Killer Queen
19 Rainha Familiarizada
Notas iniciais

Se ela estava falando sério, ele devia pelo menos levar a sério também.
Mas era foda, incomodava bastante e era um pouco humilhante perceber que sentia falta do clima que os dois tinham antes. Mas Sasuke não reclamaria, Sakura estava precisando esforçar-se por si mesma agora.
Perceber o próprio valor e se querer bem.
Ela esteve tão infeliz quando chegou do rancho, que ele entendeu na pele como deveria ter sido angustiante para Kakashi assistir Obito definhar. Seu tio sofrera por não se encontrar fora da guerra, mesmo com o apoio da família, o soco em sua autoestima fora muito forte, perdera o apoio e a amizade de muitos por conta da aparência, quase ninguém entedia seu dilema, e os poucos que entendiam, não sabiam como ajuda-lo realmente.
Ver Sakura lutando para encontrar um valor humano para si mesma quando todas as pessoas importantes da sua vida, ligações de sangue e de afeto, a estavam descartando, foi torturante e sufocante.
Assistir isso foi tão chocante para ele que afetou até a si mesmo. Até mesmo ele sentira medo de passar por algo do tipo nem que minimamente. Voltou para o ninho dos pais e aspirou aquele velho ar familiar como se fosse ar puro depois de passar por uma nuvem de fumaça densa.
E de certa forma, além de respirar melhor, começava a enxergar também. Só não sabia dizer se era algo realmente válido, ou apenas ainda estava impressionado demais e por isso teorias estranhas, cenários diferentes, maquinavam em sua cabeça nas horas de sossego.
Sasuke saiu do banheiro masculino da delegacia secando as mãos num lenço de papel o qual lançou na lixeira do corredor. Assoviando, se preparou para voltar para a sala de reunião.
Era o último dia da teórica pausa que o assassino estaria dando. Até agora nada sobre um corpo foi mencionado, e Sasuke torcia para que não houvesse nenhuma quarta vítima.
Ouviu o som do sanitário feminino mais próximo da porta soar, e então Sakura saiu, meio abatida, aborrecida e esfregando o canto da boca com o pulso.
— Hey, tudo bem? – Sakura meneou a cabeça seguindo até a máquina de lanche, ele a seguiu pronto para interroga-la.
— Acho que comi algo estragado. – Ela comentou, selecionando uma garrafa de água mineral.
— Estragado? Desde quando? Andou comendo cachorro quente de novo?
Sakura era uma ditadora da boa dieta, mas tinha seu ponto fraco, não podia ver uma carroça de cachorro quente. Sabor aliás, que marcou o reencontro deles.
Ela até fazia o próprio, embora não andasse com entusiasmo para os agraciar com novos pratos. E ele havia indicado a carrocinha do Huw, ali da esquina, que era muito bom. No entanto, se ninguém nunca passou mal com o cachorro quente do Huw, havia sempre uma primeira vez.
— Não, não comi. Só salada, no almoço.
Ela andava comendo salada demais também, talvez ele fosse um carnívoro ignorante, mas incomodava-o vê-la comer só folha, não lhe parecia o suficiente para suprir toda a demanda de energia daquele baita corpão. E ela estava mais esguia também, tinha certeza.
— Hey, vocês dois, chamado em Malibu, parece que tinha um cara perseguindo uma garota! – Lee gritou para eles, saindo da sala de Kakashi, ele saiu logo atrás.
— Vamos, o que estão... Sasuke, atenção!
Sasuke girou sobre os calcanhares, catando Sakura antes que fosse ao chão. A garrafa de água rolou pelo piso e ele se abaixou com cuidado, segurando-a contra si.
Kakashi se aproximou junto de Lee e verificou o pulso dela.
— A pressão caiu. O que houve?
— Estou sabendo menos ainda.
— Certo, Lee leva ela pro hospital e você vai ver o chamado. – Sasuke o encarou, relutante, o homem bateu em seu ombro ligeiramente.
— Responsabilidade vem antes, tem uma menina precisando mais do que ela. Sakura está segura.
*
Sasuke caminhou até a ambulância observando a jovem de cerca de vinte e cinco anos encolhida dentro de uma manta, estava encharcada e trêmula, mesmo por conta do calor. Seu cabelo era castanho escuro, e tinha piercings no queixo, supercílio e uma argola fina no nariz. A maquiagem forte e borrada denunciava seu estilo mais badgirl, mas o medo estampado no olhar verde claro, evidenciava uma menina assustada.
Ele deu uma última relida na mensagem enviada por Lee, antes de guardar o celular no bolso.
— Lilliana Wolkin? – Começou, sentando-se na beirada da entrada da ambulância e mantendo uma distância que passasse segurança a ela. — Eu sou Sasuke Uchiha, investigador da delegacia de homicídios. Eu gostaria de te fazer umas perguntas, se não for muito incômodo.
Ela assentiu, abatida.
— Pode dizer o que aconteceu?
— Tinha passado a noite na casa de uma amiga, bebemos, tomamos umas coisas que não devíamos... enfim, saí quando ainda estava escuro, fui comprar cigarro. Eu só achei que ainda estava muito louca, quando pareceu que estavam me seguindo...- Ela esfregou o nariz e os olhos. — Então ele me abordou, falando um monte de coisas, e me puxando pro lado. Eu nunca tive muita paciência pra esse tipo de cara. Que chega achando que pode te tocar e exigir algo, bando de paus pequenos...
— O que ele dizia pra você?
Lilian contorceu o rosto tentando lembrar.
— Ele era muito bizarro. Digo, não feio, também não era bonito, ele só agia como um tipo de retardado, um “virjão”, sei lá. Ele ficou dizendo que meus olhos eram bonitos, que tinha que ir com ele, quase um disco arranhado. E a expressão dele era... Era... muito estranha.
— Pode descrever?
— Eu não vi muito, ele usava roupa com capuz, alto, esguio, cerca de um e oitenta, acho que o cabelo pode ser loiro ou castanho. Os olhos dele, eram muito bizarros.
— Alguma deformidade? – Ela o fitou, angustiada.
— Olhos castanhos, sempre arregalados, sempre, como se visse a coisa mais espantosa, ainda mais quando olhava pra mim. Ele nem piscava, que desgraçado bizarro! Era como aqueles drogados quando viam droga sabe? Um olhar vicioso...
Ele assentiu, atento.
— Então você o empurrou, e?
Umedecendo os lábios, ela prosseguiu.
— Achei que fosse o bastante, segui em frente, e antes de dobrar ele me puxou pelo cabelo e me jogou contra parede. Então fez isso. – Empurrou a manta mostrando marcas de dedos no pescoço e um arranhão. — Chutei as bolas dele. E corri.
— Em direção ao cais?
Lilliana assentiu, chorando.
— Ele não ia embora. Simplesmente não ia. Me escondi entre as lanchas. Mas eu o vi se aproximar. Entrei na água, fiquei embaixo das tábuas, apavorada como uma covarde, simplesmente não conseguia sair mais, não conseguia.
Ela foi encontrada quase catatônica por crianças que brincavam no cais e acharam ser um corpo. Sasuke afagou suavemente seu ombro, e se afastou indicando que já poderiam leva-la ao hospital.
Seguiu para o carro, pensativo.
O palpite de Sakura parecia bem certo agora.
Lilliana quase foi a quarta vítima, e agora não sabia se o bastardo tentaria de novo, ou se a fuga da vítima o assustaria e o faria até mesmo fugir da cidade. Precisava de mais detalhes da parte dela, mas era melhor esperar que ficasse mais calma.
*
Sasuke não demorou muito pra encontrar o quarto dela. Mas parou antes de entrar ao ouvir a risada de Sakura misturada a outra voz feminina.
Espiou e encontrou-a na cama, ainda deitada de lado quase abraçada com uma mulher alta e grávida de cerca de seis meses ou mais. Seu cabelo era curto na altura do ombro, reto e em tom vermelho escuro, quase preto até. Usava roupas caras e tinha um porte tão madame quanto a própria rainha. Que a fitava com um brilho no olhar que ele nem sabia se já havia visto mesmo.
— Oh, meu deus. – Sakura exclamou, afagando a barriga dela ainda com muita descrença. — Rachel, eu não posso crer, você grávida? Só pode estar brincando, você odiava qualquer menção a filhos!
A mulher encolheu os ombros, culpada até, mas riu no final.
— É como dizem por aí. Nunca fale “ Dessa água jamais beberei!”. Agora estou aqui, com dois...
Sakura recuou a mão.
— Dois?!
— Adoraria dizer que foi a nossa veeeelha energia de antes, maaas, fizemos fertilização. Bom, não que tenhamos perdido aquela energia, sabe?
— Eu devo ter ido parar noutra dimensão. Você grávida?! E de gêmeos. Ah, parem o mundo que eu quero desceeer. – Sakura resmungou, deitando-se. Rachel acarinhou sua cabeça com uma crua emoção positiva.
Sasuke não a conhecia do colegial, e duvidava que ela estivesse estado na Marinha, parecia ter personalidade forte, mas não apreciar quebrar a unha. Provavelmente do mesmo círculo social de Sakura.
Ele lembrou que ela não chegou a circular em sua velha nata. Talvez por constrangimento ao que Hidan fez, ou simplesmente falta de saco. Isso também a poria perto do bastardo e da nova esposa. E ela não precisava disso.
Sabia que ela havia ficado irada por lidar com ele no casamento de Liza, ou de ter que encarar a tal mulher. Fora somente o afronte e desrespeito de Delilah que a deixara no limite e a passividade de Kizashi a toda e qualquer coisa que a atingisse.
Na verdade, se ela não tivesse ficado tão abatida, teria lidado com os filhos da mãe de bom grado.
— Não sabe o quanto quis te contar quando decidimos. Só que não por carta ou e-mail. Queria ver sua reação, sabia que seria essa! – Rachel declarou. Sakura lhe de um olhar culpado.
— Oh, Ray. Desculpe, devia ter te contatado. E não sabe o quanto precisei.
— Oh, meu bem, eu sei sim. Fiquei tão furiosa com o crápula que... Ui, ele teve que provar da minha bota com ponta de ferro. – Sakura a fitou descrente.
— Chutou o Hidan naquelas botas?
— Que bom que a vadia estava grávida ou ele definitivamente não perpetuaria aquele rosto de reizinho europeu nessa vida.
Sakura a abraçou apertado.
— Como eu senti sua falta!
— Eu seeei. Temos muita coisa pra por em dia, eu vou despertar seu instinto de maternidade enquanto fazemos compras pro enxoval. Enrolei isso até onde não devia. Queria muito te achar antes, mas Hidan se vingou. Eu devia ter pego seu endereço novo antes de mandar as bolas dele direto pra garganta.
— Filho da puta! Eu troquei tudo, celular, endereço, até o de e-mail. E de advogado também, já que ele o pegou pra si. Devia ter te procurado, Rachel, mas eu estava, estava realmente cheia.
— Eu, entendo, meu bem, não faz ideia do quanto... – Rachel suspirou, o olhar cabisbaixo. Sakura se empertigou, sabendo que poucas coisas faziam a bela Rachel ficar assim.
— O que houve? Foi Marc? O que ele fez?
Rachel sorriu e fungou, desdenhosa, tratando de limpar logo os cantos dos olhos castanhos.
— Depois de vinte anos juntos, desde o colegial. Brigas sem motivo e transas em lugares públicos. Dois abortos e inseminação artificial. Ele simplesmente decidiu que não estava “pronto pra ir tão longe” comigo, Sakura. Quão... Ridículo isso é?!
— Ele te deixou? Grávida? Dos gêmeos dele? Agora é minha bota que vai afundar nele! O que-que diabos está acontecendo com esses caras?! O que casamento realmente significa pra eles?! Uma transa fixa? – Sakura rosnou alto e atirou o travesseiro na parede.
— Foi tudo lindo até a minha barriga começar a crescer. Eu acho que ele só é muito imaturo. Sempre foi um mimadinho mesmo. Lesllie está louca com a possibilidade de eu levar os netos dela pra longe. Vinte anos e a cadela nunca aprendeu que Rachel Grey nunca foge de uma briga. Vou criar os filhos dele pra todo mundo ver e saber o covarde que ele é. Se você acha que Hidan está mal, com seu desfalque. Los Angeles inteira vai ver o que eu faço com esse filho da puta.
— Hidan, tá mal é? Ando bem desinformada. – Sakura deu de ombros. Rachel sentou na beirada da cama, Sakura se afastou pra ela ficar mais confortável e ainda desacreditada que sua melhor, a amiga socialite mais impudica e libertária de LA, estava grávida de gêmeos.
Rachel e Marc eram o típico casal perfeito desde o colegial, ela a gostosona de personalidade forte, ele o bonitão do time. Casaram ainda na faculdade, e foram o casal mais estável que ela conheceu na vida. Do jeito deles, claro. Brigavam caso qualquer mulher ou homem olhasse um deles, na mesma medida em que trepavam em qualquer lugar pra fazer as pazes.
Como era uma virgem frígida no começo da relação, Sakura aprendeu muito bem a agradar um homem na cama, com Hidan. Mas a se agradar, exigir o que queria, abrir-se para todo tipo de possibilidade, explorar o próprio corpo, foi Rachel que lhe aconselhou. As duas eram unha e carne antes de ela entrar para os Navy SEAL, Rachel foi uma das poucas que não a julgava pelas costas por suas escolhas. Na unidade SEAL, Sakura passou a vir com ainda menos frequência.
Mas ela nunca iria esquecer quem foi a pessoa que viajou antes mesmo de Hidan, pra ficar com ela na base Naval, quando quase pereceu na missão que a fez perder três companheiros de uma vez, e também o baço. Baço esse, ou a falta dele, que fez vir para o hospital agora.
Acordou de um coma com ela segurando sua mão. Uma pessoa cujo sequer tinha uma ligação sanguínea ou de papel com ela.
— Ah, ele está bem mal, sim. – Rachel encarnou logo a socialite venenosa. — Você ficou com metade de tudo e ainda algumas ações. A nova esposa dele, parece bem esforçada em agradar, mas não está colando muito, então ela evita aparecer nos eventos. Não quer topar com a turma conservadora que paga o salário do pai do filho dela. Sakura, sério, foi bom Marc não ter me largado por uma vadia daquelas, a garota é uma tapada, ou se finge bem.
— Não estou interessada no perfil dela. Mas Hidan está me devendo um movimento. Então acho que nós duas vamos competir sobre quem fode mais com a vida do ex, querida. – Sakura avisou, como uma expressão fria e feroz.
Sasuke sabia, Delilah poderia ter sido a realizadora daquele circo, mas Hidan aceitou de livre vontade participar dele. E Sakura não esqueceria disso.
Rachel arregalou os olhos.
— O que é que esse filho da mãe fez? – Sakura suspirou, deitando-se.
— Depois te conto.
Sasuke resolveu se meter logo, pois sabia que ela não estava afim de se abrir tão fácil. Sem falar que acabaria havendo uma depressão conjunta se elas continuassem falando dos ex.
Bateu na porta entreaberta suavemente, anunciando a entrada.
— Opa. – Sakura se sentou e Rachel praticamente o escaneou para então cutuca-la com o braço.
— Opa, quem é ele?
— Ele pode responder. – Sakura revirou os olhos, recebendo um beliscão.
— Sasuke Uchiha, detetive. Prazer.
Apertou a mão bem cuidada dela e então fitou Sakura.
— E então?
— “E então” digo eu, ora. O que houve?
— Foi você que deu show de donzela na delegacia, ué.
— Sabe muito bem do que eu to falando, filho da...
— Mikoto Uchiha. – Rachel exclamou. — Bingo, é você mesmo, o mais novo, certo? O tal renegado?
— Uau, é assim que me chamam? Até gostei.
— Oh, falam bastante de você. Eu saio com a Izumi de vez em quando, temos algo em comum no momentooo. – Afirmou, esfregando a barriga. Ele assentiu, imaginando as duas dondocas rolicinhas batendo perna pelo shopping.
— Ah, e conheci sua mãe também. Deus que mulher maravilhosa, Sakura. Daria metade do pinto do Marc pra que Lesllie fosse uma sogra cinco por cento legal como ela.
— No momento, sei que daria todo...
— No momento, quero que os dois se fodam.
— Okay, o papo vai ser longo, volto mais tarde. – Sasuke anunciou.
— O quê? E me deixar mofando aqui? Nem pensar. – Sakura protestou, já querendo arrancar a agulha que lhe passava soro. — Eu vou é trabalhar.
— Me poupe, você está um bagaço.
— Cara de quem precisa transar. Você transou depois do divórcio, não é? Você nem é louca de ficar bancando a celibatária.
— Agora não, Ray. – Sakura bufou.
— Você está bancando a celibatária. Droga. Me dê dois minutos e te arranjo um encontro quente essa noite mesmo. Lembra do Denny? Está divorciado tambééém.
— Denny tem uma penca de filhos, Rachel. E que diabos deu nele pra se separar?
— Foi Amy que o deixou, menina você precisa ir comigo ás compras. E sobre os pentelhos, eu disse pra você transar com o pai deles, e não pra virar a mãe deles.
— Mesmo assim, eu dispenso. Quero ir trabalhar, chama o médico, Sasuke? Tô de saco cheio desse lugar.
— Você ao menos pode sair? Que diabos houve?
— Vocês estão trabalhando juntos? Mas você é policial... Sakura Haruno, você não para mesmo, não é?! – Rachel protestou, Sakura encolheu os ombros com um sorrisinho culpado. — Sua filha da mãe, porque diabos está fazendo isso? E a grana que pegou? Não era pra estar nadando no dinheiro e com um conversível cheio de gogoboys?!
Sakura revirou os olhos.
— Sabe que nunca foi muito a minha praia. É um trabalho legalzinho, okay? E muito seguro.
— Seguro porra nenhuma. Acha que não leio o jornal? Essa cidade está um caos. – Ela encarou Sasuke. — Sem ofensa, tenho certeza que faz um ótimo trabalho.
Ele riu.
*
— Ela parece bem legal. – Sasuke comentou. Sakura suspirou, relaxando contra o banco.
— Ela é sim.
— Tão dondoca quanto você. Parecem irmãs.
— Humpf. Então, pra onde vamos? Realmente tem um corpo novo? – Sasuke negou, com alívio.
— Ela conseguiu fugir dele, está assustada mas pode nos dar um retrato falado. Ah, com certeza é o nosso cara, e parabéns. Sua teoria estava correta.
Sakura o fitou de lado, o olhar estreito.
— Lilliana tinha belos olhos verdes. E ele a abordou falando disso. O caso agora foi exposto intitulado de “Caso Green Eyes”.
— Puta merda.
— Esperamos que o depoimento da moça nos ajude a chegar ao menos onde ele geralmente age. Tem um raio de trinta e seis quilômetros entre as residências das vítimas e lugares onde frequentavam. Não dá pra precisar como ele as procura ou se simplesmente aborda o primeiro par de olhos que encontra pela frente.
— Filho da puta repugnante.
— E você. O que houve? – Sakura bufou, aborrecida.
— Foi o meu baço, ou a falta dele. Minha imunidade é inevitavelmente baixa por conta disso. Tenho que tomar vacinas e comer direito. Foi o que o médico disse.
— Okay. Dando trabalho que nem criança de novo. – Ela socou seu ombro.
— Vai se foder, malandro.
— Não sei como consegue adoecer. Só tem comido salada, daqui a pouco achei que faria fotossíntese também.
— Tu é chato pra caralho. Já é a idade chegando?
— Agora vai se foder você!
Sakura riu com vontade. E mau humorado, ele deu partida e seguiu para um restaurante onde pudesse enfiar comida de verdade na goela dela.
A divulgação de um retrato parcial junto com a revelação do caso Green Eyes, deixou a cidade em polvorosa, gente especulando todo tipo de coisa e várias denúncias anônimas de possíveis outros casos ou pistas do assassino.
Eles conseguiram, no decorrer da semana, pelo menos três suspeitos que batiam com as características, um apenas, fora descartado por não ser caucasiano como Lillian descrevera, mas todos tinham o mesmo tipo de jaqueta que o assassino usava quando foi flagrado no vídeo abordando Shonda.
Dois deles tinham álibis sobre suas reais localizações durante a morte de Shonda e o ataque a Lillian. Agora esperavam o resultado do DNA que diria se o material sob as unhas das garotas mortas e até um fio de cabelo bateria com o de um deles.
Sasuke esperava seriamente que sim, o caso estava repercutindo bastante e a pressão pública aumentou. Além de que toda hora um vizinho batia em sua porta querendo informações. Alguns apenas preocupados com a família, alguns apenas pra encher o saco mesmo.
Ele despertou, no sábado, com um sabor meio agridoce na boca. Nunca se importara muito com aniversários, a não ser quando sabia que ganharia algo legal.
Lembrava do de cinco anos onde ganhou uma espada de Jedi muito bacana, do de dezesseis quando ganhou o primeiro carro, um conversível preto que foi sua passagem para o mundo do sexo naquele ano, (muitos achavam que ele era precoce, o tipo que engravida garotas aos doze anos, era engraçado pois ele se iniciara tão na idade quanto quaisquer outros garotos).
Aos vinte dois, ganhou um ménage com duas francesas estudantes de intercambio, e aos vinte e cinco, já trabalhando como policial de ronda, ganhou aquela casa do avô, aos trinta e dois conseguiu se tornar investigador, como almejara, e embora não tenha acontecido exatamente na data de aniversário, foi o melhor presente até então.
Ele não poderia querer mais nada desde então.
Estava realizado.
Agora tinha quarenta anos, não sabia bem o que comemorar sobre isso. Não achava que havia mudado muito, embora sua percepção de certas coisas tivesse sido drasticamente modificada, ainda se sentia o mesmo cara solteirão, viciado em trabalho, rabugento e galinha de sempre.
Não era o grande orgulho da família, mas estava bem com eles. As mulheres ainda eram abundantes, embora ele que andasse sem muito tempo ou disposição para tal. Talvez outros já associassem isso a sua idade, mas para ele não era incomum ficar um par de meses sem sexo, ás vezes o trabalho simplesmente o sufocava e ele dava prioridade a este com boa vontade.
Desligou o despertador e por fim se levantou, aborrecido e com preguiça, olhou a hora e tentou decidir se comeria agora ou quando chegasse ao bendito Brunch que sua mãe implorou para fazer, uma comida farta no jardim, que ele sabia bem que estava mais pra uma festa de aniversário para toda a sociedade ficar deslumbrada.
Desceu as escadas percebendo o silêncio de quem estava aproveitando as horas a mais pra dormir, abafadamente ouviu Gibson e Augustine implicando com o garoto do jornal, lá fora.
Adentrou a cozinha absorvendo o cheiro de café forte e deparando-se com as belas pernas de Sakura, cruzadas sobre o balcão.
Certo, ele podia imaginar algo legal pra se fazer nesse dia. Se ele estava no “berço” hoje, adoraria brincar com ela lá dentro.
Sakura vestia, aparentemente, só uma camisa social, com as mangas dobradas até os cotovelos, segurava uma xícara graúda com café, e segurava um jornal, com a cabeça inclinada contra o ombro, segurava o telefone perto do ouvido.
Parecia tão trivial, mas ele ainda ficou meio desconcertado com a familiaridade nisso. Nunca havia reparado nas garotas, talvez só em Ino andando por aí com o traseiro em fio dental, mas nada tão casual ou natural como essa visão.
Sakura o notou parado na porta, e um sorriso de lado se ascendeu.
— Aham, posso garantir sim, inclusive ele já está, hum, muito bem acordado, até. Quer falar com ele?
— Com quem está falando? – Ele indagou. Sakura descruzou as pernas, e as afastou, com uma piscada, foi o bastante para ele querer se intrometer entre suas coxas. E foi o que fez. Ela o empurrou a xícara e se inclinou para trás, apoiando-se no mármore com uma mão, e segurando o telefone com a outra.
Nada melhor que tomar café quente, entre coxas quentes, ele pensou.
— Claro que sim, não foi nenhum incômodo. Obrigada, a senhora também. Obrigada, até mais.
— Quem é? – Ele indagou, apertando seu joelho suavemente. Sakura deixou o telefone desligado de lado e deu de ombros.
— Sua mãe.
E o café fez o caminho inverso em sua garganta. Sasuke tossiu, sentindo o ardor.
— Minha-que-mãe? Que diabos ela queria?!
— Ela te ligou no celular, mas você não atendeu, então ligou para a casa e eu atendi. Ela só queria ter certeza que você não estava fugindo pra Las Vegas em vez de ir pra festinha que ela vai fazer pra você.
— Agora, eu estou pensando em fazer isso. Droga, ela disse que seria só um brunch.
— Ah, jura? Só isso? Então não preciso ficar decepcionada por não poder mais dirigir sua festinha? – Sakura ronronou, falsamente magoada. Sasuke adorava quando ela fazia biquinho, porque não tinha absolutamente nada de inocente nisso. Aproximou o rosto relembrando a última vez que vira aquela boquinha cínica e dissimulada, quando ela resmungou por ele não deixa-la o chupar por mais tempo.
— Eu não perderia essa festa por nada. – Sakura teve que rir. — Inclusive acho que o aniversariante deveria pagar pela honra de ter uma belezoca como você fazendo tudo isso de tão bom grado.
— Oh, jura?
— Aham. – Mordiscou seu lábio suavemente e ela suspirou devolvendo um chupão delicado, porém instigante. — Acho que vou falar com ele. Tenho certeza que vai concordar em te recompensar muito bem, no quarto dele, mais tarde depois da festa.
— Que gentil da sua parte, não faz ideia do quanto eu ficaria grata por isso. – Sakura o beijou, ele podia ouvir os passos pesados dos outros inquilinos descendo as escadas e só queria aproveitar a boa vontade dela e a abertura que finalmente estava dando (não só naquele sentido, apesar de também ser bom).
Sakura beijou seu maxilar por último antes de se virar e descer do balcão.
— Vai ser ótimo ter essa oportunidade. E assim entregar meu presente pro aniversariante de forma mais, hmmm, intimista.
Ela avisou, antes de abrir o fogão e se inclinar para pegar a forma dentro dele. Sasuke torceu para que isso fosse um sinal.
— Fala, aniversariante! – Suigetsu exclamou ao invadir a cozinha. — Meu lobão! Como está se sentindo, hein?! – O abraçou rapidamente e Sasuke revirou os olhos aceitando uma caixinha e um cartãozinho de aniversário bem mixuruca.
— Apenas mais aborrecido com sua voz logo pela manhã. – Implicou, Sui fez cara feia mas estava mais interessado na forma cheia de cockies que Sakura acabara de despejar numa tigela graúda, que ainda soltava vapor e cujas gotinhas de chocolate amargo brilhavam na massa que prometia ser crocante.
Puta merda, péssimo dia para ir comer na casa da mãe. Sua adorável Mikoto tinha um ciúme doentio do estomago dos filhos e marido. Sasuke tinha a desconfiança de que ela lamentou mais pela saída dele de casa por não por mais alimenta-lo até passar mal, além ter ciúme de qualquer mulher que cozinhasse pra ele.
Quando citou que tinha uma nova inquilina, e que só ela poderia ser a responsável pelos imaginários quilinhos a mais e rubor que sua mãe dizia que ele obteve nos últimos tempos, foi quase um momento de pânico, para impedir que ela enfiasse na cabeça de vir até sua casa, inspecionar por ela mesma a sua dieta.
Outro probleminha que ele sempre evitava, adorava a sua mãe mas preferia manter sua casa de solteirões imaculada de sua excessiva candura e refino. Ela sempre tinha algo pra reclamar e tentar mexer. Louca pra deixar tudo mais receptivo a uma possível namorada/noiva/esposa, e o pior, netos.
Agora, se entupir de cockies da gostosa, ou passar vontade logo no dia do aniversário para não correr o risco de estar estufado demais para ser atacado pelas comidinhas da mãe?
— Feliz aniversáriooo! – Ino pulou em suas costas, e ele sentiu até uma pontada na coluna. — Vou entregar seu presente depooois!
— Você quer é beber primeiro. – Ele rebateu, Ino não negou, e foi se sentar, reclamou dos cockies e de como eles tentavam contra sua cintura de vespa. E Sakura apenas enfiou um na boca dela.
Okay, ele comeria só um ou dois, com um bom café, nada mais que o adequado pra iniciar o dia bem.
*
— Eu disse que você comeu demais. – Sakura deu de ombros enquanto penteava o cabelo. Ele a fulminou com o olhar. Esta filha da puta que parecia fazer cockies com o sabor da própria boceta, de tão viciosos, e ainda tirava com a cara dele.
— Vaca. É bom estar sem calcinha. – Sakura deixou o pente sobre a penteadeira e se levantou, alisando tecido do vestido, enquanto se mirava no espelho.
— Qual o seu problema com calcinhas? Te forçaram a vestir uma quando era pirralho?
— Engraçadinha.
— Não me parece muito adequado para visitar sua mamãe, deixe-a pensar que ao menos uma vez você não vai levar uma piranha pros eventos de família.
— Primeiramente, eu fiz o convite, então eu deveria decidir o que vai e o que não vai nesse corpo, sem falar que é meu aniversário! E segundamente, eu nunca levo garotas aos eventos de família, no máximo, levava uma amiga aos da empresa.
— Você tem tanto medo assim de te casarem?
— Casamento? Pego minha lista de sexo casual e vou embora!
— Ridículo. – Ela revirou os olhos e se aproximou da cama, pegando um par de brincos na caixinha sobre ela. Sasuke observou seu vestido, um modelo simples de um verde primaveril, alças finas, decote modesto, e flores delicadamente pequenas bordadas em tom roxo por todo o tecido, uma faixa de seda passava abaixo do busto e formava um laço simples. Ele pensou que ela parecia o tipo perfeito para se apresentar pra mamãe mesmo.
E riu quando lembrava a deusa de pecado que havia embaixo da pele de cordeiro, Sakura era definitivamente um naco de pecado capaz de macular qualquer pobre ser provido de pênis.
Ela o fitou indagando ocularmente do que ele ria, mas Sasuke apenas pegou o par de scarpins brancos ao lado e ofereceu a ela.
Provavelmente havia a convidado para ir apenas por curiosidade de vê-la interagindo com sua família, uma experiência tal como a do aniversário de Boruto. Sua família passava uma primeira impressão sempre muito fechada, e realmente eram mais intimistas que a maioria das famílias ricas da cidade, sempre fora de escândalos, ou evitando holofotes fora dos ambientes mais formais. Mas uma vez dentre eles, havia apenas calor e muita demonstração de afeto, principalmente por atos.
Ainda achava que Sakura merecia pais como os dele, que te sufocavam de atenção, e se derretiam de orgulho por qualquer besteirinha que fizesse.
Ela calçou os sapatos e foi pegar a bolsa no closet. Ele se levantou da cama e ajeitou a camisa branca que vestia e a nova jaqueta de couro que ganhou de Juugo. Este cara era o tipo modesto consigo mesmo, mas que fazia questão de dar os melhores presentes.
— Vamos lá, badboy? – Sakura chamou, já seguindo para a porta com um elegante chapéu de sol verde na cabeça.
— Sem calcinha? – Ele insistiu, ela o fitou de lado e piscou com os olhos verdes perigosamente quentes antes de sair.
— Quem sabe mais tarde?
Puta merda, ela foderia os miolos dele antes que ele sequer chegasse perto de ter esse presente.
Seguiu-a pelas escadas, Sakura lamentou deixar Augustine em casa e ele decidiu que ainda não era hora de sua mãe saber que tinha adotado um cão. Era capaz de ela dizer que ele não tinha idade pra ter um.
Talvez aos sessenta ele dissesse casualmente que vivia com dois animais (três, se ainda contasse com Sai).
Gibson era bem treinado e educado (tirando a pequena compulsão sexual) mas ainda era um pastor enorme e intimidante. Augustine era adorável, porém não muito disciplinada, obedecia Sakura melhor, e tinha lá suas TPMs caninas também.
— Não esqueça que temos de voltar cedo, comprar as bebidas e o material do bolo. – Sakura avisou.
— Uau, vai ter bolo? Posso escolher o recheio? – Ela riu ao entrar no carro e piscou.
— Vai gostar dessa surpresa também, malandro.
— Okay...
*
— Uau, que casarão, malandro.
— Eu sei, eu sei, aposto que agora quer casar comigo. – Ele zombou, ela piscou e apertou sua cocha como uma safada.
— Me conhece tão bem. – Provocou, ele revirou os olhos e os dois riram atoa.
A casa dos Uchiha era uma mansão em Bel-Air, discreta e aconchegante, protegida entre altas colinas, muros e árvores, eles não eram estrelas de cinema, mas a boa conta bancária exigia segurança.
Sua mãe era o tipo romântica incurável, a casa a refletia em estilo neoclássico, branca e cercada de gramado e canteiros bem planejados com suas adoradas flores coloridas.
Um chafariz com uma dupla de anjinhos ficava bem em frente a entrada, rodeado de calçada, Sasuke parou o carro por ali mesmo, sabendo que a área destinada ao estacionamento das visitas deveria estar bem cheia, bem como já haviam vários carros na rua, ás vezes precisava sair com pressa.
Saiu do carro olhando em volta até com certa desconfiança, contornou e abriu a porta para Sakura, que saiu ainda retocando a maquiagem. Ela olhou em volta bastante impressionada embora visitar mansões não lhe fosse exatamente novidade. Afinal, era ex mulher de um corretor de imóveis de alto padrão.
Era provável que fosse reconhecer mais convidados que ele próprio.
— Vamos lá? Eu te levaria pra conhecer a casa por dentro primeiro, mas quero mesmo é te levar pro meu antigo quarto.
— Deus me livre entrar num antro adolescente, ainda mais seu, aquilo deve exalar fedor de meia e cueca suja, poeira e punheta a quilômetros de distância.
— Hey, eu era um aborrecente bem limpinho, exceto por umas revistas playboy velhas... mas né? São fases da vida...
Sakura fez careta de nojo enquanto contornavam a casa, logo ele ouviu as vozes dos convidados, perto da piscina, haviam mesas e aparadores repletos de comida, garçons serviam bebidas e sucos e haviam até alguns balões azuis e cinzas, ela segurou a vontade de gargalhar enquanto ele suspirava.
Claro que a bandida não perderia a chance de zua-lo.
— Será que você vai ter um bolo do Pokemon? – Ela alfinetou e ele beliscou seu traseiro sem dó. — Filho da pu...
— Sasuke! Bebê! – Mikoto exclamou vindo até eles, o abraçou com força quase se pendurando no pescoço dele, ela era baixinha quem nem Ino. — Oh, você veio, benzinho.
— Claro que eu vim mãe, baixa o volume, principalmente na parte do “bebê”, pelo amor...- Ele abraçou-a e afagou seu longo cabelo escuro. — Como se eu fosse deixar minha Miss na mão, e dispensar a comida.
Ela se afastou o fitando afiada e brincalhona, enquanto apertava sua bochecha ligeiramente.
— Ah, então é só pela comida? Até parece, ou nunca teria saído de casa.
— Espera, não vai nem esperar os convidados ficarem bêbados? Ou já bebeu um pouquinho dona Mikoto?
— Own, cuidado com essa boquinha ou perde esses lindos dentes que eu lutei tanto pra manter sem cáries, aliás, tem ido ao dentista direitinho? Não é só porque não come muito doce que está livre de cáries, benzinho.
— Meus dentes estão ótimos e minha língua também, juro.
Ela era adoravelmente assustadora quando queria.
— Own, feliz aniversário, meu amor. – Abraçou de novo.
Adorável.
— Agora pare de me enrolar, já se atrasou mais do que devia, peste.
Assustadora.
— Okay...
Oh, espere, era nessa hora que ele deveria usar Sakura pra escapar de outra sessão de afagos e distrair os convidados. Foi meio que pra isso que trouxe ela...
Parou e olhou em volta procurando-a, e Mikoto o fitou, interrogativa.
— Espere, querida, preciso te apresentar alguém...
— Hum? Quem? Oh, trouxe amiguinhos?
Sua mãe não desistia de usar “inhos” mesmo, nem se ele fizesse sessenta.
— É sim, uma mulher, onde aquela filha de uma... Ah, já esperava.
Encontrou a diaba colada ao pé de uma mesa com bandejas repletas de pequenos cachorros quentes tão gourmet quanto os peitinhos dela e bufou, acenando pra ela vir, Sakura enfiou um pãozinho com uma mini salsicha todo na boca de uma vez (nada impressionante, ela era boa em abocanhar coisas bem maiores...) e por fim veio arrumando o vestido e a carteira embaixo do braço. Ela já tinha engolido tudo quando chegou até eles e sorriu como uma lady, nem parecia o sem teto esfomeado de segundos atrás.
— Desculpe, eu me distraí. – Gracejou, ele revirou os olhos e empurrou um farelo de pão de seu queixo.
— Perceptível...- Sakura enrubesceu com o deslize, e ele se voltou para a mãe que a fitava com os grandes olhos pretos ainda mais abertos. — Então, mãe, essa é a Sakura, ela é minha nova parceira de trabalho, e também o meu carma.
— Parceira? Carma? – Mikoto piscou muito atordoada como se tivesse esperado outra coisa.
— Que fofo ele é! Nem parece que é ele, não é? – Sakura estendeu a mão. — Prazer, Sakura, Sakura Haruno.
— O-oh, sim? Digo, prazer, Mikoto, você é encantadora, querida, encantadora. É mesmo policial?!
— Isso aí? Mãe é ela é uma monstra, pode ter certeza. – Sasuke riu. Sakura não fez caso e ele ainda recebeu uma daquelas olhadas feias maternais.
— Eu sou ex Marinha e forças especiais, então estou bem acostumada com o trampo em alguns aspectos. – Ela prosseguiu, gentilmente.
— Marinha? Que... legal? – Mikoto não sabia bem como colocar.
Sasuke já esperava o choque dela, sua mãe era o resumo da feminilidade como a sociedade propunha, bela, maternal, generosa, sempre associada a coisas caseiras e os trabalhos que desempenhou na vida sempre todos de esferas femininas, modelo, atriz, mãe e etc.
Sakura era o tipo que fugia bastante ao padrão, embora não fosse um tipo anti feminino, afinal ainda fora uma boa esposa até onde teve um bom esposo, e uma boa filha, não se opunha a ser uma boa cozinheira, conselheira e nem a usar saltos caros e da moda.
O preocupava mais era a receptividade da sua família a uma pessoa ligada ao governo, seja Marinha ou exército. Ele e Itachi eram muito novos, mas a experiência com seu tio Obito marcou profundamente as mentes de seus familiares, eles tinham suas ideias pré-concebidas, e medo de ver alguém tomar tal caminho de novo.
Talvez fosse mais fácil se Sakura realmente não tivesse quase se tornado um Obito. E ás vezes ainda parecia que se tornaria...
Porra, ela estava indo bem, era isso que importava.
— Sakura está fora no momento, e resolveu contribuir com a experiência dela no trabalho. – Esclareceu.
— Oh, que audacioso, gosta de tentar novas coisas?
— Algo assim. – Sakura sorriu. — Ah, e bela casa, adorei suas janelas, são um toque especial, sem dúvidas. – Elogiou.
Mikoto, de primeira, perdeu toda relutância, seus olhos brilharam e Sasuke quase sacudiu aquela sem vergonha e interrogou sobre como diabos ela sabia que falar das janelas era ganhar um espaço no coração de sua mãe.
Se tinha uma coisa que ela amava eram aquelas benditas janelas, e ele nem sabia porquê, para ele não fediam nem cheiravam.
— Acha mesmo? São magníficas não?!
— São lindas, se minha antiga casa não fosse um apartamento... Mas me consola que Sasuke ao menos deixou eu trocar aquelas malditas cortinas da casa dele...
— Qual o diabo do problema com as malditas cortinas? – Até hoje ele não entedia, eram só cortinas, caralho.
Sakura apertou seu queixo com um olhar zombeteiro.
— É por isso que fez bem em deixar eu me livrar daquelas coisas.
— Você se livrou das cortinas? Conseguiu se livrar das cortinas?! – Mikoto exclamou.
— As novas estão bem melhores. – Sakura deu de ombros.
— Querida venha aqui, tenho que te apresentar pra famíliaaa.
— Hum? Tudo bem. – Ela aceitou acompanhar a mulher. Sasuke não sentiu uma sensação muito reconfortante, ao ver essas duas peças juntas, mas aproveitou para ir cumprimentar os convidados a seu modo e pegar uma cerveja, claro.
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