Killer Queen

26 Rainha Comprometida.


Notas iniciais
Yooo

Sasuke abriu a porta do carro e puxou a mão de Sakura, ela saiu ajeitando a barra do vestido, e então Ino saiu logo atrás espalmando o tule do vestido azul escuro que vestia que a fazia parecer uma fadinha de seios apetitosos.

— Dois minutos que chegamos e você destrói toda a fachada de bom moço que eu construí fazendo essa barba e essa gravata. – Sakura reclamou.

— Considerando o quanto meus seios estão apertados aqui, eu mereço um pouco de atenção. – Ino defendeu e Sakura revirou os olhos. Sasuke riu, puxando cada uma num braço.

— Se serve de consolo, querida, eu estou secando seu rabo nesse vestido desde que saímos de casa. – Sakura deu de ombros, empinando o nariz e os três seguiram pelo tapete vermelho que levava até a entrada do salão de festas de um hotel perto de Malibu e da praia, apesar da distância de algumas quadras e de outros edifícios dificultarem a vista do mar, ainda dava para sentir o gosto salgado e marinho na brisa noturna.

A recepção teria no máximo cinquenta ou setenta pessoas, com sorte, Sasuke não teria que ver a cara ou falar com metade. Ele não deixaria de ser otimista.

Mas, entrar com duas beldades a tiracolo definitivamente não era a melhor maneira de ser discreto, tinha de admitir.

— Aí está ele! Sasuke Uchiha, o nosso homem da lei! — O comissário Sarutobi estava empolgado até demais, Sasuke suspirou se perguntando se teria de aturar o velho falando pelos cotovelos o resto da noite, ou se ele dormiria numa das cadeiras logo, estava bem velho pra tanta animação.

— E muito bem acompanhado, ressalto. – Respondeu, não se culpando de já começar a usar aquele par de ancas e o de seios pra desviar a atenção de si. Ambas as mulheres leram seus pensamentos, reviraram os olhos e sorrindo, deram as mãos e se afastaram dele.

— Vamos ver se as meninas já chegaram, certo, querido? – Sakura insinuou. — Divirta-se com os rapazes.

— Tchauzinho!

Ele nem chantagear com o aluguel, Sarutobi o puxou com uma trupe de amigos gorduchos e praticamente o cercou.

A noite prometia.

*

— Que noite, hein? – Martin comentou, mais consigo mesmo enquanto apagava o cigarro e observava a chuva começar a engrossar através do para-brisa.

No banco de trás, Noein se retorceu apertando a jaqueta contra o corpo, o queixo batendo de frio ao mesmo tempo que o corpo pingava de suor e a cabeça girava num delírio dolorido e desconfortavelmente quente.

— Hey, pentelho, que cara amarela é essa? Está mal?

Não faria muita diferença para ele, Noein preferiu se poupar de tentar falar com a garganta seca.

Um movimento lá fora tirou qualquer atenção do homem sobre ele, ele se ajeitou no banco e ligou o carro que demorou um pouco a pegar e finalmente seguir o homem gordo que tanto queria pegar.

Primeiro ficaram de tocaia na rua da casa dele, mas com os vizinhos estranhando sua presença, Martin teve que se conformar em ir para um bairro mais sujo e fazer sua tocaia perto de onde o tal Sr. Osborn trabalhava e esperar ele dar as caras.

O carro parou em algum ponto perto de uma via movimentada, Noein só ouvia o som de alguns carros ou uma boate e um cheiro forte de gordura invadiu o carro quando Martin saiu dele, o menino só lembrou do balde de galinha frita, fria, mole e muito gordurosa que teve que comer mais cedo, por pura razão de sobrevivência, e seu peito queimou de ânsia de vômito.

— Hey! Gordo filho da puta! – Martin gritou enquanto marchava até o senhor Osborn que devorava alguma fritura perto de uma barraquinha na esquina.

Noien abriu a porta do carro e saiu dele, caminhando até o meio da rua e despejando o almoço pobre no asfalto molhado em baixo da chuva.

Martin parou por um momento, olhando pra trás, mas resolveu aproveitar a distração gerada em Osborn que parecia enojado.

Agarrou o homem pela gola e o empurrou contra a barraca.

— Lembra de mim, balofo? Quero o meu dinheiro!

— Grant? Tinha que ser o rato... Me solte seu merda! Que dinheiro? Eu lá sei de dinheiro!

— Não me teste, seu desgraçado! Falo do dinheiro que emprestei pra aquele negócio em Lancaster!

— Está tirando com a minha cara, Grant? Empréstimo coisa nenhuma! Aquilo foi um investimento e você sabia dos riscos! Não deu certo, você perdeu a grana, eu perdi a minha, um monte de gente perdeu, e ainda agradeça por não ter ido parar na cadeia!

— Perder dinheiro? Você tá morando numa casa muito boa enquanto eu to numa porra de carro com um pirralho. – Martin cuspiu, revoltado.

Osborn riu com desdém, os cantos da boca e dentes sujos de óleo.

— Você sempre foi um rato, meu velho. Ratos não vão longe. Te aconselhei a guardar aquela grana, mas você preferiu mandar tudo o que tinha pra um negócio arriscado, não venha chorar no meu colo! – Ele o empurrou com força, Martin avançou mas se viu seguro por três homens enormes. — Tirem esse merda daqui! Se está na lama, Grant, você mesmo arrastou sua bunda pra lá.

— Desgraçado!

Noein assistiu os homens jogarem o pai num monte de sacos de lixo empilhados no pé de um poste de luz. Osborn pegou mais comida engordurada de um atendente assustado e deu as costas junto de seus amigos grandalhões.

Martin se levantou do lixo depois de se debater furiosamente e marchou até eles, cego de raiva.

— Você vai dar a minha grana seu...

O garoto recuou de perto da própria poça de vômito, ao ver o homem puxar um revolver de dentro da jaqueta e apontar para as costas do gordo.

— NÃO! – Gritou, com uma voz que nem sabia que ainda tinha, o atendente da barraca também gritou e se escondeu e ao mesmo tempo os homens se voltaram para Grant apontando armas também.

Um casal que passava, saiu aos berros se agachando, cruzaram a rua rumo a outra quadra e na esquina uma viatura da polícia despontou.

Osborn xingou disparando contra a viatura e os policiais revidaram, acertando um dos grandalhões.

Martin recuou e disparou para o carro, entrou, ligou o motor, saiu batendo contra a viatura e ignorando a ordem de parar, Noein só percebeu que fora deixado para trás quando os policiais o viram e chamaram, o atendente da barraca, de quatro com as mãos na cabeça gritava para ele se abaixar.

A adrenalina uivou em seu sangue, e o corpo dolorido e cansado se moveu o fazendo correr e se enfiar na primeira viela que encontrou.

*

— Aí eu disse pra ele: “Sei, decoração, certo? Tipo bonsai?”. E. Ele. Confirmou! – Sasuke completou, Sakura parou por um momento para gargalhar até perder o ar.

— Não pode ser, com toda aquela maconha? Não pode ser!

— Ele tava amarelo, mesmo. Eu nunca achei que seria testado desse jeito na polícia. Puta cara de pau, o carro tava lotado de pés de maconha até no teto.

— Ah, ai, chega, não dá mais. — Ela enxugou o canto dos olhos, o peito tremendo de rir e os dois continuaram a caminhar ao longo da calçada.

Já era quase uma da manhã, a festa tinha acabado melhor do que ele esperava mesmo com tantas fotos e tendo que dançar com coroas (coroas mesmo, de sessenta pra cima).

Sasuke observou a noite nublada, ventava mais forte e frio mas ele não estava muito interessado em dar fim ao passeio. Pois dormiriam, e teriam de encarar outro dia.

— Ah, a noite podia não acabar. Já sentiu isso? – Sakura perguntou, caminhando e olhando pra cima em apreciação aos salpicos de água no vento. Ele riu um pouco e encarou a calçada.

— Estou sentindo agora.

Ela suspirou e recostou a cabeça em seu braço, e então bem de uma vez mesmo, a chuvarada caiu contra as costas deles e os cobriu. Sasuke se encolheu com a friagem e ela riu.

— Parece que isso é um não pro nosso pedido! – Falou alto. Os dois se apressaram até de baixo do teto de uma lojinha, a chuva praticamente nublando a visão da rua.

— Acho que andamos muito, até voltar e pegar o carro... Melhor um Uber? – Ele sugeriu, ela deu de ombros, com os braços cruzados de frio, Sasuke notou a água encharcar a seda fina de seu vestido, colando-o na pele e quase transparecendo os contornos dos seios e costelas dela, tirou o paletó e envolveu-a com ele.

— Esse vestido não é muito bom pra passeios na chuva.

— Eu gostei mesmo assim, obrigada. – Ela beijou seu queixo e cercou-o com os braços voltando a encarar o fluxo constante de água que o céu despejava. — Não está chateado que seus pais não puderam vir?

Sasuke esfregou o queixo contra a cabeça dela, e as mãos em suas costas pra gerar mais calor.

Fugaku havia viajado para uma conferência em Houston, e levado a esposa, chegariam aquela tarde, mas os voos foram cancelados por causa da neve lá e só voltariam pela manhã. Na verdade estava até mais aliviado do que ela, no entanto, isso não mudava que queria e iria conversar com eles na manhã seguinte assim que chegassem.

Eles estavam chateados por perderem a festa, mas para Sasuke era o de menos, não era exatamente uma conquista.

— Estou bem, me preocupa mais como a Sra. Uchiha vai me encher de paparicos pra compensar.

— O caçula reclamando de paparicos? Aham, claro. E você até merece ser paparicado dessa vez.

— Ora, então pode me paparicar, mamãe não vai ligar, acredite.

Sakura riu suavemente e teceu beijos pelo maxilar dele, abraçando seu pescoço.

— Hmm, talvez eu faça isso um pouco mesmo... – Sasuke moveu o rosto e esfregou os lábios nos dela, provou e então continuou, aprofundando-se no sabor compartilhado até ouvirem um carro passar mais alto do que o som da chuva e notarem que ela havia dado trégua.

— Melhor irmos antes que percamos essa chance de chegar um pouco secos. – Ele avisou, embora não tão ansioso para sair dali, Sakura o acompanhou segurando-lhe a mão e afastando o cabelo molhado do rosto. Mordeu a língua para não confessar que já não havia mais nada seco em si depois do beijo.

Caminharam apressadamente de volta ao estacionamento, o caminho de volta foi tranquilo, mas tragado pela chuva, Los Angeles nunca dormia realmente então chegar na área residencial não foi fácil.

Já entrando no bairro, foram novamente tragados pela chuva, no rádio tocava uma do Depeche Mode e Sakura se balançava no banco suavemente apreciando.

— Acha que já estão todos dormindo?

— Tomara, quero atacar a geladeira sem concorrência.

— Terá a minhaaaa.

— Antes um do que seis na raia.

Ela riu e olhou pra frente, localizando o parquinho e a quadra de basquete, tudo muito vazio, menos dentro do arco de um dos brinquedos de concreto, a luz do poste iluminava parcialmente uma silhueta deitada contra uma parede de concreto e Sakura a apertou o braço de Sasuke.

— Querido, pare o carro.

— Oi?

— O carro, pare o carro! – Sasuke jogou o veículo para perto da calçada, Sakura arrancou o cinto de si e e disparou embaixo de chuva rumo ao parque. Ele tirou o cinto e saiu, olhando em volta, contornou e correu atrás dela ouvindo-a gritar abafado, apressou o passo e a encontrou no chão de areia, ensopada e sacudindo o corpo de um garoto, seu primeiro instinto foi puxa-la de perto do corpo e evitar afetar a cena do crime, mas Sakura continuou apertando a mão do menino e ele viu quando ele se moveu.

Não havia cena de crime.

— Jesus. – Exclamou, pegando o pulso dele e medindo enquanto Sakura apalpava o rosto pálido.

— E-ele está queimando em febre, queimando, temos que leva-lo. Não podemos deixar ele aqui, não podemos!

— Não vamos, não vamos, certo? – Acalmou-a. — Hey, garoto? Sabe dizer o que houve? Consegue falar, rapazinho?

O garoto se remexeu, com uma expressão agonizante, estava encharcado e lânguido, apenas se encolheu em posição fetal balbuciando algo.

— Por favor, por favor, vamos leva-lo. – Sakura implorou, Sasuke apertou a mão na testa do menino, e então enfiou os braços por baixo dele e o levantou com dificuldade, Sakura o ajudou a segura-lo e foram para o carro, o deixou no banco de trás e seguiram pela longa quadra que dava na casa deles.

Sakura abriu as portas e ele entrou, pondo o menino no sofá, se afastou e sob a luz da sala encarou-o e encarou como Sakura estava transtornada.

Puxou-a e encarou fixamente tentando ter sua atenção.

— Sakura, calma, vamos cuidar dele aqui, e se não der certo, levamos ao hospital, sim?

Na verdade, preferia levar logo, mas reconhecia que sua necessidade de acalmar Sakura foi maior que o bem estar da criança, ele poderia precisar de atendimento médico urgente.

Ela assentiu, ainda atordoada, e se sentou no sofá, puxando a cabeça do garoto pro colo sobre uma almofada.

Sasuke foi para o andar de cima, entrou no banheiro comum e pegou a maleta de primeiros socorros.

— Ele disse alguma coisa? Está ferido?

Ela negou, já haviam tirado a jaqueta e segunda blusa que o menino vestia, Sasuke viu que não havia sangue e que o rosto dele também não parecia portar ferimentos.

— Ele só está muito quente.

— Então vamos medir, dar algo pra febre baixar, um banho e torcer pra ele não ter nenhuma alergia. – Sakura o encarou, ansiosa e assustada, afagando o cabelo escuro da criança.

— Tem certeza que vai dar certo? – Sasuke deu de ombros, com olhar sincero.

— É o que minha mãe faria.

Ele não sabia nada de crianças e cogitou perguntar a Itachi, mas suspeitava que cuidar de um bebê fosse mais diferente de que de um garoto de uns treze.

— Vamos tentar, certo? Você também serviu como ajuda médica quando estava na Marinha, lembra? Tenho certeza que se ficar calma, vai saber o que fazer.

Sakura assentiu, limpando a garganta e procura do respirar melhor, Sasuke pegou o termômetro, colocando sob a axila do menino e o ambos permaneceram em aguardo, noite adentro.

*

— É, isso mesmo, garoto, cerca de doze anos, cerca de um e cinquenta. Aham. – Sasuke suspirou, voltando a observar a sala. — É, cabelo preto, sardas e tal. Não tem nada mesmo? Okay, me ligue se tiver informações. Claro, obrigado. – Pôs o telefone de volta no gancho e voltou para a sala, largando a caderneta sobre a mesa de centro, Sakura o fitou da poltrona, de onde assistia o sono do menino.

— Nada?

— Não, nenhum alerta ou chamado sobre criança desaparecida foi feito, é a primeira vez que não fico aliviado com isso.

Sakura encolheu os ombros, e ele afagou seu braço.

— E você precisa dormir um pouco. Disse que o sobrenome dele era Grant, certo? Vou tentar refinar a pesquisa e você vai descansar.

Ela relutou um pouco, mas se ergueu e subiu as escadas. Sasuke se sentou na poltrona e observou a criança agora ressonando um sono mais digno, dormiu melhor depois que foi pra debaixo do chuveiro e ganhou umas roupas secas.

Não recordava muito bem do rapazinho de sotaque sulista que Sakura passara o dia falando, estava mais surpreso de ela ter gostado tanto de uma criança de cara.

Ou talvez lhe fosse mais fácil interagir com um mais velho do que com bebês como Boruto e Himawari.

Se levantou ao ver o resto do pessoal descer as escadas, o garoto dormia tão pesado que nem uma manada de elefantes parecia capaz de desperta-lo. O invejou.

— Bom dia Sasuke! Bom dia menino dormindo no sofá! – Ino acenou passando direto para a cozinha, o resto parou mirando o sofá como se visse um alien ali e Ino retornou com os olhos esbugalhados. — Sasuke, porque tem um menino dormindo no nosso sofá?

— Longa história.

— Você sequestrou ele? É um daqueles mini psicopatas assassinos do Discovery Channel? – Sui indagou.

— Não para a primeira e... Espero que não para a segunda....

— Cruzes, o que houve?

— Vamos comer logo.

Foram todos para a cozinha, o café estava adiantado mas não muito variado.

— Então será que ele é da vizinhança?

— Começo a duvidar, mas tenho de verificar.

— Nenhum alerta Amber* foi dado, o que pode ser bom, vai ver ele só fugiu de casa. – Karin opinou. — Mas tem certeza que pode deixa-lo aqui? Talvez seja melhor manda-lo pro juizado.

— Por enquanto vou deixa-lo aqui e esperar que colabore, se não, teremos que deixar com os assistentes sociais.

— Okay.

— Karui tem o número de uma ótima assistente, pegarei com ela para você. Tchauzinho. – Ino avisou, deixando um beijo no rosto dele antes de sair.

— Agradeço. – Sasuke concordou.

— Eu dou uma olhada depois do parque. Foi por lá que ele disse que morava, certo? – Juugo avisou.

— Sim, apesar que já acho que seja mentira.

— Mas é sua melhor pista.

— Eu sei, valeu. – Sasuke se levantou e foi para cima, pegou o coldre axilar e a carteira, chaves e desceu, Sakura estava na cozinha arrumando a louça suja.

— O acordo era você ir dormir. – Avisou. Ela sorriu pondo a louça na máquina.

— Já corujei por mais tempo. Ah, você vai trabalhar? Mas você também não dormiu nada. – Lamentou, ele segurou outro bocejo e beijou a testa dela.

— Vou fingir que estava de tocaia como nos velhos tempos. De certa forma estava... Ele deve acordar logo, me ligue se passar alguma informação relevante.

— E tente deixar os cães longe dele, parecem achar que toda pessoa dormindo é um caramelo. – Sakura teve que rir e pôs uma boa dose de café numa garrafa térmica pra ele.

— Por isso que ninguém mais cochila na sala...

Ofereceu a garrafa a ele que saiu pela porta de trás.

Sakura suspirou e foi até a sala, deitou o dorso da mão na testa do menino e notando que ainda havia uma leve e persistente febre, voltou à cozinha e verificou a geladeira, não encontrando nada lá muito saudável para um doente.

Pegou as chaves do carro e seguiu para fora.

*

Um fungado e uma lambida molharam seu rosto diversas vezes até que acordasse, Noein se sentou, esfregando o rosto sentindo um bafo pouco agradável impregna-lo.

Olhou para os lados, não reconhecendo nem um pouco ambiente, nem as roupas, e ao seu lado, dois enormes cães o observavam com expectativa. Literalmente pulou do sofá e correu para a porta, que estava trancada, com os cães abanando o rabo em seu encalço.

O pastor alemão o derrubou com as patas traseiras e ele gritou em pânico, se encolheu como um bolo e depois de longos segundos só sentiu lambidas nas orelhas. Sentou, arriscando afagar os animais. A fêmea que parecia um pedaço de nuvem com fitinhas vermelhas na cabeça, catou um dos sapatos ao lado da porta e correu pela casa, o pastor logo a seguiu.

Noein se levantou, e caminhou pelo recinto observando o ambiente, exceto pelas camadas de pano no sofá, e uma caixa com artigos de primeiros socorros sobre a mesinha, tudo estava em ordem, não transpirava pouco, tampouco que algo ali fosse muito barato.

Aproximando-se da lareira, percebeu as várias estantes com livros e principalmente, retratos, com várias pessoas. Os da maioria delas, com uniformes da polícia não o deixou muito seguro agora.

Deu as costas e foi para a cozinha, a porta de lá também estava trancada, mas havia uma portinhola para os cães passarem, muito pequena para ele, no entanto.

Sobre a mesa redonda havia um vaso com flores amarelas, e também na bancada que separava cozinha e sala, também haviam mais porta-retratos. Na enorme geladeira, uma espécie de tabela de tarefas.

A fome o fez espiar o interior dela, encontrando uma tentadora variedade, um bolo de chocolate confeitado, torta, pedaços de frango assado com purê, saladas, frutas misturadas com chocolate, sorvete no congelador, queijo, macarrão com almondegas. Noein fechou a geladeira, como se fechasse as portas do paraíso.

Olhou pela janela onde os cães corriam pelo gramado em torno da piscina.

Ele voltou a sala, procurando alguma chave reserva.

Logo ouviu o som da tranca abrir, e correu para o sofá, pensando em se esconder.

— Que droga, vocês dois! Augustine! Volte aqui com esse sapato, garota! Gibson! Eu vou castrar você! Argh! – Sakura entrou na casa, bufando com várias sacolas e a bolsa.

Atravessou a sala com pressa, deixando as sacolas na mesa, começando a tirar de lá, então se voltou para a sala, ao se sentir observada, e suspirou de alívio, ao ver o menino sentado encarando-a com os olhos arregalados e receosos.

— Ah, você acordou. – Seguiu para lá, aproximando-se o bastante para tocar a testa. — Mas ainda está com febre. Como se sente?

— Bem... melhor?

Sakura sorriu, alegremente, então o fitou séria, pondo as mãos nos quadris.

— Não acha que tem algumas explicações a dar?

*

Sasuke sentia-se a ponto de afundar numa pilha de papéis, sua cabeça zunia um pouco, e a mão já estava dolorida de tanto assinar.

Descansou contra a poltrona encarando o café já frio ao lado. Naruto adentrou, depois de bater na porta.

— Bom dia, chefão.

— Espero que não me venha com mais papel pra assinar ou juro que atiro em você.

— Eeer, não. Está aqui o relatório que pediu.

— Ah. – Sasuke pegou, folheando apressadamente. — Tiroteio? E tinha uma criança no meio?

— Sim, foi descrita por umas testemunhas e bate com o que você pediu.

Sasuke admitia que seria muita coincidência, mas a ocorrência aconteceu relativamente longe de onde ele morava.

— Consegue os nomes dos envolvidos?

— Ué, tenta você com o delegado que registrou a ocorrência. Você é delegado, não? – Naruto riu. Sasuke suspirou ainda não muito acostumado ao tal poder.

— Eu vou ver... – Seu telefone vibrou com força na mesa, atraindo a atenção de Naruto e de Lee que entrava agora. Sasuke rolou os olhos, bufando e desligando o aparelho. — E vou ver se troco de número também.

— Ainda perseguido pelas garotas por causa da promoção?

— Sinto inveja, chefe! – Lee, brincou.

— Inveja o caralho. Sinceramente não sabia que era tão requisitado.

Havia percebido que suas conhecidas haviam dado falta das saídas com ele mesmo já a algum tempo, mas depois da promoção isso se tornara quase intolerável.

— Preciso dar um jeito de me livrar dessas loucas, será que propor uma orgia acalmaria elas? – Ironizou.

— Eu acho que seria um baquete canibal, você e sua nova conta bancária na mesa, irmão. – Naruto avisou. Sasuke assinou o que Lee precisava e ele foi para a porta.

— Ah, chefe, arranja uma namorada. – Comentou. — Tem mulher que só sai de cima com outra mulher na jogada.

Sasuke achou a ideia ridícula, Naruto gargalhou, mas pensando melhor, Sasuke presumiu que podia fazer sentido.

— Será mesmo?

— O quê? Tá zuando né?

— Ué?

— Não sei o que é mais hilário, você namorar, ou achar que uma louca te namoraria. – Naruto se despediu acenando e saindo.

— Se eu não te conhecesse desde a faculdade...

— Não vem me ameaçar com meus podres não!

Sasuke girou na cadeira, aborrecido. Ligou o telefone outra vez, irritado com tantas mensagens, apagou todas só lamentando não poder deixa-las para Sakura ler e rir mais tarde.

Olhando rapidamente o aplicativo de mensagens, encontrou as do grupo da DP e encontrou as da festa da noite passada, ele e Sakura tiveram destaque numa delas, certamente tirada por um fotógrafo. Os dois conversavam perto de uma janela, ela ria segurando a taça de champanhe e ele sorria, observando. Alguns até provocaram no grupo pondo coraçõeszinhos depois da foto.

Ele a deixou como plano de bloqueio, depois se sentiu como se fizesse algo constrangedor, depois decidiu que talvez uma namoradinha caísse bem agora mesmo.

Mandou mensagem para ela, então.

“Hey, majestade, quer namorar comigo?”

Sakura demorou para ficar online, mas respondeu tão logo visualizou.

“Está bebendo no trabalho?

Dane-se, chuto seu traseiro quando chegar aí”

“Você seria uma péssima namorada mesmo”

“E a resposta é não”

“Te daria um anel...”

“Estou chegando aí com sua Daniel’s, meu amorzinho alcoólatra ♡”

Ele não servia nem pra não arranjar uma falsa namorada interesseira.

“Mas o que você vem fazer mesmo? Não deveria estar em casa?”

Sasuke teve que deixar pra lá de todo jeito, tinha suspeitos para interrogar, se levantou e seguiu a secretária até a sala de depoimento.

Quando saiu, com o depoimento em mãos redigido pelo escrivão, foi direto até a cafeteira no corredor. Se recostou na parede e enquanto preparava um expresso forte, esfregou o rosto cansado e sonolento. Talvez devesse arriscar uma soneca no horário do almoço.

— Dia ruim? – Olívia cumprimentou, aproximando-se.

— Ah, está mais pra noite ruim.

— Oh, a festa não foi boa?

— Nah, está mais para o que rolou depois.

— Entendo, você deve estar bem atarefado, a promoção caiu como uma bomba, hum?

— Um pouco disso também.

Sasuke sentiu que ela estava querendo alguma coisa, mas no caso de Olívia, não dava pra dizer que era só no cunho sexual, a advogada sabia ser persuasiva e implacável, e ele sabia o quanto ela adoraria ter uma ligação mais próxima a um delegado, mais do que a um investigador.

Kakashi vivia se esgueirando dela, a mulher até mesmo convidou ele e Rin para um jantar na casa dela.

Ah, as coisas eram mais simples quando ela só tentava conseguir alguma informação de Sasuke por meio de um bom boquete, agora na posição em que estava, isso não seria levado na diversão pelo resto do departamento. Mas Olívia se lixava pra isso, então ele teria que assumir a fuga.

— Você tem um tempo agora? Podemos falar no escritório?

E eis o bote. Droga de advogadas sexys...

— Er...

— Aí está meu malandro preferido! – Sakura cantarolou cinicamente dentro de uma saia lápis branca e uma blusa de seda vermelha com um casaco caqui por cima, abraçou o pescoço dele e plantou um beijo em sua boca, rápido e forte, com todo aquele “hmm” exagerado que certamente chamou a atenção do local inteiro.

Se afastou sorrindo e limpando o batom no rosto dele carinhosamente.

— Own, meu pilantrinha está cheio de sono ainda, desculpe ter feito você trabalhar tanto ontem.

Alguém assoviou impressionado e ele mesmo quase teria caído nessa, se não tivesse notado Noein Grant parado logo atrás dela, os observando de cenho franzido, uma típica expressão de criança que ainda tem nojinho de beijos entre adultos.

— Er, tudo bem, querida? Então você estava vindo mesmo...?

— Claro que eu vim, não parei de trabalhar, parei? Oh, Srta. Harper! Como vai? – Sakura a cumprimentou.

— Bem, obrigada. – Olívia gracejou, pouco interessada. — Bom, vou indo, falamos depois, Sasuke.

— Claro, até mais.

Harper deu a volta em Noein, quase que desviando de uma gravidez, súbita e seguiu em frente sobre seus altos scarpins, balançando sua cabeleira castanha.

Sakura observou quase revirando os olhos e encarou ele.

— Te abomino. – Deu as costas e puxou o menino junto de si. — Vamos ali, querido.

— Ué?! – Sasuke a seguiu, ela entrou no escritório junto de Noein, o orientou a se sentar numa das cadeiras, e tirou o casaco. — Porque veio? E o que eu fiz?

— Por causa do menino, e porque você já estava pedindo Olívia Harper em namoro, seu vira-latas.

— Eu não! Bebeu? Tá demente?! – Ele reclamou, falando mais baixo.

— Ah, não?!

— Não!

— Ah, vai se foder, meu anjo, a mulher estava quase te fodendo na cafeteira e todo mundo viu, esfregando aquele silicone todo na sua cara, se toca, mermão!

— Não acho que seja silicone... Mas concordo que estão crescidinhos.

— Só seu cérebro que não cresce. – Sakura desdenhou, as mãos nos quadris.

— E os seus peitos também. – Ela deu de ombros, os balançando e empinando, cheia de si.

— Você gosta de tudo natural, e nós sabemos.

— Sim, droga, até salivei.

— Viiiu?

— Tem criança na sala, caralho. Mas isso fica pra depois, não pedi ela em namoro. Apesar que acho que ela quase me pediu...

Sakura estreitou os olhos, indignada, olhou se Noein estava distraído e gesticulou falando baixo.

— Só se um caralho de um boquete for um pedido de namoro pra você. A cadela estava exalando chantagem sexual, seu trouxa!

— Pft. E eu não sei? Por que acha que não aceitei? Não sou tão burro assim como você julga. Mas respondendo a pergunta, um boquete seria um fodendo pedido de namoro. Quer tentar?

— Você perdeu a chance quando pediu primeiro, agora quero meu anel.

— Ah, como eu te odeio.

— Hey, eu aceitei manter suas bolas longe das vampiras como a Harper.

Ele repensou, nem sabendo porque ficara surpreso de ela ter aceitado de cara seu “pedido”, sacando o porque deste.

— Ah, como eu te adoro. – Sakura deu de ombros, sempre cheia de si.

Então o fitou, séria, e indicou o menino.

— Temos um problemão, Sasuke.

Sasuke assentiu, e os dois foram até a mesa, ele afagou a cabeça do garoto enquanto sentava na beirada da mesa e Sakura se sentou na cadeira ao lado, passando um olhar de segurança ao jovenzinho.

— Okay, vamos bater um papo.

*

— É, é ele sim, esse otário. – Noein indicou, aborrecido.

E pensar que realmente achara que Martin tinha tido ao menos competência para fugir.

Estava do outro lado da vidraça, numa fila com os homens com quem se encrencara.

Sasuke e Sakura se entreolharam, preocupados com a reação da criança ao lidar com o pai. Noein parecia tão acostumado a ideia de vê-lo preso, que nem se impressionava, positiva ou negativamente.

Sakura entendia um pouco o sentimento, o que era não se impressionar mais com as decepções que o pai causava, e por isso sabia que nem sempre adiantava, não esteve blindada á mágoa mesmo sabendo que eventualmente ela viria.

— Tudo bem, querido, pode esperar lá fora?

Ele assentiu, saindo da sala, e ela se aproximou de Sasuke.

— Então?

— Não tem jeito, ele vai responder abandono de incapaz, porte ilegal de arma, e agora descobriram que estava envolvido negócio de venda de drogas em Lancaster, foi afundado pela polícia de lá, então o Grant aí, perdeu muita grana, por isso veio atrás do nosso vizinho balofo, que também estava metido nessa. Quem diria, huh?

— Bando de vagabundos... Ele fez o menino dormir num carro!

— Eu sei, também quero dar uma coça nele. Mas o que me preocupa, é o que vai acontecer com ele agora.

Ela o fitou, assustada.

— O que vão fazer com ele? – Sasuke suspirou.

— Teremos de chamar o juizado.

Ela deixou os ombros caírem, inconformada.

— Merda...

— É pro bem dele, querida, não pode ficar sem um responsável, ainda mais com o pai preso. Vão tentar encontrar algum familiar que possa vir busca-lo, certo?

Sakura mordiscou a ponta da unha, nada satisfeita, Noein não se abriu muito com ela, mas deu para chutar que as coisas na casa dos avós dele, não eram das melhores em comparação a estar com o pai.

Percebia que ele era muito mais maduro que a idade. Não um garoto que caíra na fábula de ir viajar com o pai num velho carro rumo a cidade das estrelas.

Sasuke a puxou pela cintura, abraçando-a e afagando seu braço.

— Olha, prometo que vou tentar ficar de olho no andamento das coisas, sim? Ino vai me arranjar o contato de uma assistente social, assim fica mais fácil ficar informado, okay?

— Okay...

Ele beijou seu rosto, e abriu a porta, Noein estava sentado num banco ao lado, muito circunspecto.

— Já é quase hora do almoço? Eu vou terminar aqui, que tal nos encontrarmos no Mc’Donalds daqui a pouco ou pegar um baldão de frango frito hm?

Sakura deu de ombros e fitou o garoto, já de pé, ele também deu de ombros, todo sério e enfadado.

— Eu posso comer comida saudável.

— Você está dispensando frango frito? – Sasuke se indignou e ela riu. Noein encolheu os ombros.

— Má última experiência.

— Haha, vamos atrás de algo saudável então, te vejo no restaurante japonês? – Sakura indagou, conduzindo o garoto pelo corredor, Sasuke acenou em concordância.

— Agora vamos comer peixe cru? – Noein não fez a melhor das caras e ela riu mais.

— E arroz doce geladinho também.

— Ugh.

*

Sasuke desceu do carro observando a vidraça do restaurante, Sakura estava numa das mesas, o menino ao lado apanhando dos hashis.

Olhou para o banco de trás e suspirou, balançando a cabeça.

— Eu devo estar muito louco e velho. – Bufou, deu a volta e seguiu para dentro.

— Hahaha, está quase lá, viu? – Sakura ria, observando Grant tentar enrolar o yakisoba nos pauzinhos.

— Porque eles não podem usar garfos? – Ele resmungou.

— Ué, tem os de criança. – Sasuke disse. Noein franziu a testa com um bico leve, encarando o macarrão como se fosse um inimigo.

— Eu non sou criança. – Sasuke trocou um olhar com Sakura, que deu de ombros, contendo uma risada, enquanto levava um camarão á boca.

— Ouviu o homem. – Brincou. — O que vai pedir? E porque demorou tanto?

— Nada de mais. – Ele acenou para um garçom enquanto roubava um camarão dela com o palito de dentes.

— Sei...

— Você também foi do exército? – Noein interrogou, enrolando macarrão no hashi.

— Eu? Não mesmo, a majestade aqui que brinca de soldado.

— Ele não daria conta. – Sakura desdenhou. — Ele chora até pra umas dez flexões.

— Ah, vai se ferrar.

— Mas é verdade, e cadê que ainda sai pra correr? Está ficando gordo de novo, e agora que vai sentar naquela cadeira todo dia, já pode esperar a sua barriga de cerveja, queridinho.

— Barriga de cerveja? Barriga de cerveja?! Eu nem tenho biótipo pra isso, queridinha.

— Ah, tá!

— Não?! Olha o meu pai, olha a minha mãe, meu irmão, até meu avô! Meu avô era quase um halterofilista, porra!

— Ai, não força vai?

— Quem tá forçando é você com esse traseiro de formiga!

— Olha, mais respeito com esse traseirinho aqui, seu malandro!

Noein alternou olhadas entre os dois enquanto tentava comer sem rir muito. Não se sentia realmente esquecido ali, mesmo que eles nem parecessem lembrar dele, não era como ser propositalmente ignorado ou simplesmente sem importância.

— E para de xingar, tem criança aqui. – Sakura concluiu, pretenciosa. Sasuke revirou os olhos, o garçom trouxe seu prato.

Como haviam iniciado primeiro, Sakura ficou sentada observando enquanto Noein explorava o bar do restaurante, cheio de aquários com carpas coloridas e Sasuke almoçava.

— O sotaque dele é engraçado.- Sasuke comentou, ela o fitou, estreitando os olhos desconfiada.

— Está com inveja.

— Eu não preciso de um sotaque sexy pra adicionar ao meu charme, seria injusto. – Ele deu de ombros, e ela riu gostosamente de novo.

Sasuke deixou o guardanapo de lado e se levantou, abrindo a carteira.

— Vamos, tenho uma coisinha pra você. – Ela abriu mais os olhos, surpresa, e ele apenas piscou, aquele olhar travesso e malandro, enquanto guardava a carteira, saiu da mesa e pegou a mão dela, Sakura catou a bolsa e o casaco e o seguiu, segurando sua mão, acenou para Noein, que estava no segundo andar do restaurante, assistindo as arraias de aquário maior, ele desceu as escadas e se apressou até acompanha-los quando já saíam do restaurante.

— Onde está o seu carro? – Sasuke indagou.

— Ali. – Ela apontou, estava mais próximo do dele então. Sasuke nunca gostava de deixa-la só em estacionamentos, assaltos assim eram muito comuns, e ela ainda estava com uma criança. Tampouco ficava confortável dela ter uma arma, poderiam identifica-la como policial e as chances de disparos intencionais, triplicavam.

Como ele já havia dito que tinha algo pra ela, ela não opinou quando a conduziu para seu carro.

— Os cães são policiais mesmo? – Noein indagou.

— O Gibs é, Augustine só tem o humor ruim da dona mesmo. – Sasuke respondeu, destravando o carro, Sakura revirou os olhos, braços cruzados e ele apenas escancarou a porta do banco de trás.

— Eita. – O menino exclamou primeiro seguido de algo em francês, o que tirou a atenção de Sasuke da reação de Sakura por um segundo.

— Cê fala francês? – Noein deu de ombros.

— Cajun.

— Okay...- Sasuke deu de ombros e fitou Sakura, ela tirou os olhos das rosas brancas e do graúdo urso também branco sobre o banco do carro e o fitou. — Não vendiam o urso com as tulipas, fazer o quê?

— Você que é clichê, admita.

Sasuke catou o buquê e o urso e se aproximou, dando-os a ela.

— Você que adora clichê, admita. – Beijou-a, Sakura abraçou o buquê e o urso e suspirou ainda mais sem jeito quando ele deu a caixa com os anéis.

— Você vai ter que me ensinar como ficar tanto tempo com esta coisa, nunca usei anel na vida. – Sasuke avisou logo, pondo um solitário de dezoito quilates em ouro branco e diamantes no dedo dela, obviamente no dedo direito, mas uma criança não percebia isso de cara e por isso ela sorriu ao ver os olhos esbugalhados de Noein, que certamente achava estar presenciando algo bem mais especial do que a realidade.

— Acredita que tudo isso só porque ele quer se livrar das peruas?

— Hã...?

— Uma perua só na minha vida já me basta. – Sasuke rebateu.

— Você é muito mais romântico com atos mesmo. — Sakura concluiu, revirando os olhos e então olhando o anel. — E usando sua carteira também, amorzinho.

— Interesseira. – Sasuke resmungou, virando-se para o carro e voltando com um taco de beisebol. O jogou para Noein. — Esse é pra você, manja de beisebol de verdade, Sr. Sulista? Porque lá em casa gostamos de bons jogadores.

Noein analisou o taco de madeira envernizada e sorriu impressionado e empolgado.

— Também quer uma surra no basquete? – Arriscou, Sakura riu e Sasuke meneou a cabeça, concluindo.

— Mais um interesseiro.

— Você não se ajuda. – Sakura avisou. E beijou-o, sorrindo entre as pestanas entreabertas de maneira sensual. — Nos vemos no jantar, e eu amei seu pedido falso, está habilitado a quem sabe um pedido de casamento falso também. – Provocou.

— Tá louca? Antes de chegar a isso eu prefiro me mudar de planeta mesmo. – Sakura gargalhou e trocaram um último beijo, antes que Noein acertasse algum retrovisor com o taco. — Vê se não corre, e garoto, cuidado com esse taco. – Avisou, ele assentiu, entrando no carro, os presentes no banco de trás, Sakura saiu com o veículo e Sasuke suspirou, entrando no próprio carro.

Ao segurar o volante, encarou a aliança de prata, bem polida e simples. Achou que ficaria mais incomodado, ou achou que não se incomodaria por ser só uma mentirinha besta.

Ligou o carro e saiu do apartamento, depois de verificar o que fosse possível, ele teria que avisar a Sakura que não jantaria em casa aquela noite pois, iria para a casa dos pais.

Poderia ter dito logo antes, mas não queria estragar o humor dela junto a Noein.

Notas finais
Sobre o Sasuke, ele é aquele tipo de mané q não basta não perceber q tá se enrolando, se enrola ate quando percebe mas é tão besta q pensa q não tá se enrolando huehuehue Só peço desculpas por nao ter respondido os últimos comentários, to bem sem tempo e sem muita disposição pra ficar aq pelo SS Bjokaaas. Alerta Amber ou Amber Alert* O Amber Alert é um alerta no telefone celular, rádio, TV e outros meios de comunicação quando se acredita que uma criança ou jovem menor de 18 anos foi raptado. O alerta teve origem 1996, graças a Amber Rene Hagerman de nove anos, do Texas, a garota foi raptada e encontrada morta poucos dias depois. O assassino nunca foi encontrado e com a repercussao do caso, se teve a ideia de criar um tipo de alerta q avisasse a comunidade em tempo real quando uma criança desaparecesse, desde então o alerta foi utilizado, ampliado para território nacional (tmb no Canadá) passa em estações de radio, google, facebook, mensagens de texto, outdoors, e canais de notícia e se tornou uma ferramenta q ajudou centenas de crianças a serem recuperadas com vida. Pic do anel em ouro branco 18k com diamantes e acabamento polido, da Dryzun, q nossa rainha ganhou (pfv ignorem q eu sei ate a marca do anel) https://imgur.com/a/7BQzf