custar para seu pai se ferrar bonito tanto quanto calculara, torcendo para já estar com dezoito anos para ficar fora de qualquer besteira dele. A possibilidade de ir parar num juizado de menores ou mesmo num orfanato agora parecia tão certa quanto quando a mãe faleceu e os avós o receberam de mal grado.

A rua ganhou vida quase junto de uma chuva nem muito forte nem leve que caiu, indicando que o inverno estava se ficando mais rigoroso.

Noein se recostou novamente, tentou evitar prestar atenção aos apelos do estomago ao sentir o cheiro de caf e lembrou da mulher com que conversara pela manhã, quando passeou pelo parque em busca de um banheiro que não fosse um beco sujo.

Lembrava da mãe dizendo, que anjos tinham cabelos coloridos, como azul, verde e rosa algodão doce, ele nunca tinha visto um cabelo rosa como aquele até então, de modo que a nostalgia foi imediata.

Só não entendia o que ela vira de angelical nele, embora não pudesse afirmar que desgostou só pelo olhar afetuoso que já não lembrava a última fez que sentiu.

*

Sakura desceu as escadas outra vez, agora usando um vestido social preto e ajustado e um blazer, arrumou o relógio no pulso e pegou a garrafa de café.

— Você tinha que ver ele falando, era a coisa mais linda, ele tem o sotaque mais bonito que já vi numa criança, meu antigo colega das forças especiais, Luke, ficaria com inveja, e ele nasceu em Nova Orleans! – Tagarelou, Ino ouviu muito interessada.

— Oh, adoro sotaque sulista, é tão sexy!

— Ele vai crescer e quebrar corações com aquele sotaque, chega a ser uma pena, é adorável daquela idade mesmo.

— Hey, não seja egoísta com as próximas gerações!

— Me poupe.

Sasuke observou, apenas, ela o fitou e ele suspirou, pondo o jornal de lado.

— Tem certeza que quer ir trabalhar hoje?

— Ah, fala sério, porra. — Sakura revirou a vista. — Pare de agir como se eu estivesse doente.

— Não disse que está, mas até que seu parceiro novo chegue, não é como se pudesse ir pro trampo sozinha. — Ela o mandou um olhar zombeteiro e desafiador.

— E porque não, já fiz coisa pior, posso lidar com uns babaquinhas sozinha.

Ele sorriu, quase como se concordasse, se levantou e beijou o rosto dela.

— Mas não vai.

— Argh, deixa de ser cuzão! – Sakura o seguiu, Ino ficou na cozinha, ignorando com prazer a presença de Sai, que sempre ignorava todo mundo, e folheando um catálogo de vestidos de uma loja, estivera sem qualquer tempo para comprar algo novo para a festa de Sasuke.

— Então você vai mesmo pra festa. – Ele comentou. — Já devia saber...

Ino folheou a revista e tomou um último gole de café.

— Ah, agora vai dar gelo?

Ela se levantou, indo deixar a louça que usou na pia e seguiu para fora, ele teve certeza de que não seria só um “gelo” quando ela passou ignorando Karin e Suigetsu, que desceram as escadas discutindo, outra vez.

Estavam basicamente se revezando entre noites de sexo e dias de discussão já havia algum tempo e Ino pela primeira vez não deu qualquer contribuição, seja implicando e provocando, seja reclamando só para implicar mais.

Até mesmo os dois perceberam, parando de falar para encara-la com certa apreensão, esperaram até ela sair mas nada ela disse.

Se encararam, lembraram do que faziam, e recomeçaram.

— Mas porque você não quer ir?!

— Porque não! Que saco, sou obrigada a alguma coisa agora?

— Cacete, mulher, não digo que é! Só quero saber qual o problema! Todo mundo vai em duplas, até o Juugo arranjou uma tetéia!

Karin bufou enquanto amarrava os cabelos num rabo de cavalo e ajustava o uniforme azul escuro da polícia, Sui continuou encarando-a insistentemente e ela o mandou um olhar irritado.

— E onde isso diz que sou obrigada a ir com você?

— Não estou dizendo que é, porra. Só quero saber porque não vamos, é só uma festa, com os amigos e uns patetas ricos, qual o problema?

— Meus pais vão estar entre os patetas ricos. — Karin o fulminou com o olhar.

— Ops? – Ele riu, era sempre muito fácil voltar ao seu natural estado de bom humor e gozação. — Mas o que tem? É porque eu sou feio? Eles te amam, então podem tolerar minha fuça umas horas!

Karin suspirou, exasperada e desgostosa demais, Sai se levantou e pegou a jaqueta na cadeira, resolvendo fazer uma boa ação hoje.

— Não é porque você tem essa cara feia. – Disse, Karin o encarou seriamente e Sui ainda achou graça. — O problema não é sua cara, é seu bolso, cara.

Ele teve certeza que seu palpite estava certo quando ela retesou, com um olhar irado e constrangido. Sui alternou o olhar entre eles, ainda achando que não havia o que levar a sério, mas encarando-a, encarou-a, um vinco entre as sobrancelhas platinadas.

— Porque levar um policialzinho pé de chinelo se poderia ir de braço dado com o novo delegado, não é?

— Cala a boca! Está falando de mim ou da sua fixação em ser a sola do sapato do Sasuke? Todo mundo sabe que você está se roendo de inveja, Sai. – Karin cuspiu, tão vermelha quanto os cabelos.

— Não jogue a bola pra mim, princesinha. – Ele desdenhou, embora já se irritando. — Todo mundo sabe que você não olha pra um cara se não for pelo pau caso ele tiver menos grana ou outra mulher na vida dele. Os caras do departamento nem te chamam mais por que você pode mandar eles se livrarem da mãe ou irmãs deles. – Completou, seguindo para a saída.

— Eles assim como você não precisam de ninguém pra provar como são incompetentes! Além de imaturos e iludidos, você achou mesmo que teria alguma chance de levar o cargo depois do desastre nas docas? Se eu sou uma princesinha, Sai, você não passa de um pouca merda que acha que tem o rei na barriga.

Sai a encarou se perguntando se o mundo não seria melhor se elas, mulheres, apenas continuassem resumidas ao lar e a educação das crianças.

Ele duvidava que sentiria tanta vontade de atirar numa doce dona de casa, do que sentia agora de meter bala no nariz empinado daquela mimada.

Mas não viu porque continuar trocando farpas com a cadela, já havia feito sua “boa ação” do dia.

Saiu pela porta acenando com o dedo do meio e Karin revirou os olhos.

Se virou de uma vez ao sair da tensão com o idiota e encarou Sui.

Ele apenas a fitava, sério, as mãos nos bolsos da calça, como se apenas aguardasse sua resposta final. Ela achou que fosse mais fácil dar o osso que ele queria, lidar com ele sempre parecia fácil, simples, relaxante, mas também monótono.

Afinal, ele estava quase sempre bem com qualquer coisa.

Desta vez, no entanto, seu silêncio, ou teimosia, não foram o bastante, não o fizeram achar graça, nem mesmo ficar perto quando todo mundo estava longe.

*

— Então, Matsuri, certo? Nome legal. – Sasuke sempre soube que não era o melhor para lidar com gente nova e apresentações, agora se sentia bem patético.

Matsuri, por sua vez, ou fez questão de ser caridosa com ele, ou estava ainda mais nervosa do que já demonstrava, não tecendo comentário ou expressão sobre sua aparvalhada tentativa de conversar.

Era uma bonita e miúda mistura de asiáticos com latino-americanos, pele suavemente morena, olhos puxados mas belos e castanhos, era magra, o cabelo castanho curto e suavemente picotado a deixava ainda mais jovem, parecia mais uma adolescente do que uma mulher de vinte e sete anos, vários brincos e argolas ao longo da orelha e segundo Gaara, era bem fácil de se relacionar, apenas mais arisca com homens.

Então o jeito era tentar, tentar ver se Sakura não a faria se demitir da polícia em dois minutos.

— Foi coisa da minha mãe, era o nome da minha avó, meu pai odiava a minha avó, queria que eu me chamasse Lupita, mas minha mãe disse que se ele não deixasse o nome da minha avó, poderia desistir de ter filhos homens, e como fui a primeira...

Sasuke pela primeira vez sentiu menos preocupação sobre designar um novo parceiro para Sakura. Se Matsuri ou Lupita podia lidar com uma mãe daquelas, lidar com Sakura poderia ser possível pra outro humano além dele.

— E, infelizmente agora me chamo Lupita Matsuri. – Ela suspirou.

— E teve irmãos? – Matsuri riu, e confessou.

— Tenho quatro.

— Caralho, isso que eu chamo de acordo lucrativo.

— Fácil dizer, quem se fodeu foi eu.

Tá, ele gostou dela, restava saber se Sakura não a devoraria.

Olhou através da vidraça, vendo-a sentada na mesa ao telefone e relendo alguns papeis.

Achou melhor ir até a fera, antes que ela viesse.

— Okay, Lupita, vou te levar pra conhecer sua parceira, só recomendo uma distância segura, e não fazer piadas sobre o cabelo.

Matsuri estranhou, mas o seguiu logo atrás, ela era realmente baixinha e ele decidiu que os pais delas deveriam ser bem loucos mesmo de deixar sua garotinha ir parar na polícia.

Sakura enrolava o cabelo com um dedo, balançava o pé, as pernas cruzadas e cara de mimada, devia estar batendo boca com Rachel que era um outro furacão e por isso tinha rabo para bater de frente com ela por qualquer besteirinha.

— Srta. Haruno?

Sakura arqueou o cenho e bufou.

— Vai bancar o chefão gentil e decente? Te abomino, Uchiha.

— Aceite ir na festa comigo, e te chamo de cadela bem do jeito que você gosta.

Ela se levantou, cruzando os braços e sorrindo forçado. Aquele sorriso falso de quem fazia questão de soar falso.

— Se é assim. Em que posso ser útil, chefinho? – Ronronou, falsamente, claro.

Sasuke revirou os olhos, desistindo desse round, apenas.

— Tenho que te apresentar uma pessoa, essa é Matsuri, e esta, Matsuri, é Sakura, vocês serão parceiras de agora em diante.

Foi engraçado ver Sakura baixar a cabeça e observar a garota com aquele olhar de “Que porra miúda é essa?”.

— Que porrinha miúda é essa, Sasuke? Está faltando uma parte dela?

— Hey, tenha consideração, Deus não dá pernas espetaculares como as suas pra todas.

Sakura fez uma breve careta, mas por fim, estendeu a mão, agora ele temeu que ela quebrasse a menina com aquele aperto de mão bruto que ela tinha.

Matsuri, ainda estava meio congelada a encarando de cima a abaixo como se visse a melhor picanha da cidade.

Espere, geralmente era ele que encarava ela assim, até Sakura sabia porque estranhou ainda mais.

— Ca.ce.te. – Matsuri expressou, enfim. — Você é muito gostosa.

Sakura encarou Sasuke, mas ele estava boiando mais ainda.

— Eeer, valeu?

— Não, sério, não gostosa, tipo, muito gostosa, gostosa pra caralho, caramba se você tivesse aparecido uns anos atrás, tipo uns dez, eu não teria pensado tanto se gostava de meninas, eu teria decidido que amava meninas! – Tagarelou, os olhos comendo a mulher. — Ca.ra.lho! Eu vou trabalhar com tudo isso, caralhooo. Valeu Sr. Uchiha, te venero, e vou trabalhar na sua campanha pra prefeito, isto é, se for prefeito, claro. – Declarou, puxando a manga dele toda hora.

— Você gosta de meninas? – Ele indagou, muito perdido pra lembrar que não era um pergunta muito profissional a se fazer.

— Hahaha, se eu gosto de meninas? – Sakura já quis correr só de ver os olhos dela brilharem. — Hehehe, não sei mais, juro. Ei, soube que as mais velhas sabem muito mais, e muito melhor. Vamos jantar?

— Nem a pau! – Os dois cuspiram, Sakura pegou o blazer e as chaves do carro e passou reto entre eles, evitando o máximo de proximidade com Lupita e fulminando Sasuke com o olhar.

— Vou arrancar seu couro, Sasuke Uchiha.

— Você gosta de couro? – Matsuri a seguiu logo.

— Só o das minhas bolsas e mantenha distância, gnomo!

— Mas nem um vestido de couro? E cinta-liga? Caralho essas cochas em cinta-liga! Estou tremendooo! É verdade que você foi das forças especiais, pode me torturar?!

Sasuke apenas observou, sinceramente, sem palavras.

Se bem que até sobraram algumas.

— Puta que o pariu...