Killer Queen
30 Rainha Atemporal
Notas iniciais

Uma semana depois.
— Sakura.. Anda, majestade, vamos nos atrasar. – Sasuke bateu na porta dela, olhando o relógio, Sakura se levantou da cadeira da penteadeira, retocando o batom apressada e enfim satisfeita, pegou a carteira e veio até ele, parando no caminho e estendendo os braços.
— E então?
— Hm? – Ele soltou, um pouco distraído e olhou-a estranhando ela pedir sua opinião, já que o achava cafona e geralmente era bem segura das próprias escolhas. Era ele que ganhava sugestões.
Olhou-a com atenção, ela usava um vestido de um tom de rosa bem claro, ou branco, o estilo das alças e do decote era o destaque na peça discreta.
Deus abençoe as tetas pequenas, essas coisinhas ficavam tão apetitosas sem mostrar muito, ou mesmo quando mostravam muito, afinal nunca tinha muito pra mostrar mas o que tinha era sempre apetitoso.
— Seus peitinhos estão lindos nessa roupa, mas não tem risco de... Hm, escorregar? – Sakura franziu o cenho, e revirou os olhos. — Mas está sexy, sempre está, nem sei porque pergunta, você está quase sempre como se tivesse saído das revistas de rico. Exceto quando tá de mau humor e calça aqueles coturnos que nem eu usaria.
Sakura não sabia o que mais a indignava, o fodido falar mau de seus coturnos favoritos, ou se referir á revistas de rico, como se ele fosse mesmo um fodido, este filho da mãe era apenas um dos herdeiros de uma das imobiliárias mais ricas da cidade.
— Eu te odeio.
— Posso fazer esses bolinhos dizerem o contrário em dois minutos.
Sakura revirou os olhos e saiu do quarto. Sasuke riu e a seguiu, puxando sua cintura e adorando sua expressão emburrada.
— Você está linda, que mau humor, é dia de Ação de graças. Não descontou sua fúria acumulada no jogo de futebol o bastante essa tarde? Porque garanto que vai ter muita gente toda dolorida na festa hoje.
Ela riu suavemente, mais que satisfeita, se divertira muito naquele dia, e estava bem cansada também. Tempos que não corria por esporte (afinal só o fazia por esporte e olha lá) e derrubava alguém pra fazer um ponto.
— Foi divertido sim. – Confessou. — E você me deve uma revanche no basebol. – Avisou, socando o ombro dele de leve.
— Ano que vem você tenta de novo.
— Ah, já estão indo também? – Ino disse, descendo as escadas apressada e pondo um par de brincos. Usava um vestido preto e simples e o cabelo longo e ondulado. — Estou atrasada, como se já não fosse ouvir baboseira o suficiente... que tal estou, decente o bastante? – Indagou, com desdém.
— Você está linda. Pare de se torturar por um jantar de família, são pra ser chatos e te fazerem passar vergonha, mas ver que estão todos juntos com você, sim? – Sakura disse.
Ino fez um bico leve, mas aceitou a ideia.
— Certo. Estou indo. Se tudo der errado, ainda posso ir beber pra caramba na festa dos solitários.
— Minha garota, beber resolve tudo. – Sasuke disse e ela seguiu para fora, mais empolgada. Sakura revirou os olhos.
— Além da devassidão, agora incentiva o alcoolismo, tinha que ser você.
— Quem é que vira um copo de dois litros de cerveja em menos de trinta segundos, quem?
— Ah, vamos falar das vergonhas agora?
— Calei...
— Rapazinho inteligente. – Ela apertou seu queixo e finalmente se voltou ao sofá, Sai assistia TV com uma atenção patética, apenas dois cães estariam interessados em programas de culinária.
— Então você vai mesmo ser a babá canina hoje? – Disse, Sai deu de ombros, desinteressado, mudou de canal e os animais o encararam fixamente.
— Porque não vai ao bar? Melhor que beber cerveja quente. – Sasuke disse, embora pouco interessado. O cara era a epítome da chatice. Achava que ele só era irritante porque por algum motivo resolveu odiá-lo, mas Sai era bem aplicado em afastar as pessoas só por respirarem seu ar.
Sabia que ele não tinha família viva, então porque ao menos não passar o feriado bebendo com pessoas do trabalho e arranjar uma foda pra findar a noite?
Era o que ele sempre fazia quando saía da festa da família. Ia ao Owen, bebia umas, escolhia uma boa mulher também solitária e passava a noite com ela.
Uma boa tradição pra um solteiro. Como sempre era figura carimbada na festa dos solitários que o Owen promovia, iria passar lá mais cedo, dar um oi ao pessoal e então ir para casa dos pais, onde toda aquela coisa tradicional sempre acontecia.
Parentes que ele nem lembrava vinham cumprimenta-lo, perguntar se o salário era ao menos bom o bastante, sua mãe e as tias disputavam quem fazia o melhor recheio de peru, e Mikoto intimidava ele, o pai, seu irmão e Izumi para votarem nela.
Seu pai e o resto dos homens da família se reuniam no escritório ou na sala pra falar de negócios, mulheres, jogos, política e claro, quando diabos ele casaria e traria mais rebentos para a família mimar.
Mas esse ano ele esperava ser diferente nessa parte, afinal Kenton havia nascido, que babassem o menino todo e esquecessem as bolas dele.
Também levaria Sakura, e só então percebeu porque ela estava toda ansiosa. Era a primeira vez que ela ia falar com os pais dele depois do sumiço de Noein, afinal.
— Ah, por isso está nervosa? – Perguntou para ela, vendo-a vir da cozinha com dois vasilhames, um maior e outro bem menor.
— Hum? Eu nervosa porque? E você toma isso. – Jogou a vasilha menor sobre o colo de Sai.
Ele pegou, encarando-a estranho.
— Que porra?
— É só um pouco do peru com mostarda Dijon e estragão que eu fiz pro almoço de hoje e sobrou. Pode ficar, melhor do que só encher o estomago de cerveja ruim. – Ela deu de ombros. Sasuke a olhou indignado.
— O peru que você levou pro almoço lá no parque?! Sobrou mesmo? Tá de sacanagem?
— Ué, sim, só um pouco.
— E você vai dar pra esse cuzão?! Ele nem foi pro jogo, porra! Eu não acredito que sobrou e você não me deu, e a parceria?!
— Mas que diabos, é só peru, você vai comer uma tonelada na casa da sua mãe, cacete. Deixa o infeliz ficar aí com a própria amargura.
— Então isso é esmola? – Sai bufou e ela o olhou perigosamente.
— Esmola se dá pra quem necessita, não pra quem faz cu doce que nem você. Mas se não quiser, dê pro Gibs e pra Tinny que vão fazer bom proveito...
— Você daria pros cachorros?! – Sasuke indignou-se mais.
Ela revirou os olhos e empurrou a vasilha maior para ele.
— Ano que vem você tenta de novo. – Avisou, deixando um beijo em seu queixo e seguindo para a porta. — Agora vamos logo se ainda quiser passar no bar.
— Isso aqui é peru? – Ele perguntou, com um fio de esperança. Espiando sob a tampa.
— É torta, anda logo.
Sasuke bufou, aborrecido e encarou Sai que comia um pedaço das sobras o encarando com provocação.
Nunca quis tanto despejar o filho da puta.
Seguiu para a porta apenas dizendo.
— Hora do lanche, crianças. – E os dois cachorros se jogaram sobre Sai tentando comer das sobras, infelizmente não comiam carne humana também.
— Mas que merda! Saiam daqui seus pulguentos do caralho! Porra!
Sasuke abriu o banco de trás, deixou a torta, fechou a porta e contornou, senta do no banco do motorista. Sakura o encarou já adivinhando que ele aprontara alguma. Aquele olhar de satisfação pós vingança, ela já conhecia há décadas.
— Atirou no Sai por causa das sobras de peru?
— Quem dera. Mas você vai fazer outro no natal, certo? Aquele peru estava do caralho, pôs sua calcinha pra cozinhar com o molho? Estava viciante igual sua boceta, porra. E o pior é que todo mundo adorou...
Sakura socou o ombro dele não sabendo se ria ou se ficava furiosa.
— Você é tão escroto, caralho! Porque não pode simplesmente dizer que estava bom e que adorou? Seja normal, porra?! Argh, você é tão...Argh!
Ela se ajeitou no banco, cruzando os braços.
Sasuke se sentiu um pouco mal por ás vezes esquecer que ela era uma garota, não só sua arqui inimiga tão boca suja quanto ele. Ás vezes ela só queria ser elogiada de forma cavalheira, presumiu.
Estranhamente, não era tão bom nisso com ela sem inserir uma pitada cínica de galanteador barato.
Suspirou encarando o caminho e pousou uma mão no joelho dela.
— Tudo bem. Desculpe, fui filho da puta. O peru estava bom pra caramba, eu queria mais. E você está linda hoje também, certo?
Sakura fez um leve bico, mexendo os ombros e também suspirou.
— Tudo bem. Eu estou sendo chata e mimada de novo. Eu sei.
— Não é isso.
— Eu faço você pisar em ovos, Sasuke. – Sakura descruzou os braços e recostou a cabeça no banco, fitando o teto solar. — Essa fase não vai passar nunca?
— Ei, não fale assim. Eu também estou forçando. Nós estamos. Queremos que fique tudo bem logo, mas quando é que foi? Sempre estivemos em guerra, sabe? É estranho me aliar á você e você á mim. De qualquer forma. Nós podemos brigar mesmo sendo parceiros, okay? Isso não mostra que ainda tem algo errado.
Sakura concordou, mais calma. Eles não queriam ser um peso um para o outro, mas mesmo com as coisas mais esclarecidas o possível, ainda era difícil voltarem a normalidade.
Talvez não houvesse normalidade entre eles mesmo.
— Okay...
Sasuke assentiu, também mais tranquilo. Os dois finalmente tiveram um dia divertido, e a semana passada transcorrera com mais calma que a anterior. Não queria estragar isso antes ou depois do jantar e criar mais uma situação estressante para ela, para si, ou para sua família.
Queria desfrutar da noite da melhor maneira e Sakura lá, incluída, para também não pensar na própria família, da qual precisava manter uma distância saudável mesmo provavelmente sentindo falta e anseio de estar entre eles.
— Vai ser divertido, okay? Vão adorar ter você lá.
Ela assentiu, não muito segura, mas positivamente contagiada. Sasuke se voltou para a frente, focando no caminho e Sakura, pensativa, logo o encarou, nervosa.
— Sasuke... Você já contou pra eles que estamos namorando, né?
Sasuke arregalou os olhos e o próximo som foi o da freada brusca que ele deu no asfalto.
— Putaqueopariu!
֍
— Oownt! Eles chegaram! – Mikoto exclamou, vibrando de empolgação. Sakura quis correr de volta pro carro, e ele também. — Por que demoraram tanto? Achei que iam fugir da cidade.
— Pra que a pressa? Ainda tem a noite toda pra fazer isso...- Sasuke brincou, ela apertou sua bochecha, rindo.
— Own, bebêzinho, faça isso e vou rechear o peru com seu couro.
— Err... garanto que vai ficar gostoso.
— Sakura! – Ela disse, já se voltando para a Haruno. Sakura quase se escondeu atrás dele.
— Oi? Quê? A culpa é dele!
— Oh, que bom que você veio, meu bem. – Mikoto a puxou para um apertado abraço. — Está linda! Parece uma bonequinha! Oh, trouxe algo aí?
— Obrigada. Ah, isso é uma torta doce, espero que gostem.
— Torta?! Vamos adorar sim! Deve estar ótima, tenho certeza. Vou até esconder porque sempre tem um espertinho apressado nessas reuniões!
Ela se afastou, toda empolgada e Sakura viu Sasuke a encarar estreito.
— Ué. Qual foi?
— “A culpa é dele”? Valeu hein, parceira?
Sakura deu de ombros bufando e indo dar uma volta na sala.
— É sempre culpa sua. E onde tem bebida hã? Você nem me deixou tomar um gole lá no Owen, porra. Pra que foi toda aquela pressa?!
Sasuke resmungou e a acompanhou. Não era que estivesse com pressa, mas Jonathan Clint, o novo contador estava lá, o todo tempo babando em torno dela como desde que chegara.
Saco. Achou que aquele pirralho engomadinho já estivesse em casa com sua família engomadinha pra ceia e não na festinha dos solitários. Nem imaginou que ele estaria lá.
Vivia ciscando em torno dela, tropeçando nas coisas e corando feito um garotinho tímido. E ela ainda tinha a pachorra de achar aquilo fofo? Além de achar o traseiro dele bonito?
Depois homem era que não prestava.
O moleque tinha idade pra ser filho ou sobrinho dela...
— Aqui. – Disse pegando uma taça de licor e dando a ela. — Só pra molhar o bico, cê não tá merecendo mesmo.
— Ué? E o que eu fiz?
— Vai pra cozinha, mulher. Com o resto do mulherio. – Resmungou, dispensando-a com uma palmada no traseiro.
— Fala assim comigo de novo e enfio essa taça no seu rabo.- Ela avisou, tomando um gole e indo para a cozinha. — Vou pra lá mesmo. Aposto que tem cerveja.
Sasuke não conseguiu mais ter raiva dela depois disso. Sabia que foi babaca, mas o que fazer? Ela era demais. Simplesmente não sabia lidar ás vezes.
Seguiu rindo consigo mesmo. Era tão patético mas não conseguia querer se afastar. Estava indo pro buraco, agora tinha certeza.
— Quem é vivo, sempre aparece. – Shisui disse, assim que ele entrou no escritório. — Hey, Sasuke. Achei que estava em uma ceia particular.
— O que poderia ser mais particular do que a ceia da família? – Ele rebateu, cínico e apertando sua mão. — Pai.
Foi até o velho, dando-lhe um abraço e então deu com Itachi e também cumprimentou, ele segurava Kenton num braço e Sasuke encarou o menino por um momento achando-o tão bonito e forte quanto da última vez que o vira.
“Deixe ser um ‘E se’ bonito”. Lembrou a si mesmo.
O seu com certeza teria sido tão bonito e forte quanto Kenton, e talvez com olhões verdes e brilhantes e uma carinha presunçosa e caprichosa.
Sorriu, pegando o sobrinho que não pareceu reconhecê-lo mas não o desgostou, já balançando os bracinhos com energia.
— Mas que garotão é esse? Caramba como cresceu! Que diabos tem no leite da Izumi? O que sua mãe tem te dado, huh? – Indagou, balançando-o.
Itachi por fim sorriu, após trocar um olhar com o pai e o primo, e todos decidiram que não era necessário mais qualquer intervenção no momento. As coisas iriam se ajeitar a seu próprio tempo.
— Na verdade, ela nem tem dado conta, quase seis meses e acho que já precisaremos ir pra mamadeira. – Itachi comentou.
— Puxou o apetite dos machos da família. – Shisui gracejou.
— Quase todos. – Sasuke alfinetou, com uma olhadela cínica, Shisui fechou a cara na hora e se virou tomando um bom gole de whisky.
— Mamadeira? Que tal um X-tudo? – Sasuke continuou, brincando com o menino.
— Vai sonhando. Izumi quer que ele seja vegetariano, ou vegano? Enfim, não é a mesma coisa? Ela quer até fazer uma estufa. – Itachi prosseguiu, eles saíram do escritório, pois Fugaku já queria apressar a comida.
— Mas o quê? Sua mulher tá louca? Quer fazer meu sobrinho voltar pra base da cadeia alimentar? Pode um negócio desse, garotão? Sua mãe é louca, muito louca.
— Não apresse ele pra perceber isso. A inocência é uma virtude. – Fugaku brincou.
— O único Uchiha inocente da família. – Shisui comentou.
— Pelo menos não é o único sem energia. – Sasuke acertou de novo, Shisui bufou, e apertou as mãos nos ouvidos do bebê rapidamente.
— Vai se foder, Sasuke. – Reclamou, afastando-se e indo na frente.
— Não sei como está fazendo para irritá-lo mas quero aprender. – Itachi avisou.
— Rapazes. – Fugaku censurou, bem humorado. E então chegaram a cozinha, ele abriu as portas duplas e o cheiro do jantar atingiu seus narizes assim como as risadas femininas a seus ouvidos.
— Posso saber porque o motivo de tanto bom humor já que o jantar nunca sai? – Indagou, em todo seu tom imperioso que as calou.
Elas estavam todas em torno da ilha de madeira e mármore no centro da cozinha, compartilhando cerveja. Izumi mesmo já sendo de casa ainda se eriçou com o tom intimidador do sogro, Sakura se retesou no lugar com a taça, toda nervosa e Mikoto se limitou a fitar o marido sem achar grande coisa.
— Me poupe, Fugaku. O jantar não está atrasado. Você que está com pressa pra não ver a cara das minhas irmãs. – Ela desdenhou.
Ele sorriu de forma charmosa até e foi até ela.
— Adoro suas irmãs. Ainda mais quando estão bem longe.
— Hum. Vê, Sakura. Sasuke teve sim a quem puxar a cara de pau. Só não é tão bom na arte de fingir que presta e intimida, meu bem.
— Prefiro não comentar. – Sakura avisou, ainda intimidada. Desceu da banqueta e ainda segurando a taça, se aproximou de Fugaku e o cumprimentou.
— Olá, querida. Não ligue pra ela, só está com ciúmes. Quer manter todas longe.
Ele era mesmo pai de Sasuke. Sakura ficou bem chocada porque no aniversário do filho dele, Fugaku fora bem mais impessoal.
Presumiu que a faceta de malandro cara de pau ele guardava exclusivamente para a família, posto que no aniversário ainda haviam amigos e colegas de negócios.
Parece que era hora de admitir que Sasuke não fora trocado no hospital ou que bateu a cabeça quando era pequeno...
— Eu? Quem vai querer um velho babão como você? Já eu sim, estou conservadíssima. – Mikoto deu de ombros, presunçosa.
Cacete, e era dos dois lados da família. Não era atoa que ele era tão filho da puta, apenas duplicou.
— Que tal não entrarmos na tradicional disputa de quem é o velho que ainda rende um caldo só por agora? – Sasuke disse. — Deixe as tias chegarem. Fica mais opção.
— Sasuke, ninguém vai querer suas tias. São dispensáveis desde antes do Itachi nascer. – Fugaku avisou, levando um golpe de luva de forno no ombro.
— Você não era o irmão mais atraente. Então cale-se. – Mikoto reclamou, indo até o forno espiar o peru. Ele a segurou, com uma risada que também lembrava a de Sasuke.
— Eu sou o irmão do meio. Nem tão bonito, nem tão feio.
— Me poupe!
Itachi se sentou numa baqueta e puxou Izumi para o colo.
— Sabe o que isso significa, Sasuke? Se eu sou o mais velho, e sou o mais bonito...- Falou.
Sasuke revirou os olhos.
— Eu concordo! – Izumi riu, beijando o rosto do marido.
Sasuke fitou Sakura mas ela deu de ombros.
— Não se pode lutar contra a verdade. – Ela argumentou.
— Eu te odeio. Ela não é odiável, garotão? – Disse, balançando o menino, ele fez um resmungo agitado e sacudiu os braços. Sakura grudou os olhos nele, desconcertada por um momento então pôs a taça na bancada e se aproximou, sorrindo.
— Meu deus. É ele? Como é grande! Já era pra estar tão grande? – Falou, efusiva e segurando a mão rechonchuda.
— Ele está ótimo. O médico é só elogios. – Izumi assumiu, orgulhosa com sua cria. — E é todo esperto, já quer engatinhar e fica rolando no berço.
Sakura riu, encantada.
— É sério? Não tem risco de cair do berço? Eu faria logo um mini escorregador. – Sasuke sugeriu. Sakura o deu uma olhada feia, rapidamente.
— Nem sob decreto do presidente. – Avisou e voltou a sorrir para o bebê, distraída. — Seu tio é retardado, sabia? Querendo te ver rolando por aí. Pode isso?
— Você é muito chata. – Sasuke afirmou, mas também sorrindo, abobado com ela sorrindo daquele jeito e falando daquele jeito.
Kenton começou a se balançar, sacudindo as pernas e ameaçando chorar e Sakura se afastou, com medo de o ter irritado. Sasuke voltou a balança-lo mas Izumi reconhecia a manha do menino e se afastou do marido para pegá-lo.
— Agora ele me viu, pronto. É colo o resto da noite. Você trocou a fralda dele, certo?
Itachi deu de ombros.
— Só posso afirmar que tentei.
Ela revirou os olhos e saiu com a criança.
— Quando você tenta sempre dá algo errado. – Reclamou.
— Eu avisei que só sou bom em comprar fraldas, não em pô-las...
— Boatos de que dá primeira vez você pôs de trás pra frente. – Sasuke alfinetou, enquanto se sentava e puxava Sakura para o colo.
— Boatos.- Itachi afirmou, encarando Sakura. Mas nem se ele estivesse sério ela acreditaria, pois Izumi já havia entregado as peripécias dele com fraldas e talco a tempos. Mikoto também já avisara que Fugaku era uma lástima nesse quesito. Era de família.
A campainha ressoou por toda a casa e o casal mais velho finalmente parou de namoricar e resmungar no canto da cozinha.
— Ah! Devem ser minhas irmãs! – Ela exclamou, empolgada.
— Droga. Não foi esse ano. – Fugaku estava realmente desapontado.
Mikoto saltitou rumo a saída mas passou para puxar Sakura junto.
— Vamos, vamos, vamos! Onde está Izumi? Tenho que mostrar as duas!
— Oi?! Ela foi trocar o bebê.
— De novo? O menino troca de fralda de quinze em quinze minutos. Nem esquenta o traseiro nelas! Itachi! Vá cuidar do seu filho, eu quero mostrar minhas noras lindas caramba!
— Mostra o netinho também, ué.
— E você vai mostrar um olho roxo ô moleque.
Itachi se levantou, porque quando ela ameaçava deixar seu olho roxo...
Era o tipo de coisa que nunca acontecia, mas você também não pagava pra ver.
Sakura fitou Sasuke em pânico, pedindo ajuda mas ele apenas acenou.
Um olho roxo vindo dela podia ser melhor que um vindo de sua mãe. Mikoto adoraria incrementar com palmadas, beliscões e etc. Ela era bem caprichosa afinal.
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Conviver com uma família cujo pior tipo de pessoa que você tinha de lidar eram tios do tipo piadista pastelão, tias ansiosas por sobrinhos e casamentos e primas apenas um pouco metidas, era algo totalmente surpreendente para Sakura.
Sua família sempre fora de um tipo mais agressivo em seu modo de se comunicar, mais diretos, mais debochados, mais estúpidos, ou mais arrogantes. Sempre de uma forma mais exagerada que o usual.
Ela tinha noção de que não havia escapado ao jeito da turma, mas sempre evitara soar “escrota” de primeira vista. Não escapara ainda assim da fama de arrogante ou frígida, mas também sentia que as pessoas pareciam sempre querer que ela baixasse a cabeça, o que certamente não faria para um estúpido qualquer.
Já bastavam os da família, afinal.
Anos de abuso moral e verbal velados pela boa e velha “educação rígida”, tão encravados já consciência deles que eram incapazes de perceber o estrago que causavam dentro dela, de seus irmãos, até de Lisa, a eterna princesa super protegida e amada, frágil como cristal, sensível como uma pétala de rosa.
Quando a terapeuta disse que esse tratamento super carinhoso também poderia vir a fazer estragos em Lisa, Sakura achou que se sentiria bem, vingada ou no mínimo satisfeita, aliviada.
Mas pegou-se lembrando-se de tudo o que passou, e de como isso, inegavelmente a talhou para o mundo, a tornou mais casca grossa, e assim aturou abusos verbais de autoridades acima de si, ignorou e rebateu todo tipo de assédio moral ou mesmo sexual, aprendeu a calar a boca e engolir pedras e espinhos, e também a hora de cuspi-las na cara dos filhos da puta.
E estava viva até agora, uma fortaleza de pedra cheia de pontos frágeis na estrutura interna, mas por fora, quase impenetrável, sobrevivendo a todo tipo de ataque, ficando cheia de marcas delas, mas de pé.
Lisa era cristal, seu oposto, uma vez que os muros em torno dela caíssem, um mero toque a desfaria inteira, e talvez ela nunca voltasse a levantar.
E por ela, Sakura se viu sentindo medo e pena, e se via torcendo para que ela continuasse em sua redoma de vidro, talvez ela só conseguisse sobreviver dentro dela.
De qualquer forma, nada podia fazer, não estava em suas mãos, e se era ser egoísta, não importava, não havia nada que pudesse fazer, ou quisesse.
— Hey, está tudo bem? – Sasuke a perguntou, vendo-a tão quieta e com um ar perturbado. Sakura se empertigou, o fitando e sorriu, a agitação ao redor voltando a fazê-la rir. Todo mundo queria um pedaço dos perus, e de cada peru, no caso três, com recheios diferentes.
— Estou bem, só... Estou bem. – Sasuke a fitou não muito satisfeito com a resposta, e não a pressionou.
— Okay. Vamos dar início a essa missão de vida ou morte.
Sakura riu, embora nervosa, não sabia se com os quilos que com certeza adquiriria ou se com a difícil missão de julgar o melhor recheio sem ser executada por uma das concorrentes.
Arrumou o guardanapo no colo e respirou fundo.
— Vamos mandar ver, malandro?
Sasuke pousou uma das coxas douradas e suculentas em seu prato junto com um bom punhado do recheio, muito satisfeito.
— Vamos lá, majestade.
Sakura catou os talheres e iniciou a batalha, as tias Mikaela e Makayla já ameaçavam sair no tapa, elas eram quase como as tias de Sakura, só que menos rechonchudas, escandalosas, maldosas, quadradas e tão esbeltas quanto Mikoto. Certo, não eram nada parecidas com suas tias.
O tio mais velho de Sasuke, Madara era tão superficialmente intimidador quanto Fugaku, mas tão pastelão quanto ele, só diferia mesmo em ser um machista e almofadinha de primeira, fazia tempo que ela não ficava tão afim de quebrar um velho babaca desses no soco mas uma vez que você se acostuma, Madara é bem menos irritante.
O tio mais novo, já era falecido, Sakura viu uma medalha dele na estante, e podia jurar que já havia ouvido falar daquele cara em alguma roda de cerveja. Não era burra e sabia quando um assunto era evitado, percebera uma leve aversão a sua profissão anterior, e sua carreira na Marinha quando estivera no aniversário de Sasuke.
E não tendo nada a provar a ninguém, nem interesse em remexer esse tipo de ferida, ficou tranquila e avulsa ao assunto.
Itachi e Izumi se alternavam para ir olhar o bebê que já dormia, Shisui a evitava como se ela fosse gritar e acusá-lo por não ter ligado depois do encontro. Ela queria rir, principalmente quando Sasuke jogava uma piadinha, mas se controlou.
As primas eram bem divertidas uma vez que desempinavam mais o nariz e Madara tinha um filho de dezesseis anos que era a cara de Sasuke quando mais novo.
Ela não sabia se sentia calafrios ou se dava uns cascudos nele para descontar a velha raiva que Sasuke a fazia.
— Pare de encarar o Izuna, Sakura, ou ele vai se apaixonar. – Madara não perdia uma.
— Pai... – O garoto revirou os olhos, aborrecido, tinha cabelo bem mais longo e espesso, mas era a mesma cara de cachorro sacana, incrível.
— Bobagem, tenho certeza que ele prefere as franguinhas da idade dele, ora.
— Este aqui? Deixe só Sasuke vacilar, que ele te mostra o franguinho, não é filhão?
Toda a mesa gargalhou, e ela sentiu pena por Izuna, Sasuke revirou os olhos se perguntando se estava pra nascer pai mais orgulhoso das bolas que seu tio.
— Haha, primeiro que ele nem daria conta. – Comentou, recebendo um olhar fulminante do primo e um mais ainda de Sakura. — Que foi? Tô te elogiando, mulher.
— Querido, nem você dá conta ás vezes. – Ela devolveu, venenosa.
— Aha! – Shisui gritou, apontando pra ele.
Sasuke deu de ombros, aborrecido.
— Foi só uma vez, e eu estava bêbado. Você que tava alta querendo abusar, sua safa-
— Alguém quer mais purê? – Mikoto indagou, os olhos pretos brilhando ameaças veladas.
— Quero. – Sasuke disse, estendendo o prato.
Sakura revirou os olhos, e se aproximou dele, dando um bom apertão entre suas pernas, ele estremeceu e engoliu um xingamento.
— Não deu conta agora também, né, bebê da mamãe? – Ciciou para ele e se afastou, voltando a comer sua coxa de peru.
Sasuke prometeu a si mesmo que tentaria manter ela e Madara afastados, os dois adoravam ferrar seu ego, juntos seriam um pesadelo. Madara a incomodou bastante num primeiro momento, mas sabia que se encontrassem pontos em comum, seriam melhores amiguinhos.
֍
— Ah, eu estou estufada. – Sakura choramingou, saindo do banheiro e pondo o vestido e os saltos que usara sobre a cômoda. Parou pondo as mãos no quadril e assistindo Sasuke se olhando no espelho do guarda-roupas com a antiga jaqueta de jogador de basquete do colégio deles.
— Você ainda tem essa velharia? – Ele a fitou por cima do ombro e riu um pouco.
— E os troféus também. Minha mãe faz questão de guardar mas estou pensando em jogar fora, isso só acumula mofo.
— As revistas então, devem ter colônias de fungos. – Ela presumiu, aproximando-se, Sasuke revirou os olhos e experimentou a jaqueta, branca e azul, apertou em seus ombros e não fecharia nem metade, Sakura riu.
— Não bastando estar gordo ainda tenta vestir depois de uma ceia triplicada?
Ele bufou e lutou um pouco pra tirar e jogar de volta no armário.
— Se eu mandasse alargar ficaria bom. Na época do baile de dez anos de formados eu ainda poderia ter usado, mas preferi fazer tocaia pra um gangster indiano.
— Hum, acho que estava num porta aviões no pacífico... – Sakura tentou lembrar.
— Que chique? Naruto foi, disse que todo mundo esperava nos ver lá, de preferência digladiando no meio do ginásio, aliás. – Sakura revirou os olhos, se perguntando se a motivação de sua velha turma era só nostalgia ou uma vida adulta aborrecedora mesmo.
Bom, não que a dela tivesse sido maravilhante só porque estava correndo atrás de terroristas e fugindo de bombas.
Sasuke, já cansado de tentar evitar apreciá-la seminua em seu quarto e se admirar de como imaginar isso acontecendo vinte anos atrás, seria absurdo e risível, pegou uma camisa mais nova e limpa e ofereceu para que ela pudesse usar para dormir.
O jantar e as conversas terminaram muito tarde e embora não estivessem nem perto de estarem bêbados, resolveram acalmar sua mãe e não dirigir mais naquela noite. Haviam quartos pra todo mundo mas Mikoto nem considerou dar um para Sakura já achando fofíssimo ela dormir com Sasuke no dele.
No fim, não precisaram fingir que não eram namorados ou falsos namorados. Ela já havia notado as alianças e restava torcer para que não estivesse planejando o casamento deles.
— Vamos dormir, amanhã tem trampo. – Avisou, Sakura pegou a camisa numa mão, olhando por um momento. Então o fitou e arremessou-a por sobre o ombro. Decidindo parar de adiar o que tivesse de acontecer entre eles dali em diante.
— Não estou com tanto frio assim. – Disse, os olhos penetrantes e determinados. Deu-lhe as costas e seguiu para a cama, engatinhando sobre os joelhos enquanto retirava a calcinha, deslizando-a ao longo das pernas e completando a nudez.
Sasuke contemplou a luz fria da lua que penetrava sua janela sobre o corpo dela e seguiu o mesmo caminho, retirando a camiseta que vestia.
Pousou as mãos nos pés delas e foi subindo devagar pelas panturrilhas, estudando seu corpo que já conhecia milimetricamente mas sempre o embalava em sensações estarrecedoras de tão boas.
Era a segunda vez que estava com ela em seu quarto antigo e que se sentia um garoto de novo. Agora nervoso e ansioso, com medo de errar ou apressar demais as coisas.
Sentindo que dali pra frente tudo poderia ser diferente ou voltar a ser igual, e que isso ser bom ou ruim, dependia dele.
Sakura apoiou os braços cruzados sob a cabeça e suspirou, sentindo a lenta carícia de suas mãos. Sasuke alisou e beijou a parte anterior de suas coxas, e subiu pelo quadril, cintura e então costas, plantando um beijo em sua coluna que lhe deu um arrepio gostoso e de espanto. Gostou de ainda conseguir se sentir assim com ele.
De não ter simplesmente esfriado, ficado sem sabor e muito menos forçado. Pelo menos não aí.
Sasuke beijou sua nuca, fazendo carinho com as pontas dos dedos nas costelas dela, ela se contraiu para não rir das suaves cócegas. Sempre odiou admitir que as tinha.Comele, era se tornou mais uma etapa a se saborear.
Ele cheirou seu cabelo, beijou os ombros e espáduas, as mãos desceram para a cintura e mergulharam entre ela e o colchão, em sua barriga, espalmou até perto dos seios, fazendo-a se remexer, desejosa.
Logo ele desceu de novo, voltou ás laterais, segurou firme, e virou-a de uma vez ao encontro de sua boca. Sakura abraçou seu pescoço, perto de si ao máximo e ele correspondeu puxando também a coberta sobre os dois.
Fizeram sempre bem lento, reexplorando um ao outro, apreciando o balanço sensual e o efeito em seu encaixe. Saudosos da selvageria e lascívia habituais mas se rendendo de bom grado a esse momento ainda mais íntimo.
Uma promessa muda de que voltaria a ser como antes, pela manhã, foi trocada entre as bocas, quando o beijo era mais provocativo, então não havia pressa agora.
Vinte anos atrás, nesse mesmo quarto, isto jamais aconteceria, o que não tornava o agora um erro.
Só o momento certo.
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