Killer Queen
11 First Time
Notas iniciais
O supervisor ouvia com atenção a narrativa da loira. Assim que ela terminou, Grissom soltou um longo suspiro.
– Você matou diversas pessoas a sangue frio Catherine – disse indiferente –, inocentes e culpados. Nada do seu passado justifica o que você fez. Como você quer que eu perdoe alguém que se sente feliz ao matar alguém?
– Você tem razão Gil – disse de cabeça baixa. – Mas você me mudou – levantou o rosto o olhou nos olhos –, eu não tenho mais vontade de matar. Eu não me sinto bem com isso. Não mais. E quando eu estou com você – a loira segura firme a mão de Grissom –, eu me sinto viva de novo, eu sinto vontade de rir e todos os meus sentimentos se afloram como nunca antes. Eu sinto como se eu tivesse cinco anos de novo.
Catherine se levanta sem soltar as mãos de Grissom e se senta ao seu lado no sofá.
– Eu te amo – diz com sinceridade o olhando profundamente.
– Eu também – sussurra quase inaudível.
Catherine aproximas seus rostos. Eles podiam sentir a respiração um do outro. O coração de Grissom dispara e o supervisor perde completamente a possibilidade de raciocinar. Movido pelos instintos, ele a segura firmemente pela cintura e beija a loira com paixão. Sua boca desce para seu pescoço, fazendo Catherine soltar um gemido baixo. Grissom volta a beija-la, enquanto suas mãos percorriam todo o corpo da loira. Sem quebrar o beijo, ele a deita delicadamente sobre o sofá e fica por cima dela. Os dois estavam sedentos por aquele momento e logo, ambos, se encontravam nus. Grissom explorava o seu corpo com beijos, mordidas e chupões, fazendo a loira soltar gemidos de prazer. Sem mais delongas, o casal se entrega a paixão e todo o desejo que eles haviam guardado por tanto tempo, explodia conforme seus corpos se movimentavam em uma sincronia perfeita.
–----
Os primeiros raios de sol invadem o quarto onde o homem dormia pacificamente com apenas um fino lençol cobrindo seu corpo nu. Ele abre os olhos com dificuldade e se vira para o lado a procura de uma certa loira. Mas o lado direito da sua cama estava vazio. Ele solta um longo suspiro e em seguida respira fundo, sentindo o perfume que a mulher havia deixado para trás. E sorri, por dessa vez ter sido realidade, e não um sonho.
Repentinamente, ele se recorda quem era a mulher com quem ele dormira. Uma assassina. E se odeia por ter caído em seus encantos. “Mas o que posso fazer se o amor que sinto por ela é maior do que o ódio que sinto pelo o que ela é?”, pensou consigo mesmo enquanto rolava para o lado do bidê onde seu celular se encontrava.
Querendo atrasar o momento que teria que encarar a sua equipe e mentir sobre quem Catherine era, Grissom liga para o departamento para avisar que não estava se sentindo bem e que não iria para o trabalho naquele dia. Em seguida se levanta e vai tomar um banho demorado para tentar colocar as ideias no lugar.
–----
Catherine chega em casa e joga sua bolsa com força contra o sofá. Por sorte conseguira ir embora do apartamento de Grissom antes que o mesmo acordasse. Encara-lo naquele momento seria a coisa mais difícil que a loira poderia fazer.
Ela vai para seu quarto, pega uma grande mala de cima do armário e começa a guardar algumas roupas, sapatos, itens de higiene pessoal e também seu armamento. Vai até a gaveta do criado-mudo ao lado da cama e verifica seu passaporte. Apesar de saber o quanto Grissom a amava, Catherine precisava partir antes de Charles descobrir que ele sabia sobre a verdadeira identidade da loira. E se ela estava fazendo aquilo era por que o amava também, mas não poderia dizer adeus. Tudo se complicaria ainda mais.
– Eu sinto muito – suspirou baixinho.
– Sente? – a voz irônica atrás da loira a fez se virar assustada. – Sente mesmo Cath?
– Charles? – perguntou incrédula. – O que você está fazendo aqui?
– Vim saber como passou a noite – sorriu de forma sombria –, afinal não dormiu em casa.
– Anda me vigiando Charles? – lhe lançou um olhar mortal, porém o homem não reagiu.
– Exatamente – respondeu frio. – Desde que notei que você seria fraca e uma hora ou outra acabaria se apaixonando por um certo supervisor. E de fato aconteceu – se aproximou segurando seu queixo –, não é mesmo minha loira?
– Não me apaixonei por ninguém – disse confiante enquanto empurrava sua mão para longe.
– Não? – olhou de esguelha para a cama da loira. – Então por que essa mala e o passaporte em cima da cama. Não me diga que irá tirar alguns dias de férias? Irá viajar Cath? – perguntou ironicamente.
– Isso não é da sua conta – se virou e pegou a mala a levando na direção da sala.
– Isso é da minha conta – disse incisivo a acompanhando e a segurando pelo braço com força. – Temos um contrato, se você não se lembra.
– Eu lembro muito bem desse contrato inútil – respondeu o empurrando para longe. – E você deve ter consciência de que ele não vale nada.
– Se você quiser fugir – disse indiferente –, fuja. Eu sei muito bem que não posso lhe impedir.
– Ótimo! – exclamou abrindo a porta para que o homem se retirasse.
– Porém... – disse imóvel. – Eu ainda quero um último favor seu, minha querida – a olhou intensamente. – Na verdade, não é bem um favor. Está mais para um serviço...
Pela primeira vez desde que conheceu Charles, a loira estremeceu por dentro ao ver o sorriso maligno que se desenhou nos lábios do homem a sua frente.
–----
Grissom não pôde evitar sua ida ao laboratório. Uma nova pista havia surgido do caso em que estavam trabalhando e ele queria se certificar de que Catherine não seria uma suspeita. Sim, ele havia se decidido a não contar nada para ninguém sobre Catherine. E também havia pensado na possibilidade de fugir com a loira. Depois da noite que haviam passado juntos, todos seus desejos mais ocultos e obscuros vieram à tona. E ele estava disposto a se aventurar pelo mundo ao lado de Catherine, custasse o que custasse.
– Meu tiro não foi de todo mal afinal – Nick tira o supervisor de seus devaneios.
– O que você quer dizer Nick?
– Sangue Grissom – disse eufórico. – O tiro que pegou de raspão foi o suficiente para respingar sangue da mulher no chão. Agora é só passar no banco de dados e ver se ela está no sistema.
Naquele momento o coração de Grissom parou e seus músculos congelaram. Ele sabia que em pouco tempo eles descobririam que Catherine era a verdadeira assassina. Afinal, ela teve que dar suas digitais e amostra de DNA quando entrou para o CSI.
– Grissom? – Nick perguntou se aproximando do supervisor. – Você está bem? Não parece contente com a descoberta – disse preocupado ao ver a palidez do amigo.
Ele estava completamente sem reação. Finalmente ele percebeu o que poderia acontecer com Catherine. E Grissom não podia mais viver sem ela, estava completamente viciado naqueles olhos azuis e naquele sorriso contagiante, que poucas vezes conseguira arrancar dela.
– Eu...
– Alguém viu Catherine? – Grissom é interrompido pela voz incisiva de Brass, fazendo-o gelar novamente ao ouvir o nome da loira.
– Ela não apareceu hoje para trabalhar – Nick se pronunciou. – Você viu ela Grissom? – se virou para o supervisor com um sorriso nos lábios.
– Não – disse rapidamente. – Por que? – se voltou para Brass.
– Leia isso – respondeu entregando uma folha para Grissom. – Ela me mandou por e-mail.
Os olhos de Grissom percorreram a folha e ele não acredita no que lê.
– Mas isso... – diz num sussurro baixo.
– É uma carta de demissão – Brass termina a frase.
– O que? – Nick se assusta. – Mas por que? Ainda mais assim, tão repentinamente – diz incrédulo.
– Isso não pode ser verdade – Grissom sussurra não acreditando nas palavras à sua frente. – Mentirosa! – esbraveja amassando o papel e o jogando no chão com raiva.
Nick e Brass se assustam com a reação de Grissom. Sem dar explicações à ninguém, o supervisor sai da sala onde se encontravam antes que vissem seus olhos úmidos. Tudo que ele queria naquele momento era sumir. Queria confrontar Catherine, mas não sabia se teria coragem. Não sabia onde encontrá-la.
Fale com o autor