Killer

17 Quebrando as Regras


Notas iniciais
Olá XD Dessa vez não demorei muito para postar o capítulo o/ e espero que gostem do que preparei. Beijos e boa leitura.

[Loren P.O.V.]

Olhei para Bryan assustada e, mentalmente, tentei contar os dias que tinham se passado desde a trágica festa em Angel’s House. Não era uma tarefa fácil.

Depois de tudo o que tinha acontecido em minha vida, minha noção de tempo não podia ser considerada uma “ciência exata” e o fato de que não havia sequer um relógio ou calendário no Saint Auguste, tornava tudo ainda mais difícil.

Tive que refazer minha contagem três vezes antes de aceitar que realmente estávamos no mês de março. Eu não tinha certeza, entretanto, de que estávamos no dia vinte e sete, mas supondo que estivéssemos, isso levantava outra questão muito importante.

– Como sabe a data do meu aniversário? – perguntei, olhando atentamente para Bryan.

– É uma longa história, mas você acreditaria se eu dissesse que a segurança do local onde guardam os prontuários dos pacientes não é tão boa?

– Você roubou o meu prontuário?! – perguntei incrédula.

Bryan riu.

– Você tem uma mania irritante de achar que eu estou sempre roubando alguma coisa. Por acaso eu pareço ser um ladrão, Loren?

Olhei para ele por um instante. Com aqueles olhos azuis profundos e o rosto bem esculpido, Bryan parecia um deus pagão da beleza, mas eu não lhe diria isso, é claro.

– Ladrões nunca parecem ser ladrões. – respondi por fim, dando de ombros.

Ele revirou os olhos para mim.

– Eu não roubei o seu prontuário, mas admito que li. Apenas isso, ok? Agora deixe de besteira e venha até aqui assoprar essa vela.

Sorri e fui me sentar ao lado dele, entregando-o um dos copos de refrigerante, que ele deixou de lado para poder segurar o cupcake à minha frente.

– Faça um pedido. – disse ele.

Fechei os olhos e pensei em pedir para sair do Saint Auguste, mas então me ocorreu que eu não saberia nem para onde ir e nem o que fazer quando saísse dali. Minha vida lá fora tinha acabado e as paredes gélidas do Saint Auguste eram o que eu podia chamar de lar agora, então eu pedi algo que estava mais ao meu alcance, algo que fazia o Saint Auguste não parecer tão ruim: pedi para ter Bryan sempre por perto.

Abri os olhos, encontrando o olhar penetrante de Bryan sobre mim e assoprei a vela.

– Feliz aniversário. – ele disse sorrindo.

– Obrigada.

Bryan retirou a vela do cupcake e depois o entregou a mim. Dei uma pequena mordida, saboreando o gosto doce do glacê cor de rosa e ofereci um pouco a ele, que recusou com um aceno de cabeça e se contentou em observar enquanto eu terminava de comer.

Quando terminei, Bryan se aproximou um pouco mais de mim e passou o polegar gentilmente no canto de meus lábios para limpar o glacê que havia ficado ali. Foi um toque breve, porém cálido o suficiente para despertar minha imaginação e, logo, eu me peguei desejando que Bryan me tocasse da mesma forma que havia me tocado na noite em que nos conhecemos.

Com tudo o que havia acontecido naquele dia aquele episódio tinha sido desastroso, é claro, mas dessa vez eu estava bem mais calma e ambientada com esse lugar e minha mente vagava pelo leque de possibilidades das quais eu poderia desfrutar naquela noite.

Eu só precisava que Bryan tomasse a iniciativa...

– E então? – perguntei numa tentativa de puxar um assunto que, talvez, levasse Bryan a seguir pelo caminho que eu queria.

– E então o que? – ele franziu a testa para mim.

– Bem, você disse que precisava me mostrar uma coisa e que me provaria que é real. Então, a menos que o seu plano se resuma a essa festa de aniversário surpresa, acho que já está na hora de começar a cumprir sua promessa. – expliquei.

Embora eu tivesse feito aquele trato com Bryan com a expectativa de descobrir se ele era real ou não, eu já não estava mais tão interessada nessa informação como antes. Claro, ainda queria desvendar esse enigma, mas isso estava em um segundo plano agora. O que eu queria mesmo saber era o que ele tinha para me mostrar e se aquilo, de alguma forma, terminaria com um beijo. E a parte do beijo, é claro, era a mais importante.

– Sim. Eu ainda tenho algo para te mostrar, mas prefiro fazer isso depois que terminarmos a sua festa surpresa. – ele respondeu, estendendo-me uma vasilha repleta de mini pastéis.

– Quando você diz “terminar a minha festa”, quer dizer que temos de comer todas essas coisas? – fiz um gesto abrangente para as vasilhas que estavam sobre a toalha de mesa.

Bryan riu.

– Bem... Não exatamente. – ele respondeu de forma calma – Eu quero que você coma, mas é claro que você não precisa comer tudo se não quiser.

– E você não vai comer? – indaguei.

– Não. Eu não estou com fome. Trouxe tudo isso para você. – ele explicou – Achei que seria bom, depois de passar semanas comendo as mesmas coisas aqui no Saint Auguste.

Olhei de esguelha para ele por um momento, procurando por qualquer coisa suspeita em sua expressão, pois minha mãe – e a história da Branca de Neve – sempre me ensinou a desconfiar de pessoas que nos oferecem um alimento que não têm intenção de comer. Entretanto, a expressão de Bryan estava tão calma quanto o tom de sua voz e, a menos que ele fosse um ótimo mentiroso, eu não vi razão para não pegar um dos pastéis que ele me oferecia.

Comi um pouco de cada um dos alimentos que Bryan trouxera para minha festa e, quando finalmente me senti satisfeita, eu o ajudei a tapar todas as vasilhas e recolocá-las na mochila. Ele havia trago uma quantidade significativa de comida e, mesmo não tendo conseguido comer tudo, eu não podia me arriscar e ficar com algumas delas em meu quarto. Esse tipo de coisa era proibida no Saint Auguste e eu não queria ter de passar alguns dias na solitária por infringir as regras.

– Acho que a minha festa surpresa está oficialmente encerrada agora, não é? – eu disse, sentando-me na cama.

– Sim. Ela está. – Bryan respondeu com um pequeno aceno.

– Então, você vai me mostrar, seja lá o que tem para me mostrar, agora? – perguntei empolgada.

Bryan sorriu.

– Sim. – ele se sentou ao meu lado e segurou minhas mãos – Antes, porém, tem algumas coisas que eu preciso te dizer.

– Então, diga. – pedi dando de ombros.

Bryan apertou minhas mãos nas suas e me olhou nos olhos, ganhando assim toda a minha atenção. Ele tinha algo no olhar... Era como se pudesse ver a minha alma através dos meus olhos e aquilo me encantava de uma forma que tudo o que eu podia fazer era sustentar seu olhar.

– Loren, isso não vai fazer muito sentido para você agora, mas de onde eu venho nós costumamos acreditar em sinais. – ele explicou de forma séria – E eu acredito que encontrar você foi um desses sinais.

Olhei para ele sem saber se eu precisava dizer alguma coisa, afinal, aquilo realmente não fazia sentido para mim. Todas as palavras de Bryan soavam como as falas desses romances piegas que víamos no cinema e eu não fazia a menor ideia de onde ele queria chegar com tudo aquilo.

– Há outra coisa em que acredito. – Bryan continuou antes que eu dissesse qualquer coisa – Acredito que algo grande está prestes a acontecer. Algo que mudará a existência de muitas pessoas, entende? E eu sinto que você é a chave para isso.

– Você está falando como um religioso estranho de novo. – eu disse com um risinho nervoso.

Não estava acostumada a ter alguém me dizendo que eu era a chave para algum grande acontecimento e a forma séria como Bryan estava me olhando, me incomodava.

– Não é uma questão de religião, Loren. Digamos que... É como um pressentimento, sabe? – ele suspirou – Muitas pessoas me disseram que eu estava imaginando coisas onde elas não existiam, mas nada tira essa sensação de mim. Não consigo me livrar dessa sensação de que há algo em você que vai mudar tudo!

– Você está começando a me assustar, Bryan. – eu disse retirando minhas mãos da dele – Talvez seja melhor você ir embora agora.

Eu estava, decididamente, começando a achar que ele era um lunático e uma pequena vontade de começar a gritar por socorro começava a se apoderar de mim.

– Não. – Bryan agarrou minhas mãos novamente – Me deixa terminar, por favor. É importante, Loren.

Alternei meu olhar entre ele e a porta, dividida entre expulsá-lo de meu quarto e deixá-lo continuar com seja lá o que fosse que ele estava tentando me dizer. Por fim, sua expressão suplicante venceu e assenti para que ele continuasse.

– Sabe, Loren, eu venho tentando decifrar isso tanto quanto você vem tentando descobrir se eu sou real ou não. – ele disse em um tom carregado de frustração – O problema é que eu já revirei todas as minhas lembranças de cabeça para baixo a procura de algo que pudesse me ajudar a entender isso, qualquer coisa que eu pudesse ter deixado passar... mas eu não encontrei nada. Simplesmente nada! Então me ocorreu algo no qual eu ainda não tinha pensado.

– E o que foi? – perguntei cautelosa, pronta para me defender, embora eu ainda nem soubesse contra o que.

– Pensei que talvez a resposta para as minhas perguntas pudesse estar com você e não comigo. – ele respondeu de forma direta – Talvez o que eu procuro esteja nas suas lembranças e não nas minhas, mas eu só posso ter certeza disso se você se lembrar.

– Se eu me lembrar de que? – indaguei. As coisas que Bryan dizia faziam menos sentido a cada segundo.

Bryan não respondeu a minha pergunta. Apenas soltou minha mão, se levantou e começou a abrir os botões de sua camisa, fazendo uma batalha silenciosa se travar dentro de minha mente. Eu não sabia se apenas apreciava enquanto, um a um, os botões de sua camisa eram abertos, revelando seu abdômen definido ou se começava a acusá-lo de insanidade.

Antes que eu pudesse me decidir, Bryan retirou a camiseta por completo, deixando exposta uma tatuagem no lado esquerdo de seu peito. A tatuagem consistia em uma espada – desenhada de forma que ela parecia atravessar a pele de Bryan e perfurar seu coração – e que era cercada por um par de grandes asas negras.

Bryan se sentou novamente ao meu lado e segurou uma de minhas mãos.

– É arriscado, mas eu preciso que se lembre, Loren. Preciso que se lembre de tudo. – ele disse com um tom tão cheio de sentimento, que tive de engolir em seco.

Eu não sabia o que ele queria que eu lembrasse. Eu o tinha visto apenas algumas raras vezes no Saint Auguste e, mesmo esses encontros, tinham sido ridiculamente curtos. Não havia nada para lembrar e, mesmo que houvesse, eu não fazia ideia de como me lembraria de algo que eu não fazia ideia do que podia ser.

Como se pudesse ouvir meus pensamentos, Bryan guiou minha mão até sua tatuagem e a deixou pairar alguns milímetros acima dela.

– Apenas deseje ter acesso às suas lembranças. – disse ele – Eu posso liberá-las para você, mas é você quem tem de buscá-las. Elas só virão se você as chamar.

– Do que você está falando? – questionei sem entender nada do que ele queria dizer como aquilo.

– Feche os olhos e concentre-se, Loren. Apenas deseje. – Bryan pediu – Por favor.

Não sei bem se foi por querer acabar logo com toda aquela loucura ou se foi porque, de alguma forma, havia uma parte de mim que sabia o que devia fazer, mas fechei os olhos e desejei poder me lembrar de tudo – embora eu não soubesse a que se referia aquele tudo – com a maior intensidade que consegui.

– Muito bem. – Bryan praticamente sussurrou para mim.

Continuei repetindo mentalmente o queria e, quando me pareceu que o pensamento estava intricado em minha mente, abaixei a mão e toquei a tatuagem de Bryan.

Foi como se um fogo invisível invadisse meu corpo no mesmo instante. Primeiro a palma de minha mão, depois o meu peito e então a queimação se espalhou. Parecia que eu havia caído em um vulcão e aquilo doía! Doía tanto que eu queria gritar desesperadamente, mas era como se minha garganta tivesse se fechado.

Eu não sabia o que Bryan havia feito comigo, mas queria me afastar dele. Queria retirar minha mão de sua tatuagem e correr para longe, mas parecia que eu não tinha mais controle sobre o meu corpo. Parecia que eu havia sido sugada por um buraco negro. Só havia escuridão a minha volta.

Então, no segundo seguinte, as lembranças me bombardearam.

Notas finais
Bem, é isso aí. Acho que isso despertará a curiosidade de suas pessoas, né? rsrs Então, se estiverem curiosos, nos encontramos no próximo capítulo o/ Beijos e até lá!