Killer Queen
10 Suspicious Minds
Notas iniciais
Grissom estranha a movimentação da loira. Ele a vê entrar em um beco escuro e longe do movimento, mas Catherine se movia rapidamente, fazendo-o a perder de vista. Ele corre na direção onde havia visto a loira pela última vez, mas estava tudo tão escuro que ele não conseguia enxergar nada. Grissom continua caminhando vagarosamente e olhando ao seu redor, mas um som estridente o faz parar de repente com os olhos arregalados. Um tiro. O supervisor corre em direção do barulho temendo pela vida de Catherine.
Grissom solta um grito apavorado. Nada poderia deixa-lo mais chocado do que o que via na sua frente naquele exato momento. Catherine estava de costas para ele, segurando uma arma em sua mão. À frente da loira, havia um homem deitado no chão, com os olhos abertos e um tiro no meio da testa. Grissom levou a mão à boca.
Ao ouvir seu grito, Catherine se vira assustada e vê Grissom a olhando. Seu olhar continha um misto de surpresa, medo, raiva e pena. A loira nunca havia visto aquele olhar, e não sabia o que sentir em relação a isso. Ela sentiu vontade de chorar, mas não saíram lágrimas de seus olhos. Ela sentiu vontade de explicar para Grissom, mas sabia que não adiantaria. Mesmo assim, ela tentou:
– Gil – ela suspirou deixando a arma cair aos seus pés. – Não é o que você está pensando – ela se odiou naquele momento por usar um clichê tão ultrapassado para se explicar.
Grissom abriu a boca para falar, mas as palavras morreram em sua garganta. Ele sentiu seus olhos umedecerem. Grissom não podia acreditar no que vira. A mulher que ele acreditou estar amando, era uma assassina. Uma assassina a sangue frio. Ele olhou o homem deitado ao chão e o reconheceu como o homem que Nick havia descrito, quando viu uma mulher apontar uma arma para ele.
Ele voltou a olhar Catherine, mas agora seus olhos apenas exprimiam desprezo. A loira sentiu uma pontada no peito, ver aquele homem a olhando daquela forma a partia no meio. Grissom se aproximou vagarosamente com o mesmo olhar e rasgou o tecido da manga do braço direito de Catherine, deixando à mostra a marca da bala que pegara de raspão.
– O tiro – ele sussurrou quase inaudível.
Aquilo lhe tirava qualquer resquício de dúvidas. De repente ela se sentiu fraca. Catherine caiu de joelhos aos pés de Grissom.
– Por favor – suplicou. – Me perdoe – o encarou, seus olhos estavam úmidos.
– Você não é melhor que nenhuma dessas pessoas que você matou Catherine – disse juntando todas suas forças. – Aliás – se afastou da loira –, é esse mesmo seu nome? Catherine? Sobre o que mais você mentiu? Fez todos da equipe de bobos. E aquela noite...
– Foi verdadeira – gritou se erguendo do chão e se aproximando de Grissom. – Eu nunca achei que eu poderia amar Grissom. Mas eu posso. Eu te amo – disse encostando a mão do peito do supervisor.
– Eu não posso mais confiar em você – disse segurando a mão da loira e a levando para longe de si.
– Gil... – a loira viu o homem se afastar. – Gil! – gritou com mais força. – Não me deixe sozinha, por favor – suplicou baixinho.
–----
Grissom estava sentado no sofá da sala de frente para a televisão ligada, porém não prestava atenção nas palavras do âncora do jornal da noite. Seus pensamentos eram atormentados pela visão da loira, naquele beco escuro, segurando uma arma na mão enquanto um homem jazia morto no chão. Ele havia tomado um banho para tentar se acalmar, mas não adiantara. Tudo o que conseguia pensar era em Catherine. Grissom queria denunciá-la, fazer ela pagar pelos seus crimes, mas ao mesmo tempo queria abraça-la, protege-la. Ele não conseguia tirar da cabeça a imagem dos olhos da loira suplicando, pareciam verdadeiros, mas ele não sabia se podia voltar a confiar nela algum dia.
Seus devaneios foram interrompidos pelo som da campainha. Grissom olha na direção da porta, mas não se move. Ele não queria falar com ninguém naquele momento. A campainha toca mais uma vez. Entendendo que a pessoa por trás da porta continuaria a insistir, o homem levanta e caminha a passos lentos até a porta, tentando atrasar o máximo possível aquele momento.
Ele abre a porta vagarosamente e a primeira coisa que vê são dois olhos azuis o encarando. Ele se assusta com a imagem da loira a sua frente e, franzindo a testa, tenta fechar a porta novamente. Todavia, Grissom se surpreende com a força da loira, ao vê-la segurar a porta com a mão, impedindo-o de fecha-la.
– Nós precisamos conversar Gil – disse suplicante –, por favor – completou ainda segurando a porta.
Grissom se calou e lhe lançou um olhar de repudia, o que fez a loira estremecer por dentro. Apesar disso, sua expressão continuou inalterada. Ela estava disposta a falar com Grissom, e faria isso de qualquer maneira.
– Eu não vou embora – disse determinada. – Ou você me escuta, ou me escuta.
O supervisor se espanta um pouco com a atitude da loira, mas o homem não resiste ao seu olhar e cede. Com os olhos voltados para os próprios pés, ele abre passagem para a loira entrar. Grissom a observa caminhar para dentro de seu apartamento observando cada detalhe e se sentar no sofá antes de fechar a porta atrás de si. Lentamente ele vai até o sofá a frente de Catherine e se senta com os braços cruzados a olhando de forma inquisitiva.
A loira solta um longo suspiro e começa a narrar sua história:
– Aos cinco anos de idade meu pai me deixou com um homem chamado Thomas Anderson, para me afastar dele e de qualquer coisa relacionada ao seu emprego – contou com os olhos úmidos. – Eu só entendi o que ele quis dizer com aquilo dez anos mais tarde.
“Eu não lembro de muita parte da minha infância. Eu não brincava, não saia para a rua. Nada. A princípio, eu lembro que chorava muito, e tentava entender por que meu pai havia me largado ali. Tudo o que Thomas fazia era me “ensinar” a não ter sentimentos. A ser fria. Após um ano com ele, eu não chorava mais. E não derramei mais nenhuma lágrima a partir daquele dia. Nem mesmo quando meu pai morreu.
“Aos meus quinze anos, Thomas começou a me abusar sexualmente. Eu não sentia nada, mas aquilo me fez despertar meu desejo por sangue. Em uma das noites em que ele entrou no meu quarto, eu peguei uma faca e dei um golpe certeiro em sua jugular. Depois de dez anos, aquela era a primeira vez que eu sorria.
“Eu fugi. E então conheci Charles. Ele tinha vinte anos na época e trabalhava para o meu pai. Foi só aí que eu descobri o que meu pai fazia. Quando alguém queria outra pessoa morta, entrava em contato com papai, que contratava um assassino de aluguel para fazer o serviço, em troca de uma alta quantia de dinheiro. Descobrindo o que eu havia feito com Thomas, Charles deu a ideia de mim começar a trabalhar com eles. No começo papai relutou, não queria que sua filhinha fizesse aquele tipo de serviço. Mas ele viu que era aquilo que me fazia feliz. Então, ele cedeu. E toda vez que eu fazia uma vítima, um sorriso se desenhava nos meus lábios.
“Quando papai morreu, ele deixou Charles como responsável pela companhia e eu sob seus cuidados...
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