Notas iniciais
Perdao pelo vacilo e desde ja aviso q paguei, jogaram uma praga tao forte q choveu pa crl aq e eu perdi uma bocalivre, vê se pode? Com comida d graça nao se brinca gnt

O tribunal estava lotado, mesmo a imprensa tendo sua presença limitada a alguns jornalistas e câmeras. Qualquer palavra ou reação do réu, bem como uma lágrima de testemunha era o bastante para aflorar os ânimos.

Genie Stuart tentava se manter alheio e apagado como sempre fizera a vida toda, mas agora com um país inteiro com os olhos sobre ele, familiares revoltados, cidadãos com sede de justiça, mídia ansiosa por mais furos e promotores ferozes, não havia nada que ele pudesse fazer para escapar do que holofote merecia.

Sasuke assistiu isso com o prazer de um dever cumprido, a batalha para que ele fosse a júri popular foi quase uma vitória, dificilmente ele conseguiria absolvição de um júri cuja metade era constituída de mulheres.

Mas tinha muito mais o que se preocupar em outras instâncias, como a mãe de seu bebê ir testemunhar a um mês de dar a luz.

Sakura já havia feito a consulta do mês, continuava tendo contrações de Braxton-Hicks, e ele sequer podia estar com ela.

Já esperava que qualquer contato tão repentino com Lisa a deixasse muito abalada, mas ainda era difícil ser o bode expiatório quando só queria ajudar.

Sua própria mágoa o fizera deixar Sakura escapar para a casa de Rachel por tantos dias, e sabia que isso só a deixara mais insegura na relação deles. Isto estava afetando não só ela e talvez o bebê, mas poderia dificultar todo o avanço do processo de guarda de Noein.

Nielsen poderia não se importar de dar o menino apenas para Sakura, afinal eles nem eram casados para assumir isto juntos oficialmente, mas não ficaria inclinada a dar uma criança que teria apenas uma mãe e ainda um bebê para dividir a atenção necessária.

Coçou a barba por fazer, agoniado com a demora, Asuma Sarutobi e Kurena Yuuhi eram ótimos promotores mas também gostavam de aparecer.

Este caso, obviamente trazia visibilidade a qualquer um envolvido.

Mais inquieto que ele próprio, somente a senhora Úrsula Bancroft, quando subiu á cadeira de testemunhas.

Sasuke havia sabido por alto que ela se recusara a permanecer ao lado do marido quando ele soube do que estava acontecendo, teve dois infartos e ainda assim, estava pagando um dos melhores escritórios de advocacia para defender o filho.

Não havia como culpar um pai de querer salvar seu filho, então Sasuke presumia que houvesse um motivo a mais, ou que Úrsula não suportasse a ideia de ser indiretamente culpada por aquelas mortes. Frederic não estava presente, e não havia ninguém realmente ali pelo réu. O bonitão do irmão dele estava sentado com o público, sério e inexpressível, apenas.

Sasuke olhou por cima do ombro mais uma vez, na direção das portas da sala e Naruto apertou seu ombro.

— Calma, cara, vai acabar logo.

— Hm, algo só parece errado. Achei que Rachel também viria.

— Este tribunal chama agora, a presença da senhorita Sakura Haruno, como testemunha de acusação. – O Juiz anunciou.

Sasuke só teve tempo de ver Úrsula já sentada ao lado do outro sobrinho e chorosa.

Genie levantou a cabeça pela primeira vez, o que só agitou mais os expectadores.

Sakura adentrou a sala num vestido verde escuro formal e com um lenço verde estampado no pescoço. Também usava um broche com o símbolo da Marinha, o cabelo preso para cima, o queixo erguido e duro.

Sasuke não sabia se gritava para ela tirar os malditos saltos altos ou se só ficava ali, quieto babando naquela barriga redonda e perfeita que ele ajudou a crescer.

Sakura cruzou para o espaço dos juízes e se parou diante do policial que segurava uma Bíblia, muito disciplinada, fez o juramento e por fim sentou-se na cadeira.

— Srta., ou melhor, Major Haruno. – Asuma começou, muito seguro de si.

— Poupe a bajulação, doutor. – Ela cortou, sardonicamente. — Seja direto e eu também serei.

— Certo...? – Ele tossiu, desconcertado e acenou para Kurenai prosseguir, o que ela fez de muito bom gosto. Era uma verdadeira predadora nos tribunais e estava diante de outra.

— Sim. Creio que é melhor sermos mais diretos mesmo, isto tudo já foi longe demais...

— De total acordo. Vamos acabar logo com isso. – Sakura se inclinou mais para o microfone e mandou um olhar cínico e desafiador diretamente para o réu. — De acordo, homenzinho?

— Puta merda... ela veio possuída, Sasuke...- Naruto disse, olhou para o lado e viu Sasuke abaixado procurando algo sob os bancos. — O que diabos está procurando?

— Sei lá... Acho que meus culhões.

— Ah, seja homem e levante daí. Você já lidou com ela em dias piores! Lembra da vez que ela chutou suas bolas só porque deu lhe bom dia jogando confete na cara?

— Aquele dia foi bem louco, verdade — Ele concluiu, se levantando. — Mas olhe aquela barriguinha linda, eu não posso com aquilo...

— Não pode deixar ela usar isto como arma, cara. Se ela perceber vai engravidar de você todo ano. Aí você vai terminar sem colhões mesmo, com umas quarenta versões dela mandando em você só um aqueles olhinhos verdes, e as suas versões vão se tornar aliados como o Noein já é.

— Isso é pior que um futuro distópico... Mas eu acho bem legal...

— Você me dá desgosto. Parece que a guerra acabou hein? Você se entregou e virou escravo dela, tsc tsc.

— Eu até gosto de ser escravo.

— A vez do seu aniversário não conta, idiota!

— Ah..

Naruto balançou a cabeça, inconformado.

— Mas sério, tem que dar um jeito na situação logo, amarrar ela, afinal o bebê está chegando...

— Amarrar ela?

— Argh. Sasuke, vocês vão ter um bebê, não podem ser só namorados pra sempre.

— Como assim, você quer dizer.. Aquilo? Aquilo que você e Hinata tem? ?!

— É... ou algo perto disto? – Naruto resolveu que Sasuke não estava bem preparado para pensar na ideia de se amarrar de vez, oficialmente. — Sei lá, é uma ideia, bem, o aniversário dela também é mês que vem, certo? Procure algo para trazê-la de volta até lá.

— Hm...- Ambos se calaram, dando atenção ao testemunho de Sakura.

*

Com a maioria dos votos, depois de quase quinze horas de julgamento, Genie Stuart foi condenado á injeção letal, e levado para o presídio de segurança máxima, onde aguardaria a aplicação da pena enquanto seus advogados continuassem entrando com recursos.

Sakura relaxou contra o banco, arrependida de ter resolvido ficar até a sentença sair, seus pés doíam, estava com fome e seu bebê só poderia estar irritado com tudo isto. Chutando de forma nem um pouco carinhosa ou fofa.

— Pronto, melhor irmos antes que fique impossível sair. – Rachel aconselhou, ajudando-a a levantar e passando o casaco sobre os ombros dela. — Olhe só pra você, está parecendo um bolinho amassado, sua teimosa.

— Eu comeria até um bolinho amassado agora.

— Certamente... Então, não vai falar com Sasuke?

— Humpf, por que deveria?

— Ele parece bem acabado. Deve estar com falta da bolota explosiva dele.

— Vai se foder, Rachel.

— Eu bem queria, mas você tem impedido fazendo meu marido ir comprar tortas pra você de madrugada.

Sakura avermelhou, indignada e constrangida.

— Sua... Foi só uma vez!

— Aham, a cada noite. Achou que eu não notaria? Sua cadela, vá se resolver com seu homem e deixe o meu em paz.

— Ele que se ofereceu, ora.

— Se você não estivesse grávida, esta discussão terminaria em outro julgamento, sabe? – Rachel riu.

— Hilário... Mas eu não tenho que falar com ele por isso.

— Tem sim, ele está vindo. Se não falar com ele agora, vou trancar a porta do quarto essa noite e você vai ter que rodar sozinha atrás de torta.

— Isso é maus tratos contra uma gestante, tenho certeza que tem algo na constituição sobre isso...

— Tá achando ruim? Vá com ele. – Rachel a empurrou na direção de Sasuke e seguiu o caminho oposto.

Sakura xingou-a o máximo que o burburinho das pessoas saindo da sala de julgamento permitiu.

Sasuke parou diante dela, observando-a circunspecto, ela cruzou os braços virando a cara.

— Tudo bem? – Ele disse.

— Humpf, sim.

— Certo, não está cansada? Ficou sentada tempo demais.

— Estou bem, pelo menos não estava de pé.

— Okay... Com fome?

— O tempo todo, mas não vou sair com você.

— Imaginei, por isso pensei em usar Noein pra isso.

— Noein está com sua mãe, Sasuke.

— Ah, é mesmo. Voltando a estaca zero. Enfim, não quer me comer?

Sakura o fitou, aborrecida.

— Isso é o seu melhor?

— Meu melhor incluía joias, um banquete, oral, massagem nos pés e muitas tulipas, mas você não quer sair comigo, ora.

Ela deixou os ombros caírem, tendo que concordar.

— Certo...

— Apesar que confesso que não posso prometer a melhor chupada ou massagem, estou bem acabado depois de pintar o quarto do bebê e por os móveis.

Sakura o fitou, atônita.

— Você já... Pintou?

— Já, fiquei mais puto de você ter escolhido rosa pras paredes, querida.

— Não é rosa, é salmão, ignorante.

— Totalmente rosa, Sakura.

— Seu rabo que é.

— Vamos lá em casa e decidimos no olho.

— Só se for do seu...

Três estampidos interromperam um dos debates mais toscos que tiveram, a massa de pessoas que preenchia os corredores desde a porta da sala até a saída do prédio, se agitou começando a querer correr.

— Tiros?.- Sakura se espantou, ambos fizeram menção de seguir para saída, mas ele a segurou.

— Você fica.

— Mas nem...

Rachel apareceu, apegando-se a ela.

— Esta uma confusão la fora, acho que prenderam alguém.

Sasuke assentiu, mergulhando no fluxo de pessoas.

— Você nem está armado! – Sakura repreendeu, nervosa.

— Tem outra saída, vamos, está agitado demais. – Mark disse, finalmente as encontrando.

Já no carro, o rádio avisava que o atirador era alguém com transtornos psicológicos tentando acertar o réu que já havia sido movido. Ninguém se feriu, ao menos, mas Sakura estava agitada.

— Você falou com ele? Marcou algo?

— Não... Eu o chutei.

— Caralho, deixa de ser escrota!

— Querida... – Mark repreendeu.

— Você cala a boca aí. – Ela rebateu, se virando no banco para encarar Sasuke. — Vamos ter uma conversinha, no meio desse engarrafamento, garota.

Sakura bufou, enquanto Mark apenas ria da esposa (que por acaso fez ele passar pelo mesmo que Sasuke), o tráfego ainda estava péssimo naquela rota, o que só ampliava sua fome e vontade de bater em Rachel.

— ... E não finja que não está me ouvindo, sabe o que devíamos fazer? Te jogar numa caixa e devolver pra casa do Sasuke, urgh!

— Ah, cala a boca, você não tem um pingo de moral!

— Tenho sim! Já fiz a merda e avisei pra não fazer, você foi lá e fez!

— Ah, se manca!

— Se manca você!

Primeiro a buzina, Mark tentou dar a ré, xingou, e a pancada veio, então só houve um zumbido atordoante, luzes ao redor, vozes caóticas.

Sakura levantou a cabeça da janela, tirou o cinto, vendo muito embaçado, não entendendo nada do que lhe gritavam, só sabia que Mark e Rachel estavam inconscientes, e tentou se aproximar, mas fora puxada para uma ambulância e quando deitou, tudo ficou ainda mais difícil de entender.

Sakura despertou depois com muita luz sobre si, manchas se mexendo ao redor.

— Ela acordou, acordou! – Noein exclamou, descendo da poltrona ao lado da cama, Sakura se remexeu sentindo os cateteres, e o bipe dos aparelhos, piscou limpando melhor a visão, viu Noein sair do quarto mas logo retornar atrás de Sasuke.

Ele se abaixou contra a cama, pegando sua mão e descansando a outra na cabeça.

— Querida, querida, fique quietinha, calma, sim?

— O que o... Rachel, Mark....O bebê?

— Estão todos sendo atendidos, certo? Não se mova muito, foi uma batida forte.

— Batida...?

— Sim, você não lembra?

— Muito rápido... Estou enjoada.

— Fique quietinha, vai ficar tudo bem, com você e o bebê.

— Não quero ficar aqui, sozinha. – Ela ciciou, ameaçando chorar, Sasuke beijou sua cabeça, angustiado. Sabia o quanto ela detestava hospitais.

Graças a Deus a batida não fora tão violenta, e afetara mais na lateral frontal do carro, em Mark que provavelmente precisaria usar um colar cervical, Rachel só tinha alguns arranhões e vontade de matar o idiota que avançou o sinal.

Ele apertou a mão de Sakura, ainda sentindo as próprias tremendo.

Aquela coisa do inevitável cercando de novo. Você fazia de tudo pra manter tudo bem, e nem sabia de onde o golpe podia vir, era aterrorizante.

Ela já estava dormindo quando o médico finalmente veio, deixou Noein com ela e saiu do quarto.

— E então?

— Ela e o bebê tiveram sorte, se a batida tivesse sido mais perto do banco dela, poderia ser bem pior.

— Mas eles vão ficar bem?

— Ela teve um leve descolamento de placenta, o que no caso dela, pode se tornar bem complicado, vai precisar de total repouso de agora em diante.

— Certo... – Ele respirou profundo e lentamente, o médico apertou seu ombro, otimista.

— Faltam quase quatro semanas para o parto, então podem ficar calmos e somente esperar sossegadamente, certo? Ela e o bebê são durões.

— Vão acabar comigo rapidinho.

— Eu só vou precisar que ela fique aqui essa noite, tudo bem? Em observação.

— Completamente, eu fico com ela.

— Certo, passo aqui depois e verifico as coisas.

Sasuke concordou, voltando para o quarto, sentou na beira da cama por que Noein cochilava na poltrona, estava exausto de se divertir com os avós.

Refletiu por um momento, que ele já os chamava assim, também não deixava de dizer que Sasuke e Sakura eram seus pais, apesar de ainda não os ter chamado diretamente por pai e mãe.

Imaginou que isso poderia vir hora ou outra, ou que ele se adaptaria a chamar Sakura de mãe mais rápido, posto que ainda tinha uma figura paterna "presente”, o idiota que ainda estava preso.

— Oi. — Rachel sussurrou, entrando no quarto, tinha apenas um corte no supercílio direito. — Tudo bem por aqui?

— Sim. Ela está bem, terá alta amanhã.

— Ah. — Rachel relaxou, os olhos molhados. —Graças a Deus, tudo bem mesmo? E o bebê?

— Também, mas vai precisar de repouso absoluto até o parto.

— Ótimo, compraremos algumas correntes e resolvido. – Ela disse, contornando a cama e se sentando atrás de Sakura, acariciou sua cabeça. — Tão teimosa. Ah, você pode, ir ver Mark depois? Ele está dormindo agora, mas estava tão assustado, quer se desculpar com você, se sente culpado...

— Não, tudo bem, não foi culpa dele.

— Ele disse que viu, só não teve tempo de retroceder o bastante, mas ao menos o impacto foi mais forte nele.

— Ele vai ficar bem mesmo?

— Ele deslocou o ombro e vai precisar usar o colar... Ah, meu garotão do colégio está velho... – Ela sorriu, nostálgica. — Mas é tão assustador... Pensar em não envelhecer com ele...

Sasuke concordou, apenas, se pondo um pouco no lugar, aqueles dois tinham história, devia ser aterrador mesmo.

— Noein vai ficar com vocês? Eu vou buscar roupas pro Mark, ele vai descansar mais uns dias aqui, posso levá-lo.

— Já pedi pro meu irmão vir buscá-lo.

— Okay.

*

Sakura entrou na casa sentindo que estava no meio de uma conspiração, por isso o mau humor.

— Onde estão os cães? – Indagou, rabugenta.

— Estão presos até que você se instale, sabe como viram tornados quando alguém chega, e a madame está vetada a quedas, tombos, escorregões, batidas, saltos, fugas...

Ela o fulminou com o olhar, subiram as escadas devagar e encontraram Ethan lá no topo.

— Chegou o imã de desastre...

— Despeje ele. – Sakura sibilou, Sasuke riu, direcionando-os ao quarto, ajudou-a a se deitar e por as pernas na cama e tirou as sapatilhas feias que ela calçava. —E jogue essas coisas feias fora.

— O quê? Essas gracinhas aqui? Pois saiba que seus dias de salto alto estão abolidos até o bebê nascer, e estas serão suas novas amiguinhas.

— Vá se danar, você não manda em mim. Só estou aqui por que Rachel já vai ter trabalho demais cuidando das crianças e do Mark, e seus pais já tem idade, precisam mais é de sossego...

— Exatamente. – Ele disse, todo jocoso. — Enquanto eu, estou perfeitamente disposto e vou adorar cuidar da senhora aqui.

Isso meio que soou como ameaça ou ela estava muito desconfiada mesmo. Mas não estava gostando dele todo só sorrisos, e gentilezas e mordomias e tudo mais.

Sasuke beijou sua cabeça e se afastou.

— Vou arrumar suas coisas no closet, Ino e Karin estão fazendo o almoço, mamãe também está vindo te mimar... – Sasuke parou na porta, fitando-a. — Quer uma massagem nos pés?

Sakura virou para o outro lado, abraçando o travesseiro, muito birrenta.

Ela era a bolota mais engraçadinha desse jeito, Sasuke deixou o quarto e foi ver se as garotas não estavam destruindo a cozinha.

— E aí, acalmou a fera? — Ino brincou.

— Ao contrário, está redondinha e perigosa.

— E você pronto pra brincar com o perigo. – Karin repreendeu. — Sério, Sasuke, dê um tempo.

— Eu estou dando, serei um deus da paz, podem ver, do carinho, tortas e massagens nos pés.

Ambas se entreolharam nada confiantes, mas deram de ombros, no arrumou a bandeja e subiu, Sasuke foi pegar o resto das coisas de Sakura no carro, quando retornou para a porta, já foi de encontro com a mãe.

— Querido, como está?

— Tudo maravilhoso.

— É...? E Sakura, como está?

— Na cama, sendo bem alimentada.

— Hahaha, sim? Ainda não comeu seu fígado?

— Eu já comprei um de gado, mas não diga que pretendo enganá-la.

— Você está bem humorado mesmo ou é só medo?

— Ambos. – Ele riu, e suspirou, abatido. — Eu a deixei realmente magoada desta vez.

— Vai ficar tudo bem, meu amor. Relacionamentos são assim mesmo, ainda mais no comecinho, com tantas coisas se adiantando...

— Haha, sei bem.

Entraram no quarto, Sasuke foi logo ao closet enquanto Mikoto rodeou Sakura na cama, abraçando-a.

— Meu benzinho, como está? Melhor? Que susto, hein?

— É, me desculpe por isso.

— Desta vez não foi sua culpa, não é como andar no telhado com uma arma, certooo?

Sasuke quase teve pena dela, mas preferiu deixá-la levar um esporrinho também.

— Er.. Acho que não...

— Que bom que agora está tudo bem, você está em casa, aquele caso horroroso acabou e meu netinho estará chegando logooo!

— Acho que sim... E o que trás aí? – Disse, olhando uma sacola curiosa. Mikoto bateu palmas e catou a sacola, tirando um conjunto de roupinhas de bebê.

— Achei essas coisinhas lindas ontem! Veja o tecido! Não é delicioso?

— São lindas, eu tenho que comprar mais... – Sakura recordou, um pouco abatida.

— Vai ter tempo! O bebê cresce rápido, e tenho umas do Sasuke que usou.

— Ainda existem?

— E muito bem conservadas, viu?!

— Nossa...

*

Uma semana depois.

— O que você vai dar de presente pra Sakura? – Noein perguntou, enquanto fazia desenhos sobre a mesa de centro, atulhada de materiais.

Sasuke passou a página do jornal, suspirando.

— Uma focinheira?

— Mais fácil você usar.

— Já descartei, mas e quanto a você?

— Eu? Hehe, eu estou fazendo meu presente.

Sasuke arqueou o cenho, fitando a mesa cheia de tralhas.

— Fazendo o quê?

— Um álbum pro bebê, mas vou ter que pintar de verde, já que não sabemos o sexo.

— Já disse que vai ser menino.

— Por isso eu dou 80% de chances de ser menina...

— Garoto, você tem que parar com esse complexo de ser do contra.

Noein não respondeu, levantou-se para atender a campainha.

— Bom dia, não te conheço, quem é você?

Sasuke revirou os olhos, nada surpreso com a sutileza do moleque.

— Er... Hidan, e você é?

— Noein.

Sasuke se levantou, olhando por cima do sofá.

— Hidan? – Contornou o sofá, o encarando, confuso. — Que veio fazer aqui?

— Sakura me chamou.

— Sakura?

— Ela está? Acabei de vir de Seattle...

— Finalmente deu as caras. – Sakura disse, enquanto descia as escadas, usava sapatilhas, e um vestido azul estampado com um laço acima da barriga e fita no cabelo. — Achei que iria me sacanear de novo...- Alfinetou, brincando.

— Você... Está grávida? – Ele soltou, muito espantado, ela assentiu, com as mãos na cintura.

— E não é?

— Mas que... Desde... Como? Meu Deus, você está linda, Sakura!

— É? Você acha? Se você diz... Mas vamos logo, você tem que ver os filhotes!

Sakura o puxou pelo braço antes que Sasuke parecesse capaz de cometer um crime de ódio.

— De quantos meses está? É menino ou menina?

— Er... Oito...

— Quem é o bonitão? – Noein indagou. — Caramba, você viu o carrão que tá lá fora?

— Aprecie bastante, pois eu vou amassar ele todo, com o carro da Sakura!

— Vou ver se descolo umas selfies. – Noein correu pro andar de cima, Sasuke foi atrás de uma cerveja, antes que resolvesse subir lá e soar babaca.

*

— Então? Já escolheu?

— Sinceramente... Só você pra me vir com essa. Nem sabia que gostava de cães.

— Aprendi a gostar, mas a densidade canina aqui está meio acima do recomendado.

— Não duvido... Que tal... Este aqui? – Hidan catou Berry, o estudando, era rechonchudo e branco como a mãe.

— Ele não é um amorzinho? Seu menino vai adorá-lo, sério.

— Espero, a mãe dele também vai, diz que é louca por animais.

— Deve ser mesmo, está com você.

— Vamos lá, deixe para me esculachar depois que eu levar o filhote, ao menos.

— Prometo que vou deixar os nomes feios pra depois que você for.

Hidan suspirou, segurando o filhote embaixo do braço.

— Realmente não acredito que a estou vendo assim... E está exatamente como imaginei que ficaria...

— É um elogio? – Ela ironizou.

— Você sabe que sim, não é como se eu não quisesse ter tido filhos com você... Nós nos... Perdemos, hein?

Ela assentiu, mas sorriu, compassiva.

— Mas nos encontramos, isso é bom.

— É... Acho que sim. – Hidan afirmou, parecendo mais atingido do que ela por esses pensamentos sobre o passado.

Não achava que ele se sentia culpado de terem errado lá atrás, mas ainda era um pouco frustrante pensar no que poderiam ter acertado.

Era estranho também, se ver com a vida feita um sem o outro. Talvez por isso ambos tivessem se evitado tanto e ela só o ligara por impulso e ele certamente só veio, sem esperar dar tantas mudanças também.

— Então, cuide bem dele, ou mato você, ele já tomou suas primeiras vacinas e se chama Berry!

— Hã? Já tem nome?

— Mas claro, achou que daria números pra eles? São praticamente meus netos!

— Você é inimaginável mesmo. Certo, cuidarei bem dele, talvez o traga pra visitar os pais?

— Porque não?

Hidan riu, seguindo-a de volta para o andar de baixo.

Na porta, ela afagou as orelhinhas do filhote quase a até chorar, até agora haviam doado este e mais três filhotes e sempre morria de dó.

— Vou passar numa loja e comprar tudo o que ele precisa, certo?

— Certo. Adeus, Berry, morda as bolas dele se for mal com você.

— Que bom que não vão adestrá-los antes de doar...

— Cai fora, Hidan.

— Até.

Ele seguiu para o carro, Sakura e seu diabinho interno torceram para Berry “batizar” aqueles bancos de couro.

— Estamos quites... – Sasuke sussurrou em seu ouvido, ela se virou quase pulou lá fora e o encarou, esbugalhado. Ele apenas se afastou, avisado. — Eu entendi, hein? Entendi tudinho, estamos bem quites agora.

Ele subiu as escadas e ela continuou observando, muito atônita ainda.

— Que cara maluco...?

— É o que dá ficar de gracinha com o ex. – Noein comentou, enquanto comia uma fatia de melancia. — Esse negócio de ex, hum hum, não dá certo...

Sakura cruzou os braços e estreitou os olhos pra ele.

— E o que você sabe sobre ex, hein?

— Não vira o jogo pra mim, madame.

— Vou virar é a sua orelha, garoto!

— Eu só estou comendo melancia.

Sakura bufou, desistindo deste modelo atualizado de Sasuke, estava mais preocupada com o antigo.

Talvez ela tivesse exagerado um pouquinho, mas não era como se Hidan fosse ameaça. Ou que achasse que Sasuke se incomodaria tanto (o que ela amou).

Na verdade, devia admitir, tinha gente com ex muito mais problemáticos e perigosos...

*

Lisa abriu a porta, sorridente, deparou-se com uma figura esbelta e intimidadora de tão marcante.

— Pois... Não?

— Você deve ser Elisabeth...- Ela sorriu, os olhos eram cor de mel escuro e confiantes, parecia uma estrela de cinema e seu cabelo rosa um tanto desbotado, tinha um corte curto e moderno, o vestido preto era adequado para a idade e ao mesmo tempo, a rejuvenescia, se apegando a esbeltas curvas.

Lisa não soube quanto tempo ficou parada e encantada com sua figura.

— Sim... Sou...

— Hm... É a cara da mãe, pena... Enfim, seu pai está? – Ela sorriu de novo, era um sorriso meio falso, meio escarnecedor, mas charmoso.

— Está, a senhora é?

— Lisa, querida, com quem...- Delilah disse, vindo até a porta, com uma bandeja em mãos, seus olhos azuis grudaram na estranha, completo horror dominou sua face e ela largou a bandeja no chão, gritando em meio a estardalhaço.

Lisa não sabia o que fazer, alternando-se entre as duas, a estranha revirou os olhos, aborrecida e entediada e seu pai finalmente chegou, atônito.

— Que diabos se passa aqui?

— Pa-papai, calma.

Delilah apenas se agarrou nele, apontando para a porta, Kizashi passou a frente, parando no porta e fitando a mulher, descrente, mas cada vez mais certo.

Só podia ser ela, voluntariosa, atraente, indomável e dominante e como sempre, um furacão por onde passava e pronta para criar catástrofe aonde chegasse.

E ela chegou.

— Mebuki... O que faz aqui?

— Que modos de receber uma velha conhecida, meu caro. – Ela cantarolou, mordiscando a ponta da haste dos óculos escuros que segurava. — Não que eu já não esperasse isso de você... Nunca soube tratar um mulher como ela merece.

— Seja direta.

Os olhos de Mebuki converteram-se numa camada fria e rancorosa que ele não reconhecia. Ela desmanchou seu sorriso de estrela, e retorceu os lábios numa linha ameaçadora.

— Sejamos diretos então. Quero encontrar com a minha filha. Isto não é um pedido, é somente um aviso.

Notas finais
O resumo desse cap so pode ser dito como: "PARECE QUE O JOGO VIROU, NÃO É MESMO?"