Notas iniciais
Olá, me desculpe - mais uma vez - pela demora em postar um novo capítulo. Não tenho tido muito tempo para escrever e por isso estou deixando muito a desejar no quesito atualização da fanfic. Ainda assim, espero que me desculpem pela demora e prometo que vou tentar não demorar mais tanto tempo para atualizá-la. Entretanto, peço um pouco de compreensão para o eventual caso de eu demorar um pouco para postar o próximo capítulo,ok? *Dedico este capítulo à Michele Marques que, atualmente, é a única que comenta essa fanfic apesar de ter pouco mais de 20 leitores fantasmas acompanhando essa história. Obrigada pelos belos comentários Michele *.* Beijos e boa leitura para todo mundo!

[Loren P.O.V.]

Passei mais ou menos uma semana de repouso na enfermaria do Saint Auguste até eu me recuperar o suficiente para poder voltar ao meu quarto e a minha rotina normal – se é que eu podia chamá-la assim.

Durante esse tempo, Terry Steves foi minha única companhia e, para minha surpresa, ele não era assim tão mau quanto eu havia imaginado. Na verdade, eu gostava de conversar com Terry e, tê-lo por perto durante aquela semana, tinha sido bem útil para que eu me distraísse e me divertisse um pouco com a visão peculiar que ele tinha do mundo.

Terry costumava dizer que era muito mais simples trabalhar com pessoas loucas que com pessoas normais, pois os loucos seguiam um padrão que era fácil de identificar e, identificando-o, era fácil prever suas atitudes. Já das pessoas que eram ditas normais, Terry dizia que não era possível identificar ou prever nada. Elas eram uma caixinha de surpresas cheia de possibilidades e era por isso que ele costumava dizer que eu era uma “louca normal”.

Segundo Terry, eu não era como os outros pacientes do Saint Auguste. Havia algo em mim que não parecia pertencer àquele lugar por mais que meu prontuário mostrasse o contrário e, quando eu o questionei sobre esse fato ele apenas respondeu que seu trabalho era cumprir ordens e, não, questioná-las.

Sua resposta me intrigou a tal ponto que passei muito tempo exigindo uma explicação dele, mas não importava o quanto eu pedisse, Terry apenas dizia-me: “As coisas são como devem ser.”. Então eu desisti de tentar entender.

Apesar de minha desistência em entender as coisas que Terry dizia, eu não havia desistido de descobrir a verdade por trás de todas as coisas que tinham acontecido comigo. Eu só não sabia como as descobriria, já que as respostas das quais eu precisava não estavam em um livro ou algo assim.

Estava justamente pensando nisso, quando Madeline abriu a porta de meu quarto e encostou-se ao batente, segurando uma algema de plástico branca.

– Venha comigo. – disse ela em seu costumeiro tom mal humorado.

Ao invés de obedecê-la, eu permaneci sentada em minha cama apenas encarando-a confusa. Eu só via Madeline duas vezes por dia – uma na hora da recreação e outra na hora do banho – e, já que eu havia acabado de voltar de minha recreação e tinha certeza de que ainda faltavam algumas horas para o banho, a presença de Madeline ali não fazia sentido algum para mim.

– Por acaso você é surda? – ela perguntou impaciente.

Antes que eu pudesse pensar em qualquer resposta, Madeline entrou em meu quarto e segurou meus braços com força para colocar a algema de plástico em meus pulsos.

– Para onde está me levando? – perguntei assustada, enquanto ela me arrastava para fora do quarto.

– Para o pátio. – ela respondeu seca – Você tem visita.

Se antes eu já estava confusa por não saber aonde Madeline me levaria, naquele momento fiquei mais confusa ainda. Eu estava no Saint Auguste há quase um mês e, até então, nunca tinha recebido uma visita sequer e, enquanto eu e Madeline descíamos as escadas até o pátio, meu cérebro esforçava-se para tentar assimilar o fato de que, depois de tanto tempo, alguém finalmente tinha vindo me visitar.

No entanto, todo esse esforço acabou sendo em vão, pois no momento em que vi Jess e Norah sentadas em um dos bancos do pátio, fiquei completamente paralisada.

De todas as pessoas que eu poderia imaginar que me visitariam, elas eram as mais improváveis. Eu ainda me lembrava de como as duas tinham ficado no dia de meu julgamento e jamais pensei que as veria novamente depois daquilo, entretanto, elas estavam logo ali – a cinco passos de distância – e eu não conseguia acreditar em meus próprios olhos.

E, ao que parecia, elas também não.

Jess e Norah me encaravam como se estivessem vendo um fantasma. Pareciam tão assustadas que eu comecei a ficar preocupada com a possibilidade de meu rosto estar desfigurado ou algo assim. Bem... talvez ele estivesse mesmo. Eu não tinha como saber.

Desde que eu havia entrado no Saint Auguste nunca mais tinha me olhado em um espelho e não fazia a menor ideia de como meu rosto devia estar naquele momento, mas não tive muito tempo para pensar nisso, pois Madeline me arrastou em direção ao banco onde Norah e Jess estavam.

– Vocês têm trinta minutos. – disse ela antes de virar as costas para nós e voltar para dentro do prédio.

Eu estranhei o fato de que Madeline fosse me deixar ali com Jess e Norah, tendo nada além de uma algema de plástico para me segurar, mas então olhei em volta e percebi que, além dos muros altos e cobertos de arame farpado, ainda havia vários seguranças e enfermeiros circulando pelo local.

– Oi. – disse Jess de uma maneira quase envergonhada, enquanto Norah permaneceu me encarando tão assustada quanto antes.

– Oi. – respondi sem emoção.

Eu estava feliz por vê-las mais uma vez, mas o choque daquele reencontro e o clima estranho que havia entre nós me impediam de fazer qualquer coisa.

– Você... quer se sentar? – Jess perguntou afastando-se um pouco para o lado para abrir um espaço entre ela e Norah.

Norah arregalou os olhos para ela e eu quase pude ouvi-la gritar mentalmente um “Você enlouqueceu?”para Jess. Seu olhar deixou bem claro para mim que, apesar de ela estar ali, ela ainda tinha medo de mim, mas eu não podia culpá-la por isso. Até eu teria medo de mim se estivesse no lugar dela.

– Não. Estou bem de pé. – respondi, vendo o desconforto explicito nos olhos de Norah.

Jess assentiu e abriu um pequeno sorriso para mim que retribuí a igual maneira. Não foi um sorriso tão espontâneo como costumava ser, mas depois de tudo o que havia acontecido, aquilo já era mais do que eu esperava receber.

– Como você está? – ela perguntou de forma calma.

– Estou bem. – respondi dando de ombros.

O olhar de Jess e o de Norah recaíram imediatamente para meus pulsos, que continuavam algemados atrás de minhas costas e elas me encararam como se duvidassem de minha resposta.

–Isso é só por segurança. – acrescentei – Tentei fugir algumas vezes.

Jess assentiu novamente e Norah engoliu em seco. Beleza! Eu a havia assustado ainda mais.

– Esse lugar não é nada legal, não é? – Jess perguntou correndo os olhos pelo muro e depois pelas grades que havia nas janelas do prédio.

– Não. – respondi quase com um sussurro – Mas deve ser melhor que uma prisão.

Jess me lançou um olhar triste.

– Sei que você deve estar se perguntando por que não viemos antes... – ela começou a falar, mas eu a interrompi.

– Não estou me perguntando isso. Na verdade, estou me perguntando por que vieram. Eu não esperava vê-las aqui depois... de tudo. – expliquei.

– Viemos porque você é nossa amiga. – Norah respondeu fazendo minha atenção recair sobre ela. – Essa situação toda é muito estranha para nós, Loren, mas não esquecemos a amizade que nós tínhamos.

Eu a encarei sem dizer nada, mas estava feliz por ouvir aquilo dela.

– Depois do seu julgamento, nós ficamos pensando em toda aquela confusão e chegamos à conclusão de que você não faria mal ao Pietro em uma situação normal. –Jess explicou – Não entendemos o que aconteceu aquela noite em Angel’s House, mas sabemos que a Loren que conhecemos nunca faria mal a ninguém.

Eu olhei para as duas, emocionada. Era bom saber que elas me entendiam e acreditavam em mim daquela forma.

– Eu também não consigo entender até hoje o que aconteceu lá e o que eu fiz ao Pete, mas eu nunca quis machucá-lo. Toda aquela festa foi uma loucura.

Jess abriu um sorriso triste para mim e Norah também se colocou de pé. Ela ainda parecia receosa quanto a nossa proximidade, mas agora eu já conseguia divisar em seu rosto um pouco da amizade que nós tínhamos antes ao invés do medo.

– Desculpe por termos te deixado tanto tempo sozinha. – disse Jess, enquanto me surpreendia com um abraço apertado.

No minuto em que senti seus braços envolta de meu corpo, comecei a chorar. Eu não havia percebido que precisava tanto de um abraço até receber um e o abraço de uma de minhas melhores amigas tinha um peso especial nesse caso.

Norah também se juntou a nós e, logo, nós três estávamos chorando. Eu queria apertá-las em um abraço assim como elas estavam fazendo comigo naquele momento, mas a algema que prendia minhas mãos me impedia de fazer isso, então, eu apenas encostei minha cabeça no ombro de Jess.

– Eu senti muita falta de vocês. – eu disse com a voz embargada por causa do choro.

– Nós também sentimos sua falta, Loren. – Norah disse acariciando o topo de minha cabeça – Não viemos antes porque tínhamos medo do que encontraríamos aqui, mas estou feliz por termos vindo hoje.

– Obrigada, garotas. Também estou feliz que vocês tenham vindo.

Elas se afastaram de mim, secando os olhos com as costas das mãos e finalmente senti que o clima estranho que havia entre nós tinha se dissipado. Elas eram minhas melhores amigas de novo e eu estava tão feliz que poderia até pular e cantar se os enfermeiros não fossem me sedar segundos depois por achar que eu estava tendo uma crise.

– Ai meu Deus! Eu não consigo parar de chorar! – Jess exclamou com um largo sorriso – Meu delineador vai borrar e eu ficarei parecendo um panda por sua causa, Loren.

Eu e Norah rimos e, então, nós três nos sentamos no banco para conversar enquanto o horário de visitas não acabava.

Norah e Jess me contaram que, depois da morte de Pietro, elas tinham sido proibidas de me ver e que tiveram de mentir para poder me visitar, pois seus pais não queriam mais que elas se aproximassem de mim. Ao que pude perceber enquanto conversávamos, esse era consenso entre todas as pessoas da cidade. Todos achavam que eu era perigosa – principalmente os pais de Pietro – e, mesmo que algum dia eu saísse do Saint Auguste, ninguém queria me ver em Trevolts novamente. Bem, com isso eles não precisariam se preocupar, pois eu também não tinha intenção nenhuma de voltar àquela cidade.

Já em relação a meu pai, a única coisa que elas sabiam é que ele, Anne e os garotos tinham se mudado para outra cidade uma semana depois de meu julgamento, pois todos tinham se tornado tão repudiados em Trevolts quanto eu, mas eu não consegui me sentir mal por isso. Nada que acontecesse a meu pai me importava mais e, embora eu achasse que era um sentimento ruim de uma filha ter por seu pai, não conseguia me forçar a sentir algo diferente. Eu simplesmente o odiava por tudo de ruim que ele havia feito à minha mãe.

Eu contei um pouco sobre a rotina do Saint Auguste para as garotas – deixando de fora o fato de que o fantasma de Pietro havia tentado me matar alguns dias antes e o fato de que eu tinha conhecido um garoto lindo que eu não sabia realmente se era real – e quando Madeline voltou, nós nos despedimos com mais um abraço emocionado e elas me prometeram que, assim que fosse possível, voltariam para me visitar.

De volta ao meu quarto eu mal me importei com o hematoma fino e vermelho que havia surgido em meus pulsos por causa da algema plástica com que Madeline tinha me prendido. Eu só conseguia pensar na visita de Norah e Jess e no fato que nossa amizade ainda significava tanto para elas a ponto de fazê-las mentir para os pais apenas para poder me visitar.

Eu mal podia esperar pela próxima visita e, por um momento, até me esqueci de tudo o que eu havia sofrido nos últimos meses. Então, sem medo de que alguém pudesse me ver, eu cantei e pulei alegremente por meu quarto, até que Madeline voltou às cinco da tarde, para me levar para tomar banho.

Eu nem me importei com seu jeito rude dessa vez e, enquanto tomava meu banho, eu cantei um pouco mais porque, mesmo que eu nunca mais saísse do Saint Auguste, já ficava feliz por saber que minhas amigas ainda estavam lá fora e não me odiavam.

Aquilo bastava para mim naquele momento.

Notas finais
Bem, aí está o capítulo 15, galerinha. Espero que vocês tenham gostado e nem vou pedir os comentários, porque já até me acostumei a não recebê-los. Também não vou estipular um data precisa para postar o capítulo16, pois com minha falta de tempo eu não estou em posição de fazer isso, mas prometo que postarei o mais rápido que conseguir. Então, até o próximo capítulo! Bjoks