Killer
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Notas iniciais
Tornei-me insano, com longos intervalos de uma horrível sanidade
Edgar Allan Poe
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O campus de Marshaw a noite não era um lugar muito agradável, e nem mesmo aqueles vagalumes gorduchos zunindo por ali conseguiam melhorar a visão. Havia apenas as luzes de alguns dos quartos, a grama rala fazia nossos pés se afundaram em buracos invisíveis e o cheiro de pinho fazia meu nariz coçar. Sabrina me guiou por um corredor desconhecido, com o chão ladeador por pedras escuras, que me faziam tropicar e me escorar em portas de madeira que eu nem sabia e nem queria saber o que tinham ali.
– Estou curiosa -cochichei em algum momento, enquanto atravessamos um pequeno pátio sujo e vazio, com uma estátua de um anjo quebrada dando charme algum a uma fonte imunda -Existe aqui algum tipo de "quarto da dor" ou do castigo?
Tá, sei que isso pareceu meio exagerado mais, ah vai saber, eu não confio em um lugar assim que ainda por cima é comandado por um bando de freiras esqueléticas. Eu sempre desconfiei dessas pinguins fêmeas cordeirinhas do senhor ¬¬
Sabrina riu, sua risadinha baixa me fez olhar para ela do canto dos olhos, ela parecia uma daquelas bonecas de porcelana, que estava louca para arrancar seus órgãos enquanto você dorme.
Como ela sempre diz, adorável, adorável.
– Tínhamos antigamente o terrível "sala das caldeiras", mas isso foi substituído pela solitária -isso de solitária me fez franzir o cenho ...sala das caldeiras...mas que? O.O...-Sala das caldeiras era um lugar bem assustador, onde um dia Tobias Jonker matou a namorada com sete facadas no estômago, ele foi preso se quer saber e a "solitária" é tipo onde de mandam quando você surta, um lugar branco com as paredes estofadas uma janelinha e uma cama sem graça.
Descemos um pequeno lances de escadas, depois de passar por dois casal de cabelos coloridos se agarrando ao lado da "enfermaria", mesmo assim abri um sorriso, achando esse Tobias bem parecido comigo, porque falando sério eu só parei porque me jogaram para trás. Eu não me importei de rir, enquanto o sangue de Sharise ou Harold espirrava em meu rosto, era até mesmo uma boa sensação. Total controle, eu estava calma e passiva. Poderia encontrar Buda e chegar no meu Nirvana.
– Mas você já foi nesse lugar? -perguntei por fim, olhando para um corredor estreito cheio dos mais estranhos tipos de adolescentes, moicanos azul e rosa, góticos com os pulsos enfaixados, garotas silenciosas com cortes no rosto e garotos chapadões assoprando uma fumaça azul enquanto estavam escorados em pilastras sujas.
Sabrina entrando no clima altamente suspeito desse lugar, riu me pegando pelas mãos e rodopiando no pouco espaço que ali tinha, ela me encarou e fez um "shiiu".
– Sabe, depois daqui lá minha segunda casa, e o bom é que la não tem comida, eu adoro, adoro isso -ela então arregalou os olhos, apertando minhas mãos fazendo minha atenção ir diretamente a ela -Por favor Amanda, não me deixe comer, eu não quero, eu não posso ...ouviu, nada.
– Ok, você que sabe -eu realmente não ia interferir nessas esquisitices dela, por mais que a achasse magra demais para os "padrões", ela apenas sorriu, enquanto acenava para algumas pessoas.
– Certeza de que aqui ninguém pode ferrar com a gente -na verdade já estávamos aqui por sermos um bando de ferrados, mas isso não quer dizer que quero ir para solitária, só porque Sabrina me arrastou pra ver uns idiotas que se acham cantores ¬¬ francamente, eu queria bater em alguém.
– Aaaa relaxa esse seu espirito inquieto, já disse que depois que jogaram a madre das escadas lá, todos estão proibidos.
– Você me disse que foi "acidente".
– A maioria dos acidentes aqui, não são realmente um acidente.
Antes de vir para cá eu andei lendo sobre o lugar, e cair das escadas ou fazer o elevador "despencar" por diversão era apenas algumas brincadeiras bem humoradas do pessoal daqui. Eu ouvia o murmuro de algo, mas realmente minha cabeça estava já em outra dimensão, até que a voz fininha e irritante de uma garota me puxa pra cima.
Diabos...essa coisa falava comigo?
– Sabrina, e quem é essa? Ela me parece nova, hey você entrou hoje aqui? -pisquei, enquanto Sabrina parecia alheia aquele mundo, encarando com a maior alegria a fumaça que saia do nariz de um cara com a camiseta rasgada. Assênti, acima da baderna toda.
– Sim, e você...quem é? -sua voz me fazia dar um salto, era absurdamente alta com aqueles gritinhos ao maior estilo -as patricinhas de beverly hills-, mas ela me parecia tudo menos uma patricinha mimada.
– Bonnie! então ...você é louca? -wow direta, apenas ri assentindo ...afinal, ninguém nunca me disse que eu era mesmo muito normal. Ela riu, enquanto bebia um gole de algo num copo de plástico. Bonnie tinha os cabelos finos e ruivos, o rosto coberto por sardas e cortes, havia olheiras debaixo dos seus olhos verdes e apesar da alegria, ela parecia uma garota bem triste.
Então sorri apontando para sua camiseta.
– Adorei sua camiseta -ela olhou para si mesma, na legenda que dizia um "I hate boys" e sorriu dando de ombros, descartando seu copo em algum lugar.
– Eu realmente os odeio, depois de você ser estrupada por um deles, o minimo que se pode fazer é um casaco com a pele do mesmo.
Arquei minhas sobrancelhas, sério? Francamente ....
– Tá falando sério?
– Ahan, só digo que um eu não fiz um casaco, mas usei como tapete ...ai me descobriram e eu fui parar no bloco B -ela bufou, como se achando sua má sorte meio chata -A gente se vê por ai, você é legal, me visite qualquer dias desses, Amanda.
– Hey, como sabe meu nome -ela apenas já tinha sumido. Bloco "b" é pra lá que ia os "mais loucos que o recomendado", ficava em uma parte afastada do qual eu me encontrava, eu estava na chamada de "zona neutra". Eu por enquanto estava neutra, por enquanto ...Sabrina brotando do além, me fez uma careta.
– Aquela era Bonnie Leslie?
– Bem ...era uma Bonnie.
– Aquela sim é viajada na banana, cuidado -então bateu palminhas como uma foca -tá que essa comparação não foi das melhores, mas ...é o que tem pra agora- Venha!
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O que eu posso dizer de Dark Carnival, pelo que eu soube é que: eram uma banda, os integrantes se conheceram em um tal de "Recanto do arco Iris" um tipo de hospital psiquiátrico, e resolveram colocar toda demência de suas mentes em letras, começaram a tocar em barzinhos e blá, blá ...sucesso puff não mesmo. Quando descobriram o histórico dos cara, os considerando um "perigo a sociedade, com suas mentes sociopatas" eles foram jogados aqui até a segunda ordem.
Certamente Jane deve te-los pego ¬¬
O espaço onde eles estavam tocando era pequeno, na verdade era um porão que fizeram da janela um tipo de "saída de emergência", as paredes de pedras antigas não permitiam que o som saísse. Agora como essa turma conseguiu instrumentos, cigarros ou essas coisas estranhas que estão bebendo ...mistério.
– Se eles vieram com alguma baladinha romântica ou asfixio cada um -suspirei, enquanto Sabrina me olhava com a sobrancelha arcada -Que foi, eu quero é que o amor e os namorados se fundam para a adorável fucklândia, se é que me entende.
– Owww quanta amargura nesse seu coração negro.
– Isso ainda é apenas a cobertura, eu ainda não terminei com aqueles dois nojentos -esbravejei me lembrando de Harold e Sharise ...na verdade de todos que riram as minhas custas, enquanto eu ia sendo dopada -Eu odeio quem ri de mim, ou que me deixa triste, eu não vou deixar barato para eles. Não mesmo.
Sabrina sem olhar na minha direção, mirando o "palco" improvisado abriu um sorrisinho pequeno.
– Você sabe né que está perdendo o juízo totalmente.
– Ah tanto faz, não estou aqui porque sou normal mesmo.
Então começaram a tocar, e eu nem tinha reparado que eram eles, na verdade haviam dois caras e uma garota baixinha de cabelos incrivelmente alaranjados. Eram legais até, e devo ressaltar que o cantor me parecia o próprio Jeff the killer em vida, tanto pelos sorrisos psicopatas surgidos do nada, ou o olhar completamente louco.
Acho que essa era a verdadeira face de um psicopata.
E a letra, bem ...isso era um descaso a parte;
Alguém de um tipo que nunca tinham visto antes
Investigue a aberração, desordem nos miolos
Você me levou ao abatedouro com um sorriso no rosto
Do berço ao manicômio, uma mente deformada
Não há saída deste inferno para uma mente mente distorcida
Eles me chamam de tranquilizante, estou aqui para isolá-lo
Pintamos em preto e branco e você é a sujeira no meio disso
Monstruosidade da natureza, uma doença maligna
Não consegue ver, não consegue ver
Que você não é como ninguém
Você nunca verá pelos olhos de outro alguém
E quem sou para certificar a sanidade de uma mente mente distorcida
Uma vitima da percepção, mente deformada
Menosprezando, castigando
Desumano, fragmentado
Sensação, aberração
Repulsivo, tentador
– Me sinto realmente em casa, sabe ...uma letra bem acolhedora -disse sarcástica com um pequeno sorriso, enquanto balançava meus pés. Era impressionante como os outros membros da banda não expressavam emoção alguma, a não ser a garota de cabelos laranjas que hora ou outra esquecia da guitarra e focava seus olhos no nada e sorria para cima.
– HaHa, não disse ...não disse, adorável, adorável! -Sabrina parecia mesmo gostar daquilo, enquanto comia de algum lugar uma caixa de rosquinha, de onde diabos aquilo apareceu?
– Sabrina -a chamei de canto dos olhos -Você não deveria...comer.
Ela apenas arregalou os olhos brilhantes, enquanto enfiava duas de uma só vez na boca.
– Isso é bom, muito..muito bom, é como mel! eu gosto de mel, eu gosto de abelhas -ela me ofereceu eu apenas neguei, enquanto comia e a musica continuava a ser tocada ela cutucou meus joelhos -Sabe ...você ainda....ta com essa idéia de se vingar dos babacas que riram de você?
– Ahan -sussurrei prestando atenção no pessoal -Porque?
– Você deveria...-ela comia e falava, o que me irritava um pouco, mas tentei me controlar -Você deveria pedir ajuda a eles, aos cara do Dark Carnival, em vingança eles são expert.
Pensei no assunto, sentindo um sorriso realmente sacana cortar em meus lábios, apenas de poder ter aquela sensação de controle de novo, enquanto eu pisava com meu all star na cara da corja suja.
Antes que Sabrina enfiasse outra rosquinha na boca e falasse ao mesmo tempo -o que estava realmente me irritando ¬¬- roubei a caixa de suas mãos, a fazendo fazer uma careta dolorida e puxei a que estava entre seus dedos, dei uma mordida enquanto amassava em minhas mãos, e alargava o sorriso.
– Interessante, conte-me mais.
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