Killer Queen
13 Walking Through Death
Notas iniciais
O homem estava inerte do chão, seus olhos cerrados e sua blusa e rosto estavam pintados de vermelho. Uma risada diabólica ecoou pelo local. Ele sentiu seu corpo tremer e seus olhos se abriram lentamente.
– Acorde Grissom – disse sarcasticamente. – Você vai perder o show – comentou sem tirar os olhos da loira.
A mulher estava deitava no chão, imóvel, seus olhos semiabertos ainda possuíam um resquício de vida e imploravam por ela. Seu peito estava manchado de sangue, assim como sua mão que permanecia sobre o ferimento de bala. Grissom só percebeu o que estava acontecendo quando viu aquela imagem à sua frente. Ele tentou se levantar e sentiu seu braço esquerdo latejar, ele não conseguia movê-lo. A queda fez com que ele caísse em cima do braço com força.
Ele não podia acreditar que a loira havia se jogado na sua frente para salvar sua vida. As lágrimas começaram a invadi-lo. Recolhendo todas suas forças, o supervisor se levantou e correu até Catherine. De joelhos ele apoiou a cabeça dela em seu colo.
– Não morra – suplicou –, por favor.
– Gil – sussurrou.
– Não gaste energias – disse colocando delicadamente o dedo em seus lábios. – Você vai sobreviver.
– Não vou – disse em seguida. – Você sabe disso – tossiu. – Eu preciso dizer...
Mais uma vez a tosse interrompe a loira.
– Cath, por favor – Grissom não conseguia mais controlar as lágrimas.
– Eu... – sussurrou fazendo Grissom se aproximar mais para ouvi-la melhor. – Te amo Gil.
Catherine soltou um último suspiro e seus olhos se fecharam.
– Cath... – segurou sua cabeça mais perto. – Eu também te amo – sussurrou no seu ouvido.
– Estou emocionado – a voz de Charles fez Grissom o encarar com fúria. – Quem diria que um dia, Catherine Willows seria capaz de amar – ironizou voltando a apontar a arma para o supervisor. – Mas não se preocupe, logo você encontrará com ela – disse se preparando para puxar o gatilho.
– Seu bastardo – Grissom esbravejou se levantando. – Filho da...
O barulho de sirenes interrompeu Grissom fazendo-o olhar para trás assustado. Ele novamente se vira para encarar Charles, mas o homem havia sumido. Sem deixar rastros.
– Gil – Nick corre na sua direção. – Você está bem? – o rapaz o abraça com força.
Grissom não reage, apenas olha por cima do seu ombro para o corpo inerte de Catherine. Nick percebe o olhar de Grissom e se vira para a loira.
– Gil – ele suspira. – Eu sinto muito – coloca a mão em seu ombro.
– Ela salvou a minha vida – disse entre soluços.
– Foi melhor assim – comenta baixinho –, ela não era quem nós pensávamos que era – ele se interrompe ao ver o olhar de Grissom. – Mas você já sabia disso, não é?
– Eu... – tenta controlar as lágrimas. – Eu amei ela Nicky – encara o rapaz –, com todas as minhas forças.
– Eu sei – ele volta a abraçar o supervisor.
–----
Um ano após o acontecido, todos no departamento haviam superado e de certa forma esquecido de como foram enganados por uma serial killer. Menos uma pessoa. Grissom ainda sonhava todas as noites com a loira de olhos azuis que havia cativado seu coração. Ele ficou mais tranquilo quando soube que encontraram o corpo de Charles enterrado no quintal atrás da sua própria cabana. Ele fora morto com um tiro no meio da testa e a culpa recaiu sobre um de seus capangas, que foi imediatamente preso. O departamento ainda estava à procura das pessoas que haviam contratado o serviço e do resto dos assassinos contratados, mas aos poucos a situação ia se resolvendo.
Grissom estaciona seu carro perto de um cemitério no meio do nada. Ele pega um buquê de rosas vermelhas no lado do banco dos passageiros e sai do carro. Grissom caminha por entre os túmulos com a cabeça baixa. Pisava pesadamente sobre a grama verde como se carregasse o mundo em seus ombros. Ele chega até uma lápide específica e se ajoelha à sua frente.
– Catherine Willows – suspira. – Você não sabe a falta que me faz – diz colocando o buquê na frente da lápide que possuía o nome da loira.
Ele observa a lápide por alguns segundos e em seguida retira do bolso um pedaço de papel. Ele olha para a escrita de forma pensativa. Grissom balança a cabeça negativamente, amaça o papel e o joga de lado.
– Isso não faz sentido – suspira.
Dois olhos azuis o fitavam, não muito longe dali, atrás de algumas árvores que cercavam o cemitério. A mão delicada encostou de leve na árvore e soltou um suspiro. A silhueta feminina se movimentou devagar.
– Grissom.
A voz suave fez o homem se virar assustado e encarar os olhos azuis que surgiam de trás das árvores.
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