Killer

16 Surpresa Noturna


Notas iniciais
Olá, desculpem a demora para postar esse capítulo. Eu estava viajando e por isso demorei um absurdo para terminar de escrevê-lo. Entretanto, agora que estou de férias de tudo, poderei atualizar a fanfic com mais frequência. Boa leitura.

[Loren P.O.V.]

Duas semanas tinham se passado desde a visita de Jess e Norah e a felicidade que eu vinha sentindo desde então, aos poucos, começava a diminuir. Agora que eu estava de volta ao meu quarto e não tinha mais a companhia de Terry, os dias no Saint Auguste tinham se tornado terrivelmente solitários e entediantes.

Eu passava uma hora por dia na Ala de Convivência e as horas seguintes em meu quarto, dormindo ou olhando a paisagem através da janela. Muitas pessoas diriam que esse era um preço baixo a se pagar por tirar a vida de alguém, mas só os pacientes do Saint Auguste sabiam que aquele era um preço bastante razoável.

Depois de alguns dias de confinamento naquele lugar, não era difícil começar a pensar em dar fim a própria vida e, provavelmente, o juiz que decretou a minha sentença sabia disso. Condenar alguém a permanecer no Saint Auguste até que estivesse curado era o mesmo que condená-lo a passar o resto da vida ali, pois a própria áurea do lugar te enlouquecia.

Eu estava justamente pensando nisso quando Madeline bateu em minha porta naquela tarde para me levar à Ala de Convivência e, já acostumada com a rotina, estendi as mãos para que ela algemasse meus pulsos antes de me guiar escada abaixo.

– Volto em uma hora. – disse Madeline assim que paramos em frente à porta da Ala de Convivência – Divirta-se.

Ela retirou as algemas de meus pulsos e me empurrou para dentro da sala sorrindo discretamente para mim antes de fechar a porta.

Para muitos, essa atitude de Madeline parecia gentil, mas eu havia passado tempo suficiente com ela para saber que gentileza não fazia parte de sua personalidade. Todos os dias Madeline me levava à Ala de Convivência e todos os dias ela me dizia a mesma coisa. Aquilo era como uma espécie de piada para ela, pois ela sabia muito bem que a Ala de Convivência era muitas coisas para mim, menos divertida.

Me dirigi a uma das mesas próximas à janela e me sentei para observar a paisagem e esperar até que meu horário de recreação acabasse, como eu fazia todos os dias. Meio minuto depois alguém arrastou uma cadeira e se sentou ao meu lado.

Me virei e me surpreendi ao encontrar Bryan ali.

– Sei o que está pensando. – ele disse com um pequeno sorriso – A Ala de Convivência nunca esteve tão bem frequentada como hoje, não é?

Ele piscou para mim e eu não pude deixar de rir.

– Na verdade, eu estava pensando que os enfermeiros deviam ter me dado a medicação antes de mandarem para cá. Estou tendo alucinações agora e isso não é um bom sinal. – respondi calmamente.

Dessa vez foi ele quem riu e depois se ajeitou na cadeira para ficar de frente para mim.

– Você ainda acha que eu não sou real? – ele perguntou olhando em meus olhos de uma forma que me deixou desconcertada.

Desviei o olhar do dele e pigarreei para limpar a garganta antes de responder:

– Sinceramente, eu já nem sei mais o que achar. Em um momento você está aqui e eu acho que você é real, mas no momento seguinte você some e eu começo a achar que sou completamente louca. – dei de ombros – Tentar desvendar o seu enigma está fazendo meu cérebro entrar em curto circuito e isso não é muito agradável.

Bryan assentiu e segurou minhas mãos fazendo com que um calor estranho percorresse meu corpo e deixasse minhas bochechas ruborizadas. A forma como eu reagia ao toque e a presença dele era extremamente vergonhosa.

– Sei que é complicado para você acreditar em qualquer coisa agora. – ele disse depois de um momento – Sua vida está de cabeça para baixo e tudo parece uma grande confusão, mas se você permitir, eu posso te provar que sou real e resolver tudo isso.

Eu o encarei cheia de desconfiança e Bryan sorriu.

– Você é muito cética, sabia? – ele disse em um tom divertido.

– Fui acusada de dois assassinatos e condenada a passar o resto dos meus dias em um hospício. Desculpe, mas realmente não sou o tipo de garota que acredita em milagres. – respondi indiferente.

– Às vezes os milagres acontecem onde e quando as pessoas menos esperam. Talvez eu possa fazer você começar a acreditar nisso.

Semicerrei os olhos para ele, observando-o com atenção.

– Você é algum tipo estranho de religioso? – perguntei.

Bryan riu, soltou minha mão e se colocou de pé e eu lutei contra a vontade de segurar a mão dele novamente.

– Eu não sou um religioso. – ele respondeu calmamente enquanto olhava através da janela.

Mantive meu olhar em suas costas enquanto pensava em algumas outras coisas que ele poderia ser e Bryan se virou para mim.

– Eu também não sou um fantasma, Loren. – ele disse sorrindo e, quando franzi a testa para ele, ele revirou os olhos – Não. Eu também não leio mentes. Seus pensamentos é que são óbvios demais. – completou.

Eu ri e ele voltou a se sentar ao meu lado.

– Espere até o toque de recolher, ok? Eu preciso te mostrar uma coisa.

Ponderei por um minuto e Bryan sorriu.

– Ora. Vamos lá, Loren. Me dê um voto de confiança. Você não tem nada a perder, certo?

De fato, Bryan tinha razão. Eu já estava condenada a ficar presa no Saint Auguste até o fim da vida, então não perderia nada se lhe desse uma chance. Além do mais, eu não teria uma oportunidade melhor para descobrir se ele era real ou não que aquela. Então, estendi a mão para ele.

– Você tem até o toque de recolher para me mostrar seja lá o que quer me mostrar e me provar que você é real. Se não conseguir, vai parar de aparecer e sumir de repente e vai me deixar em paz. – ordenei.

Bryan apertou minha mão concordando.

– Temos um trato.

O restante de meu horário de recreação eu passei jogando xadrez com Bryan. Perdi todas as partidas, mas fiquei feliz por não ter perdido duas delas com um xeque-mate pastor e, quando Madeline foi me buscar, me despedi de Bryan com aceno discreto e depois segui até ela com os braços já estendidos.

Madeline retirou as algemas plásticas do bolso do jaleco, mas ao invés de colocá-las em meus pulsos, ela parou e me encarou.

– Você parece feliz. – disse me analisando – Fez algum amigo hoje?

Eu sorri.

– Ninguém em especial.

Madeline olhou para mim, depois varreu a Ala de Convivência com o olhar e, então, voltou a me encarar.

– O que foi? – perguntei incomodada com seu olhar atencioso.

Ela me olhou por mais um momento até que, por fim, pareceu desistir de investigar minhas atitudes e colocou as algemas em meus pulsos antes de me levar de volta para o quarto.

Fiquei deitada em minha cama pelas duas horas que se seguiram até Madeline voltar e me levar para tomar banho. Quando voltei ao meu quarto depois disso, tudo em que eu conseguia pensar era em como Bryan faria para me provar que era real até o toque de recolher, mas completamente ciente de que minhas teorias eram uma mais absurda que a outra, desisti de tentar imaginar o que ele faria e me deitei em minha cama.

Adormeci cerca de dez minutos depois e, quando acordei, Bryan estava parado ao lado de minha cama segurando uma lanterna. Antes que eu pudesse gritar de susto, ele tapou minha boca.

– Fique calma, Loren. – ele sussurrou inclinando-se para ficar mais perto de mim – Eu vou te soltar agora, mas agradeceria se você não gritasse. Pode fazer isso?

Eu assenti devagar e ele retirou a mão de minha boca calmamente. Assim que me vi livre dele, eu me coloquei de pé.

– O que está fazendo aqui? – perguntei tomando cuidado para manter meu tom de voz baixo.

– Eu te disse que viria.

– Não. Você me disse que ia me mostrar uma coisa e me provar que era real. Não falou nada sobre invadir o meu quarto no meio da noite. – retruquei.

– Para fazer o que prometi eu precisava estar aqui, portanto, pare de dar chilique. – ele respondeu sorrindo.

– Não estou dando chilique. E, a propósito, como foi que você entrou aqui? – olhei para a grande porta de aço de meu quarto que continuava fechada.

Bryan retirou do bolso da calça um cartão magnético igual aos que os enfermeiros do Saint Auguste usavam para abrir e trancar as portas e o ergueu para que eu visse.

– Onde conseguiu isso?

– Peguei emprestado com um dos Cães de Guarda. – ele respondeu tranquilamente e eu arregalei os olhos.

– Você roubou isso?! – perguntei tão nervosa que minha voz subiu uma oitava.

– Não é roubo se você devolver. – ele deu de ombros.

Balancei a cabeça de forma negativa.

– Faz sentido você estar em um hospício. Você é completamente louco, Bryan! Você não pode sair por aí pegando os cartões dos enfermeiros desse jeito. E se alguém descobrir? Eles nos prenderiam na solitária pelo resto da vida! – exclamei.

Comecei a tagarelar, mas minhas reclamações foram interrompidas quando Bryan me puxou para junto de si e me beijou.

Uma eletricidade incomum se espalhou por meu corpo quando senti os lábios dele nos meus, mas antes que eu pudesse perder a cabeça a cabeça por causa daquele beijo, Bryan se afastou.

– Porque fez isso? – perguntei um pouco sem fôlego.

– Foi a forma mais divertida que encontrei para fazer você se calar. – ele respondeu com um sorriso – Agora venha me ajudar a arrumar essas coisas aqui.

Bryan colocou a lanterna no chão e depois abriu uma mochila que estava encostada em um canto escuro perto de minha cama. De dentro dela ele retirou uma toalha de mesa e algumas vasilhas que continham frutas, doces e salgadinhos e, também, uma pequena garrafa de refrigerante.

Olhei para tudo aquilo surpresa.

– Onde conseguiu todas essas coisas? – questionei – Não me diga que também “pegou emprestado” com um dos enfermeiros?

– Não. Essas coisas eu consegui com uma grande amiga. – ele respondeu enquanto arrumava as vasilhas sobre a toalha de mesa – E não foi um empréstimo. Ela me deu.

Com medo do que ele poderia responder caso eu perguntasse quem era essa tal amiga, eu apenas assenti e me concentrei em dizer a mim mesma que a amiga a quem ele se referia era alguém como Norah e Jess eram para mim e não uma possível ex-namorada. Era ridículo, sim, mas eu estava com ciúmes.

Ajudei Bryan a terminar de arrumar as coisas e depois abri a garrafa de refrigerante, despejando seu conteúdo em dois copos descartáveis.

Uma luz alaranjada preencheu o quarto e, quando me virei, Bryan estava segurando um pequeno cupcake coberto de glacê rosa, onde uma única vela estava espetada.

– O que é isso? – perguntei confusa.

– Hoje é dia vinte e sete de março. – ele respondeu sorridente – Eu não podia deixar o seu aniversário passar em branco.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Em breve, postarei o próximo capítulo. Beijos e até lá.