Killer Queen

1 Rainha Explosiva


Notas iniciais
Yooooooooooo!

Los Angeles, sete e vinte e cinco da manhã.

Era uma vez

Não muito tempo atrás

Tommy costumava trabalhar nas docas

O sindicato está fazendo greve

Ele está com pouca sorte... é difícil, tão difícil...

(...)

( Livin' On A Prayer — Bon Jovi)

As manhãs costumavam ser menos agitadas, Sasuke Uchiha relembrou, com uma pontada de saudade, quando descia as escadas de sua casa.

Um casarão com oito quartos, vários banheiros, sala de TV, de jogos, e outras coisas triviais demais para um único cara utilizar durante a vida.

Ser neto de um dos maiores empreiteiros da cidade rendia esses excessos que ele deixara de fazer questão fazia tempo.

Ele queria e fazia questão de se manter por si mesmo, mas fora difícil pensar em vender aquela maravilha de casa, então resolveu o problema, indo pela alternativa mais barata e mais inconveniente: Arranjou gente para manter a casa com ele, alugando alguns quartos.

Atualmente haviam três vagos, mas ele não estava fazendo questão de preencher posto que o que recebia dos atuais inquilinos dava para manter as contas em dia.

Uma pena não poder manter o silêncio.

Fez uma careta quando desceu as escadas, não ficando surpreso de ver Suigetsu balançando o traseiro enquanto fazia ovos mexidos, a bela bancada de granito estava cheia de sujeira como trigo, cascas de ovo, leite e cereal.

Na mesa redonda de oito cadeiras que ficava numa sala conectada, Juugo lia o jornal, e usava o computador. Na outra cadeira, Ino Yamanaka lixava as unhas enquanto assistia algum vídeo de autopsia bizarro.

Estes três colegas de trabalho foram os primeiros que ele trouxe, e que o faziam viver entre o alívio e o arrependimento. Menos Juugo, claro.

Sasuke entrou na cozinha desviando da sujeira, pelo chão até alcançar a bancada com o rádio e abaixar o volume.

— Chegou o todo mal-humorado. – Suigetsu indicou, sem se dar ao trabalho de se virar e verificar.

— A música não me deixa mais mal-humorado que te ver de samba canção na minha cozinha, Hozuki – Rebateu, indo se sentar. — Ou mais que a minha cozinha parecendo um chiqueiro.

— Eu vou arrumar, certo?

— Claro que vai. Isso é incontestável. – Sui fez uma careta, enquanto colocava os ovos numa travessa e quebrava mais alguns para outra rodada.

— Eu vou trazer uma garota aqui hoje, e ela não precisa saber que vivo com uns caras porcos, sabe? – Comentou, brincalhão.

— Claro, claro. – Sasuke disse, se servindo de café forte.

— E nem com uns vovozinhos, então posso saber se você e o Salsichão aí não vão ter um encontro ou sei lá, ir jogar bingo? Adoraria ter mais privacidade.

— Não, obrigado. – Juugo declarou, para uma careta do mais novo.

Suigetsu tinha vinte e nove anos, o que era bastante para ele se sentir como um bebê entre Sasuke e Juugo, de quarenta e quarenta e cinco anos, respectivamente.

— Fala sério, salsichão. – Ele suplicou logo.

Sasuke riu, jogando um pouco daqueles ovos tenebrosos no prato, e umas torradas tostadas, foi se sentar na mesa novamente.

— Eu também estou ótimo do jeito que estou, sem programa pra noite.

— Porra, Sasuke! Vai transar com a Karin, sei lá. Só sai daqui, tá?

— Esqueceu que a casa é minha?

— O aluguel alto não deixa esquecer!

— Se é tão alto, esteja livre para ir, e ainda vai ter seu lugar com sua garota.

— Ditador. – Ino comentou, rindo um pouco. — Aviso que também não pretendo sair, e nem ficar ouvindo seus ruídos, então é bom manter a boquinha calada já que sabemos que a garota não vai ter porque gritar. – Provocou, os três gargalharam e Sui meneou a cabeça.

— Ainda ponho veneno na comida de vocês e os enterro no porão.

— E onde está Karin? – Juugo indagou. — Ela não dormiu com você?

Sasuke suspirou, lembrando da voluptuosa e enérgica prima de seu melhor amigo, Naruto Uzumaki.

Karin tinha vinte e sete anos, mas ele começava a perceber que a idade afetava sim, a dinâmica entre os dois, e que talvez, este lance que estivessem mantendo, não fosse o melhor.

Ela era tudo o que um cara iria querer na cama, ainda mais um como ele. Nova, mas não virginal, experiente, mas não louca dos fetiches, cheia de vida, em se tratando de fora da cama, uma companhia que você nunca cansava de ter, ao menos não quando era tão dramática e tendia a ser muito birrenta ainda.

Deveria esperar isso vindo dela mesmo que a primeira impressão fosse outra, considerando que era parente de Naruto, ele babava seus parentes até demais. E em especial, Karin era como sua irmãzinha mais nova.

Noite passada, os dois haviam saído do trabalho mais cedo, ele só queria um sexo relaxante e um sono relaxante, ela queria ir para um dos bares mais agitados da cidade, beber, dançar, xingar alguns colegas de trabalho e o chefe, voltar de madrugada e acordar com uma boa ressaca.

Ele também gostava, gostava até mais do que se achava correto para sua idade, mas as vezes, e ainda quando estava trabalhando num caso difícil, ele era apenas um quarentão que queria ficar em casa mofando e pensando na vida.

Karin concordou com ele mesmo contrariada, vieram para casa, transaram, mas de manhã ela reascendeu a discussão, e seu mal-humor matinal, a mandou parar de ser mimada.

Então ela saiu batendo a porta antes mesmo que todos acordassem.

— Karin está sendo Karin em algum lugar que não é aqui.

— Ihhh, a bebêzinha ruiva fez caso de novo? – Ino disse, mordiscado um pedaço de ovo.

— Quem diabos é você para chama-la de bebê? – Ele indagou, ela deu ombros, cheia de si, mesmo sendo só um ano mais velha.

— Você não me vê pulando na cama dos coroas, vê?

— Nós já transamos. – Sasuke revirou os olhos e ela deu de ombros.

— Eu era novata e queria transar com um coroa gostosão, teria sido você, Juugo ou Kakashi, então não é grande coisa.

— Whoah. – Suigetsu riu.

— Fico lisonjeado. – Juugo disse, bem-humorado, e se levantando.

— Sorte sua que eu não conheço seus pais. – Sasuke apontou, fingindo ameaça, ela fez pouco caso, se erguendo da cadeira e correndo para as escadas, usando apenas uma fodida calcinha fio dental, e uma camisa cortada na altura da barriga.

Tanto ele quanto Sui ficaram observando o hipnotizante balançar de seu traseiro a cada degrau.

Sasuke suspirou, e apenas agradeceu já ter tirando sua parte da comida, agora que Sui estava coçando o problema de meia-bomba dentro de suas calçolas enquanto cozinhava.

֍

Sasuke adentrou a delegacia de Homicídios de Los Angeles, o cheiro de café e rosquinhas enchia o ar, e geralmente era enjoativo, mas pelo menos nos últimos dias, seu bom humor em relação ao trabalho estava especialmente maior e mais flexível.

Cumprimentou alguns policiais e seguiu para a própria mesa, sentando-se diante de uma pequena pilha de relatórios, jogou as pernas sobre a madeira e pegou uma pasta, abrindo e passando os olhos.

— Uchiha?! – Kakashi chamou, já da porta de seu escritório. — Aqui.

Sasuke suspirou, deixando o relatório de lado e se levantando, adentrou o escritório e ocupou uma das cadeiras desconfortáveis em frente e mesa. Kakashi fechou a porta e se voltou para ele.

— Bom fim de semana?

— Na medida do possível. – Sasuke devolveu, já desconfiado.

Kakashi geralmente era mais direto.

— Algo ruim aconteceu?

— Estou com a sensação de que vai acontecer agora. – Rebateu, impaciente, Kakashi suspirou, se aproximando da mesa, sentando na beira perto dele.

— É sobre o Sai. – Sasuke bufou em seguida, ainda mais aborrecido e incomodado com aquela cadeira.

Sai era seu parceiro, o tipo de parceiro que você não se importaria muito de deixar levar um tiro. O moleque era irritante, sem noção, implicante, e achava que sabia alguma coisa de um trabalho que Sasuke fazia desde que ele ainda usava chupeta.

Na última investigação que os dois fizeram juntos, as coisas saíram ainda mais do rumo e ambos foram tirados do caso como punição.

— O que a boneca quer agora?

— Sasuke, Sasuke... Conseguiu o que queria, satisfeito? – Sasuke lhe mandou um olhar irritado.

— O que eu queria? Hã? É isso mesmo? Está pondo a culpa em mim?

— Estou pondo a culpa nos dois, tenha certeza que terei a mesma conversa com o Sai.

— Humpf.

— A partir de hoje ele não é mais seu parceiro, oficialmente, posto que sei que não fazem nada juntos tem duas semanas.

— Posso começar a dançar? – Sasuke desdenhou, não gostava do cara, mas era profissional o bastante para atura-lo na hora do trabalho, e não teria trabalhado com Sai metade do ano que trabalhou se realmente fosse incapaz de aguentar tanta idiotice.

Havia chegado ao limite.

— Dance depois que conseguir se alinhar e trabalhar bem com seu próximo parceiro, é isso que realmente me interessa.

— Tanto faz, quem vai ser? Porque não me põe com Naruto? Ele já voltou da licença, erámos muito melhores juntos.

— Você disse que ele é um idiota também. – Kakashi rebateu, aborrecido. Sasuke encolheu os ombros, sem se importar muito.

— Um idiota que eu estava acostumado, ao menos ele me obedecia.

— Eis a questão, Sasuke, você quer ser obedecido, e não trabalhar em conjunto, quer mandar? Vire delegado!

— Está me oferecendo seu cargo?

— Estarei oferecendo demissão se não ir bem com esse parceiro, entendeu?

— Ah, porra, Kakashi.

— Três parceiros em menos de três anos, cara. O departamento não é uma fonte de investigadores, consegui trazer mais dois e um já está trabalhando.

— Me ponha com ele.

— É o novo parceiro do Sai...

— Fodido.

— Uchiha... Seu novo parceiro deve estar para chegar, ela vem de longe, pode ser difícil de lidar, mas é casca grossa, pelo o que ouvi. – O delegado comentou, puxando uma pasta de sobre a mesa e jogando para Sasuke. — Deve ser o bastante pra lidar com você.

Sasuke abriu e folheou rapidamente, com o cenho franzido.

— Ela? Como assim? Forças especiais?

Kakashi não lhe respondeu, soaram batidas fortes na porta e o policial Lee abriu a porta, já arquejando.

— Estão assaltando o banco!

֍

Sasuke saiu do carro, ajustando o colete a prova de balas contra o tórax e a arma no coldre.

— Situação? – Questionou, ao policial mais perto.

— Quatro elementos, querem um helicóptero ou ameaçam matar os reféns.

— Quantos são?

— Uns trinta, e um dos guardas foi ferido gravemente.

Sasuke seguiu até a barricada formada por carros em torno do Banco municipal, além do vidro das portas giratórias podia ver um dos bandidos usando uma máscara de palhaço segurando uma submetralhadora e uma refém pelos cabelos.

— Manda a equipe tática vir... – Suspirou.

O policial assentiu, indo comunicar ao rádio da polícia.

֍

— Quanto é?

— Tudo dá em vinte três e quarenta. – O dono da carrocinha disse, um pouco afoito, esta não era bem uma boa hora para atender, estavam assaltando o banco do outro lado da rua, e ele já teria se ido se não fosse tão difícil manobrar o carrinho numa calçada cheia de gente fugindo, agora, que estava livre, aparecia um cliente querendo levar dezenas de cachorros quentes para alguma festinha.

Ela suspirou, enfadada, embora tivesse uma composição alta e atraente, parecia envelhecida além do que já devia ser, pelo cansaço, olheiras marcavam abaixo dos olhos verdes aborrecidos e sonolentos, o cabelo rosa estava arrepiado, e opaco, bem com sua pele estava pálida, usava uma calça jeans escura barra larga, e botas sujas que não pareciam casar com o resto (e ele nem achava entender de moda,) uma blusa social branca e amassada por baixo de um colete escuro com um botão faltando.

— Essa merda tá cara assim? – Comentou, puxando a carteira, tirou umas notas amassadas e deu a ele, pegou a sacola e atravessou a rua.

Então, simplesmente passou pela barricada e adentrou o banco.

֍

— Quero atiradores aqui, ali. – Sasuke apontou, para os prédios em frente.

— Alguém entrou! – Gritaram e ele se virou de uma vez.

— É o que?

— Uma mulher entrou!

— Que diabos...?! Quem entrou?!

— Não tenho certeza, mas acho que é sua parceira. – Lee disse, afoito.

— Quê?

Como diabos sabiam quem era a parceira dele? Ele sequer havia lido o nome da criatura, quanto mais visto uma foto.

— O que vai fazer, senhor?

Sasuke esfregou o rosto, abandonando a possibilidade de se dar bem com o novo parceiro logo, Kakashi deveria estar querendo se livrar dele, só podia.

— Vamos entrar. – Declarou.

Se juntou à equipe tática que formou uma linha em direção ao banco, ocultando-se atrás de escudos, foram avançando passo a passo.

֍

— Cala a boca todo mundo, cala a boca!

Ela passou pelas portas giratórias e olhou em volta vendo as pessoas encolhidas no chão, dois caras armados e com coletes segurando armas e sacos com dinheiro, outro apenas com uma submetralhadora e uma mulher, e o que parecia ser o chefe, segurando uma AK-47.

— Que porra é essa?! – Berrou, vindo em sua direção.

— Trouxe uns cachorros quentes. – Disse, oferecendo a sacola, ele bateu em sua mão, espalhando a comida no piso e empurrando seus ombros até que a tivesse de joelhos no chão.

— Quem é você sua piranha?!

— Uma piranha? – Disse, pondo as mãos atrás da cabeça — Olha a coisa tá feia lá fora, acho melhor se render, hein?

— Eu quero que se foda essa merda, cacete! Eu quero meu helicóptero, agora ou eu mato esses merdinhas, tá ligada?! Vamos explodir tudo! Tá ligada?!

— To, to ligada, mas acho que não estão te levando a sério, sabe? Acho que devia mesmo matar alguém, minha opinião.

Através das fendas nos olhos das máscaras, eles a encararam estupefatos e se entreolharam confusos.

— Eu sugiro matar aquela ali, olha. – Apontou uma adolescente deitada no chão. — Crianças sempre dão mais drama, sabe?

— Você tá drogada, sua cadela velha?!

— Opa, é Piranha, não fique trocando o codenome, okay? Atrapalha a missão. Só estou querendo ajudar.

— Ela tá sacaneando a gente, caralho! Mata essa vagabunda!

— Matar uma policial pode ser um pouco mais pesado pra vocês...

— Você é policial?!

— E ex forças armadas, também...

— Mata essa vagabunda!

— Se for pra matar, mata logo. – Ela resmungou, vendo sua hesitação, bufou e puxou o cano da arma, apontando-o e pressionando contra a própria testa. — Vamos lá, deixa de ser frouxo, moleque. – Ordenou, os olhos em fendas ameaçadoras. — Anda! Mete bronca!

O dedo dele tremeu no gatilho, olhou para o lado, e para a entrada notando a movimentação policial lá fora, ela empurrou o cano bruscamente, se levantando e acertando seu rosto com um soco, tomou a arma e girou, atirando no palhaço que tinha a refém na perna e no braço, girou acertando os outros dois nos braços e pernas então voltou, acertando a coronha da arma no último, o jogando ao chão e acertando um tiro em seu ombro, apenas por precaução.

— Pronto, acabou a palhaçada. – Declarou, pondo uma das mãos no quadril.

— Tem uma bomba! – Um dos reféns gritou, ela olhou para um dos palhaços, vendo que usava um colete com bombas, e um relógio digital que contava menos de trinta segundos agora.

— Puta que pariu. – Suspirou. — Muito bem, pessoal, saindo. – Avisou, embora quase todo mundo já tivesse escapado pelas portas inclusive um dos bandidos, mancando.

Ela largou a arma e seguiu para saída.

֍

— Vamos. – Sasuke ordenou, quando ouviram os disparos, avançaram mas pararam vendo as pessoas saírem correndo desesperadas. — Que inferno...?

Um dos bandidos saiu, cambaleando com uma das pernas feridas, e os policiais avançaram, jogando-o no chão e imobilizando.

Sasuke olhou para a entrada e viu uma mulher alta e esbelta deixar o banco, comendo um cachorro quente.

Ela desceu os degraus e veio em sua direção.

Seus olhos verdes identificaram os dele, e ele soube que não estava tendo um sonho louco.

— Você?

Ela pareceu tão infeliz em encontrá-lo quanto ele, e isso foi bem nostálgico.

Parou estendendo a mão para ele sem grande boa vontade.

— Prazer, Major Sakura Haruno, sua parceira.

— Minha parceira? Minha parceira?

— Aham. – Sakura disse, abocanhando o cachorro quente.

— E que diabo estava fazendo lá dentro?

Ela deu de ombros.

— Meu trabalho, ué.

Meio segundo depois, o banco foi pelos ares, cuspindo labaredas pelas portas giratórias, a força da explosão jogou Sasuke para trás e ela para frente, sobre ele.

O chão chegou a tremer, e instintivamente ele tinha a mulher nos braços, sobre si, e o molho do cachorro quente espirrou em seu rosto na queda.

Quando o mundo pareceu voltar ao normal, Sakura se ergueu um pouco, com a testa sangrando e apenas o pão na mão pois a salsicha estava no chão agora.

— Opa, não roube a melhor parte. – Disse, passando o polegar pelo queixo de Sasuke e colhendo o máximo da mostarda e ketchup misturados, levou aos lábios meio ressecados e chupou. — Parceiro. – Completou, com óbvia ironia.

Notas finais
Mano foi um trabalho da porra pra postar isso, q poorra
Acho q tinha sapo fazendo macumba pra KQ num sair :v
Enfim, sobre esses dois, eles prometeeeeeeem
O cap foi inspirando também no epi piloto da série Máquina Mortífera ♥
Até a próxima terça!

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