Killer
12 12:
Notas iniciais
Não estamos felizes até que todos saibam que somos doentes
E é assim que nós gostamos.
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Toda aquela enrolação e mistério por trás do “grande baile de halloween” estava me deixando inquieta, e ficar inquieta me deixava mais explosiva que o normal, por isso resolvi aprender a fazer alguns venenos com Julian. Porque melhor do que fazer era pode testar.
E testar em cobaias vivas.
Por isso eu estava me sentindo bem, quando aquela noite pulamos os muros de Marshaw, e ficamos andando pela rua, a procura da vitima perfeita. Eu só conseguia abrir um sorriso silencioso, enquanto caminhávamos, cada um com um frasco de veneno escondido. Paramos em uma praça, observando alguns casais de adolescentes felizes, dividindo sorvete, aquilo me estava me dando náusea, chegou a fazer minha glicose dançar nas minhas veias.
– Será que seria muito anormal sair por ai com flechas envenenadas, dando uma de cupido da morte? –suspirei por fim, enquanto Julian se encolhia dentro do moletom escuro, e me mostrava o rastro de um sorriso.
– Bem, ninguém nunca especificou o que é realmente ser “normal” –ele riu, me fazendo dar uma breve olhada em sua direção –Acho que estaríamos ainda dentro da média.
Apenas estiquei minhas pernas, observando com interesse os rasgos na minha calça, e como minhas doc martens estavam encardidas, nem pareciam se quer azuis –apenas dei de ombros, pegando meu frasco de veneno e o observando contra luz doentia do poste, sua coloração verde me lembrava algo radioativo.
– Eu não quero estar dentro da média, quero estar totalmente fora dela, você sabe né, aqueles que são loucos para fazerem algo considerado estúpido é louco o suficiente para mudar o mundo.
Julian brincou com suas duas seringas contendo uma liquido viscoso, e arcou uma sobrancelha escura na minha direção.
– Wow, você está soando como Jeremy –ele franziou o cenho, rindo –Sei lá se isso é bom ou ruim, porque bem ...francamente não precisamos de mais um Jeremy no mundo, as pessoas estariam realmente perdidas.
Apenas ri ficando de pé e o puxando junto comigo.
– Não quero ser mais um Jeremy, consigo ser pior.
Então começamos nossa caçada.
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Por horas andamos e não conseguimos achar nada de realmente útil, Julian se infiltrou em um café de aparência requintada, e com toda aquela carinha de garoto kawaii conseguiu chamar atenção de uma peituda, um papinho e uma distração, ele conseguiu colocar o liquido de sua seringa na bebida dela.
O efeito demorava algumas horas, por isso ele ganhou um beijo na bochecha, e em seguida caiu fora.
Apenas rimos, repartindo um saquinho de jujubas, enquanto eu o tranquilizava, afinal, ele fez muito bem em livrar o mundo de mais uma bakenga qualquer. Por fim, certamente a garota estaria dura em algum lugar, estávamos longe, e ele me parou, cruzando os braços e dando um olhar interrogativo.
– E você, não vai ficar com essa coisinha escondida ai certo.
– Ah não, só quero uma estreia perfeita –resmunguei me sentindo um tanto patética, então algo coçou na minha mente, uma imagem, ou melhor uma conversa que fez meus nervos serem esticados e um ódio silencioso se arrastar por minhas veias.
Me lembro da última conversa que tive com Oliver, ele me contou algo preocupante, mas que agora estava me deixando um tanto mais ...killer que o normal;
(...) mamãe anda muito furiosa comigo, ela nem mesmo deixa eu mais visitar seus pais, e você sabe adoro o bolo de trufa da sua mãe ...ela diz que eu não preciso de amigos, ou que ninguém precisa de mim (...) Ela antes já era muito, muito brava, mas depois que pegou papai em cima da Linda (empregada) os dois vivem brigando e no final eles acabam me batendo(...)
(...) Ela diz que sou desastrado, que falo muito alto e que sempre quero ser esperto, juro Amanda que não faço nada disso (...) Eles me mandaram falar que eu tinha batido com o rosto na porta, porque meu olho esquerdo estava roxo (...) Sempre de madrugada, há coisas sendo jogadas no chão, eu me escondo debaixo das cobertas mas eles sempre me acham, você sempre me disse para não ter medo de monstros, porque não são reais ...mas ...eles são e dói (...) Mas, eles só batem até eu começar a chorar.
– Amanda! –o beliscão de Julian me trouxe de volta, apesar de que eu me sentia meio amortecida, quero dizer eu não senti mais raiva, ódio ou qualquer sentimento considerado humano como empatia, só havia um grande vazio dentro do meu corpo, que estava louco para ser preenchido. Olhei na direção de Julian, ele fez uma careta –Caramba, você tá ok?
Eu já sabia o que fazer, eu já tinha tudo tão claro e perfeito na minha mente que soltei uma risadinha sinistra, enquanto apertava o frasco de veneno em minhas mãos, bem ele não seria muito utilizado, afinal o que eu pretendia fazer teria ajuda de laminas. Por isso, apenas puxei Julian comigo, e caminhei ainda sorrindo para a noite, me sentia quase saltitante.
– Venha baby, hoje eu quero brincar um pouco com facas.
Vamos pintar o mundo de vermelho sangue.
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